A Irmã De Renesmee 1ª e 2ª temp- Fanfic em revisão
74 2x32 Revelações ao som do bar (E)
PDV Renesmee.
Tentei me concentrar na tela do computador, onde eu fiz minha última tentativa de entrar na faculdade. Conversei com papai e cada vez que tem um acontecimento bombástico entre nós, não rola de focar. Ele me entendeu, e disse que só queria que eu tentasse.
Mas Carlie inventa essa história maluca de se mudar com um cara que não é seu marido para outro estado. Mais uma tentativa frustrada de faculdade. E dessa vez eu queria de verdade. Arquitetura me parecia algo divertido.
Suspirei. Me levantei e peguei as chaves do meu carro. Avisei que iria dar uma volta. Dei um beijo em Jake e Sarah e fui.
Não conseguia engolir que ela foi para Connecticut com o cara que ajudou no nosso sequestro para os Volturi, depois voltou e ameaçou nossa família. Sim, com certeza algo aconteceu. Ela foi hipnotizada ou ameaçada. Talvez sofreu lobotomia.
Tirei o pé do acelerador quando meus olhos captaram de longe o bar que eu fui uma vez com a Carl. Ali era um lugar perfeito para soltar a voz. Já cantamos Stickwhtu para Jake e Seth. Foi tão legal fazer dueto com ela nessa música.
Estacionei o carro e desci. Já era quase de noite, e o letreiro do bar estava ligado em seu vermelho vivo, chamando bastante atenção. Era de noite que as pessoas gostavam de cantar. Olhei no meu relógio de pulso e vi que eram oito e quarenta e sete.
Tinha uma menina com um violão, terminando de cantar Apoligize. Eu percebi uma lágrima escapar de seu olho antes de ela acabar.
— I'm holding on your rope, got me ten feet off the ground...
Sempre adorei essa música. Tem uma nota de melancolia que nos faz colocar o fone no último volume e sofrer mesmo sem nunca ter tido um romance. Ela foi aplaudida e agradeceu, limpando a lágrima. Seu olhar se encontrou com alguém no bar, e ela engoliu seco. Talvez a música tenha sido direcionada a alguém presente.
Tomei coragem e me levantei, indo falar com o balconista.
— Olá, Jack. – o cumprimentei, e ele levantou o olhar para mim com seu típico sorriso no rosto. – Lembra de mim?
— Claro. – ele falou, a lembrança lampejou em seu rosto. – Você e sua irmã vieram cantar aqui um dia desses, acompanhadas daqueles grandões, certo?
Assenti, rindo um pouco. Seth e Jacob chamavam a atenção em qualquer lugar.
— Eu gostaria de cantar de novo, posso? – pedi.
— Mas é claro! – ele falou rapidamente, largando a caneta e a caderneta, cujo havia alguns rabiscos anotados. – Eu já estava me perguntando quando veria uma de vocês novamente. Venha comigo.
O segui até o palco. Da outra vez, o dono do bar nos fez uma proposta de cantar todo sábado. Aceitamos por um tempo, mas depois fomos obrigadas a parar um pouco, com tudo o que vinha acontecendo.
— Pode começar quando quiser. O violão está ali no canto. – ele falou sem formalidades, como eu pedi uma vez.
— Obrigado. – falei e peguei o instrumento, colocando a alça sobre meu ombro. O microfone já estava ajeitado devido a última apresentação.
Taylor Swift – I Knew You Were Trouble
Cantar essa música me trazia lembranças duras. Me decepcionei comigo mesma. Não de perder o Liam, mas sim de ter uma decepção logo de primeira. Fui ingênua. Ninguém ama ninguém – com únicas exceções – em dias se conhecendo.
Enquanto cantava, lembrei quando ouvi ela pela primeira vez, e percebi que muitas pessoas passam pela mesma situação que outras milhares, e nem fazem ideia disso. O mundo é tão grande que acaba sendo pequeno as vezes.
Chegando no segundo refrão, olhei de relance para qualquer lugar. E me surpreendi quando reconheci justamente o “homenageado” da música. Deve morar por aqui, já que não é a primeira vez que nos esbarramos. Finjo não o notar e continuei.
— I knew you were trouble when you walked in, trouble, trouble, trouble!
Eles me aplaudiram quando acabei. Realmente, a música era contagiante.
— Obrigado. – agradeci e me virei para encostar o violão lá atrás de volta – Jack. – o chamei atrás do balcão. – Me vê algo doce e forte, por favor.
— Sei exatamente do que precisa, Ness. Já te levo na mesa.
Agradeci e segui para um espaço sozinho. Enquanto isso começava uma música que eu nunca tinha ouvido antes.
— Olá. – uma voz falou perto do meu ouvido atrás de mim, e eu reconheci de imediato.
— Oi. – respondi surpresa.
— Posso me sentar? – ele perguntou, apontando para a cadeira vazia na minha frente.
Apontei com a cabeça para a mesma. Eu tinha esquecido que ele estava aqui.
— O que faz aqui, sozinha? – havia uma pontada de curiosidade em sua voz.
— Vim espairecer. – respondi alto, já que a música se sobressaia um pouco.
— Brigou com o namorado?
— Não, não briguei com o meu marido. – dei um curto ênfase na palavra, e ele balançou a cabeça, assentindo. – Com a minha irmã.
— Oh. – ele respondeu, e tom compreensivo. Ficamos um segundo em silêncio, eu aproveitando a música. – Você não cansa de me colocar para baixo, né?
— Do que você está falando? – perguntei, surpresa.
— Ei, Nessie. – Jack chegou na mesa. – Aqui está seu drink. Senhor Bailey, tomei a liberdade de trazer o seu aqui, já que mudou de mesa.
— Perfeito, Jack. Obrigado.
Deixou as bebidas na mesa e se foi.
— A música. – ele continuou.
— Como soube que era sobre você? – perguntei, domada pela surpresa. Poderia ter sido qualquer outro. Beberiquei minha doce bebida. O álcool desceu muito bem-vindo.
— Não sou idiota. Bom, não mais. E só um idiota deixaria alguém como você escapar.
— Eu nem sabia que você estaria aqui. – dei de ombros, sentindo minhas bochechas quentes.
— Então... – ele parou um segundo, pensando em algo para falar. – Como está o seu filho?
Abri a boca para perguntar, e parei quando lembrei que eu já estava com barriga na vez que nos esbarramos na praça de alimentação.
— Minha filha está ótima, obrigada por perguntar.
Ele riu do seu segundo engano.
— Já que estamos aqui, tem mais músicas no seu repertório de humilhação? – ele perguntou, porém, seus olhos se divertiam com aquilo.
— Tem mais uma... – falei, me lembrando. Essa era mais animada.
— Cante. – ele pediu.
O encarei, esperando que fosse dizer que estava apenas brincando.
— Sua voz é encantadora, Cullen. Devia fazê-la ser ouvida com mais frequência.
Sorri lisonjeada. Eu não sentia que ele estava dando em cima de mim, e isso me deixava a vontade de falar com ele. Virei minha bebida da taça de coquetel.
— Tudo bem. – falei e me levantei. Comuniquei a Jack e ele ficou feliz em me ver cantar de novo.
Taylor Swift – We Are Never Getting Back Together
Ele riu quando comecei a cantar a música de adolescente. Não parecia nem um pouco ofendido. Talvez não fossemos mais como dois estranhos. Talvez pudéssemos ter uma amizade tranquila.
Quando a música acabou, recebi meus aplausos, e desci, me direcionando para a mesa.
— Uau. – ele falou impressionado. – Não sei exatamente o que mais mexeu comigo. Se foi que você canta muito bem, ou que você sofreu por mim por tanto tempo. Quero dizer, quando essa música foi escrita mesmo?
— Como você é bobo. – fiz uma careta com sua provocação infantil.
— Senhores, aqui está a porção de fritas e os dois hambúrgueres.
— Acho que se enganou, Jack, eu não pedi nada. – falei imediatamente, mas isso não o impediu de colocar os pratos na mesa.
— O senhor Bailey que pediu.
O olhei, e o mesmo confirmou.
— Por minha conta.
— Bom, então muito obrigado, Jack. – sorri para ele antes de ele voltar para trás do balcão outra vez.
— Para compensar como fui idiota com você no passado. Sei que é só comida, mas espero que tenha me perdoado.
Eu soltei um riso.
— Não tem mais o porquê de eu ficar chateada. Águas passadas.
Nos calamos por um momento, apreciando a comida.
— Sabe, ultimamente eu tenho... mudado. Bastante. – ele confessou. Não parecia um discurso para me convencer. Estava mais para um desabafo. – Eu conheci essa garota, Melissa, e puxa, que garota maravilhosa. Nunca mais saí com nenhuma outra, isso já faz quase um ano. Não tenho mais vontade de ficar com outra pessoa.
— Hã, isso é ótimo? – saiu mais como uma pergunta do que eu gostaria.
Ele suspirou, terminando de mastigar e largou o lanche.
— O problema é que ela não acredita plenamente em mim. Eu não sei o que fazer, ela já recusou meu pedido de namoro pela terceira vez.
Coloquei meu lanche pela metade no prato, surpresa com essa reviravolta. Limpei minha mão com o guardanapo e pensei no que falar.
— Puxa, por essa eu não esperava mesmo. – falei sincera. – Fico feliz que tenha mudado. E em relação a Melissa, bom, não pode culpa-la. Não sei nem como eu pude acreditar em suas palavras, e em menos de cinco dias já estávamos naquele nível.
Ele abaixou a cabeça, envergonhado.
— Mas veja, — tratei de continuar. – se gosta mesmo dela, continue provando. Não desista dela. Sabe, tem aquele ditado: “Confiança não se pede, se conquista”. Se você não vacilar com ela, uma hora ela aceita ser sua namorada.
Ele sorriu, se mostrando confiante com minhas palavras.
— Puxa, Renesmee-
— Nessie.
Ele sorriu.
— Foi muito bom ter te encontrado. Eu estava perdido, sem esperanças de ficar com ela. Ela é uma pessoa espetacular, e não estou disposto a deixa-la ir.
— Então não deixe.
— Espero que possamos manter contato. – ele disse sorrindo. – Não sei se podemos ser amigos, mesmo que tenha me perdoado, talvez fosse estranho.
Hesitei, pensando nisso. Apesar de ele ter sido um babaca comigo no passado, não sei se queria trazê-lo para o meu mundo. Uma hora eu teria que apaga-lo da minha vida, porque se ele visse alguma foto minha daqui a uma década, o que pensaria de não ver nenhuma ruga no meu rosto, ou linha de expressão?
Bom, se bem que com o tempo todos nós viramos outra pessoa, com novas identidades. Logo estaria chegando esse momento. Iria o excluir da minha vida de qualquer forma.
— Claro, anota seu número. – entreguei meu celular. Ele anotou e me devolveu. – Vou ficar torcendo por vocês dois.
Segurei sua mão.
— Todos nós merecemos ser felizes. E acho que sua vez chegou, Liam. Não perca a chance.
Ele sorriu, dando um leve aperto em minha mão. E então eu me lembrei de que cometi um erro, e estaria ferrada se não fosse pelas minhas luvas, pois esta noite estava bem fria.
Assim como em um segundo Liam sorria para mim, em outro ele olhou para trás de mim, e seu sorriso desapareceu. E sua mão estava longe da minha. Eu ia olhar para trás para ver o que ele tinha visto.
Foi quando duas mãos quentes pousaram em meus ombros. Reconheci de imediato o toque: Jacob. Virei a cabeça para olhá-lo, e tentei me levantar, e fui impedida quando me empurrou para baixo.
— Não, fique. – ele falou. – Não quis atrapalhar seu momento.
— Jake, não é nada disso...
Se eu continuasse a falar seria em vão, já que ele deu as costas e foi para fora.
— Nos vemos por aí. – me despedi rápido, pegando meu casaco e minha bolsa. Me apressei atrás dele. – Jake, espera!
O alcancei quando estava quase para entrar no carro.
— Jake! – exclamei e agarrei seu braço, e ele parou. – Me escuta, pelo menos?
Ele inclinou a cabeça para o lado, sem me olhar, dando um gesto para eu continuar.
— Não é isso que você está pensando. – falei entre pausas. – Eu o encontrei por acaso. Nem sabia que ele estava por aqui. Por que você está agindo desse jeito, seu idiota?
Pelo menos com essa ele me olhou.
— Eu vim aqui para ficar com você, e quando chego, te encontro segurando a mão do seu ex, o que quer que eu pense, ainda mais depois que ele te fez passar? Ah, sim. Obrigada por lembrar que eu sou um idiota.
— Será que dá para parar de pensar essas coisas sobre mim? Você acha o que? Que eu vim aqui para te trair? Me poupe, Jacob.
Enrugou o nariz de surpresa.
— Você bebeu? Estava bebendo com ele?
— Pedi um drink antes mesmo de Liam falar comigo.
Ele estreitou os olhos.
— Quero ver se fosse você que chegasse em um bar e me encontrasse segurando a mão... sei lá, da garçonete da praça de alimentação.
Respirei fundo, evitando gritar com ele. Eu também me recusaria a lhe dar razão, já que a ruiva tentou flertar com ele algumas vezes.
— Ele estava apenas me agradecendo porque eu dei conselhos amorosos. Ele conheceu uma menina e está em conflito por causa de seu passado. Então pode parar com essa desconfiança? Porque...
— Nem cogite que eu esteja desconfiando de você.
Mesmo assim continuou calado.
— Então...? – o incentive a continuar.
— Escute, não é desconfiança. É ciúme. Não, não é isso também... – ele pausou e respirou fundo para se recompor. Agora eu estava curiosa para saber sobre o que era, se não era ciúme. – É apenas medo de te perder.
— Uau, Black. – falei, fingindo estar impressionada. – Não confia no seu taco? – mordi o lábio, o provocando.
— Demorei para de ter, Renesmee Cullen. Não estou disposto a te perder para ninguém. E as vezes parece impossível, já que você é uma mulher incrível e tem todos os olhos ao seu redor em você.
Não respondi. Eu o entendia. Do mesmo jeito eu também demorei para me render a nós, e eu odiaria o ver com outra. Passei os braços ao redor de sua cintura, tentando o confortar.
— Vamos embora? – perguntou, quebrando o silêncio.
— Eu pensei que podíamos aproveitar, já que estamos sozinhos.
— Para mim soa ótimo. – ele falou, abrindo um sorriso tão lindo, que fez meu coração acelerar.
A gente andou por alguns minutos em silêncio. Era bom. Isso me fazia pensar em milhares de coisas. Sobre a ligação da minha irmã. E sobre nossa imortalidade. Não é um mar de flores. Os outros seres sobrenaturais também existem e nos assombram. São brindes em troca de não morrer de velhice.
— Eu não sei como dizer o quanto eu sinto muito pela Carlie.
O olhei, surpresa por ele falar nela. Desde que ela se foi, Jacob cortou qualquer tipo de ligação que eles tinham.
— Não precisa. – falei, limpando a lágrima que eu nem percebi que tinha caído. – Carlie já é grandinha para saber o que fazer da sua vida.
— Será que ela foi... hipnotizada ou algo do tipo? – ele arriscou.
— Jake, será que a gente pode parar de falar dela, por favor? – pedi parando, e percebi que minha voz saiu exausta. Bem, de certa forma eu estava. Estava cansada de falar sobre ela e só criar mais perguntas. O buraco no meu peito doía mais.
Ele assentiu, e me puxou para um abraço. Respirei fundo, retribuindo. Era incrível a capacidade dele de me fazer sentir melhor.
Depois de uns momentos ali, parados, abraçados, eu me separei delicadamente. Suas mãos seguraram as minhas.
— Eu sinto muito. – ele falou pela última vez, e eu sabia do que ele falava. Eu assenti. – Tem um ótimo restaurante para irmos. Bem, na verdade é um bar. Ouvi falar que a comida é ótima. É logo ali.
Ele apontou com a cabeça para o local do outro lado da rua.
— Parece ótimo. – falei, e fomos. – Já que vovó roubou a Sarah, vamos encher a cara?
Ele gargalhou.
— Meu Deus, minha Nessie certinha se foi.
— Está decepcionado?
— Não. – respondeu de olhos arregalados. – Na verdade, essa Nessie está mais atraente do que nunca.
Sorri, sentindo minhas bochechas em tons de escarlate.
— Olá. – cumprimentei a balconista, enquanto nos sentávamos no banco. Ela seria muito nova para ser dona. A menina aparentava ter uns dezessete ou dezoito. E era linda demais para trabalhar num lugar desses. – Duas dozes do seu melhor whisky, por favor.
Ele beliscou minha cintura de leve.
Ela se foi e voltou com o pedido. Virei o copo de uma vez, assim como o Jacob. Ele sorriu para mim, travesso. A nossa noite estava apenas começando.
— Achou que eu aceitei vir aqui por quê? – perguntei sapeca.
— Cuidado na mistura das bebidas. – ele me alertou, e eu pisquei de volta.
Então percebi incomodada que a moça não tinha ido completamente. Não queria aturar nenhuma pretendente do meu marido no momento.
— Espere um segundo... – ela parou, me analisando.
— Sim? – falei, esperando ela dizer algo.
— Você é parente daquela garota, Cullen. – ela concluiu. – Vocês duas são diferentes, mas tem traços muito semelhantes.
— Como ela é? – franzi o cenho.
— Ela tem olhos verdes e cabelos cacheados.
Com certeza ela falava da Carlie.
— Hã... sim. Sou parente dela. – respondi, olhando de canto para Jake, que estava achando aquilo tão estranho quanto eu.
— Hmm. Por acaso você sabe o paradeiro dela?
— Me desculpe, nos conhecemos? – perguntei, inquieta de uma estranha querer saber da minha irmã. De ao menos saber dela.
— Quem faz as perguntas aqui sou eu. – ela ordenou gélida.
— Quer saber? Eu vou embora porque não estou confortável aqui. – exclamei irritada, procurando o dinheiro na minha bolsa para pagar a conta.
Pulei com o baque que a porta deu ao fechar. Deve ter dado um vento forte lá fora.
De repente, uma dor de cabeça horrível invadiu minha cabeça. Parecia que mil agulhas furavam o meu cérebro.
— AHHHH!
Me contorci, desesperada para fazer a dor passar.
Nada.
Eu não aguentei e fui para o chão, meus joelhos desistindo de me manter de pé. Senti mãos quentes em mim, chamando minha atenção.
— Jake, faz parar, faz parar! – berrei.
— Calma, Nessie. – ele falou, desesperado ao me ver daquele jeito. – Pare com isso! – ele rosnou.
— Não até ela me dizer onde Carlie Cullen está. – ela falou, e a dor parecia ficar cada vez mais forte. Caramba, nunca pensei que podia sentir uma dor tamanha grande.
O grito iria rasgar minha garganta, eu sentia isso.
— Pare com o que for que esteja fazendo. – Jacob grunhiu, tentando lhe causar medo.
— O que quer com isso? – tentei manter a voz baixa, mas saiu outro berro por conta das fisgadas.
E então a dor parou. Ofeguei de alívio.
— Acho justo você saber. – ela ponderou. – Eu quero o vampiro que está com ela. Quero o Adrian.
— Vá atrás dele, mas deixe ela em paz. – falei entredentes, me levantando com o apoio do Jake.
— Então me diga de uma vez!
— Eles estão em algum lugar de Connecticut, não sei exatamente. – falei meia verdade. – Eu não falei com ela antes de eles partirem, então não fiquei sabendo do lugar.
— Não quero saber dos seus problemas pessoais. – ela cuspiu. – É melhor você saber até amanhã de noite. – ela rosnou. – Ou então, você vai se ver comigo.
A porta foi aberta e um garoto moreno de olhos verdes entrou no ambiente.
— Oi, Lucy. – ele a cumprimentou.
— Oi, Marcus. – ela falou com um sorriso simpático.
Ele olhou para a gente, com um olhar confuso, e sussurrou para ela:
— Pensei que tivesse fechado o bar.
— Fechei para outro tipo de negócio.
Ela o olhou e piscou o olho.
— Afinal de contas – me intrometi – é esse seu dom de vampira, Lucy?
Ela riu, e o Marcus a acompanhou.
— Honestamente, você vive num mundo onde há vampiros, lobisomens, híbridos e acha que esses são os únicos seres sobrenaturais?
Pisquei o olho, surpresa. O que eles eram?
— Sou uma bruxa, sua bobinha. – ela falou, antes que eu respondesse. – Quer dizer, nós dois somos.
Isso me deu o que pensar. Se essa garota aparentemente normal é uma bruxa, o que Adrian seria? Um bruxo também.
Abri a boca para falar, só que ela foi mais rápida.
— Não tome conclusões precipitadas, querida. Henry é apenas um tipo diferente de vampiro. – ela respondeu. – Totalmente diferente.
— O que quer dizer com “diferente”? – indaguei, curiosa.
— O que quero dizer é que você já está me enchendo o saco com tantas perguntas. Amanhã. As oito. O endereço ou prometo que acabo com a Cullen na primeira oportunidade que eu tiver.
— Não é muito inteligente da sua parte me ameaçar. – falei, tentando parecer tão ameaçadora quanto ela. – Minha família de vampiros não hesitará em matar qualquer um que faça mal a mim ou a Carlie.
Vi a hesitação em seus olhos, e logo ela tratou e camuflar.
— Amanhã. As oito da noite. Quero o endereço completo de onde eles estão. Ou então posso jogar uma maldição na sua família. A escolha é sua.
— Se colocar minha família no meio, você não vai se safar. – minha voz se alterou.
— Se acalma, Nessie. – Jacob murmurou perto do meu ouvido, e tentei fazer o que ele pedia.
— Vá embora do meu estabelecimento. – ela falou. – E não se esqueça.
— E o que eu ganho em troca? – perguntei, me perguntando porque eu ajudaria uma desconhecida em troca da segurança da minha irmã.
— Se a sua irmã ainda ama aquele lobisomem, é isso que você ganha. Agora saia.
Engoli em seco e Jacob e eu saímos apressados de lá.
— Me desculpe por ter nos metido nessa. – ele falou. – Sou um completo idiota...
— Jake, não foi culpa sua. – o cortei. – Só temos que dar um jeito de Carlie estar longe seja lá onde ela estiver, nos próximos dias.
— Vamos dar um jeito nisso. – ele prometeu. Por mais magoados que estivéssemos com ela, a gente não podia deixar minha irmã sofrer nenhum risco de vida. Tadinha. Ela ficaria traumatizada com algo mais acontecendo em sua vida. – Vamos, vou te levar para casa.
Concordei, e o abracei pela cintura todo caminho até o carro.
— Vamos dar um jeito. – ele murmurou, abrindo a porta para mim. – Eu prometo.
Eu assenti e afundei no assento do carro. Depois pediria para alguém pegar o meu.
PDV Carlie.
Adrian já estava sonolento por causa do sonífero. Eu mal podia acreditar que alguma das ervas que eu comprei realmente funcionou. Ele havia bebido bastante, eu consegui ficar com uma meia taça porque dizia que era para durar. Sinceramente, melhor nós dois dormirmos, do que ele não dormir e meu plano ir por água abaixo.
Depois de alguns minutos de acabar o vinho, ele ficou mole e a garrafa caiu de sua mão.
Dorme, dorme logo. Funciona, droga.
Assisti ele desmaiar na cama, dormindo feito o anjinho que não é.
É isso. Consegui.
Ofeguei.
Consegui. Eu não precisaria enfrentar perigo no momento por dizer que mudei de ideia sobre o momento íntimo que teríamos.
Comecei a me arrumar para sair, precisava espairecer longe dele e daquele lugar, para pensar com clareza o que eu faria a seguir. Eu não podia ficar nessa farsa para sempre, mas eu não podia arriscar Tifanny machucar minha família.
— Carlie?
Paralisei na porta no quarto. Droga, droga, droga. Coloquei um sorriso no rosto e me virei.
— Já acordou?
— Eu dormi?
Franzi o cenho, me preparando para a minha novela.
— Sério? Não se lembra de nada? – indaguei.
Pelo amor de Deus, diga que não.
— Hã, quero dizer, é claro que eu lembro. Que idiota eu seria se não lembrasse.
O alívio pulsou dentro de mim. Ele não se lembrava.
— Você não lembra, né? – pressionei. – Bebeu tanto a ponto de não lembrar?
— Não, não é isso. – ele falou, se levantando para me impedir. E parece que sofreu uma tontura. – Ai, acho que preciso me sentar de volta. – e o fez, apertando os olhos com força, confuso com a enxaqueca.
— Acho que você bebeu tanto que nem se lembra do que aconteceu. – falei irônica.
— Claro que lembro... – ele deixou sua voz morrer, não certo de continuar sua informação mentirosa.
— Ah, é? – cruzei os braços na altura do peito, o olhando de triunfo. – O que acabou de acontecer?
— A gente bebeu alguns copos de vinho... – ele falou, parando e fazendo uma força para se lembrar. – E depois... sinceramente, por que importaria tanto para você eu lembrar?
— Você que insistiu nisso, e te dá uma ressaca. Não venha cobrar uma outra vez, se quem não se lembra é você. – comentei frustrada.
Atriz com certeza seria uma carreira promissora para mim.
— Para que? – ele perguntou, nem se importando. – Você ainda ama aquele cachorro pulguento.
— Isso é extremamente preconceituoso. Ele é humano, não pode ter pulgas. – resmunguei, tentando quebrar o clima. E guardando a minha raiva por ter insultado o Seth. Sim, principalmente isso.
Calma, Carlie. Pensei comigo mesma. Não vai querer cavar seu próprio buraco.
— Você vai mesmo ir para Boston amanhã? – perguntou ele. Forcei meus pés a continuarem na soleira da porta.
— O que? – desafiei. – Não é homem o bastante para continuar o assunto de ego ferido? Ah, é. Nenhum homem é homem o suficiente para isso.
— Nem o Seth? – ele arqueou uma sobrancelha.
O Seth? É mais homem do que qualquer um por aí. Inclusive você.
Mordi a língua, guardando essa fala só na minha cabeça.
— Da última vez que chequei, ele é homem. – retruquei.
Seus olhos voavam entre minha boca e meus olhos. Talvez ele estivesse pensando me beijar. Sonha, querido!
— Sim, eu vou para Boston. Preciso ver meu filho.
Me virei em mais uma tentativa de fugir dele. Momentaneamente, claro.
— Vai sair? – perguntou, quando passei pela porta.
— Vou espairecer. – respondi da sala. Eu não via a hora de deixar aquele lugar. Pelo menos, só por um momento, ficar longe desse idiota. – Tentar não me aborrecer com o fato de que você não lembra do que fizem...
— Tudo bem, tudo bem. – ele me cortou, como se tivesse arrependido de ter feito a pergunta. Era bem provável que estivesse. – Não demore.
Aquilo não era um pedido, e sim uma ordem.
Revirei os olhos e saí. Vasculhei pela minha bolsa a procura da minha chave do meu Maserati alugado. Um presentinho do meu pai. Graças as aulas de Car and Drive do meu pai, também tenho minha bela moto.
Suspirei aliviada quando a encontrei atrás na minha carteira.
— Olá, Sra. Cullen. – o porteiro me cumprimentou quando me viu.
— Clearwater. – corrigi.
— Ah, desculpe-me. O senhor Adrian me informou que gostaria de ser chamada de Cullen.
— Engano dele. – forcei um sorriso e fui para o meu carro. Dirigi acima da velocidade permitida até um restaurante super refinado.
Parei o carro no estacionamento e saí. Nessa hora, eu me arrependi de ter vindo de calça e blusa. Tenho tantos vestidos, por que calça e blusa? Com a situação com Adrian, não teria como eu me preocupar com vestimenta.
— Olá. – falei para o recepcionista. – Alguma reserva para Clearwater?
— Desculpe, senhorita. O restaurante está cheio no momento. Talvez se esperar um pouco...
Suspirei. Ele queria da forma difícil, seria da forma difícil.
— E para Cullen? Imediatamente? – ele ficou meio pálido ao ouvir o nome. Poderia ser minha primeira vez nesse restaurante, mas meu pai sempre dava um jeito de a gente entrar em qualquer lugar que quiséssemos. – Tenho certeza de que meu pai tem algumas reservas aqui. Se quiser, pode telefonar para ele.
Ofereci meu telefone celular, e ele engoliu em seco.
— Não será preciso. – ele murmurou.
— Talvez uma mesa dos sofás, perto da janela? – escorreguei uma nota de cem dólares por cima do balcão.
— Hã, sim senhora.
Ele me acompanhou até uma mesa bem tranquila. Ótima para um pouco de privacidade.
— Quer fazer algum pedido? – perguntou formalmente, com as mãos em suas costas.
— Hã... vamos ver o que temos. – peguei o cardápio e folheei depressa pela parte da sobremesa. Eu estava um pouco ansiosa, então precisava de doce. – Eu quero dois crepes de chocolate, esse red velvet, o petit gateau com sorvete e esse bolo de chocolate com camadas.
Ele assentiu e se foi. Esse era o meu jeito de ficar “bêbada” por amor. Se enchendo de doces.
Decidida, peguei meu celular e disquei o número que eu queria.
— Alô? – atendeu uma voz masculina.
— Oi, Jake. – falei, já me preparando para a provável mal educação que viria dele. – Ness está por aí?
— Não. – sua resposta foi rápida demais, mas acho que era a verdade. – Ela saiu e deixou seu celular em casa. Disse que queria espairecer um pouco depois de ter outra lembrança de vocês duas que reabriu o buraco em seu peito. Sabe, Carlie, ultimamente você está sendo especialista em magoar as pessoas que ama.
Funguei, e limpei as lágrimas.
— Escuta, não precisa jogar isso na minha cara. – falei, e sem que eu quisesse, minha voz não passou de um sussurro.
— Ah, claro. – ele falou, sarcástico. – Disse a certinha.
— Eu não liguei para ficar ouvindo broncas de você. Quando a minha irmã chegar, diga a ela me ligar. É meio urgente. Tchau.
E desliguei. As lágrimas vieram enfileiradas, me deixando brava. Tinha que chorar logo em um restaurante?
Depois com um click, ponderei que Ness poderia ter deixado o celular em casa para evitar minhas ligações, mas levou o dele para caso tenha alguma urgência.
Ela não fala comigo desde o dia do parque com Adrian. Eu me sinto muito mal, ela é minha melhor amiga e eu queria poder estar falando com ela sobre tudo isso que eu estou passando. Mas eu também a magoei, e entendo seu afastamento de mim. Magoei os três.
Nessie: Além de não concordar comigo iniciando um relacionamento com um ex Volturi, não entende meus motivos – nem eu entenderia em seu lugar. Ela acha que não sou mais a mesma.
Seth: Até uns dias atrás nós estávamos felizes, casados, com o nosso filho maravilhoso e nossas famílias incríveis. Até a chegada do não totalmente desconhecido “mudar” o que eu sinto por ele.
Jacob: Eu magoei o Seth profundamente, e os dois têm um vínculo muito forte, quase como irmãos. São irmãos de tribo, pelo menos. Consequentemente o fato de eu ter destruído Seth por dentro o deixa frio comigo. Sem tirar também o outro fato de que chateei minha irmã.
— Aqui está seu pedido, senhorita. – acordei do transe ao escutar a voz da garçonete. – Está tudo bem?
Assenti, sem querer dividir minha vida particular com uma estranha.
— Obrigado. – agradeci quando ela acabou de colocar os pratos em cima da mesa.
Ah, que se dane.
Disquei o número do Jacob, com esperanças de que ela quem atendesse. Comi o crepe enquanto tocava.
— Alô? – ela falou, distraída. Aposto que nem olhou no identificador de chamadas.
— Hey, Ness. – falei desesperançosa, esperando a linha cair.
— Carlie? Como soube que eu estava com o celular do Jacob?
— Te conheço bem.
— Eu devia prestar atenção no identificador de chamadas.
Como se lesse os pensamentos dela. O modo que ela falou, ela apenas queria me atingir. Foi de propósito. E funcionou.
— Olha, sei que não quer falar comigo, mas se isso faz você fazer as pazes comigo, amanhã eu te conto tudo. Eu prometo.
— Amanhã? – ela perguntou, confusa.
— Eu estou indo para Boston, afinal, eu tenho um filho.
— Ah, sim.
— Eu só espero que você me entenda. – sussurrei, enquanto uma lágrima deslizava pelo canto do meu olho. A limpei.
— Vou tentar. – ela prometeu.
— Te amo.
— Te amo.
E desligou. Respirei fundo, sentindo o alívio tomar conta de mim.
Amanhã eu teria minha irmã de volta. Parti para o bolo red velvet.
— Hã, com licença. – uma voz masculina me tirou dos pensamentos. Olhei em direção a ela. Era um homem em torno dos seus dezessete, dezoito anos. Bem bonito, acima da média. Seu ruivo natural era um charme desproporcional. Suas madeixas caiam como uma tigela bagunçada em sua testa. E seus olhos azuis eram de tirar o fôlego. – Acho que eu te conheço de algum lugar.
— Eu... nunca te vi. Eu tenho certeza disso. – minha última palavra saiu como um riso, tentando quebrar o gelo.
— Vamos tentar de novo. – ele falou, tentando se lembrar. – Você conhece o Adrian?
O meu sorriso simpático desapareceu assim que ouvi aquele nome. Foi como se ouvir ele de outra pessoa trouxesse a minha cabeça tudo o que ele tirou de mim.
— Conheço. – falei, respirando fundo. Falar sobre Adrian fazia o mundo se tornar sombrio para mim. – Senta. – ofereci, para não ser mal educada. Afinal de contas, ele não me faria mal com dezenas de testemunhas, por mais que o meu assento fosse privativo.
Ele o fez. O que me incomodava era o seu olhar curioso sobre o meu.
— Eu lamento pelo o que seja que ele tenha feito a você.
E ganhou meu olhar surpreendido.
— Como você sabe? – perguntei confusa. Enfiei uma colher de bolo de chocolate na boca.
— Não sei. – ele deu de ombros. – Talvez que desde que o transformaram em um vampiro, ele revelou seu lado... sombrio. Pareceu que desligou a humanidade, e só não liga mais para o que faz.
— Sério? Porque, quando ele ameaçou minha família, disse que me amava.
— É, ele é bastante possessivo. Mas... você não acreditou nele, acreditou?
Balancei a cabeça, negando. Ele balançou a sua também, aliviado.
— Ele tirou tudo de mim. – deixei escapulir, e as lágrimas voltaram a encharcar meus olhos. – Toda a minha família, meus amigos, meu marido, meu filho. – parei, pois se fosse fazer uma lista, levaria uma hora.
— Eu acho que posso ajudar.
O olhei surpresa.
— Eu o conheci pouco depois que ele saiu daquele clã, os Volturi. Eu gostei de conhecê-lo e nos aproximamos, até eu descobrir que ele trabalhava com uma vampira que também não é lá um exemplo de criatura.
— Tifanny. – esclareci, com amargor na voz.
— Isso, ela mesmo.
— Ah, então vocês dois já foram próximos? – ele assentiu. – De qualquer jeito, isso não explica como você me conhece.
— Ele me enviou uma foto sua, acredito que de uma escola. – ele comentou, e eu me arrepiei, lembrando que foi em Nova York. Desde lá ele já me stalkeava. – Sem ofensas, na hora eu pensei: Essa menina é azarada.
Eu ri. Era verdade.
— Pior que sou mesmo. – suspirei. – Meu pai me disse que, quando minha mãe era humana, ela era um ímã para problemas. Mas sabe, não faço a mínima ideia de onde eu herdei isso.
Ele riu de mim, e eu o acompanhei.
— Não foi nada bom para ele, virar um vampiro. – ele murmurou, parecendo intensamente desolado.
— Eu sinto muito. – falei, colocando minha mão por cima da sua. – Bem, minha irmã deve saber o que é perder alguém. Ela cortou laços comigo, porque há poucos dias Seth era o amor da minha vida, e de repente chega Adrian e eu meio que fujo com ele. Mas eu nunca quis isso. – minha voz falhou devido ao nó na garganta.
— Vamos resolver isso. – ele deu um aperto na minha mão. – Se houvesse alguém mais forte do que eu...
— Eu tenho minha família. – soltei sem pensar. E ele me olhou, surpreso. – Bom, eles são em número suficiente para lutar.
— Não morrendo com uma estaca no peito, já funciona.
O olhei, em dúvida.
— Nenhum vampiro morre com estaca no peito. – ri.
— Bom, você provavelmente está conhecendo o primeiro. Na verdade, o segundo.
Com essa eu fiquei mais perdida.
— Adrian é dessa outra raça de vampiros. E se sua família não morre assim, já é uma vantagem.
— Bom, com minha família é o seguinte: tente enfiar uma estaca em seu peito e quem morre é você.
Ele sorriu, parecendo gostar da ideia.
— A pele deles é tão forte quanto mármore. Apenas outro vampiro da mesma espécie pode matá-los, ou os transfiguradores Quileutes. E eles só estão totalmente mortos se os queimarem.
Ele ouviu tudo com os lábios entre abertos, atento a cada palavra que eu dizia. E chocado também.
— E você é o que exatamente? – ele perguntou, extremamente curioso.
Eu expliquei tudo a ele. Sobre os vampiros, dos antigos Volturi. Sobre o que meu filho é, uma mistura de três coisas. Sobre meu marido e meu cunhado serem lobisomens... transfiguradores. E há mais deles.
Quando acabei, ele mordeu o lábio inferior, me olhando. Acho que eu seria flertada a noite inteira. Continue comendo para me distrair. Lhe ofereci, e ele recusou educadamente.
— Eu entendo porque ele te quer tanto. – ele murmurou, um sorriso brincando em seus lábios. – Você é absurdamente linda.
— Obrigada. – agradeci, me sentindo corar.
— Sem ofensas, mas é difícil imaginar alguém que tenha chegado perto de você por qualquer coisa além de aparência.
— Meu melhor amigo não tinha interesse nenhum. Nem por mim, nem pela minha irmã.
— Como pode saber disso? – ele desafiou. – Ahh, claro. Seu pai lê mentes.
Assenti, confirmando.
— Meu pai daria um chute no traseiro de qualquer menino desrespeitoso que chegasse perto de mim ou da minha irmã.
— E o lobo?
— Bem, na verdade, ele sofreu imprinting comigo. Eu não mencionei isso, né?
Ele negou com a cabeça.
— O imprinting acontece apenas uma vez na vida de um lobo, e é para a vida toda. Como se fosse amor à primeira vista. Só que não é um amor qualquer. É mágico. A grande maioria dos membros da matilha deles teve. Seth teve comigo. Às vezes eu acho que ele merece qualquer coisa melhor do que eu...
— Ei, não diga isso. – ele me interrompeu, pegando minha mão por cima da mesa. – Vocês têm sorte de terem um ao outro. Não deixem nada atrapalhar o amor de vocês.
— Às vezes isso é meio impossível. – dei um sorriso forçado.
— Outra coisa importante: peguei esse anel. – segurou minha mão e depositou uma joia deslumbrante na minha palma aberta. – Não sei se ele já tentou te hipnotizar, mas com isso é impossível. Tem pó de verbena, o que te impede de ser hipnotizada. Pode ser usada como joia, ou ingerindo. Fica por tempo limitado no organismo, mas já ajuda.
Encarei o objeto, horrorizada com a possibilidade.
E então veio na minha mente momentos antes quando tomei um gole do vinho, e Adrian me fez um pedido estranho olhando nos meus olhos. Ele já estava bem grogue, mas claramente tentou me forçar através da hipnose de ir para cama com ele. Talvez tivesse ficado impaciente de tanta espera. E foi a verbena, uma das ervas, que coloquei no vinho que me salvou.
Me contou também sobre lobisomens de lua cheia. Estavam quase extintos, mas eles se procriaram com o passar das décadas e agora tinha uma quantia razoável para estarem fora do perigo de extinção.
— Acho que já falamos o suficiente por agora. – ele falou, e acho que essa era a sua deixa. – Nos vemos em breve.
Nesse momento, meu celular tocou.
— Espere um momento. – falei, levantando um dedo. Ele assentiu e permaneceu sentado. – Hey, Nessie. Qual é a boa?
— A boa é que até amanhã de noite você precisa estar longe daí. Não importa que horas você tenha marcado para vir, tem uma bruxa que ama o Adrian e você tem de estar longe daí quando ela aparecer para buscá-lo.
— Uma bruxa? – perguntei, surpresa. De início achei que ela estivesse insultando alguém.
— Esqueci de te contar sobre isso. – o amigo de Adrian sussurrou.
— Carl, quem está com você?— Nessie perguntou. Com certeza ela ouvira a voz dele.
— É um antigo amigo dele. – respondi.
— Carl...
— Relaxa. – falei, antes que ela dissesse algo a mais. – Ele... ele também quer isso. – falei em meio a um suspiro. – Ele quer impedir...
— Droga. – ele exclamou baixinho, olhando para o lado de fora do restaurante. – Adrian está aqui.
O que?! Como ele me achou?
— Carlie, quem está aí?— Nessie perguntou pelo telefone.
— Vem agora. – ele sibilou, e me puxou pela mão, dali. Peguei um maço de notas na minha carteira e deixei na mesa. Corremos até a porta dos fundos. E minhas guloseimas ficaram para trás. – O que ele está fazendo aqui? – ele me perguntou, num tom de acusação.
— Não fui eu! – me defendi.
— Carlie Masen Cullen Clearwater.— agora era Jacob na linha. Coloquei o telefone de volta da orelha. – Que droga está acontecendo?!
— Um pequeno imprevisto. – respondi, temendo Adrian estar me ouvindo. – Jake, te conto por mensagem. Não posso... diga para Ness explicar.
— Sabe que não gosto de ficar de fora.— ele rosnou.
— Sim, Jake, eu sei. Preciso que confie em mim.
— Droga, Cullen, até parece o Edward.
— Só faça o que eu disse.
Suspirou do outro lado da linha.
— Certo. Nos falamos depois.
— Tá certo. – sussurrei antes de desligar.
Olhei para o estranho. Apesar do silêncio, a cumplicidade irradiava de nossas auras.
— Aliás, nem sei o seu nome.
— Rupert.
— Carlie. – apertei sua mão.
— Que surpresa, Rupert. – nos sobressaltamos ao ouvir a voz de Adrian do lado de fora também. – Não sabia que conheceu sua cunhada.
Torci a cara para ele.
Se ele nos achou ali nos fundos do restaurante, ouviu cada palavra desde que saímos do estabelecimento.
— Rupert, como vai? – perguntou Adrian.
— Bem. – respondeu, sem querer prolongar mais a conversa. – Agora infelizmente tenho que ir. Tenho alguns compromissos.
E se retirou. Adrian notou o anel em minha mão.
— Lindo, não? – levantei minha mão e passei a admirar a joia verde no meu dedo. – Passei em uma joalheria e não resisti.
Poderia muito bem ser verdade. O anel de ouro com a joia verde em formato de gota era de brilhar os olhos de muitas mulheres.
— Está me devendo um jantar. – Adrian cobrou. – Você comeu sem mim.
Dei de ombros e fiz o meu caminho para o meu carro – ele me seguindo. Com certeza chegou ali de táxi, meu pai alugou o carro só para mim.
Não poderia dizer que não estava nervosa. Se Adrian desconfiasse que estou tentando me afastar dele, não sei o que ele seria capaz de fazer. Pelo menos, enquanto eu conseguisse manter o anel no meu dedo, eu não correria perigo de ser hipnotizada – de novo?
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