A Infância de Inu Yasha

8 Capítulo 8: Novo começo


Notas iniciais
Quando se está no fundo do poço, é preciso dar a volta por cima. ^^
O pequeno hanyou encontrava-se num lugar estranho, cheio de uma névoa que não parecia real...fora isso, era tudo negro e vazio a sua volta, apesar de não enxergar um centímetro a sua frente podia enxergar perfeitamente a si mesmo, como se ele fosse uma lâmpada naquela escuridão toda. Isso seria totalmente impossível se estivesse num lugar escuro e real, então, onde ele estaria?

Enquanto divagava sobre o assunto, pode ver uma figura aproximar-se devagar... Inu Yasha não pôde identificá-la de imediato, mas assim que a pessoa misteriosa aproximou-se, ele percebeu que era.... sua mãe. Usava um comprido kimono rosa, seu favorito.... sua expressão, bondosa e calma como sempre. Aproximou-se do hanyou, que não podia acreditar que sua mãe estivesse ali, com ele, novamente.

Ele correu ao encontro da mãe e a abraçou com todas as forças, não queria que ela partisse novamente, ela retribuiu ao abraço carinhosamente.

- Mãe, você está aqui mesmo? Você voltou? – indagava o pequeno sem acreditar no que via.

- Infelizmente eu não vou voltar mais... – respondeu triste – Você precisa continuar sem mim.

- Não! Eu não consigo! – gritava o hanyou, as lágrimas começando a sair novamente – Fica comigo!

- Eu sempre vou estar com você. Mesmo que você não me veja.

Nessa hora o hanyou se lembrou das palavras de Haru:

“- Sabe.... – começou ela – Quando minha avó morreu, eu também fiquei muito triste... por que nunca mais veria ela. Mas, minha mãe me disse....que: se eu a amava, ela ia estar sempre comigo. Sua mãe sempre vai estar com você também.”

- Não desista – prosseguia Izayoi – Não desista de viver. Eu sei que você consegue.

Lembra do que me prometeu?

“- Desculpe meu filho... mas acho que não poderei mais ficar com você... Só me prometa uma coisa... — o hanyou fitou sua mãe com atenção às suas palavras – Quando eu me for, você vai se tornar forte e vai sobreviver...

[...]

- Eu.....eu.... p-prometo mãe.”

- Lembro...

- Nunca se esqueça... – disse pela última vez Izayoi, antes de começar a desaparecer.

- Mãe!

- Eu tenho que ir agora... – e dizendo isso ela sumiu completamente....

OoOoOoOoOoOoO

A manhã estava ensolarada naquele dia... os raios de sol ultrapassavam a folhagem alta das árvores e batiam em cheio no rosto de um acerto hanyou que dormia em uma pequena caverna por ali. Ele abriu os olhos dourados devagar, mas fechou-os rapidamente ao surpreender-se com a forte luz do sol que o atingia. Foi então se acostumando a luz e lentamente pode abrir os olhos novamente.

Encontrava-se naquela mesma caverna onde tinha se abrigado na noite anterior após o enterro de sua mãe. Sua mãe, sim isto lhe lembrara de algo, de tê-la visto antes de acordar. Olhou em volta rapidamente na esperança de encontrá-la ali. Mas não viu ninguém...

- Foi um sonho...? – se perguntava confuso.

Por mais que fosse um sonho, ele sentia-se bem melhor agora do que no dia anterior. Era como se sua mãe tivesse vindo em pessoa animá-lo a seguir em frente. Ou talvez fosse apenas fruto de sua mente perturbada pela perda repentina....

— Não se preocupe mãe! Eu não vou desistir! – disse com determinação.

Foi quando ouviu um barulho familiar vindo de seu estômago:

- Mas preciso comer alguma coisa primeiro. ^^’ – completou.

O hanyou não comia há dois dias, nem tivera tempo de pensar nisso com tudo o que aconteceu. O problema agora era: como encontrar algo pra comer no meio daquela floresta?

Saiu caminhando pela mata, olhando pra todos os lados, procurando por alguma coisa comestível.

Sem sucesso, não encontrara nem sequer uma fruta no meio de todo aquele arvoredo. Foi quando escutou um barulho próximo, no meio de uma moita. Ficou em alerta, se preparando para qualquer coisa que pudesse sair dali. Como a criatura não se manifestava logo, o curioso hanyou decidiu olhar mais de perto. Afastou alguns galhos devagar....e uma lebre saltou velozmente da moita, quase matando o hanyou de susto, este até caindo no chão.

O bicho fitou o hanyou por uns instantes, analisando o perigo. Inu Yasha ainda se recompunha do ‘quase ataque cardíaco’, se levantou e com raiva, ameaçou a criatura saltadora:

- Você me paga por isso! – mal acabara de dizer essas palavras, lhe ‘caiu a ficha’ de que podia alimentar-se da lebre...se conseguisse pegá-la.

A lebre, como se tivesse adivinhado seu pensamento, põe-se a correr a toda velocidade, o hanyou logo atrás. Este tentava inutilmente alcançar o animal, que tinha sido feito para saltar e correr, e levava uma certa vantagem. Inu Yasha parecia estar quase alcançando a lebre, e quando pulou para agarrá-la, esta habilmente escapou de suas mãos, como se fosse sabão.

O hanyou agora no chão, cansado, só podia ver sua presa sumir no meio da floresta. A correria só aumentara sua fome, e agora estava exausto. Levantou-se, derrotado, e após uma pequena pausa para descansar, voltou a procurar por comida. Mas agora, andava devagar, quase arrastando os pés, talvez por fraqueza, talvez por desânimo mesmo.

Após caminhar por alguns minutos, Inu Yasha começou a ouvir um som de água corrente, e o cheiro da mesma lhe deu a certeza que estava perto de um rio. Na mesma hora lhe veio uma idéia a mente: se estava perto de um rio, poderia pescar.

Apegado a essa idéia, recomeçou a correr, agora na direção ao rio. Chegando finalmente, o que viu foi um rio de águas limpas e cristalinas, e rápidas também. Animado, aproximou-se à beira da correnteza e olhou atentamente, procurando por um peixe ou qualquer outra criatura viva que pudesse haver ali. Não precisou esperar muito, logo um peixe, não muito grande aparecera nadando perto da borda, o hanyou então se preparou... e saltou na água.

A agitação espantou o peixe, que nadou velozmente para o meio do rio. O hanyou ficou olhando, abobalhado, o peixe fugir, talvez não fosse tão fácil quanto pensou que seria. Ele, que já estava dentro da água, continuou ali, esperando que outro peixe aparecesse, vasculhando com os olhos, cada centímetro do rio dentro de seu alcance.

Alguns segundos depois, outra reluzente criatura aquática se aproximava, desatento ao perigo eminente. O hanyou permaneceu imóvel, esperando o momento mais oportuno para ‘dar o bote’. E foi quando o peixe vinha nadando em sua direção.....Inu Yasha se preparou, mirou o peixe, e rapidamente enfiou as mãos dentro da água... porém essas saíram vazias da mesma, o peixe fora mais rápido.

- Droga! – praguejou o pequeno.

Mas seu estômago mais uma vez deu sinal de estar vazio, não podia desistir agora. Decidiu então, continuar tentando. Na terceira tentativa ele até que conseguiu segurar o peixe....temporariamente, pois este se debateu e escorregou das mãos do pequeno hanyou, de volta para dentro da água. Determinado a não se dar por vencido tão fácil, tentou de novo, usando a mesma técnica que anteriormente, mas fazendo total silêncio e imobilidade até que chegasse a hora certa.

Um peixinho incauto passava perto dele, perto demais, e quando a criatura parecia totalmente distraída, Inu Yasha fez um rápido movimento – que fez bastante água voar pelos ares – e agarrou o peixe, desta vez, fincando-lhe as garras na presa, para que esta não escorregasse como a outra.

- Há, peguei! – comemorou o hanyou, dando saltos de felicidade.

Parou repentinamente e olhou para o peixe, este agora dando seus últimos ‘suspiros’ – se é que se pode chegar a tanto. Ficou pensando em como comeria o peixe, a menos que fogueiras se materializassem do nada, não poderia assá-lo. Já tinha visto o processo de acender fogueiras antes, e sabia que se não tivesse material necessário, demoraria muito, isso se desse certo. Resolveu comê-lo assim mesmo, o gosto não era tão quanto o de um peixe assado, mas dava pra comer.

Saciada a fome, ou parte dela, o hanyou sentou-se à beira do rio, pensando no que ia fazer dali em diante, porém ouviu vozes, pareciam vir do outro lado do rio. Inu Yasha mais que depressa, escondeu-se atrás de uma árvore, apenas observando por detrás da mesma. Viu, dois homens conversando enquanto caminhavam. Um deles parecia bastante assustado.

- Você não viu alguma coisa se mexendo ali atrás? – dizia o homem amedrontado.

- Eu não vi nada, deve ser sua imaginação. – debochou o outro.

- Eu acho que era um youkai! – continua o primeiro, ignorando o comentário do amigo.

Enquanto os dois ainda discutiam sobre o assunto, um estrondo é ouvido, de um lugar perto de onde os homens estão. Ambos olham na direção do som, os dois agora tremem de medo, apenas imaginando o que pode ser. Inu Yasha continuava observando de seu esconderijo, neste momento estava tão ansioso quanto os dois humanos mais à frente, esperando pelo que viria a seguir.

Um enorme youkai lagarto aparece do meio da mata, apavorando os dois homens, que tentam fugir, em vão, pois o youkai estraçalha um deles apenas com um golpe de suas garras, e o outro que tentara correr, foi derrubado ao chão pela longa calda do youkai. O humano, pego pelo youkai, que o segurava com uma das mãos apenas, se debatia e implorava ao demônio para não ser morto. O youkai esboçou um sorriso maldoso, enquanto olhava para o humano indefeso em sua mão, como se fosse um pedaço de carne.

Sem pensar duas vezes, o youkai, com uma mordida, decepou a cabeça do homem numa fração de segundos.

Inu Yasha assistia a tudo horrorizado com tamanha crueldade, enquanto o youkai devorava os humanos, satisfeito, como se estivesse saboreando uma deliciosa refeição. Então, o hanyou resolveu sair dali, antes que o youkai o notasse e resolvesse fazer dele a próxima vítima.

O hanyou correu novamente para dentro da floresta. Chegou ofegante ao lugar de onde tinha vindo, e parou um pouco para descansar, antes olhando para trás para ver se o youkai o seguia, vendo que não era este o caso, ficou mais tranqüilo.

De repente ele sentiu alguma coisa em seu pescoço, e já imaginando o que era, esmagou a ‘coisa’com a mão. Um pequeno inseto caiu levemente no chão.

- Myouga! Pare com isso! – dizia chateado o hanyou

- Desculpe Inu Yasha-sama! É que seu sangue é muito bom, é quase como o de seu pai. – explicava-se a pulga. – O que foi que aconteceu Inu Yasha-sama? – perguntou Myouga ao perceber o estado em que o pequeno hanyou estava.

- Hã...é que...eu vi um...um... youkai, matando e comendo pessoas. – tentou explicar.

- Ah, mais isso é normal. – disse Myouga simplesmente.

- Normal !? – intrigou-se Inu Yasha.

- Sim, mas é claro! Há youkais que comem humanos, e há outros que simplesmente não gostam deles.

- Mas não é cruel demais? – tentava entender Inu Yasha.

- Ora! A vida é cruel! E há humanos cruéis também, como você já deve saber! – explicou novamente Myouga.

Mas Inu Yasha ainda continuava pensando que aquilo era desnecessário. Matar pessoas sem nenhum motivo....não fazia sentido, se bem que pessoas também faziam o mesmo com os youkais às vezes. Mas não tinha por que ficar pensando nisso agora, pois ele precisava sobreviver naquele mundo hostil, e até mesmo os humanos seriam uma ameaça.

- Inu Yasha-sama! – Myouga o acordou dos devaneios – O senhor por acaso já foi visitar o túmulo de sua mãe?

- ....não.

- Eu estava inda pra lá agora, venha comigo. – convidou a pulga.

Inu Yasha concordou, e foi com Myouga até perto do vilarejo onde vivia. O túmulo era um pouco distante das casas, então o hanyou pôde se aproximar dele sem ser visto. Myouga desceu de seu ombro e ficou em frente ao túmulo, juntou as ‘mãos’ como se estivesse rezando.

Inu Yasha apenas observava a lápide com o nome de sua mãe escrito em hiragana. Não entendia perfeitamente o que estava escrito, mas sabia o que era. Ao relembrar os momentos felizes que tivera enquanto sua mãe estava viva, a tristeza novamente tentou invadi-lo. Mas o hanyou não queria chorar novamente, não queria deixar sua mãe triste. E se lembrou do sonho que tivera, onde sua mãe pedia para ele ser forte.

- “ Não vou ficar triste agora. Eu preciso ser forte, era o que mamãe queria!” – pensou o hanyou.

[...]

Sem que se desse conta do tempo em que estivera ali, o sol já começava a se pôr e começava a escurecer.

- Vamos logo antes que anoiteça! – dizia Inu Yasha para Myouga.

- Eu vou com você Inu Yasha-sama! – avisou a pulga antes de pular novamente em cima do inu hanyou.

Pelo menos esta noite não estaria tão sozinho, foi o que pensou o jovem hanyou. Assim ele mais uma vez se embrenhou na floresta escura, e foi em direção à caverna onde tinha passado a última noite. E assim mais um dia se passava...