A Infância de Inu Yasha
13 Capítulo 13: Reminiscências
Notas iniciais
Inu Yasha não me pertence (mas isso vai mudar ò_ó9)
Mais uma vez o youkai cão encontrava-se ali. É como se seu corpo se guiasse inconscientemente até aquele lugar. Um lugar que trazia lembranças... não que estas fossem consideradas tão importantes ao ‘grande youkai Sesshoumaru’ que ele quisesse mantê-las vivas dentro de si. Mas só que talvez a distração causada pelo falante pequeno youkai que, depois de acidentalmente ter sido salvo por ele o seguia aonde quer que fosse, o tenha feito desviar para esse caminho.
O pequeno youkai verde e de grandes olhos amarelados seguia alegre e com grande admiração por seu mestre. Sesshoumaru era seu grande salvador, seu amo, era quase um... deus pra ele. Este, por sua vez, seguia seu caminho, agora não mais só — não que isto o incomodasse — agora tinha a companhia de um pequeno e por muitas vezes irritante youkai verde denominado Jaken, o qual, achava que tinha sido salvo por ele — quando na verdade o youkai cão apenas se livrava de um obstáculo em seu caminho — e agora o seguia para todos os cantos. Bom... nada mais natural que um youkai de alta estirpe como ele tivesse um servo, e era até conveniente não ter que fazer certas tarefas — tais como se livrar de humanos que interferissem em seu caminho — com as próprias mãos; só por isso permitia que aquela criatura irritante continuasse o seguindo, além do mais era muito obediente. Mas tudo tem um limite, e a paciência de Sesshoumaru não era exceção:
- Pelo que ouvi falar, aqui era o vilarejo onde viviam os youkais cachorros das terras do Oeste. – dizia o pequeno youkai enquanto andava – Se era aqui que o senhor vivia também, com certeza o senhor deveria ser o líder do clã. Sim! Com certeza era! – o youkai falava desde de que haviam chegado no local – Imagino que guerras devem ter acontecido aqui e que coisas houveram para....
- Jaken! – a voz do daiyoukai tinha um tom nada amigável.
- S-sim senhor..? – ele responde temeroso.
- Se não ficar quieto, farei com que não diga mais nenhuma palavra sequer! – o tom frio na voz de seu mestre não escondia seu descontentamento com o falante servo.
- S-Sim senhor! M-me desculpe, não direi mais nada! – se desculpava enquanto fazia profundas reverências até o chão. Com certeza seu mestre era alguém a quem não se devia contrariar.
A paisagem à frente deles era a de um lugar semidestruído pelas guerras, tinha escombros do que um dia fora um dos mais poderosos vilarejos de youkais de todos: o vilarejo dos youkais cães do Oeste. Um lugar onde esses poderosos mononokes viviam em paz uns com os outros, porém, sempre travando guerras com outros youkais por território ou qualquer outro motivo que fosse. O que fazia deles tão fortes era principalmente o daiyoukai Oyakata, mais conhecido como Inutaishou, o líder de todos eles e também o mais poderoso e respeitado. Era graças a ele que tantas guerras eram vencidas e tantos territórios conquistados. Porém, desde a morte deste e a saída de seu filho primogênito Sesshoumaru, que seria seu sucessor; os youkais remanescentes só pensavam em brigar entre si para decidir quem seria o novo líder da matilha. Assim com a estrutura hierárquica em ruínas e a desunião do grupo, a vila não resistiu ao ataque surpresa de youkais rivais e se desintegrou. Desde então nunca mais se ouvira falar nos poderosos youkais que dominavam toda a região Oeste...
Mas mesmo para aqueles que não consideram o passado importante, este sempre voltava para lembrar-lhes quem eram e o que são... E mesmo com Sesshoumaru não seria diferente...
------------------Flashback--------------------
Apesar de fazer já um certo tempo que a batalha havia sido ganha, ele ainda não havia retornado. Um vilarejo próximo ao campo de batalha havia sido parcialmente destruído e Oyakata havia partido em direção a ele com o intuito de talvez, ajudar quem precisasse, pois ele havia dito que aquelas pessoas não tinham nada a ver com aquela batalha. Isso era algo que Sesshoumaru particularmente não entendia no pai, por que se importar com humanos? Por que dar atenção a essas criaturas inferiores? Talvez essas perguntas nunca encontrassem uma resposta satisfatória ao youkai de coração frio.
Bem mais tarde ainda naquele dia, o grande general cão finalmente retorna do vilarejo humano. Ele estava um tanto... diferente, até estranho, diria Sesshoumaru se fosse dado a adivinhações. Ficava a fitar o céu sempre pensativo, com o olhar perdido no nada. Sesshoumaru decidiu não perguntar o motivo de tanta dispersão, também não estava muito interessado nos assuntos do pai...
Obviamente vários outros combates vieram depois deste, mas o general do exercito dos youkais cães sempre parecia um tanto distraído, como se apenas seu corpo estivesse ali enquanto sua mente vagava por lugares distantes. Apesar disso se saía perfeitamente bem nas batalhas, saindo sempre vitorioso delas.
Os outros inuyoukais pareciam não notar a mudança no comportamento de seu general, ou talvez não se importassem uma vez que isso não interferia nas guerras. Sesshoumaru embora intrigado, não dava muita importância no fato.
Oyakata sempre fora para Sesshoumaru como um exemplo, embora o mesmo não admitisse isso abertamente. O pai era a única figura que respeitava e tomava como alvo a ser mais forte que ele. No momento apenas fazia o que lhe mandava, por assim dizer, participando das batalhas contra outros clãs de youkais inimigos. Mas quando chegasse a hora, lutaria com ele, testaria se havia superado o pai em poder, o venceria e tomaria seu lugar. O por quê de isso ser tão importante, nem ele mesmo sabia dizer, mas cumpriria com esse ‘destino’ e depois disso se tornaria o youkai mais poderoso de todos...
[...]
- Sesshoumaru-sama! – chamou um youkai cão.
- O que foi? – pergunta num tom frio e um tanto aborrecido por terem-no tirado de sua contemplação ao céu azul e límpido.
- Por acaso sabe onde seu pai, Inutaishou se encontra? – o youkai pergunta com um certo cuidado para não o irritar.
- E por que saberia? – diz ainda no tom frio e realmente desinteressado.
- Bem...eu pensei que...talvez o senhor...
- Não me importa o que meu pai faz ou deixa de fazer. – o interrompe secamente – Se quer tanto saber dele, vá procurá-lo você mesmo.
O outro youkai somente se desculpa e se retira dali, deixando novamente Sesshoumaru só com seus pensamentos. Realmente Inutaishou estava estranho ultimamente, mas o que mais devia estar preocupando aquele youkai que saíra dali a pouco era que o general cão havia saído há vários dias e não voltara ainda, o que não era típico dele, pois nem avisara aonde ia.
No dia seguinte, todas as dúvidas ou preocupações se esvaíram com a chegada de Inutaishou ao vilarejo dos inuyoukais. Não foi interrogado em onde estivera esse tempo todo, mas os youkais se apresentavam felizes por sua volta.
Mas Sesshoumaru captou algo diferente no cheiro de seu pai, era fraco, mas sentia... um cheiro de... humano... de uma mulher humana para ser mais exato. Dado sua natureza complacente com os humanos isso poderia ser considerado quase normal, não fosse por sua repentina mudança de atitude e por suas constantes ‘sumidas’ do vilarejo. O daiyoukai de cabelos prateados sempre presos em um rabo de cavalo alto e profundos olhos dourados aproximava-se de onde se encontrava a figura de seu filho encostado em uma árvore, de olhos fechados e braços cruzados, a mesma expressão de sempre.
- Quer dizer que agora anda se encontrando com uma fêmea humana?! – disse fria e acusadoramente.
- Sabia que você descobriria logo, Sesshoumaru. – o youkai não parecia nenhum pouco surpreso, como se já prevesse aquilo.
- Que espadas são essas? – perguntou sem alterar o tom de voz, assim que observou duas novas espadas em sua cintura.
- Acabei de mandar Toutosai fazê-las para mim, por isso demorei a voltar. – explicou-se o youkai – São feitas dos meus caninos.
- Caninos...? – disse mais para si mesmo do que para o outro. Podia sentir um grande poder vindo daquelas espadas.
- Bem... agora não é hora para conversas — Inutaishou muda de assunto repentinamente — Prepare-se, pois vamos lutar contra os youkais dragões. Eles invadiram nossos territórios novamente, quebrando a trégua que lhes foi imposta. – concluiu já se virando para partir.
Sesshoumaru ainda observa por uns instantes aquele a quem chamava de pai partir dali, apenas se perguntando o por quê dele ter resolvido forjar duas novas espadas justamente agora....Do que elas seriam capazes, uma vez que foram feitas do caninos do próprio Inutaishou? Isso só o tempo ou as batalhas diriam...
[...]
Lá estavam eles novamente em frente ao exército de youkais dragões, preparados para lutar. De um lado, imensos dragões das mais variadas cores, com seus corpos longilínios, suas cabeças insinuantes movimentando-se de um lado para outro como se fossem cobras preparando o bote. Do outro lado, Inutaishou tendo Sesshoumaru ao seu lado e um grande exército de youkais cães atrás de si, com armas em mãos, apenas esperando a ordem para atacar.
- Ryuukotsusei! – o líder dos cães grita ao maior dragão do exército inimigo.- Você quebrou a trégua que havia entre nós quando invadiu nosso território. Agora vai pagar caro por isso!
- Uahaha! Não me faça rir cachorro! Acha que me importo com sua maldita trégua? – zomba entre dentes – Irei aniquilar seu exército de cães sarnentos!
Ambos se encaram raivosamente durante alguns segundos antes de mandarem seus respectivos exércitos atacarem. Os guerreiros se chocam uns contra os outros com violência, num choque de espadas com garras. Os dragões usavam de seus próprios corpos para estraçalhar o maior número possível de youkais cães, fazendo uso de suas caldas e de poderosos ataques de energia saídos de suas bocas monstruosas. Os inuyoukais vendo-se sem saída eram obrigados muitas vezes a recorrer à sua verdadeira forma: a de gigantescos cães, capazes de liberar um poderosíssimo veneno de suas garras.
Os youkais dragões eram muito resistentes, possuíam uma grossa pele coberta por escamas mais fortes que qualquer armadura, de forma que simples ataques faziam pouco ou nenhum efeito sobre eles.
Inutaishou, então, desembanhia uma de suas novas espadas: ela possuía uma aparência muito simples, de uma espada velha e enferrujada, mas assim que o youkai a empunha, ela em segundos transforma-se em uma enorme alabarda em forma de canino:
- “Vamos testar o poder da Tessaiga!” – pensa o youkai, enquanto se põe em posição de ataque.
Ele ergue a espada, que fica envolvida por uma energia sinistra que mais se assemelha a um forte vento em torno dela. O daiyoukai desfere o golpe mortal, fazendo com que uma poderosa rajada de vento feita de youki vá com grande velocidade em direção a vários youkais dragões à sua frente.
- Kaze no Kizu!! – grita o nome do golpe. Este destrói tudo a sua frente, inclusive os youkais, deixando-os em pedaços, fazendo também profundos sulcos no chão.
Sesshoumaru que havia temporariamente parado sua luta para observar o ataque desferido por seu pai, com sua nova arma; ainda encarava a cena da destruição feita por aquela espada com apenas um golpe.
Aquela katana tinha uma energia muito poderosa e quente; diferente da outra espada que seu pai carregava sempre consigo, a Souunga: esta possuía uma energia fria e maligna, oriunda do espírito anciente que nela habitava; espírito este, que poderia facilmente vir a possuir o portador da espada, caso este não tivesse poder suficiente para dominá-lo (coisa que não ocorria a Oyakata). Não que já não estivesse querendo possuir a Souunga a muito tempo, mas, essa nova e misteriosa arma que seu pai fizera....Era diferente... uma arma notável.... Parecia pulsar na mão de seu portador, como se pudesse comunica-se com ele (fora o fato dela ter sido feita com uma parte do corpo do mesmo).
Ryuukotsusei que era o maior e mais poderoso dos dragões, não lutava, apenas observava à distância. Quando viu o que o ataque de Inutaishou fez aos seus soldados, ficou um tanto temeroso. Visualizou o campo de batalha e pôde perceber que seu exército estava em desvantagem, havia sofrido mais baixas que o inimigo. Ele então soltou um rugido, chamando a atenção de todos para ele:
- Inutaishou! – chamou o dragão – Vamos fazer uma trégua! Ambos os exércitos estão com sérias baixas, vamos resolver isso depois!
- Ora! Está com medo de perder a batalha Ryuukotsusei! – zombou o youkai cão – Achei que fosse nos exterminar! – concluiu com sarcasmo.
- Sabe que não tenho medo de ti! – o youkai cão deixou escapar um baixo rosnado nessa hora – Só que essa batalha não vai dar em nada agora!
É claro que era um blefe, uma tentativa de fugir da batalha e atacar depois quando os youkais cães estivessem distraídos e confiantes que os youkais dragões não invadiriam seu território novamente. Mas claro que não se podia confiar na palavra de Ryuukotsusei, que já tinha se mostrado desleal com o antigo trato de trégua. Porém o exército dos cães também estava com sérias baixas, e Inutaishou achou melhor recolher seus feridos e deixar para acabar com a raça daquele lagarto superdesenvolvido uma outra hora.
- Tudo bem! – gritou de longe – Deixarei que leve seus companheiros escamosos daqui! Mas ficarei de olho em você, para que não nos traia novamente!
- Eu estou dando a minha palavra! – disse o youkai, com um sorriso cínico.
- Como se a sua palavra valesse alguma coisa! – o dragão solta um silvo de descontentamento – Agora retire-se daqui antes que eu mude de idéia!
O dragão, com uma cara nada amigável, chama de volta seu exército e parte dali de volta ao pântano de onde nunca devia ter saído. Os inuyoukais também começam a se retirar, levando consigo os feridos da batalha... O campo jazia coberto de corpos retalhados de youkais dragões e cães, afogados em seu próprio sangue, cujo odor se espalhava por toda a planície.
A poderosa alabarda na mão de Inutaishou volta à sua forma de espada enferrujada e sem corte e é devolvida à sua bainha. Apesar da curiosidade que nem mesmo Sesshoumaru sabia que tinha, este decidiu deixar perguntas para outra hora.
OoOoOoOoOoOoOoO
Obviamente que mais tarde, ou seja, alguns dias depois, Sesshoumaru indagou a seu pai sobre as duas espadas durante um ‘diálogo’ que tiveram. Assim lhe foi contado que aquela espada que seu pai havia usado na batalha contra Ryuukotsusei se chamava Tessaiga; esta tinha o poder de destruir até cem youkais num único golpe, e Inutaishou não havia usado nem metade do poder total da katana. A outra espada, a qual ele nem tirara da bainha durante a luta, chamava-se Tenseiga e tinha o poder de trazer cem mortos de volta à vida. Esta última havia despertado uma certa curiosidade em Sesshoumaru, afinal pra que servia uma espada que não mata? Espadas são feitas para matar pessoas. Com que objetivo seu pai faria uma espada que revivia ao invés de matar? Mas isso não importava. O que lhe chamara mesmo a atenção fora a espada Tessaiga. Ele até imaginar-se-ia com a espada em mãos se fosse dado a essas coisas. Mas o que não podia deixar de imaginar era no quão poderia aumentar seu poder possuindo-a...
Com a Souunga e a Tessaiga em mãos, poderia facilmente realizar sua ambição de dominar sobre os outros seres inferiores... Ser o mais poderoso youkai que já existiu. Com certeza um desejo nada modesto, mas deveria um príncipe como ele entregar-se à modéstia, quando poderia ter o mundo aos seus pés? Sim... um dia possuiria as espadas mais poderosas de todas...
------------ Fim do Flashback ----------
O daiyoukai cão continuava estático a fitar a paisagem a sua frente, enquanto aquelas lembranças vinham à sua mente todas de uma vez... Reflexões de uma vida toda lhe passavam pela mente em segundos apenas... Certas coisas que gostaria de esquecer, coisas que não haviam porque ser lembradas... Que apenas lhe causavam uma estranha nostalgia...
O pequeno youkai verde olhava curioso para seu mestre, apenas imaginando o que se passava pela sua cabeça nesse instante. Porém, não ousava tirá-lo de seus profundos pensamentos.
Sesshoumaru, completamente alheio aos olhares curiosos de seu servo, continuava mergulhado em devaneios (embora pudesse perceber tudo ao seu redor). Aquelas recordações o traziam de volta o motivo de não ter possuído a Tessaiga... O motivo de não ter realizado sua ambição quando teve chance... O motivo de não ter medido forças com seu pai e se provado mais forte...
------------ Flashback -----------
Oyakata voltava de mais uma de suas longas ‘sumidas’, como assim denominaram os outros inuyoukais. Porém dessa vez ele estava visivelmente mais feliz do que das outras. Estava praticamente... radiante.
Havia algo de diferente no cheiro da humana que sempre trazia consigo, embora ainda fosse o cheiro da mesma humana.
- Qual o motivo de tanta felicidade? – pergunta Sesshoumaru em seu costumeiro tom frio, de quem não está realmente interessado.
- Izayoi está grávida! Ela vai ter um filho meu! – o daiyoukai não conseguia esconder a felicidade expressa naquelas palavras, por mais que tentasse.
Sesshoumaru parecia divagar sobre o que acabara de ouvir, ainda não havia associado muito bem... Seu pai engravidara uma humana..? E estava feliz por isso?! Agora sim seria motivo de vergonha para os outros inuyoukais. Já não bastasse que seu pai se compadecesse de cada ser humano fraco e imprestável, sempre dizendo que não havia esse negócio de ser inferior, que todos os seres tinham potenciais iguais; ainda por cima tinha que ter um filho bastardo com uma dessas criaturas... Uma criança impura, na qual correria sangue sujo nas veias, e o qual seria tratado pior que um animal por valer menos que tal. Era revoltante somente pensar nisso.
- Está feliz por ter um filho bastardo com uma humana imprestável...? – apesar de usar seu tom frio costumeiro, percebia-se seu descontentamento.
- Sesshoumaru! – esbravejou Oyakata – Não permitirei que fale assim comigo! Ou que fale qualquer coisa a respeito de Izayoi, a mulher que amo! – o youkai tinha a voz um pouco alterada – Não preciso da sua permissão para ficar com alguém!
- Faça como quiser. – respondeu com desdém, dando-lhe as costas e partindo. Era a primeira vez que falava assim com seu pai, mas achava simplesmente que era imperdoável e insensato o que seu pai fizera.
- “Sesshoumaru... Será que você nunca vai mudar? Nunca vai entender que todas as criaturas são iguais...?” – pensava Inutaishou com tristeza enquanto via o filho partir.
OoOoOoO
Já haviam se passado vários meses desde a revelação de Inutaishou. Não se havia mais tocado nesse assunto desde então. Era como se aquela conversa nunca tivesse acontecido. Sesshoumaru continuava agindo como sempre: frio e cruel. Oyakata por sua vez, havia voltado à sua costumeira seriedade, apesar de estar muito feliz por dentro: Izayoi parecia mais linda que nunca, e o bebê dentro de seu ventre se desenvolvia a cada dia...
Mas a paz não durou muito, e um dia chegou aos ouvidos de Inutaishou a notícia que os youkais dragões novamente agiam na surdina. Nada confiáveis esses youkais... realmente não tinham palavra. O general do exército de inuyoukais partiu sozinho dessa vez, com a intenção de acabar com isso de uma vez por todas. Ordenou aos outros youkais que ficassem guardando o vilarejo e não permitiu que Sesshoumaru fosse junto, essa era uma batalha entre ele e Ryuukotsusei...
[...]
A batalha fora difícil. Ryuukotsusei tinha uma pele extremamente resistente, a cada ataque que recebia, seu corpo se regenerava e ele se tornava mais forte. Inutaishou não conseguia se concentrar o suficiente na luta, pois sentia que algo ruim estava prestes a acontecer à Izayoi, sabia que era chegada a hora dela dar a luz e corria sério risco naquele vilarejo, com aquele humano... aquele tal de Takemaru... Inutaishou sabia que ele gostava dela, e não sabia do que ele poderia ser capaz...
A única opção que viu foi usar sua verdadeira forma: um gigantesco cão branco de olhos vermelhos faiscantes. Uma vez que não podia derrotar o dragão e não tinha tempo para fazê-lo, o youkai cão finca umas de suas enormes garras no peito de Ryuukotsusei, lacrando-o em uma enorme montanha. O dragão antes de dar seu último suspiro, jura vingança contra o cão, e depois adormece no profundo sono do lacre eterno, que somente os youkais muito poderosos podiam criar.
Apesar de sair vitorioso, Inutaishou pagou um preço caro... Recebeu um ferimento quase fatal no peito, perto de seu braço esquerdo. O ferimento sangrava muito, seria arriscado partir em outra batalha agora, mas ele tinha que proteger Izayoi... tinha que proteger a mulher que amava...
[...]
À beira de uma praia, onde se via as águas do mar bravio se agitarem tempestuosamente, ele contemplava o céu quase sem lua devido ao eclipse lunar... O sangue quente escorrendo por seu braço em grossos filetes respingava de sua mão... caía na neve branca e pura, tingindo-a de vermelho vivo... Sentia que Izayoi precisava de sua ajuda... Mas naquele momento sente um cheiro familiar atrás de si... Não precisou virar-se para saber quem era...
- Irá partir mesmo... pai? – diz uma voz fria atrás de si. Sim, ele sabia que seu pai estava prestes a ir atrás daquela humana novamente, provavelmente daria a luz naquele dia.
- Quer me impedir, Sesshoumaru? – ele indaga sem se virar para ele.
- Não irei lhe impedir. Mas antes disso, as espadas... Quero que me dê a Souunga e a Tessaiga!
- Se eu disser que não lhe entregarei... Vai matar o próprio pai? – faz uma pequena pausa – Você quer mesmo tanto poder...? Por quê você busca tanto poder? – conhecia muito bem as ambições do filho.
- O caminho pelo qual irei seguir é o da dominação. E a força é o meio pela qual irei abrir esse caminho. – ele responde com o mesmo tom frio de sempre.
- Dominação... – diz Inutaishou pesaroso. – Sesshoumaru. Você tem alguém para proteger?
- Alguém pra proteger? – ele repete estreitando os olhos. – Uma coisa dessas não é necessária para mim. – conclui levantando o braço direito, como se estivesse prestes a desferir um ataque.
Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Oyakata se transforma no enorme cão branco e parte dali o mais depressa que pode. Não há tempo a perder, e nem mesmo aquele ferimento o impediria de salvar a vida de sua amada... mesmo que para isso tivesse que dar a própria vida...
O daiyoukai Sesshoumaru ainda fica uns instantes fitando a imensidão escura do céu sem lua a sua frente, enquanto aquelas palavras resvalavam em sua mente:
“- Sesshoumaru. Você tem alguém para proteger?”
‘Alguém para proteger’. Como se ele, Sesshoumaru, precisasse disso. Se deixar levar por sentimentos como esses era coisa para os fracos, mas ele não precisava de sentimentos ou de piedade.
- Patético. – menciona ao vento antes de se virar e partir.
----------Fim do flashback ----------
Aquela fora a última vez que vira e conversara com seu pai. Naquele mesmo dia ele morrera para proteger a humana por quem estava apaixonado e seu filho... Sim, por culpa dele... daquele hanyou, seu pai estava morto.... O paradeiro da Souunga é desconhecido e a Tessaiga, segundo pistas que recebera, pode estar lacrada em seu túmulo. E ele ficara com a inútil da Tenseiga... Espada que não servia para matar, mas que por algum motivo insistia em manter consigo.
Não descansaria até encontrar a Tessaiga e matar seu meio-irmão. Aquele a quem culpava pela morte de seu pai... Aquele a qual a simples existência era uma ofensa a todos os youkais ‘puros’, e especialmente a Sesshoumaru. Este jamais o perdoaria por ter nascido...
- “Seu destino é morrer pelas minhas mãos!” – sim, somente ele e mais ninguém se encarregaria de acabar com a existência daquele ser a quem desprezava mais que tudo...
- Inu Yasha... – deixa apenas um nome escapar de seus lábios. Era quase uma heresia pronunciá-lo...
- Disse alguma coisa, senhor? – pergunta Jaken.
- Vamos partir. – ele ordena, se virando e seguindo seu caminho.
O pequeno youkai, confuso apenas o segue como sempre. O seguiria até o fim do mundo, ele não via nenhum outro lugar para estar senão ao lado de Sesshoumaru. E assim os dois youkais somem na floresta deixando pára trás o destruído ex-vilarejo dos inuyoukais... Lugar de lembranças... que ficariam deixadas para trás e tomariam seu lugar no passado, onde sempre deveriam ficar...
Notas finais
Devem ter notado q nesse capítulo não mencionei a mãe de Sesshoumaru... bem isso deve-se ao fato de eu não saber absolutamente nada sobre ela, e também de não querer q esse capítulo se estendesse muito (já tá bem grande). A luta de Oyakata contra Ryukotsusei também foi resumida por q o principal enfoque era ele ter q salvar Izayoi depois.
E o capítulo era do ponto de vista do Sesshoumaru, por isso não detalhei pensamentos de Inutaishou...
inuyoukai: youkai cachorro
daiyoukai: grande youkai
Tessaiga: tem gente q acha q o certo é Tetsuaiga, porém fikei sabendo q o nome dessa espada se escreve em hiragana com 'tsu' pequeno. Isso significa q não se lê Te'tsu'aiga, pois quando o tsu é pequeno ele é apenas uma prolongação do sílaba seguinte. Então o certo é Tessaiga.
Até a próxima ;D
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