Estávamos no quarto de hóspedes esperando Mendy acordar. Não nos demoramos muito após nos despedirmos de Rupert.

Todos ficaram chocados quando chegamos com o corpo dela em casa, e não terem escutado seu pulso, ou seu coração batendo. Isso resultou com o resto da família correndo para cá. Colocaram as pequenas Nick e Heather para dormir no quarto de hóspedes – mamãe e papai se revelando tios babões, fizeram um quarto para as sobrinhas. Mas explicamos e isso acalmou consideravelmente a todos.

Não consegui olhar para ele todo o caminho. Nós trocamos na volta. Nessie e Jake conduziram minha moto, e Embry e eu fomos no banco de trás do carro para segurar Mendy, com Seth dirigindo.

Agora eram meia noite vinte e cinco. Vinte minutos depois que chegamos. Eu estava com vergonha, mas meus pais me chamaram na sala de estar.

— Não acredito! – minha mãe gritou, enquanto as mãos de meu pai tremiam em meu rosto. Ele estava o segurando, examinando meus ferimentos. – Desde Connecticut ele te batia e você não nos disse nada? Como aquele maldito teve a coragem de...? – sua voz saiu cheia de ácido.

— Não foi nada, mamãe. – falei, olhando duramente para Seth. No caminho para casa, ele me fez contar tudo. Me pressionou, e ficou furioso ao saber que ele já me agrediu quando nos mudamos para aquela cidade.

Bem, foi um pouco impossível de esconder dos meus pais, já que meus ferimentos ainda nem estavam cicatrizados quando cheguei em casa. E demorariam um pouco, pois eles foram um pouco profundos.

Não foi nada? Eu devia acabar com ele com as minhas próprias mãos!

— Agora a prioridade é a Mendy. – tentei convencê-los, e fazer eles esquecerem um pouco de mim. Um pouco de remédio, e eu estaria novinha em folha.

— Ela está sob os cuidados dos pais dela. – ele respondeu rispidamente, me fazendo encolher os ombros. – Como eu não li nada disso na mente daquele maldito? – suspirou resignado. – Nunca vi alguém tão bom em camuflar os pensamentos. Vem, vamos cuidar disso. – meu pai falou, a raiva nunca deixando sua voz.

Me levou até seu quarto e foi pegar algo no banheiro.

— Me desculpe por ter escondido isso de você. – pedi, as lágrimas começando a brotar em meus olhos verdes. – Eu apenas não queria nenhum de vocês em perigo.

— Somos mais fortes que vocês duas. – ele falou, voltando para o quarto com uma caixa branca de primeiros socorros, com uma cruz vermelha no centro dela. – Devia ter nos avisado.

— Sinto muito. – sussurrei, apertando meus olhos. As lágrimas caíram, como eu previ.

— Apenas não faça mais isso. – ele me abraçou, antes de aplicar o remédio.

— Ai. – reclamei quando ardeu.

Ele segurou meu rosto entre suas mãos e assoprou suavemente a área que o remédio latejava.

— Melhor? – ele perguntou.

Assenti, satisfeita que a ardência foi embora. Colocou um curativo no meu olho, e fiquei feliz que já estava bem mais desinchado. Meu lábio também já muito melhor.

Depois fomos para o quarto, e Seth colocou o braço ao meu redor quando eu entrei no cômodo. Eu não precisava ler sua mente para saber que ele temia Mendy acordar com alguma sede irracional de sangue e me ter como alvo.

Mendy deu uma grande arfada, avisando que estava acordada.

— Onde eu estou? – ela perguntou, assustada, mas ficou aliviada ao encontrar todos nós com ela.

Seu olhar se fixou em mim, e, assustada, vi as veias saltando de suas olheiras, assim como seus caninos se alongarem. De repente se levantou da cama e voou em minha direção. Felizmente, ao mesmo tempo em que Seth me puxava para trás dele, tia Rose a segurou.

— Mendy, querida. – tia Rose falou, tentando fazer com que o alvo não fosse eu. – Precisa beber isto para completar a transição. – lhe ofereceu a garrafinha de sangue.

— Não acho que ela vai poder sair hoje, desse jeito. – eu tentei quebrar o gelo, nas costa de Seth, agarrando sua camisa, e olhando sobre seu braço. Eu não estava com medo, mas sei o que teria acontecido se ninguém tivesse a impedido.

— Pessoal, saiam daqui, por favor. – ela pediu, fechando os olhos e prendendo a respiração. – Eu preciso... respirar um pouco.

Atendemos ao seu pedido. Seth colocou as mãos em meus ombros – um arrepio passou pelo meu corpo quando ele tocou meu ombro que estava nu – e me deixou indo na sua frente, fora do perigo. Eu sabia que ele preferia sofrer qualquer coisa em meu lugar.

Logo após sairmos, ele me olhava o tempo todo, mas eu fingia que não era comigo. Precisava fazer isso, pois sabia que a conversa sobre tal assunto viria mais cedo ou mais tarde.

— Carlie, podemos conversar? – Seth perguntou calmamente. Jacob nos lançou um olhar por causa do pedido.

— Pode deixar para depois? – tentei. – Estou muito cansada. – menti. Sinceramente, eu poderia ter dançado a noite inteira e não sentiria nenhum pingo de cansaço. Mas tudo o que eu menos queria era conversar com o Seth depois daquilo.

— E a gente precisa descansar para a festa de mais tarde. – Nessie tentou me ajudar, sabendo como eu me sentia. Eu sabia que ele precisava de uma explicação, uma satisfação. Mas eu tinha medo de a gente se acertar, e acontecer algo novamente. A vida está sendo uma caixa de surpresas bem desagradável.

— Não vai demorar. – ele insistiu.

Merda. Ele não desistiria.

Ahhhhh, saco!

Mordi o lábio e assenti. Fomos para fora, e caminhamos até o playground no fundo do condomínio. O frio delicioso da noite não me incomodava. Pelo contrário. Era boa a sensação gelada em meu corpo.

O parquinho estava deserto, deixando a privacidade profunda no silêncio da noite.

Respirei fundo e me sentei no balanço de dois lugares. Minha paixão por isso nunca mudou. Eu sempre adorei ser balançada. Era muito divertido – e essa é a minha parte criança falando.

Meu coração perdeu uma batida quando ele se sentou ao meu lado. Deus! Há quanto tempo a gente não é feliz. Desde que voltamos da lua de mel só temos problemas na vida. Eu tinha medo de ser um aviso do destino para que não fiquemos juntos.

— Eu sei que te devo uma explicação... – comecei a falar depois de um silêncio irritante, mas ele me interrompeu. Segurou meu rosto em suas mãos e me fez olhar em seus lindos olhos negros. Eles penetraram fundo dentro de mim como nunca antes, e fiquei sem reação.

— Não precisa. – ele falou, finalmente. Analisava cada área do meu rosto, e li a saudade em seu olhar. A saudade de me ter como sua mulher. – Sua irmã me contou o que houve, antes de a Mendy acordar.

— Quando? – perguntei confusa, tentando não me distrair com a nossa proximidade.

— Lá no quarto, agora há pouco. – ele explicou. – Eu nunca deixei de acreditar que você me amava.

— Que bom. – sussurrei, dando um fraco sorriso. – Porque eu nunca desejei que você acreditasse que eu, alguma vez, deixei de te amar. Ou fingisse, sei lá.

— Não dá para fingir – disse Seth, objetivo. – Eu amo você, e vou amar até morrer, e se houver vida depois disso, vou amar também.

É oficial. Eu não aguentaria mais muito tempo sem um beijo. Eu precisava do contato dos seus lábios em mim. Fora dessa situação toda. Somente como Carlie e Seth, marido e mulher.

— Eu te amo tanto. – ele sussurrou, e seu hálito bateu em meu rosto, intensificando meu desejo.

Eu estava em abstinência, e não era a primeira vez. Seth é a minha heroína. Eu experimentei, gostei, e não pretendo largar jamais.

Sua boca estava tentadoramente perto da minha, e eu podia sentir seu gosto em minha língua.

Ele se inclinou para sussurrar algo em meu ouvido.

— Você está sexy pra caramba nesse vestido. – falou com sua voz rouca, seus lábios colados em minha orelha, e eu estremeci. – Foi difícil ver o tanto de idiotas que te olhavam, e eu não pude fazer nada.

— Não pôde porque não quis. – retruquei, o fazendo suspirar.

Ele cheirou, acariciou e beijou meu pescoço com seu nariz e sua boca. Eu não estava aguentando muito mais. Eu necessitava de um beijo seu. Puxei seu rosto para que ficasse novamente perto do meu, e isso novamente me tentou. Nossos narizes roçaram, e eu não via a hora de ter minha boca na sua.

— Hey, minhoquinha. – a voz do tio Em ecoou na noite escura. Ele não estava muito longe. – Seus pais me mandaram aqui para ver se estava tudo OK.

— Está sim. – respondi, escondendo minha frustração. Afinal, não era culpa dele.

— Vamos entrar. – chamou meu tio. – Mendy já falou com Ness, agora quer ver você.

Assenti e levantamos.

— Hey, Em. – chamei sua atenção durante o caminho de casa. – Ela vai precisar ficar longe da filha até estar bem com isso, né?

— Ela vai estar com Zoe com monitoração rigorosa. E sempre um vampiro. – ele suspirou. Era fácil entender o porquê. Embry não seria capaz de a parar na forma humana, e ninguém queria que ele se transformasse tão perto da pequena Zoe. O mais prudente seria um vampiro estar por perto.

Era bem difícil ele não estar com o seu ar brincalhão, mas agora estava lidando com o fato de que a filha era uma vampira também. E isso o deixa desanimado.

— Eu lamento, tio. – falei e abracei sua cintura.

— Está tudo bem. Tudo vai ficar bem. – ele beijou meu cabelo, e passamos pela porta da frente.

— Carl, assim que terminar de falar com a Mendy, vá direto dormir. – tia Alice advertiu. – Não quero ninguém com olheiras amanhã, entendido?

Assenti, sem querer prolongar o assunto. De repente uma tonelada foi posta nos meus ombros. Eu só precisava deitar. Mas fui falar com a minha prima primeiro.

— Tem certeza de que não quer ir? – perguntei pela segunda vez, mas torcendo para que a resposta continuasse negativa. Eu queria que ela fosse, e ao mesmo tempo ela não estava preparada para ir a uma sala cheia de humanos com sangue fresco.

— Não quero correr o risco de machucar ninguém. – ela ressaltou.

— Tudo bem. – suspirei, e lhe dei boa noite. Desci para o quarto do Seth, onde meu filho dormia lindamente em minha cama. Tirei meu vestido e coloquei uma camiseta do Seth que me servia de pijama, e me juntei ao meu anjinho. – Meu filhote lindo da mamãe. – sussurrei enquanto me aconchegava ao seu lado. Em instantes, meus olhos se fecharam.

Eu me lembro de Harry resmungando, e depois chorando, mas mamãe entrou no quarto e disse que cuidaria dele. Eu fiquei agradecida, pois realmente precisava descansar depois da noite que tivemos. Minhas pálpebras estavam demasiadas pesadas para aguentar alguns longos minutos de choro.

— Querida, acorde. – ouvi uma voz de sino murmurar perto. – Carl, minha flor, acorde. Já são quase uma da tarde.

Resmunguei e abri os olhos. Uma da tarde? Caramba. Eu não era acostumada a dormir até tão tarde casualmente.

— Vamos lá. – tia Alice me apressou. – Sua mãe está fazendo algo para você comer.

Ela me ajudou a levantar, pois eu ainda estava trôpega. Já tinha um short pronto para eu vestir, e assim o fiz.

— Boa tarde, dorminhoca. – papai me cumprimentou assim que entrei na cozinha. Ele colocou a minha frente um prato com omelete com queijo e presunto quando me sentei.

— Hmm, delícia. – falei, sentindo a água em minha boca. – Obrigada.

— Não há de que. – ele me deu um beijo na testa se sentou na cadeira ao meu lado, me assistindo comer. — Você se sente melhor?

— Estou ótima. – falei de boca cheia, mas como meus pais me ensinaram bons modos, coloquei a mão na frente da boca ao falar. – Pena que o rastro dele era muito longe. Eu gostaria que você desse um jeito nele.

Ele sorriu e me colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Na verdade... não. – mudei de ideia depois de pensar bem. – Não quero nenhum de vocês se machucando por minha causa.

— Seria um prazer acabar com ele. – papai sorriu. – Ele não vai sobreviver tanto. Ninguém toca na minha filha e continua respirando por muito tempo.

— Só... cuidado. – pedi, sem muitas palavras para proferir.

— Não se preocupe conosco, docinho. – ele afagou meu cabelo.

Se levantou e foi para a sala.

— Dorminhoca. – Nessie cantarolou entrando na cozinha com a Sarah nos braços de Jacob. Ele estava sem camisa. – Hmm, eu quero. – ela falou, e pegou um pedaço da minha comida com o garfo.

— Gulosa. – murmurei de boca cheia. – Cadê Mendy?

— Foi para casa com os tios ontem. Eles vão monitorar ela e Zoe, então está tudo bem.

Meu corpo congelou quando o vi entrando na cozinha. Seth parecia ter acabado de acordar, pois seu rosto denunciava isso. Seu peito estava nu, e o fato me distraiu. Deus, tudo isso é meu? Esse abdome e barriga definidos, peitoral malhado, braços fortes... e além de tudo mais, quente. Tanto em termos de temperatura quanto de aparência.

Tentei não me concentrar nele e me pus a comer, logo acabando e indo para a sala. Meu filho estava no colo do meu pai. Franzi a testa ao notar um detalhe. Todos os homens estavam ali, e sem camisa.

— O que diabos aconteceu aqui? Tia Alice descartou as camisas de todo mundo? – perguntei, me lembrando de que Jacob e Seth também estavam assim.

— Deixa de ser chata, garota. – Derek provocou, e veio até mim, e em um movimento rápido eu estava em sua cacunda.

Meu filho nos olhava com um querer engraçado. E então meu pai riu.

— Derek, para! – gritei quanto começou a rodar comigo. Segurava em minhas mãos, e eu já estava ficando tonta.

— O que ele quer? – perguntei ao meu pai quando Der parou, querendo saber o motivo de tanta graça.

— O mesmo que vocês estão fazendo. – respondeu, apontando para mim nas costas de Derek.

— Acabou o tempo da criança mais velha. – e com o mesmo rápido movimento, me tirou de trás dele. O movimento me deixou tonta por dois segundos. – Agora é a outra criança.

E alegremente, pegou meu filho, o passando pela sua cabeça e colocando em sua nuca, como fez comigo, e Harry soltou uma gargalhada deliciosa. Sorri, me recordando do dia que Ness e eu pedimos que ele fosse o padrinho dos nossos bebês. Ele só não chorou porque não pode produzir lágrimas.

Meus olhos captaram Jessy no canto, dormindo na casinha suspensa que eu coloquei na parede junto do meu pai. Ela ainda adorava o playground que construímos na parede do meu quarto, mas como gato é aventureiro, meus pais deixaram colocar algumas coisinhas pela sala também. E a cama suspensa ela simplesmente amou.

Mais tarde viramos cobaias da tia Alice. Ela ficou muito animada, e nós também.

— Oh, my God! – minha mãe falou pausando assim que entrou no quarto com minhas tias e avó. – Vocês estão maravilhosas!

— E tudo isso por conta da tia Alice. – falei, lhe dando o crédito.

— Se fosse pela Bella, eu nunca mais tocaria nessas duas. – ela falou, num tom decepcionado.

— Alice, vê se cresce. – tia Rose revirou os olhos. – Elas já cresceram e são perfeitamente capazes de se arrumarem sozinhas.

— Mas ainda vão precisar da minha ajuda, uma vez ou outra, né? – ela perguntou para mim e minha irmã, fazendo sua carinha que ninguém nunca resistia. Até bateu os cílios.

— Claro que vamos, tia. – Nessie respondeu, e eu afirmei com a cabeça. – Aprendizes sempre devem continuar a aprender com seus mestres.

— Ownn, minhas meninas. – ela se emocionou e veio nos abraçar. – Pelo menos eu fiz um bom trabalho. – ela falou orgulhosa de si mesma. – Ontem provou totalmente isso. Elas estavam parecendo top models sem mim!

Rimos de seu tom orgulhos porém com uma leve decepção.

Fiquei aliviada de o pequeno hematoma que teimou em ficar foi coberto totalmente com maquiagem.

Nós descemos as escadas e encontramos Jacob, Seth e Embry no sofá. Os três com seus respectivos filhos em seus colos.

Sorri para o Seth quando nossos olhares se cruzaram, e ele devolveu.

Você vai ser o meu par esta noite? Perguntei mesmo já sabendo a resposta.

Com todo prazer, meu amor. Ele sorriu de lado, e eu me derreti. Perdi o nosso contato e senti meu rosto quente. Seu sorriso denunciava que Seth adorou minha reação.

Não havíamos voltado oficialmente, nem esclarecido nada cem por cento. Então ele me chamar por um apelido carinhoso certamente foi provocação.

— Anda, sua lerda. – minha irmã me empurrou, e eu quase caí da escada de susto, mas fui salva pelo corrimão.

— Renesmee! – exclamei, recuperando o equilíbrio.

Ela riu, e me passou. Fui bagunçar seu cabelo de pirraça, e ela prevendo meu movimento se esquivou e desceu correndo, rindo da minha cara.

— O tanto de espaço na escada, vem encher o saco e passar do meu lado. – reclamei sozinha, descendo o resto dos degraus.

Jacob se levantou e foi até ela, ao mesmo tempo em que eu me sentava no sofá ao lado do Seth.

— Estou aproveitando meu tempo com o nosso filho. – ele falou, e eu sorri.

— Mamãe, aonde você vai? – Harry perguntou com a sua voz infantil. Deixando a mim e a todos em choque. Era a primeira vez que ele falava uma frase completa.

— A gente vai sair um pouco, não vamos demorar. – respondi a primeira coisa que eu consegui formular na minha mente.

Ele sorriu o sorriso tão parecido com o do Seth.

— O sorriso dele é o seu, sabia? – perguntei, olhando para o mesmo. Meu marido olhava nosso filho com um sorriso bobo no rosto.

— Eu acho o contrário.

Tio Em foi levar a gente para a festa, pois essa era uma das condições do meu pai.

— Se divirtam. – ele falou antes de sairmos do carro.

Estava um barulho estrondoso, a vibração tomava o espírito de quem estava do lado de fora. Com certeza Lauren sabe dar festa. Toquei a campainha da casa, e instantes depois ela mesmo abriu a porta.

— Vocês vieram! – ela gritou e me abraçou, depois a Ness. – Entrem, entrem, fiquem à vontade!

Puxa, uma festa para comemorar sua entrada na faculdade...

— Will conheceu uma banda de garagem, e eles são muito bons. Se ofereceram para tocar, e eu super aceitei. – ela foi falando animada conforme adentrávamos na festa.

— E como eles estão? – perguntei tentando esconder o meu nervosismo. Eu só vim por causa do nosso pequeno grande problema, mas jamais faria Seth passar por uma situação assim.

— Eles estão ótimos, felizes em ver vocês. A última vez que se viram foi em Nova York.

Forcei um sorriso.

— Eu agradeço muito o convite. – Renesmee tomou a frente. – A gente precisava mesmo sair um pouco de casa.

— Que bom que veio a calhar. – Lauren comemorou.

A campainha soou.

— Vou atender. – ela falou. – Fiquem à vontade.

Quando ela passou por mim, parou um minuto para sussurrar em meu ouvido:

— Percebo você e seu namorado distantes. Não sei o que houve, mas se precisarem de um lugar para... conversar, meu quarto é o último ao subir as escadas.

Sinto meus olhos esbugalharem. Era tão nítido sobre Seth e eu?

A festa estava indo, e estava muito legal. Fui pegar uma bebida para Nessie e para mim.

— Não esperava que fosse realmente vir.

Pulei ao ouvir a voz, não esperando ouvi-la de súbito.

— William! – o cumprimentei com um sorriso sincero. – Há quanto tempo. Eu achei que a gente não se veria mais depois de Nova York.

— Eu também. – confessou tímido, e mordeu o lábio inferior. – Mas Lauren conseguiu entrar no MIT e se mudou com Joseph para ficar perto da faculdade.

— Nossa, isso é maravilhoso. E a Anne?

— Ela ficou arrasada de não poder vir, mas não pode faltar nas aulas. Estamos ficando por alguns dias aqui na casa da Lauren, então seria inviável vir com ela para voltar correndo.

— Ah, que saudades daquela pequena. – suspirei.

— Ela ia amar ver você.

Sorri com a verdade de suas palavras.

O silêncio esquisito se instalou. Eu não tinha muito o que dizer, e ele também não parecia muito falante.

— Venha ver Ness, faz tempo que ela não te vê. – comentei. – Ela adorou que você foi a única pessoa de fora que soube pronunciar o nome dela.

Ele riu disso.

– Você me falou bastante dela, acabei decorando.

— Shh, vamos deixar isso em off. – brinquei. – Ei, Ness, aqui sua bebida.

— Valeu, mana. Ei, William, como você está? Há quanto tempo!

— Olá, Nessie, como vai? – ele a cumprimentou caloroso, porém pousou o olhar entre Seth e Jake e hesitou um momento. – Olá.

Eles dois sendo eles dois só deram um aceno de cabeça. Olhei para a minha irmã sem acreditar. Ela revirou os olhos com a atitude dos dois.

— Depois vá ver Stefan e Joseph. – Will sugeriu se virando para mim. – Eles vão gostar de te rever.

— Mas é claro. – concordei.

Ele pediu licença e se retirou.

Depois de alguns minutos que ele foi, entrei em transe pensando no que Lauren disse.

— Carl? – Seth chamou minha atenção. O olhei confusa, e entendi que ele estava conversando comigo e Ness e Jake estavam de chamego mais para o canto.

Volto já. Falei apenas por precaução, para ela. Que me ignorou. Rolei os olhos e peguei a mão de Seth.

— Carl, vai ao banheiro?

Continuei calada e o puxando comigo.

Entramos no quarto indicado pela dona da casa, e logo em seguida eu tranquei a porta.

— Carl, acho que esse não é o banheiro. Ah, deve ser uma suíte.

Sorri de lado com sua pequena inocência. Andei em passos lentos e provocantes, demorando um milésimo de segundo para prender sua atenção em meus quadris, com olhares sedentos de desejo. Dessa vez sem rodeios colei nossos lábios, e gemi de satisfação.

— Ei, estamos no quarto de quem? – perguntou, interrompendo o beijo. Mas sua forte mão com seus dedos quentes e enlouquecedores ainda me seguravam contra ele, e nada podia passar por entre nós. Nem mesmo uma agulha.

— Shhhh, fica caladinho e me beija. – sussurrei antes de o beijar novamente. Desta vez ele não contestou. Apenas mudou as nossas posições, e andamos até a cama. Cada passo era uma corrida para tirar nossas peças de roupa, e chegamos na cama nus.

— Seth. – suspirei, me sentindo extremamente satisfeita.

— Oi. – ele disse ofegante em meu ouvido, e meu coração acelerou.

— Eu te amo. – declarei.

— Eu também te amo muito.

E selou nossos lábios.

PDV Renesmee.

Jake e eu estávamos trocando carinho, sem nos importar com a Carlie e o Seth.

Volto já. A voz de Carl entrou na minha cabeça.

A gente parou de se beijar, por falta de ar. Mesmo em um milhão de anos, eu sempre teria as mesmas sensações do meu contato de pele com a dele.

Pedi licença e fui usar o banheiro. Quando voltei, o beijei outra vez. Minha mão sem querer encostou em seu bolso dianteiro da calça, e senti algo dentro do mesmo. Minha curiosidade foi maior, e vasculhei seu bolso. Achei um pedaço de papel.

— Nessie. – ele falou, como se não quisesse que eu tivesse achado.

Desconfiada, o abri. Estava um número de telefone e escrito o seguinte:

Me liga a qualquer hora. Bridgit.

— “Me liga a qualquer hora”? – perguntei, incrédula. – Dá para me explicar o que é isso?!

— É uma conhecida que eu reencontrei por acaso quando você foi no banheiro.

Abri a boca para contestar sobre “conhecida”, mas ele foi mais rápido.

— Eu nunca disse que ela não teria segundas intenções comigo. – ele explicou. – Mas deixei bem claro que eu sou casado, e estou indisponível.

Isso não convenceu meu ciúme. Eu estava irritada demais com essa tal Bridgit o querer.

— Nessie, meu amor, eu te juro. Não quero nada com essa garota. – ele continuou, ressaltando o que eu já sabia. Eu tinha em mente de que ele nunca iria ficar com nenhuma garota além de mim.

— Então se eu rasgar esse número, não vai fazer falta nenhuma? – perguntei, ameaçando a fazê-lo.

— Não. – respondeu, sem hesitar.

E em um simples ato, rasguei o papel duas vezes, e o joguei em qualquer canto, não tirando os olhos de Jacob.

— Você sabe que só tenho olhos para você. – ele falou, com um sorrisinho, tentando se aproximar de mim.

— Fica longe de mim. – o afastei com um braço, fazendo manha.

Ele pegou meu braço e me puxou para ele, me abraçando e me enchendo de beijos no pescoço e no rosto.

— Para, não quero mais saber de você. – novamente, fiz manha, gostando de mais dos beijos.

— Não, é? – sussurrou em meu ouvido, me arrepiando. – O fato de você ficar nervosa quando estou perto de você – ele colidiu nossos corpos –, de você estremecer quando te beijo – pressionou seus lábios em meu pescoço, me fazendo estremecer – ou te toco – passou seus dedos pela minha mandíbula, mais uma vez me fazendo arrepiar –, não mostra o contrário, não?

— Convencido. – resmunguei contrariada, mas capturei seus lábios.

— Ei, Renesmee. – a voz da Lauren chegou perto da gente. – Você viu a Carlie? A banda já vai se apresentar.

Mordi o lábio e balancei a cabeça, imaginando onde eles estariam.

— Hmmm, não sei, não. – respondi sincera.

— Oi, pessoal. – Carlie falou atrás de mim, e veio para o meu lado. O sorriso no meu rosto não se conteve quando vi os dois de mãos dadas. – Chegamos.

— Vejo que seguiu meu conselho. – Lauren falou, com malícia evidente em sua voz.

Minha irmã sorriu, um pouco envergonhada.

— De nada. – Lauren disse ao agradecimento silencioso da minha irmã, sorrindo abertamente. – Vou lá abrir o show deles. – ela falou e se foi.

Nos juntamos à plateia que se formou, e senti meu rosto corar ao notar William à uma certa distância olhando para Seth e eu. Não achei que depois de tanto tempo ele ainda sentiria algo por mim. Imaginei que já estaria namorando.

Seth deve ter visto isso também, já que me abraçou por trás e apoiou o queixo na minha cabeça, um sinal claro de afeto. Mesmo amando Seth e não o trocaria por nada no mundo, me senti mal por Will. Não era como se eu quisesse esfregar minha felicidade na cara dele.

Pigarreei e me concentrei nos rapazes se postando em seus respectivos lugares para começar a canção.