A Jogadora

6 Capítulo 5 - Suspeito


Notas iniciais
QUATROOO RECOMENDAÇÕES!! VOU MORRI ♥ Vocês são os melhores leitores tipo do MUNDO ♥ Vocês não tem noção do quanto eu piro a cada elogio e demonstração de carinho de vocês ♥ Tay ♥ Muito obrigada pela maravilhosa recomendação! Você disse que não sabia fazer muito bem, mas ela ficou incrível! Fico muito feliz de ver que esteja gostando da história, eu me esforço bastante para trazer tudo do melhor para os leitores :D Meu sonho é publicar um livro, quem sabe consigo? xP Gotatos ♥ Muito obrigada por agraciar minha fic com sua primeira recomendação ♥ Eu gosto muito de jogar ( mesmo não sendo boa) e tenho um certo conhecimento sobre jogos e gosto de colocar essas referencias. Além disso, faço muitas pesquisas e acho legal isso xD Eu também amei a parte dela tentando atirar e a riqueza dos detalhes foi graças à um tutorial mágico sobre tiro que encontrei UASHUASH Little ♥ Obrigada por ter dado uma chance à minha fic ♥ Fico muito feliz por ter te impressionado xD Obrigada pela recomendação ♥ Eu não queria sair jogando tudo em cima do leitor então fico ainda mais feliz ( eu amo falar isso ASUHU) por ter conseguido deixar a leitura leva :3 Koraline ♥ Você me seguiu até aqui hein? Obrigada por isso *--* Eu amo o Brasil e quis escrever a fic aqui. Descobri que é bem mais fácil escrever quando o lugar você não conhece porque sempre pode usar a desculpa de que não sabia sobre algo, mas que desculpa eu posso usar? ''Não conheço o Brasil''? UASHUSH Vou aceitar seu bolo de nutela ♥ Obrigada pelos elogios :3 Se tiver algum erro me avisem, revisei o capítulo assistindo o clássico do meu time. Foi, como minha mãe diz, um olho no peixe e outro no gato UAHUH Respondendo a pergunta do cap anterior: Meu livro preferido varia entre A Hospedeira e Sociedade dos meninos gênios ♥ Espero que gostem, estou indo responder aos lindos comentários do cap anterior ♥ Boa leitura ♥

Atiraram na minha irmã. Essa frase tomou conta de meus pensamentos, que a repetiam como o refrão de uma música doentia. Georg, talvez alarmado pelo barulho de meu corpo caindo no chão, apareceu na minha frente e ajudou-me a levantar.

– O que aconteceu? – perguntou preocupado conduzindo-me até o sofá.

– M-Minha irmã! – gaguejei com a voz embargada pelo choro – Eles... Atiraram nela!

– Em qual hospital ela está? – questionou pegando o celular.

– E-eu não sei. – respondi trêmula.

Parecia que meus ossos haviam sido transformados em ferro e o meu sangue, em gelo. Mesmo estando calor eu não conseguia parar de sentir frio. Georg ajoelhou-se na minha frente e segurou minhas mãos nas suas olhando dentro de meus olhos com calma e tranquilidade.

– Marcela, eu sei que você deve estar apavorada, mas ficar assim não irá te levar para o hospital. Levante-se e tranque todos esses sentimentos por enquanto, tenho certeza que não foi nada demais. – falou como se eu fosse uma criança.

– Não foi nada demais? – retruquei com a voz aguda – Minha irmã levou um tiro! Ela pode estar morta agora!

– E você só saberá disso se levantar, ligar para sua mãe para saber o nome do hospital e ir vê-la com seus próprios olhos. – respondeu.

Acenei positivamente com a cabeça. Tentei reprimir tudo que sentia igual fiz ao ver Domicio morrer. Porém, me lembrar disso não foi uma boa ideia. Imagens de Giovana no lugar do homem, com a vida deixando rapidamente seus olhos bombardeavam minha mente. Eu era Hiroshima e aquelas imagens, a bomba atômica que a atingiu. Suspirei fundo e liguei para minha mãe.

– Mãe, em qual hospital a Giovana está? – perguntei rapidamente, sem tempo para cordialidades.

– No Felício Rocho. – respondeu fungando.

– Estou indo para lá, até daqui a pouco. – falei encerrando a ligação.

Fiquei encarando o Georg aflita e ele chamou um taxi. Enquanto o motorista não chegava, fiquei dando voltas na cozinha, tentando convencer a mim mesma de que não chegaria mais rápido se fosse correndo, já que eu não era o Sonic e o hospital ficava a quase meia hora da minha casa. Após dez minutos e vinte e três segundos – não que eu estivesse contando, é claro – ouvi o motorista buzinar e poderia até abraçá-lo se não estivesse tão transtornada. Tranquei o portão e entrei no carro, passando o endereço para o homem de meia idade e com aparência cansada.

Sexta feira era o pior dia da semana para sair de casa na hora do almoço. Parecia que todas as pessoas da cidade que tinham carro saiam nas ruas para atrapalhar completamente o trânsito e me tirar a pouca paciência que tinha. Eu não conseguia ficar parada, a ansiedade era quase sufocante. Só de pensar na hipótese de minha irmã ter se ferido gravemente e apresentar sequelas graves me deixava completamente em pânico.

Georg, percebendo minha inquietação, segurou minha mão durante todo o percurso e não a largou nem mesmo quando estávamos de frente para a grande construção com paredes brancas. Por isso, assim que ele pagou a corrida, arrastei-o pelo braço até o balcão de atendimento furando a fila e passando na frente de uma criança. A menina estava com cara de entediada enquanto sua mãe estava prestes a dar um chilique pensando que a filha estava prestes a morrer, quando na verdade ela parecia ser a paciente mais saudável da recepção cheia.

– Com licença, moça. Eu preciso visitar minha irmã, ela deu entrada há duas horas aproximadamente. O nome dela é Giovana Bicard Silva. – falei apressadamente para a moça da recepção.

– Só um momento. – disse com a voz entediada.

A mulher mascava o chiclets igual a uma lhama e aquilo estava me tirando do sério. Seu cabelo castanho e alisado estava preso em um rabo de cavalo e usava maquiagem demais para quem trabalharia fazendo ficha de pessoas doentes. Além disso, ela digitava mais lentamente que minha avó e tive que segurar o impulso de pular o balcão e fazer eu mesma a busca.

– Ela acabou de ser operada e já tem dois acompanhantes no quarto, não posso deixar você visitá-la por enquanto. – disse.

Imaginei-me ameaçando a mulher ou até mesmo invadindo aquela droga de sala e dei um passo em sua direção antes que Georg puxasse a mão que ainda estava segurando. Sabia que a pobre moça não tinha nada a ver com as regras do hospital, mas eu estava louca para descontar minha raiva em alguém. Agora eu teria mais prazer ainda em matar as enfermeiras no jogo Silent Hill ao imaginá-las com o rosto daquela mulher.

– Este é um assunto governamental, senhorita Maria, portanto precisamos ver a senhorita Giovana. – falou mostrando suas credenciais. Se fosse eu, teria as esfregado no rosto dela – Em qual quarto ela está?

– Essa garota é o quê? Terrorista? – resmungou baixinho – Vou fazer o crachá de visitante para vocês. Sempre que vierem têm que apresentá-lo, caso contrário não entrarão. A troca de acompanhantes vai até às dez horas da noite, depois disso ninguém entra. Qual é o nome de vocês?

– Marcela e Georg. – respondi.

Ao vê-la pegar uma caneta para escrever, quase ajoelhei no chão e agradeci aos céus por ela não ter que digitar tudo de seu modo lerdo no computador. Tamborilei impacientemente os dedos no balcão encarando os ponteiros do relógio. Várias pessoas falavam na recepção, reclamando da demora do atendimento e todo aquele barulho estava me deixando louca. Cinco minutos depois ela entregou dois crachás para colocarmos na roupa.

– Quarto 501, terceiro andar. – falou liberando nossa passagem.

Passamos pela catraca e, não aguentando esperar pelo elevador, subi correndo pelas escadas. Encontrei o quarto facilmente e assim que entrei avistei meu pai encostado na parede ao fundo. O lugar era amplo, possuía quatro cortinas que davam privacidade e impossibilitavam ver a cama dos pacientes internados. Havia duas pequenas televisões pregadas no alto da parede para distrair as pessoas e o chão era de ladrilho verde claro com branco.

Fui rapidamente para onde minha irmã estava, deparando-me com minha mãe segurando sua mão direita enquanto Giovana dormia tranquilamente, com o monitor cardíaco apitando em um ritmo constante. Suspirei aliviada ao ver que ela estava aparentemente bem. Aproximei-me mais dela reparando sua expressão calma devido aos remédios.

Sua pele morena era do mesmo tom que a minha, seus cachos castanhos estavam espalhados no travesseiro branco e uma coberta fina de cor creme cobria quase todo seu corpo, exceto o braço esquerdo envolto em ataduras. Franzi o cenho, pensativa. Imediatamente minha mente traçou uma ligação do ocorrido com o jogo e precisei engolir em seco várias vezes antes de conseguir proferir alguma palavra.

– O que aconteceu com ela? – perguntei.

– Pelo que o médico me disse, alguém a baleou. A polícia foi embora há pouco tempo e sua irmã disse que estava voltando para casa depois de ir a uma sorveteria quando sentiu uma dor no braço e viu uma moto preta sair cantando pneu. – contou minha mãe.

Bruna era uma professora de português de cinquenta anos que já possuía alguns fios brancos parcialmente tingidos de preto. Seu cabelo era cacheado, crespo e curto, seus olhos eram castanhos e sua pele era mais morena que a minha. Ela usava um vestido azul marinho com algumas flores brancas e sapatilhas pretas.

– Este mundo de hoje está muito violento. Na minha época eu podia andar pela cidade toda e nada me acontecia, mas agora parece que todos perderam as estribeiras. – comentou meu pai.

Cássio tinha cinquenta e cinco anos, era alto de olhos castanhos e possuía um pouco de barriga de cerveja. A pele branca do rosto já possuía marcas profundas de expressão e ele estava com a barba um pouco grisalha por fazer. Como era sexta-feira e meu pai deveria ter saído do emprego de corretor imobiliário às pressas, ainda usava uma calça social marrom escura e uma blusa de manga longa verde. Seu cabelo outrora liso e castanho escuro, agora tinha a maioria dos fios grisalhos e uma pequena careca já começava a ficar evidente no topo de sua cabeça.

– Quem é esse garoto, filha? – perguntou Bruna franzindo o cenho.

– Prazer senhor e senhora Bicard, sou Georg, um amigo de faculdade da Marcela. – apresentou-se tomando a dianteira.

Minha mãe sorriu igual a uma boba e meu pai assentiu como se aprovasse toda aquela formalidade por parte dele. Passei a mão pela testa de Giovana e acariciei seu couro cabeludo lembrando-me do quanto ela gostava que mexessem em seu cabelo. Seus olhos tremeram um pouco e se abriram.

– Ainda estou brava com você. – murmurou com a voz rouca e esboçando um pequeno sorriso.

– Você leva um tiro e a primeira coisa que me diz é isso, pirralha? – perguntei aliviada – Em que confusão se meteu para isso acontecer? Anda vendendo drogas ou partindo o coração desses meninos do seu colégio e um ficou irritado demais e te baleou?

– Marcela! – repreendeu minha mãe.

Meu objetivo de fazer Giovana se animar um pouco foi cumprido e ela começou a rir. Era bom vê-la assim relativamente bem. Porém, só de pensar que algum psicopata fez aquilo para me atingir, meu estômago revirava. Quando eu puser a mão nesses caras vou descontar o que fizeram nela. Quem diz que vingança não fazia bem para a alma provavelmente nunca sentiu a verdadeira raiva de alguém, pois caso tivesse estaria igual à Amanda Clarke do seriado Revenge.

– Quer que eu fique aqui com ela agora, mãe? – perguntei.

– Não precisa, filha. Eu quero ficar um pouco com ela, mas será que você pode passar a noite aqui? Amanhã temos que trabalhar cedo. – respondeu.

– Claro. Oito horas chegaremos para ficar de olho na pirralha. Aproveite enquanto nossos pais estão aqui, porque no meu turno você não vai poder paquerar os médicos gatos. – brinquei – Vou indo, preciso resolver uns problemas agora. Até daqui a algumas horas, pirralha.

– Filha, tome cuidado ok? – disse meu pai abraçando-me.

– Ok, pai. Não vou dar uma de Andy McNally e sair caçando os caras que fizeram isso com a Gio. – falei sorrindo e virando-me para sair do quarto.

Desci as escadas com Georg me seguindo e não me despedi da lesma maquiada em forma de mulher da recepção. Saí para a rua e comecei a andar apreciando o vento com cheiro de terra molhada. O céu estava nublado e presumi que não demoraria a chover, o que era bom já que eu amava chuva e o tempo estava seco há muito tempo.

Parei no ponto de ônibus. Passaram-se dez minutos e nada dele aparecer. Mesmo que eu tivesse dinheiro, não iria ficar gastando-o à toa com o preço abusivo das corridas nos táxis. Após confirmar que minha irmã não corria risco de vida, senti-me um pouco – bem pouco mesmo – melhor. Eu queria chorar de alívio, mas estávamos na rua e não iria passar vergonha em público.

– Por que você está com essa cara de enterro? – perguntou Georg.

– Não fale de enterro agora, idiota. – resmunguei – Estou preocupada com uma coisa.

– Percebeu alguma coisa sobre o Jeu Terminé? – questionou interessado.

– Sim. – afirmei soltando um suspiro – Atiraram na parte superior do braço esquerdo da minha irmã, que é, coincidentemente, o mesmo lugar em que fui atingida no jogo antes de receber a notícia.

~♥~

Meia hora depois entramos no ônibus que, por algum milagre do destino, possuía dois lugares vagos, um ao lado do outro. Sentamo-nos neles e fiquei refletindo sobre minha conclusão enquanto o coletivo sacolejava ao passar pelos buracos e desníveis do asfalto. Como era possível os assassinos saberem tudo que acontecia na minha vida instantaneamente? Aquele ataque à Giovana tinha sido quase ao mesmo tempo em que fui atingida no jogo. Para conseguir fazer aquilo tão rápido eles já deveriam estar de olho nela, seguindo seus passos.

Eles teriam que estar perto de mim.

Será que Georg estava do lado deles? Antes de Domicio morrer Georg tinha dado uma ligação demorada enquanto eu trocava de roupa. Daria tempo dele avisar o matador na Espanha para ficar à postos e dar a ordem de execução. Além disso, só ele possuía o controle das câmeras em minha casa. Aliás, era ele quem tinha ordenado a instalação delas. Georg também tinha ficado longe de mim enquanto eu jogava e por isso deveria ter tido tempo para ver onde minha irmã estava e mandar alguém atrás dela. Minha mãe sempre me dizia que quando a esmola é demais até o santo desconfia. Aquele cara era muito eficiente e certinho, deveria ter algum esqueleto no armário. Era igual à Alice do jogo Alice Madness Returns, sua aparência inocente escondia uma personalidade psicótica.

– Minha família não está mais segura. – sussurrei arregalando os olhos.

– Providenciarei agentes para protegê-los e garantirei que ninguém os perceba. –afirmou Georg surpreendendo-me.

Pensei que ele não estivesse ouvindo. Aquele cara tinha o ouvido do Bolt, só pode. O ônibus parou em um dos pontos e o pior pesadelo da maioria das pessoas cansadas em uma lotação entrou: uma velhinha. Após passar na catraca, a senhora de cabelo grisalho curto, muitas rugas e um vestido longo salmão encarou todas as pessoas sentadas. A maioria fingiu que estava olhando a paisagem, conversando ou dormindo, por isso a mulher baixinha segurou-se no apoio que sustentava o vidro de plástico em que colava-se propagandas. Georg ia se levantar, porém fui mais rápida que ele.

– Senhora, venha sentar aqui, por favor. – pedi afastando-me um pouco.

– Obrigada, querida. – agradeceu sorridente.

Ao sentar ela soltou um longo suspiro e massageou as pernas. O automóvel fez uma curva com uma velocidade relativamente alta, fazendo a inércia quase me jogar no chão e tive que me segurar com todas as forças para não cair. Pelo menos o desafio de me manter em pé distrairia minha mente um pouco.

Puxei a cordinha dando sinal para que o motorista parasse e assim que as portas foram abertas, Georg e eu saímos. Descemos a duas casas da minha e por isso não tivemos que andar muito. Abri o portão e um inexplicável medo de ficar sozinha com Georg me invadiu. E se ele tentasse me enforcar com o varal? Ou me asfixiar com o travesseiro? Eu iria morar com um provável assassino!

– Eu preciso jogar. – anunciei.

– Achei que você não iria mais querer fazê-lo já que se levar um tiro em Urei, alguém que você conhece será baleado. – afirmou.

– Eu sei que esses malditos devem estar me vendo neste exato momento, então se eu nunca mais jogar, eles com certeza darão um jeito de me forçar a logar. Minha vontade é andar com os dois dedos médios levantados e uma blusa escrita ‘‘vão se foder’’ com letras bem grandes e visíveis. – falei entrando no meu quarto – Eu sou boa, conseguirei passar uma partida som sofrer nenhum dano. Se quiser pode ficar atrás de mim para ver o jogo e ver se capta algum sinal ou algo do tipo.

A verdade era que eu queria mantê-lo sob meu radar. Ele não teria tempo de ligar para ninguém dando alguma ordem de execução se eu estivesse por perto.

– Não posso, tenho que ir à polícia para pegar a capsula da bala a fim de descobrir qual arma foi usada. – disse.

Ahá! Ele está tentando se esquivar! Eu estou ficando paranoica, meu Deus. Eu podia confiar no Georg, não é? Afinal, se ele me quisesse morta, vermes estariam me devorando neste exato instante a sete palmos do chão. Oportunidades não faltavam para ele fazer isso. Porém, se eu morresse agora sob sua guarda todos suspeitariam dele já que o propósito de tê-lo ali era para me proteger. Mas mesmo assim...

Georg era muito suspeito.

Notas finais
Esse Georg é muito bonzinho não acham? Tão bonzinho que chega a gerar desconfiança. Não seria muito louco se as suspeitas da Marcela se confirmassem? :B É só eu que amei o momento família? UASHASU ♥ Já sabem né? Comentários me animam xD ♥ Pergunta do cap: Qual é o esporte preferido de vocês?