A Irmãzinha

23 Capítulo Vinte e dois


Notas iniciais
Oi minhas irmãzinhas *----* Espero que estejam bem. Esse capitulo eu vinha escrevendo há muito tempo e ficou exatamente como eu queria que ficasse. Então preparem -se muitas surpresas nesse caitulo - apesar de todo mundo já ter adivinhado o que esta aconetecendo com a Bella nos comentarios - eu espero sinceramente que gostem. Capitulo dedicado a Nina Martins que usou lindas palavras para recomendar a história. Muito obrigada querida, eu amei de verdade. Boa leitura.

Eu andava de um lado para o outro na frente da recepção daquele hospital.

As pessoas me olhavam com estranheza por ver uma freira tão nervosa, provavelmente por pensar que devemos sempre ser calmas e ter cara de paisagem, mas eu estava tão nervosa que não conseguia me controlar, começando a me arrepender por não ter aceito que a Irmã Irina ou que alguém tivesse vindo comigo.

Durante todo o caminho para cá eu pensei em passar no seminário para buscar Edward para que ele viesse comigo, mas ia ser difícil tirá-lo de lá hoje por nós termos passado a noite de ontem juntos. Eu queria com todas as minhas forças que ele estivesse aqui, segurando minhas mãos e me acalmando enquanto essa agonia da espera não passa.

—Irmã Isabella? – A recepcionista me chamou saindo de dentro do consultório e mantendo a porta aberta atrás de si – pode entrar, o doutor está esperando – eu lhe dirigi um sorriso de agradecimento incapaz de dizer algo e entrei.

—Por favor, sente-se – o médico loiro me pediu com o rosto muito sério analisando uns papéis sobre a sua mesa. Eu obedeci e esperei que ele falasse – Liguei para a senhorita essa manhã e preferi que viesse por que o assunto que tenho a tratar é um pouco delicado e seria melhor que eu lhe dissesse frente a frente. 

—Eu já estou aqui, pode falar. 

—Sempre que colhemos o sangue de um doador, fazemos alguns testes para saber se ele está mesmo apto para ser doado e é também uma forma de saber se está tudo bem com a pessoa que doou.

—Sim. Todas nós do convento verificamos a saúde através das doações que fazemos regularmente e há três meses não havia nada de errado comigo... Eu me sinto muito bem e... 

—Eu não diria que há algo errado com a senhorita irmã, na verdade é algo que sempre temos que notificar a doadora, mas no seu caso é um pouco inusitado — ele fez uma careta como quem se desculpa. 

—O que está acontecendo doutor, por favor, me conte — pedi nervosa. 

—Fique calma. Como eu disse nós realizamos alguns exames em seu sangue e o nível da hormona HCG estava muito alto. É normal que quando isso acontece nós notificamos a mulher que doou caso ela ainda não saiba de sua condição, mas é a primeira vez que isso acontece com uma freira – ele me encarou constrangido – talvez seja algo em seu organismo que tenha provocado essa alteração, mas pode ser exatamente o que significa para as outras mulheres. 

—E o que isso significa? O que eu tenho doutor? 

—Antes de explicar, primeiro eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas tudo bem? – eu assenti e ele continuou – A senhorita teve algum mal estar, tontura, enjoo ou algo do gênero por esses dias? 

—Só antes de vir para cá. Foi um enjoo muito forte, mas eu vomitei e passou. Mas foi por que eu estava muito nervosa – ele assentiu anotando no prontuário com o meu nome. 

—Sente alguma coisa diferente, em seu corpo ou com você? Tem estado com muito sono ou fome? 

—Eu estou dormindo um pouco mais do o normal, mas isso é por que tenho trabalhado demais e chego exausta. É a única coisa diferente em mim – ele assentiu e anotou. Depois cruzou as mãos sobre a mesa e olhou para mim.

—Eu sei que a senhorita fez votos – ele falou depois de alguns minutos de silencio – e por isso eu peço que não se ofenda com a minha pergunta e, por favor, seja sincera por que a sua resposta vai me ajudar e muito. Não se preocupe por que o que disser não vai sair daqui, tudo bem? 

—Tudo bem – respondi nervosa sem entender o porquê de estar tão relutante e cuidadoso com as palavras – pode perguntar. 

—A senhorita teve relações sexuais recentemente? – eu ofeguei ficando corada tentando entender o que isso tinha a ver com o resultado do que deu em meu sangue. Passei alguns minutos pensando ele continuou – eu não estou aqui para julgá-la e como disse não vou contar para ninguém, um consultório médico guarda o mesmo sigilo que um confessionário. Eu apenas preciso saber para ter a certeza do resultado – eu abaixei a cabeça sem coragem de olhar para ele e resolvi me esquivar da pergunta. 

—Não estou entendendo aonde quer chegar com isso. 

—Eu só tenho mais uma pergunta irmã. Quando foi a sua última menstruação?  

—Eu estou atrasada – relatei franzindo o cenho, completamente surpresa por não ter notado antes – não menstruei no mês passado. Por favor, doutor me diz o que está acontecendo. 

—É que pelo resultado de seus exames, mais o que a senhorita relatou e pelos seus sintomas, eu posso afirmar que você está grávida.

—Grávida? – repeti atônita – eu estou grávida? Como isso é possível?

—Tudo indica que sim. A senhorita não quis me responder, mas manteve relações sexuais sem qualquer tipo de prevenção, não é? – eu assenti.

—Eu fiz amor com o Edward, muitas vezes.

—O resultado disso está em seu ventre agora. Uma dessas vezes que você fez amor gerou esse bebê – eu respirei fundo e olhei para a minha barriga completamente plana sem acreditar no que estava acontecendo – eu imagino que seja muita coisa para assimilar – o médico disse gentilmente – quer um copo de água enquanto isso? – eu assenti e encostei-me à cadeira vendo-o sair do consultório e sorri.

Tem um bebezinho dentro de mim.

Um bebezinho que é fruto do meu amor pelo Edward, um pedacinho de nós dois como eu sonhei muitas vezes que teria.

Mas no instante seguinte eu me dei conta da enormidade eu estava acontecendo na minha vida.

Eu sou uma noviça e estou esperando um filho de um seminarista.

Respirei fundo procurando me acalmar, de pensar em algo, mas a única coisa que vinha a minha mente era no quanto vai ser muito difícil lidar com essa situação, já seria sem essa criança agora vai ser muito mais.

—Meu Deus me ajude – eu pedi baixinho – o que eu vou fazer agora?

—Bem eu não sei o que vai fazer – o médico respondeu me entregando o copo de água e eu peguei com as mãos tremulas – mas eu aconselho a não fazer nenhuma besteira, essa criança não tem culpa do que aconteceu afinal, se a senhorita não queria um bebê deveria ter tomado cuidado para que isso não acontecesse...

—Não se preocupe doutor. Nem por um instante passou pela minha cabeça tirar a vida do meu bebê, muito pelo contrário eu o quero muito e vou cuidar dele.

—Tudo bem. Eu aconselho a senhorita a cuidar direitinho da sua alimentação e procurar um obstetra para cuidar desse bebê que é o mais importante agora – eu assenti sorrindo.

—Pode deixar, é isso o que eu vou fazer.

—Então está tudo certo irmã. Espero que você e seu bebê tenham muita saúde.

—Obrigada doutor – eu me levantei e apertei a mão dele antes de sair do consultório.

Passei pelas mulheres que antes me encaravam com estranheza e sorri para elas. O medo que eu sentia quando cheguei aqui se foi. Graças a Deus eu não estava com nenhuma doença, não havia nada de ruim comigo.

Sai do hospital correndo para fugir da chuva no caminho até a van e fui dirigindo de volta para o convento. Eu estava decidida a passar primeiro no seminário para contar ao Edward a grande novidade e finalmente irmos embora daqui.

Agora que teríamos uma família tenho certeza que ele vai embora comigo sem pensar duas vezes, já que ele não me abandonaria. Meu coração estava ficando apertado cada vez que eu me aproximava mais do convento, não sei por que. Vai ver que era ansiedade diante de toda a novidade que eu tinha.

Parei na frente do convento bem próximo a garagem, mas fui para o outro lado em direção ao seminário e entrei no escritório do padre Garrett.

—Bom dia padre – ele riu.

—Na verdade já é boa tarde irmã.

—Então boa tarde – eu ri também – Como vai?

—Muito bem e a senhorita?

—Eu estou ótima.

—Deixe-me adivinhar veio falar com o Edward?

—Sim senhor. Eu preciso muito vê-lo.

—Certo. Eu vou avisá-lo que está aqui.

—Posso esperar na igreja?

—É claro, fique a vontade, já conhece o caminho – agradeci e fui para lá me sentando no banco em que estava acostumada a ficar com Edward e enquanto esperava fiquei pensando em como diria a ele sobre o nosso filho, mas antes que eu pudesse pensar em algo, ele já estava se sentando ao meu lado.

—Oi meu amor.

—Oi Bella. O que veio fazer aqui?

—Edward eu vim buscar você — ele riu. 

—Céus, eu realmente criei um monstro. Você já quer mais depois de tudo o que fizemos ontem à noite?

—Eu já disse que nunca vou ter o bastante de você, talvez eu possa ficar saciada depois de uma noite inteirinha com você, mas não garanto nada – ele me deu um selinho e riu.

—Hoje foi você quem inventou um jeito da gente passar um tempo juntos, que bom – eu assenti. 

—Para sempre. Vem comigo. 

—O que eu digo ao padre Garrett?

—Diz que você não quer mais ser padre, que quer a sua dispensa do seminário por que vai ficar comigo – os ombros de Edward caíram e o seu sorriso foi murchando até que ele suspirou e segurou meu queixo olhando em meus olhos. 

—Bella, eu vou dizer isso a ele, em breve, mas ainda não é o momento. 

—Acredite em mim, esse é o momento, não podemos esperar mais. 

—Você precisa confiar em mim nisso. Amor eu sei que está difícil, mas vai acabar em breve. 

—Acabou agora Edward. Eu vou levar você comigo definitivamente.

—Anda não podemos – eu suspirei e revirei os olhos de brincadeira.

—Se é por causa da Molly nós podemos passar lá agora e falar com ela. O que nós não podemos é ficar aqui, nenhum dia mais. 

—Bella a gente já falou sobre isso, por favor, não vamos estragar os raros momentos que temos juntos, deixa eu te beijar deixa? – antes que eu respondesse Edward me puxou para os seus braços e me beijou cheio de desejo, um beijo indecente demais para ser dado dentro de uma igreja.

O meu sangue ferveu e como sempre eu me deixei levar pelo beijo abraçando ele com todas as minhas forças e deixando minha mente vagar. 

Quando Edward terminou o beijo e olhou para mim sorrindo, eu me lembrei do motivo pelo qual eu estava aqui, eu precisava lutar pelo nosso amor e por nosso filho não podia me esquecer disso. 

—Pronto – eu ri – já me beijou agora vamos falar com o padre Garrett e depois com a irmã Irina. Precisamos ir para casa, hoje – Edward franziu o cenho me olhando com atenção.

—O que está acontecendo Bella? Por que você está tão decidida a ir para casa hoje? Nós já falamos sobre isso e você concordou em esperar mais um pouco. Não se esqueça de que já vencemos todos esses meses, agora falta pouco, eu prometo – ele me beijou no rosto fazendo um caminho até a boca e deixou um beijo nela – vai ser bem rápido. A gente já aguentou tanto, vamos aguentar só mais um pouquinho meu amor, por favor.

Olhei para Edward e o seu olhar suplicante querendo me convencer e naquele momento eu entendi o porquê meu coração estava tão apertadinho quando eu estava a caminho. No fundo eu já sabia que ele não iria deixar o seminário, mas ficava me enganando achando que ia conseguir convencê-lo de alguma maneira. Agora eu percebi que não conseguiria, nem hoje e nem nunca.

Provavelmente era eu quem mudaria de ideia se continuasse a escutar o que ele estava me dizendo. Eu poderia me deixar ser convencida por ele como sempre fui e me render a seus encantos e então decidi que não faria isso, não hoje, não mais.

Eu tenho um motivo maior para não me deixar render e eu não posso simplesmente deixar que ele me faça desistir. 

—Eu já entendi tudo Edward – falei com os olhos cheios de lágrimas – Agora já chega para mim. Você nunca vai deixar esse seminário e se eu ficar acreditando em você vou ficar aqui para sempre também. 

—Bella não fala assim...

—Essa é a verdade e não adianta você dizer que não é. Você quer ser padre, sempre quis – a verdade ia saindo da minha boca ao mesmo tempo em que eu processava isso, enxergando o que eu não vi esse tempo todo – e eu não culpo você — dei de ombros — essa é a sua vida. 

—Você é a minha vida Bella. Do que está falando? O que está acontecendo? 

—Eu finalmente percebi que você nunca vai deixar seu sonho para ficar comigo e que eu fui muito idiota em achar que sim. Eu não valho o sacrifício, por que se valesse você já teria desistido por mim. 

—Não fala assim, eu te amo...

—Mas isso não vai mudar nada você mesmo me disse há muito tempo – respirei fundo me lembrado dos beijos que demos no dia de meus votos, no escuro, num canto do convento quando ele não acreditava em meu amor e continuei falando – e eu deveria ter entendido o que isso significava, mas o meu amor me deixou cega e eu não percebi que você não me quer – Edward segurou meu queixo e eu olhei para cima encontrando o seu olhar. 

—Você não entende os meus sentimentos por você? Eu só quero te ver feliz Bella. Você sempre quis ser freira e por mais que tenha desistido, eu quero que viva seu sonho e aproveite um pouco mais. É só por isso que eu ainda não te levei embora daqui. Por favor, por mim meu amor, fica aqui, só mais esses meses e assim, meu coração vai poder ficar em paz por que pelo menos você viveu o seu sonho – Edward estava com os olhos cheios de lágrimas implorando, querendo me convencer mais uma vez.

—Edward, eu nunca quis ser freira – eu sussurrei – Nunca. A única coisa que eu sempre quis é ficar com você e quando me disse que queria ser padre foi a única coisa em que eu pude pensar para não ficar longe. Até aquele dia em seu quarto eu nunca nem tinha pensado nisso. Mas eu faria qualquer coisa, seria qualquer coisa por você e resolvi fingir, não suportaria nem a ideia me afastar de você – ele olhava para mim surpreso respirando com dificuldade enquanto eu continuava.

—Eu fingi todos esses anos que queria ser freira só para ficar ao seu lado todos os dias, mesmo como uma amiga, por que assim pelo menos eu estaria ao seu lado e quando eu entrei no convento eu me adaptei a essa vida certa que era a vida que eu queria ter se eu tivesse você ao meu lado – as palavras saiam quase incompreensíveis pelo meu choro, mas eu já tinha começado e não ia parar de falar.

—Eu decidi que guardaria o meu amor, o amor que sinto desde que me entendo por gente, ia guarda-lo só para mim todos os dias de minha vida inteira e a única coisa que importava era ter você perto de mim, mas ai você disse que me amava também e que queria ficar comigo – em meio a lágrimas eu sorri – Você pode imaginar o que isso causou em mim? A alegria que eu senti ao ver meu sonho de anos se tornar realidade e eu poder ficar com você sem precisar ser freira, te ter como meu homem? – ri sem humor – Acho que não. E foi por isso que eu me deixei levar, que eu fiz amor com você e o por que estou aqui até hoje, aceitando toda essa loucura que você propõe arriscando a minha alma com todos os pecados gravíssimos que cometemos. Eu quebrei meus votos, eu fiz tudo o que fiz por que eu amo você. 

Edward chorava tanto quanto eu, me ouvindo. Quando a minha voz não saia mais ele me abraçou, mas eu não o abracei de volta precisando de todas as minhas forças para isso, por que eu sabia que se eu me jogasse em seus braços eu ia ceder novamente, mas eu não podia, não dessa vez.

Quando ele percebeu que eu não estava retribuindo o abraço ele se afastou para ver meu rosto olhando para mim. 

—Por que não me disse isso antes Bella? Por que você entrou para o convento se não era isso que queria? 

—Por que era o único jeito de ficar com você eu jamais teria coragem de te contar sobre os meus sentimentos e foi a única maneira de ficar por perto, mas eu nunca imaginei que as coisas aconteceriam dessa maneira nem que hoje eu estaria assim – levei minhas mãos a minha barriga plana protegendo o meu bebê e olhei para cima outra vez – e quer saber? Eu não me arrependo. E faria tudo de novo – ele sorriu em meio ao choro. 

—Eu não faria tudo de novo não, Deus me livre. Se pudesse voltar atrás eu daria um jeito de não deixar você ir para o convento... Eu queria ter percebido que você estava apaixonada eu queria que tudo fosse diferente... Eu devia... Eu poderia... 

—Tudo ia ser igual, mas não vamos pensar no passado Edward, quero saber do presente. Você vem comigo ou não? – ele fechou os olhos com força e antes que respondesse eu já sabia o que ia dizer.

—Por favor, Bella, eu sei que você não quer, mas se já aguentou até agora aguente até o fim do ano, por favor – eu sorri limpando uma lágrima do meu rosto. 

—Tudo bem meu amor, você pode ficar. Eu vou embora – beijei seus lábios rapidamente e fiquei em pé – eu juro que não vou ficar chateada se quiser ficar até o fim do ano ou que você resolva nunca sair daqui, ao contrário de mim eu sei que ser padre é tudo o que você sempre quis e juro que eu te amo demais para te odiar – eu ri limpando outra lágrima – Eu te vejo no natal, isso se você quiser me ver – dei de ombros – Fica com Deus meu amor. 

Eu virei de costas e sai andando, mas Edward veio na minha frente me parando. 

—Bella eu não estou entendendo nada. O que está acontecendo? Por que você quer ir embora assim? Pelo amor de Deus! Nós tínhamos concordado em ficar esse ano por que você não quer mais esperar? 

—Não é que eu não queira, eu não posso esperar Edward, não mais – ele franziu o cenho olhando para as minhas mãos que automaticamente foram para a minha barriga e eu segui o seu olhar – eu estou grávida e não posso ter um bebê no convento não é? 

—Você... Ai meu Deus... – Edward deu alguns passos para trás e se sentou – Você o que? 

—Eu vou ter um filho seu – eu ri ainda olhando para a barriga e depois olhei para ele que parecia transtornado e eu me apressei a dizer – mas não se preocupe eu juro que ninguém nunca vai saber que você é o pai, nem mesmo a criança. Eu vou guardar o segredo do nosso amor para sempre na minha memória e por mais errado que tenha sido, foi a coisa mais linda que eu vivi. E eu vou amar você todos os dias da minha vida, Eu prometo — eu o beijei novamente e me afastei dizendo por cima do ombro — Até o natal, meu amor.

Sai andando sem olhar para trás, com medo de que algo me fizesse voltar e correndo embaixo da chuva forte, eu entrei no convento, com frio e ensopada mesmo tendo, percorrido um caminho muito curto. Sem pensar demais eu fui andando cheia de segurança para o escritório da irmã Irina, aproveitando a coragem que tinha se apoderado de mim e entrei quando ela me deu permissão.  

—Irmã Isabella, você demorou. Está tudo bem? 

—Está sim. Posso conversar com a senhora por um instante? 

—Claro, sente-se. – eu obedeci e ela me analisou por um instante – Não quer tirar esse habito molhado primeiro? — eu neguei e ela assentiu — Então me diz, o que aconteceu no hospital?

—Eu estou muito bem, não se preocupe. O médico só queria falar comigo, mas não era nada demais – menti colocando a mão sobre o meu ventre mais uma vez coisa que não passou despercebida pelo olhar da irmã.

—Então o que quer falar comigo? 

—Primeiramente eu queria te agradecer por tudo o que fez por mim e por ter me acolhido, mas irmã... Esse não é o lugar para mim, não posso ser freira – eu abaixei a cabeça me preparando para ouvir um belo sermão e várias perguntas sobre os meus motivos, mas ela apenas suspirou, deu a volta na mesa e sentou na cadeira ao meu lado pegando minhas mãos. 

—Você tem certeza Bella? Já faz três anos que está aqui, tem um ano de noviciado, quer mesmo deixar tudo para trás? 

—Sim, eu tenho sim irmã. Eu fui muito feliz aqui, mas esse não é o meu lugar de verdade.

—Eu sempre achei que esse era o seu maior sonho.

—É por que eu fingi que era por muito tempo, tanto que eu mesma acreditei a certa altura, mas chega uma hora em que a verdade é mais forte e não podemos ir contra ela – ela assentiu.

—Se é isso o que quer, você deve pedir dispensa ao nosso chefe, Vá até a capela e converse com Jesus e diga a ele que quer ir embora, se ao fim da conversa você decidir ir mesmo embora, pode ir. Vou manter a irmã Rosalie longe do quarto para que ela não te faça perguntas e eu desejo que seja muito feliz, mas se de alguma maneira você decidir ficar, eu a espero ás seis na capela e sem atrasos. 

—Obrigada Irmã, por tudo – eu a abracei num rompante e ela acariciou minhas costas num gesto carinhoso.

—Lembra que eu disse que te tenho como uma filha? Converse comigo, diga o que te aflige, de onde vem essa dor que estou vendo em seus olhos – eu apenas neguei com a cabeça e eu chorei mais ainda. Ficamos assim por incontáveis minutos até que eu decidi que era hora de ir. Balbuciei uma despedida e me afastei agradecendo.

Ao chegar à capela vazia, entrei devagar já tirando meu véu e o crucifixo. Caminhando com firmeza eu os depositei sobre o altar antes de me ajoelhar olhando a cruz lá em cima. 

Olhar para Ele só me fez me sentir pior. A dor do abandono nunca me pareceu tão forte e eu chorei ainda mais, lavando minha alma, meu coração. Por muito tempo permaneci ali, reunindo forças enquanto derramava minhas fraquezas em forma de lágrimas.

—Eu sei que eu te fiz promessas e que quebrei todas elas, por isso eu queria te pedir perdão, mesmo sabendo que o senhor conhece meus sentimentos e sabe o quão puro e verdadeiro é o meu amor. Eu me entreguei ao Edward e agora tem um bebezinho que precisa de mim crescendo aqui, eu preciso do senhor para cuidar dele e para cuidar do meu Edward também para que ele seja feliz todos os dias no caminho que escolher. 

Terminei minha oração e fui para o meu quarto. Como a irmã Irina disse Rose não estava e então eu arrumei minhas coisas rapidamente mal enchendo uma mochila pequena, tirei meu habito pela última vez, vestindo uma das poucas roupas que eu tinha aqui e o deixei molhado sobre a cama.

Fui caminhando devagar por aqueles corredores compridos pelos quais eu andei nesses anos todos sem poder reclamar muito de tudo o que vivi aqui, mas feliz em deixar essa parte da minha vida para trás, finalmente.

Sai debaixo daquela chuva que caia muito forte sem me importar muito com isso e fui sem pressa para a rodoviária da cidade e comprei uma passagem para Forks.

Eu pensei em me trocar para a viagem, mas o ônibus já estava de saída e subi nele encharcada mesmo e ali, eu encostei minha cabeça no vidro e rezei. Pedi a Deus por mim, por meu filho e principalmente por Edward, pela felicidade dele.

Pedi que eu conseguisse guardar nosso segredo e que tivesse forças para enfrentar o mundo sozinha, enfrentar meus pais e as pessoas me olhando torto por eu ter abandonado o convento, por eu estar gravida e não dizer quem é o pai do meu filho.

Não sabia como seria, a única coisa que sabia é que o meu amor será a minha maior força e que por ela eu conseguiria.

Desci do ônibus no meio da rodovia que passava em frente à minha casa e fui andando devagar até parar em frente a casinha branca que sempre foi o meu refúgio, escondendo o medo que eu estava sentido bem no fundo de mim e criando coragem para enfrentar o que quer que fosse pelo meu filho e entrei em casa. 

A TV estava ligada e meus pais estavam esparramados no sofá assistindo alguma coisa.

—Jaz você não disse que ia dormir na Alice? — minha mãe perguntou sem realmente se importar com a resposta, assistindo a TV. Eu fui até a sala e me sentei no sofá ao lado do deles e meu pai olhou para mim, sua expressão entediada se transformou em assustada ao me perceber aqui.

— Bella? – Eu acenei para ele e minha mãe riu.

—Tá sonhando querido? A Bella está no convento.

—Na verdade não — falei desanimada — oi mãe.

—Bella – ela gritou ficando em pé num salto — O que você está fazendo aqui? Onde está o seu hábito? Seu véu?

—Acho que não vou mais precisar deles.

—Por que não?

—Por que eu... Eu não posso ser freira.

—Bella do que você está falando? — ela se aproximou de mim e segurou minhas mãos — você sempre quis ser freira, desde pequena.

—Não, eu sempre pensei que queria mãe. Eu via o Edward falando maravilhas sobre a vida religiosa e eu achei que queria também, eu me envolvi nos planos dele, mas, eu descobri que não sirvo para isso.

—Tudo bem querida, tudo bem. Você tomou chuva e está com uma carinha péssima, não quer tomar um banho e descansar?

—Agora não mamãe, eu preciso falar com vocês primeiro.

—Tudo bem, mas antes eu vou trazer algo para você comer — eu assenti e ela beijou minha cabeça e foi para a cozinha.

Eu fiquei com a cabeça baixa sentindo o olhar do meu pai em mim. Não tinha coragem de olhar para ele, mas sabia o quanto ele estava decepcionado por eu ter abandonado o convento. E então as lagrimas que eu estava segurando, deixando que as minhas forças se fossem. No mesmo instante meu pai me pegou no colo me aninhando em seus braços como quando eu era pequena.

—Me perdoa pai, eu sei que você tinha muito orgulho de dizer que eu era freira, mas eu não posso mais ficar lá, não posso, o convento não era lugar para mim.

—E foi por isso que você saiu de lá?

—Não pai, não foi por isso, eu não posso ficar mais no convento por que... – eu não conseguia dizer as palavras, ainda não e meu pai, com os olhos arregalados de pavor fez sua própria conclusão.

—Você foi expulsa?

—Na verdade eu pedi para sair– ele franziu o cenho pronto para fazer a próxima pergunta, mas a minha mãe entrou e me entregou uma xícara de chocolate fumegante fazendo o meu estomago roncar e eu me senti mal por lembrar que não tinha comido nada durante o dia principalmente por que agora eu não estava mais sozinha tinha que alimentar meu filho também.

Eu me sentei no sofá e tomei todo o chocolate em longas goladas enquanto minha mãe segurava minha mão com carinho. Meu pai estava em pé andando de um lado para o outro parecendo nervoso, provavelmente com a cabeça cheia de confusão e curiosidade. Quando eu entreguei a caneca a minha mãe me sentindo bem mais quente e melhor ela disse. 

—Por favor filha agora nos conte o que houve antes que seu pai e eu tenhamos um ataque – eu respirei fundo e falei.

—Eu não sou mais uma noviça. 

—Isso você já tinha falado Bella. Conte por favor o que está acontecendo — meu pai pediu perdendo a paciência. 

—Eu não posso ficar mais no convento por que eu estou grávida – minha mãe ofegou e tapou a boca e meu pai caiu sentado na poltrona pálido – Eu não posso ter um bebê no convento– continuei — e é por isso que não vou mais ficar lá.

—Como assim você vai ter um bebê Bella? Quem foi que fez isso com você?

—Isso é tudo que eu posso contar pai. Eu sinto muito. 

—Eu quero saber o nome do vagabundo que te engravidou agora! – Ele gritou e eu me encolhi no sofá, minha mãe me abraçou  acariciando minha barriga.

—Charlie fica calmo, até por que gritar não adianta nada e não vai desfazer o que foi feito. A Bella precisa de calma para que possa nos contar direitinho o que aconteceu. 

—Não tenho mais nada a dizer mãe. Eu apenas decidi que vou ter o meu bebê e que cuidar dele mesmo que esteja sozinha, mas eu espero ter a ajuda de vocês já que ele não vai ter o pai por perto. 

—Quem é o pai dessa criança Bella? – Meu pai perguntou com os dentes cerrados cheio de raiva.

—Eu não vou dizer pai – falei decidida. 

—Eu preciso saber. Um homem não vai entrar no convento enganar a minha filha deixa-la grávida e ficar por isso mesmo. Não eu não vou permitir. Ou você me conta quem foi ou eu mesmo dou um jeito de descobrir.  

—Por favor pai, não faça isso. Ninguém me enganou e eu confesso que errei, mas não posso voltar atrás, o que está feito está feito e agora eu vou ter um bebê e nada que você faça vai mudar o que aconteceu. 

—Bella, eu cuidei tanto de você. Eu te protegi e te deixei em um convento, não era para isso ter acontecido, não posso deixar que fique assim. Você é a minha filha, o meu anjo que eu jurei que ninguém ia tocar quanto mais usar e jogar fora como esse desgraçado fez com você.

—Pai isso já passou...

—Eu preciso... Eu realmente preciso disso, não posso ficar de braços cruzados depois de tudo o que te aconteceu. Me diz quem é o pai dessa criança, por favor – as lágrimas voltaram com tudo e negava com a cabeça, disposta a manter a promessa que eu fiz, eu jamais contaria a ele – Isabella me diz quem fez isso com você. 

—Charlie não grita com ela – Edward entrou de repente deixando todos nós surpresos, bateu a porta com força, cruzou a sala em três longas passadas e se ajoelhou na minha frente, olhando em meus olhos ele falou com a voz firme e tranquila – Eu sou o pai do bebê que a Bella está esperando.

Notas finais
Ahhh e ai? Eu estou louquinha para saber a opinião de voces. O que acharam? Contem para mim por favor, por favor. Pensaram que o Edward tinha desistido mesmo dela? Aposto como voces queriam dar uma surra nele não? Tadinho kkkkk O que vai acontecer agora? O que o Charlie vai fazer diante disso, o que vai acontecer nos proximos capitulos? Eu espero voces aqui para descobrir. Nina Martins obrigada, mais uma vez *----* Até semana que vem pessoal. Beeeeeijos