Notas iniciais
Eu peço mil perdões pela demora do último capítulo, porém meu notebook está travando tanto que eu mal conseguia usar. Foi muito bom repostar minha primeira fanfic, fiquei muito satisfeita com o que consegui refazer com ela, e espero que vocês tenham se sentido assim também. Obrigado!

PDV Carlie.


Esfreguei meus olhos que ardiam pela noite mal sucedida de sono. Se eu tirei um cochilo de vinte minutos foi muito, e foi um sono meio zumbi. Não consegui dormir, porém não fiquei cem por cento acordada. Um dos piores sonos da minha vida. Só fiquei tranquila de estar na minha irmã porque meu filho estava acompanhado. Eu chorei bastante, e depois tentei desvendar seu comportamento. Seth Clearwater não estava em seu estado perfeito ontem. Aquele não era o homem pelo qual eu me apaixonei e escolhi para a vida.

Abdução? Não descarto isso. Se eu existo, e minha família de vampiros existe, e meu marido metamorfo, e a espécie de vampiro da Mendy também existe, assim como bruxas, alienígenas também podem existir. Apesar de essa ideia parecer extremamente absurda e bizarra, eu não podia descartar. Não quando Seth levantou a mão para mim.

Ou hipnose. Algum vampiro pode ter esse dom, além do parceiro da Tifanny dos Volturi. Não sei do seu destino na luta, não perguntei e ninguém falou. Se ele tiver sobrevivido, tem chance de ser ele. Por vingança ainda, não dá para saber.

Me revirei no sofá outra vez, inquieta. Aquilo tudo estava me matando. A porta se abrindo me despertou do meu transe, e meu coração foi a mil ao ver quem era. Me levantei num pulo, insegura sobre como agir. Eu fui a primeira coisa que ele enxergou, me fazendo congelar. Seu olhar possuía uma mistura de emoções: confusão, ansiedade, euforia... Engoli em seco.

No segundo seguinte, meu pai estava a minha frente, e eu quase não conseguia vê-lo.

— Seu vira-lata desgraçado. – meu pai rosnou, e ameaçou a ir para cima dele, porém o segurei a tempo. Ele poderia ir facilmente se livrando de mim, entretanto era óbvio que não me machucaria.

— Papai, mantenha a calma. Deixe-o falar.

— Eu juro que não vou machuca-la. – prometeu Seth.

— Pode nos deixar a sós por um minuto? – pedi.

— Se eu ouvir algo suspeito na sua mente, você está morto. – papai alertou, e se foi.

Fiquei o tempo todo encarando o chão. O silêncio dominava a sala por completo, que era até perturbador. Eu precisava ouvir algo dele. Eu necessitava disso. Parecia que eu ia explodir. Ainda sentia uma leve insegurança dentro de mim, achava que a qualquer momento ele se tornaria outra pessoa que poderia querer me agredir como ontem.

Seus passos até mim foram cuidadosos e silenciosos. Talvez ele pensasse que eu estivesse com medo. Apesar de estar um pouco, eu queria sentir seus braços protetores a minha volta. Sentir o calor do seu corpo e seu cheiro amadeirado.

Meus pensamentos se foram quando minha visão se preencheu com seus pés calçados em chinelos de dedo. Se tia Alice visse isso... Quase ri com esse pensamento.

— O que aconteceu ontem?

Levantei minha cabeça, surpresa.

— Você não se lembra de nada?

— Eu só lembro de quando estávamos na cozinha... – ele estremeceu. – E depois na escada, quando eu estava sobre você. Carl, eu te machuquei?

— Está tudo bem, Seth. – desviei de sua pergunta. Ele nunca iria se perdoar se eu dissesse a verdade. – O que importa é que você está de volta a si mesmo.

— Responda a minha pergunta.

— Seth, eu...

— Apenas responda, Carlie.

Suspirei pesadamente.

— Quando a gente caiu na escada, eu arranhei minhas costas. Foi só isso.

— Argh! Eu sou um idiota!

Ele agarrou seus cabelos, agressivo consigo mesmo.

— Seth, meu amor. – fui até ele, colocando as mãos em seu fortes braços, tentando acalmá-lo. – Está tudo bem, eu estou bem, não foi sua culpa.

— Foi sim minha culpa, Carl. – ele fechou os olhos, se lamentando. Os abriu de repente. Seus olhos se fixaram em algo em minha bochecha. – Não me diga que eu...

— Está vendo a parede perfeita da Ness?

Ele seguiu meu olhar, e ficou confuso com o que viu.

— Estava perfeita até hoje. Eu pisei em falso em um degrau e bati meu rosto na parede. Estou devendo um conserto para ela. Doeu. – reclamei, massageando o lugar já quase curado, e ele riu. Suas mãos pousaram em meu rosto, e ele encostou sua testa a minha.

— Me desculpe, meu amor. Eu sinto tanto, tanto...

Seu sussurro bateu em meu rosto, e eu fiquei desconcertada. Eu não prestei atenção no seu pedido de desculpas, apenas colei nossos lábios.


PDV Sarah.


— Não, não e não! – meu pai exclamou, andando furioso de um lado para o outro na sala.

Brady deu um leve aperto em minha mão, tentando me passar confiança.

— Pai, por favor! – implorei. – Sabe que não sou mais uma criança. Meu desenvolvimento está sendo acompanhado pelo vô e pelo biso, sabe que sou quase igual mamãe e tia Carl. E você sabe exatamente pelo o que estou passando, pois tia Carlie e tio Seth passaram por isso!

— E agora sabemos como é estar na pele dos pais!

— Jake, você sabe como é ter imprinting.

— Ao contrário de você, eu sei como é ser o pai!

— Jake, eu te entendo, cara.

— Pai. – cortei a conversa. – Escuta, Brady insistiu que queria sua permissão, então viemos porque queremos namorar. Mas não vou aceitar que você aja comigo igual um homem das cavernas como se eu nunca fosse ter um relacionamento.

Ele abriu a boca, incrédulo.

Eu descobri que não gostava do Albert. E ficou por aquilo mesmo, o beijo frio e sem sentimentos. Ele deve ter sentido que eu não quis mais, e nem tocou mais no assunto. E de repente Brady não saia da minha cabeça. Quando fui dizer isso a ele, me perguntou umas quatro vezes se eu tinha certeza antes de ficar emocionado e me abraçar. O beijei, e tive certeza de que eu gostava mesmo dele. No mesmo instante ele me pediu em namoro.

— Eu sou o seu pai, e se eu quiser, posso te proibir de vê-lo!

— Vai fazer igual o vô Edward fez com tia Carl? Sabe que quanto mais tentar me afastar dele, mais vai nos unir.

— Jake, não precisa ser tão radical nisso. – mamãe falou em seu ouvido, com a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo. – Eu sei o que ela está sentindo, pois assim também Carlie sentiu. E não quero que Sarah sofra.

Ele respirou fundo.

— Estou de olho em vocês dois. Não poderão ficar sozinhos, quando estiverem no quarto, a porta sempre aberta, e suas mãos – ele apontou para Brady – que não passem da cintura dela.

— Está bem, papai. – falei, feliz de qualquer jeito, e fui abraçá-lo. – Obrigada.

— Tudo pela minha princesa.


PDV Renesmee.


Não posso acreditar em como a minha menininha está crescida. E agora namorando! Só de pensar que Brady quase beijou a minha irmã e agora namora a minha pequena. Nosso mundo é fora do normal. Para um humano isso seria um ato criminoso.

— Nem consigo acreditar que minha filha está namorando. – Jake suspirou, deitado na cama. Seus braços atrás da cabeça e seus olhos em direção ao teto. – Ela cresceu rápido. Agora entendo a raiva de Edward em relação a vocês duas.

— Bem, agora eu entendo os dois lados. – me sentei na cama. – Sei exatamente como é estar na pele da filha, e agora também sei como é estar na dos pais.

— Para mim ela ainda é a nossa menininha.

— Sempre vai ser, Jake. Sempre vai ser. – coloquei a mão em sua barriga, já que a sua estava atrás da cabeça. Ele a tirou para segurar a minha.

— Sempre parece um sonho, né? – ele sorriu. – Às vezes parece um sonho de tão perfeito. Estar com você. Estar casado com você. Ter filhos com você. Parece tão surreal.

Sorri de lado e me aproximei dele na cama.

— Eu sinto exatamente o mesmo, Jake.

Nos beijamos e depois eu decidi descer para comer algo.

— Ahh, seu idiota. Finalmente deu as caras! – exclamei ao vê-lo aos beijos com Carlie no meu sofá. Ele se levantou ao notar que eu me aproximava dele. – Se você tivesse encostado um dedo que fosse na minha irmã, eu te mataria!

Comecei a bater em seu peito, entretanto ele segurou meus pulsos enquanto Carlie apenas ria.

— Ness, você sabe melhor do que ninguém que eu jamais bateria nela. Eu a amo.

— Claro que eu sei disso! Mas ontem você estava esquisito, então poderia ter acontecido algo sim.

— De alguma forma eu senti o que eu ia fazer, e o meu amor por ela me fez ser mais forte e recobrar a consciência. Eu simplesmente não me permiti fazer aquilo.

— Rãn, sei. – puxei minhas mãos das suas. – De qualquer jeito, quero que fique sabendo que já estaria com o nariz quebrado, com um olho roxo e não poderia mais ter filhos.

Carlie soltou uma gargalhada que óbvio que não queria conter.

— Posso saber do que está rindo? – perguntei furiosa, sem entender o motivo da piada.

Contudo seu riso apenas se tornou mais forte.

— Carlie, pare de rir!

E não adiantou nada. Ela chegou a chorar de tanto rir. Seth e eu fomos contagiados.

— N-não é nada. – ela conseguiu verbalizar entre ofegos. – Apenas é engraçada o jeito que você falou com o Seth.

— Você não liga de eu querer matar o seu marido?

Ela riu pior que antes.

— Eu preciso beber algo para me acalmar.

Ela se levantou e foi a cozinha. Fui atrás dela, e Seth me seguiu.

— Harry está bem? – Carlie perguntou, tomando um gole de suco de laranja.

— Está sim. Ele me contou como você estava antes de sair de casa.

— Seth, meu amor. Está tudo bem. – Carlie tentou amenizar sua culpa.

Ele balançou a cabeça, e entendemos isso como um “Eu nunca vou me perdoar depois do que houve”.

Apesar de eu querer matar ele, Seth não teve culpa nisso. Algo entrou em sua mente.

Posteriormente toda a minha família que restava em Londres se reuniu na minha sala, discutindo sobre o que aconteceu com o Seth.


PDV Carlie.


— Eu não entendi. O que pode ter sido? Ou melhor, quem?

Todo mundo ficou perdido com a minha pergunta.

— Será que é alguém querendo vingar Tifanny? – sugeri.

— Eu juro que não foi nenhum de nós dois! – Albert se desesperou em explicar.

— Não sabemos dela desde que fugimos. – Angeline completou.

— Não passou pela nossa cabeça, não se preocupem.

Minha família fez mais algumas buscas na região, porém o rastro estava quase sumido. Mas se achassem o vampiro, saberiam quem é.


PDV Renesmee


Hoje eu estava sozinha em casa. Harry foi para a escola, Jake foi trabalhar, e Carl e eu estávamos arrumando as coisas para levar para a nossa loja. Ela faz a parte da confeitaria e eu administro o marketing e a parte financeira. Funciona muito bem, e logo estaremos abrindo mais franquias. Uma sociedade perfeita.

Peguei a caixa com alguns ingredientes nas mãos pronta para levar até o carro, quando a porta foi aberta num rompante. A caixa caiu das minhas mãos no susto.

— Jake! – gritei frustrada. – Para que entrar em casa assim? Está fugindo de algo?

— Ness, eu tenho que te contar algo! – ele veio até mim sem fôlego. A primeira vez que o vejo cansado.

— Você não devia estar no trabalho?...

— É sobre seu nascimento.

Meu corpo tensionou.

— Jake, que droga é essa? Você saiu do trabalho essa hora para me contar um segredo?

Ele estava desorientado, e ao mesmo tempo certo do que queria dizer.

— Ness, me ouça! Você não era para estar aqui. Edward e eu tentamos convencer sua mãe a te abortar para que ela tivesse outra criança que não a machucasse.

O olhei, tentando achar nexo naquilo. Era uma pegadinha?

— E a pior parte... eu seria o pai.

Encarei seus olhos, sentindo os meus encharcados. Meu coração se quebrou em pequenos fragmentos, que eu não sabia se seria capaz de remendar. Das outras vezes eu consegui, mas essa declaração passou de todos os limites.

— Jake, do que está falando?

— Me desculpe. Eu disse que não teria mais segredos, mas eu juro que foi um detalhe que eu... esqueci...

Seus olhos reviraram em sua órbita, e meu marido caiu desmaiado.

— Jake, mas que droga! – chorei e tentei acordá-lo. – Por quê, Jake? Por quê?!


...


Na varanda do meu quarto eu descansava consideravelmente. Hoje foi o dia em que eles foram embora, já que Seth conseguiu convencê-los de me deixar sozinha por um tempo. Dois dias depois do ocorrido com Jake. Um dia depois que eles acharam o vampiro, e descobrirem que era o parceiro da Tifanny. Tentaram conversar com ele, e confessou que ele só queria brincar um pouco. Era malicioso demais e tentou lutar com minha família sem nem ouvir as palavras do vovô. O vampiro não durou muito.

O frio era moderado, e eu estava apreciando o vento bater em meu rosto. No momento era mais consolador do que um abraço de qualquer um. A única que me fez sentir menos pior foi minha filha ao me dar um beijo de boa noite. Eu mal podia acreditar que a hipnose de um vampiro que fez Jake me contar algo que estava escondendo há mais de uma década.

Suspirei.

— Ness, vamos dormir? – Jake perguntou, me tirando dos pensamentos.

Colocou as mãos em meus ombros, e logo tratei de esquivar. Suspirou.

— Eu não sou uma criança para me perguntar se eu quero ir dormir. – retruquei.

— Eu sei que está chateada, amor. – afagou meu cabelo, e virei a cabeça. O que ele escolheu ignorar. – E eu não vou...

— Chateada? Você acha que estou chateada? Você não sabe de nada.

Ele ficou quieto.

— Eu vou dormir no sofá, ok? – ofereceu. – Não quero te pressionar a nada.

E se foi. Apertei os olhos, querendo me livrar das lágrimas de uma vez.

Logo já era quase de madrugada. A única luz acesa da casa era do meu quarto.

Me sentei na escrivaninha e comecei a escrever em uma folha qualquer.


PDV Jake


Acordei de um sonho muito estranho. Estranho pois eu não me lembrava de absolutamente nada, porém acordei com um mal pressentimento.

Me levantei esfregando os olhos e fui escovar os dentes. É uma porcaria dormir no sofá, ainda mais sentado. Quem manda cair no sono enquanto assiste TV?

Entrei no quarto, e não vi Ness. Achei que estivesse no banheiro, e a minha opinião foi contrariada ao me deparar com a luz apagada. Algo branco pendurado na sua escrivaninha de madeira me chamou a atenção. Corri até lá, arrancando-o para ler.

Em sua perfeita caligrafia, estava escrito:


Querido Jake,

estou profundamente machucada com isso tudo, e decidi deixar tudo para trás um tempo. Sei que vão se virar bem sem mim, e confio em você para não deixar Sarah cometer nenhuma imprudência. Esses adolescentes de hoje em dia ficam rebeldes com qualquer coisa, né?


Meu coração se apertou quando senti a despedida.



Não consigo acreditar até agora nesse segredo ridículo que vocês esqueceram de incluir ao me contarem sobre o nosso passado. Engraçado que de toda forma eu que sofro mais, certo? Sempre o amor da minha vida fez tantas coisas no passado para me impedir de nascer. E precisou de um vampiro desconhecido para eu saber disso.

Não precisam se preocupar com nada, muito menos com quem ou onde estou. Vou ficar uns tempos fora de casa. Acredite, estarei – a essas horas, estou – em total segurança. Sei que não vai adiantar de nada eu lhe pedir para não avisar aos meus pais, porque com toda a certeza você o fará. Só vou logo avisando: não me acharão. Então tudo o que fizerem será em vão.

Ao invés disso, continuem suas vidas nesse período em que eu estiver fora (não sei quanto tempo será, por isso, não ocupe todo o seu tempo me procurando). Apenas cuide da Sarah, do Harry e da Carl.

Com amor,

Renesmee.”


— Oh, meu Deus!

Com o coração a mil, deixei a carta em cima da cama e corri para achar meu celular. Ainda esbarrei na Sarah no meio tempo.

— Pai, o que houve?

Peguei meu celular e disquei o número de Edward. Minha filha ao meu lado, aflita.

— Olá, Jac-

— Graças a Deus. – exclamei, aliviado. – Ness foi embora! Ela deixou uma carta, e quando acordei, ela não estava mais em casa!


PDV Renesmee.


Estar naquele quarto solitária era pior do que ser feita de refém por um vampiro. Pois eu tinha em mente o motivo de eu estar ali. E era mais sufocador do que ter a garganta fechada por algum vampiro psicopata.

Eu sabia o quanto a minha família estava desesperada para me encontrar, até mesmo porque eu lutava contra o meu próprio desespero de voltar para eles. Se bem que nunca me acharão, a não ser que vão para todos os lugares que conhecem ao redor do mundo. Uma hora algum palpite daria certo.

Era estranho viajar sozinha, ainda mais considerando a situação.

Foi muito legal da parte de Nahuel me acolher. Ninguém nunca saberia onde estou.

O que mais me doía era que o meu marido ter tentado de todas as formas me matar, e até me substituir. Essas coisas malucas são chatas no nosso mundo. Porque idade não é algo tão relevante, considerando que metamorfos e vampiro não envelhecem, e Carl e eu congelamos na fase adulta com sete anos. O Jake de hoje é o mesmo Jake de duas décadas atrás. Literalmente.

Olhei indecisa para o meu celular, me questionando se o ligava. Por mais que estivesse machucada mais do que tudo, em algum lugar na minha mente eu sabia que tudo havia acontecido antes de ele me conhecer de verdade. Eles não sabiam o que eu era. E estavam desesperados.

Decidi tirar a metade de sua preocupação.

— Alô? – hesitei.

— Renesmee! – sua voz me chamou, aliviada. – Oh, Deus! Como está? Aonde você está? Por que você me deixou? Por que não está respondendo?

Sorri e as lágrimas escaparam. Era impossível não ficar sorridente com a sua preocupação.

— Ness, amor, está aí?

Fechei os olhos, apreciando o som de seu timbre.

— Estou bem. – o acalmei. Minha voz saiu tão baixa que um humano com a sua mera audição não seria capaz de detectar.

— Aonde está? – voltou a perguntar.

— Acho que não vai querer desperdiçar os poucos segundos de bateria me perguntando coisas que você sabe que não terá respostas.

— Aonde você está, por favor! – sua voz chegava a implorar. – Me perdoa, meu amor! Eu nunca quis te magoar, e eu juro, eu deveria ter te contado, mas eu simplesmente esqueci! Sei que é idiota a minha desculpa, mas é a verdade. Quando te prometi que te contaria tudo, eu achei que tivesse contado.

— Jake...

— Você está longe de mim há tempo demais para o meu gosto. Não sabe como sinto a sua falta. Volta para mim, por favor. Perdoa seu marido patético com a memória falha.

Seu pedido era tentador até demais da conta. Cada nervo do meu corpo suplicava para atendê-lo.

— Volto. Quando as coisas se ajeitarem. – menti, tentando acalmá-lo.

— Você não vai voltar, né?

Partiu meu coração em mil pedaços ao ouvir aquilo dele. Eu estava o machucando. E me odiava por isso. Mesmo eu sendo a vítima.

— Não é isso...

— Renesmee. – me cortou, e eu prendi a respiração, temendo suas seguintes palavras. – Por favor, não me iluda. Não me deixe esperando todos os dias por você, sem você aparecer. Mesmo que não vá fazer a menor diferença, pois todos os dias eu vou acordar com a esperança de que você terá entrado por aquela porta e deitado na nossa cama. Ou que eu simplesmente acorde e veja que isso foi apenas um sonho ruim que parece real demais. E eu vou te abraçar como nunca fiz antes, e você nunca me ouvirá dizer que senti sua falta durante todo esse tempo.

Lágrimas rolaram em meu rosto, me lembrando o quanto aquilo doía mais do que a nossa recuperação da queda do penhasco. Eu poderia voltar para ele... Não! Eu não posso voltar.

— Jake, não faz isso comigo. – minha voz falhou, e eu não sabia mais o que falar de repente. – Sabe o quanto está sendo difícil para mim ter de encarar todos esses problemas repentinos. Isso dói tanto em mim quanto em você. Eu não consigo te encarar ainda.

— Eu duvido disso. – ele falou, quase por me interromper.

— Está duvidando de que eu te amo? De que sinto sua falta? Que dói sua ausência? Aposto que você sabe que eu estou frustrada com você nesse exato momento!

Ouvi seu suspiro atravessar o aparelho.

— Eu sei. E sinto muito. Só queria você de volta.

Meu celular apitou, avisando sua descarga em alguns segundos.

— Jake, eu ainda não consigo voltar, mas eu amo vocês. – falei rápido. – Se lembre disso, ok? Diga a Sarah que a amo também.

— Ness, não desligue. – pediu, e fungou.

— Eu te amo. – sussurrei antes da linha cair.

Joguei o celular em qualquer canto do piso, e me encolhi ali no canto da parede onde eu me encontrava sentada.

Encostei minha cabeça e fechei os olhos, adormecendo.

...

— Ei, finalmente! – Nahuel me cumprimentou, surpreso de me ver. – Estava começando a ficar preocupado com você.

Franzi o cenho, e me sentei a cadeira a sua frente, deixando a mesa entre nós.

— Preocupado? Eu cheguei aqui há algumas horas. – ri, roubando um biscoito do pote em cima da mesa.

Me olhou torto, me deixando sem graça.

— Você não está aqui há algumas horas, Renesmee.

Minhas pálpebras caíram durante a minha confusão.

— O que quer dizer? – questionei.

— Você está sentada naquele quarto há três dias.

Arregalei os olhos, interrompendo a minha mastigação.

— Tem certeza?

Balançou a cabeça, confirmando.

— Acho que seria bom se você fosse caçar. – sugeriu, tocando de leve minhas olheiras. – Há pouca distância daqui tem uma floresta. Se quiser que eu vá junto, eu vou. Preciso caçar também.

— Bem, então vamos os dois. – forcei um sorriso e me levantei. – Apenas me deixe colocar meu celular para carregar por dez minutos.

— Te espero.

— Logo saímos em direção de onde tinha dito.

Quando cheguei aqui, esperei ver Nahuel e sua família. Entretanto o que não sabia era que ele tinha uma namorada, por isso morava sozinho. E com a garota. Uma bela menina de cabelos longos e a pele escura. Seus olhos claros como mel. Híbrida também. Um ou dois anos mais nova que eu. Me senti uma intrometida ao pedir abrigo, contudo ela me adorou e insistiu para eu ficar.

Foi um alívio surpreendentemente bom ao sentir o gosto de sangue outra vez.

— Posso te perguntar algo? – Nahuel puxou assunto, chutando o corpo flácido do animal para longe.

— Claro que sim. – falei, andando ao seu lado quando ele iniciou uma caminhada.

— Você já experimentou sangue humano?

Arregalei os olhos.

— Não, jamais. A Carlie, coitada, por outro lado...

Com essas palavras toda a memória veio a minha mente. Tifanny com Seth em seus braços, pronta para matá-lo se ela não a obedecesse. Eu senti a dor da minha irmã por ter que fazer algo terrível para salvar a vida de quem ama. E quase o matar por quase não ser capaz de parar...

— Sério? – seu tom era de surpresa. – O que houve? Claro, se não quiser, não diga.

Suspirei, e levantei os ombros. A cada passo que eu dava, sentia uma estranha sensação de vigilância.

— Era isso ou a vida de Seth.

— Ah. Mas...

Sua frase foi brutalmente cortada por um vulto que passou por nós e se escondeu novamente, não antes de me derrubar no chão úmido e barrento cheio de grama e musgo.

— Está tudo bem? – me levantou apressado, e preocupado.

— O que foi isso? – consegui dizer. Eu me encontrava num estado perfeito de pavor.

— Eu não sei. – olhou em volta, e eu fiz o mesmo. Não encontrei nada além da densa floresta. As folhas se agitavam ansiosas contra o vento que batia nelas. No tempo frio, não era possível encontrar muito mais do que alguns pássaros por aí.

Subitamente fui arremessada para longe outra vez. Desta vez caí numa poça de lama. Ótimo. Minha roupa e cabelo estavam encharcados.

— Argh, quem está aí? – berrei, furiosa. Senti mais uma vez meu amigo vir me ajudar.

E então veio uma risada de arrepiar.

— Renesmee, Renesmee.

Congelei ao reconhecer a voz.

— Joshua?

— Achei que não ia se lembrar de mim.

Sua voz veio de uma árvore próxima, até que ele se revelou. Nahuel me ajudou a levantar, mantendo-me perto de si.

— Então quer dizer que a mamãe fugiu de casa? – debochou. Estreitei os olhos.

— Isso não é da sua conta. – rosnei.

— Pode ser, por outro lado é da sua conta de sua família não ter me aceitado anos atrás.

— Como você queria ser aceito? Você se recusou a largar o sangue humano. Não peça por coisas impossíveis.

Arregalou os dentes, e temi o que aconteceria.

— Sua pirralha! – grunhiu, e veio furioso até mim. Nahuel se pôs a minha frente, e nem deu tempo de eu protestar, pois o mesmo fora arremessado a uma árvore. Ela se partiu com um grande barulho, e ele caiu, desmaiado.

— O que você fez? – gritei, correndo até ele. Porém fui impedida a menos de dois passos a caminho.

— Aonde você pensa que vai? – sorriu, agarrando meu pescoço e me erguendo do chão. Chutei sua barriga com toda a minha força, e meu pé reclamou muito. – Tcs tcs tcs, muito mal criada. Talvez eu devesse te dar uma lição...

— Não se atreva a machucá-la.

Puxei uma grande quantidade de ar, tanto pela surpresa quanto por eu conseguir fazê-lo.

Como...?

Joshua não esperava por essa, pois me soltou de uma vez. Caí no chão com um baque. Me virei, tentando enxergá-lo. Meu coração deu uma batida fora do ritmo ao avistar Jacob ao lado do meu pai. Tio Emmett, tio Jasper, tia Alice e minha mãe. suas feições me deixaram com medo. Pelo Joshua, claro. Eu sabia que eles fariam de tudo para me salvar.

— Seis contra um? Isso não é covardia?

— Eu não ligo para o que é covardia quando você encosta na minha filha.

— Covardia é agredir uma mulher. – a voz de Jasper saiu fria, que até subiu um calafrio em minha espinha.

Encontrei o olhar de meu marido, que vinha em minha direção. Me colocou de pé, e o abracei. Teríamos muitas coisas para falar, porém não era o momento.

— Por que não foi embora quando demos a chance? – Edward questionou. – A deixe em paz.

— Pelo o que eu ouvi dela, ela não quer saber de vocês nunca mais. – desafiou Joshua.

— Ela está apenas chateada. – Jake rosnou.

Fechei os olhos e me desencostei dele. Não sabia se era apenas isso. O mesmo buraco que abrira em meu peito quando soube dele e da mamãe. Mas desta vez foi mais fundo.

— Estão vendo? – abri os olhos, encarando Joshua. – Ela não quer ir com vocês. Talvez formemos uma família já que ela deixou vocês para trás.

— Está louco? – indaguei. – Você tentou me matar! Tentou matar meu amigo!

— Eu não tentei matá-lo. – se defendeu. – Apenas o arremessei para longe do meu caminho.

Isso bastou para Edward e Jazz correrem até ele, e Jake me puxou para longe.

— Nahuel! – arfei.

Me soltei dele e fui até onde meu amigo estava desacordado no chão.

— Acorde, Nahuel. – balancei de leve. Tentava ficar alheia a toda a briga, porém não era lá muito sucedido.

— Ele não vai acordar agora, amor.

Tentei ignorá-lo. Conversar com ele por telefone foi uma coisa, no entanto de repente ele estava ao meu lado. Eu sentia como se nunca os tivesse deixado, e todo aquele sentimento de remorso pelo segredo revelado voltado com tudo.

— Ness, temos que conversar... Você tem que conversar com a sua família sobre...

— Para que? – vociferei, me virando para olhar para ele. – Para ouvir a mesma coisa? Que sentem muito por outro segredo? Você me prometeu, Jacob Black, e se não fosse pela hipnose de um vampiro qualquer, você nunca teria me contado!

— Mas... – estrategicamente chegou perto de mim, afagando meu cabelo.

Fechei os olhos, obrigando as lágrimas escapulirem. O barulho da luta contra o vampiro já havia acabado – presumo que foi fácil, já que era cinco contra um –, e provavelmente toda a atenção estava voltada a mim.

Ele continuou.

— Precisamos conversar, eu e nem ninguém escondeu de propósito.

— Argh! – gritei, me ajoelhando no chão, escondendo o rosto nas minhas mãos. – Eu não quero saber de nada!

Ouvi o mato se mexendo ao meu lado. Contudo eu não me preocupei com nada. Só queria gritar para tirar tudo aquilo de dentro de mim.

Senti alguém me pegar, me erguendo do chão. Minhas narinas capturaram o cheiro doce e inconfundível de Edward. Eu não tinha forças para resistir.


...


Abri os olhos. O ambiente era completamente diferente daquele de quando eu estava na casa de Nahuel. Não havia árvores, ou mato, ou lama pelo chão. Eu não estava de pé ou nos braços de alguém, como me lembrava antes de apagar. Meu amigo híbrido não estava mais perto de mim. Eu não ouvia poucos os pássaros cantando.

Eu estava dentro de uma cabine no avião, sentada em uma poltrona. Ao meu lado estava Jake, e do outro... Edward.

— Humpf. – suspirei, encostando a cabeça no assento novamente. Eu me sentiria mais à vontade se os dois parassem de me olhar como se eu fosse fugir. – Por que não me deixaram lá? Isso é sequestro, sabia?

— Porque não é lá onde você pertence. – Edward ignorou minha fala anterior.

— E como sabe disso? – indaguei.

Ele franziu o cenho.

— Como posso saber se não sou humana e vocês me hipnotizaram para eu pensar que sou uma híbrida e viver como vocês?

Ouvi mamãe respirar fundo na poltrona do outro lado – um hábito que trouxe desde sua vida humana, que papai... Edward me contara.

— Edward? – o chamou por baixo de sua respiração.

Engoli em seco. Apesar de não estar nada bem, ainda os conhecia suficiente para isso querer dizer que ela se chateou com minha atitude e seria a vez dela de tentar conversar comigo.

Em alguns segundos, ela tomou seu lugar.

— O que? Vai me dar um sermão por não ser uma boa filha? Tem outro castigo que não inclui me fazer viajar na classe econômica?

Eu confesso que, apesar de isso não ter importância no momento, me incomodava.

— Sabe que não te magoamos porque quisemos. – ela começou, sua voz suave que senti muita falta. Tive de pegar uma grande lufada de ar para conseguir conter as lágrimas. – Tente nos entender, querida.

— Eu já... tentei! – grunhi, frustrada. Frustrada com ela se incluindo nisso tudo, sendo que ela era praticamente a única lutando por Carlie e eu em sua barriga. Diferente do meu marido, que tentou dissuadir ela da gravidez para... tentar outro filho com ele. Chutei a poltrona da frente.

Um homem se virou para nos encarar.

— Ei! – protestou. – Estou tentando dormir.

O olhei de triunfo, ao mesmo tempo em que Bella e Jake se inclinavam contra ele. Seu olhar voou entre os dois antes de cair em mim, ele se calar e voltar para o assento. Sim, isso foi muito infantil. Mas não pude evitar.

Os lábios de Bella colaram na minha orelha, sua voz calma e profunda.

— Eu sei que pode tentar melhor do que isso, minha filha. – sussurrou, me fazendo ter um esforço para não chorar. – Conheço a minha Renesmee melhor do que ela mesma. Você se foi por estar chateada, portanto não teria nos deixado chegar perto de você se nos odiasse. Por que não para de agir como tal, uh?

— Para de se incluir nisso, por favor. – minha voz saiu baixa.

Engoli em seco. Jamais eu os odiaria. Só odeio o fato de sentir tanta dor por causa deles.

— Você age assim justamente para ninguém perceber os sentimentos ruins acumulados dentro de si. Tenta agir friamente para que não possamos ver que está magoada. Só posso te dizer uma coisa: não pode ir contra nós, que a conhecemos tão bem a ponto de percebermos isso.

Solucei. Bella tinha uma forma indiscutível e inestimável de fazer alguém se acalmar e enxergar a realidade. Enxergar o que está acontecendo por dentro.


...


— Hmmm. – ronronei abrindo um pequeno sorriso, me deliciando com a pessoa que estava fazendo carinho no meu cabelo. Sua mão tão delicada...

Congelei. Nahuel não estaria fazendo isso. E se não é Nahuel aqui...

— Shhhh.

Aquela voz entrou pelos meus ouvidos causando algo grande em mim. Ela me devastou por vários motivos: ao saber que estaria magoada comigo, por tudo o que eu fiz. Porém me acalmou, apenas como ela sabe.

— Fiquei tranquila, amor. Está a salvo em casa.

Deixei que a onda de tranquilidade me atingisse, e abracei a perna da pessoa.

— Não sabe quanto tempo eu te esperei. – Bella soluçou sem lágrimas. – Eu sempre imaginava você chegando em casa, cumprimentando a todos e vindo para o seu quarto. Eu ansiava a cada segundo para que isso acontecesse.

— Me desculpe. – sussurrei sem perceber. Contudo não sabia mais o que falar.

De repente não queria que me visse chorando, então me virei, provavelmente a deixando sem reação.

Sai logo, sai logo!

— Não sabe como estamos felizes por te ter de volta. – falou calmamente, perto do meu ouvido. – Não sabe como eu estou feliz. E lembre-se: todos sempre quiseram me proteger. Mas depois que você nasceu, você e sua irmã foram as mais amadas da casa, e todos fariam de tudo por vocês duas. Sinto muito você ter descoberto sobre a ideia do aborto dessa forma, devíamos ter contado tudo antes. Mas tente entender, os sentimentos de Jake estavam bagunçados porque você estava na minha barriga, e só quando você nasceu que ele entendeu que o tempo todo era você e somente você. Ele se jogaria na frente de um trem se isso fizesse você se sentir melhor sobre toda a situação. Jacob te ama. Todos te amamos.

Como se tivesse captado meus pensamentos, depositou um beijo em meu cabelo, se levantou e saiu.

Argh! Eu queria tanto dizer que apenas os perdoava, e voltar a viver normalmente. Portanto eu não podia mentir a mim mesma. Eu sabia que não ficaria bem, pelo menos por enquanto. Estou casada há uma década com um homem espetacular com um passado sombrio sobre mim. Eu achei que a essa altura eu saberia viver com quaisquer segredos.

Outras lágrimas.

Queria ser uma dessas pessoas que esquecem o que sentem logo e volta a viver como se nada tivesse ocorrido. Se isso não tivesse me pegado de cheio, seria tão fácil... Argh! Não conseguia aceitar que toda a minha família sabia, menos Carlie e eu. Eu quem precisava saber, afinal, era afetada a mais nisso.

Rolei na cama, fazendo um tremendo esforço para não deixar o soluço subir garganta acima. Não queria que ninguém me visse assim. Seria horrível. Não queria deixar claro o quanto me magoaram. Apesar de que, a essa altura, não era segredo para ninguém mais. Tudo deixou evidente; a minha fuga repentina, o fato de eu não ter falado com nenhum deles até agora, e de eu não ter parado de chorar enquanto estava consciente. Do que adiantaria agora eu evitá-los para não passar tal impressão?

Os Volturi sempre arrumaram desculpas para, assim, virem atrás de nós com um propósito “justo” e nos destruírem. Tifanny de todas as maneiras tentando destruir a gente, por causa de uma discussão infantil que teve com Carl por causa de homem, e a perseguiu por tantos anos que parecia interminável. Descobrir que a família que sempre me protegeu, na verdade foi a primeira a tentar se livrar de mim, quase me deixava sem ar.

Rolei na cama. Como eu queria apenas deixar esses pensamentos de lado. Contudo parece que eles grudaram na minha mente como um chiclete imperdoavelmente ruim cola num sapato ao pisar nele. E foi assim. Meu cérebro não teve escolha quando pisou nas palavras enquanto elas passeavam por ali após Jake ter as soltado, e eu não fazia ideia de como limpar isso.

Pisquei ao perceber uma folha de papel muito parecida com a que eu usei para me despedir se destacando na escrivaninha do meu quarto. O escuro não me impedia muito de enxergá-la. Estava com marcas de ter sido dobrada, e agora teimava em ficar reta por consequência das dobraduras. A peguei. Mesmo sem olhar as minhas palavras postas ali, pude me lembrar claramente de cada caractere escrito pelas minhas mãos naquela madrugada que me deixou indecisa sobre tudo em minha vida. Por um tempo havia desejado não ter a minha vida; não ter minha filha, nem me casado, e nem estar com os Cullen. A ideia de ter sido rejeitada foi demais, e parecia tão surreal eu ter tudo aquilo em minhas mãos.

Afinal, o que eu tive de tão especial para eles me deixarem nascer?

Quase ri que, anos atrás, Edward e Bella me diriam que a cegonha teria me trazido até a porta deles, e eles ficaram tão encantados com as pequenas e indefesas bebês, que decidiram ficar. E agradeceram a ave, pois era exatamente isso o que queriam: filhos. E a cegonha foi muito boazinha de ter escolhido os melhores bebês para entregar a eles dois.

“Não sabem o quanto estamos felizes por termos vocês, meus amores”, Bella disse, afagando o cabelo de Carlie, enquanto Edward brincava com uma mecha dos meus, me deixando cada vez com mais sono.

“Vamos agradecer a dona Cegonha por toda a nossa vida”, acrescentou ele, sorrindo como um anjo. “Mas agora é...”

“Hora de dormir” completamos a duas em uníssono, cansada.

Quando pequenas, as horas mais felizes do nosso dia – além de recebermos a visita dos nossos melhores amigos, Seth e Jacob – era quando eles ficavam na cama conosco até a hora de dormir. Nos colocavam para tomar um banho, escovar os dentes, e fazíamos uma dança ridiculamente boba que inventamos, como um ritual para dormirmos mais alegres, e assim nos enfiávamos os quatro debaixo de uma coberta. E assim conversávamos, e conversávamos, ríamos e contávamos coisas engraças e bobas. E então acordávamos nas nossas camas. Era sempre algo mágico para mim. Edward nos dava aulas. Não podíamos frequentar escola, já que nosso crescimento não permitia. Em compensação, Edward sempre foi um excelente professor.

“Nos deixe faltar só hoje, por favor!”, praticamente imploramos, excepcionalmente cansadas.

“Não, não e não”, essa parecia ser a sua palavra final. E não queríamos aceitá-la. Não nesse dia.

“Por favoooor!”, as duas nos ajoelhamos na cama, e juntamos as nossas mãos, dando ênfase ao nosso querer.

“Ahh, então não ligam para os sentimentos de um pobre professor que terá que passar a manhã inteira sem suas brilhantes alunas?”

Sim, ele sempre foi um chantageador muito bom. E caíamos, pois também era um ótimo ator. Ficamos com o coração partido ao vê-lo triste por estar falando a verdade – ele disse que sempre gostou de nós como alunas também –, e fomos. Depois ele nos fez esquecer essa pequena mágoa, e foi tão divertido quanto nos outros dias. Afinal, tivemos uma extraordinária noite de sono.

Suspirei. Dias maravilhosos que chegaram ao fim, já que em conclusão disto, não somos mais crianças. Não moramos mais juntos, ou pelo menos, todos perto um do outro. A realidade é completamente diferente. Somos mães, casadas, temos filhos incríveis e maridos estupendos. O que mais iríamos querer?

O que mais iríamos querer? O que mais iríamos querer?

E no final de tudo, o que mais iríamos querer?

Me sentei na cama. Minha respiração se tornou ofegante pela mudança súbita de humor. Essa pergunta ecoou pela minha cabeça até eu achar a resposta:

Nada. Nada nesse mundo eu quereria mais do que a minha vida. Jacob jamais me magoaria, papai jamais me machucaria, qualquer um dos Cullen daria a vida por mim. O meu passado já me magoou o bastante, e já estava bem longe e enterrado.

Tenho o homem que sempre fui apaixonada ao meu lado, tive uma filha que sempre me deu orgulho e procurou nunca me decepcionar. Minha irmã sempre se esforçou para me fazer ficar feliz e sempre manter um largo sorriso no rosto, mesmo que isso custasse o dela. Igualmente meus pais, cujo sempre me deram do bom e do melhor, mesmo uma vez ou outra eu sendo desobediente.

Não é justo eu fazê-los sofrerem tanto com a minha fuga. Muito menos Sarah e Carlie. Minha filha que deve ter ficado tão assustada com o meu sumiço. Minha melhor amiga que nunca passou tanto tempo longe de mim, fora a nossa lua de mel.

— Você é muito estúpida, Renesmee. – murmurei comigo mesma, afundando a mão no cabelo.

Egoísta. Era isso o que eu estava sendo. Ao invés de agradecer pela minha vida. Apesar de tudo o que aconteceu, estou aqui e meu marido me ama. E se arrepende de tudo.

Sem pensar duas vezes, me levantei da cama e corri pelo corredor. Jake tinha acabado de sair do banheiro, e me viu ali. Ficou assustado, claro, pois não esperava que eu fosse sair do quarto tão cedo.

Pulei em seus braços.

— Me desculpe, Jake! – implorei, grudada em seu pescoço. Suas mãos me seguraram contra ele, enquanto eu me suspendia do chão. – Eu te amo tanto, me perdoe por te deixar, meu amor!

— Shhhh, não de desculpe, amor. – ele disse num tom suave, porém afetado pela alegria súbita. – Me desculpe, meu amor. A última coisa que eu queria era te magoar. Me perdoe.

— Eu sinto tanto, Jake. – chorei, ofegante contra a curva de seu pescoço.

Paramos de falar por um momento, então percebi que minhas costas estavam contra a parede. Eu inalava seu cheiro amadeirado, sentindo tanta falta dele nesses últimos dias. Seus braços musculosos me apertando contra si. Sua respiração nasalada denunciava que estava ofegante, tal como eu.

Desci do seu colo, porém continuamos na mesma posição.

— Ness. – falou, e levantou a minha cabeça. Olhar em seus olhos me fez desejar sentir seus lábios, ainda mais quando esses pareciam tão... Beijáveis. Porém ele me deu um beijo na testa. – Não se desculpe, ok?

Decidida, beijei-lhe rápido.

— Eu te amo. – falei antes de sair correndo novamente, agora escada abaixo. Avistei toda a minha família ali, sentada nos sofás da casa grande, todos preocupados comigo. Meu pai foi o primeiro a se manifestar, visto que eu corri até ele. Se levantou na hora em que eu corri para os seus braços.

Após tudo isso, abracei cada um deles presente, me desculpei com todos eles, com cada um deles.

— Nós te entendemos, Renesmee. – vovô me disse, me roubando para um abraço. – Só não faça mais isso.

Ri.

— Prometo.

O sorriso em meu rosto foi desaparecendo lentamente ao me lembrar de alguém.

— Aonde está Sarah? – perguntei, e a sala toda pareceu parar por um instante.

— Está lá fora desde que voltamos. – tio Em me respondeu. Pelo seu tom, já sabia como estava minha pequena.

Suspirei. Desci as escadas, agora mais devagar. Me preocupava ela não querer falar comigo por causa do que eu fiz. E se ela nunca mais quisesse olhar na minha cara?

A casa parecia a mesma de sempre, provavelmente contrataram um pessoal da limpeza para tirar o pó de tudo. Os móveis sempre ali, para quando voltássemos daqui a oitenta anos. Tudo estaria a mesma coisa para voltarem a ficar ali.

Abri a porta, já tendo minha filha a minha vista antes mesmo de sair. Ela permanecia virado de frente a floresta, de costas para mim.

— Resolveu se despedir antes de fugir outra vez?

Respirei fundo, tentando não ser atingida por isso.

— Minha querida. – sentei ao seu lado, e ela se virou um pouco contra mim. – Eu sei que o que eu fiz não foi muito legal...

— Não foi muito legal? – perguntou, rindo sarcástica. Continuei como se Sarah não tivesse me interrompido.

— Mas tente me entender. – afaguei seu cabelo. Relutou antes de me deixar com a mão ali. – Poxa, eu descobri coisas horríveis sobre o meu passado! Meu pai e meu marido me olharam nos olhos por todo esse tempo escondendo algo de mim. Como acha que eu me senti?

— E como acha que eu me senti ao acordar com a notícia de que minha mãe havia nos deixado? – rebateu, e ouvi um soluço arrebentar em sua garganta.

Uma lágrima correu pela minha bochecha. A abracei por trás.

— Eu sei que te causei uma dor horrível, mas estou aqui. E não vai se livrar de mim nunca, senhorita Sarah Cullen Black.

Riu em meio ao choro, e se virou. Nos encontramos em um abraço que eu não trocaria por nada neste mundo.

Um carro de cor cinza estacionou em frente a mansão, nos deixando surpresos. Toda a minha família estava lá fora, e presumi que ninguém esperava por visita. Me levantei com Sarah, a colocando atrás de mim.

Quem saiu do carro chocou a maioria de nós. Seus cabelos castanhos batendo na direção em que o vento soprava. Seus olhos iluminados ao enxergar alguém entre nós. Um sorriso de quem achou o que tanto procurava por tanto tempo. Possuía surpresa, pois seu físico mudou e muito na transformação de humano para vampiro.

Era Gabriela.

Imediatamente meus olhos voaram em direção a Derek, que estavam arregalados como se visse um fantasma.

— Derek. – sussurrou, engasgada pela emoção de felicidade que lhe tomava conta. – Eu te procurei por tanto tempo!

Correu diretamente para os braços do meu melhor amigo, e sim, o pegando de surpresa. Derek não vacilou ao recebê-la em seus braços. Pela feição de Gabriela, isso a surpreendeu. Eles sempre foram apaixonados um pelo outro desde a época do colégio, e como melhor amiga posso afirmar que ele nunca a esqueceu. Ainda assim também foi um acontecimento que sobreveio inesperadamente; para todos nós.

— Quem é ela? – Sarah sussurrou para mim, me abraçando por trás.

— É um amor antigo do tio Derek. – respondi com um sorriso no rosto, observando a cena. Ela não parecia incomodada com o resto de nós.

— G-Gabriela?

— Achei que não te encontraria aqui. – ela disparou, com uma ansiedade que parecia também de felicidade por vê-lo. Recuou um pouco, e riu por ver sua cara de espanto. – Escuta, eu pensei muito e decidi vir te encontrar e tirar essa dúvida que eu carrego desde a faculdade. Eu sei que nunca quis ficar comigo porque nunca fui uma garota lá muito atraente e...

— Ei, ei, ei. – Derek a interrompeu, pessoalmente ofendido. Parecia que ele quem fora insultado. – Não quero que repita isso nunca mais! Você é incrível do jeito que você é, Gabi.

— Então por que me deixou, Der? Isso vem me perturbando durante todos esses anos. Nunca imaginei que um garoto me tiraria todas as minhas noites de sono. E você o fez. Estou no meio do meu mestrado: saí sem explicação. Tive de arriscar te procurar uma última vez. Fiquei com medo de não te achar.

Derek a encarava com amor. Seu jeito de brincalhão e piadista nunca me deu espaço para ter uma ideia de como ele era romântico. Romântico e sentimentalista. E não parecia nada mal.

— Eu sempre vou te amar, Gabi. – Derek falou docemente, com receio de tocar seu rosto e não a espantar com a temperatura. O resto de nós não ousava abrir a boca para atrapalhar, contudo parecia que os dois não se importavam com a plateia que os assistiam. – Mas eu... Eu simplesmente não posso ficar com você. Não podemos ficar juntos.

Meu queixo caiu. Juro que se ele não consertar isso, darei um soco em seu queixo. Mesmo que isso resultaria em minha mão quebrada.

— Der, não me diga uma coisa dessas. Nós podemos, se quisermos.

— Escuta, eu prometo que não tem a ver com você. É bem maior que nós dois.

— Estou disposta a enfrentar isso. – cruzou os braços, o desafiando. – Mesmo que você for o demônio em pessoa, não desistirei. – acrescentou.

Ele olhou para Carlisle, em busca de respostas. Por sua vez, meu avô consentiu com a cabeça.

Olhou feliz, apesar de ainda estar incerto, para sua amada. Colocou a mão amavelmente em sua cabeça e beijou sua testa.

— Tem certeza? – certificou-se.

— Absoluta.

Ela parecia irredutível. Sua era voz objetiva.

Pegou sua mão e a levou para dentro. Estávamos logo atrás deles.

Bem, apesar de ela dizer que não se importava de que ele era o demônio, ficou pálida ao descobrir que éramos vampiros. Claro que com exceção de mim e de Renesmee, e dos lobos. Não obstante surpreendeu a todos nós quando não saiu correndo ou algo do tipo. Nem se assustou com a temperatura do corpo dele – após explicarmos tudo. Ela parecia mais fascinada do que amedrontada. O sussurro do tio Em foi de que ela era uma Bella 2.0.

— Eu quero que me transforme, Derek.

Os olhos do meu melhor amigo se esbugalharam.

— Está louca? – indagou. – Eu... Eu não tenho controle como os demais. Eu acabaria por te matar!

— Bem, – ela disse, tentando arrumar outra solução. Seus olhos varreram todos ali na sala. – eu não me importaria se qualquer um de vocês me tornasse uma vampira. – se virou para ele, seus olhos encharcados. – Eu só não quero te perder outra vez. Quero que fiquemos juntos.

Derek, como um bobo apaixonado, sorriu de orelha em orelha.

Nunca deixei de notar que algo faltava em sua vida. E eu sempre desconfiei que era essa menina. Derek não queria essa vida para a garota que ama, por isso a afastou de sua vida, sem deixar nenhum tipo de contato quando deixamos Forks.

— Gabi, tem certeza? Eu juro que...

— Shhhh, Der. – ela o silenciou com o dedo em seus lábios. – Eu te amo, e tudo o que eu quero é passar o resto dos meus dias com você.

— Então, temos mais um membro na família? – me pronunciei, sorrindo de lado.

Ela sorriu tímida em minha direção, sem fazer contato direto com os olhos.

— Eu não me importo de transformá-la. – Carlisle se manifestou.

E assim ficou decidido que seria como decidiram. Eu aproveitei para tocar no assunto de que eu precisava ouvir. Fomos nós quatro para o quarto dos nossos pais.

— Como vocês sabem, a minha gravidez foi difícil. – mamãe começou. – Eu estava fraca, não tinha massa muscular e quase nenhuma gordura. Eu só consegui aguentar porque bebi sangue humano, que era o que vocês, bebês exigentes, precisavam.

Carl apertou de leve seu aperto no abraço de lado que estava me segurando.

— Todos estavam apavorados, e tentavam me alertar sempre do que aconteceria se a gravidez prosseguisse, mas eu não me importava. Bom, Edward se importava até demais se eu morresse — não o culpo. Ele nem sabia que podia ter filhos, ainda mais que cresceriam de forma colossal dentro de mim. Eu não consigo imaginar sua culpa por me ver daquela forma.

Papai depositou um beijo em sua testa.

— Ele se importou tanto que, na sua visão, ele não se importaria de que eu tirasse o que estava me machucando para ter um filho humano normal, já que eu não queria desistir daquele, então em sua visão um filho seria um filho. Mesmo que fosse com o seu pior inimigo.

Limpei as minhas lágrimas. Ela continuou.

— Achei a ideia absurda e tratei de negar. Eu teria morrido feliz por vocês, e ninguém teria mudado isso. Eu passaria por tudo quantas vezes eu precisasse para ter vocês aqui comigo. E tenho certeza de que todos acham o mesmo. Se Alice pudesse prever o meu futuro, ela diria para eu ser forte e lutar pelas minhas duas menininhas.

Eu entendia. Agora podia entender e perdoar tudo. Não consegui mais segurar o choro, e Carl me acompanhou no abraço que fui dar aos nossos pais.

Engoli em seco.

— Está tudo bem. – falei. – Eu perdoo vocês.

Tudo corria bem – voltamos para Boston por um tempo, antes de voltarmos para Waco. E nos disseram que a data de sua transformação estava chegando, e eles a levariam para a nossa ilha no Brasil. Ficariam ali por um tempo até ela se acostumar, mas pelas notícias seguintes, era mesmo uma Bella 2.0. Uma recém criada muito disciplinada.


...


PDV Carlie


Trinta anos. Trinta anos se passaram. E nada mudou. A cidade parecia a mesma de sempre.

Vovô Charlie veio falecer a anos atrás. Sue não foi diferente. Billy também. Mamãe, Seth e Jacob ficaram tão arrasados com isso. Eu senti um pedaço do meu corpo ser pisoteado, como uma dança mexicana. Não muito tempo diferente... nossa avó Renée. Nós sabíamos que teríamos de lidar com a morte dos nossos amados. Só que... foi tão repentino. Tão doloroso.

Emily e Sam estavam quase idosos. Os filhos do casal tiveram o sangue de lobo em seus genes, e acabaram por entrar na matilha de Jacob e Seth, assim como Leah fez. Ela vive bem com Jayden. Vivem perto com os pais, e dissemos que eles podem se mudar para conosco em breve. Eles sabem.

Jared e Quil foram os que mais surpreenderam de uma forma interessante: suas amadas quiseram ser vampiras para viver com eles. Mas não foi vampiras como minha família: elas beberam o sangue da Mendy. Para falar a verdade, essa espécie de vampira é mais humana possível do que a dos Cullen. Então não foi algo lá tão espantoso.

Enfim. As mudanças foram radicais. Quer dizer, quando vivemos o último momento, nunca sabemos que é o último de fato. Achamos que vai durar para sempre. Porém não. Talvez seja isso que doa. Esperamos que nunca termine. Cada momento precioso que se torna único ao deixarem de existir.

Só faltava a minha, então me abaixei e pousei delicadamente a rosa na pedra. Na lápide cinza aonde dormia eternamente um ser querido que ficaria para sempre em nossos corações.

— Não acredito em como ainda sinto falta dele.

Me virei para mamãe, que tapava a boca com a mão. Ah, se ela fosse humana, estaria em lágrimas agora.

— Todas sentimos, mamãe. – Renesmee a abraçou de lado, ainda com os olhos na lápide.

As observei por um tempo. Nunca achei que superaria meu quase aborto. Ou de ter sido alheia a essa informação a minha vida toda. E surpreendentemente, aqui estou eu. Essas histórias estão lá no fundo da minha mente, e não tem necessidade de vir à tona.

— Vem, Carl. – Ness abriu um braço, e fui de encontro a ela.


...


Para tentar espairecer, fomos a um parque de diversão que havia ali. Com o clima de sair a noite, e com toda a diversão que enfrentaríamos, pude me permitir sentir como a garota feliz e de sorte que eu sou.

— Deveria ter me deixado ir com você. – argumentei quando Derek comentou que Ness havia fugido por conta das coisas envolvendo a gestação.

Estávamos todos da família sentados em um banco que encontramos ali perto. Alguns de nós ficaram de pé para não quebrar a conversa. A família toda estava completa, e era uma delícia ver isso. Inclusive minha sobrinha postiça que implorou para Mendy a transformar. Nick e Heather estavam ali também, ambas vampiras. Tia Rose não teve como recusar sua vontade.

— Não pensei direito, já que, de certa forma, isso me afetou mais do que você. Afinal, Jake estava envolvido. – ela falou o beliscando de brincadeira. – Além do mais, Harry e Sarah precisariam de você.

— Mesmo assim. – insisti. – Eu poderia ter te dado suporte emocional e ao mesmo tempo confortar a nossa família sem que nos rastreassem.

— Carl, imagine se ele acordasse e visse que nós dois fugimos! Harry ia ficar devastado sem você, assim como Sarah ficou sem mim. Eu não podia te deixar ser irresponsável do jeito que eu fui. E o que pensariam? Que o abandonamos para viver uma fantasia adolescente?

Harry gargalhou, adorando ouvir a nossa pequena discussão.

— Ele é grande. Entenderia.

— Se eu me recordo bem, ele ficou magoado comigo. – apontou, enfiando uma colher de sorvete na boca. – Meu próprio sobrinho ficou dois dias sem falar comigo. Fez bem você ter ficado. De qualquer jeito, estava fora de cogitação eu chamar um de vocês. Para que? Olhar em seus olhos e vocês me convencerem de ficar? Não acho que seria uma boa ideia de espairecer.

— Nunca foi uma boa ideia. – Seth revirou os olhos. – Mas sei como se sentiu. E não te julgo.

— Ainda esperamos que não faça mais isso, Ness. – disse Jake, com os braços envolvidos em sua cintura. – Nos deixou bastante preocupados.

— Sinto muito. – pediu. – Prometo que nunca mais faço isso.

Em alguns minutos o parque fecharia, então nos retiramos. Estava maravilhoso ficar entre família, então decidimos ir para outro lugar, e não imediatamente para casa. Chegamos a uma praça, onde tinha algumas barracas com vendedores ambulantes e suas comidas ou mercadorias. Hoje estava especialmente um dia animado; parecia que a cidade toda estava acordada. Como se fossem festejar algo.

De repente meu olhar voou entre os rostos mais do que conhecidos por mim, cada um com um sorriso familiar no rosto de felicidade. Me deixou encantada o modo que eles pareciam radiar alegria, com suas piadas bobas sendo espalhadas, e risos de toda parte, gargalhando de qualquer coisa.

Suspirei.

Não sabia se seria mais a mesma. Já fui odiada pelos presentes ali, apesar de que tinha certeza de que era amada por todos: minha família, os quileutes, meu marido e filho. Me trataram com amor e carinho, como uma princesa, uma merecedora de tudo aquilo. Me mimaram como se mima uma filha: como mimaram Renesmee.

Mas agora percebo que, apesar de tudo, ter estado no ventre de Bella Swan foi um plano de Deus, e eu agradeço por isso.

E isso bastava pela minha – nossa eternidade.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!