A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
75 2x33 Corações feridos e redenção (E)
Notas iniciais
PDV Renesmee.
— Hey, Jake. – o chamei, e o guiei até o quintal de trás da casa dos meus avós. Sarah dormiu aqui ontem, e viemos buscá-la. Aproveitei para conversar com ele.
— Fala. – ele falou quando chegamos longe o suficiente para termos alguma privacidade. Meus avós não iriam bisbilhotar.
Já sei como proteger a Carl de tudo isso.
— Pelo visto já se entenderam. – ele apontou, um pouco contente. Ele ainda estava ressentido com ela por causa do Seth, mas não queria que eu sofresse. – Já estão se tratando pelos apelidos novamente.
Ela me disse que amanhã me contará tudo, declarei, confio que tem a versão dela.
— Mas por que amanhã?
Na verdade, hoje, me corrigi, me lembrando de que a gente conversou ontem antes de eu chegar no bar, e quando Jake me buscou depois de conversar com o Liam. Jake fechou a cara com esse detalhe. Ignorei. Ela vai vir para ver o Harry.
Ele assentiu.
— Esse negócio de bruxas, outras espécies de vampiros, é uma coisa e tanto, né? – ele falou, mudando de assunto. – Nunca teve nada disso nas lendas da tribo. Eles devem ter se escondido muito bem por muito tempo
Pois é, respondi, aquela bruxa maluca não pode nem sonhar que Carlie estará aqui quando a gente entregar o endereço do vampiro.
— Vamos cuidar disso. – ele prometeu. – Só não gosto de esconder nada disso.
— Só até Carlie estar conosco. – jurei. – Não podemos arriscar. E não estamos fazendo nada demais.
Ele suspirou resignado. Depois me beijou. Como sempre, seus beijos me acalmavam. Eu adorava isso. Agarrei seu cabelo, e a outra mão, eu puxava seu cabelo da nuca, o fazendo estremecer.
— Para. – ele pediu, com um sorriso bobo no rosto.
— Você gosta. – apontei, sorrindo sacana.
— É verdade. Que se dane. Faça o que quiser comigo.
Sorri ao ouvir aquilo. Ele me rodopiou num abraço, me fazendo rir. Sua mão atrevida me segurando pela bunda. Um sorriso cresceu em meus lábios, para combinar com o seu. Depois, segurou meu rosto com as duas mãos e aprofundou o beijo.
— Vamos voltar para dentro. – interrompi o beijo contra a minha vontade. – Vovó está fazendo o café da manhã para a gente.
Ele concordou.
— Chegamos, cadê a garotinha do papai? – Jacob falou assim que passou pela porta dos fundos, que dava à cozinha.
Ela surgiu de trás da bancada, e correu para ele – se ela caísse, eu teria de impedir, pois Jacob não teria tanta rapidez a tempo –, enquanto gritava desajeitada.
— Papai!
Ele a pegou no mesmo instante em que ela colidiu com ele. Sorri boba ao ouvir as gargalhadas quando Jacob a girou no ar. Uma cena que eu nunca pedi mas não sabia que precisava. Ela estava a coisa mais linda do mundo, seus cabelos negros escorridos e pele clara como a minha. O sorriso de Jake e meus olhos. Já aparentava quase dois anos, e já sabia andar. Ela cambaleava, mas ainda sim, uma graça.
— Olá, queridos. – vovó veio me cumprimentar. – Como estão?
— Estamos bem. – respondi por nós dois. – O que temos para o café?
— Muffins de chocolate e chocolate quente. – ela respondeu. – Seu avô quem fez tudo. – ela falou, sorrindo orgulhosa.
Eu sorri, preparando uma piada sobre isto, enquanto entrávamos na cozinha.
— Se eu morrer de intoxicação alimentar, já sabem quem culpar. – falei, fingindo que meu avô nem estava ali.
— Nem vem. – ele começou a se defender, fingindo estar ofendido. – Eu posso cozinhar melhor do que sua avó, sabia?
— Aí já é injustiça. – Jacob se intrometeu. – Ninguém cozinha melhor do que a Esme.
— Obrigado, querido. – ela agradeceu.
Era evidente a felicidade e o conforto que meus avós tinham com o fato de que não tinha mais tratado com eles. Agora eles viviam totalmente em paz.
— Nessie, a cunhada do William passou aqui e entregou um convite personalizado para uma festa. – vovó disse. – Ela se desculpou que foi de última hora. Vai ser hoje.
Peguei o papel de sua mão, observando os detalhes sofisticados. Ela explicou a parte em um papel que fez uma viagem com alguns amigos e eles decidiram fazer uma pequena festa em celebração à sua faculdade.
Perfeito! Isso iria manter a Carlie por aqui.
— Obrigado. A gente vai sim. – falei, ignorando o olhar torto que Jake me lançou. Lauren era a cunhada do ex da minha irmã, e eu já planejava arrastar ela para a festa. Bom, mas não é ligado diretamente ao William. Se ele estivesse lá, é isso e pronto. Carlie já é uma mulher casada e Seth lidaria com seus ciúmes. Na verdade, os acontecimentos recentes mostraram que não é bem assim. – Carlie vai também. Ela estará aqui daqui a pouco.
— E ninguém me conta isso? – ela falou, sorrindo, e foi para a bancada pegar o nosso café da manhã.
— Ela falou ontem à noite. – respondi. Nos sentamos. Minha filha sentada no colo dele.
— Já estão se falando? – vovô perguntou, com um sorriso satisfeito no rosto. Todos sabiam como fora a nossa despedida, e que não nos falamos desde então.
— Ela é a minha melhor amiga. – dei de ombros. – Não íamos ficar de mal para sempre.
— Sarah, cuidado. – Jake repreendeu, recuperando o equilíbrio da bacia de muffins que Sarah ia derrubar para pegar um. – Se quiser pegar, peça para a mamãe ou o papai.
— Desculpe, papai. – ela falou, usando a sua arma: o biquinho. Ele se derreteu na hora.
— Não tem problema. – ele falou.
Franzindo a boca, evitando rir, olhei para os meus avós, que olhavam a cena prendendo o riso.
PDV Carlie.
Acordei cedo, animada com o fato de rever minha família, principalmente meu filho. Três dias longe dele já bastavam. Eu nem ia acordar o Adrian.
Fui tomar um banho quente e rápido. Minhas malas estavam prontas, então não precisava me preocupar mais com nada além de chegar viva no aeroporto. Sei lá, com a minha sorte...
— Você ia sem se despedir de mim?
Gritei num sobressalto quando ouvi sua voz no banheiro.
— Adrian, você já ouviu falar por que os banheiros são fechados? – continuei sem esperar por uma resposta. – Exatamente, privacidade! – gritei a última palavra, enquanto ele apenas ria.
— Eu estava apertado. – ele se defendeu.
Revirei os olhos e puxei a cortina de dentro do boxe para me dar mais privacidade.
Tentei ignorar o fato de que ele estava ali e me permiti pensar no Seth. Em menos de doze horas eu o veria novamente. Veria seu sorriso. Seus lindos olhos castanhos. Eu não via a hora. E torcia para que, quando eu chegasse, ele não fugisse apenas para não me ver.
PDV Mendy.
Eu estava na casa dos meus avós. E me encontrei com a Renesmee e o Jacob. Embry veio comigo.
— Vocês vão para a festa? – ela perguntou, animada. – Lembra da Lauren?
— Cunhada do Will? – perguntei confirmando.
— Sim. – Ness afirmou. – Ela está aqui em Boston comemorando algo sobre a faculdade dela, e nos convidou.
— Claro, nós vamos. – sorri, empolgada de sair com Embry a sós.
— Mas e o tal do William? – Embry questionou.
— Obrigado, Embry! – exclamou Jacob, apontando como se eles fossem os únicos lúcidos naquele cômodo.
— Carlie e Seth, apesar das circunstâncias, já são grandinhos e casados. Ele tem que aprender a lidar com ciúmes, ainda mais que o convite não é sobre ele.
Nessie lançou um olhar triunfante para seu marido, e com certeza eles tiveram aquela discussão em algum momento, e que Jake teve a mesma reação de Embry.
— Ai. – gemi ao sentir uma pontada no ventre. – Droga, vou entrar naquele período de novo. – resmunguei. – Mas... de novo?
Soltei outro som de dor sem conseguir me conter.
– Meu amor, não sou especialista, mas faz menos de uma semana que você parou de menstruar. – Embry recordou, preocupado.
— Ai, droga, eu não sei o que está havendo. – falei entredentes, um tanto constrangida de estar fazendo alarde por uma cólica. Mas essa estava diferente de tudo o que eu já tive.
Antes que eu pudesse raciocinar ou responder a alguma pergunta que me foi feita, senti um escape gigante de xixi entre as minhas pernas. Olhei horrorizada o líquido escorrer. Eu nunca tive problema urinário, e de repente isso? Meu rosto esquentou, e eu só queria me esconder. Que vergonha, nem dormindo eu faço xixi na roupa!
— Mendy. – meu avô falou de boca aberta, olhando o liquido fazer uma poça no chão ao redor da minha cadeira. Ok, isso me assustou. Era difícil conseguir deixar meu avô surpreso daquele jeito.
— Sim? – eu disse com a arcada dentária fechada, tentando segurar a dor.
— Você está em trabalho de parto. – ele esclareceu.
— O QUE?
Ele me pegou no colo com cuidado, e ao mesmo tempo ágil, e me levou para o seu escritório, onde havia os equipamentos de hospital desde o dia em que Derek foi transformado.
Gritei quando senti uma pontada mais forte. Essa doeu pra valer. A dor começou a irradiar para a lombar, e em pouco tempo não havia mais dor no ventre. E ao invés de dor, se transformou em queimação.
— Como assim “trabalho de parto”? – Embry indagou quando chegou ao meu lado. Ele segurou a minha mão para me dar apoio.
— Isso se chama gravidez silenciosa. Não é raro, mas não é comum. – ele explicou, indo para lá e para cá, quase invisível no cômodo.
— Vou avisar aos seus pais. – minha avó falou e desapareceu.
Fechei os olhos, tentando me concentrar em me livrar da dor.
— Mendy, querida, você está coroando e eu preciso que faça força quando eu disser. – Carlisle ordenou, e eu abri os meus olhos para enxergar seu castanho dourado. – Preciso que seja forte, tem uma criaturinha que depende de você para vir ao mundo. Sei que é tudo novo para você, mas vai passar logo, eu prometo.
Arregalei os olhos ao constatar que ia ser parto normal.
— Está bem? – ele falou, enquanto eu estava ofegante. Mais de medo do que da própria dor.
Assenti, sem conseguir confiar na minha própria voz.
— Vamos lá. Um, dois, três... agora!
Agarrei a mão de Embry e de Ness, e me concentrei para fazer o máximo de força que meu corpo permitia. Parei um pouco para respirar e comecei a chorar. Eu estava a poucos minutos de segurar meu bebê em meus braços, e a uma hora atrás eu era só a Mendy.
— Mendy, vamos lá, querida. Mais uma vez. – meu avô incentivou, com a voz calma, porém precisa.
Tombei a cabeça no travesseiro, ofegante.
— Embry, eu não sei se consigo... – murmurei, sentindo meus olhos se umedecerem.
— Eu sei que consegue, amor. Só mais um pouco. – ele falou, dando um leve aperto na minha mão. – Sei que nossas vidas vão mudar drasticamente, e que isso é assustador. Mas você é forte e vamos passar por tudo juntos.
Suas palavras me deram força. A força que eu precisava. Peguei o ar devagar, e me preparei para isso mais uma vez.
— Vamos lá. – ele repetiu. – Um, dois, três!
— URGH! – grunhi alto, tentando colocar todas as minhas forças e energias para que meu filho saísse de dentro de mim.
Caí exausta no colchão assim que ouvi o choro do bebê, e meu peito relaxou, mesmo com o coração ainda acelerado. Aproveitei a sensação de alívio que me preencheu para tirar a exaustão de mim.
— É uma menina. – meu avô anunciou, e abri os olhos, observando um bebê cheio de sangue em seu colo.
— Eu sou pai. – Embry falou engasgado.
— Deixe-me segurá-la. – pedi, e meu pedido fora atendido.
A menininha tão pequenina em meus braços me encantou assim que pus meus olhos nela.
— Linda como você. – Embry sussurrou, inclinado ao meu lado, também a olhando.
Sorri. Eu tinha uma vida perfeita!
— E minha mãe? – perguntei, e minha voz tremeu. – Ela vai ficar uma fera comig...
— Não vai, não. – Esme me cortou, entrando no quarto. – Ela está feliz por ser avó.
Arqueei as sobrancelhas, verdadeiramente surpresa de que ela não queria me matar ou ao Embry. Mas isso era um bônus.
PDV Rosalie.
— Ah, meu ursão. – falei manhosa recebendo beijos pelo meu pescoço.
Fomos interrompidos pelo meu celular tocando, e Emmett resmungou.
— Oi, Esme. – a cumprimentei.
— Rose, a Mendy...
— O que houve com ela? – perguntei, começando a me preocupar, assim como o Em.
— Ela está tendo um bebê.
Eu fiquei pasma. Não podia acreditar que minha filha não nos contou sobre sua gravidez. Não, não tem como eu ter sido uma mãe tão rígida que ela não quis me contar.
Olhei para Emmett para ter certeza, porém estava tão chocado quanto eu.
— Ela ficou tão surpresa como vocês estão agora. – Esme voltou a falar.
— Ela não sabia? – perguntei, surpresa.
— Não. – respondeu. – Foi uma gravidez silenciosa.
E então ouvimos um choro um pouco longe, um choro de criança. E a voz de Carlisle:
— Parabéns, Mendy.
— Eu sou pai. – Embry falou, engasgado.
— Estamos a caminho. – e desliguei o celular. – Somos avós. – falei, sem conseguir acreditar.
— Eu sei. – Emm falou, sorrindo de orelha em orelha.
Nos apressamos para sair de casa.
— Não acredito que aquele pulguento de uma figa teve a coragem de engravidar a nossa filha! Ela é só uma criança. – rosnei, furiosa enquanto fazíamos nosso caminho até a casa de Esme e Carlisle.
— Calma, Rose. – Em apertou minha mão, na tentativa falha de me acalmar. – Nenhum de nós sabia. Foi uma surpresa.
— Ele vai se ver comigo.
Foram minhas últimas palavras antes de passarmos pela porta da frente.
PDV Carlie.
Eu estava esperando o início do embarque quando meu celular tocou. Era Nessie.
— Hey, Ness. – a cumprimentei.
— Carl, você não sabe da nova. – ela exclamou contente.
— O que? – perguntei, curiosa. Eu ouvia vagamente uns resmungos de bebê. Devia ser a Heather.
— Mendy teve bebê!
— O que?! – perguntei, espantada. – C-como?
— Sim, ela não sabia. Legal, né? Tio Em e tia Rose chegaram aqui querendo matar Embry, e agora estão babando pela criança.
Eu ri. Com certeza eles deviam estar.
— Não esqueci dele, Ness. Seu vira-lata, como teve a ousadia de engravidar a minha filha?
— Mãe, pare com isso.— Mendy brigou. – Devia estar feliz por mim.
— Eu estou, meu anjo. – sua voz se adocicou ao falar com ela.
— Mas como? Isso é possível?
— Vovô explicou que sim.
— Nossa. – murmurei, me sentindo mal por ela, que sempre quis ter chá de bebê, sentir os chutes na barriga, sentir seu filho dentro dela. E acaba que nem ela sabia sobre a gravidez.
— É, deve ser chato assim. Eu sinto muito por ela.— suspirou parecendo chateada. – Mas quando você chega?
— No horário que te passei, acho que o voo não vai atrasar. – comentei após ver o horário na tela do meu celular. – E... o Seth? Ele está aí, né? Quero dizer, ele vai estar aí quando eu chegar, certo? Ele ignorou todas as minhas ligações...
— Carlie...— houve uma breve pausa, e uma porta se abrindo e fechando. – Seth! Seth, espera!
Mordi o lábio, desejando nunca o ter magoado.
— Eu vou atrás dele.— ouvi a voz do Jacob, e a porta foi aberta e fechada novamente. Desta vez, sem força bruta.
— Eu não sabia que ele estava aí. – sussurrei, me sentindo mal.
— Está tudo bem, Carl.— ela falou. – Ninguém está te culpando.
— Só ele, e o Jake, né? – ponderei sarcástica.
— Olha, ele está sofrendo. É normal ele não querer ouvir sua voz, ou... te ver.
— É, eu sei. – soltei um muxoxo. – Mudando de assunto, é menina ou menino?
— Menina.
— Diga que eu falei “parabéns”.
— Digo sim.
— Até mais.
— Tchau.
Respirei fundo, tentando me acalmar. Dois minutos depois começou a fila para o embarque.
* * *
Acordei quando senti o avião pousando. Finalmente em Boston!
Assim que saí do avião, peguei minhas malas. E quando me virei, tive uma visão inesperada.
— Seth? – perguntei, sem acreditar.
Ele evitava me olhar nos olhos, e por isso, olhava em volta.
Isso me magoou um pouco. Mas de uma coisa eu tinha certeza: nada com o que eu me magoasse, seria comparado ao quanto eu o magoei.
— Hey. – o cumprimentei quando cheguei perto dele, e ele não tinha outra opção a não ser, pelo menos, “perceber” minha presença.
— Hey. – respondeu com indiferença. Pegou as minhas duas malas e se virou, andando sem falar mais nada. Suspirei e o segui. – Não acredito que eles fizeram isso comigo. – o ouvi murmurar consigo mesmo.
É, com certeza ele não estava ali porque queria. Alguém o fez vir, obrigado ou como tarefa empurrada. Chegamos ao meu carro e ele abriu o porta-malas para colocar a minha bagagem. O fechou e foi para a porta do motorista. O impedi.
— Seth, por favor. – pedi, segurando sua mão antes que abrisse a porta.
Ele olhou nossas mãos, e nunca vi seu olhar tão vazio.
— Não faz isso, por favor. – implorei, sentindo meu coração se rasgar por dentro. Peguei seu rosto quente entre minhas mãos, e o fiz olhar em meus olhos. – Não fique assim.
Ele olhou meus lábios, desesperança e dor alojados nos seus globos oculares escuros.
— Quantas vezes você vai precisar quebrar meu coração? – perguntou, o tom falho. Abaixou a cabeça e fechou os olhos. Suas mãos seguraram meus pulsos e afastou nosso contato de pele.
— Essa nunca foi a minha intenção. – murmurei sem reação.
— Vamos pra casa. – finalizou a conversa e entrou no carro. Ligou o motor, e ficou à espera de eu entrar.
Fiquei estática alguns segundos, me perguntando como ele conseguia ser tão frio. Mas não era para eu ficar surpresa, afinal, eu sou a vilã. Eu fiz as coisas virarem de ponta cabeça nas nossas vidas.
Engoli em seco, e dei a volta no carro, entrando no assento do passageiro.
— Quem te obrigou a vir me buscar? – perguntei depois de alguns minutos perturbadores em silêncio.
— Jacob e Renesmee.
Devia mesmo estar irritado com os dois, pois os tratou pelos nomes.
— É, realmente deve ser ruim você precisar me ver, né? – não consegui segurar minha língua.
Egoísta. Você que fugiu com outro homem, não tem o direito de expressar chateação nenhuma. Pensei, desejando poder retirar o que eu disse.
Ele não falou nada. Apenas se concentrava na estrada a sua frente. Droga, era demais para mim. Estar num ambiente fechado com Seth e não trocar uma palavra parecia tortura.
— Sabe que não pode ficar sem falar comigo para sempre, né? – sem querer saiu em tom de reclamação, mas ele continuou me ignorando. – Seth, pare o carro, por favor?
Eu ia arrumar um jeito de ele falar comigo. Isso já estava me matando.
Parou no próximo acostamento. Continuou ignorando minha existência.
Peguei a chave da ignição, consequentemente desligando o motor, e a joguei com impulso em qualquer lugar no meio do mato.
— Por que fez isso? – ele perguntou pasmo, abrindo a porta e saindo. O segui. – Ficou maluca? Desse jeito a gente não vai chegar em casa nunca...
— Seth, para! – o freei com as mãos em seu peito. – A gente só sai daqui quando você falar direito comigo.
— Jura? Falar com você vai trazer a chave magicamente de volta? – perguntou irônico, se referindo a chave. – Escuta, você acha que, depois que fez comigo, é só chegar aqui e exigir que eu fale com você como se nada tivesse acontecido?
Isso foi como levar um tapa na cara. Não, foi pior do que levar um soco no estômago. Foi simplesmente como tomar um choque da realidade.
— Só, por favor, pare de me ignorar. – pedi, o encarando através de uma cortina indesejada de água salgada.
— Te ignorar é fácil. É bem mais fácil do que falar com você e sentir meu coração sendo arrancado. – ele admitiu num tom frustrado. – Agora vamos procurar as chaves que você fez o favor de jogar no meio da mata. Que ótimo.
Passou por mim e foi em direção onde eu as joguei. Eu o segui.
— Desisto. – falei, me sentando na grama. Eu só estava com preguiça.
— Você procurou pelo o que? Dez segundos? – perguntou, incrédulo. – Se desistir, a gente não sai daqui nunca.
Suspirei e antes de levantar, reparei algo duro embaixo de mim. Coloquei minha mão e a puxei rapidamente quando peguei as chaves.
— Achei! – cantarolei, me levantando.
— Ótimo. – ele falou e veio até mim, afim de eu lhe entregar.
— Hey, eu achei, eu dirijo. – coloquei uma ordem, escondendo a chave atrás de mim.
— Nada disso, eu sou o mais velho. Eu dirijo. – ele ordenou com a mão esticada.
— Nada feito. – teimei, dando passos para trás. Um sorriso lutava para aparecer em meu rosto, e eu o continha. Não queria parecer travessa, apesar de estar sendo. Estava dando certo. Ele estava falando comigo. Mesmo que fosse meio que uma discussão.
— Carlie, por favor, não discuta comigo. Me dê a chave. – falou com autoridade, que comigo não funcionava.
— Vem pegar. – desafiei. Ele estreitou os olhos, me olhando frustrado.
— Carlie, sem brincadeiras. – ele avisou, se aproximando de mim, na intenção de pegá-las.
Eu ansiava para ter seu corpo perto do meu. E estava funcionando. Seu corpo estava a centímetros do meu, enquanto ele tentava pegar das minhas mãos atrás das minhas costas.
— Carlie, devolva essa chave. – ele pediu, ficando mais sério, colocando as mãos nas minhas. Mas mantive-as firmemente fechadas, quase esquecendo de não amassar o metal.
— Pegue. – sussurrei, deixando meu hálito bater em seu rosto. Ele ficou com cara de bobo, olhando para os meus lábios.
— Carl, não faça isso, por favor. – ele implorou com a boca, mas seu corpo estava entregue.
— Fazer isso o que? – perguntei, chegando mais perto de seu rosto. Nossos narizes roçaram, e eu fechei os olhos. Eu ansiava por um beijo seu.
Levei minhas mãos até a lateral do seu corpo, e as levei para cima, caminhando pela sua barriga magra e definida, e indo de encontro do seu peitoral quente e aconchegante, chegando nos ombros firmes e parando na sua nuca. Em resposta segurou firme minha cintura, fazendo meu coração acelerar.
Nossas respirações estavam igualmente irregulares. Uma mais rápida e outra mais lenta, mas nenhuma normal. E eu estava adorando aquilo tudo. A magia do primeiro beijo estava ali, como se nunca tivéssemos nos tocado.
Eu sabia que enquanto continuasse essa farsa com o Adrian, ambos sairiam machucados, mas eu, egoísta como sempre, precisava de um beijo de sua boca.
Desde o nosso primeiro beijo, eu fiquei viciada nele. Sempre necessitava de seu abraço, de qualquer contato de pele com pele. Eu não parava de pensar nele um segundo apenas. Isso era um pouco frustrante, pois eu não gostava de machucá-lo como estou fazendo agora.
— Carlie...
Meu corpo inteiro vibrou de desejo quando nossos lábios superiores de tocaram. Eu era uma viciada, e Seth era o meu vício. Eu estava em constância alimentando meu vício, ao invés de ficar longe dele enquanto essa história estiver mal resolvida, e era o que eu tinha que fazer para não o ferir mais. Mas isso sempre pareceu impossível, para os dois, de nenhum sair ferido. Porque, quando menos a gente esperava, já estava tudo desmoronando sobre a gente.
Eu estava cansada de enrolar, e quando eu ia beijá-lo, ele o fez, segurando minha nuca. Nossos lábios se devoravam, como se fosse uma vida sem se tocarem. Como se fosse a primeira vez. Isso era tão estranho. Antes de sair de casa, Adrian me beijou – o selinho roubado de um conto de horror – e agora eu estava beijando o Seth. Mesmo com o relacionamento sob chantagem, isso ainda o fazia o outro. Eu me sentia mal pelo Seth.
Porém ele nunca seria “o outro”. Ele sempre seria o único. Para todo sempre. Para o resto de nossas vidas.
Ele aprofundou o beijo, se inclinando sobre mim. Nossos corpos estavam grudados, e eu quase perdi o fôlego ao sentir suas definições da barriga, e nossos peitos colados. Ele pediu passagem com a língua, e eu cedi. Pude sentir o calor do beijo. Era muito bom.
Não sei quanto tempo se passou quando cortamos o beijo com selinhos. Sei que ainda estava claro.
— Por que você faz isso comigo? – ele choramingou, como se eu o tivesse torturando.
— Eu não fiz nada. – me defendi. – Você quem me beijou.
— Você me atiçou. – ele acusou.
— E você gostou. – devolvi, mordendo o lábio em meio a um sorriso.
Ele se limitou a apenas sorrir, confirmando o que eu disse.
— Mas é sério. – ele voltou a falar. – Me deixe dirigir?
— Nã... – antes que eu pudesse terminar essa pequena palavra, ele puxou a chave da minha mão, antes que eu pudesse fazer alguma coisa. – Hey! Devolve!
— Venha pegar. – e começou a se afastar.
— Seth, você é muito criança, sabia? – falei, tentando provocá-lo.
— Não vou cair nessa. – ele falou, se afastando mais, ainda me olhando com um sorriso provocativo no rosto.
— Está bem, vou te esperar no carro enquanto você age como uma criança. – dei de ombros e virei as costas. Eu sabia o que viria a seguir.
Senti-o se aproximar rápido, e então seus braços fortes abraçaram minha cintura. Senti seus lábios em meu pescoço num beijo singelo, enquanto eu deixava um gritinho de felicidade correr por entre meus lábios.
— Quer dirigir? – perguntou no meu ouvido.
— Quero. – respondi, com um sorriso vitorioso no rosto, e me virei para pegar as chaves.
— Vai ficar querendo.
— Idiota. – dei um soco em seu peito. – Vamos logo, realmente temos que ir.
— Pior que temos mesmo. – ele respondeu, e andamos até o carro. – Sua família estava te esperando. Principalmente Mendy.
— E como é a filha dela? – perguntei, me lembrando da gravidez inesperada.
— É uma graça. – ele respondeu. Abriu a porta do carro para mim, e deslizei para dentro. – Carlisle falou que essa gravidez realmente passou despercebida para todos. – ele falou enquanto dava a partida no carro. – A barriga dela não era quase nada. Ela era tão magra, que ela foi como essas que ficam grávidas, e nem dá para perceber. E bem, com Embry por perto ninguém prestou atenção no terceiro coraçãozinho batendo.
— Entendo.
Liguei o rádio na nossa estação favorita. E como esperado, uma música conhecia. Passamos a viagem fazendo duetos e conversando.
Quando chegamos, estavam todos na minha casa.
— Whoa! – gritei, feliz. – Tudo isso só para me receber?
— É claro. – vovó falou e me abraçou.
— A casa fica chata sem você. – Derek falou num tom deprimido. – Mas agora eu arranjei uma profissão: sou babá.
Eu gargalhei alto.
— Derek de babá? De quem foi a ideia? Merece um prêmio.
— Edward. – ele resmungou.
— Brilhante. – falei pro meu pai, ainda rindo, e ele sorriu.
Dei um abraço em todos ali, e eu segurei o choro. Com certeza tio Jazz sentiu, mas deixou quieto. Papai também leu nos pensamentos do meu tio e decidiu ficar calado. Droga, ficar apenas alguns dias longe nessas condições é horrível.
— Enquanto a Mendy dorme, eu cuido da filha dela. Ela estava acordada há pouco tempo, foi só tirar uma soneca.
— Só porque eu chego. – reclamo de brincadeira.
— O cheiro de leite é tão esquisito. A boquinha da Zoe está sempre cheirando a leite. – Der enrugou o nariz, e eu gargalhei.
— Carl, a cunhada do William está por aqui e nos chamou para uma festa. – Ness anunciou. Prendi a respiração. Eu não esperava que fosse aparecer algo dele justo quando Seth e eu estamos nessa situação.
— Hã...
— Nós vamos. – ela deu a palavra final sem hesitação. – Vai ser divertido.
Fiquei calada. Devia ter um bom motivo para ela não se importar de falar isso na frente do próprio cunhado, sabendo de tudo o que ocorreu.
Mendy logo se juntou a nós. Não parecia tão cansada. Depois de jogarmos conversa fora, Nessie e eu fomos para a casa dos meus avós para conversar a sós.
— É melhor que essa explicação seja a melhor das explicações que eu já recebi na minha vida. – ela avisou, destrancando a porta.
— Eu não sei se você vai me compreender. – murmurei murcha.
Nos acomodamos no sofá da sala.
— Você vai falar: você tinha que falar com algum de nós quando chegamos lá. Papai teria acabado com ele e blábláblá. Mas eu estava tão apavorada que...
— Hey, calma. – ela me interrompeu com as mãos em meus ombros, como se isso fosse algum tipo de relaxante. – Respira fundo e me conta tudo.
Fiz o que ela mandou. Tomei uma grande respiração e relaxei meus músculos. Ela se apoiou com o cotovelo na cabeça do sofá e me olhou, à espera.
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