A Intocável
1 Prólogo
Notas iniciais

Isabella Swan tirou os óculos, enquanto três pares de mãos começavam a trabalhar em seus cabelos, ela colocou as lentes de contato azuis com facilidade, já acostumada com aquilo nem sentiu o incomodo. A gritaria do lado de fora era o que lhe dava dor de cabeça, o local estava cheio, a maior plateia da turnê.
Enquanto os fãs clamavam pela queridinha da América, Isabella deixava de ser Isabella e passava a ser Marie Swan. Aquela de olhos azuis, cabelos muito bem arrumados, maquiagem marcada, unhas postiças e roupas coloridas e brilhantes. Aquela que todos estavam ali para ver.
Os maquiadores, os cabeleireiros e os figurinistas, todos falavam com ela, riam e pareciam super animados. Mas, a estrela da noite não conseguia entrar no clima, por mais que houvesse um sorriso em seu rosto, ele era falso.
Sua cabeça parecia ter uma bateria, um ritmo repetitivo lhe fazendo pensar sem parar que dia era aquele. Ela queria pegar seu celular, ligar, ou mandar uma mensagem, qualquer coisa. Só queria falar com ele, ela precisava daquilo.
Marie, não mais Isabella, mordeu o interior de sua bochecha, contendo a vontade de gritar e implorar que todos se afastassem para que pudesse ter um pouco de paz. Alguém a levantou da cadeira onde estava sentada, a enfiando em suas roupas sem muito esforço. Ela se sentia uma boneca sem vida, comandada por todos.
— Faremos milhões com você, Marie, milhões! — eles diziam. — Você é uma estrela!
Sorria. Acene. Pisque. Ria. Seduza.
Todos comandos em um ciclo vicioso, sem fim. E, ela os aceitava. Não podia negar que amava o lucro que vinha disso, ainda que soubesse mais do que ninguém que o dinheiro não era mesmo um caminho para a felicidade.
— Alice, nós podemos cancelar o show? — perguntou em voz baixa a sua assistente quando apareceu perto dela.
Marie sentia um embrulho no estômago, dividida entre a estrela dos palcos e Isabella que não podia ignorar o dia marcado no calendário. Ela não poderia manter a imagem dele trancada em sua mente, não aquele dia, não conseguia.
— Você ficou maluca? — Alice riu. — O local está com lotação máxima, estamos a minutos de começar o show. O que deu em você?
— É aniversário dele — sussurrou, falar aquilo lhe doendo mais do que pensar.
— Eu sinto muito — Alice disse com uma expressão perturbada no rosto, mas em um tom de voz confiante. — Nós não podemos cancelar o show — afirmou. — Você estará de férias depois de hoje, apenas cumpra seu dever antes disso.
A cantora assentiu, trancando dentro de si a dor. Choraria depois, sozinha em sua cama, como fazia desde sempre. Tinha muita gente contando com ela aquela noite, não poderia decepcioná-los.
Sorrindo para Alice, ela seguiu até os bastidores do palco. Era intocável, nada a abalaria. E, lá em cima dos palcos, ela podia imaginar que estava cantando para ele como nos velhos tempos.
Feliz aniversário, Edward!
Recebeu a ordem de permissão e entrou no palco, falando em seu microfone dourado:
— Boa noite, New York!
Os gritos aumentaram, todos a amavam. Menos aquele que ela amava e, isso era culpa dela.
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