A Jararaca

5 Operação Megera parte 1


Notas iniciais
O que vocês estão achando da história? Por favor, comentem. O feedback de vocês é muito importante para mim.

Os dias se passaram lentamente, enquanto a vida seguia como sempre, trabalho, casamento, filhos, contas para pagar... Enfim, problemas da vida adulta. Luís Carlos se sentia preso e sufocado com tudo a sua volta e por mais estranho que parecesse, seu plano contra Marta era como uma anestesia em sua vida.

Falando em Marta... Luís Carlos precisava fazer contato com a bruxa, mas... Como?

Era início de mais uma jornada de trabalho, o loiro vestia seu uniforme de trabalho, sozinho no banheiro ao som do pequeno rádio a pilha sobre a pia. Todos da casa ainda dormiam, então Luís tentava não fazer muito barulho, exceto pelas músicas, ouvidas no volume mínimo. Naquele dia, em uma hora, começaria um programa que traduzia músicas estrangeiras simultaneamente. Enquanto o locutor fazia a propaganda do tal programa, ditava o número de telefone para quem quisesse pedir tradução de alguma canção.

Luís Carlos correu para pegar um pedaço de papel e caneta para marcar o número. Uma ideia surgiu em sua mente...

5:30h da manhã, uma fina garoa parecia deixar o dia triste. Luís acorrentou sua bicicleta perto do estacionamento da firma e correu para o outro lado da rua, balançando a mochila em suas costas, avançando em direção a um orelhão. Ele olhou em volta e puxou do bolso da calça o pedaço de papel com o número da rádio e uma ficha telefônica.

— Aqui é o programa Traduções do Amor. Bom dia! Quem está na linha? — perguntou o radialista.

— Bom dia, Aqui é o Luís Carlos e eu gostaria de pedir duas músicas com tradução para uma pessoa. — disse Luís, depois de alguns minutos de espera na linha. — I Want to Know What Love Is, do Foreigner e a outra é Hysteria, do Def Leppard.

— Para quem você dedica essas canções, Luís Carlos?

— Para Marta.

— Boas músicas. Pode deixar que logo elas vão tocar aqui no programa, tá certo, Luís Carlos?

— Tá certo, mas agora, eu tenho que desligar.

Assim que encerrou a chamada, o loiro colocou outra ficha no orelhão e discou outro número, o qual não precisou de papel, já que sabia de cor. Esperou por alguns instantes, torcendo para que a pessoa certa atendesse.

— Alô? — uma voz feminina e sonolenta atendeu.

— Marta? — o loiro se manifestou, aliviado. Se Rodrigo tivesse atendido, Luís Carlos precisaria inventar uma desculpa muito boa para justificar uma ligação àquela hora. — Eh... Oi, Marta!

— Luís Carlos? Aconteceu alguma coisa? Quer falar com o Rodrigo?

— Não, eu quero falar com você, mas eu tenho que ser rápido, o expediente começa daqui a pouco. — falou Luís, observando a os funcionários chegarem na fábrica. — Ligue o rádio no programa Traduções do Amor.

— Como é? — a voz de Marta indicava que ela levara um susto com o nome do programa de rádio.

— Só faça isso, tá? — insistiu o homem, sentindo suas entranhas pularem de nervosismo. — O Rodrigo "tá" dormindo?

— "Tá", sim! Mas o que isso tem a ver com o...

— Eu tenho que ir, até mais!

— Até!

Luís Carlos encerrou a ligação e respirou fundo, numa tentativa inútil de se acalmar. Aquela foi a manobra mais ousada que havia feito até então. "Se Marta não morder a isca, eu tô fodido!" pensou, caminhando de volta para a fábrica, torcendo para que o plano desse certo.