A Jornada Para o Último Céu
212 Capítulo 208 - Prenúncio
— Vamos ter que esperar muito mais? Eu não aguento esse lugar maldito... me dá náuseas!
Wemin começou a andar de um lado para o outro naquele salão enorme. Ao redor, dezenas de pessoas estavam ajoelhadas no chão, com os pulsos amarrados por cordas e vendas nos olhos. A maioria chorava ou soluçava; algumas tentavam se levantar e fugir, mas eram imediatamente contidas por Jian-Lou, que as chutava de volta para o lugar. Na pior das hipóteses, cortava-lhes um dedo como punição exemplar.
— Falou a menina que viveu na periferia do sangue a vida inteira... Tá reclamando da Seita das Mil Presas por quê? Isso aqui já foi um lugar de elite — disse Wen-Xiang, encostado em um pilar de mármore, fumando calmamente um cachimbo. — Bom, antes do mestre fazer tudo aquilo.
Ele mantinha os olhos no selo colado em uma das paredes de azulejos azuis. Quando aquele selo pegasse fogo, seria o sinal de que deveriam cumprir o acordo — a ordem de Zing-On.
— A irmã só é hiperativa. Pedi pro tio Song preparar uns remédios, mas ela se recusou a tomar, haha.
Hu-Li ofereceu uma barra de aveia a Wemin, que a chutou longe. O alimento voou pelo salão e caiu aos pés de uma senhora idosa, amarrada em um dos cantos.
Ao todo, havia cinquenta e quatro pessoas distribuídas pelos cantos daquele espaço amplo, arejado, iluminado pela luz solar que entrava pelas janelas ovais. Antigamente, o local era usado como o salão de cerimônias da Seita das Mil Presas Mortais.
— Não sobrou um puto lá fora. A maioria já vazou. Mas não vou ser EU quem vai atrás. Que se dane.
Sui-Meiang entrou no salão reclamando, nervosa, com o olhar preso no selo ao lado de Wen.
— E esse filho da puta vai mesmo nos fazer esperar? Já faz mais de uma hora! Não tiro a razão da irmã Wemin.
— Eu nunca achei que você fosse concordar comigo, sério... Isso chega a dar medo.
Wemin olhou, pálida, para a mulher coberta de sangue que estalou a língua e virou o rosto com desprezo.
— Não acham que ele pode ter morrido? Sentimos aquela energia agora há pouco... Acho que houve uma luta mortal. Talvez... talvez tenhamos que escolher um novo líder?
Shun-Song falava sentado na cadeira principal do salão, assumindo ares de comando, como se já fosse algum tipo de sucessor.
— Tá se achando demais, hein? Pra quem correu do Huo-Lei, nem devia abrir a boca!
Sui-Meiang zombou dele, com um sorriso torto. Shun-Song apenas retribuiu com um sorriso igualmente irônico.
— Bom, pelo menos eu tentei alguma coisa. E você? Ficou rondando feito barata tonta e voltou de mãos abanando. Se eu não tenho capacidade pra liderar, você não tem nem pra ser subalterna.
— O QUE DISSE?
Sui-Meiang sacou a espada, mas Jian-Lou se colocou entre eles num instante.
— Vocês são crianças imbecis? Irmão Shun, você é o mais velho aqui. Deveria demonstrar maturidade.
Jian-Lou lançou um olhar severo ao cego, que mesmo sem enxergar sabia que estava sendo observado.
— Haha, calma... é brincadeira. Eu gosto de provocá-la.
— Vai gostar quando eu te estripar também, seu merda.
— Pessoal! O selo!
Hu-Li se levantou de repente, empolgado, ao ver o selo na parede começar a arder em chamas.
— Oho... o mestre Zing é mais durão do que imaginavam. Agora é a nossa vez — outra vez.
Wen-Xiang se ergueu com calma, pegando a lança que repousava encostada na parede.
— Bem... acho que isso marca o fim definitivo da Seita das Mil Presas. Lá fora, a maioria já morreu. Os outros fugiram
— Eu até que gostava daqui. Quando eu ainda vivia na Terra, costumava vir para algumas reuniões... faziam uns bons bolinhos de porco, haha. Uma pena.
Wen-Xiang pegou sua lança. Com um único movimento fluido, decapitou dez pessoas ajoelhadas à sua frente, enfileiradas como sacos de trigo.
Alguns dos prisioneiros, sentindo o sangue quente respingar sobre seus corpos, tentaram se levantar em desespero — mas Wemin os interceptou com sua adaga, degolando-os sem hesitar.
Hu-Li também não ficou parado. Manipulou suas linhas cortantes com precisão letal, decapitando mais alguns... incluindo duas crianças.
— Vocês fazem isso sorrindo? Isso é doentio.
Sui-Meiang franziu o rosto em repulsa, observando a carnificina.
Em poucos segundos, mais de cinquenta pessoas foram mortas. A maioria foi decapitada. Seus corpos se espalharam pelo chão do salão, e o cheiro de sangue tornou-se tão intenso que enjoava até os mais resistentes.
— E agora?
Jian-Lou olhou para Wei, que apenas deu de ombros.
— Esperar... é o que nos resta. Estamos usando técnicas demoníacas proibidas. Isso nunca poderia terminar bem. Mas temos Zing-On para nos "proteger". Se o que ele deseja realmente acontecer, vamos transformar o Murim em um lugar onde cada um poderá usar a técnica que quiser — livre de seitas e tradições podres.
Shun-Song se levantou, caminhando até o centro do salão ensanguentado.
— Vocês realmente querem isso? Vamos parar com a hipocrisia. Nós nos conhecemos há muito tempo. Todo mundo aqui está nessa mais por medo... ou por status e dinheiro.
Ele apontou para Sui-Meiang, com um olhar cortante.
— Você, por exemplo. Jovem, impulsiva. Só está aqui porque quer dinheiro pra pagar as dívidas da sua família.
Sui-Meiang cerrou os dentes e deu um passo à frente, pronta para atacar. Mas Hu-Li foi mais rápido, segurando-a pelo braço antes que a lâmina saísse da bainha.
— E você, moleque... só quer um lugar pra ficar, já que foi abandonado. Pelo menos se sente acolhido neste grupo, não é?
— Sim, é isso mesmo!
Hu-Li respondeu sem hesitar, com sinceridade quase infantil.
— E você, jovem prodígio... quis fugir da sua vida de assassina de aluguel, mas acabou trilhando um caminho de sangue também. Agora, não pode mais voltar atrás, não é?
Wemin estalou a língua, os olhos tornando-se impassíveis.
— E você, jovem mestre... não pode escapar da sua família. Sua origem te mantém preso a Zing-On.
Jian-Lou fechou a expressão. Não disse uma palavra.
— E eu? O que diz de mim?
Wei-Xiang soltou uma risada baixa, se aproximando de Shun-Song — mas o tom em sua voz denunciava uma intenção assassina que não passou despercebida.
— Você mesmo disse que vagava sem rumo, querendo retomar a posição que lhe foi tirada. Mas a Seita da Terra já está com os dois pés na cova. Acha mesmo que vai conseguir alguma coisa? Zing-On quer destruir o Murim... e talvez eu seja o único aqui que concorde com isso. Então, se vocês não estão dispostos a seguir esse ideal, é melhor se retirarem agora.
No exato momento em que Shun-Song terminava de falar, um raio cortou o céu — e uma explosão sacudiu o salão, atingindo a poltrona na extremidade norte.
A fumaça subiu pesada... e quando finalmente se dissipou, Zing-On surgiu. Sentado, coberto de sangue, faltando-lhe um olho, a perna direita quebrada e esfolada.
— Falando de mim pelas costas, seus merdinhas? Quando o chefe sai, é que começa a festa, né?
Todos empalideceram. Mas não foi o sangue nem os ferimentos que mais os assustaram — foi a pressão de energia ao redor dele. Seu nível de cultivo havia subido... e não apenas um pouco. Três níveis.
Zing-On agora estava no nível de QI Acestral — atualmente, o mais alto de todo o Murim.
— Você ouviu tudo?
Shun-Song perguntou, ainda com um sorriso disfarçado no rosto.
— Acho que só o final... mas não importa. Vocês vão me seguir de qualquer jeito. Se ficarem comigo, todos vocês também poderão subir três níveis de QI em menos de um dia.
Houve silêncio.
Eles se entreolharam, e sabiam que aquilo não era um blefe. Com Zing-On, tudo era possível... e perigoso.
— Existe alguma técnica pra isso, tio?
Hu-Li perguntou, os olhos brilhando de ambição.
— Não ainda. Mas, se encontrarmos uma pessoa chamada Mowang, teremos acesso ao cultivo infinito.
— Quer dizer que... agora não vamos mais atrás de Huo-Lei?
Sui-Meiang perguntou, surpresa.
— Eu irei atrás dele pessoalmente. Vocês, vão atrás de Mowang. Tenho uma ideia de onde ele está... mas saibam: vocês têm menos de duas semanas para encontrá-lo.
— E por quê?
Jian-Lou questionou, a voz trêmula, suando frio.
— Porque em duas semanas... demônios mais fortes do que eu irão invadir o Murim.
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