— Depois que chegamos em casa, eu não consegui dormir. – comecei. – Eu resolvi sair...

— De camisola? – ela me interrompeu, erguendo sua sobrancelha.

— Não dá para chamar aquilo de camisola. – me defendi. – Você sabe que é uma, mas é um vestido normal. – ela deu de ombros em concordância. – Eu resolvi sair para espairecer e quando eu vi, já tinha chegado lá naquela floresta. Eu não sabia que Adrian estava ali, e fiquei apavorada quando ele tentou me persuadir a ficar com ele. Fui ameaçada, e também beijada a força. – ela trincou os dentes com essa parte. – Ele disse saber a hora que ficamos sozinhas, no trabalho, em casa, e disse que se eu não ficasse com ele, ligaria para Tifanny e contaria que estou viva.

Apesar de conseguir manter a voz estável, meus olhos não seguraram as lágrimas. Finalmente eu estava contando para alguém. Estava entalado na minha garganta há mais de uma semana.

— Como assim ele contaria?... – ela falou, confusa.

— Segundo o que ele disse, Tifanny pensa que Seth arrumou uma namorada para tapar o buraco que eu deixei, então ele chama a menina de Carlie.

Ness ficou pensativa com essa minha declaração. Eu aproveitei para me deliciar com esse momento. Senti falta de cada segundo longe dela, tanto lá em Connecticut quanto aqui em Boston.

— E as bruxas. – relembrei.

— Bruxas... – murmurou, seus pensamentos longe. – Ontem quando nos falamos, quando você estava com o outro vampiro, tínhamos acabado de sair de um bar. A atendente era uma bruxa. Bom, daqui a pouco Jake e eu temos que voltar lá para dar o endereço de onde vocês estão.

— Para que?

— Ela é apaixonada por ele, e quer persegui-lo. Por isso é imprescindível que você fique aqui por uns dias. Os poderes dela são assustadores.

Ela estremeceu com alguma lembrança.

Ficamos um tempo em silêncio. Não havia mais declarações. As histórias estavam todas contadas. E eu esperava ter a sua confiança novamente.

— Carl, eu te entendo. – ela falou finalmente, quebrando o silêncio. – Não estou chateada contigo. Apenas comigo mesma, que fiquei chateada com você sem saber de nada.

— Você não tinha como saber. – eu disse, dispensando suas desculpas.

— Isso quer dizer “Claro que você está perdoada”?

— Pode-se dizer que sim.

A abracei.

— Tia Alice comprou nossas roupas para a festa. – ela falou, depois de um breve instante. – São maravilhosas. Nem acredito que estamos autorizadas a usar roupas curtas e sem alças. – riu. – Mas apenas Embry e Mendy, Jake, eu e você vamos.

Hesitei para lhe fazer uma pergunta, mas eu estava com medo da resposta por um motivo.

— Seth... vai?

Vai saber se ele não havia arranjado uma companhia. Vai que ele estava com outra garota tentando me esquecer.

Isso foi como enfiar uma faca no meu peito.

— Ainda está decidindo. – esclareceu. – Alice comprou uma roupa social para cada um dos meninos. Acontece que nenhum deles gosta muito de gravata. Apenas Seth se salvou. Ela falou algo como “Eu o visualizei nessa roupa e achei perfeito!”. É claro que os outros ficaram com muita raiva dele.

Eu ri. Ela tinha razão. Seth detestava gravata por demais. Não sei o motivo, porque ele sempre ficou um deus grego de terno e gravata. No nosso casamento eu não achei que ele poderia ficar mais bonito, e lá estava ele, um top model me esperando no altar. E bem, apenas Seth ir sem gravata na festa com certeza deixava os outros dois indignados.

— Você sabe que temos que contar para nossos pais sobre isso, não sabe?

Respirei fundo. Talvez isso fosse me salvar. Meus pais iriam me proteger.

— Tá bom. – respondi num sussurro.

Ela deu uma olhada em seu relógio de pulso e arregalou os olhos. Depois checou seu celular e vi de relance seu bate-papo com Jake.

— Merda! Faltam vinte minutos para me encontrar com a bruxa. – depois me olhou. – Carl, por favor, por favor, por favor, fique em casa com mamãe, papai e nossa família. Não se atreva a sair, nem para tomar um ar, entendeu?

Eu não entendi dessa preocupação, mas fiz que sim com a cabeça. Eu queria mesmo ficar com a nossa família, de qualquer jeito.

— Vem logo, sua lerda. – ela reclamou e puxou o meu braço me forçando a levantar até estarmos na porta da frente. Depois fomos para a casa dos nossos pais.

— Oi, meu filho mais lindo do mundo. – falei em voz de neném, pegando-o do colo do Seth.

Me sentei ao lado dele e ficamos paparicando nosso filho.

— Bom, gente. Estamos saindo. – Nessie falou, pegando a mão do Jacob. – Até daqui a pouco.

— “Estamos saindo”? – mamãe questionou com a mão na cintura. – Já é casada, mas não diz mais aonde vai?

— Vamos no centro, vi uma loja de donuts e vou comprar alguns para experimentar com Carl e Mendy.

Ok, palmas para ela. Pensou numa resposta bem rápido. E palmas para Jake, que papai não pareceu desconfiar de nada.

Se cuida, por favor. Lhe pedi antes de ela passar pela porta.

Eu prometo. Ela respondeu.

PDV Renesmee.

— Jake, estou com medo. – segredei enquanto faltava cinco minutos para chegar.

— Eu vou estar lá. Não se preocupe. – ele pegou minha mão, me olhando. – Se preferir, eu vou sozinho.

— Ficou maluco? – perguntei, incrédula. – Vai saber o que ela poderá fazer com você!

— Antes eu do que você.

— Nada disso. – discordei. – Eu vou junto.

Quando eu parei de falar, a gente tinha chegado. Ele estacionou.

— Vai dar tudo certo. – ele prometeu, querendo me passar segurança. E conseguiu. Com Jake ao meu lado, eu poderia enfrentar qualquer coisa.

Respirei fundo e assenti. Saímos.

O bar que antes parecia normal, agora parecia um castelo dos terrores por habitar uma bruxa dentro dele.

Na porta, a placa pendurada estava com o Closed virado para fora. Ela não queria plateia.

— Estão atrasados. – ela reclamou assim que passamos pela porta de entrada.

— Dois minutos. – falei sem acreditar.

— Dois minutos perdidos da minha vida.

E lá vem a dor que me fazia preferir a morte. O grito rasgou meus pulmões.

— Pare com isso. – ouvi a voz engasgada do Jake, e percebi que ela também estava infligindo dor a ele. Ah, mas essa bruxa não perde por esperar. Comigo tudo bem, mas descontar no Jacob não!

— Eu devia deixar isso por dois minutos. – ela ponderou. Eu mal a enxergava. A dor fazia minha visão ficar turva. – Isso recompensaria o tempo perdido. Mas como eu sou boazinha... – sua voz sumiu no ar, e a dor sumiu.

Minha mente clareou, e eu me vi no chão. Jake estava ao meu lado, também caído, e assim que recobrou seus sentidos, se levantou e me ajudou.

Ela esticou a mão, esperando eu dar o endereço. Eu me contive nos xingamentos que eu queria fazer. Mas eu estava desprotegida, e Jake também. Suspirei e o tirei do bolso.

— Eu consegui contato com alguém da família que sabe. – falei, lhe oferecendo. Ela o arrancou da minha mão.

— Cadê o número do celular dele? – ela levantou as mãos, como se eu tivesse deixado isso passar.

— Você pediu pelo endereço, aí está o endereço. O número ninguém sabe.

— Se esse endereço for falso... – ela nem se incomodou em terminar a ameaça.

Revirei os olhos.

— Para que te daríamos o endereço falso? – Jake perguntou. Me aproximei ainda mais dele, e ele passou o braço em minha cintura.

— Não sei. – ela falou, irônica. – Para proteger a sua parente Cullen.

Droga! Ela não podia saber que Carlie está aqui, em Boston.

A bruxa me encarou, esperando alguma brecha.

— Pode fazer o que bem entender. Ela não é mais da minha conta.

Ela nem se importou de disfarçar o sorriso satisfeito em seu rosto. Isso me deu raiva.

— Isso era tudo. Adeus.

Não esperei mais nenhuma palavra dela, saímos daquele lugar em passos apressados.

— Bruxa maluca. – murmurei enquanto ele arrancava o carro dali. Ele suspirou.

— Ness, meu amor, sei que está com medo pela sua irmã, mas não iremos mais enfrentar algo parecido com essa mulher louca sozinhos, ok?

— Ok. – concordei rapidamente. – Concordo plenamente. Ai, Jake, vamos a uma boate hoje? A gente está precisando se distrair.

Ele me olhou com uma descrença fingida.

— Renesmee Black. – eu quase me derreti quando ele usou meu novo sobrenome. – Você é mãe e casada, e está sugerindo ao seu marido a irmos a uma boate noturna?

— Sim, estou sugerindo ao meu marido. Estranho se fosse a outra pessoa, né? – provoquei. – Ah, Jake. A gente está precisando se distrair. – implorei, sabendo que não precisaria de muito para convencê-lo. – Principalmente a Carl.

— Claro! Porque ela está sofrendo mais do que qualquer um de nós. – seu tom ácido de ironia.

— Jake. – o repreendi. – Ela ainda é minha irmã e sua cunhada!

— E ela magoou Seth. Carlie não merece ressentimento de ninguém. Muito menos o seu.

Isso me deixou enfurecida. E daí que ele apenas estava assim por causa do Seth? Isso anulou o fato de ser sua cunhada?

— Jacob Black, você não sabe nem metade da verdadeira história para julgá-la desse jeito!

— Então, por favor, me diga a verdadeira história. – ele pediu, fazendo sarcasmo na palavra “verdadeira”.

Então lhe mostrei da nossa conversa na casa do vovô, e o que ela me mostrou de quando esteve na floresta, onde encontrou Adrian.

— Oh. – foi tudo que saiu de sua boca.

— Viu?

— Ela está protegendo a gente. – ele falou, e pelo seu tom de voz, parecia culpado por tê-la culpado todo esse curto tempo.

A conversa evaporou da minha cabeça quando avistei uma lanchonete.

— Jake, precisamos comprar os donuts. – lembrei da desculpa que usei para sair de casa.

Ele estacionou no estacionamento e fizemos nosso pedido. Quando saímos, coloquei a sacola com as guloseimas no banco do passageiro e fechei a porta, me encostando na mesma.

— Algum problema? – ele perguntou, levantando sua linda sobrancelha, me fitando, e ficou de frente para mim. Eu tive que me segurar para não o agarrar.

— Tem. Não to afim de ir embora. – falei com lamúria fazendo biquinho, e ele riu.

Se esticou e depositou um selinho em meus lábios. Mas aquilo não parecia ser o suficiente. Eu queria muito mais do que isso. Eu pousei a mão em sua nuca e o trouxe para mais perto. Imediatamente ele viu o que eu queria e me beijou com urgência. Seus lábios tão doces quanto algodão doce em minha boca. Me fez ficar em êxtase. Colocou as mãos em cada lado do meu corpo, no carro. Meu corpo vibrou de desejo quando ele pressionou mais seu corpo no meu, pousando as mãos em meu quadril. Nossas línguas se encontraram em uma dança sensual, e isso estava me deixando louca de desejo. Eu sabia que tinha que parar, mas não conseguia. Minha mão afastou sua blusa branca do corpo e passei a mesma pela sua barriga, até chegar em seu peitoral quente, e depois fiz o caminho de volta, a deixando em seu abdome, e isso o arrepiou. Meu coração deu um pulo de alegria quando ele abandonou minha boca para me beijar no pescoço.

Deixei escapar um gemido baixinho enquanto ele me beijava abaixo da orelha, e acho que isso o alertou, pois ele se afastou um pouco.

— Acho melhor te levar para casa. – ele falou, me deixando decepcionada. Mas eu tinha em mente do que aconteceria se ficássemos.

Olhei seus olhos castanhos. Era quase impossível não pensar em outra coisa que não fosse nossa proximidade.

Assenti, e ele se afastou. Agarrei sua jaqueta, e colidi nossos corpos uma vez que ele começou a contornar o carro.

Eu queria nesse momento estar na nossa casa, na nossa cama, sem interrupções. Pensei para ele, sentindo um rosnado vibrar em seu peito, e logo meus lábios estavam trabalhando novamente.

— Se ficar me provocando desse jeito, eu vou perder o controle. – ele falou em meu ouvido com a sua voz rouca, fazendo meu corpo amolecer um pouco.

— Agora eu quem estou provocando? – ri sem fôlego. – Sussurrar no ouvido é muito mais torturante.

Ele me deu mais um beijo antes de ir para o carro, me lançando um olhar malicioso.

— Então, vamos para a boate? – perguntei. – Dá para sairmos de casa até, sei lá, umas nove e meia.

— Por mim, tudo bem.

— Caramba! – tio Em exclamou no momento em que passamos pela porta da frente. – Vocês passaram num motel na volta?

Derek riu alto com a piada. Minha mãe ia lhe acertar com um tapa na cabeça, mas ele desviou a tempo.

Apenas tio Em, tia Rose, tio Jazz, Derek, Carl e Seth estavam na sala. Heather estava nos braços do pai.

— Emmett, não fale assim da minha filha. – meu pai falou, meio enojado. Fiquei agradecida por ele me defender. – Pelo menos não na minha frente.

Arfei, incrédula, fazendo meus tios e Derek rirem novamente. Agora meu pai foi mais rápido.

— Ai, essa eu não vi. – Der falou confuso com a mão na cabeça, onde havia sido a pancada.

— Até parece que você não sabe o que esses dois... aliás, o que esses quatro – falou, se referindo a Carlie e Seth, também – fazem entre quatro paredes.

— Eu gostaria que houvesse uma forma de não saber. – papai murmurou enquanto fazia seu caminho para a cozinha com a mamãe. Pude ouvir o restante do pessoal lá dentro. Inclusive Mendy ninando sua filha.

Me encostei em Jake, que passou os braços em volta da minha cintura. Fiquei observando meu cunhado e minha irmã por alguns segundos. Eles pareciam um casal segurando seu filho e brincando com ele. Mas quando é que não pareciam? Quando estavam separados, pareciam um casal que havia acabado de discutir por algo bobo e nenhum dos dois se desculpava porque era orgulhoso demais para tal coisa. E desde quando ela foi para Connecticut, eles pareciam um casal que, um foi viajar para negócios de trabalho, e o outro ficou em casa para cuidar do filho.

Mostrei a cena para Jake, e senti seu sorriso contra a minha orelha.

— Carl, vamos a boate no centro? – perguntei ao lembrar, ainda feliz com a cena.

— Sua vampirinha selvagem e festeira. – Derek veio até mim em velocidade inumana e apertou minhas bochechas, e eu me esquivei agilmente.

— Renesmee Black! Somos mães, e casadas, e você quer me arrastar para uma boate noturna? – ela tentava não sorrir, mas era evidente que ela.

Seth sorriu um pouco ao ouvir ela mencionar que era casada.

— Ah, qual é, Carl. – falei, choramingando. – Vai ser divertido. Derek, fale para ela que vai ser divertido.

— Vai ser divertido. – ele repetiu minhas palavras no mesmo tom. Peguei uma almofada no sofá e taquei nele, que desviou facilmente.

Carl me olhou com dúvida, e pressionou os lábios quando seu olhar passou para Jacob.

— Vamos nos divertir. – ele afirmou. Ela ficou surpresa, mas ainda sim assentiu.

— Claro. Vou sim. – falou, e Seth se levantou para ir à cozinha.

— Seth, você vai também, né? – perguntei.

— Já que insiste tanto. – ele respondeu.

Carl se levantou e entregou seu filho para tio Jazz, que por conta disso, foi obrigado a parar de ler para cuidar do sobrinho-neto. Soltei um riso.

— Vamos nos arrumar. – ela me arrastou escada a cima. – Sei exatamente qual armário precisamos.

Antes que víssemos completamente a porta, mamãe parou a nossa frente, com os braços cruzados.

— Por favor, mamãe. – Renesmee suplicou. – Nossas roupas estão todas em casa.

— Vocês sabem o que aconteceu da última vez. – ela apontou, em tom de acusação.

Uma vez, quando fomos para um restaurante estrela Michelin, mamãe ficou quase maluca quando viu as coisas que queria nos nossos quartos.

— Desculpa. – pedimos, quase implorando.

— Eu espero que não aconteça de novo. – ela falou, apontando o dedo em nossos rostos. – E fiquem longe da última gaveta.

— Claro, mãe. – falei, sarcástica. – Porque vamos querer suas lingeries também.

— Eca. – Nessie fingiu nojo, e colocou a língua para fora.

— Já avisei. – ela nos ignorou, e nos deixou passar.

PDV Carlie.

Ficamos um tempinho experimentando roupas, mas parecia que nenhuma era legal o bastante. Apesar de não faltar nada no closet enorme da nossa mãe, não fiquei satisfeita com quase nada. Talvez fosse minha vontade de impressionar Seth que nada parecia lindo o bastante.

— As senhoritas estão prontas? – a voz de Seth foi abafada pela porta.

Nessie foi quem abriu a porta do banheiro.

Os dois estavam muito elegantes. Uma blusa branca – simples – e por cima um blazer. Do Seth era preto, mas a sua blusa por baixo não era branca, era off white. Do Jacob era um blazer mais um pouco cinza, e a blusa era branca.

Jacob foi o primeiro a falar, já que os olhos de Seth ainda estavam chocados, olhando meu corpo e meu rosto.

— Uau... Vocês estão... lindas. Uau. – ele gaguejou, porém, seus olhos não desviavam de minha irmã.

Por trás dele, avistei minha mãe vindo.

Ela o empurrou contra a parede, rosnando.

— Eu usei aquele vestido uma semana atrás. – ela grunhiu.

Ele coçou a cabeça, tentando lembrar.

— Fomos levar a Carlie ao aeroporto. – ela continuou, mas pela cara dele, não se lembrava.

— Talvez eu não estivesse por perto... – ele falou, e eu me lembrei de que ele não foi também. Mas estava em casa quando mamãe usou o vestido.

Ela revirou os olhos e lhe deu um tapa na cabeça.

— Nessie usava um vestido bege... – ela parou quando a lembrança lampejou em seu rosto.

— Ah, lembrei. Ela usava o vestido bege com sua sapatilha preta. – ele falou. Ela revirou os olhos novamente e lhe deu um tapa na nuca.

— Ai, desculpa. – ele sibilou.

Eu lembro que ela e papai iriam sair para jantar depois do aeroporto. Ela já foi arrumada.

Meu pai estava chegando por trás dela.

— Oh, não. Não mesmo. Vocês não sairão vestidas assim. – ele falou apontando para o nosso corpo.

— Por que não? – perguntamos as duas, em coro.

— Vestido curto demais, justo demais, salto alto demais, e batom vermelho demais.

— Chato demais. – resmunguei.

— Não. – ele falou, objetivo.

— Pai! – falamos ao mesmo tempo, esticando a palavra. E depois ela continuou. – Está uns vinte e cinco graus lá fora.

— Não está, não. – ele discordou. – Se quiserem ir, coloquem uma calça ou uma blusa que tampe todo o corpo.

Mandamos um olhar de socorro para a mamãe.

— Edward, deixe elas se divertirem. – ela falou, atraindo seu olhar. De começo, ele parecia pronto para começar uma discussão, mas no segundo que olhou para ela, mudou de ideia.

— Estão liberados. – papai falou, sem tirar os olhos dela.

— Tchau. – falamos juntos, aproveitando essa chance, e descemos as escadas.

— Vovó, eu devia ter perguntado antes, mas será que pode ficar de babá essa noite? – perguntei.

Meus tios já tinham seus filhos para cuidar, e de acordo com o olhar deles agora há pouco, os bebês iriam atrapalhar. Mesmo sendo vampiros incansáveis que não dormem, eles ainda tinham suas vidas. E meus avós iriam gostar de ficar com seus bisnetos.

— Mas é claro que fico com essas gracinhas. – ela concordou na hora, seus olhos brilhando para Sarah e Harry. Sorri agradecida.

— Agora posso dizer que está indo para a balada. – tio Em disse com seu sorriso provocativo, e eu me lembrei de quando ele falou isso quando voltamos da ilha da mamãe e comecei a ir ver Seth mais vezes.

Sorri da piada interna.

— Bem que eu queria ir. – me sobressaltei com a voz da Mendy na cozinha. Ela parecia muito bem para quem pariu há pouco tempo. – Mas não quero deixar minha filha.

— Fala sério, vai ser apenas uma noite. – insisti. – Você tira leite para Zoe, vamos voltar em algumas horas.

Ela parecia a ponto de ceder, pois olhou para tio Em, que agora estava na cozinha dando – ou tentando – comida para Heather.

— Se divirta. – ele falou. Isso foi o que bastou para ela correr escada a cima.

— Embry, se arruma para irmos a boate com a Carl e Ness. – ela falou num tom de voz normal já acostumada com a super audição, e depois ouvi seus passos indo para o meu quarto. – Carl! Você não se importa se eu pegar alguma roupa sua?

Não.

Obrigada.

De nada.

Sua animação pulsava pelos seus pensamentos. Ri disso.

— Isso não é justo! – o choramingo de tia Alice irrompeu a cozinha. – Vocês já são independentes! Nem precisaram da minha ajuda para se arrumarem. Desde quando isso? Bella não me deixou encostar em nenhum fio de cabelo delas! Isso é tão injusto! – ela lamentou. – Olha, vocês estão parecendo top models e não tem um dedo meu aí!

“E como parece.”.

O sussurro quase inaudível ainda penetrou meus ouvidos, e me arrepiei com a fala de Seth. Pela minha visão periférica senti seu olhar em mim. Fingi não perceber nada, mas tenho certeza de que corei. Talvez a maquiagem escondesse, talvez não.

— Tia, eu prometo que amanhã sou todinha sua. – prometi, fazendo seus olhos brilharem de empolgação. – Amanhã tem a festa de uma conhecida nossa, e você faz o que quiser comigo.

— OK. – ela falou. – Considerando que vocês já têm o vestido e o calçado, eu faço a maquiagem e o cabelo.

Assenti, deixando-a feliz.

— Vou ajudar Mendy enquanto eu posso. – e desapareceu.

Nessie e eu rimos. Ao virar, vi que Seth mantinha seu olhar admirado em mim. Isso fez meu coração bater mais rápido, e por consequência me deixar nervosa. Para tentar me distrair, me dirigi a bancada, pegando um doce do meu sabor favorito que Nessie comprou.

— Cheguei! – Mendy falou assim que chegou na cozinha, com Embry.

Eu vi meus pais chegando depois dela. Eu esperava que ele não fosse mais criar caso com a nossa saída.

— Vocês sabem que eu estou deixando vocês irem apenas porque Jacob e Seth também vão. – ele começou.

Assentimos, cientes disso. Mesmo casadas, tantas regras por estarmos debaixo do teto deles.

— E você sabe que eu estou te deixando ir porque... – meu tio Emm começou a falar sério, mas depois abriu um sorriso para a Mendy. – Ah, se divirta filhota.

E lhe abraçou.

Seth e eu iríamos de moto, e para ficar mais prático, Mendy e Embry iriam no carro da Nessie com Jake.

Coloquei meu capacete maravilhoso que não estragaria minha maquiagem, e Seth colocou o seu. Senti-o escorregar para perto de mim por trás, e mordi o lábio em resposta. Suas mãos grandes e firmes em meu quadril me fizeram engolir seco. A proximidade estava me enlouquecendo, e eu não podia o agarrar ali sem levantar mil e uma questões, mesmo com o beijo de mais cedo.

— Fazia tempo que não andávamos de moto. – falei tentando me distrair, porém ficando sem resposta. Ao olhar pelo retrovisor, percebi o sorriso em seus lábios pelo capacete aberto.

Chegamos à boate por volta de vinte e cinco minutos. Conseguimos passar na fila com o nosso sobrenome Cullen. Sempre funciona.

— Jake, vamos dançar? – Nessie lhe perguntou, e ele riu da cara dela. – Seu chato. Carl?

— Vamos. – concordei de imediato me levantando, e puxando Mendy comigo. E daí que eu era uma péssima dançarina? O que eu não faria pela minha irmã?

Dançamos várias músicas, e estava muito divertido. Eu realmente precisava tirar toda aquela tensão de dentro de mim. E o que melhorava, era quando eu olhava para o Seth, ele sorria lindamente para mim.

Eu jogava meu corpo sensualmente ao som Do I Wanna Know de Artick Monkeys. Não sei o que deu em mim naquele momento. Sei que queria me balançar, libertar cada célula presa do meu corpo, e era inovador. No refrão percebi com orgulho Seth acompanhar cada movimento meu. Jake e Embry tentavam conversar com ele, mas ao perceberem o foco dele, desistiram de chamar sua atenção. Eu só havia me soltado dessa forma na lua de mel.

O clube exclusivo de Boston estava lotado, mas a iluminação escura e as luzes piscantes fazia tudo parecer um borrão. As pessoas riam e se divertiam, mas era como se elas estivessem em um mundo só delas. Ness e Mendy também não ligavam para ninguém ao nosso redor. A música vibrava nas paredes e chão, e reverberava dentro de mim, e ao mesmo tempo parecia tão distante. Nós três éramos como invisíveis, sombras que se moviam entre as luzes, porém ignoradas por todos.

— Vamos beber algo. – Nessie sugeriu e nos puxou para o balcão. – Três copos de vodca, por favor.

— Posso ver a sua identidade, linda? – perguntou o atendente, com um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi.

— Mas é claro... – ela falou, e procurou algo em sua bolsa. Pegou sua identidade e mostrou. – Nós três somos Cullen, aliás.

— São Cullen? Hã, tudo bem, não preciso ver a identidade de vocês duas, uma já basta. – e seu lindo sorriso foi afetado pelo nervosismo.

— Agradeço pela compreensão. – lancei o meu melhor sorriso, culpada de ele ter ficado com medo.

Ele arregalou os olhos, estupefato, engoliu seco e se afastou para buscar as bebidas.

— Carl, você viu o olhar do Seth em você? – Mendy perguntou.

Eu, alarmada, ia a mandar calar a boca para que ele não ouvisse.

— Não é para menos. – Ness emendou. – Nunca a vi dançando daquele jeito. Vários caras estavam-corrigindo, estão te olhando-corrigindo mais uma vez, te comendo com o olhar.

A repreendi com o olhar. Eu nem havia reparado nisso. Tudo o que eu prestava atenção era no Seth.

— Aliás, não posso beber. – Mendy lembrou ao que somente nós duas pegamos as bebidas.

— Beberemos por você. – gritei levantando o álcool, fiz um brinde com minha irmã e virei. Repetimos a dose mais duas vezes, e eu já estava levemente tonta.

Vamos ao banheiro? Perguntei a elas duas. Elas assentiram.

Apenas para Seth saber onde eu estava, apontei para o banheiro, e ele mexeu os lábios em um “OK”.

Assim que entramos, passei a mão no cabelo, e rimos feito três loucas. O banheiro estava vazio, e só tinha nós três dentro dele.

— Não acredito que meu pai me deixou vir para uma boate a uma hora dessas. – Mendy falou, retocando a maquiagem.

— Eu não acredito que papai nos deixou vir em uma boate. – Nessie e eu falamos juntas, e isso bastou para rirmos de novo. Nessie retocava seu batom, e eu o lápis de olho preto.

Do nada a porta foi aberta, e fiquei extremamente confusa ao ver um menino no banheiro feminino. Mas a confusão logo se tornou choque quando percebi que o menino era...

— Adrian? – minha voz tremeu.

— Adrian? – Ness repetiu, confusa.

Não era para ele estar ali.

— Eu sabia. Sabia que você ia pular nos braços do cachorro na primeira oportunidade que tivesse. – ele rosnou, vindo até mim, furioso. Nessie ficou ao meu lado para me proteger, mas isso fez com que o alvo fosse ela.

— Fique fora disso. – ele falou enfurecido.

Ele a atirou do outro lado do banheiro, e ela caiu, desacordada. E fez a mesma coisa com a Mendy.

— Para! – gritei, sentindo as lágrimas em meus olhos. – Seu vampiro estúpido, deixe-as em paz!

Ele me olhou surpreso por eu ter o chamado do que ele realmente era, e não do que eu pensava. Sua mão agarrou meu pescoço, me sufocando enquanto me erguia do chão.

— Você vai me seguir caladinha, sem gracinhas, sem chorar e sem falar nada, e sem alertar ninguém de nenhuma forma, ou então adeus a sua priminha e a sua irmãzinha vadia.

Arregalei os olhos, e ele pegou as duas, colocando-as sobre seus ombros, e segurou firme meu braço, me impedindo de fugir.

Algumas pessoas viam a gente, mas o que que pensariam? Uma morena, um cara e duas bêbadas desmaiadas. Ele foi até a porta dos fundos, e estava trancada, mas apenas com um chute, ele a abriu. Nessie e Mendy permaneciam desmaiadas. E Adrian estava ali, apenas me olhando.

— O que você quer? – rosnei, indo para o lado da minha irmã e minha prima quando ele as largou em um canto qualquer do lado de fora.

Mendy estava quase acordando, e ele a pegou antes que eu pudesse reagir. Segurou ela de frente para mim, pelo seu pescoço, não a deixando com possibilidade de sair.

— Finalmente acordou. – ele sussurrou em seu ouvido, e isso a deixou totalmente alerta, enquanto sua expressão era de pavor. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo e não conseguia enxergar o rosto do seu agressor. Adrian levou o próprio pulso na boca e depois colocou na boca da minha prima. Ela gritava abafado tentando afastar o braço do vampiro, mas era inútil.

— Deixa ela em paz! – gritei vendo-o tampar a boca dela.

— Ou você vai comigo agora de volta para Connecticut, ou eu a mato. – ele deu um ultimato.

— Eu vou, droga! – gritei desesperada. – Eu só vim passar uns dias com o meu filho, você sabia disso! A passagem de volta está comprada para daqui a três dias!

— Que estranho. – ele falou, tirando o pulso da boca dela. Ele deve ter pressionado forte o suficiente para a machucar, já que ela estava sangrando. – Eu não acredito mais em você! – ele gritou, e com um movimento ágil torceu o frágil pescoço da menina em seus braços, jogando seu corpo flácido no chão.

— MENDY!

Corri para o seu lado, a pegando em meus braços. Eu não ouvia seu coração ou sua pulsação. Ela não respirava mais.

Não. Minha prima! A primeira filha da minha tia vampira infértil que sempre sonhou em ser mamãe.

Mendy, não pode ser. Ela não pode estar morta. Ela acabou de se tornar mãe. Ela e Embry tinham tantas coisas a viverem pela frente. Ela ainda desejava se casar. Eles planejavam ter uma casa no condomínio da nossa família.

— Mendy, Mendy, Mendy, não, não pode ser. Fala comigo, Mendy, por favor. Droga, Adrian, que merda você fez? – gritei em sua direção.

— Você me iludiu todo esse tempo. – ele segurou violentamente meu braço, me fazendo levantar. Não tive outra escolha a não ser soltar o corpo sem vida dela. E levei uma pancada no rosto. Ai. Meu lábio estava doendo. Eu sentia o gosto do meu sangue em minha língua. – Você me fez pensar que tínhamos algo especial, e era tudo mentira!

Outra pancada, e desta vez meu olho doeu. Muito. E me fez cair no chão.

— Eu disse para você não vir. – uma voz falou na escuridão, atrás de Adrian. Eu não conseguia distinguir quem era, por conta das lágrimas, mas a voz me deixou saber: Rupert. O que ele estava fazendo aqui?

— E eu disse para você ficar fora. – Adrian rosnou para ele.

Os olhos de Richard voaram para o chão, onde minha prima morta estava.

— Você a transformou? – Richard perguntou, incrédulo. Como assim” A transformou”? – Você tirou a alma de uma garota inocente apenas por vingança?!

— Transformou? Como assim? Ela não está morta? – sussurrei.

— Não. – Richard respondeu. E então a porta dos fundos foi aberta outra vez, e Jacob, Embry e Seth passaram por ela.

— Droga. – ouvi Adrian sussurrar.

— Mendy. – Embry falou, engasgado, e veio ao meu lado.

— Ness. – Jacob sussurrou, e virei a cabeça para ver minha irmã acabando de acordar.

— Carlie. – Seth veio até mim, espantado com algo em meu rosto. E lembrei que não devia estar em um dos estados mais legais.

Seth ameaçou a ir para cima de Henry, cujo fez os estragos em meu rosto, mas o segurei comigo. Ele me levantou e eu passei os braços em sua cintura, o impedindo de ir. De imediato me colocou atrás dele. Mas ainda dava para ver tudo. A atitude protetora de Seth provocou mais ainda Adrian.

— Você não vai a lugar nenhum. – Rupert rosnou, agarrando-o para o mesmo não fugir. – Ela não está morta. – falou para Embry, que não parava de chorar após checar seus pulsos. – Está em transição.

Ele olhou entre lágrimas e confuso para o vampiro.

— Adrian a matou com seu sangue de vampiro em seu corpo. – começou a esclarecer, e Embry olhou para o vampiro que tentava fugir, tão mortalmente que achei que pudesse matá-lo apenas com um olhar. A única coisa que o impedia de matar Adrian era Mendy estirada em seus braços. – Quando ela acordar, precisará de sangue humano, ou a transição não será completada.

— E se a transição não se completar, ela volta...?

— Não. – Rupert interrompeu. – Ela morre.

Estremeci. Uma bolsa de sangue não seria difícil para vovô Carlisle conseguir.

— Meu anel não! – Adrian gritou, e percebi que Richard estava com algo bonito e redondo em sua mão. E jogou para Embry.

— Ela vai precisar para sair ao sol. – respondeu. Colocou rapidamente no dedo do meio dela.

— Era para você ser minha. Minha! – gritava Adrian, olhando além do Seth, para mim. – Mas tinha que ter esse babaca no meio, atrapalhando tudo. – mostrei meus dentes, furiosa por ele falar assim do Seth. – O seu amor por mim nunca foi o suficiente para...

— Adrian! Abra seus olhos! Nunca tive nenhum sentimento por você além de raiva e ódio. – desabafei, dando alguns passos para me postar ao lado de Seth. – Acha mesmo que eu estive à vontade com você em algum momento? Eu te odiei apenas por me fazer me separar de quem eu amo por causa das suas ameaças. Eu te odiei e te odeio com todas as minhas forças.

— Mas e aquela vez? – ele perguntou, e pareceu de repente me olhou de triunfo. Estreitei os olhos. – Que a gente transou? Você ficou muito decepcionada porque eu bebi demais e não lembro.

Senti vários pares de olhos em mim, e um coração em específico errar uma batida e bater descompassado. Seth.

— Realmente eu tenho que ser grata por ter dotes como atriz. – falei num tom calmo. – Você acha mesmo que desmaiou de bêbado? Achou mesmo que eu te deixei encostar um dedo em mim? Eu saí para buscar algumas ervas soníferas, e olha só, uma delas foi a verbena. O vinho ajudou, mas o cheque mate foi sua criptonita. Não coloquei mais porque não queria que o cheiro se sobressaísse e você desconfiasse, e realmente você acordou muito rápido. Ah, a minha decepção pela sua amnésia? Eu estava desesperada para ficar longe de você.

Seus olhos queimavam em mim com puro ódio. Ótimo. Seu amor era tudo o que eu não queria.

— Cai na real. Olha para o meu rosto. Olha o que você fez comigo. Nenhuma mulher te amaria enquanto é tratada como saco de pancadas. Você não sabe o que é amor. – desviei os olhos para o outro vampiro. – Obrigada, Rupert.

Ele assentiu. Adrian fez um movimento brusco e conseguiu se soltar. Seth deu impulso de ir atrás dele, mas o agarrei. Ele voltou para mim e me abraçou. Escondi meu rosto em seu peito, envergonhada de ele me ver desse jeito.

— Ele vai morrer logo. – Rupert falou, sua voz com um tom indignado. – Se ele se expuser ao sol, vai do pó ao pó.

Olhei por onde ele fugiu. Eu estava mais aliviada com esse fato.

Seth segurou meu rosto com suas mãos como se segurassem pena, e depositou um beijo em meu olho esquerdo, e me deu um beijo de meia lua nos lábios. Não foi um beijo romântico, foi beijo protetor. Ele estava selando seu carinho nos meus machucados. Fechei os olhos, me permitindo sentir o amor e devoção do meu marido, torcendo para essa loucura acabar logo.