Notas iniciais
Demorei mais do que o esperado para postar, mas enfim estou aqui. Apreciem sem moderação, anjos!

PDV Carlie.

Eles abriram o show com uma música romântica, e Seth perguntou no meu ouvido se eu queria dançar. Fui de bom grado, e para o meu alívio não éramos os únicos em casal. Descansei em seu peito, me deliciando por estar em seus braços.

Me perdoa por tudo que fiz, por tudo que eu disse a você. Eu só não queria que nada de ruim acontecesse a ninguém que amamos, muito menos a você e ao Harry. Eu juro, nunca o deixei encostar um dedo em mim. Nesse momento veio um lampejo de lembrança dos beijos forçados, e Seth puxou uma respiração funda, seus pensamentos em ódio direcionado a Adrian. Eu tinha nojo dele, só pelo fato de ele ter me afastado de quem eu amo. Eu queria que tudo isso acabasse o mais rápido possível para que eu pudesse me sentir novamente segura em seus braços.

Envergonhada, encerrei meu escudo. Preferiria que ele dissesse em voz alta, e não ler algo que fosse de chateação ou mágoa de mim.

Ele acariciou a lateral da minha cintura, quase nas minhas costas, e isso enviou arrepios por todo o meu corpo. Senti-o se inclinar contra o meu pescoço, e seus lábios contra a minha orelha.

— Eu também te amo. – ele sussurrou, e não foi nenhuma dificuldade ouvi-lo, considerando a música alta.

Apertei meus braços em seu pescoço.

Podemos recomeçar? Perguntei, ansiosa pela resposta.

— Não. – respondeu em voz alta, e senti meu coração se apertar com essa palavra. – Porque não há necessidade de recomeçar quando não há nada acabado.

Eu sorri e afundei meu rosto em seu pescoço. Eu tive uma saudade insuportável dele nesses últimos dias em que estivemos separados. E agora tudo seria recompensado.

A banda tocou umas quinze músicas, nas mais animadas Lauren trouxe seu namorado e seus cunhados para uma dança em grupo. Por mais que eu quisesse Will como amigo, eu sabia que seria algo impossível pelo nosso passado e pelo nosso presente. Estar com Seth também é um dos motivos. Ele não vai com a cara do meu ex. Então tudo isso se tornava um tanto constrangedor, mesmo com Lauren e Ness para tentar quebrar o gelo.

Ela nos chamou para o seu quarto para conversarmos por um momento, colocar os assuntos em dia.

Carlie. Nessie engoliu em seco, olhando para algum lugar no andar debaixo.

Parei ao seu lado na porta, a olhando, esperando uma resposta. Comecei a me preocupar com seu olhar aflito.

Adrian está aqui.

Nem me preocupei em olhar. Tive medo de ele me ver e vir direto ao meu encontro.

Para os outros no quarto, a gente estava apenas desconfortável. Nossa conversa foi inaudível para os outros.

— Eles adoraram cantar, deu para ver nos olhos deles. – Lauren comentava com o namorado, animada.

Engoli em seco, pegando meu celular ao mesmo tempo de Ness me imitar, pegando o seu. Teríamos que informar nossos pais. Esquecemos que Adrian poderia me procurar a noite, já que estava sem o seu anel para fazê-lo a luz do sol.

Depois de fazermos isso, acompanhamos o grupo para dentro do aposento.

Aja normalmente. Adrian está aqui. Já liguei para os meus pais. Eles e meus tios estarão aqui daqui a pouco.

Seth ficou rígido ao meu lado.

— Lauren. – Jake, Nessie, Seth e eu ficamos estáticos assim que captamos o vampiro parado na porta do quarto dela. Ele falou com tanta casualidade, que os dois pareciam ser amigos de infância.

— Oi, Adrian. – ela falou, o convidando para entrar.

As mãos de Seth travaram ao meu redor, como fosse me proteger de ele vir até mim e me arrancar dele.

— Olá, Carlie. – ele me cumprimentou, com um sorriso falso ao me olhar.

— Vocês se conhecem? – ela perguntou, surpresa.

— Sim. – ele respondeu antes de mim, enquanto eu forçava um sorriso em meu rosto. – Já faz um tempo. A gente já namorou.

Desviei o olhar, me forçando a segurar a vontade de revirar os olhos com a palavra “namorar”. Nunca tivemos nada, mas eu sabia exatamente ao que ele se referia.

Seu olhar queimava em mim, e ele parecia extremamente furioso – mesmo tentando esconder – ao me ver com o Seth.

William também me olhou surpreso e enciumado com a declaração de Adrian. Fiquei receosa de colocar um alvo em suas costas se Adrian percebesse outro “concorrente”.

— Bom, acho que já vamos, né? – Nessie falou, assim que captou o som de carros ao longe.

— Mas já? – Lauren perguntou, decepcionada. – Eu preparei alguns sacos de dormir, esperava que vocês fossem passar a noite.

— É, fiquem mais um pouco. – Adrian pediu com uma falsa gentileza. – Foi legal reencontrar vocês.

— Seria um prazer, mas temos os nossos filhos em casa. – Jacob falou, e se eu o conhecia bem, estava bem difícil para ele manter a voz educada.

— Vocês são mães? – Stefan indagou. – Uau, parabéns!

Sorrimos agradecidas.

Nos despedimos de todos com beijos no rosto e abraços. Por alguns segundos, me esqueci da ameaça ali. Quando abracei William, ele sussurrou um “Tchau” em meu ouvido, e tudo o que consegui fazer foi sorrir envergonhada.

Pedi que Ness segurasse alguns segundos, e ela começou a agradecer Lauren por nos receber. Peguei meu celular e enviei uma mensagem para ela.

“Oi, Lauren. Eu queria te avisar, cuidado com Adrian. Ele não é uma pessoa do bem. Não se aproxime ou deixe ninguém que você ama se aproximar.”.

Dei um sinal para minha irmã, e ela se despediu de vez.

Quando tentamos passar pelo Adrian, – bem, ele não poderia fazer nada conosco na presença de humanos – ele não deixou.

— Saia. – Seth grunhiu baixinho, mas ainda ameaçador.

Ele me olhou no fundo dos olhos e sorriu satisfeito, logo depois falou:

— Você não vai dar um passo para fora dessa casa, a não ser que eu queira.

Arregalei os olhos, e meu olhar voou para a minha mão. Eu tirei o anel para tomar banho e esqueci de o colocar de volta. Droga, droga, droga.

Engoli em seco, apavorada. Fiquei apreensiva com o que o pessoal estaria vendo, e o que pensaria. Afinal, eles são apenas humanos.

Descemos as escadas, e Jake abriu a porta ao mesmo tempo em que meus pais apareciam ali. Quando fui tentar sair, havia uma parede invisível e meu corpo não passava por ela. Porcaria. Eu me esforçava, mas era inútil. Frustrada, parei de tentar.

Meus pais e meus tios me olhavam, estranhando minha reação.

— Ele me hipnotizou para não sair daqui. – minha voz tremeu.

Meu pai colocou o braço em minha cintura, e tentou me puxar para fora, mas a parede invisível me bloqueava para a saída.

— Droga. – resmunguei, sentindo as lágrimas de medo descerem pelo meu rosto.

Eles entraram na festa casualmente, parecendo convidados.

Minha família se virou para trás em alerta. Olhei na mesma direção, e vi o idiota vindo em nossa direção.

— Estão gostando da festa? – Adrian perguntou irônico.

Os vampiros avançaram para ele, afim de acabar com ele, porém o mesmo levantou as mãos, num sinal de desespero. Afinal, ele era um, e nós éramos sete.

— Se me matarem, ela nunca sairá daqui. – ele se apressou a dizer, fazendo os três pararem, mas estavam desconfiados. – Ela está hipnotizada, e apenas eu posso fazê-la sair.

— Então faça. – meu pai rosnou tão ameaçadoramente, que até eu fiquei com medo.

Ele sorriu, sem demonstrar medo, e eu sabia que ele queria fazer algo. É fácil demais ler a expressão de uma pessoa má.

Eu não vi nada, nada além de ser capturada por um vulto e ser arrastada.

Eu estava tonta, e minha cabeça doía.

— Solte-a. – minha mão rosnou, e percebi que ainda estávamos dentro da casa, na cozinha. Toda a minha família preparada para atacar. Minhas costas estavam coladas em sua frontal, então eu não sabia o que ele tramava. Ele apenas soltou um riso irônico e seus dedos passearam pela minha clavícula, e foram até meu pescoço, deixando-o exposto.

— Pare, por favor. – ouvi Nessie implorar. Droga. Minha cabeça estava doendo ainda, e eu não conseguia assimilar muita coisa.

E então senti uma dor aguda no pescoço. Uma mordida. No mesmo segundo eu caí de repente sem apoio, ouvindo um grito de agonia que não era da minha família.

— Carl, meu amor. Carl, fala comigo. – a voz de Seth me implorava. Ele me segurava ainda no chão, e eu estava flácida em seus braços. Tudo era apenas um borrão, e sua voz era a única coisa clara em minha mente.

— Seth. – consegui murmurar, ainda tonta. – Minha cabeça dói.

— Ele te bateu na cabeça para você desmaiar. – ele falou, enfurecido. – Não durma, por favor.

— Eu... preciso... descansar. – falei num múrmuro fraco, e a escuridão estava vindo em minha direção. Era inevitável não querer ceder a ela. Estava convidativa demais.

— Por favor, meu anjo. Não durma. Por favor. – ele chorava agora.

Eu tentava fazer o que ele pedia, mas parecia impossível. Acho que a pancada tinha sido forte demais até para uma híbrida como eu.

— Temos que dar um jeito de tirá-la daqui. – ouvi a voz grossa do tio Emmett. – Já demos um jeito no vampirinho convencido.

O que?! Eles mataram o Adrian? E agora? Como eu vou sair dessa casa?

— Temos que pensar, ou então eu vou demolir essa casa se for preciso.

— Calma, mamãe. Olhe, – Nessie falou, como se tivesse acabado de descobrir a América. – Ele a hipnotizou para não dar um passo para fora da casa. Então podemos tentar carrega-la pela janela da cozinha.

Ness, sua gênia. Ele tinha falado que não vou dar um passo para fora daqui. Então eu não preciso sair andando. Uma onda de alívio bateu em meu corpo.

Eu não me lembro de muita coisa, apenas de ter sido passada por algum lugar suspenso, provavelmente uma janela, e ter sido passada de um braço para o outro.

— Carl, querida. – a voz suave e calmante do meu pai falava comigo. Eu estava deitada em algum lugar. – Abra os olhos.

Tentei com muito custo fazer o que ele me pedia. Apesar de parecer impossível, eu consegui. A primeira coisa que vi foi seu sorriso aliviado.

— Minha cabeça dói. – resmunguei, piscando. E esqueci de como abrir os olhos novamente.

— Carl, abra os olhos. – agora era a voz de Seth.

Com outro tremendo esforço, eu fiz. Agradeci que a minha cabeça estava deitada no colo de meu pai, pois ela parecia muito sobrecarregada, como se ela fosse de bateria e estivesse descarregando.

E então percebi que estávamos no Jipe do meu tio, mas quem dirigia era minha mãe. Nessie estava no banco do passageiro. Minhas pernas descansavam no colo do Seth, e ele me olhava preocupado.

— Filha, eu sei que está com sono por conta da pancada. Mas não pode dormir agora. – meu pai insistiu.

— Eu já ouvi isso antes. – falei, minha voz falhou.

Essa vez foi quando Jacob me levava para longe, e conversava comigo para me manter acordada, depois da tortura da Tifanny.

Lembrar o nome dela fez meu corpo estremecer.

— Está com dor? – papai perguntou, angustiado.

Engoli em seco e neguei com a cabeça. Parecia uma eternidade para chegar em casa. Se eles realmente queriam que eu não dormisse, me levar de carro e deitada não foi uma boa ideia.

— Estou com sono. – choraminguei, e Seth apertou minha mão. Imediatamente me senti confortada e protegida.

— Aguente mais um pouco, meu amor. Por mim. – ele pediu. Eu poderia fazer isso por ele. Claro que podia.

Assenti, tentando manter a consciência aberta e acordada. Respirei fundo e tentei me sentar, mas minha cabeça rodou.

— Wow. – meu pai falou, me segurando. E logo me endireitou no banco.

— O que aquele idiota estava pensando quando bateu na cabeça dela? – mamãe perguntou furiosa, sua voz aumentando três oitavas. – Ela podia ter sofrido um traumatismo craneano.

Ri levemente, mas não falei nada. Respirei fundo de novo e soltei a mão dele, para me deitar em seu ombro quente e macio. Imediatamente passou seus braços ao meu redor, e me beijou no cabelo. A esse ponto eu já estava melhor.

— Eu ainda acho que não foi uma boa ideia ter decapitado ele na cozinha da casa onde estava havendo uma festa. – Nessie ponderou após uns segundos de silêncio.

— Cuidamos para que ninguém visse. – papai falou, acariciando meu cabelo. Deus, como eu adoro ser paparicada. Ainda mais quando é meu marido e meu pai ao mesmo tempo.

— Espero que ninguém estranhe a fumaça na floresta. – mamãe raciocinou, e eu sorri, ainda aproveitando as carícias dos dois.

— Eu disse que não era preciso, mamãe. – eu pude sentir Ness revirando os olhos. – Rupert disse que uma estaca de madeira no peito já era o suficiente.

— Não quero que surja nenhuma rechamada, então vamos deixar assim.

— Pelo menos Nessie, Seth ou Jake não foram feridos. – minha voz rouca pela falta de uso.

— Carlie e sua preocupação com os outros. – minha irmã falou, meio agradecida, e meio repreensiva.

— As pessoas que eu amo em primeiro lugar. – ressaltei.

— Você é igual a sua mãe. – papai falou também com o tom dividido entre orgulho e desaprovação, sua voz aveluda entrou em meus ouvidos como se fosse uma música lenta e melodiosa. Seus dedos ainda faziam o seu carinho em meus cabelos presos. – Sofrendo no lugar de quem ama.

Eu ri. Definitivamente, isso era bem a mamãe. O silêncio continuava e era bom. Pelo menos, para mim não incomodava.

Passavam casas e árvores rápido por nós, eu acho que mamãe estava muito furiosa, pois nunca a vi dirigir tão apressada assim. Dei uma olhada para trás, e vi um carro nos seguindo. Ness deve ter dito que viria com a gente no Jipe, então Jake deve ter tido que voltar sozinho no seu Vanquish.

— Achamos que precisaríamos de outro carro. – papai respondeu meu olhar questionante.

Escutei meu celular vibrando no meu bolso, e o peguei rapidamente. Número desconhecido.

— Al...

— Sua vadia idiota. – reconheci de imediato a voz de Tifanny, e isso me deixou alerta. – Você matou Adrian! Mas na verdade você me fez um favor, já que ele mentiu sobre você estar viva. Droga, ele era muito útil antes de você aparecer.

— Azar o seu. – retruquei, ainda me recuperando do susto de estar falando com ela. – Agora você já sabe o que pode acontecer com você, caso se meta na minha vida e da minha família outra vez.

Caramba! Como essa garota sabia dessas coisas tão rapidamente? Elas aconteciam, e do nada, ela me ligava, me deixando saber que já sabia o que aconteceu.

— Argh! – ela gritou. Revirei os olhos. Que coisa mais de patricinha. O que ela era antes e depois de virar vampira.

Um fato é: ela iria voltar.

E então meu pai pegou o celular de minha mão e o desligou.

— Carlie, a partir de hoje, eu quero que, qualquer problema que você tiver, você venha falar com algum de nós. – ele falou, sua voz com uma tremenda raiva da Tifanny pelos nomes que ela me chamou. – Não importa se seja o vovô Swan. Eu espero que você não tente esconder mais nada de nós.

— Mas...

Ele me silenciou com um dedo em meus lábios.

— Não me importo se alguém esteja ameaçando nossa família. – ele continuou. – Somos em número grande para nos defender.

Respirei fundo enquanto ele tirava o dedo de mim, e soltei o ar pela boca. Afirmei com a cabeça.

— Carl, meu amor! – Derek me tinha nos braços assim que eu dei meu primeiro passo na porta da frente. – Você está bem? Ele te machucou?

— Não, estou bem, Derek. – o abracei.

— Eu estava com Mendy e Embry esperando vocês chegarem. Veja bem: dois vampiros de raças diferentes, e um transfigurador que é chamado de lobisomem na mesma casa.

Ele me olhou tipo “que loucura é essa!”.

Eu soltei uma gargalhada curta e baixa.

— O que foi? – perguntou, como se eu o tivesse ofendido. – Não falei nada de engraçado!

— É isso que eu gosto em você, Der. Você é engraçado sem ao menos perceber. – esclareci.

— Legal! – ele exclamou, orgulhoso de si mesmo, e eu gargalhei mais alto.

De repente ele recuou alguns passos, seus olhos negros. E percebi que meu pescoço ainda estava manchado de sangue seco.

Meu pai e Seth estavam perto de mim, subitamente. Seth me mantinha atrás dele, de forma protetora. Papai não fez nada, então Derek devia estar sob controle.

— Tá, agora saiam da minha frente que eu quero entrar na minha casa. – Nessie empurrou nós três de seu caminho, numa tentativa sucessiva de quebrar o gelo.

— Ciumenta. – Derek cantarolou, tentando se distrair, e a puxou para um abraço antes de ela estar fora de seu alcance.

— Sou nada. – ela resmungou, mas o abraçou de volta.

Instantes depois, percebi que meus tios não entraram em casa, e papai nos falou que eles foram checar a área.

Meu pai me levou para o meu quarto e limpou o sangue em meu pescoço.

Logo meus tios voltaram e disseram que não havia rastros claros dela por ali, mas devíamos ficar atentos.

— Temos que dar um fim nessa vampira. – meu pai anunciou.

Estávamos sentados nos sofás – vampiros não precisam disso, mas hábitos humanos ficam neles. Meus pais estavam ao meu lado, e Harry no meu colo. Seth estava sentado no chão, no meio das minhas pernas, virado para a televisão. Nosso filho brincava com os seus curtos fios de cabelo, que tia Alice cortou novamente, ela não aguentou ver crescido. Ela era a cabelereira oficial dos lobos-Cullen.

Nessie e Jake estavam no outro lado do sofá em L. Ele estava sentado, e ela meio que deitada em suas pernas. Sua cabeça descansava no braço do sofá, e suas pernas estavam formando um túnel em cima das coxas dele. Ela estava entre as pernas de Sarah, cujo brincava com ela, alheias ao que passava na televisão. Estava passando Friends, e só Jacob ou a Sarah para distrai-la a ponto de não a deixar assistir.

— Ela está perturbando demais para o meu gosto. – ele continuou.

— Para o gosto de todos. – suspirei. Não contive a risada quando Mônica e Rachel se afastaram de Phoebe, pois estavam com medo dela por estar grávida.

— Precisamos de um plano. – Nessie concordou, um pouco distante de sua brincadeira com sua filha.

— Carlie podia ser a isca. – Jacob sugeriu, como se a gente estivesse falando do clima.

— Idiota. – Seth grunhiu, e aposto que a única coisa que o impedia de tacar algo nele, era a Sarah. – Carlie não é uma isca.

Eu sabia que isso o apavorava, eu estar exposta ao perigo, mesmo com toda a minha família para me proteger.

— Você entendeu. – ele falou, sem dar importância ao seu tom de voz.

— Ele tem razão, Seth.

Ele levantou de repente, me olhando com seus olhos marejando.

— Não, ele não tem razão. – ele rosnou, furioso com a ideia. – Não posso suportar de te ter mais uma vez sob perigo desse jeito, Carl. Você não entende?

Entreguei meu filho para a minha mãe que estava ao meu lado, e me levantei, ficando quase da mesma altura dele.

— Seth, como ele disse, é apenas uma isca. Minha família toda estaria lá para que não aconteça nada de ruim comigo. Você também. Eu confio em vocês.

— Mas... – ele tentou argumentar, mas o silenciei com a mão em sua boca.

— Vai ser melhor para todos. – encerrei o assunto.

Ele respirou fundo, não querendo discutir comigo, e se sentou no meu lugar, logo me puxando para o seu colo. Meu filho já estava entretido com meus pais, de qualquer jeito.

Mas eu sabia que estava longe de acabar aquela discussão com o Seth...

* * *

A gente tinha ido dormir, e estávamos no meu quarto.

Ele me deu um último beijo antes de dizer:

— Eu vou tomar um banho.

— Isso! – me olhou surpreso pela minha pequena explosão. – Me troca pelo chuveiro.

Virei de costas para ele, fingindo ciúmes.

Quando ele começou a gargalhar, tudo o que eu conseguia fazer para prender a risada foi me conter, fazendo um grande esforço, pois sua risada era tão gostosa, que contagiava.

— Não acredito! – exclamou, divertido. Senti um movimento na cama, e senti ele engatinhando atrás de mim. – Sério que está sentindo ciúmes do chuveiro?

Estremeci com o seu hálito quente contra a pele sensível de meu pescoço.

— Você sempre me troca pelo chuveiro. – falei, fechando os olhos, totalmente entregue as suas carícias deliciosas. Seus dedos faziam um movimento para lá e para cá em meu pescoço e clavícula, trazendo um prazer ótimo. – E daí que a água quente que cai sobre nosso corpo nos traz um prazer incrível a ponto de desejar nunca mais sair do banheiro?

Ele soltou um riso que me fez cócegas.

— Nenhum prazer se compara com o que você me proporciona. – sussurrou em meu ouvido. Sua mão fazia o caminho pelo meu ombro, escorregando pelo meu braço e escapulindo por baixo dele, e o alvo foi a minha barriga.

— Bom saber. – falei, feliz e satisfeita com a sua declaração.

— Por que não me acompanha? – perguntou, mordendo e chupando o lóbulo da minha orelha, causando grandes arrepios.

— Não vou te dividir com o chuveiro. – nem vi, mas essas palavras escaparam da minha boca antes de eu pensar nelas. Quase ri de mim mesma.

— Não, é? – ele me perguntou, sua voz entregava que ele se divertia com a situação.

— Não. – dei um basta na discussão do chuveiro. – Eu não te divido com ninguém, além da sua mãe e do Harry.

— Meus amigos vão ficar decepcionados com isso.

— Eu não ligo. – falei, me virando, assim ficando de frente para o mesmo, e beijei a sua boca. Fervorosamente. Longamente. Deliciosamente. Como se aquele fosse nosso último beijo. E seria. Por algumas semanas, ou meses.

Ele interrompeu o beijo longos minutos posteriores. Brevemente ficaríamos sem ver um ao outro por um tempo, então eu precisaria de mais; nós precisaríamos de mais. Então trouxe mais uma vez sua boca para a minha. Não sei quanto tempo deve ter passado. Já amanheceu?

— O ciúme pelo chuveiro é tão grande assim? – Seth perguntou quando lhe dei a definitiva permissão não permanente de parar de me beijar.

— Você não imagina o quanto. – brinquei, sussurrando, de olhos fechados. Nossas testas estavam encostadas uma na outra. É. Seria mais difícil do que eu pensei.

— Então venha comigo. – pediu de novo.

— Não se esqueçam de que eu posso escutá-los. – meu pai gritou do andar de baixo. – Nada de gracinhas. Ainda estão embaixo do meu teto.

Esqueci que minha porta estava aberta.

— Não to afim. – recusei, ignorando meu pai, lutando contra a vontade de dizer “Claro”.

Eu precisava me preparar psicologicamente para a breve conversa que teríamos.

— Tudo bem. – ele se rendeu aos seus argumentos. – Eu vou sozinho. – ele falava, enquanto levantava da cama. Sua cara de sapeca denunciou que ia me provocar de alguma forma. – Deixar a água refrescante cair no meu corpo. Hmmm. Sensação maravilhosa.

Ele entrou rapidamente no banheiro, a almofada que eu joguei em sua direção acertou na porta no minuto que ele entrou e a fechou, deixando o travesseiro cair no chão. Isso estranhamente me fez lembrar de nós dois. Logo ambos estaríamos caindo. A almofada até teve sorte de ter uma queda fofa e no chão. A nossa queda não seria nada fofa. E o baque seria doloroso. Pois é. Quem diria que algum dia eu sentiria inveja de uma simples almofada.

Eu não queria ter que ir nesse caminho com ele, mas não havia outra saída. Os humanos legais que conhecemos, ou qualquer um pensaria: “Vá em frente. Fique com ele. Vocês vão superar isso juntos”. Os apenas conhecidos falariam “Siga seu coração”. Como se isso fosse algum tipo de filme com um drama de romance, que obviamente todos acabam felizes no final. Como se fosse vida de novela. Mas essa era a diferença entre minha vida e um filme: não tem um roteiro a ser seguido. Quem apenas vê, quem não sente, acha que questões do coração são simples de serem resolvidas. Ahh, se fossem...

Uma pergunta nunca saiu da minha cabeça desde a minha primeira queda pelo Seth, quando achava que ele jamais seria mais do que meu melhor amigo: Por que o amor é tão complicado? Ela se foi por um tempo depois que nos beijamos, e reapareceu com a bronca e o castigo. Se foi novamente quando recebemos autorização para namorar, e retornou com tudo para cima de mim quando decidi me separar dele. E ela vive se repetindo. Sempre quando acontece uma briga, ou vendo um filme romântico – fica mais para dramático! – ou mesmo uma ou outra discussão de vizinho que já ouvimos. E depois penso comigo mesma: O amor não teria valor sem briga, pois não saberíamos o quão especial é.

Bom, se não passasse apenas de uma briguinha. As vezes chega até a separação, ou ao homicídio. Isso é realmente, verdadeiramente triste e assustador. Seria tão mais fácil se cada um de nós tivesse seu destino esperado ao lado de alguém que ame e seja amado, e todos teriam seu “Felizes para sempre”. Talvez porque seria fácil demais não precisar lutar pelo o que você quer. Mas e se eu não fosse o do Seth? E se Nessie não fosse o do Jake? Minha mãe do papai? Tio Em da tia Rose? Tio Jazz e tia Alice? Meus avós?... Como seria?

Eu sei que foi muitíssimo errado pedir desculpas e voltar para o Seth, enquanto eu planejava desde o início dar um tempo entre nós para as coisas se ajeitarem. Eu fui tão egoísta!

— Pensando em que?

Sua voz me tirou dos meus pensamentos. Ele estava com a calça de pijama, e sem camisa, como costumava dormir. Seu cabelo bagunçado e úmido o deixava sexy em níveis mais altos do que o normal.

— Seth, a gente precisa conversar. – soltei de uma vez, antes que a minha coragem se esvaísse.

Ele não deve ter gostado do meu tom, que acima de tudo, estava um tanto vacilante, pois assim que terminou de secar seus cabelos escuros, fingiu procurar algum lugar para colocar a toalha.

— Senta, é apenas uma conversa. – falei, percebendo seu comportamento.

Ele sorri educadamente para mim, eu o encaro educadamente. Meu coração e mente estavam entre as linhas do medo e da culpa. Então eu começo a me perguntar porque eu estava fazendo aquilo. A resposta veio automaticamente: para não sofrermos. Eu odeio esse clima que fica entre nós dois quando vamos ter uma conversa séria.

Dei dois leves tapas ao lado da cama que eu estava sentada. A medida que ele soltou um suspiro pesado, encarando o lugar em que eu bati, me dei uma última escolha, ou chance, melhor dizendo, de desistir de tudo isso. Exatamente dois segundos depois, ele balançou a cabeça e se sentou no lugar que eu sugerira. Não me restava mais nada a não ser seguir em frente com a conversa.

— Seth, primeiro: eu preciso que você mantenha o controle. Preciso que seja compreensivo comigo.

— O que houve, por que tão séria de repente? – ele perguntou, sua voz falhando.

Seus dedos ergueram meu rosto que eu nem percebi que havia abaixado.

— Sobre o que quer conversar?

Levei alguns segundos, tentando descobrir um jeito fácil de ter essa conversa, até que realizei: não havia um jeito fácil de falar isso.

— Seth, desde que começamos a namorar, sempre nos deparamos com problemas. Meu pai nos separou, depois Tifanny, os Volturi com Tifanny também, e depois o capanga dela. Não conseguimos viver nossa vida como casal.

Ele franziu o cenho, confuso o rumo que minhas palavras estavam seguindo.

— Há alguns dias eu estive pensando que talvez seria melhor se déssemos um tempo. – ele arregalou os olhos, e continuei rápido antes que ele dissesse algo. – Pode ser bom para ambos se ficássemos longe um do outro por algumas semanas...

— Que conclusão doida e sem sentido é essa? – questionou descontente. – Isso iria me destruir, iria te destruir. Iria nos destruir.

As lágrimas que eu não vi se acumularem, caíram sem eu perceber.

— Mas, Seth! Temos que tentar. Há tantas coisas que aconteceram, que nos impediram de ficar juntos que...

— Você me deixou acreditando que iriamos voltar, enquanto você pretendia me largar novamente?

Isso foi como um balde de água fria. Muito fria. E sem aviso prévio.

— Eu sei que devia ter dito antes, mas não tive coragem! Eu fui egoísta, eu sei. Eu queria experimentar seus lábios mais uma vez, te ter uma última vez, pois as coisas que aconteciam pareciam tão ruins para nós dois, que me deixou insegura se seria bom ficarmos juntos novamente.

— E nós superamos juntos, não foi? – ele me interrompeu, segurando minhas mãos. – Carl, não faça isso, estou te implorando!

— Seth... – falei, indecisa.

— Por favor, meu amor. Não faça isso!

Eu estava muito indecisa. Se ficássemos, eu tinha certeza de que algo tentaria nos separar novamente. Mas se tentarmos ficar separados por um tempo, possamos tomar um tempo e talvez nada mais nos separaria.

— Por favor. – ele implorou, mais uma vez.

Eu já havia tomado uma decisão.