A Irmãzinha
32 Capítulo Trinta e um
Notas iniciais
Como há pouco mais de um ano, minha mãe me ajudava a colocar o véu em minha cabeça para um grande dia.
Esse véu era bem diferente, todo transparente, rendado e era tão comprido quanto à calda enorme do meu vestido. Ao contrário do outro não escondia meu cabelo que estava devidamente arrumado para a ocasião.
Olhei-me no espelho contente com a minha escolha, era o vestido perfeito para mim, moldado em meu corpo, depois de alguns pequenos ajustes graças a uns poucos centímetros que ganhei com a gravidez.
Ele tinha mangas compridas e sua estrutura era estreita abrindo a partir da cintura, cheio de rendas delicadas como as do meu véu.
Quando minha mãe terminou de ajeitar, ela se afastou para poder olhar melhor.
–Você está tão linda minha filha — eu sorri para ela e voltei a encarar o espelho, estou mesmo muito bonita e Edward iria gostar. Ao pensar nele eu suspirei.
–Então vamos? — pedi pegando meu buquê de rosas cor de rosa e fui para a porta.
–Espere nós vamos ajudar você — Alice riu e ela e Molly seguraram a calda do meu vestido me ajudando — não precisa ter pressa.
–Eu preciso sim, Edward está esperando por mim — Molly assentiu e Alice revirou os olhos rindo e graças a Deus não se opôs a mim. Rosalie foi na frente com Esme que entraria com Edward na igreja então iríamos de carona com Alice.
Molly ria de alegria, ansiosa demais para se conter como sempre, tagarelando sobre como estava ansiosa para chegar logo a igreja. Eu ria de sua conversinha infantil, prestando a atenção a cada degrau com medo de cair e só levantei os olhos ao chegar à sala e meu coração se apertou ao ver que meu pai e Jasper estavam ali, esparramados no sofá, sem camisa e de bermudas vendo um jogo qualquer na televisão.
Fiquei paralisada por um minuto analisando aquela cena e pela dor que senti ao ter a certeza de que eles não estariam comigo em um dos dias mais importantes da minha vida. Meus olhos arderam com as lagrimas e eu mal consegui respirar de tristeza.
–Vocês não vão mesmo? — perguntei soluçando, sem conter minhas lágrimas e papai olhou para mim, me analisando de baixo para cima e quando encontrou meu olhar suplicante, indiferente voltou os olhos para a TV. Jasper nem sequer olhou para mim.
–Bella — minha mãe segurou meu braço diante do silencio deles — vamos minha querida — eu neguei com a cabeça fungando sem tirar os olhos deles e Alice entrou em minha frente.
–Você não lutou tanto, para desistir agora não é Bella? — eu ainda olhava estarrecida para eles sem me prender ao que ela dizia quando ela segurou meu queixo fazendo-me encará-la — Vamos embora... Edward está te esperando.
–Eu sei — respondi em alerta depois de ouvir o nome dele — eu só estou triste por que gostaria que todos os que amo estivesse comigo hoje, mas vocês estão — olhei para elas — e Edward também está...
–Ou seja, quem te ama de verdade — Alice disse com dureza e minha mãe fez uma careta — vamos embora Bella, já passou da hora — sem mais eu a segui até o carro, sem conseguir parar de chorar.
Molly se sentou ao meu lado e assim que o carro partiu ela me surpreendeu passando a mãozinha em meu rosto molhado secando minhas lagrimas e me beijou quando terminou.
–Pronto. Você está maravilhosa de novo.
–Obrigada meu amor — eu falei com a voz embargada — não sei o que seria de mim sem você — ela me abraçou e ficamos em silencio enquanto Alice dirigia pra a igreja.
Por mais que meu pai esteve esse tempo todo dizendo que não iria ao casamento, no fundo eu tinha esperanças de que ele mudaria de ideia no ultimo momento ou que estivesse falando da boca para fora, eu não imaginei que ele fosse levar isso a diante e me dar conta que sua magoa era muito maior que qualquer coisa me deixou completamente arrasada.
O silencio do carro foi interrompido pelo celular de minha mãe. Ela atendeu sem dizer nada e alguns poucos segundos ela desligou, suspirou, olhou para mim por um momento e disse:
–Ainda não podemos ir! Esquecemos algo muito importante.
–O que? — perguntei confusa.
–Você não está usando nada azul, nem empresado e muito menos velho — eu revirei os olhos sorrindo.
–Mamãe isso não importa...
–Como não importa Bella? Tradições são tradições e elas precisam ser cumpridas.
–Mas agora já estou bem atrasada e, além disso, onde eu conseguiria essas coisas a essa altura?
–Isso não é problema — Alice sorriu — podemos ir para a minha casa e eu arrumo isso para você rapidinho...
–Não...
–Sei que já está tarde Bella, mas é normal que uma noiva se atrase, então não tem problema.
–Tem sim. Eu não quero demorar ainda mais, pelo amor de Deus, eu só quero me casar! — reclamei vendo Alice pegar um retorno para a casa dela e suspirei não adiantaria nada discutir com elas.
.
Levou séculos para Alice encontrar algo para me emprestar, nada combinava e nada dava certo. Molly e eu estávamos entrando em desespero quando finalmente ela encontrou uma tornozeleira com pedrinhas azuis que ela disse ser antiga e então voltamos para o carro e eu fui rezando para que elas não inventassem mais nada, até que finalmente o carro parou em frente à igrejinha de são Francisco de Assis.
Meu coração estava tão acelerado que eu me vi obrigada a fechar a boca para que ele não escapasse.
Desci do carro respirando bem fundo enquanto me despedia da minha mãe, tentando não chorar ao me aproximar da porta e ver que realmente teria que entrar sozinha, me concentrando apenas em Edward esperando do outro lado do corredor.
Fiquei observando a Molly toda ansiosa enquanto Alice lhe dando as últimas instruções, lembrando-a de todos os ensaios que fizemos. Quando ela estava pronta Alice se aproximou dando os últimos retoques. Ela olhou em meus olhos enxergando a pontinha de tristeza que ainda havia em mim.
–Olha Bella, se você quiser ainda dá tempo de chamar meu pai, ou até mesmo o Emm para te acompanhar — ela disse com carinho — sabe que qualquer um deles terá o maior prazer em fazer isso não é?
–Eu sei e agradeço, mas eu gostaria que meu pai estivesse aqui, ou meu irmão... — ela me deu um sorriso triste e eu dei de ombros fingindo não me importar — Como eles não estão eu prefiro entrar sozinha.
–Tem certeza?
–Sim. A única coisa que importa é que o Edward está ai... Ele veio não é?
–É claro que veio — ela revirou os olhos sorrindo — e eu aposto que se conseguiu se pentear já está todo despenteado por sua demora — eu ri imaginando ele bagunçando os cabelos com a eterna mania de passar as mãos por ele.
–Eu posso imaginar isso.
–Agora sim, um sorriso era só o que faltava para você ficar perfeita, agradecendo aos céus pela maquiagem a prova d´água — ela sorriu apertando minha bochecha — Eu vou entrar e pedir para que a musica comece, você já sabe o que fazer.
Ela deu a volta e entrou pela porta lateral, devagar eu fui entrando na soleira da igreja tomando cuidado com a calda do meu vestido e os saltos enormes que Alice me obrigou a usar.
Entrei olhando para baixo prestando a atenção no chão irregular para não cair e de repente eu me deparo com um par de sapatos masculinos bem brilhantes e suspirei sem graça por Alice não ter escutado o que eu pedi e pensando em uma maneira de dizer ao Carlisle que ele não precisava fazer isso.
Levantei a cabeça e dei de cara com o meu pai sorrindo para mim, parecendo envergonhado.
–Filha...
–Papai? — perguntei me aproximando sorrindo cheia de esperança ao vê-lo todo arrumado com um terno muito bonito e bem cortado — O que o senhor... Está fazendo aqui?
–É o meu dever estar aqui, mesmo que eu não esteja satisfeito em te ver casar com aquele rapaz que te desrespeitou tanto...
–Pai... — eu me lamentei decepcionada.
–Tudo bem, não vamos tocar nesse assunto agora — ele me interrompeu um pouco nervoso, passando a mão em sua calça elegante — temos coisas mais importantes para fazer não é?
–Eu não estou entendendo nada... Por que está aqui? — perguntei aflita — Se o senhor veio para me levar embora, saiba que eu só vou sair daqui depois de casada.
–Não precisa ficar assim querida, acalme-se — disse tranquilamente — apesar de ter ficado todo esse tempo entre você e o Edward, eu não estou aqui para impedir o seu casamento.
–Então para que?
–Eu não podia faltar ao casamento da minha filhinha...
–O senhor não parecia se importar antes — eu o interrompi com o coração ainda doendo e ele suspirou dando um passo a frente.
–Eu quase tive um treco quando você saiu de casa chorando daquele jeito por minha causa e eu me dei conta que não poderia perder esse momento e que tinha que estar aqui por você e por mim mesmo, então eu liguei para a sua mãe e pedi que ela enrolasse um pouco para dar tempo de vir. Eu jamais me perdoaria por não estar aqui...
–Eu pensei que me odiasse agora — eu disse ainda muito magoada e sem saber o que pensar ao vê-lo ali.
–Eu sei tudo o que fiz, mas como eu posso te odiar minha filha? — ele deu um passo para mais perto — Eu entendi que o que importa é a sua felicidade e se é assim que você vai ser feliz quem sou eu para impedir? — deu de ombros rendido — Você é a minha menininha tão frágil e inocente a quem eu sempre protegi, ou melhor, que eu tentei proteger. É difícil admitir que você cresceu, que te perdi.
–Não me perdeu... — eu balbuciei.
–Mas eu sentia que sim, desde que foi para o convento. Só que antes era mais fácil de lidar por que era certeza que Deus ia cuidar de você, bem melhor do que eu.
–O Edward também vai papai...
–É nisso que eu preciso acreditar — ele suspirou — acho que tudo o que eu fiz não passou de um ciúme bobo, afinal eu sempre soube que isso iria acontecer, que você cresceria e seguiria a sua vida, mas quando isso aconteceu eu não soube lidar com isso, ainda mais por que a forma como as coisas aconteceram não foram nada convencionais e foi muito difícil para mim aceitar o que tinha acontecido.
–Sabe que não foi nada planejado não é? Não queríamos magoar ninguém, só ficarmos juntos, nós nos amamos pai e tudo o que queremos é uma vida juntos.
–Eu sei, pensei muito nisso quando estava conversando com a sua amiga, mas mesmo assim é muito difícil ter que te entregar para outra pessoa, mas a vida é assim criamos nossos filhos para que um dia eles sigam seus caminhos — ele finalmente chegou bem pertinho de mim e tocou minha barriga suspirando — você vai entender um dia.
Eu prendi a respiração enquanto ele sorria acariciando meu ventre plano, parecendo perdido em pensamentos por incontáveis segundos. Eu queria saber o que ele estava pensando e o motivo por ele estar aqui, tentando não criar falsas esperanças.
E como se escutasse meu pedido mudo ele disse:
–O que é importante agora Bells, é saber se você pode me perdoar e deixar que eu te leve ao altar? — papai me ofereceu um braço sorrindo para mim.
–Pai... O senhor não imagina o quanto eu estou feliz por me perdoar, por estar aqui fazendo desse dia ainda mais importante para mim. Obrigada, obrigada — eu me atirei em seus braços emocionada e ele me abraçou com carinho acariciando minhas costas.
–Ei meu amor, está tudo bem e se alguém precisava ser perdoado aqui seria eu que te fiz sofrer tanto, mas eu precisava disso par ater a certeza de que vocês estavam firmes no que decidiram e eu vi que nada pode separar vocês, nem um velho rabugento como eu.
–O senhor era tudo o que eu precisava para estar completamente feliz hoje, não sabe o que significa para mim... Eu não tenho como explicar o quanto estou contente.
–Então pare de chorar querida, sou só eu — ele passou a mão com carinho pelo meu rosto limpando minhas lágrimas — agora temos que ir... A sua pequena já entrou faz tempo e está na nossa hora, vamos?
–Sim, vamos sim — eu ri fungando de uma maneira nada delicada — eu já demorei demais e o Edward deve estar preocupado — Ele sorriu condescendente e me ajudou a ajeitar a calda enorme do meu vestido e juntos nos colocamos em frente a porta principal de onde eu podia enxergar toda a igreja.
Molly já estava em frente ao altar e a marcha de Wagner em seu auge mostrando a profundidade de nosso atraso. A igreja estava praticamente vazia, apenas nossa família, Rose, os poucos amigos que nos restaram e as minhas meninas do orfanato junto com a senhora Clarke.
Foi tudo o que eu consegui ver antes de colocar meus olhos em Edward.
A decoração da igreja pouco me importava e eu nem consegui aproveitar a companhia de meu pai, pela qual eu tanto ansiei, uma vez que só tinha olhos para o meu noivo, meu lindo noivo que sorria entre lágrimas, assim como eu.
Ele estava tão lindo, com um fraque preto elegantíssimo e gravata borboleta. Seus cabelos estavam o mais arrumado que eu já vi na vida, apesar de que a minha demora o fez se despentear um pouco, como imaginei que aconteceria.
Acredito que a cabeça dele deveria estar exatamente como a minha, pensando em todos os momentos que passamos juntos. Nossa história começou aqui e foi entre essas paredes que o nosso amor cresceu, elas foram testemunhas do que fazíamos para nos manter juntos, mesmo que de uma forma torta sem coragem de assumir nossos sentimentos.
É uma emoção enorme voltar aqui para pedir a benção de Deus e nos unirmos para sempre.
Quando finalmente eu cheguei até ele meu pai me deu um beijo na testa e suspirou olhando para Edward.
–Agora é oficial. Você tem o que é de mais precioso na minha vida. Por favor, cuide dela e a faça feliz.
–Eu vou lutar todos os dias para isso senhor. E saiba que ela é o que eu tenho de mais precioso também, eu a amo mais do que consigo dizer — escondendo um leve sorriso sobre o bigode, meu pai colocou minha mão sobre a de Edward e deu leves tapinhas em seu ombro.
Nós estávamos frente a frente, nossos rostos banhados em lágrimas. Sem me conter eu estiquei a mão e limpei as lagrimas dele, uma por uma. Quando terminei ele beijou minha testa e sussurrou num suspiro.
–Você está tão linda, parece um sonho...
–Parece mesmo um sonho estar aqui com você, finalmente meu amor.
–Eu sinto muito interromper as juras de amor de vocês dois – padre Harry disse sorrindo — mas como eu sei o quanto estão ansiosos para se tornarem marido e mulher, por isso quero convidar a todos para dar inicio a nossa celebração em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, Amém — de mãos dadas nós olhamos para o nosso querido amigo, conselheiro e pai.
–É com muita alegria que nos reunimos aqui hoje para finalmente celebrar o casamento de Edward e Bella. Pela primeira vez nesses quase quinze anos de sacerdócio eu posso falar tão bem de um casal, já que eu vi esses dois crescendo juntos e com eles o amor que sempre esteve presente e suas brincadeiras ações e palavras. Um amor que começou fraternal e a medida que cresciam ele foi se modificando até que ele os trouxessem aqui.
–Pode ser que eles tenham se equivocado um pouco na forma como se deu inicio ao relacionamento, mas acredito que a sinceridade e a força desse amor fizeram com que Deus perdoasse os caminhos errados levados pela impulsividade e pela inocência que tinham e hoje Ele quer muito perdoar e abençoar os dois, para que sejam muito felizes em sua vida conjugal e os frutos que virão dessa união.
Edward apertou minha mão e eu olhei para ele encontrando o seu olhar cheio de amor e vitória. Naquele instante as palavras do padre se perderam, tudo se perdeu, eu apenas conseguia olhar para ele e apreciar aquele momento em que ele se tornava meu. Voltei a prestar a atenção quando Edward segurou minha outra mão ficando de frente para mim. Ele e depois eu repetimos os votos que tantos casais também fizeram, olhos nos olhos muito emocionados e naquele momento rezei pedindo a Deus que o nosso amor nunca acabasse.
–E é com muita alegria que- padre Harry disse assim que tremendo, com as mãos frias de ansiedade trocamos nossas alianças — eu finalmente eu vos declaro Marido e mulher — Nós olhamos para ele ansiosos para que ele continuasse — voce já pode beijar a noiva meu filho — Edward voltou a olhar para mim e deu um passo para mais perto. Ele me deu um beijo no rosto, colocando sua testa na minha passando o nariz de leve no meu.
–Minha esposa — ele sussurrou baixinho.
–Me beija logo Edward — eu pedi sorrindo e abri os olhos a tempo de vê-lo morder o lábio balançando a cabeça em negação. Eu franzi o cenho e ele riu.
–Vem comigo — Edward me puxou andando rapidamente pelo corredor da igreja em direção à porta e eu o seguia com dificuldade sem entender nada, até que chegamos ao nosso banco.
Eu não tinha reparado antes, mas ele estava enfeitado com cetim e algumas rosas brancas, as minhas favoritas. Ele me fez sentar e me abraçou enlaçando a minha cintura com seu braço e segurou meu rosto puxando para perto do dele passando o dedo de leve sobre meus lábios antes de me beijar ternamente. Foi apenas um selinho demorado antes de ele se afastar de mim sorrindo.
–O que foi isso? Por que estamos aqui? — perguntei rindo e ele me olhou.
–Você disse que gostaria que o nosso primeiro beijo fosse bem aqui. Se eu soubesse antes teria feito com que fosse, mas eu quis concertar te dando o primeiro beijo de casados, realizando assim o seu sonho, mesmo que seja de uma forma torta — ele acariciou meu rosto e me deu mais um beijinho — agora que você é só minha — ele falou em meus lábios — eu vou fazer de tudo para você ser feliz.
–Só por ser sua, eu já sou a mulher mais feliz de todas — Edward me beijou de verdade dessa vez, sua língua invadindo minha boca num beijo que há mais de um mês não dávamos, eu coloquei minhas mãos em seus ombros, subindo para o seu cabelo e o puxando para mais perto de mim.
–Até quando eles vão ficar se beijando? — Eu ouvi Molly perguntar fazendo com que todos rissem. Eu me afastei de Edward olhando em volta, vi que toda a nossa família tinha se aproximado para nos observar. Assim que encontrou uma brecha Molly chegou mais perto — até que em fim hein?
–É mesmo — Edward disse acariciando meu rosto — Até que enfim eu estou casado com a mulher que amo e agora vamos poder realizar todos os nossos planos.
–É verdade? — ele assentiu e ela bateu palmas — Eu estou tão feliz! — Molly ficou entre nós abraçando os dois juntos com seus bracinhos pequenos.
–Molly nós também queremos abraçar os noivos — Alice chamou e ela se afastou de nós. Ficamos em pé saindo do banco para ficar mais fácil de as pessoas se aproximassem.
Minha mãe foi a primeira a chegar chorando, chorando muito.
–Minha querida Bella — ela me abraçou — espero que agora você tenha encontrado a sua felicidade. Eu estou orgulhosa por você ter lutado tanto para estar aqui e principalmente por conseguir. Que você seja muito feliz minha querida — ela se afastou abraçando o Edward também — vocês dois e as crianças que estão por vir e contem comigo para o que precisar, sempre.
–Obrigada mamãe — ela se afastou dando espaço para meu pai se aproximar. Ao vê-lo Edward abraçou minha cintura em um gesto protetor e disse a ele:
–Obrigado por ter vindo senhor.
–Não precisa agradecer...
–Preciso sim, Bella estava triste pensando que o senhor não viria. Obrigado por fazê-la feliz hoje — papai suspirou sorrindo.
–Se ela está feliz é o que importa para mim. Como eu disse, conto com você para cuidar dela, por favor.
–Como eu disse, a felicidade da Bella é tudo para mim e eu vou fazer com que ela seja feliz, todos os dias — Edward estendeu a mão para ele, mas papai sorriu abraçando meu marido e cochichou algo em seu ouvido, Edward assentiu e respondeu algo que eu também não consegui ouvir. Ele me abraçou também sem dizer nada e se afastou.
Depois dele foi a vez de uma Esme tão emocionada como minha mãe, ela nos desejou felicidades assim como todos os Cullen, Rosalie, a senhora Clarke, as meninas e o padre Harry.
Jasper estava lá também, mas ele não se aproximou, ficou apenas olhando de longe.
Convidamos todos para um jantar na casa dos Cullen, que minha mãe e Esme preparam para nós. Eu fui para lá com Edward e Molly, mas mal tivemos como conversar direito já que Molly não parava de falar sobre como tudo estava lindo e em como o casamento foi ainda mais maravilhoso do que ela pensou e que gostaria de ir a um casamento todo o dia.
Chegamos a casa dos Cullen e Edward ajudou Molly a descer do carro e ela correu direto para dentro como sempre ansiosa demais para esperar. Edward abriu a porta para mim e me puxou para seus braços me beijando.
–Você demorou tanto, meu amor — ele disse com os lábios ainda colados nos meus — eu achei que fosse ficar louco...
–Eu também... Juro que por mim estaria aqui na hora, mas todo mundo me enrolou e acabei atrasando, me desculpe.
–Tudo bem — ele riu me beijando — o importante é que você veio, que agora está casada comigo... Finalmente a minha esposa.
–Eu te amo muito Edward — eu o abracei ainda mais sentindo seus braços me apertando enquanto nossas bocas estavam unidas num beijo urgente cheio de saudade, mas isso não durou muito e nos separamos quando ouvimos Alice chamar pelo irmão.
–Eu sei que vocês estão com saudade — Edward me abraçou por trás beijando meu pescoço — mas vamos jantar e ai vocês vão poder ir embora para a Bella fazer tudo o que eu ensinei a ela.
–O que você aprendeu amor? — Edward sussurrou em meu ouvido me fazendo arrepiar.
–Hmm... — murmurei tímida — é que ela...
–É que eu dei algumas dicas a Bella para que a vida sexual de vocês seja mais animada, sabe por que o sexo vai muito além do papai e mamãe...
–Alice, já chega! — eu pedi corada — vamos jantar então, assim podemos ir embora — eu disse me afastando sem olhar para trás.
–Viu... Bella está ansiosa para colocar em prática o que aprendeu, você vai passar muito bem com ela de agora em diante.
–Eu sempre passei muito bem com a Bella, Alice — Edward disse me alcançando e beijando meu rosto — E pelo que conheço de minha esposa, posso dizer que essa pressa não é apenas ansiedade.
–Não mesmo — respondi — eu estou com fome, muita fome por que eu estou grávida caso não se lembrem, preciso de comida.
–Tudo bem meu amor — Edward segurou minha mão — vamos alimentar o nosso filho e ir para casa.
Nós jantamos em paz, foi uma reunião gostosa entre a família para comemorarmos um dia feliz.
Meu pai estava todo relaxado como há tempos eu não via. Comendo, bebendo e rindo como todo mundo, junto com Carlisle e o padre Harry. Mamãe, Esme e a senhora Clarke, repassavam a cerimônia comentando cada pedacinho e Molly recebia as amiguinhas se sentindo a própria dona da casa.
Emmett e Rosalie conversavam animados e pela primeira vez em muito tempo eu vi meu amigo de volta. Emmett ria e fazia as piadinhas que eram de seu feitio dizendo que esse era o ultimo capitulo da novela e o que antes a mão de Deus tinha separado, hoje ele uniu.
Em meio de todas essas brincadeiras eu lamentei por Jasper não estar aqui para rir conosco.
Edward estava ao meu lado, sempre brincando com a aliança em meu dedo, me beijando e me abraçando de repente, como se para ter certeza de que eu estava ali, que eu era mesmo dele.
Quando terminamos de comer, Edward me levou para a varanda e nos sentamos ali para observar a linda noite. Ele puxou para mais perto e me deitou em seu peito acariciando minhas costas. Alguns minutos depois ele suspirou e disse.
–Acho que já podemos ir não?
–Mas está tão bom aqui — eu brinquei — vamos ficar mais.
–Vai estar muito melhor em casa, acredite em mim — a voz dele tinha mudado, estava rouca e intensa. Ergui meu rosto e movida pela saudade eu o beijei cheia de desejo.
–Bella? — eu me separei rapidamente ao ouvir a voz do meu irmão perto de nós.
–Oi... Jasper — eu falei ofegante por causa do beijo e Edward não parou, continuou beijando meu pescoço me deixando arrepiada — veio por causa da Alice? Ela está lá dentro... — eu mal terminei de falar e Edward reclamou meus lábios, que agora eram seus de direito me beijando novamente. Eu sabia que deveria dar atenção ao que meu irmão estava falando, mas só conseguia me concentrar nos beijos do meu marido.
–Bells — eu ouvi ele me chamar ao longe — eu queria falar com você, por favor.
–Estou ouvindo — respondi beijando o queixo de Edward enquanto ele me abraçava com força.
–Vocês podem, por favor, parar com isso?
–Não podemos Jasper — Edward respondeu se afastando a contra gosto — não agora que podemos ficar juntos depois de tanto tempo.
–É sobre isso que eu quero falar, quero pedir perdão pelo que eu fiz...
–Você não precisa fazer isso. Se for por causa da Alice nós diremos a ela que você se arrependeu e pronto, não precisa dizer nenhuma palavra — Edward chegou bem perto e sussurrou em meu ouvido — vamos para casa meu amor? — eu apenas assenti me levantando com ele e deixamos Jasper ali parado.
Entramos em casa para nos despedir de todos. Edward foi falar com seus pais e eu com os meus.
–Então é isso querida — minha mãe disse sorrindo — fique com Deus e se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, pode me chamar que eu vou correndo. Principalmente quando o bebê nascer e você tiver que cuidar de duas crianças...
–O que? — eu ri — mamãe eu não estou esperando gêmeos — ela riu um pouco sem graça.
–Bem nunca se sabe.
–Obrigada por tudo — eu disse a ela e estiquei minha mão para meu pai — aos dois. Eu espero que Edward e eu sejamos tão felizes quanto vocês são.
–Vocês vão ser — meu pai disse — e se bobear serão ainda mais do que nós — sem que eu pudesse evitar, eu olhei em volta a procura de meu marido, já sentindo a falta dele. Edward estava agachado conversando com a Molly em um canto e eu fui até eles de mansinho e eles estavam se abraçando com entusiasmo.
Ela me viu por cima do ombro de Edward e me chamou para que eu me juntasse a eles no abraço e eu os abracei. Me deu uma vontade louca de poder levar a Molly para a minha casa nova para que juntas começássemos uma vida nova. E em meio aquele abraço eu pedi a Deus que isso pudesse ser verdade algum dia.
–Vocês serão uma linda família — a senhora Clarke disse se aproximando e Molly começou a mão na boca assustada, como se ela tivesse dito algo que não deveria e olhou para mim.
–Obrigado — Edward disse depressa — Nós já estamos indo, e agradecemos muito a presença de vocês.
Conversamos com ela por alguns momentos e depois com Emmett e Rose, interrompendo uma conversa animada. Emm puxou Edward para um canto por que tinha algumas coisas a dizer a ele e eu fiquei com Rosalie.
–Pelo visto vocês dois estão bem não é?
–Sim... — ela corou.
–Sobre o que tem conversado? — perguntei interessada e ela suspirou.
–Sobre tudo, mas acredito que seremos apenas amigos mesmo e quer saber, para mim isso basta.
–Eu também pensei que bastaria pela vida toda, mas não foi bem assim. Hoje eu estou muito feliz, muito muito feliz. Faça o mesmo Rose, faça o que você for preciso em busca da sua felicidade, lute por ela — ela assentiu e nos abraçamos — obrigada por vir. Eu adorei ter você aqui — ficamos abraçadas até o Edward me chamar.
–Vamos amor?
–É claro — eu me aproximei dando um selinho. Nós seguimos de mãos dadas para fora e de longe eu vi Alice falar com o Jasper e decidi que era melhor não interromper.
Acenamos para todos que ficaram na varanda enquanto nos afastávamos abraçadinhos.
–Ah não vão sem despedir de mim é? — Alice gritou quando íamos para o carro — quero dar um beijo em vocês — ela se atirou em nossa direção abraçando cada um com um braço — Que vocês sejam muito felizes, eu estou muito contente com o casamento de vocês, parabéns de verdade.
–Obrigado Alice, por tudo. A ajuda que deu a Bella, tudo o que fez para o dia de hoje, foi perfeito.
–Não precisa agradecer meu irmão, só de ver vocês dois assim tão felizes já é o suficiente para mim — ela deu um passo atrás e sorriu para nós — já me despedi e então vocês e sei que estão loucos para ir embora, eu estaria em vista do quanto tempo estão sem nada...
–Alice! — eu ralhei corando.
–Para de ser chata Bella, eu não estou dizendo nenhuma mentira e sabe disso — Edward riu baixinho e me segurou pela cintura e beijando minha cabeça sem dizer nada — Ok eu é que não vou ser a que fica empacando o casal vão e divirtam-se.
–Obrigado Alice, nós vamos — meu marido disse olhando em meus olhos e caminhamos para o carro, mas ao contrario do que disse sobre nos deixar em paz, Alice veio atrás de nós.
–Só mais uma coisa — falou vendo minha expressão nada contente — para que vocês não se esqueçam que não só de papai e mamãe que um casal vive, eu deixei um presentinho para vocês no criado mudo.
–Então vamos embora — Edward disse abrindo a porta do carro para mim — nós vamos abrir o seu presente assim que tivermos tempo, eu prometo — acenei para ela e depois que me acomodei ele foi para seu lugar e seguiu para a nossa casa.
Ele segurou minha mão durante todo o caminho e ficamos os dois em silencio, como se para assimilar tudo o que estava acontecendo.
Estou finalmente casada com o homem que eu tanto amo, eu nem acredito!
Sem me conter eu dei uma risadinha e Edward riu também.
Aquela noite éramos dois bobos apaixonados, como estávamos depois da nossa primeira vez, antes extasiados pela descoberta, agora ansiosos pelo reencontro e por saber que mais do que nunca pertencíamos um ao outro.
Edward beijou minha mão quando parou num sinal vermelho e foi isso que bastou para que o clima do carro mudasse. Era como se toda a saudade que sentíamos estivesse no ar, a cada respiração ficava mais forte, quase palpável.
Mordi meu lábio para evitar um gemido e fechei os olhos torcendo para que os quilômetros que ainda faltavam para chegar em casa chegassem mais de pressa com Edward pisando cada vez mais fundo.
Fale com o autor