A Jornada Para o Último Céu

213 Capítulo 209 - O Retorno


— Peguem esses vermes e não deixem ninguém passar até que paguem!

Pong-Chue, o atual líder da Seita das Presas Mortais, ordenava a seus homens que impedissem diversos comerciantes de atravessar o cerco estabelecido na avenida principal da rua de Jouxin, o distrito comercial da Seita da Lua.

Seu grupo havia chegado há uma semana, a pedido de Zing-On, para aguardar por Huo-Lei, que supostamente viria até o local. No entanto, até o momento, não havia sinal algum dele.

Pong-Chue já havia enviado diversos guardas para patrulhar as redondezas. Alguns estavam posicionados nas montanhas, observando de longe. Várias armadilhas também foram preparadas. Ainda assim, tudo parecia estranho — o grupo de Huo-Lei deveria ter chegado há quatro dias, desde que um batedor os localizara nas províncias periféricas da região.

— M-mestre, acho que deveríamos notificar o grupo de Zing-On... Eles pediram uma resposta há uns três dias...

Um subalterno se aproximou de Pong-Chue, que reagiu com um soco na cabeça do homem, derrubando-o ao chão.

— Cale a boca, desgraçado! Estamos fazendo negócios! A ordem de Zing-On foi para que esperássemos aqui por aqueles miseráveis. E enquanto isso, vamos colocar ordem nesta seita sem controle. Sem um líder, o povo não sabe o que fazer. Já espalharam vários comerciantes por aqui, e estão entrando na cidade sem parar!

Pong-Chue se aproximou de um homem ajoelhado, que chorava e implorava por perdão.

— Eu vendo cerâmica há dez anos aqui, mestre... Por favor, me deixe ir...

Pong-Chue cuspiu no homem e lhe deu um chute no maxilar.

— TODOS DIZEM A MESMA COISA! Eu fui guarda imperial, seu filho da puta. Acha que não conheço o seu tipo? Vocês querem ganhar todos no papo, mas não vão passar por cima da ordem e das regras. Vocês estão sem líder, mas eu, como representante do Império, estou aqui para pôr tudo nos eixos.

Ele andava entre as pessoas como alguém soberano e impetuoso. Havia, de fato, estabelecido certo controle naquela província.




Seu plano era tomar o controle da Seita da Lua, tendo em vista que a Seita das Mil Presas já estava fracassada e Zing-On a utilizava como um laboratório pessoal. Para Pong-Chue, seria muito mais vantajoso se tornar o líder da Seita da Lua.

— M-mas, mestre... nem sequer achamos o pergaminho daqui...

O homem franzino havia se levantado, sangrando pela boca.

— E quem se importa? Quando Huo-Lei chegar aqui, ele saberá! Vamos matar dois pombos com uma cajadada só.

Obviamente, Pong-Chue queria apenas evitar problemas. Seu verdadeiro objetivo era aguardar e assumir o controle daquela seita sem se preocupar com o restante. Se Huo-Lei não aparecesse, seria até melhor. Após estabelecer suas regras ali, ele pretendia solicitar a Zing-On a liderança da seita, levando em conta sua posição estratégica e a proximidade com a Seita do Céu Prateado e a Seita do Céu Carmesim.

Depois do incidente no Céu Carmesim, todas as seitas ortodoxas do leste do Murim alinharam-se ao Império sob o comando de Zing-On. Apenas a Seita do Céu Carmesim e a Seita do Dragão permaneceram afastadas, temendo represálias. Por conta disso, reforçaram seus exércitos nas capitais e nas sedes das seitas.

O Céu Carmesim contava com mais de dois mil cultivadores prontos para atacar qualquer estranho que se aproximasse.

A Seita do Dragão mantinha uma enorme muralha e várias armadilhas ao redor — o que sempre foi sua marca registrada.

A Seita da Cobra mantinha-se neutra, mesmo tendo perdido seu líder e boa parte de seus comandantes, que haviam se rendido a Zing-On. Ainda assim, a população da seita não aceitava se curvar. Eram tidos como o povo mais orgulhoso e honrado de todo o Murim.

A Seita da Lua também havia perdido seu líder. Restavam apenas alguns anciões que serviam como fachada para o “governo” da seita. No entanto, com a chegada de Pong-Chue, ele conseguiu facilmente comprá-los e estabelecer controle sobre o pavilhão principal.

Pong-Chue também havia se preparado antes de adentrar a seita.

Ele enviou suas tropas para “comprar” os melhores lutadores marciais do leste do Murim, com o objetivo de formar uma força capaz de rivalizar com qualquer outra seita. Mesmo estando sob a proteção de Zing-On, ele ainda assim queria garantir sua independência.

— Mestre Pong! Achamos esse rato tentando invadir o palácio. Provavelmente é um espião de Huo-Lei...




Zeng-Chu, cultivador no nível de QI Divino, era um dos lutadores que Pong-Chue havia recrutado.

Ex-mercenário da Seita do Rio Infinito, era conhecido por cumprir qualquer missão de assassinato que lhe fosse confiada — sem falhar.

— Na verdade, tem vários suspeitos espalhados pela cidade. Eu matei dois, desculpa... mas eles eram fracos demais. Nem precisei usar força de verdade!

Bao-Jigzen, um brutamontes desajeitado, também estava no nível de QI Divino. Tinha sido mantido preso na Seita da Terra por conta de sua periculosidade — possuía impulsos assassinos incontroláveis.

— Para de mentir, irmão! Você tava rindo quando matou, hahaha! Mas, sério... não tô falando por mal, é que eu achei engraçada sua careta!

Tsu-Zun, um homem que vinha da Seita dos Andarilhos, era um ladrão e charlatão profissional. Quem o olhasse jamais imaginaria que ele estava no nível de QI Transcendente.

— Vocês só querem se divertir... todos infantis demais. Mestre, me deixe ficar no palácio. Eu posso te servir muito melhor.

Shiao-Mi, uma bela cortesã, se jogou nos ombros de Pong-Chue — que a afastou imediatamente. A mulher era uma assassina profissional, conhecida por matar os homens com quem dormia, sem exigir pagamento. Ela sentia mais prazer em matar do que em qualquer outra coisa. Seu QI também era Transcendente.

— Pra você me matar? Tsc... parece que arrumei um bando de doentes mentais. Mas tanto faz. Façam seu trabalho.

Podem matar, mas NÃO TOQUEM em Huo-Lei nem em seu grupo, entenderam? Eu preciso deles.

Pong-Chue pisou com força no chão. Um impacto invisível percorreu o ambiente. Todos ao redor sentiram como se espinhos atravessassem seus pés — o QI do homem os paralisou.

Até mesmo os assassinos diante dele ficaram imóveis, como marionetes cortadas dos fios.

— Hehe... calma, chefia. A gente é controlado... até o bobão ali sabe obedecer, eu acho.

Tsu-Zun disse, virando sua cabaça de vinho na boca, enquanto era encarado com raiva por Bao.

O homem que Zeng-Chu havia capturado tremia enquanto chorava. Chegou a urinar nas próprias calças.

Era um rapaz magrelo, de não mais de vinte anos, que aparentava não comer há dias.

— Sério que isso aí é um espião...? Parece mais um cadáver ambulante...

.


Pong-Chue riu enquanto pisava na cabeça do garoto, que soluçava, pedindo perdão.

— Eu só queria um pouco de comida... sou apenas um pedinte!

— Pedinte? Um pedinte vai espionar o palácio, seu filho da puta?

Pong-Chue pressionou com mais força, afundando a cabeça do rapaz contra o chão de terra batida.

— D-desculp... gnhff...

Ele tentou falar, mas Pong-Chue aumentou a pressão, esmigalhando seus dentes contra o solo.

FALE onde está Huo-Lei, seu verme! Acha mesmo que poderia se safar?

Antes que Pong-Chue pudesse esmagar de vez o crânio do rapaz, um impacto súbito fez seu pé voar longe, arrancado do corpo.

O líder cambaleou e caiu de boca no chão, cuspindo sangue e poeira.

Os assassinos ao redor sacaram suas armas, em alerta máximo.

AHHHHHHHHHHHHH! MAS O QUE É ISSO?! MEU PÉ! MEU PÉ! — gritava Pong-Chue, contorcendo-se de dor.

— Sinto uma presença... sinto uma presença! — murmurou Bao, encarando o norte.

Antes que os outros pudessem reagir, a cabeça do brutamontes foi decepada em um único movimento.

Ela rolou alguns metros adiante, deixando um rastro escuro e denso de sangue.

Um homem com um cajado surgiu, derrapando no chão até quase se ajoelhar.

— Por que você sempre tem que aparecer desse jeito, cara? — disse ele, com um tom de voz quase irritado.

Guang-Tian apareceu no telhado, no canto esquerdo do pátio.

Girava calmamente um pedaço de seda entre os dedos.

No instante em que Tsu olhou para ele, seu corpo foi cortado ao meio — não teve tempo de reagir.

Seu torso e pernas se separaram, caindo ao chão com um baque grotesco, espalhando tripas e sangue sobre Pong-Chue, que ainda se contorcia em agonia.

ATAQUEM!


Shiao-Mi gritou ferozmente, mas uma mulher aparentemente comum — uma aldeã, ao que tudo indicava — apareceu à sua frente e a perfurou com uma lança, levantando seu corpo do chão.

Com movimentos violentos, a aldeã girou a lança, rasgando todos os órgãos da cortesã, que morreu segundos depois.

Em seguida, ela arremessou o corpo sem vida de Shiao-Mi para longe, enquanto a multidão ao redor entrava em pânico e começava a correr.

— Q-quem... são vocês...? — balbuciou Zeng-Chu, trêmulo.

Desesperado, ele lançou uma bomba de fumaça ao chão tentando escapar, mas antes que pudesse dar um passo, uma mulher de cabelos vermelhos surgiu à sua frente e o golpeou com força no estômago, fazendo-o se ajoelhar.

Ela segurou seus cabelos com desdém e, com um olhar frio, o incinerou vivo.

Zeng-Chu saiu correndo em círculos, o corpo sendo consumido pelas chamas, até cair sem vida, irreconhecível.

MALDITOS! MALDITOS! EU PAGUEI CARO POR VOCÊS! CADÊ MEUS HOMENS?! — rugiu Pong-Chue, cambaleando.

Ele se levantou, apoiando-se em um corrimão de madeira de uma barraca próxima, mas ao olhar em volta, viu seus soldados sendo abatidos com um único movimento de espada, por um homem que surgia no meio da fumaça deixada por Zeng-Chu.

— V-você... — disse, ofegante.

Huo-Lei estava agora diante dele.

Pong-Chue cerrou os dentes e concentrou o QI nas mãos, preparando-se para lutar.

NÃO PENSE QUE ME DERROTARÁ TÃO FÁCIL ASS—

Antes que pudesse terminar a frase, seu corpo foi mutilado em questão de segundos.

Foi cortado em doze partes, os pedaços caindo no chão com sons secos e pesados.

Huo-Lei deu um passo para trás, e então Pei-Pei avançou, queimando os restos com uma chama intensa.

— Devemos incendiar os outros corpos? — perguntou Pei-Pei, olhando para os soldados caídos.

Huo-Lei embainhou a espada na cintura enquanto se aproximava de Hiang-Lin, que lhe arremessou um pergaminho.

Ele o pegou no ar, sem desviar os olhos.

— Deixe. Há muitos empregados aqui... eles podem cuidar dos corpos.