Notas iniciais
Inu Yasha não me pertence (eu soh obrigada a admitir isso toda a vez? T_T)

A primavera não era mais a mesma de sempre, até mesmo o canto dos pássaros parecia triste aos ouvidos de um certo hanyou, as flores não tinham mais o mesmo esplendor de outrora...

Já fazia quase uma semana que Izayoi estava na mesma, na verdade parecia que piorava a cada dia. Seu rosto, antes cheio de vida, agora jazia pálido e triste, emagrecera também, pois não se alimentava direito devido à tosse e a falta de apetite, mal tinha forças para ficar de pé.

Myouga também não se fazia mais presente naquele momento, havia dito que tinha coisas importantes a resolver, “como se uma pulga tivesse assuntos assim tão urgentes..” pensava o hanyou. E em todo esse tempo, Inu Yasha praticamente não saía do lado de sua mãe um momento sequer, o que a preocupava, por mais doente que estivesse.

- Inu Yasha... saia um pouco, vá se distrair.. por favor. – pedia a mãe, com a voz tão fraca que se tornava quase inaudível.

- Eu não quero te deixar aqui mãe. – suplicava o hanyou.

A princesa suspirou e em seguida disse as palavras que marcariam para sempre a memória do filho:

- Eu acho que vou partir logo....

- Não fala isso mãe! – pedia o hanyou já começando a juntar lágrimas nos olhos.

- Desculpe meu filho... mas acho que não poderei mais ficar com você... Só me prometa uma coisa... — o hanyou fitou sua mãe com atenção às suas palavras – Quando eu me for, você vai se tornar forte e vai sobreviver...

Inu Yasha já não podia controlar suas lágrimas, que rolavam por seu rosto jovem e triste.

- Eu não vou conseguir sem você – foi tudo o que pode dizer antes que a voz embargada devido ao choro não o permitisse mais falar com clareza.

- Vai sim... – consolava Izayoi com ternura na voz – Por que você é como seu pai... você tem o mesmo coração bondoso dele... e sei que a mesma força de vontade também... Por isso sei que você vai conseguir... — fez uma pausa um pouco maior – Então me prometa que será forte pra sobreviver sem mim!

- Eu.....eu.... p-prometo mãe. – respondeu o pequeno entre lágrimas.

Izayoi então deu um fraco sorriso, com o olhar de ternura mais doce que Inu Yasha já havia visto.... seu último.... Então sua respiração foi ficando cada vez mais fraca..... o brilho de seus olhos foi se apagando e eles foram fechando lentamente. Inu Yasha, que no momento segurava a mão de sua ente, notou que esta começava a ficar mais fria, olhou rapidamente para o rosto agora sereno de sua mãe, a tempo de ver seus olhos cerrarem-se por completo e sua respiração findar....

- MÃE! NÃO, NÃO VÁ! ABRA OS OLHOS! – gritava desesperadamente o hanyou, agora chorando mais que antes. – Por favor.... não me deixe...mãe.... – disse antes de chorar novamente sem controle.

As duas servas que ficavam sempre de guarda na porta e que no momento tentavam convencer alguns aldeões de que estava tudo bem com a princesa, entraram repentinamente no aposento ao ouvirem o som. As duas ficaram estáticas ao ver a princesa desfalecida naquele futon. Uma delas se aproximou e sem nem precisar checar, já constatou:

- Está morta....a princesa Izayoi morreu... – disse atônita à outra

O hanyou continuava chorando sobre o corpo de sua mãe, como se nem tivesse notado a presença das servas ali. Naquele momento alguns dos aldeões que tentavam entrar, finalmente conseguiram, mas só a tempo de ver sua princesa já morta. Um dos aldeões olhou para Inu Yasha com raiva no olhar, como se tivesse sido ele o culpado pela morte de sua própria mãe.

- Seu... monstro... a culpa é sua! – vociferava o homem descontrolado.

O hanyou olhava assustado, aquela gente raivosa pronta pra atacar. As servas tentavam conter os aldeões com a ajuda de alguns guardas, enquanto eles, como verdadeiros animais tentavam avançar pra cima do pobre hanyou, que nem sequer sabia o motivo para tanto ódio.

- Ele fez novamente! Assim como fez ao meu filho! – continuava a gritar o aldeão.

Agora fazia sentido a reação dele, ele era o pai do garoto que Inu Yasha havia ferido algum tempo atrás. Ao que se via, ele tentava aproveitar da situação para realizar sua tão esperada vingança, e arrumava mais motivos para que os outros aldeões e ele próprio, odiassem ainda mais o hanyou.

Yami, a serva que ajudava a segurar a multidão, gritou ao hanyou:

- Saia logo daqui! Antes que eles matem você!

Inu Yasha, sem ter escolha, saiu por outra porta e correu o mais depressa possível, sem nem saber pra onde, as lágrimas não paravam de sair... Pra onde correr? Onde se esconder? Foi quando avistou a floresta, era o único lugar pra onde ir agora, não podia mais permanecer no vilarejo, e agora não tinha mais sua mãe para protegê-lo...

Parou de correr quando já estava dentro da floresta, não tinha mais forças pra correr, a dor da perda era muito grande. Caiu de joelhos no chão, seu olhos praticamente sem expressão ainda deixavam cair algumas lágrimas.... Nunca sentira tanta tristeza na vida....Nunca se sentira tão sozinho....

OoOoOoOoOoOoOoOoO

No dia seguinte começava o ritual funerário. Todas as pessoas do vilarejo vestiam suas melhores roupas e acompanhavam a liteira carregada por quatro soldados, onde dentro dela, jazia o corpo de Izayoi.

As pessoas pareciam muito tristes, mas só as servas pessoais da princesa derramavam lágrimas, os outros seguiam olhando para o chão, todos andando vagarosamente. Escondido atrás de uma arvore perto da floresta, estava o hanyou acompanhando tristemente o funeral, nem sequer podia se aproximar. Ao lembrar de que nunca mais veria sua mãe, uma lágrima solitária rolou por seu rosto....

Continuou a observar até que viu logo atrás da multidão, bem no final, Haru acompanhada de seus pais, esta também seguia tristemente o cortejo, quando, talvez por coincidência ela olha na direção em que está o hanyou, o qual se esconde prontamente para não criar outra vez problemas a menina. Mas fora inútil por que ela teve tempo de vê-lo, e aproveitando a distração de seus pais, que seguiam um pouco mais à frente, correu para onde estava o amigo.

A garota parou logo a frente da arvore, à qual o hanyou estava escondido atrás, e lentamente foi dando a volta ao redor do tronco até visualizar o pequeno hanyou, sentado no chão com o rosto encoberto sobre os braços cruzados em frente às pernas.

- Inu Yasha... – chamou a garota com cautela, mas não recebeu resposta.

Então sentou ao lado dele, ficou um tempo olhando para o chão e depois olhou para o hanyou:

- Sinto muito por sua mãe. – foi o que ela pode dizer para tentar consolá-lo.

Ele pela primeira vez desde que ela tinha chegado ali, levantou a cabeça e a olhou frente a frente, foi aí que ela pode ver as lágrimas que molhavam o rosto do garoto. Inu Yasha tinha um olhar muito triste, e Haru não conseguia ver ninguém sofrendo:

- Sabe.... – começou ela – Quando minha avó morreu, eu também fiquei muito triste... por que nunca mais veria ela. Mas, minha mãe me disse....que: se eu a amava, ela ia estar sempre comigo. Sua mãe sempre vai estar com você também. – dizia ela com um sorriso nos lábios.

- Obrigado... – respondeu ele, tentando dar um fraco sorriso.

- Haaaruuu! Onde você está?! – a voz de mulher ecoava pelo lugar, chamando a filha sumida.

- Minha mãe está me chamando.... – disse a menina mais para si mesma do que para alguém – Eu tenho que ir... tchau, Inu Yasha! – despediu-se do amigo e saiu depressa, sem esperar resposta.

Ele apenas pode vê-la partir novamente. Parecia que todos que ele conhecia partiam para longe dele.... Mal pôde concluir seus pensamentos, uma voz lhe chamou a atenção:

- Inu Yasha-sama!

- Velho Myouga! – respondeu um tanto surpreso ao ver a pulga – O que faz aqui?

- Infelizmente, soube tarde demais sobre a morte de Izayoi-hime. – disse pesaroso — Vim ao menos prestar uma última homenagem a ela.

Inu Yasha ficou novamente com uma expressão muito triste:

- É, mas nem podemos chegar perto... – dizia tristemente o hanyou.

- Eu sinto muito, Inu Yasha-sama – dizia Myouga como se pudesse remediar a situação.

Mais tarde ainda naquele dia, o hanyou se encontrava na floresta; não adiantava mais ficar perto daquele vilarejo, e era até perigoso pra ele se fizesse isso...

Andava lentamente e sem rumo pela floresta densa...os olhos fixos num único ponto porém sem enxergar nada a sua frente, parecia hipnotizado, era como se estivesse vivendo num outro mundo.... Parou quando a escuridão da selva lhe impedia de enxergar o caminho com perfeição, olhou em volta e visualizou uma espécie de caverna. Dirigiu-se até lá e adentrou no escuro... encolheu-se num canto e tentou dormir, mas a única coisa que conseguia era pensar em sua mãe e em como sentia sua falta... e chorar novamente.... em silêncio, até que pegasse no sono....