A Lança de Ares

1 Atenção! Monstros ao ataque!


Notas iniciais
Então, esse é o primeiro capítulo dessa história que surgiu na minha imaginação num dia monótono. Espero que curtam! :D

Bem, não sei como começar, aliás, eu nunca fiz isso. Prometi para eu mesmo que nunca contaria o que aconteceu naquele ano e os seguintes também, morreria com essa história, mas hoje, sentado nesse colchão fino e poeirento, com meu notebook e no auge da vida, decidi que ela merecia ser contada. Talvez você não acredite, talvez pense que seja apenas uma história boba de um idoso que foi deixado num asilo pelos seus próprios filhos, mas a verdade? Eu não ligo. Apenas quero deixar aqui tudo sobre as cicatrizes que essa tal vida me deixou, sejam elas físicas ou psicológicas, porque, acredite ou não, desse universo ninguém sai ileso. Hoje tenho setenta e quatro anos e sou um dos únicos semideuses de idade avançada vivo. Será que eu devia mesmo agradecer?

Aqui vai um resumo sobre mim: Eu tinha quinze anos. Isso mesmo, meio tarde para conhecer meu pai, mas foi nessa época da minha vida que eles decidiram me encontrar e eu tive que ir para o Acampamento Meio-Sangue. Meu nome? Alexander Strike, porém, chamem-me de Alex. Eu fui deixado em um orfanato, vai parecer meio clichê, mas sim, eu fui largado na porta do velho Orfanato Peter's, uma construção meio velha no final da Rua dos Ladrilhos, se eu não me engano, desculpe, já faz muito tempo. Nenhum bilhete, nenhum chaveiro com meu nome, nada, apenas eu, enrolado em um cobertor vermelho com o desenho de uma lança estampada. Mas enfim, vamos começar essa longa história.

Eu estava dormindo quando algo tremeluziu no lado oposto da minha cama. Primeiro, acreditei que fosse a luz do poste, porque o quarto onde eu dormia ficava de frente para a rua e a janela era minha vizinha, mas, num sussurro, escutei uma voz familiar.

– Alex! – Era como se ela quisesse gritar, mas tinha que ser cauteloso. – Ei, Strike!

Gemi sonolento. Quem seria naquela hora da noite? Eu devia estar muito cansado, sim, devia ser isso.

– Alexander Strike! – Agora a voz gritou e eu levantei num pulo, batendo a cabeça no beliche de cima.

O lado bom de ter só você de menino em um orfanato, é que você tem um quarto só para seu próprio conforto e ninguém te perturba. A não ser uma miragem no meio da madrugada.

Quando olhei, logo reconheci. Cabelos encaracolados e castanhos, olhos verdes e sardas salpicadas pelo nariz e espinhas ligeiramente espalhadas pela testa. Lerry Buckley, meu amigo do colégio. Sua imagem estava estampada numa nebulosa fumaça, meio fraca. Tomei um susto, aquilo só podia ser um sonho.

– Escute, Alex, isso não é um sonho, sei que deve estar pensando que é, mas não é! – Lerry olhava atentamente para o lado, meio nervoso. – Isso é uma mensagem de Íris... Bem, depois eu te explico.

Cocei os olhos, na tentativa de acordar daquele sonho, pelo menos eu achava que era, mas nada adiantou.

– Eles te encontraram, Alex... Corra! – Gritou. – Encontre-me na praça daqui a cinco minutos, não leve nada, apenas roupa. Vá!

Meu amigo Lerry sumiu, juntamente com a miragem. Naquele momento, fiquei na dúvida se tinha enlouquecido ou se era o torpor do sono que me fazia ver coisas. Voltei a deitar, cobrindo meu corpo até o pescoço, quando ouvi o primeiro barulho.

Era como se tivessem escalando a parede externa do orfanato. Ainda posso ouvir, quando lembro. Garras fincando e alguns murmúrios com vozes demoníacas. Grudei minha orelha na parede e os murmúrios foram ficando mais longe, juntamente com o barulho das garras nas paredes, até que, numa explosão, duas figuras tão horripilantes quanto a Srª. Black, minha ex-professora do fundamental, apareceram.

– Alex Strike? – Sibilou uma, numa voz rouca e arrastada. – É mesmo você?

Saí do beliche, correndo em direção à porta, mas logo parei quando uma delas interrompeu minha passagem.

– Não sabe há quanto tempo estou querendo provar do seu sangue de guerra, semideus. – Falou a outra.

Aquela pele branca como giz... Seus olhos vermelhos sangues e suas presas gigantes... Enfrentei muitas outras depois, mas nada como a primeira impressão, essa sim fica na mente para te atormentar.

– Agora, finalmente, você é meu! – Riu uma delas, mas eram tão iguais que eu não soube identificar se era a mesma ou não.

– Não é só seu, irmãzinha. Eu cacei esse junto com você. – Grunhiu a outra. – Grande parte do trabalho fui eu quem fiz.

– Uma ova! – A que interrompeu minha passagem virou para a que estava perto da abertura. – Fui eu que senti o sangue dele primeiro!

Passos. Eu consegui ouvi-los, vindo lá de baixo. Mama Jessy não iria gostar daquilo. Pensei comigo mesmo que se eu saísse daquela confusão vivo, ela iria me colocar para lavar todas as escadas do Peter's, isso se os vasos sanitários não viessem de brinde.

Ótimo, elas estão se distraindo... Se eu conseguisse pular a janela... Pensei, o que seria muito impossível contando com a minha falta de experiência em pular janelas.

Dei o primeiro passo quando uma delas se virou na minha direção.

– Chega de falatório! – Seus olhos vermelhos brilharam. – Tá na hora do lanche.

Notas finais
Então foi isso. Até o próximo capítulo ;)