Notas iniciais
Olá! Estamos quase lá. Aproveitem o capítulo de hoje!

Quando atravesso o elevador do Centro de Tributos, minha mãe, Laurel e Garret me esperam em silêncio no sofá. Eles correm em minha direção, afoitos, e começam a tagarelar uma série de perguntas, uma por cima da outra, em uma cacofonia sem fim.


— O Presidente Snow te machucou?


— Tem notícias do Rog e do Argie?


— Ele realmente fede a rosas como falam?


— Você não bebeu nada do que ele ofereceu, não é?


Sinalizo com os braços para que eles parem de falar e levo a mão no centro da testa. Minha cabeça parece a ponto de explodir devido ao rubor alcoólico e sinto meu corpo leve devido a quantidade de álcool que ingeri no breve encontro que tive com o Presidente.


— Muitas perguntas. A gente pode se sentar? Acho que bebi demais.


Eles praticamente me carregam até a poltrona que Laurel costumava sentar, e se reúnem ao meu redor como se eu fosse um velho ancião prestes a contar uma história dos tempos áureos.


— Ah não, você bebeu do copo dele? — Laurel parece aflita, colocando a mão em minha testa para sentir minha temperatura.


— Não, ele abriu uma garrafa só pra mim. Bebeu a dele separada.


— Por Panem, ainda bem que você não compartilhou nada com ele. Você poderia ter morrido! — Ela se senta no sofá, aliviada.


— Fica tranquila, o Presidente Snow tem planos que envolvem que eu esteja com a saúde em perfeito estado.


— Não gostei do rumo que essa conversa vai tomar. Ele quer que você satisfaça os poderosos da Capital? — Sua voz é carregada de dor, quase que se transportando para a sua época de adolescente.


— Não sei, ele não insinuou nada do gênero. Mas não tenho boas notícias.


Conto á eles toda a conversa com o máximo de riqueza de detalhes que consigo, parando entre uma ponta e outra para beber um copo d’água. Conforme vou contando, vejo minha mãe afundar no sofá e Laurel cobre a boca com as mãos. O único que tenta parecer forte é Garret, que segura minha mão.


— Então, em outras palavras.. — Ele começa a falar.


— Preciso escolher quem vive e quem morre. — Finalizo sua linha de raciocínio.


— E se você não escolher? — Pergunta Laurel, com seus dedos inquietos alisando a barra do vestido.


— Os dois morrem. E ele ameaçou minha mãe também. — É a primeira vez que minha mãe se movimenta no sofá, inclinando seu corpo para frente.


— É culpa minha. Eu deveria ter pedido uma audiência com o Presidente Snow durante os jogos. — Ela desabafa, as lágrimas escorrendo pelo rosto ovalado.


— Não iria adiantar. E você não fez nada para ser sua culpa. — Coloco minha mão em seu joelho, acariciando com meu polegar. — Essa decisão precisa ser minha, ou todos nós vamos sofrer as consequências.


— Você pode subverter as coisas, não é? — Dispara Garret, se posicionando próximo a mim. — Afinal, é você que vai ler os votos.


— E colocar vocês todos em risco? Ele não vai descontar em mim. Vai descontar na minha mãe, e nada impede que não desconte em Haya, em Nefertiti, na minha equipe de preparação ou em vocês. — Eles me olham fixamente, em silêncio. — Ele pode eliminar todo mundo que tem alguma importância para mim. Eu não vou arriscar perder todos vocês.


— E o que você vai decidir? — Pergunta Laurel.


— Não sei. A noite vai ser longa no quarto ao lado.


Bebo mais alguns copos de água antes de ir para meu quarto. Tomo um banho longo onde esfrego meu corpo com uma bucha vegetal lambuzada de sabonete líquido para me livrar do cheiro de rosas que insiste em invadir minhas narinas. Quando encaixo meu corpo nos lençóis brancos estendidos na cama, um nó áspero toma conta da minha garganta e sinto meu rosto começar a esquentar, estou prestes a cair no choro quando ouço três batidas tímidas na porta.


Quando giro a maçaneta, Garret segura um travesseiro debaixo do braço e me olha com os olhos escuros.


— Posso dormir aqui hoje? — Ele pergunta, olhando acima do meu ombro.


— Por favor. — Abro espaço para ele entrar, e tranco a porta atrás de nós.


Ele lança o travesseiro na cama, que já tem pelo menos cinco outros, e me olha fixamente. Ele abre seus braços e encaixo meu corpo no dele enquanto choro copiosamente, minha respiração começando a falhar conforme os soluços aparecem.


— Estou com medo. — Sussurro para ele, apertando seu corpo ao meu.


— Eu sei, Aurie. Eu estou aqui.


Deito na cama e me agarro á ele da mesma forma que Carter fez comigo na arena, seus braços me apertam com força e o cheiro de menta em sua pele serve como um bálsamo tranquilizante.


— O que você disse mais cedo, sobre sermos namorados. — Começo a falar, elevando meus olhos aos seus. — É verdade? Você quer mesmo ser meu namorado?


— Já fazem alguns anos, na verdade. — Começamos a rir, e ele beija minha testa quando o silêncio se instaura. — Vou estar do seu lado pra sempre. Vamos namorar, depois noivar, depois casar e um dia, vamos derrubar a Capital juntos.


A ideia de destituir Snow do cargo de presidente e derrubar o regime ditatorial é reconfortante, e me permito ter uma noite de sono bem dormida pra sonhar com o enforcamento do presidente em praça pública. Acordo na manhã seguinte abraçado com Garret em uma posição que é chamada de conchinha, onde meu braço aperta seu corpo contra o meu e ouço seus roncos que indicam um sono profundo. Levanto cuidadosamente da cama e vou direto a sala de estar em busca do café da manhã, mas encontro apenas uma garrafa de café e alguns bolinhos salgados em uma cesta.


Um funcionário vestindo roupas brancas e chapéu cônico está parado ao lado da porta, ele me acompanha com os olhos mas evita qualquer tipo de interação.


— Não tem mais nada para o café da manhã? — Pergunto á ele, mas o homem mantém o rosto imóvel e finge que não me vê.


Caminho até ele e estalo os dedos ao lado do seu rosto.


— Estou falando com você. Não vai me responder?


Ele continua em silêncio. Seguro seu rosto e obrigo seus olhos a olharem nos meus. Meus lábios estão formando a próxima frase quando ele entreabre a boca e consigo ver um toco no fundo da sua garganta. O homem não tem língua.


— Da próxima vez, espero que me responda. — Olho em seus olhos e assinto ligeiramente com a cabeça, para que ele entenda que captei o recado.


Espero alguns minutos com uma xícara de café até que Laurel aparece na sala vestindo um robe prateado. Ela me cumprimenta sem olhar para o funcionário sem língua e serve-se com uma xícara de café. Conversamos trivialidades como a temperatura atual e como deve correr o tempo no dia de hoje, até que começo a fingir uma coceira nas costas.


— Laurel, tem alguma coisa pinicando minhas costas. Você iria ao banheiro comigo pra averiguar? — Pergunto á ela, indicando o banheiro social que existe no fim do corredor.


— Claro, vou sim. — Caminhamos até o banheiro, espero que ela entre no cubículo e tranco a porta atrás de nós.


— Temos pouco tempo, aqui é o único lugar em que não existem câmeras. Por que o funcionário lá na sala não tem língua? — Pergunto a ela enquanto sento na tampa do vaso sanitário.


— Você nunca ouviu as histórias? — Faço que não com a cabeça. — Ele é um avox. São rebeldes capturados pela Capital que tem suas línguas cortadas e são obrigados a servirem ao governo.


— E por quê eles são condenados á perder a língua?


— Traição. São cidadãos que tentam fugir dos distritos, proliferam ideais rebeldes ou ameaçam de alguma forma o domínio da Capital. — Conta ela, com a sobrancelha franzida. — Por quê a pergunta?


— Curiosidade. Pressionei o rapaz a me responder e ele me mostrou a boca discretamente.


— Avoxes não são raros por aqui, é de conhecimento público que eles estão sendo punidos. A Capital trata eles como parte da mobília, costumam dizer que “sempre foi assim”.


Destranco a porta como sinal que nossa conversa terminou, e saio coçando minhas costas com uma das mãos.


— Laurel, você acha que isso é fruto de urticária?


— Deve ser o tecido que Nefertiti usou. Nós que somos pobres não estamos acostumados com tecidos nobres.


Após o almoço, minha equipe de preparação retorna ao prédio mas diferente de todas as outras ocasiões, eles permanecem em silêncio durante toda a sessão de beleza. Nefertiti não aparece desta vez, mas recebo um terno vermelho da mesma cor que o Presidente Snow utilizou na noite anterior, com uma rosa branca em um vaso para ser utilizada na lapela. Garret está sentado próximo a mim, tentando distrair sua cabeça com um livro de capa vermelha que não sei bem qual o conteúdo, mas ele para algumas vezes para anotar alguma coisa em um guardanapo que ele descolou da cozinha.


Quando minha equipe de preparação finaliza os trabalhos, minha aparência é mais sóbria do que nunca. As bolsas abaixo dos olhos não estão mais aparentes, o cabelo está penteado para trás e existe um rubor em minhas bochechas que mesmo artificial transmite uma naturalidade assustadora. Eles me olham com pesar, tentando encontrar as palavras certas.


— Só mais um dia, e nos encontramos novamente em Novembro, para a turnê da vitória. — Sorrio para eles, e vejo que as lágrimas estão acumuladas em seus olhos. — Não chorem, seus ratinhos de laboratório. Tudo vai ficar bem.


Eles seguram minha mão com força e me abraçam, antes que o choro descontrolado comece, eles embarcam no elevador sem olhar para trás. Garret me entrega o guardanapo com as anotações que ele passou as últimas horas produzindo, com o rosto sério.


— Mamãe me falou da urticária em suas costas. Este livro ensina receitas caseiras para todo tipo de ferimento, anotei aqui um medicamento caseiro pra ajudar com a coceira.


Não caio na ladainha que eles está me contando, ele sabe o teor da conversa que tive com Laurel. Agradeço a ele sustentando a mentira que construí com sua mãe e aguardo a chegada dos pacificadores que vão me escoltar até a praça central da Capital. O peso de precisar escolher entre meu pai e meu irmão começa a se tornar cada vez mais real, como uma balança onde se adiciona pesos em cada extremidade na tentativa de equilibrar. A lembrança do Presidente Snow servindo champanhe para mim, com o cheiro de rosas e os olhos ofídios penetrando minha alma me atormentam durante todo o trajeto que o carro faz da porta do Centro de Tributos até a enorme praça localizada no centro da cidade.


A praça da Capital também possui um Edifício da Justiça, mas diferente do distrito 9, o prédio está bem conservado e com uma pintura em branco-creme perfeitamente assentada. A bandeira vermelha com o símbolo dourado está içada até o topo do mastro, e um palco de madeira está montado com detalhes em dourado nas extremidades com uma forca de madeira parafusada ao lado direito do palco, um único banco de madeira abaixo da grossa corda de cânhamo. Cordas douradas separam o público do palco e os cidadãos da Capital não param de chegar aos montes. Tem pelo menos dez anos que um enforcamento não é televisionado, então imagino que o alerta de pronunciamento oficial esteja piscando nos televisores de cada cidadão dos distritos indicando um evento extraoficial. Câmeras retráteis estão espalhadas pela praça enfeitada com enormes árvores, e pacificadores estão terminando os ajustes na estrutura, sem ligar muito para os cidadãos da Capital.


É exorbitante a diferença de tratamento entre os cidadãos da Capital e os cidadãos dos distritos, se todo esse circo estivesse ocorrendo no 9, teria pelo menos uma dúzia de pacificadores espalhados entre a multidão, prontos para agredir violentamente qualquer indivíduo que minimamente se opusesse ao poder do governo. Quando desço do carro, sou direcionado ao canto do palco junto á minha mãe, e observo cada rosto presente na plateia e suas expressões variadas. Há quem demonstre curiosidade, quem está animado com o evento e poucas pessoas demonstrando uma ponta do que acredito ser insatisfação.


Quando o hino da Capital começa, todos os cidadãos ficam em silêncio enquanto a figura do Presidente Snow emerge pela enorme porta de madeira do Edifício da Justiça. Ele se posiciona em frente ao palanque de mármore, ajustando o microfone á altura de seus lábios.


— Povo de Panem, estamos aqui reunidos para o julgamento de um crime que foi cometido exatamente oito dias atrás. — Sibila o homem, com o mesmo tom frio utilizado durante nosso breve encontro. — Na noite anterior ao banho de sangue, a Capital humildemente ofereceu um banquete aos familiares dos tributos selecionados para os Jogos Vorazes. Mas infelizmente, precisamos interromper a comemoração devido um incêndio criminoso ocorrido nas instalações do Palácio Presidencial.


Os cidadãos da Capital vaiam em coro, realizando gestos de desaprovação com as palavras proferidas por seu Presidente.


— Somos uma nação construída sobre a ordem. E ordem exige consequências diretas pelos atos cometidos. — Ele continua seu discurso, com a população atenta a cada palavra. — Decisões precisam ser ponderados com maturidade, mesmo nos piores cenários. Aurum Monier venceu os jogos em uma clara demonstração de discernimento sob pressão extrema. Seria injusto negar-lhe a oportunidade de demonstrar a mesma maturidade. Com isso, a sentença pelos crimes será definida e aplicada pelo próprio Aurum.


Aplausos percorrem toda a extensão da praça, e sou chamado com um aceno pelo presidente para ocupar o púlpito. Caminho em sua direção procurando manter a firmeza em minhas pernas, montando o discurso em minha cabeça.


— Boa tarde, cidadãos de Panem. — Saúdo toda população no microfone direcionado aos meus lábios. — É com muita honra que assumo a condução do julgamento de Argentum Monier e Rogbell Monier na data de dezesseis de julho.


Alguns aplausos tímidos surgem da multidão, mas grande parte dos presentes parece chocada com a revelação. Percebo então que os acusados são o elemento surpresa do julgamento, afim de tornar o espetáculo ainda mais interessante.


— Tragam os acusados.


Os pacificadores carregam meus familiares até a lateral do palco, riste à forca de madeira. Argentum veste uma túnica branca com detalhes dourados, seu rosto apresenta uma cicatriz que cruza á sobrancelha e desce até sua bochecha direita, e meu pai veste uma túnica idêntica e ele parece mais magro do que quando fui mandado para a arena. Ambos me observam com expressões de descrença, como se dessem conta da gravidade da situação apenas quando me enxergam em pé no púlpito. Tento evitar seus olhares, mas o posto de fala foi estrategicamente plantado de forma diagonal para que eu enxergue não só a plateia, mas também a reta ocupada por meus familiares.


— Argentum e Rogbell Monier, vocês foram formalmente acusados de insurgência, depredação de patrimônio governamental e incitação à rebelião. — Declaro com a voz mais firme que consigo. — Crimes estes que são punidos com execução em praça pública.


O silêncio toma conta da praça. As câmeras se movem rapidamente, dando um zoom no púlpito para captar minhas reações.


— Participar dos Jogos Vorazes foi, acima de tudo, uma experiência sobre autoconhecimento. Foi na arena, convivendo com jovens de diferentes idades e realidades, com quem estabeleci alianças e precisei velar seus corpos, que entendi o peso das escolhas que tomamos em vida. Vinte e três tributos estão mortos, somando-se a tantos outros que pereceram ao longo de sessenta e três edições, mortes que poderiam ser evitadas se os distritos estivessem cientes da benevolência da Capital perante um mundo devastado pela guerra, pela fome e pela pestilência. Infelizmente, é preciso que eu esteja aqui na tarde de hoje reforçando que nenhuma ação danosa á comunidade de Panem deve ser encorajada. Precisamos aprender com o passado para não cometer os mesmos erros no futuro.


Argie move seus lábios em um sorriso debochado, e sei que ele não acredita em uma única palavra que sai da minha boca. Me amaldiçoo silenciosamente por sustentar uma mentira deslavada que está sendo televisionada para os doze distritos e tenho vontade de desmentir tudo o que foi dito até agora, mas é tarde demais.


— Mas não façamos falso juízo de valor. Não seria justo punirmos aqueles que não tem culpa direta sobre atitudes de terceiros. Rogbell Monier, você foi acusado dos crimes anteriormente descritos, mas chegou ao meu conhecimento que você não teve envolvimento direto com o incêndio criminoso. Desta forma, o declaro culpado pelo crime de proteção de insurgentes, com pena de sessenta dias de reclusão na prisão local do distrito 9. Tenha ciência que a reincidência será punida com pena máxima.


Meu pai arregala os olhos pequenos, e começa a balbuciar reações que são silenciadas quando um dos pacificadores cobra sua boca com uma das mãos, o que força meu pai a silenciar para não ficar sem ar.


— No outro lado da moeda, temos Argentum Monier. Você tem um agravante em seu histórico que não favorece sua defesa: Você colocou meu nome nas tésseras sem autorização expressa, o que configura o crime de usurpação de identidade cívica. Ciente dos danos causados, você admite ser responsável pelo incêndio criminoso no Palácio Presidêncial na data de sete de julho?


Ele cospe no chão, erguendo os olhos selvagens diretamente para os meus.


— Não poderia ser mais culpado. Enquanto não acabarem os Jogos, não haverá paz para a Capital! — Ele urra, o que causa um rebuliço entre os telespectadores, que emitem insultos direcionados a meu irmão.


— Temos uma confissão formal. Com isso, declaro Argentum Monier culpado pelos crimes de insurgência, depredação de patrimônio governamental e incitação à rebelião. — Os pacificadores fazem menção á carregá-lo para a forca, mas ergo a mão direita em sinal de espera. — Mas a sentença não está finalizada.


Todos me observam confusos, o Presidente Snow se vira para mim com uma expressão assassina tomando seu rosto. Sorrio de canto para ele e volto minha atenção para Argentum, satisfeito novamente por subverter o jogo ao meu favor.


— Certos crimes precisam ser punidos de forma mais severa, o exemplo é a única forma de garantir que não hajam mártires declarados. — Respiro fundo e mantenho uma expressão neutra antes de proferir a sentença que estilhaça meu peito. — Dado á gravidade dos fatos, decreto como punição algo pior que a morte. Aurum Monier, sua pena será comutada para serviço vitalício á Capital. Como Avox.


A multidão emite um som de surpresa, e a expressão de Argie se transmuta para um desespero cálido e puro. Aparentemente, ele sabe o que ser um Avox significa.


— Não, Aurum, isso não! — Ele grita, enquanto os pacificadores o arrastam para dentro do Edifício da Justiça. — Me condene a morte, Aurum! Tudo menos isso!


O Presidente Snow sorri, ele caminha até mim e juntos marchamos em direção ao portal que dá entrada ao edifício. Quando atravessamos a entrada, ele me segura pelos ombros.


— Você acha que me desafiou, senhor Monier. Mas eu não poderia estar mais orgulhoso.


Ele me abraça. Permaneço imóvel ao perceber que o abraço não é cênico, mas genuíno.


— Você é ainda pior do que eu esperava. — Ele sorri para mim. — A morte seria pouco para seu irmão, você o condenou a viver silenciado. Consegue imaginar punição pior que essa?


Notas finais
E.. fim do capítulo de hoje! Obrigado por ler até aqui. Dois xeros!