A Lança de Ares

2 Perdem-se as calças, ganham-se pêlos!


Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem! ;)

Elas vieram para cima de mim e eu meio que voei para o lado, fazendo-as bater de cara na parede interior do quarto.

– Quanto mais insistir em recusar a se entregar, mais doloroso será seu fim.

– Isso mesmo, semideus, as empousai são bem criativas para modos de tortura! – Ela rosnou depois que terminou a frase.

– Eu deveria me desculpar? – Perguntei, gaguejando. – Porque meus planos não são virar jantar de demônio!

Estiquei minha mão até o criado mudo e peguei o estilete que estava ali em cima. Precisava de algo para me defender e aquilo ali fora a única coisa no meu campo de visão.

– Você acha que nos derrotará com esse pequeno... – Ela parou e olhou atentamente. – O que seria isso?

– Isso? – Ergui o estilete. – Isto, costumam dizer, é um mata-empousai. – Eu falei, mesmo não sabendo nem o que significava empousai, ou o que eram as empousai. Mas precisva impressioná-las e atrasá-las.

– Nunca ouvi falar desse negócio. – Retrucou a irmã dela. – É feito de Bronze Celestial?

Eu travei por dois instantes. Pera, o que diabos era Bronze Celestial? Mas ela falou aquilo com tanto tremor na voz, que concordei.

– Sim! – Respondi, meio gago, mesmo não sabendo o que era esse tal Bronze Celestial. – Feito do mais puro Bronze Celestial! E se eu apenas encostar isso aqui em vocês, serão mandadas direto para o lugar de onde não deveriam ter saído.

– Você? Um semideus novato? Mandar a gente pro Tártaro? – A empousai mostrou as presas. – Sinto pena de você!

Tártaro? Opa, Eu já havia escutado aquilo... Ou melhor, já havia lido sobre aquilo. Não conseguia lembrar onde, ou o que representava, apenas que era relacionado à Mitologia Grega. Disso eu lembrava.

Ela trotou para cima de mim. Agora que eu havia percebido o quão horripilante elas eram na parte inferior do corpo. As pernas eram incompatíveis, uma maior que a outra e uma diferente da outra. Enquanto uma tinha casco e pelos de burro, a outra era feita de bronze num molde humano.

Ela jogou sua mão com longas garras contra meu rosto e senti algo quente escorrendo. Agitei minhas mãos para cima dela, ameaçando-a com o estilete e ela recuou.

As duas pareceram confusas por um momento, se entreolhando. Na minha cabeça, a única coisa que se passava era como eu ia sair daquilo vivo. Até que cheguei a uma conclusão.

– Isso tudo é um pesadelo. – Eu disse e elas olharam para mim. – Eu vou me beliscar e vou acordar.

– Você é tão tolo! – Riu a da direita. – Acredita mesmo que seja um pesadelo? Você é um semideus e nós somos o seu fim.

– Tenho uma opção melhor do que beliscar. – Rosnou a outra. – Comemos você. Aposto que nunca provou dor maior!

– Infelizmente vou ter que desapontá-las, mas recuso essa oferta. – Eu falei, tentando quebrar a tensão, mas minha voz saiu engasgada, fraca e tremida, o que não ajudou muito.

Elas mostraram as presas e uma correu na minha direção. Foi nesse momento que fiz besteira. Sem querer, atingi ela com o estilete. Um liquido azul escorreu pelo rosto dela e a empousai observou, incrédula.

– Então quer dizer que você mentiu para nós? – Indagou a que eu atingi. – Sua morte será a mais dolorosa do século, Alexxxx!

Quando ela estava para me atacar, comecei a ouvir uma música. Era alegre, mas não daquelas que fazem dançar. De repente, casca de árvore começou a subir pelas pernas estranhas das duas empousai. O rosto das duas passou de ameaçador para preocupados. Eu não estava entendendo nada.

Elas começaram a tentar escapar daquilo, mas quanto mais se mexiam, mais rápido a casca de árvore subia e, em poucos minutos, as duas viraram duas árvores.

– Ufa! Acho que acabo de salvar uma vida.

Lerry Buckley estava parado na porta do quarto, com uma flauta de madeira na mão e recuperando o fôlego. Mas acontece que, ao invés de pernas humanas, ele possuía pernas peludas de bode, com casco.

– O que seria isso? – Arregalei os olhos enquanto observava aquelas pernas de bode.

– Há muitas coisas a serem explicadas. – Ele disse rapidamente. – Mas essas pernas peludas aqui, meu caro, são os menores problemas no momento.­­­

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.