A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
83 2x41 Corações em aflição (E)
PDV Claire.
Desci as escadas, em direção à porta de entrada onde Edward me disse que ele estaria. Estupidamente me surpreendi ao vê-lo sentado nos degraus da varanda. Claire, não duvide nunca de um telepata.
— Hey, Derek. – o cumprimentei, me sentando ao seu lado.
— Oi. – ele respondeu, me olhando educadamente.
Eu mal sabia como começar. Não é meu amigo igual é de Carl e Ness, e o vi poucas vezes. Mas acho que nas vezes que nos divertimos já posso tentar ajuda-lo de alguma forma. Eu já estava tão acostumada com os Cullen que estar sozinha com Derek, mesmo sabendo de sua recente transformação, não me deixava desconfortável e nem com medo. Já havia se tornado um ambiente familiar há algum tempo, desde que eu soube de Quil, dos lobos, e consequentemente dos frios pelas lendas. Não há como se envolver com os lobos e não descobrir sobre vampiros. Quero dizer, se você acredita na existência de um, o outro se torna meio óbvio.
— Eu sei como se sente. – falei de uma vez. Me arrependi por um segundo, incerta se tentar “ler a mente” dele seria um caminho de solidariedade bem aceito.
— Sério? – ele perguntou, me olhando surpreso.
— Sim. Quando Quil estava na Itália, eu tinha que me segurar sempre para não dizer que o amava. Sei que o que você sente é dez, quinze, trinta, cinquenta vezes pior do que eu senti. Eu queria que ele ficasse e terminasse de fazer o intercâmbio.
Ele franziu o cenho quando eu terminei.
— As situações são um pouco diferentes, eu sei. – ressaltei. – Mas os sentimentos são quase os mesmos, não é?
Ele confirmou com a cabeça, e fechou os olhos. Eu não o conhecia tão bem quanto Renesmee ou Carlie, mas a impressão que eu tive é que ele estaria chorando se pudesse derramar lágrimas.
— Eu a amo, mas não quero essa vida para ela. – ele confessou, ainda com as pálpebras juntas. – Se houvesse um jeito de eu virar humano novamente, apenas para tê-la... eu daria qualquer coisa para isso.
— Sinto muito, Derek. – falei, dando tapinhas em seu ombro. – Eu sou péssima em confortar as pessoas, me desculpa.
Ele riu, e me abraçou de lado. Era boa a sensação de conseguir fazer alguém rir quando este alguém precisa. Me faz sentir útil para algo nesse mundo.
— Agora eu entendo como Carl e Ness têm tanto afeto e amizade com você. – ele falou, após alguns segundos. – Você é tão amorosa, sua baixinha.
Eu ri, agradecida.
— Eu também entendo como elas adoram você. – comentei, pronta para dar o troco com o adjetivo. – Você é tão sem graça tentando ser engraçado, que faz parecer divertido.
Ele soltou um riso fanhoso com a minha tentativa de ofendê-lo.
— Vem, vamos voltar para dentro. – ele falou, se levantando, e estendendo a mão para me ajudar. – As duas vampirinhas devem estar preocupadas comigo.
— Elas são assim mesmo. Sempre se preocupando com os outros.
— Isso é uma das coisas que mais gosto nelas. – ele sorriu, orgulhoso. Eu poderia dizer que ele havia esquecido sobre o assunto Gabriella, mas seus olhos ainda estavam um pouco angustiados.
Decidi não tocar mais no assunto, com medo de ferir mais seus sentimentos. Uma hora ou outra todos precisamos lidar sozinhos com nossas próprias dores.
Subimos as escadas e fomos de volta para o escritório.
PDV Renesmee.
Puxa vida. Eu queria tanto fazer algo para ajudar meu amigo. Derek não merece sofrer.
— Esse assunto da Gabriella é um tanto delicado. – suspirei.
— Sim. – Carl concordou.
— Ele vai ficar bem. – Jake assegurou, segurando em minha mão.
Minha mãe está cuidando da Sarah? Perguntei.
— Está dando banho nela. – respondeu.
Eu não estou muito presente na vida dela ultimamente. Falei, me sentindo uma péssima mãe.
— Não seja dramática. Você ficou pouquíssimas vezes longe dela desde que ela nasceu, e agora você está acidentada, não é possível ser ativa para dar banho, trocar roupas e dar comida. Bella e eu estamos nos revezando para cuidar da nossa pequena, não se preocupe.
Finalizou depositando um beijo em minha testa.
— Quero que foque em sua recuperação, ok? – ele falou, e selou nossos lábios.
Meu pai pigarreou, e Jacob se separou, suspirando. Lancei um olhar sem humor para o meu pai. Nem assim ele me deixa dar um beijo no meu marido?
Ele sorriu de forma angelical, e eu não pude resistir de sorrir de volta.
— Não podemos ficar deitadas até nos curar. Temos necessidades humanas. – Carlie protestou, e eu sabia que era uma tentativa de sair da cama.
— Rosalie, Alice, Esme e sua mãe estão mais do que dispostas em ajudar no banho. – ele respondeu naturalmente.
— Sério? – Carlie perguntou, sem acreditar.
Ele riu, sabendo que suas palavras nos deixavam de mal humor.
— Olhem, minhas crianças. Se eu dissesse que estão liberadas para levantar, só na tentativa vocês iriam se machucar. Então sim, ajuda para banhos e trocas de roupas, principalmente para levantar da cama. Bom, está ficando tarde e vocês precisam descansar mais.
— Mas agora que são nove horas, papai. – Carl reclamou, esquecendo de mencionar os minutos, que por acaso, eram quarenta e cinco.
— Faltam apenas quinze minutos para as dez. Jacob e Seth ficam com vocês até quando vocês quiserem, combinado?
— Combinado. – repetimos, derrotadas.
Claire e Derek apareceram na porta do quarto, rindo. Fiquei feliz de o ver com um sorriso no rosto novamente.
PDV Carlie.
Estava me deixando com tédio ficar deitada e só deitada. Acordei cedo ouvindo Harry chorar, e acertei que ele queria ficar comigo. Fiquei com o meu filho por algumas horas, mas depois peguei um tempo para estudo. Minha faculdade estava trancada, então com isso eu não me preocuparia no momento. Somente em conhecimentos variados.
— Olá, queridas. – tia Alice falou entrando elegantemente dentro do escritório, com tia Rose. Como tenho inveja dessas vampiras fabulosas. – Deixamos a Nick, Heather e Zoe com a Mendy para ajudar no banho.
— Ela não vai ficar sobrecarregada?
— Embry está junto com ela.
— Estamos planejando uma ida ao shopping quando estiverem boas. – tia Alice falou praticamente flutuando até Ness, e tia Rose em minha direção. – Seus closets estão muito ultrapassados.
Elas nos levantaram cuidadosamente.
— Relaxem. – tia Alice reclamou quando Seth e Jacob ansiavam para nos ajudar também. – Vamos cuidar delas. Podem voltar para suas crias.
— Eu posso ajudar no banho...
— Sério, cachorro? Debaixo do teto do seu sogro? – nossa tia loira rosnou para o meu cunhado.
— Jake, vá. – Ness riu baixinho. Os dois deram meia volta e saíram do quarto.
Resmunguei quando minha perna reagiu quando tentei apoiá-la para andar.
— Querida, se apoie em mim. – ela me lembrou, e segurei em seu pescoço.
Ela não podia me carregar, pois isso poderia mover minhas costelas, então eu apenas a tinha como apoio para andar. Entramos no quarto dos meus pais, e depois no banheiro. Mamãe e vovó estavam preparando a água. A banheira – grande o suficiente para nós duas – já cheia e cheirosa.
— Por favor, falem que essa banheira foi devidamente esterilizada. – Ness contestou, e estremeci com as imagens que sua fala enfiou em minha mente. Observei a banheira. E sim, abrigava tranquilamente dois adultos...
— Como são engraçadinhas. – mamãe torceu o nariz para nós duas.
— Vamos lá, joguem um pouco para se alegrarem. – a voz de Derek foi ouvida lá de baixo, e com certeza a porta do porão estava aberta. – Elas vão melhorar logo, e vocês precisam de algo para se distraírem!
— Eu acho que vou matar esse garoto. – Jacob falou. Ele sempre perdia a paciência com Derek, e era hilário.
Ri enquanto minha tia me ajudava a me despir.
* * *
Elas acabaram de nos banhar e surpreendentemente nos levaram para os nossos quartos. Pedi para dormirmos juntas, já que Claire estaria passando um tempo conosco. Então mamãe arrumou tudo no quarto da Nessie. Papai disse que não era mais necessário ficar no escritório, apenas tínhamos que ser cuidadosas.
— Quil é... tão... uau! – Claire suspirou, com um sorriso bobo no rosto.
Estávamos tendo uma conversa sobre sexo. Ela contou sobre sua primeira vez, que foi com Quil.
— Eu pensei que seria com o seu ex. – admiti, recebendo um olhar mal humorado dela, com os olhos estreitos. Obviamente, ela não acreditava que eu acharia isso dela. – Quero dizer, não é fácil se controlar quando você está em um momento íntimo com o seu parceiro. E quando você disse que estava dando uns beijos pra valer no Dean, eu achei que você pudesse ter cedido.
— Mas eu resisti. – ela vociferou, me fazendo prender o riso. – E agradeço pelo meu autocontrole. Não acho que com qualquer um teria sido tão especial e magnifico como foi com Qui. Ele é tão maravilhoso e...
— Perfeito e romântico e blábláblá. – minha irmã e eu a cortamos, já sabendo o final de sua frase, de tantas vezes que ela repetiu.
— Vocês falam isso, mas até parece que não se sentem o mesmo em relação a Seth e Jacob.
— É verdade. – concordei, contando mentalmente as inúmeras vezes que Seth e eu chegamos perto dos finalmentes antes de rolar de verdade.
— É mesmo. – Ness concordou.
— Pois é. – Claire suspirou, e rolou de barriga para cima do colchão que ela estava deitada, e encarou o teto. – Desde que eu soube sobre o imprinting, não parava de imaginar como seria estar com Quil. Como seria o gosto do seu beijo, a sensação de tocá-lo sendo namorado e namorada... E eu me sentia sendo injusta com Dean. Mas depois parei para me tocar de que estava apaixonada pelo Quil. Por mais que eu tentasse disfarçar, esse imprinting me fez ficar atraída por ele, de forma que ele não era mais somente meu melhor amigo.
Entre as confissões, fiquei tentada a contar sobre algumas das minhas.
— Eu gostava do Seth desde que voltamos da ilha. – admiti.
— Sério?! – Claire falou, com a boca aberta num perfeito O, mas sorrindo. Ela se apoiou no cotovelo e me olhou. – E como eu nunca soube disso?
— Ela não contava nem para mim. – Nessie deu de ombros, mostrando normal ela não ter ficado sabendo.
— Eu sempre tive medo de ele não gostar de mim como eu gostava dele. – revelei, sentindo os mesmos sentimentos ruins da possível rejeição que existia se eu me declarasse para ele. – Não queria jamais arriscar perder sua amizade. Então preferi guardar para mim mesma. Parecia ridículo só de pensar.
— Como você é boba. – Claire disse, fazendo pouco caso da minha preocupação.
Eu ri.
Soltei um enorme bocejo, e depois meu corpo ficou flácido por causa do cansaço.
— Vocês precisam dormir. – Claire comentou enquanto Renesmee terminava de bocejar. Tão longo quanto foi o meu.
— Boa noite, Claire, Ness. – me despedi sem nem protestar.
Nos despedimos e nos arrumamos na medida do possível para dormirmos.
Aos poucos, a escuridão foi tomando conta de minha mente, me puxando para o mundo dos sonhos.
* * *
Acordei com o barulho de pássaros por perto. Abri meus olhos devagar e piscando, para me acostumar com a claridade. No começo demorou para ver de onde a claridade vinha, porém depois captei a linda e brilhante do dia. Hoje era um lindo dia de sol em Boston.
Respirei fundo e tentei me arrumar na cama, mas minhas costas reagiram.
— Au. – falei num resmungo entre cortado e um pouco, parando de me mexer. Meu corpo automaticamente murchou, pela surpresa repentina da dor.
— Bom dia, querida. – meu pai falou, entrando no quarto. Veio ao meu lado na cama e se ajoelhou. – Como se sente? – perguntou, acariciando meu cabelo.
— Ainda tenho dor. – gemi, exausta.
— Logo vai passar, seu descanso está indo bem. – ele assegurou. – Só mais um ou dois dias de repouso.
Assenti com a cabeça, fechando os olhos por um segundo, já ciente daquela informação.
— Sim, eu sei disso. – suspirei.
— Precisamos adiar o nosso plano. – ele suspirou, parecendo raciocinar algo. Só depois de alguns segundos me caiu a ficha do que ele falava.
— Não precisamos, não. – discordei, tentando me virar, mas minhas costas reagiram. Resmunguei com uma careta no rosto, e parei de tentar me virar. Papai imediatamente percebeu o que eu queria e me virou sem esforço.
Obrigada. Falei aliviada, e ele se deitou ao meu lado, se juntando a mim e me deitou em seu peito duro e frio. Puxou meu lençol e me cobriu, pois apesar do sol, o vento que passava pela minha janela aberta não estava nada ausente. A mudança repentina da temperatura que fez meu corpo tremer.
— E tudo isso por causa de ciúmes.
— Ela quem começo. – me defendi.
— Não te culpo. – falou, com a voz compreensiva. – Apenas não entendo porque ela não desistiu depois de todo esse tempo, todos esses anos. – murmurou, sua voz suave estava tão confusa.
— Quando eu a conheci, nesse dia, percebi algo nela. Ela tinha tudo o que ela queria: roupas de grife, atenção, lacaias. E agora eu estou nessa lista. Ela me quer morta, e não vai parar até meu coração parar de bater.
Ele respirou fundo, e me abraçou. O carinho que seus braços me passavam era acolhedor, e eu queria voltar a dormir ali mesmo.
— Lamento por colocar vocês nisso. – sussurrei.
Nunca desejei envolver ninguém da minha família. Era para ser apenas ela e eu. Mas quando ela me machucou em Volterra, era uma briga que minha família compraria sem hesitar. Se eu pudesse ver meu futuro naquele momento na praia, e visse meu filho, minha sobrinha, e todos os bebês que entraram na família, eu teria mordido a língua e deixado ela me ofender o quanto quisesse.
— Vamos dar um jeito nisso. – ele assegurou. – Não é sua culpa, Carl. Por favor, se lembre disso. Nós não temos culpa do mal que nos segue. Você é uma Cullen, afinal, não iria só ouvir enquanto uma qualquer caluniasse seus entes queridos.
Funguei e assenti. Ele segurou meu rosto com uma mão e limpou minhas lágrimas com seu polegar. Recebi um beijo na testa, e me passou nada além de proteção e amor.
— Papai? – chamei sua atenção quando senti um incomodo em minha barriga.
— Sim? – ele falou, me olhando com seus olhos escurecidos.
Eu jamais falaria, pois eles sabem de sua dieta. Se precisam de um tempo sem caçar para cuidar de nós, eu que não seria a que falaria para eles caçarem. Eles não são imprudentes. Se estão com os olhos negros é por um motivo.
— Estou com fome. – reclamei, fazendo uma leve careta um pouco risonha.
Ele riu e me retirou com cuidado de seu peito.
— Omelete? – sugeriu, se levantando.
— Com queijo e presunto. – acrescentei.
— Volto logo. – ele me deu um beijo na testa e se foi.
Quando ele estava fora de vista, fiquei pensando em como iria acabar o encontro com a Tifanny; eu esperava que ela não fosse conseguir fazer nada com a minha família. Eu não suportaria qualquer um deles machucados, especialmente se a culpa fosse minha.
Será que eles não me deixariam ir sozinha?
A resposta veio quase automaticamente: não. Nunca que eles me deixariam correr risco sozinha. E nunca que eu teria chance contra ela. Tombei minha cabeça de lado e me deixei ser levada pelo sono pelos próximos minutos. Papai me chamaria quando o café estivesse pronto.
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