A Jornada do Louco
18 O Sol
Notas iniciais
Quando recobro a consciência, estou sentado em uma poltrona de veludo com um cinto de segurança afivelado. Um acesso está inserido em meu braço e uma bolsa com um líquido amarelo claro pende em um suporte acima de mim, enquanto uma enfermeira vestida de branco prepara outra injeção em uma bancada próxima. Quando ela me vê despertar, abre um sorriso caloroso e se dirige á porta de correr próxima a mim.
— Doutora Gripper, ele está acordado. — Ela comunica através da porta, voltando os olhos para mim. — Um instante, Aurum.
Ela sai da sala e segundos depois Faustina atravessa a porta. A idealizadora dos Jogos senta-se em minha frente com um sorriso de orelha a orelha, segurando uma xícara do que acredito ser chá.
— Bem vindo de volta, Aurum. Como está se sentindo?
— Enjoado. — Olho ao redor para captar o máximo de informação possível: A sala não é muito grande, tem uma estante com medicamentos, a cadeira em que estou, um cesto de lixo branco, uma televisão desligada e uma janela retangular que mostra as nuvens passando vagarosamente. Estamos voando ainda. — Por quanto tempo eu dormi?
— Uma hora, no máximo. Seu corpo estava enfraquecido. — Ela me oferece a xícara de chá, e aceito de imediato. — Acabou de vencer os jogos, sabia?
A lembrança viva dos últimos momentos na arena vem á tona. Meu corpo está amortecido e conforme as cenas passam em minha mente, a coisa toda passa a parecer um sonho.
— Sei. Estamos indo para a Capital?
— Sim, vamos cuidar de você e amanhã de noite será sua coroação. Apesar da fome, você não sofreu nenhum ferimento grave além de pequenas escoriações. — Ela se levanta, ligando a televisão em um painel circular próximo. — É um feito raro, geralmente vocês sobrevivem com no mínimo algum osso quebrado. Parabéns pela vitória, vou deixar você assistir um pouco de televisão antes de dormir de novo, tudo bem?
Aceno positivamente com a cabeça enquanto ela sai da sala. Na tela, meu rosto aparece no canto direito com folhas de louro circundando minha foto, abaixo dela aparece meu nome com a palavra “VITORIOSO” e Ceasar Flickerman e Claudius Templesmith estão sentados em poltronas no que parece ser um estúdio. Eles conversam animadamente sobre os últimos acontecimentos da arena.
— Claudius, você acompanhou em tempo real a tabela de apostas dos tributos dessa edição. Conte para o público geral como foram as apostas. — Ceasar gesticula para a câmera enquanto Claudius se ajeita na poltrona.
— As apostas se concentraram em cinco tributos principais: Alaric, Sirena, Carter, Aurum e Briar. Ao decorrer dos jogos, todos eles revezaram o primeiro lugar, mas de ontem pra hoje, Aurum dominou o topo do ranking e triplicou os valores de apostas. — Ceasar aplaude a fala do homem. — Quem apostou em Aurum Monier levou uma bolada para casa, hein?
— Desde a entrevista individual eu estou apostando nele. — Garante Ceasar, mostrando em uma tela fina a tabela de apostas. — Amanhã o distrito 9 coroa seu quinto vencedor em sessenta e três anos, é o sexto distrito com mais vitoriosos, ficando á frente dos distritos 3, 6, 8, 10, 11 e 12.
— A demanda por pães de azeitona e tomilho cresceu consideravelmente nas últimas vinte e quatro horas. Todos na Capital querem comer o famoso pão de aniversário do Aurum.
A enfermeira retorna ao quarto com a seringa em mãos e aplica seu conteúdo no acesso ligado á meu braço. Minha visão começa a ficar turva e meu rosto na televisão vai ficando deformado a medida que sou colocado para dormir um sono profundo.
Quando desperto, estou deitado em uma espaçosa cama com lençóis brancos, as cortinas de seda deixam os raios de sol escaparem pelas frestas e reconheço o quarto no Centro de Tributos que me abrigou nos dias anteriores aos jogos. Estou vestindo um pijama de algodão cru e meus cabelos estão presos dentro de uma touca de cetim, percebo que os hematomas em meu corpo já não existem mais. Levanto da cama e caminho até a sala de estar á procura de algum rosto conhecido, mas encontro apenas alguns funcionários da Capital servindo um banquete de café da manhã. Pego alguns sanduíches montados e me sirvo com um copo de suco de laranja, me sentando na poltrona antes ocupada por Laurel.
— Advinha quem vai ganhar um extra? — A voz feminina ecoa pelo elevador recém aberto, e meus olhos fixam diretamente na figura de Nefertiti, com seu longo cabelo agora tingido de branco com mechas douradas e as tatuagens habituais brilhando em um tom de laranja. Ela se aproxima lentamente e abre um enorme sorriso.
— Eu aposto a minha coroa que é você. — Levanto para cumprimentá-lá, e antes que eu possa lhe estender a mão, ela me puxa para um abraço apertado.
— Me arrependi de não ter te abraçado de volta no lançamento dos tributos, coisinha. — Ela me aperta contra si. — Estou feliz em poder te produzir de novo.
— Também estou feliz. — Ela me solta e começa a analisar meu corpo. — Onde estão os outros?
— Laurel está gravando alguns takes com os idealizadores, para falar de sua vitória. Vênus e Atticus vão chegar logo. — Ela tira uma fita métrica do bolso e começa a medir meus braços. — Você cresceu em doze dias?
— Vivi mais coisa do que você pode imaginar.
— Claro que posso, bobinho. Eu assisti tudo. — Ela dá um tapinha em meu ombro.
— E minha família? Garret?
— Estão hospedados em um hotel. Todos vão estar presentes na coroação hoje a noite, então é melhor que você esteja lindo. — Ela tira um bloco de notas do casaco de pele enorme que ela usa. — Mas vamos combinar de não usar amarelo areia, eu não suporto mais essa cor.
Sou abraçado e apertado por pelo menos cinco minutos pela minha equipe de preparação. Vênus chora copiosamente sem poder acreditar que em vinte anos de jogos, ela enfim produziu um tributo vitorioso, e Atticus não para de falar sobre seu tio que desembolsou um valor altíssimo para me patrocinar durante a arena. Eles aparam meus pelos, esfoliam minha pele e lavam meus cabelos com produtos excessivamente cheirosos, o que me deixa incomodado por não conseguir sentir cheiro de nada além do floral enjoativo. Mas é quando o assunto arena começa que eles ficam mais eufóricos.
— A meia lua de lápides foi anunciado como a estrela principal da arena. — Conta Venus, enquanto esfrega minha pele com uma mistura granulada que cheira a morango e chocolate. — Você foi o primeiro a explorar a área, a Capital foi a loucura.
— E quando a terra encheu a cova do tributo do três e você arregalou os olhos? Bárbaro! — Exclama Atticus, enquanto lava meus cabelos. — Você foi a atração principal dos jogos do início ao fim.
— Fui, é?
— Na verdade não, Briar roubou a cena desde a cornucópia e Sirena conquistou uma legião de fãs. — Me confidência Venus. — Mas Sirena reclamou da primeira dádiva que ela recebeu, o que prejudicou ela na arena e ela perdeu favoritismo logo no início.
Não posso deixar de achar engraçado o fato de que a mais mortal entre os tributos foi traída pela sua língua grande.
— Nenhum dos tributos usou tão bem as câmeras quanto você. Nos bares todo mundo elogiava seu je ne se quois. — Continua Atticus enquanto seca meus cabelos com um vento quente.
A conversa se estende por algumas horas, sou presenteado com chocolates e flores que não param de chegar através do elevador. Cortesia dos patrocinadores que ficaram satisfeitos com minha vitória. Devo admitir que até gosto dessa atenção toda, especialmente pelos chocolates recheados com cereja, pequenas bolotinhas que vou comendo como se fossem petiscos. Quando Atticus termina de secar meu cabelo, ouço o elevador se abrir atrás de mim.
— Saiam da frente! Deixem eu ver de perto o meu vitorioso! — Sabina expulsa minha equipe de preparação e abre os braços para mim. Ela dá guinchos animados enquanto me aperta, como um ratinho feliz. — Você foi tão fenomenal que ganhei um aumento, acredita?
— Você vai me pagar um café mais tarde, então. — Sorrio para ela, e quando desvio o olhar, encontro Laurel parada na porta do elevador.
Ela não diz nada, mas seu rosto fala por ela. Os olhos estão marejados e a expressão franzida demonstra que está segurando o choro. Pulo da cadeira e vou correndo ao seu encontro, e nos abraçamos tão forte que Atticus grita em desespero com medo de meu cabelo ser desarrumado.
— Você conseguiu, Aurum. Você venceu. — Ela não contém a emoção e o choro vem em cascata. Ela coloca a mão em meu rosto, quase não acreditando no que vê.
— Graças a você. Quero saber de tudo que aconteceu nos dias que estive fora. — Aperto sua mão contra meu rosto, sorrindo. — Nunca vou poder te agradecer o suficiente.
— Estávamos esperando por você. Garret nunca deixou de acreditar.
— E cadê ele? — Pergunto, olhando para o elevador na esperança de vê-lo cruzar o portal.
— Está se arrumando para a coroação. Snow quer televisionar o reencontro de vocês.
Claro, parte do espetáculo é o reencontro do tributo vencedor e seus familiares, eles não deixariam de aproveitar esse momento para garantir máxima audiência na coroação.
— O que ele falou sobre Carter? Eu não tinha a intenção de deixar ele triste. — Desvio o olhar para os pés de Laurel, totalmente envergonhado.
— Triste? Ele gritava de felicidade com a cena. — Ela gargalha, observando minha expressão confusa. — Aquela foi a cena que consagrou você como favorito, as apostas triplicaram e os patrocinadores moveram suas contas bancárias ao máximo para garantir que o bestante não te atacasse.
Preciso começar a ver os jogos no prisma midiático, a narrativa que foi construída pelo beijo em meu aliado foi decisiva para que eu não fosse morto, o bestante na forma de Gemma serviu apenas para entretenimento barato. Cruel? Sem dúvidas.
— Chega de papo furado. — Nefertiti carrega um cabide gigantesco com uma capa preta cobrindo o traje. — Está na hora de brilhar.
No camarim, os ajustes finais são feitos em meu traje com pequenas pedras de brilhantes costuradas á mão na região do peito. O terno branco-creme não foge muito do habitual, mas a camisa de linho que visto por baixo é o grande destaque: Ela não tem botões e no meio do peito existe uma abertura em formato de coração que é cravejada em pedras vermelhas e amarelas, que Nefertiti garante serem rubis e pepitas de ouro. Meus cabelos são decorados com pedrinhas similares e meu rosto exibe uma maquiagem básica e discreta, ressaltando meus olhos e minha boca.
Quando Ceasar Flickerman entra no camarim, fico impressionado ao descobrir que seu cabelo natural é preto. Aparentemente, seus cabelos são perucas tão naturais que o resultado é imperceptível. Ele está mais calmo do que o habitual personagem, ele estende sua mão para mim e trocamos um cumprimento rápido.
— Parabéns pela vitória, Aurum. — Ele saúda tranquilamente, com um sorriso discreto no rosto. — A Capital quer ver um espetáculo, você será anunciado como vencedor, o Presidente Snow vai coroar você e teremos a entrevista da vitória. Não queremos comentários negativos sobre a Capital, já que eles podem prejudicar sua imagem. Estamos entendidos?
Confirmo com a cabeça e ele sai do camarim tão rápido quanto entrou. Somos informados que a coroação vai começar e Laurel e eu caminhamos até a parte traseira do auditório.
— Você vai ser anunciado, vai entrar sorrindo e acenando e caminhar até o palco. O Presidente Snow vai levantar, você faz uma reverência e ele vai te coroar. — Ela aperta meu ombro ligeiramente, olhando para os lados. — Preciso ocupar meu lugar, você vai se sair bem.
Ela se afasta em direção a saída das coxias, e o hino da Capital toca anunciando o início da coroação. Consigo ouvir os comentários animados da plateia, que vibra quando Ceasar aparece vestindo um terno amarelo-areia da mesma cor da peruca, sombra dos olhos e batom. Ele faz uma reverência para a plateia e acena para algumas pessoas.
— Boa noite, Panem. Hoje é um dia mais que especial, onde saudamos a misericórdia da Capital e damos boas vindas ao tributo que entra oficialmente para o grupo seleto de vitoriosos do evento mais aguardado do ano: Os Jogos Vorazes!
A plateia vai á loucura, aplaudindo com força o discurso ensaiado de Ceasar. A comemoração se estende alguns minutos e o homem estende as mãos pedindo para que o grande público faça silêncio.
— Vocês torceram, vibraram, choraram e se emocionaram com as histórias dessa edição. Até que, no fim da tarde de ontem, um campeão se consagrou utilizando a inteligência para emboscar seu inimigo. Uma salva de palmas para o Vitorioso da 63º Edição dos Jogos Vorazes, Aurum Monier!
Quando atravesso as cortinas, a plateia estoura em gritos alucinados, aceno para algumas pessoas com um sorriso encantador e começo a caminhar pelo tapete vermelho que levam ás escadas do palco. O Presidente Snow ocupa um trono dourado e veste um terno vermelho com uma imensa rosa branca na lapela, e seus olhos ofídicos me encaram durante toda a caminhada até as escadas.
Faço uma reverência ao chegar no primeiro degrau, agradecendo silenciosamente ao presidente e silenciando de imediato a intensa plateia. Ele se levanta, faz um gesto com a mão para que eu suba as escadas e uma mulher jovem com os cabelos decorados entra pela lateral do palco carregando uma almofada vermelha, com um objeto dourado repousando sobre ela.
Quando me aproximo de Snow, o cheiro nauseante de rosas atinge minhas narinas e estou tão perto de seu rosto que consigo contar as marcas da idade que preenchem suas bochechas. Ele toma a coroa de louros dourada em mãos e posiciona sobre minha cabeça, com um sorriso frio.
— Desfrute da vitória, Senhor Monier. Você fez por merecer. — Sua voz sibilante não carrega emoção verdadeira, mas seu sorriso transmite uma falsa sensação de alegria.
— Obrigado, Presidente Snow. É uma honra representar o distrito 9.
— Aproveite a entrevista. Nos vemos mais tarde. — Ele me vira pra o público e segura em minha mão esquerda. Sua pele é gelada e preciso me conter quando ele ergue meu braço anunciando a vitória. O público aplaude ainda mais e Ceasar retorna ao palco, com dois empregados empurrando poltronas para a lateral esquerda, formando a mesma configuração da entrevista individual.
Ceasar me abraça antes de nos sentarmos, ele elogia minha coragem e meu raciocínio rápido e brinca com a plateia sobre eu estar arrasando corações mesmo fora da arena. Antes de começarmos a entrevista de fato, ele informa que comentaremos juntos os melhores momentos da arena.
O resumo começa com a apresentação da arena como uma homenagem aos tributos falecidos de jogos anteriores, com uma explicação de pelo menos três minutos sobre o simbolismo a meia lua de covas para cada vítima da edição deste ano. O banho de sangue é filmado em diferentes ângulos e consigo ver minha corrida em diagonal até a mochila que conquistei, não sem antes ver Sirena cortando a garganta da garota do cinco, Carter tomando uma lança e um tridente e matando Cassian, Cassie pegando o arco e flecha e as facas de arremesso e a flecha que atinge o pescoço da garota do onze.
— Qual foi a estratégia que você adotou no banho de sangue, Aurum?
— Não morrer. — A plateia gargalha e Ceasar abre um sorriso para mim. — Brincadeira, Ceasar. Eu sabia que as melhores armas estavam na boca da cornucópia, mas tem um ditado que diz: Mais vale um pássaro na mão do que dois mortos no banho de sangue. Uma mochila era o que eu precisava naquele momento.
Na floresta, minha luta com Sett é exibida com uma trilha sonora de tensão, e uma câmera aérea registra o momento em que acerto o crânio do garoto com a lâmina do machado. Um contador de mortes por cada tributo aparece na tela, e o número um aparece abaixo da minha foto.
— Antes de matar Sett, você falou sobre se aliarem a Rupi. Vocês chegaram a interagir antes? — Pergunta Ceasar, erguendo as sobrancelhas para mim.
— Almoçamos juntos uma vez, ele era meio paranoico mas achei que fosse normal pelas circunstâncias.
— Mas ele tentou te matar. — Ressalta o apresentador.
— E por isso que ele está morto, não?
A plateia gargalha novamente. A tela mostra o segundo dia da arena com a morte do garoto do 3 pelos mosquitos, minha luta com Aspen e a flecha de Cassie se alojando em seu peito. Uma série de filmagens mostram nossa aliança se formando, a morte de Rupi pelos besouros e Corin morrendo após ser atacado por Briar.
— Você se conectou profundamente com os tributos do 4, certo? — Pergunta Ceasar, enquanto a plateia faz silêncio para não perder nada da minha resposta.
— Cassie e Carter foram anjos em minha vida, eu só estou aqui hoje porque Cassie me protegeu e cuidou de mim. — Fico em silêncio por alguns segundos tentando afastar as memórias. — Vou lembrar deles até meu último dia de vida.
A recapitulação se torna mais rápida e exibe Briar esfaqueando seus aliados enquanto eles dormem e plantando a bomba na parede do mausoléu. A construção desmorona sobre Cassie, Erin nos ataca e deixa escaparmos e passamos a noite escondidos na caverna. Data é morta por Velvet, Alaric ataca Sirena e é morto com um golpe de espada e Erin foge quando a aliança carreirista é desfeita. Ela rouba a mochila de Briar, que a observa escondida entre o matagal com um sorriso de escárnio no rosto, e quando Erin se afasta um pouco, a mochila explode em seus braços. A câmera registra a morte de Erin com uma música melancólica e me coloca como um salvador misericordioso, o que leva a plateia aos prantos.
— Como foi para você, depois de perder suas aliadas, lidar com a mutilação da sua companheira de distrito?
— Erin tinha seus defeitos, não éramos exatamente próximos mas mexeu comigo ver ela daquele jeito. Tínhamos um pacto de não-agressão, e eu não cumpri minha palavra. — Respiro fundo, olhando para uma das câmeras que foca meu rosto. — Eu sinto muito.
— Foi uma atitude nobre da sua parte, Aurum. Não se culpe. — Ceasar segura minha mão e a plateia emite lamentos e palavras de encorajamento.
Quando mostram a cena com Carter, a plateia suspira apaixonada e começa a chorar em seguida com a morte dele.
— Ficamos encantados com esse triângulo amoroso. Somos fruto da arena, ele disse. O que sentiu naquele momento, Aurum?
— Eu teria que matá-lo em algum momento, Ceasar. Você teria coragem de quebrar o coração de alguém que já iria morrer na arena? — Explico á ele, sorrindo.
— Bom, o que o público quer saber mesmo é do seu namorado do distrito 9. Está animado para encontrá-lo?
— Mais do que qualquer coisa, Ceasar.
— Então recebam aqui no palco o filho da vencedora da 36º Edição dos Jogos Vorazes. Seja bem vindo Garret Flamsteed!
Quando Garret entra, corremos um até o outro e nos abraçamos com força. A plateia aplaude enquanto escondo meu rosto em seu pescoço para sentir seu habitual perfume impregnando o terno que ele veste. Seus lábios encostam em meu rosto e ele gira meu corpo ligeiramente, de modo á nos escondermos das câmeras.
— Sua mãe vai subir no palco sozinha. Não pergunte sobre seu pai ou Argentum. — Ele sussurra baixinho, me apertando contra o peito.
— Onde eles estão? — Questiono por entre os dentes, suavizando minha expressão facial.
— Presos. Argentum incendiou o prédio da Capital no dia do banquete.
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