A Inquisição

3 O Narrador


— Ei, ei. Vou aproveitar que você tá dormindo pra te falar algo.

— Que? Dormindo? Quem caralhos viria a ser você?

— Eu sou você do passado, e também o cara que está escrevendo essa história. Agora, você preci...

— Espera um pouco ai, babaca... Então quer dizer que eu estou numa história?

— Sim, viado. A senhorita viajou no tempo com o Yan e com o Cremer e voc...

— Quem seria esse ser com nome de nazista?

— Puta, tu ainda nem conheceu ele? Bem... Vou dar um jeito de você conhecer. Agora as três piranhas viajaram no tempo “acidentalmente” e acabaram vindo pra cá, e isso fez a memória de vocês fazer BOOM, e o chefe da Inquisição tem a máquina do tempo, então você vai ter de chegar lá na basezinha dele, socar uma escopeta na bunda dele e atirar pra sair pedaço de cu pra tudo que lado, ai vocês usam a porrinha lá da máquina dos doutores pra voltar pra 2027, onde não tinha aquela porra lá que tu sabe muito bem o que é. Agora moleque, daqui em diante é bom tu tomar cuidado, por que se não tu tá fudido.

— Qual grau de fudência?

— Ah, sei lá... Tipo: PUTA QUE PARIU TRÊS BISCATES, TO FUDIDO ATÉ O TALO.

— Ah... Então briocos não serão perdoados?

Não...

Então Gabriel começou a voltar a si. Então o narrador falou:

— Espera ai porra!

— Que foi?

— Falam que os Locusts foram extintos, né?

— Sim... Por quê?

— Extinto é o caralho.

— Então quer dizer que as bucetas dos Locaralhos não foram extintos? Minha santa piroca...

— É... Agora pode acordar.

— Mas pera ai, por que você tinha dito que eu estou dormindo?

— Tu levou um tiro, anta do caralho.

— Ah é... Tu sabe que já que você é o narrador você deveria falar tu levastes, né?

— No cu que eu vou falar assim

— Ué... Só acho que é o certo a se fazer?

— Tu já escreveu uma história por acaso?

— Se eu sou você do passado consequentemente eu escrevi essa história aqui.

— É um bom argumento.

Então o narrador pensou consigo mesmo e falou:

— Se você perdeu a memória, como você se lembrou do Yan?

— Sei lá, senti uma presença amiga nele, e com isso consegui lembrar algumas coisas de um mundo onde existia verde, e olha, ele emagreceu, hein?

O narrador riu histericamente e lembrou-se dos dias anteriores, quando tinha visto Yan pela última vez, e disse, ainda rindo:

— É, realmente, ele emagreceu... Agora o filho da puta pode acordar.

— A senhorita está xingando a própria mãe, babaca.

— Ih, é né...

Gabriel e o Narrador riram, até que Gabriel acordou.

— Gabriel? Gabriel? Ow viado, tá me escutando? Gabriel? — Disse Bem, preocupado.

— Sim... Sim...

— Achei que tu já ia morrer — Disse Yan com um tom sarcástico.

— HÃHÃÃÃÃM, SÉÉÉÉRIO? — Disse Gabriel, com um tom mais sarcástico ainda. — Todos nós pensamos. —

E então Gabriel levantou e viu uma faixa passando entre o ombro esquerdo e por baixo da axila direita.

— Olha o tamanho desse papel duro! — Disse Gabriel, fingindo-se de burro.

— Que papel duro o caralho, isso aí é um tipo de bandagem que tem o poder de curar as feridas.

— UAU! Não tinha percebido! — Disse Gabriel, com um sarcasmo até alto demais para uma pessoa sem problemas psicóticos. Mas bem que ele não bate muito bem da cabeça...

— Vamo lá, o treinamento tá começando! A gente precisa botar a armadura — Disse Benjamin, animado.

— E o Francis? — Disse Gabriel, com uma mistura de tristeza e sarcasmo na voz.

— Bem, vamos dizer que ele explodiu o cérebro dele mesmo, junto com a cabeça, e uma parte do pescoço...

— CARALHO, EU QUERO VER ISSO! — Berrou Gabriel, demonstrando certos problemas psicóticos que eu tinha citado ali em cima.

— Nossa cara... Você é doente, na moral... Você deveria ser um psicopata antes de me conhecer...

— Que nada! Eu só acho isso excitante de se ver.

— Eu sabia que ele era totalmente desequilibrado. — Sussurrou Yan para Ben, que soltou uma leve risada.

Então eles foram andando para a área de treinamento, e enquanto eles chegavam, eles viram mais mulheres do que homens. Ben, que era um pouco machista, disse:

— Desperdício de exército. Por mim só teria homens.

— O bom é que a gente pode ficar olhando umas tetas e umas bundinhas por ai — Comentou Yan.

— Wow, quanta gente aqui? — Disse Gabriel, que olhando para uma garota, ficou boquiaberto.

— Nós olhamos para a mesma coisa — Disse Ben, que também estava boquiaberto.

— Aqui é nascedouro de puta — Disse Yan, que não estava lá tão boquiaberto.

— Olha as teta daquela mina, man... Eu estou estupefato — Disse Gabriel

— A gente tá aqui na porta meia hora e tá todo mundo olhando pra gente sussurrando. Podemos ir, por favor? — Disse Yan, já irritado.

— A gente vai entrar? — Disse Ben, com medo na voz.

— Essa é a ideia — Disse Gabriel

— Ok...