PDV Sarah.


A primeira vez em onze anos que a casa está cheia de vampiros. Os tios da mamãe sempre nos visitaram, mas nunca todos juntos. E agora com Albert e Angeline, toda precaução é pouca. Confesso que estou super empolgada que esse incidente aconteceu conosco de férias. E sou mimada por cada um dos meus tios-avôs e tias-avós. E pelos nossos bisavós. Mendy e Embry também vieram com a Zoe. Heather e Nick também estavam aqui. A casa estava realmente cheia.

Eu recebi umas olhadas diferentes do Albert. Confesso que me senti lisonjeada. Tudo bem que minha família não confia nele, mas não deixa de ser um gato – apesar de medonho com os olhos rubi. Bom, eles pareciam mesmo querer tentar uma nova vida. Ah, eu não sabia o que pensar.

Voltei ao que estava acontecendo a minha frente. Meus avós, bisavós, tios, tias-avós e tios-avôs estavam resolvendo com Albert e Angeline sobre a ficada deles por aqui. Pelo menos por um período. Brady não ficou nada contente de vampiros supostamente perigosos estarem perto de mim. Bom, se mamãe e papai quisessem mesmo acolhê-los por um tempo, a visita da família duraria mais. E não posso reclamar.

Bem, eu já sabia sobre o imprinting, e Brady e meus pais me avisaram que eu não precisava me preocupar com isso ou me sentir obrigada a ficar com ele. E eu gostava mesmo do Brady... como amigo. Então eu não me sentia culpada por gostar de outros meninos, mas não falava disso perto dele, eu ainda tenho alguma noção.

Enfim, se fosse comprovado de que Albert não era mais do mal, a gente podia sair, sei lá. Ele é super fofo.

— Então está decidido. – vovô Edward falou. – Mas vocês não podem mais tomar sangue humano. De agora em diante, precisam se acostumar com a dieta. E se controlar, pois há muitos mestiços por aqui, e humanos. Iremos estar atentos o tempo todo, porém, então é só um aviso que a primeira tentativa de perder o controle, será sua última.

— Vamos conseguir. – prometeu Albert. – Obrigado por nos aceitar.

— Muito obrigada. – Angeline falou.

Sorri, vitoriosa, mas tentei esconder. Albert percebeu e olhou em minha direção, soltando um sorriso muito fofo. Envergonhada, desviei o olhar.

— Bem, há dois quartos de hóspedes no andar de cima. Fiquem à vontade para escolherem qual vocês ficarão. – tia Carlie falou, me olhando desconfiada. Eu franzi os lábios. Acho que ela percebeu meu olhar para o novo vampiro. E muito provável ela não deixaria passar isso em branco. Ótimo.

— Eu posso mostrar os quartos, se quiserem. – me voluntariei.

— Eu vou com você. – minha tia se apressou a dizer.

— Eu também vou. – mamãe se levantou.

Ah, droga! Só falta ela ter me visto olhando para ele também. Só. O. Que. Me. Faltava.

Eles dois nos seguiam, então eu não pude dar nenhuma olhada para o novo gatinho morador da minha residência.

— Aqui está o primeiro quarto, e logo em frente está o segundo. – mamãe apontou para os quartos. – Seth e eu podemos arrumar algumas roupas para vocês, depois eu compro algumas do tamanho certo.

— Eu posso usar a minha máquina de costura e ajustar, se precisar. – completei. – Pelo menos até as novas chegarem.

Albert me olhou com um sorriso fofo em sua boca, e eu não tive como não retribuir.

Minha mãe pigarreou, e eu desviei minha atenção do vampiro à minha frente.

— Vamos deixar vocês sozinhos. – tia Carlie falou. – Até mais.

— Tchau. – responderam. Angeline completou. – Obrigada mais uma vez.

Sorrimos e fomos.

Que olhar foi aquele?

Duas vozes preencheram minha mente de repente, e eu me assustei um pouco, já que eu não esperava.

— Vocês estão ficando loucas. – tentei disfarçar. – Pessoal, vou sair para comer. Estou com fome.

Nesse momento, minha amiga Abigail entrou em casa. Ela já era totalmente acostumada com a minha família inteira. Mas não com todos de uma vez.

— Que bom que chegou. Vamos sair. – avisei antes de ela falar alguma coisa. – Jake? – o olhei, com um olhar pidão.

Ele suspirou, mas pegou sua carteira em seu bolso e me deu algum dinheiro.

— Só isso? – perguntei, indignada. Respirou novamente, e colocou outra nota na minha mão. – Preciso pegar um táxi, sabe? – fiz meu melhor olhar que eu uso para pedir as coisas, e um biquinho que eu sabia que ele nunca resistia.

Ouvi meu avô Edward rir e dizer “Exatamente como a mãe”.

Papai colocou outra em minha mão, e ouvi Abigail engasgar. Ela sempre se esquecia de como a gente é rico.

— Você é o melhor. – me estiquei para lhe abraçar e beijar sua bochecha.

— Tenha cuidado. – falou, um pouco emburrado. Ele detesta quando cai em meus joguinhos de fazer tudo o que eu quero.

— Sempre tenho. – soprei um beijo para todos na sala e puxei Abigail comigo. Ela murmurou um “tchau”, recebeu algumas respostas e fomos.

— Seu irmão te mima taaanto. – ela exclamou, enquanto a gente andava nas ruas aconchegantes de Waco.

Nunca tive muito o que reclamar da minha vida. Uma coisa ou outra acaba nos chateando. Sempre tem. Mas no geral, é tudo ótimo. Eu jamais trocaria minha vida por nada nesse mundo. Apesar de eu ter que tratar meus pais como irmão e cunhada, nada que atrapalhe demais. As vezes dou um deslize, e eu já tenho a explicação que os tenho como meus pais, já que são meus guardiões.

— Minha família é assim, ué. Eles nos mimam porque temos dinheiro e condições de ter uma vida sem “Eu não posso comprar isso agora, só no próximo pagamento” e tals. Mas eles nos criaram...

— Bem e temos educação, e blábláblá. – ela revirou os olhos. – Quantas vezes já não falou disso?

— O tanto de vezes que você entra no assunto.

Ela me mostrou língua.

— Mas o que toda a sua família veio fazer aqui? Eles não moram em Massachussets? – ela me questionou, confusa.

— Estão de visita, assunto particular. – respondi. – Mas temos dois novos hóspedes em casa.

— Quem? – ela falou, empolgada.

— Eu não entendi muito bem o grau familiar, mas é um garoto chamado Alberto e a menina se chama Angeline. Mas enquanto Brady estiver aqui, não vou nem pensar em ficar com ele. Se ele me der bola.

— Que garoto não daria bola para você, besta?

Eu ri. Odeio admitir, mas é verdade. Muitos e muitos garotos são caidinhos por mim. É chato isso, às vezes.

— E outra; se o Brady já te disse que não precisa se preocupar em magoá-lo, não precisa se preocupar com isso. – ela deu de ombros. O táxi chegou e em poucos minutos chegamos no restaurante. Entramos e fomos para uma mesa. Logo fomos atendidas.

— Estou curiosa com o desenrolar dos novos moradores.

— A Nessa e o Jake poderiam me adotar. – ela levantou as duas sobrancelhas, e eu ri disso.


PDV Carlie.


Já era de noite. Harry estava em seu quarto, e eu estava na cozinha preparando a janta que eu trouxe do restaurante. O abri já fazem dois anos, e o sucesso foi absoluto que o planejamento está para abrir o segundo. Planejamos abrir uma doceria em algum tempo, só estou esperando terminar o meu curso com o Bachour. Nem acreditei quando tia Alice me deu esse presente.

Seth e Jake estavam a todo vapor com a oficina. Eles são o exemplo de que, se você é esforçado, você consegue ser bem sucedido em qualquer lugar.

Ouvi seus quase silenciosos passos do lado de fora de casa, brevemente a porta foi aberta. Eu sorri da cadeira da cozinha onde eu estava terminando de arrumar a comida nos pratos. Era sempre um alívio vê-lo depois de um dia de trabalho.

— Oi, amor. – falei de onde estava.

Silêncio. Estranhei não obter resposta. Ele nunca me deixava falando sozinha.

Me levantei e fui de encontro a ele. Franzi o cenho. Seu comportamento estava diferente. Mal chegou em casa, não falou nada, e está no sofá ligando o videogame?

— Seth, está tudo bem? – perguntei, me aproximando com cautela.

— Oi.

Foi sua resposta.

— Oi? – repeti, sem pensar duas vezes.

Tão rápido que me assustou, se levantou e voou em minha direção. Sem esperar por isso cambaleei alguns passos para trás. Seu olhar se conectou com o meu, e eu tive a impressão de que ele estava tentando me avisar algo. Um segundo depois passou por mim e foi para a cozinha, deixando uma Carlie estática no meio da sala.

O que diabos estava acontecendo aqui?

Mas não perdi muito tempo. Fui atrás dele, que estava pegando algo da geladeira.

— Seth, o que está havendo com você?

Silêncio.

— A comida está na mesa, não percebeu?

Mais uma vez ele tentou passar por mim sem dizer um A, mas segurei em seu braço e o virei. O que veio a seguir me assustou pra valer. Sua mão se levantou abruptamente a altura do meu rosto, e se não tivesse congelado, eu teria acreditado que ele faria mesmo. Bem, ele teria se machucado, pois isso teria virado uma briga feia, e a casa provavelmente iria ser prejudicada com dois sobre-humanos brigando.

Eu o olhava de forma dura, mas por dentro eu estava abismada. O que estava acontecendo com ele? Seth nunca faria isso comigo em seu juízo perfeito.

— Seth, o que você tem? – perguntei novamente. Sim, com certeza eu gostaria de alguma explicação. Só que se ele estivesse fora de si, então não estaria bom para responder algo coerente.

— Não é da sua conta. – respondeu ríspido.

Eu fiquei incrédula com aquilo. Ele me deu as costas e foi para a sala. O segui.

— O que aconteceu no caminho de casa? – pressionei, me aproximando dele para confrontá-lo.

Ele parou no pé da escada.

— Eu já falei que não é da sua conta! – ele rosnou furioso, e me segurou forte pelos braços.

— Me solta, está me machucando! – falei entre dentes, tentando me livrar do seu aperto.

Com a força que eu estava me chacoalhando, eu cambaleei para trás, e seu corpo veio junto a mim. Minhas costas se chocaram contra a escada, e senti minha pele latejar. Normalmente eu não me machuco, mas com a nossa força não humana misturada, com certeza fez algum estrago em mim. Gemi.

— Seth, me larga! – engasguei, as lágrimas escapando dos meus olhos. Eu ainda estava tentando me livrar dele, e demorou um pouco para ele se levantar.

Fiquei confusa com o seu olhar, pois instantes atrás ele estava furioso, agora parecia muito culpado e pasmo com o que fez. Mas isso não durou muito. E então ele caiu no chão.

— Seth. – falei desesperada e fui ao seu encontro.

— Mamãe? O que houve aqui? – Harry apareceu no alto da escada, tirando o fone do ouvido. Quando viu a situação, correu até onde eu estava.

— Seu pai chegou todo estranho em casa, discutiu comigo e simplesmente... Desmaiou.

— Vamos, me ajude a levá-lo para o seu quarto.

Carregamos ele até o mesmo.

— Harry, meu filho, eu preciso falar com o meu pai, eu preciso... eu...

— Vá, mamãe. Aproveita que o vovô Edward tá aqui e peça ajuda. Eu cuido do papai.

— Qualquer coisa, me liga no celular ou na casa da sua tia, ou de qualquer um, tudo bem? – me certifiquei, minha voz tremia como se eu estivesse num terremoto. Deixá-lo sozinho com Seth estranho assim me preocupava, mas eu precisava ver meu pai. Eu apenas... Precisava.

— Sem problemas. – ele me deu um beijo na testa e me abraçou. – Eu cuido dele. Não tem problemas. Vá sem se preocupar. Qualquer coisa eu te ligo. Prometo.

— Ok. – sussurrei. Peguei um casaco, meu coturno e minhas luvas, brevemente fui para a casa de Renesmee, que não era muito longe.

Toquei a campainha, e demorou um segundo para tocá-la novamente, quando ninguém abriu a porta. “Já vai” ela gritou lá de dentro, mas meus dedos tocaram várias vezes até ela então abrir, sua feição brava que se dissipou no mesmo instante, ficando confusa ao me ver. Não sei porque, mas quando a vi, não contive meus soluços.

— Carlie, o que houve? – questionou me tomando nos braços.

Segundos depois, todos estavam ali, atrás dela. Não vi os novatos. Talvez escolheram não se intrometer em assuntos de família.

— Seth está estranho. Quero dizer, estava. – tentei me acalmar, e consegui um pouco. – Ele chegou em casa da oficina muito estranho, quase não falou comigo... Quase me agrediu.

Meu pai estreitou os olhos para isso, nada contente.

— Ele falou que não era da minha conta, e a gente caiu na escada. Não sei se minhas costas estão machucadas.

Meu pai veio até mim e eu me virei contra ele. Sua mão levantou minha blusa e ele arfou.

— É muito grave? – perguntei.

— Não, não é nada grave. – mamãe respondeu, já que papai devia estar com muita raiva para falar algo. – Logo você estará novinha em folha.

— Não estou preocupada com isso. – me virei, abaixando minha blusa. – O que houve com o meu marido? Depois que caímos na escada, ele se levantou e me olhou com culpa. E desmaiou.

— Parece ser algum tipo de hipnose. – tio Em raciocinou.

— Não quero voltar para casa hoje. – minha voz saiu num meio fio.

— Harry está na sua casa? – Jake perguntou.

— Sim. Estou preocupada com ele, também. Ele está lá sozinho com Seth naquele estado... pedi que ligasse caso acontecesse algo, mas estou desconfortável de deixá-lo assim.

— Vou até lá para vê-los. – Jake se prontificou e já saiu.

— Vamos, vou te emprestar roupas para dormir. – Renesmee me puxou escada acima. Antes, dei um “oi” rápido para os dois vampiros na sala, e eles me cumprimentaram de volta. – Vou falar com Albert e Angeline se eles concordam em você dormir no quarto de um deles. Eles são irmãos, não vão se importar de dormirem juntos. Bom, de ficarem juntos a noite, já que não dormem.

— Obrigada, mas posso dormir num colchão na sala. Não quero incomodar ningu...

— Só por cima do meu cadáver minha irmã vai dormir num colchão na minha casa. Vai, se troca que eu vou falar com eles.

— Obrigada, Nessie.

Ela piscou para mim e saiu do quarto.


PDV Sarah.


Eu não conseguia dormir. Albert não saia da minha cabeça. Ele é um tremendo de um gatinho. Não sei porque, mas não sei se vou conseguir parar de pensar nele enquanto não o beijar. Sei que é arriscado porque ele está mal acostumado com a nossa dieta.

Decidi ir a cozinha comer algo. Já que não consegui dormir, a fome toma conta de mim.

Quando cheguei ao cômodo, me surpreendi ao vê-lo de costas para a entrada, olhando através da janela. Parecia distraído.

— Olá. – ele me cumprimentou, finalmente se virando para mim.

— Oi. – respondi, tímida. – O que faz acordado a... Ah, esquece.

A gente riu quando percebemos o que eu ia falar.

— Então, o que você faz acordada a essas horas?

— Não conseguia dormir. Cadê minha família?

— Estão na sua tia. Foram verificar o Seth. As crianças ficaram com sua mãe e com sua tia. É melhor precaver, né? – ele deu de ombros, um sorriso fofo nada afetado pela situação.

— Zoe, Nick e Heather, não acho que seja mais tão apropriado chamar elas de crianças. Pelo menos a Nick está na adolescência. Ela é mais velha do que eu. – falei um pouco indignada e risonha.

Ele riu também.

— Eu gostei de você quando te vi. – ele falou, de repente, e andou com cautela até mim. – Você é linda, inteligente, engraçada.

— Você também é lindo. – devolvi o elogio, envergonhada.

Ele sorriu e encostou sua mão gelada em meu rosto, colocando meu cabelo para trás, e aproximou seu rosto do meu, até que senti seus lábios gelados e duros como mármore.

Era estranho. Eu me sentia beijando um espelho.

Mas de repente, ele se separou.

— Me desculpe, eu não posso... Não sei se consigo me controlar.

— Eu sei que pode... – tentei me aproximar novamente, mas o mesmo me impediu.

— Se eu fizer algo com você, eu nunca vou me perdoar, ou pior, sua família nunca mais me perdoar.

Suspirei quando a consciência e a responsabilidade bateram em mim.

— Tem razão. Não quero que tenha que ir embora por minha causa. Você parece legal.

— Só pareço? – perguntou, fingindo estar ofendido.

Fez menção de me fazer cócegas.

— Cócegas não, por favor!

— Então confesse que eu sou o cara mais legal que você já conheceu.

— Tá bom! – exclamei fingindo me render. – Você é o cara mais legal do mundo. Agora abaixa as mãos!

— Tudo bem. – ele soltou um riso e relaxou.

— Bom, eu vou dormir. Boa noite, Al.

— Boa noite, Sarah.

Me despedi com um aceno de mão e fui para o meu quaro. De certa forma eu estava decepcionada. O beijo não foi quente – óbvio – e nem caloroso da forma que eu esperava. Foi um mero selinho, mas foi duro e frio. Não foi mágico como eu achei. Isso me fez pensar... será que Brady teria o beijo melhor?