A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
73 2x31 Vinho Azedo (E)
Notas iniciais
PDV Seth.
Acordei com um mau pressentimento de um sonho. Por algum motivo eu não conseguia me lembrar como foi, mas tenho certeza de que tinha Carl nele. Virei-me de barriga para cima e encarei o teto, sentindo as gotas de suor descendo pela minha testa.
Puxa, que sonho esquisito. Ainda mais com Carl...
Pensar nela me fez sorrir, como sempre. Girei minha cabeça para admirar a sua beleza cativante enquanto dormia, mas tive uma surpresa desagradável. A cama ao meu lado estava vazia.
O dia ainda estava absurdamente escuro para já ser de manhã. Os raios solares que sempre nos espiam pela manhã através da grossa cortina estavam longe de aparecer. Esperei por um momento, caso ela tivesse ido ao banheiro ou beber água. Dei uma olhada no relógio de mesa, verificando que horas eram. Em poucos minutos seriam três da madrugada. Comecei a ficar nervoso de verdade.
Sem paciência, me levantei e fui checar o banheiro. Bati antes de entrar, mesmo assim o encontrei vazio. Desci os degraus da escadaria para verificar a cozinha – nesse meio tempo que levantei ela já estaria voltando se tivesse ido beber água – apenas para encontrar as luzes apagadas. Não havia também sinal de choro de bebê, então ela não foi ver Harry.
Em passos apressados, fui até o quarto do Edward e da Bella. Com as crianças dormindo, eles poderiam estar ocupados...
Decidi bater.
Toc, toc.
Houve um silêncio, e eu esperei impaciente. Após cinco segundos, eu já ia abrir a porta, quando Edward a abriu.
— Sim, Seth? – ele falou, com o cenho franzido, obviamente não esperava me ver a essas horas.
— A Carlie sumiu. – soltei de uma vez, não querendo enrolações. Ela podia estar correndo perigo.
— Como assim “A Carlie sumiu”? – Bella perguntou, aparecendo na porta apenas com uma camisa cobrindo seu corpo. Rapidamente, desviei o olhar por causa da sua roupa. Ou pela falta dela.
— Eu acabei de acordar e vi que ela não estava na cama. Olhei por toda a casa, e não a encontrei. – falei, olhando para qualquer canto, menos o quarto deles.
— Vamos procura-la. – ele falou e entrou. Enquanto isso, fui chamar Nessie e Jake. bati no quarto e decidi que mesmo para eles, cinco segundos seria o que eu esperaria. Após isso abri a porta. Silêncio.
— Ei, Jake. Acorde. – falei, sem sucesso. – Jake! Acorde.
Em vez de ele acordar, foi a Nessie quem despertou.
— O que foi, Seth? – ela perguntou sonolenta, se sentando.
— A Carlie. – falei, sem saber por onde começar. Ela despertou e ficou atenta nas minhas palavras, e então eu sabia que nem ela sabia onde sua irmã havia ido. – Ela te falou se ia sair?
— Eu não falo com ela desde quando a gente foi dormir. – ela falou, estranhando também. – Ela não está na cozinha?
Antes que ela terminasse a última palavra, eu já estava balançando a cabeça, em negativo.
— Estranho. – ela falou consigo mesma. – Vamos procura-la. Vou acordar Jacob.
Assenti e corri escadas a baixo.
— As crianças?...
— Estamos levando as babás eletrônicas. Se eu precisar voltar igual um jatinho, eu volto. – Bella me assegurou.
Me sentindo seguro, saí da casa. Bella e Edward estavam atrás de mim. Segundos depois, Ness e Jake se juntaram a nós.
— Ela não pode ter ido longe. – Bella ponderou.
Seguimos o rastro dela até sair do condomínio. E seguia até o parque. Um lindo parque ecológico que mais parecia uma floresta. Me perguntei o que ela viria fazer aqui a essa hora da madrugada.
— Estranho, muito estranho. – Bella falou quando viu pegadas no começo da floresta. Sem pensar duas vezes, adentrei a floresta, seguindo seu cheiro e suas pegadas.
Eu não queria pensar se ela estivesse ferida. Se Tifanny tivesse obtido sucesso em arrasta-la para uma armadilha. Aquele bilhete foi um claro aviso.
Poucos passos depois meus pés colaram no chão. Carlie estava há alguns metros de distância, e não estava sozinha. Eu conhecia esse garoto de algum lugar. Não era humano. Eu podia sentir seu cheiro.
Eles estavam... se beijando?!
— Solte-a. – rosnei. Assistir a essa cena foi como enfiar um punhal pelo meu peito.
Isso fez com que eles se separassem num choque. Mas a mão na silhueta da minha mulher ainda a mantinha perto. Dei tudo de mim naquele momento para manter a postura e não começar uma briga num local civil. Eu já sentia meus braços tremendo.
— Seth, está tudo bem. – ela falou tímida.
Está tudo... bem?
— Carlie, me dê um motivo para não revelar meu segredo e me transformar num animal selvagem e arrancar a cabeça desse babaca. – implorei frisando “um”, querendo mesmo algo que me impedisse, pois eu já estava prestes a entrar na pele no lobo amarelo sem querer.
— Seth, eu queria ter te contado isso há um tempo, mas não consegui... – ela se interrompeu, aparentemente culpada. Ela o soltou e deu um passo em minha direção.
— Contado o que? – perguntei de dentes cerrados, me concentrando em não explodir em quatro patas tão perto dela. Sei que Edward jamais deixaria, e mesmo assim eu lutei contra mim para não fazer algo que eu me arrependeria. Minha ansiedade ainda me permitiu dar um passo em sua direção.
— Olhe, eu... eu nunca te amei. – ela soltou de uma vez. E de repente eu precisava de ar. O que ela está falando?— Mais precisamente, nunca estive apaixonada por você. Eu sempre pensei que sentia algo, mas acho que foi o fato de eu ter crescido longe de contato masculino além da minha família. Esse tempo todo estive me enganando para não te machucar. Quando me dei conta, estávamos nos casando e eu não podia apenas te dizer a verdade. Não após saber do imprinting.
Todas as palavras que saíram de sua boca estavam sem fundamento para mim. Todo aquele alvoroço de quando ela descobriu sobre o meu amor, ela ficou furiosa por não saber antes e não podermos ficar juntos mais cedo. Largou William quando me viu de novo porque, mesmo que não fossemos voltar, ela não conseguiu evitar o que sente por mim. Ela até se envolveu em uma briga de garotas por ciúmes de mim, que iniciou todo seu sofrimento até hoje com uma vampira perigosa.
E agora me vem com essa de que confundiu seus sentimentos.
— Carlie, do que diabos você está falando? – Nessie perguntou, quando eu não conseguia pronunciar nem mais uma palavra.
Ela desviou o olhar de mim para a sua irmã, para olhar ela por sobre o meu ombro.
— Eu não estava apaixonada. Nunca consegui confessar isso para ninguém. Nem para mim mesma. – ela deu de ombros, e ouvi seu coração vacilar e depois recuperar o mesmo ritmo. Franzi o cenho. Isso não soou um sinal bom. Depois voltou a me olhar nos olhos, onde eu não encontrava nada além da sinceridade. E isso me doeu tanto... – Mas é verdade.
PDV Renesmee.
Olhei para a minha irmã, com uma proximidade nojenta com Adrian enquanto ela falava. Tentei encontrar algum vestígio de socorro em seus olhos, boca, sobrancelha, mão, qualquer coisa que dissesse que ela queria ir para longe daquele Volturi. Ela não estava falando a verdade, não podia estar falando. Eu iria descobrir o que estava havendo.
— Eu tive certeza disso tudo quando encontrei Adrian. – ela apontou para o inimigo ao seu lado. – Eu senti algo que nunca senti por ninguém. Fiquei surpresa com isso.
Não pude ver a feição do meu cunhado, mas podia apostar toda a fortuna dos Cullen que com certeza estava devastado. Não sabia por que, mas eu não acreditava em uma palavra de que saia de sua boca.
— Um Volturi, Carlie? – questionei com nojo.
Por que está fazendo isso, Carlie? Um Volturi?
— Ele não é mais um deles. – ela respondeu em voz alta, para deixar claro para todos.
Isso apaga o que ele já nos fez?
Ness, por favor...
Por que será que eu não acredito em nenhuma palavra do que você diz? Perguntei.
Mas é verdade. Ele não é mais um Volturi...
— Não estou falando disso. – a interrompi, me aproximando.
Até ontem você estava tão bem com o Seth. Por que, de repente, mudou de ideia?
Eu já expliquei tudo. ela falou, e captei uma indecisão. Ela cortou o escudo. Estreitei os olhos.
— Para com isso! – ela rosnou incomodada. Sim, eu havia visto algo que ela estava tentando esconder.
— Carl, por que está fazendo isso comigo? Com você? – Seth perguntou, e o olhei. Ele tinha seus olhos cheios de lágrimas. – Eu não acredito em nenhuma palavra que você falou.
— É uma pena. – ela franziu os lábios e deu de ombros. – Porque é verdade. A faísca que nunca aconteceu comigo e com você acendeu com ele.
Seth ficou paralisado.
— Carl... – ele implorou, lágrimas escorrendo pelas suas bochechas.
— Sinto muito. – ela sussurrou, e franziu os lábios, sem mais nada a dizer.
A encarei com os olhos semicerrados. Algo estava errado. Ela podia enganar Seth por estar mexendo com seu coração, mas não a mim.
Seth balançou a cabeça para si mesmo, não acreditando no que ele estava vendo.
— Seth, apenas vamos... – tentei falar, mas já era tarde demais.
Tremores em todo seu corpo eram visíveis, semelhantes a convulsões. Quando pensei em ajuda-lo, em um movimento brusco se virou e saiu do parque. Nunca o vi correr desse jeito na vida. O parque não era extenso o suficiente para que ele pudesse fugir como lobo.
— Seth, volta aqui! – gritei para o vento. – Carlie, que merda deu em você? Não significou nada tudo o que vocês já passaram? – briguei, apressando meu passo até estar na sua frente.
— Claro que sim, mas eu gosto dele apenas como meu melhor amigo. – ela tentou me explicar. – Todo esse tempo, eu só queria alguém especial para dar meu primeiro beijo e coisas assim. Ele foi a pessoa certa, apesar disso não é por ele que estou apaixonada.
— Eu não acredito nisso. – minha voz saiu num meio fio, e eu me virei para ir embora. Não aguentava mais ouvir nada dela.
— Nessie, espere... – ela segurou minha mão.
— Me solta, Carlie. – falei dura, fazendo questão de a chamar pelo nome. – Eu não conheço mais você. Você não é a minha irmã.
Ela me olhou como se eu tivesse proferido várias palavras de baixo calão contra ela.
— Nessie... – ela sussurrou, indignada com o que eu falei. Eu estava arrependida, mas não voltaria atrás de jeito nenhum. Primeiro, eu queria ver aonde isso ia dar.
— É isso. – eu disse, arrancando minha mão da sua. – E não me impeça mais.
Dessa vez ela me deixou ir.
PDV Carlie.
Assistir Seth e Ness saírem dessa forma deixou os meus joelhos fracos. Quase desabei, mas me controlei. Tinha que me manter forte aos olhos dos outros, ou Tifanny poderia nos achar se eu tomasse a decisão errada.
As lágrimas transbordaram de meus olhos.
— Papai. – corri até ele, o abraçando.
— Você está certa disso, minha filha? – ele perguntou.
Mordi minha língua, não forte o suficiente para sair sangue, apenas para a conter.
— Um Volturi...
— Ex Volturi.
O corrigi contra a minha vontade.
Percebi em seus olhos que ele ainda queria uma resposta. Assenti, forçando minha cabeça ir para cima e para baixo algumas vezes.
— Seth vai ficar bem? – perguntei, e tentei soar apenas como uma melhor amiga preocupada. No meu interior, porém, eu só queria o encontrar e dizer que seus lábios são os únicos que eu quero para o resto da minha vida.
Ele assentiu. Porém eu sabia o que isso queria dizer. Seth estava detonado por dentro, e por minha culpa. Definitivamente, ele merecia alguém melhor do que eu, que não o fizesse sofrer.
* * *
— Nessie, fala comigo, por favor. – implorei pela décima quarta vez naquele dia.
Ela continuava me ignorando. Isso estava me matando.
— Nessie, eu estou te implorando...
— Cala essa boca e me deixa em paz! – gritou.
A mágoa paralisou meu corpo. Jacob, por sua vez, nem piscou o olho sobre o modo que ela me tratou. Na verdade, ele estava até gostando. Também mal olhava na minha cara.
Eu merecia. Isso eu reconhecia.
Ela se se levantou do sofá e me deixou falando sozinha. Talvez o fato de ela estar assim, era porque Adrian queria ir para Connecticut. Tão longe da minha família! Do Seth... do meu filho.
Estava desconfortável a casa cheia. Adrian estava aqui até nos mudarmos, o que duraria talvez um ou dois dias. E meu pai pediu para tio Jazz e tio Em ficarem de apoio com o novo desconhecido. Inquieta, subi as escadas, indo para o meu quarto. Estranhei quando meu pai desceu as escadas com uma muda de roupas; uma calça jeans, uma blusa de manga comprida cor creme, e um tênis preto. Logo caiu a ficha: ele voltou. Me apressei a entrar no meu quarto, temendo meus instintos tomarem conta e eu sair correndo para os seus braços.
Me sobressaltei com a porta abrindo alguns instantes depois. Era Seth. A fechou com um único movimento atrás dele. Minhas mãos pararam de arrumar a mala de Harry no chão.
— Tudo bem, você pode ir para onde você quiser com esse sanguessuga. – ele falou seco. – Mas não vou deixar Harry ir junto.
— Como é que é? – perguntei, me levantando.
— Eu não vou permitir que você leve o nosso filho para morar com esse idiota. – ele repetiu, sombrio. Algo em seus olhos estava hesitante, e eu pude enxergar o pequeno traço como uma luta interna sua. Talvez ele estivesse se forçando a agir assim.
— Você não tem o direito de dizer o que eu devo fazer! – retruquei, tentando parecer do mesmo jeito que ele.
— Não, não tenho. Mas tenho o direito de interferir quando o assunto é o Harry.
— O que você acha que ele vai fazer? – indaguei, mas disposta a deixa-lo... fazê-lo ganhar essa discussão. A chavinha virou na minha cabeça, e com certeza eu me sentiria mais segura se Harry ficasse com minha família, longe dos cúmplices da minha inimiga. Não importa o quanto Adrian diga que está apaixonado por mim.
— Não sei. – Seth falou irônico. – Mal o conhecemos. Quero dizer, o conhecemos o suficiente para...
— Ei! – o interrompi, sabendo que ele iria falar das más companhias passadas dele. E eu odiaria não concordar, e não chorar em seus braços dizendo que ele tem razão e que estou aterrorizada em sair de perto deles. – Pare com isso!
— Me desculpe, senhora Estou-casada-com-o-meu-melhor-amigo-apenas-por-me-sentir-obrigada-mas-agora-achei-o-cara-certo-para-mim.
Engoli em seco, me esforçando para não mostrar o quanto isso me atingiu. As lágrimas que encharcaram meus olhos não ajudaram. E nem meu coração que reagiu com o aperto no peito que surgiu.
Sua postura cessou um pouco enquanto ele me avaliava. Olhei seu lindo e jovial rosto sempre iluminado. Estava apagado. Eu faria de tudo para trazer aquele sorriso de volta. Mas não podia agora.
— Tudo bem. – me rendi. – Deixo Harry. Mas volto em alguns dias para vê-lo. Só me prometa que vai cuidar dele.
— Mas é claro! – ele exclamou, como se isso fosse óbvio. – Ele é meu filho também, esqueceu?
— E teria como esquecer?
Pigarreei e desviei o olhar. Eu não podia dar indícios de que amo cada pedacinho de nós dois. Não no momento.
Como eu iria esquecer que eu tive um filho com o homem que eu mais amo nesse mundo?
* * *
Meu pai se ofereceu a alugar o apartamento em Connecticut. Estava tão chato sem ninguém da minha família. Meus tios e tias, minhas primas, meus pais... um vazio surreal tomou conta de mim.
Adrian sempre tentava chegar em mim, e eu o cortava. Não esqueci sua ameaça, e com certeza eu não estava afim dele.
— Você sabe que eu nunca vou te perdoar por isso, né? – perguntei, desviando da sétima investida dele.
Middletown era vista como uma cidade velha preto e branco pelos meus olhos. Nunca vi o mundo assim até o momento. Em quase dois dias aqui com Adrian, de repente eu não tinha mais vontade de voltar aqui nunca mais com Seth.
Ahh, Seth. Foi duro dizer adeus. Ele nem olhou na minha cara, e mesmo assim doeu.
— Depois você vai me agradecer, isso sim. – ele falou.
O Adrian é lindo. Tem uma boa estatura, e uma altura que muitas mulheres consideram como ideal para um cara. Porém eu não o vejo como atraente. Para mim só tem Seth Clearwater.
— Até agora estou me perguntando porque eu não contei a minha família quando tive chance. – falei comigo mesma, e esquecendo de que ele ouviria facilmente.
Me levantei para sair um pouco de casa.
Mas uma mão em meu braço me parou.
— Onde você pensa que vai? – ele indagou.
Perdi o momento que eu comecei a lhe dever satisfações.
— Acha que eu virei sua prisioneira? – questionei furiosa.
De repente eu estava olhando para o lado. Demorei meio segundo para perceber, e fiquei estupefata ao descobrir que foi um tapa desferido dele. Minha bochecha ardeu.
— Não fale assim comigo. – ele gritou, me assustando.
— Quem você pensa que é para levantar a mão para mim? – gritei de volta, tentando me libertar. Droga de força.
— Eu sou o seu dono. – ele falou, com um tom de autoridade.
— Nos seus sonhos. – rosnei, destemida, mesmo com o medo esmagador dentro de mim.
— Cala a boca, estúpida!
Com força me jogou no sofá.
Eu desejei com todas as minhas forças que Seth estivesse aqui agora. Era só mandar um SMS...
— Agora que você está comigo, vai fazer o que eu mandar! – ele gritou novamente. – Não tem ninguém aqui para te defender, não esqueça disso.
— Foi por isso que quis vir para Connecticut?! – gritei e me levantei, tentando ter coragem para encará-lo. As lembranças do meu pai nos ensinando a nunca abaixar a cabeça para um homem ecoando em minha mente. Ahh, se ele descobrisse... – Como meu pai não leu em seus pensamentos?
— Eu sou fera. – ele se gabou, e me beijou.
— Não toca em mim. – grunhi, lutando contra.
Basta uma ligação. Não, uma mensagem. Para qualquer um. E eu voltaria para o Seth e para o meu filho.
— Que tal se fizermos um trato? – ele sugeriu, sem se importar com a minha reação bruta.
— Não faço tratos com você. – cuspi.
— Eu quero uma transa, e você pode voltar para a sua família sem correr riscos.
— Nunca você vai encostar um dedo em mim. – rosnei, me debatendo para me livrar de seus braços. Apenas Seth me teve desse jeito, e vai continuar assim. Sempre.
Ele me segurou de um jeito que me deixou mobilizada.
— Você tem até as seis da tarde para pensar sobre isso. – ele falou, e me deixou sozinha na sala.
Droga! Eu precisava de um plano urgente! Eu não deixaria esse idiota encostar em mim. Eu preferiria ficar presa para sempre.
* * *
Eram cinco e meia. Eu estava planejando como contar para ele. E como eu faria o meu plano dar certo. Ele era mais forte, eu não podia escapar de sua ira.
— E então, gata? – me surpreendi quando sua voz invadiu a sala. – Já pensou na minha proposta?
— Sim. – eu falei imediatamente. Seu sorriso vacilou. Eu acho que ele esperava que eu não aceitasse, para ficar com ele, mesmo com a possibilidade de “nunca mais” voltar para a minha família. – Mas somente uma transa e nada mais.
Só de pensar que ele queria fazer aquilo comigo me dava enjoo.
— Sério? Mas... tão rápido?
— Quer que eu volte atrás? – perguntei, arqueando uma sobrancelha, o questionando. Ele mordeu o lábio, parecendo pensar bem antes de responder.
— Quer saber? Não. – ele falou do tipo “Deixa pra lá”. – Vamos lá, quando começamos?
— Como você quer ir direto ao ponto assim? Sei da nossa situação, mas mesmo assim a gente podia ir com calma. Eu não vou a lugar nenhum mesmo. – falei com um tom de leve descaso enquanto me aproximava dele. Brinquei com a gola de sua camiseta. – Achei uma garrafa de vinho que, pelo preço, acho que vai ser o melhor vinho da vida. Tomei a liberdade de escolher por nós.
— Na verdade, qualquer um para mim está ótimo. – ele falou, me puxando pela cintura e me beijando.
Fechei os olhos, imaginando Seth ali, com a boca na minha. Todas as vezes que nos beijamos, como era diferente desse beijo! As vezes ele me beijava como se eu fosse muito delicada, e outras era como se ele quisesse esquecer do mundo. Adrian... bem, o beijo de Adrian não tem a mínima comparação.
Eu pensei em recusar quando ele pediu passagem com a língua. Vamos, Carlie. Pense que é o Seth...
Mas não dava muito certo. Eu sentia repulsa. Então eu apenas me concentrei em um beijo que tive com Seth, no momento que aconteceu, e mesmo assim pareceu durar uma eternidade. Adrian não se cansava.
— Ei. – quebrei o beijo me afastando, atuando a tímida. – Vamos com calma, lembra?
Ele sorriu, satisfeito com o momento.
— Eu não achei que diria isso, Adrian, mas seu beijo é bom. – eca, eca, eca.
Soltou uma risada baixa.
— Eu não te disse que ficar comigo seria bem melhor? – ele sorriu de lado.
— Ainda precisa me provar. – o lembrei, e encolhi os ombros para esconder o calafrio que minhas próprias palavras me puseram.
— Vou tomar um banho e ficar cheiroso para você. – ele falou antes de me beijar mais uma vez nos lábios e seguir para o corredor, onde ficava o banheiro.
Impaciente, esperei o som do chuveiro ao que fechou a porta.
Assim que captei o barulho, corri para a cozinha. Abri o vinho e coloquei o calmante que eu havia pesquisado em vários mitos de vampiro. Nunca precisei dopar um vampiro antes, então qualquer lenda era de alguma ajuda. Se fosse apenas uma lenda, eu não queria ver sua fúria ao ver que eu dei um pé para trás.
Fui colocando na garrafa até ver que o cheiro do vinho ainda se sobressaia com qualquer outro. Estava praticamente imperceptível. Era um bom vinho francês, mas eu não me importei de desperdiçar. Seria por uma boa causa.
Lifehouse – From Where You Are
Assim que acabei, fechei o frasco novamente antes que infestasse a casa e levantasse suspeita. Me encostei na parede e escorreguei até o chão, deslizando minhas nervosas mãos pelo meu comprido cabelo. Eu não fazia ideia de que Adrian era do tipo violento. Não contra uma mulher. E não pararia por aí. Nunca para.
Não sei como vim parar nessa enrascada. Como fui outra vez para longe do Seth. Prometemos nunca mais nos separar, e cá estamos, cada um em um estado diferente com os corações despedaçados.
Ahh, Seth. Como eu queria você aqui. Ou melhor, como eu queria estar em seus braços nesse exato momento.
PDV Seth.
Por mais que eu pensasse nas burradas que fiz ao longo da minha vida, nada parecia o suficiente para que as coisas continuassem infinitamente dando errado para mim.
Estava tudo certo, tudo perfeitamente bem entre Carlie e eu, e de repente, ela me vem com uma desculpa de que todo esse tempo se sentiu obrigada a ficar comigo. O pior, que se apaixonou pelo primeiro cara que vê pela frente. Ou ela é extremamente ingênua sobre namoro – o que eu acho difícil – ou ainda tem algo que precisamos descobrir. Eu a conheço. O jeito que ela ficou brava quando soube que eu sempre gostei dela e nunca falei nada não parecia de alguém que se sentiu obrigada a ficar comigo.
E quando eles anunciaram que iriam se mudar. As nossas casas passaram pela minha mente, e eu me senti extremamente traído. Não achei que ela iria tão longe assim. “Se enganar” no amor é uma coisa, agora mudar de vida ainda casada foi golpe baixo. Ela ainda era minha mulher.
Hey, garoto. Ouvi a voz de Jacob ecoando em minha cabeça. Como você está?
Eu espero que seja uma pergunta retórica. Falei, sem humor.
Você sabe que eu me preocupo com você. Ele falou, e de repente ele estava na minha frente. Nem me dei o trabalho de levantar. Estava exausto demais para isso. Que isso, cara. Não faz assim...
Claro, não foi a sua mulher que te abandonou. Respondi, nem me importando como quão rude aquilo tinha saído.
Ela ligou cedo e falou que logo vai vir nos visitar.
Com essa informação, minha cabeça se ergueu rapidamente. Eu ficava me alimentando com essa esperança de que ela voltaria para mim. Quando não sei, mas isso não vai durar para sempre. Só que enquanto durar, vai machucar sempre meu coração. Doía o bastante para me fazer querer cometer um suicídio.
Cala essa boca e se levante. Jacob reclamou com os meus pensamentos. Levante daí. Esme está fazendo o almoço e pediu para eu te chamar.
Eu adorava as comidas da Esme, entretanto desta vez eu não queria ver ninguém. Eu caçaria um animal qualquer por aí, menos encarar algum dos Cullen.
Não vou. Eu respondi, me levantando e correndo para o lado oposto com todas as minhas forças. Se desculpe por mim, por favor.
Por favor, não faça nenhuma besteira. Ele quase implorou e mandou imagens do meu filho antes de ficar calado e voltar para trás. Segundos depois, eu não podia mais ouvir seus pensamentos.
Um pouco de privacidade seria ótimo para mim. Não seria uma má ideia passar na loja de conveniência e comprar as garrafas de álcool outra vez, mesmo que meu metabolismo não me deixe ficar bêbado, mas também não me deixaria morrer de coma alcóolico. Iria anestesiar as lembranças dolorosas por um período.
Não. Não vou abandonar Harry outra vez. Por mais que eu ame Carlie com todas as minhas forças, meu filho precisa de mim. Eu iria ficar com ele.
... Mas não agora. Não nesse momento. Eu queria ficar sozinho com a minha dor de perder a minha mulher para um sanguessuga Volturi.
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