A Indecisão de Caroline
4 Parte 4
Corri a mais silenciosa possível pelos corredores de livros e me escondi em um pequeno banheiro que tinha, raramente alguém usaria aquilo, era um ótimo lugar para se esconder. Desculpe meninas, eu sou do tipo atlética. A única coisa que eu conseguia pensar é tudo o que passamos nesses últimos três meses.
Limpei o rosto, as lagrimas já haviam descido e agora eu estava com um alivio maior, mas não completo. Primeira vez que me apaixono e as coisas são mais complicadas do que em filme. Acho que se nós tivéssemos alguma doença degenerativa em algum péssimo estagio seria mais simples. Tipo naquele filme A Culpa É das Estrelas. Não, eu amo aquele filme, mas acho que para a Hazel as coisas são mais simples do que para mim.
Uma batida na porta, e a voz de uma garota, sabia que era da minha melhor amiga, Diana. Achava o nome dela lindo e ela era extremamente fofa e inocente. Se tem uma pessoa que merece que as coisas dessem certo, era a Diana.
— Caroline, o que houve?
Abri um pouco a porta, vendo se havia alguém além dela, com a barra limpa, abri desesperada e corri para os braços da minha amiga. Ela sabia de tudo que acontecia comigo, não precisei falar nada.
— Di, desculpa.
Ela retribuiu o abraço e ficou fazendo carinho em meu cabelo, eu tinha a melhor amiga do mundo.
— Eu vou bater naquele idiota, o que ele fez?
Contei tudo o que aconteceu já naquele dia, até minha crise em casa. Minha amiga era uma boa ouvinte, então só começou a falar após eu terminar.
— Isso não é um bom sinal, Line? Ele pode realmente estar gostando de você, tenta dar uma chance.
Concordei com a cabeça e terminei de enxugar as minhas lágrimas, entrei no banheiro e deixei ela falar enquanto lavava o meu rosto. Estava tão perdida e desorientada, não sabia bem o que fazer. Fechei a porta do banheiro e me sentei de frente para a garota, com um sorriso fraco no rosto.
— Mas, e você? Como está sendo sua noite?
As bochechas dela ficaram vermelhas e seu sorriso tímido foi TÃO FOFO. Como eu amava aquela garota.
— Começou hoje de manhã quando ele me chamou para almoçar na casa dele. – Franzi a sobrancelha, isso ela não tinha me contado.
— Claramente você foi.
— Sim, e passei bastante vergonha. Parece que uma prima dele tinha passado em uma faculdade lá na Inglaterra, fizeram a maior festa. Me senti a intrusa. A mãe dele conversou muito comigo, ela realmente me salvou de ficar sozinha, pois o idiota do James ficou jogando com os primos dele. Também conheci as tias dele, que ficaram me elogiando e dizendo para eu cuidar do sobrinho delas. Foi muito divertido conhecer a família dele. Depois do almoço, ele expulsou os primos e ficou jogando comigo, melhor tarde da minha vida.
Ela falava toda vermelha e com os olhos brilhando, se existe uma garota mais linda e fofa que a Di, eu não conheço. Conseguia ver o quanto ela estava apaixonada, mas a parte pura dela é a que mais me encantava.
— E agora fechou com a gente dançando no baile de formatura, e espero que as coisas evoluam, eu realmente quero ser só dele, entende?
Eu realmente entendia o que ela queria dizer, pois queria a mesma coisa com o Harry. Infelizmente, a diferença era clara, de um garoto que quer para um garoto complicado que não sabe o que quer. Aquilo doeu um pouco em mim, mas dei um abraço na minha melhor amiga, as coisas estavam tudo dando certo para ela.
— Agora vai dar tudo certo, DI.
Dei um beijo em sua bochecha e um sorriso sincero. Ficamos de bobeira e contando piadas uma para a outra, logo tiramos diversas fotos para poder postar depois. Ela realmente me tirou da vala e agora eu estava mais calma e animada para voltar e encarar as merdas que me jogavam para baixo.
— Line, igual você já me deu conselho diversas vezes, não custa tentar. Se der errado, ele que vai estar perdendo, e a experiencia que importa, certo? Não importa o que aconteça, continuarei do seu lado.
Antes que eu pudesse responder, ouvi alguém entrando pela porta da biblioteca, duas vozes chamando tanto eu quanto a Diana. Olhei para ela que deu um sorrisinho tímido e segurou minha mão, me guiando até onde estava os nossos supostos garotos. Quando ficamos de frente para eles, ela sussurrou boa sorte para mim e puxou o James para fora da biblioteca, indo em direção ao salão, imagino.
Harry ficou parado olhando para mim, estava com apenas a camisa social e a calça, pelo jeito ficou me procurando pela escola. Acabei dando um sorriso por aquele pensamento, acho que a chama da esperança estava crescendo.
— Então, não atende o celular? — Percebi que ele estava com o celular na mão, me procurando e ligando para mim, que fofo.
— Pensou que eu fui para fora da escola?
Ele afirmou com a cabeça, só que não parecia muito feliz. Eu conseguia ver que ele estava bravo, e chateado ao mesmo tempo. Olhei para meus pés e percebi que estava sem meu salto, tinha jogado ele em algum lugar. Reuni minha coragem e andei devagar em direção ao garoto, parando bem próximo do seu corpo, olhando para os botões de sua camisa. Segui meu olhar até os seus olhos, o que foi extremamente difícil, pois meu coração batia extremamente rápido.
— Desculpe, eu..
O garoto colocou o dedo em meus lábios, me interrompendo e respirou fundo. Acho que no momento seguinte foi tudo em câmera lenta. Tipo, câmera lenta x2000.
Ele se aproximou devagar e me beijou.
Harry me beijou.
Eu não estou acreditando que eu fui beijada por ele.
EU FUI BEIJADA POR ELE.
MEU CORAÇÃO VAI EXPLODIR.
PRECISO NEM DIZER AS BORBOLETAS NA BARRIGA.
E foi tudo tão calmo. Eu não sabia bem como fazer, mas fui seguindo conforme ele guiava. A minha noite foi de incrível para maravilhosa. Como eu queria aquele garoto só para mim. Passei as mãos por sua barriga e o abracei enquanto seguia o beijo. Quando ele parou, eu realmente queria mais, mas me comportei, segurando o desejo. Encostei a cabeça em seu peito e senti as bochechas aquecerem. Ele passou a mão por meu rosto e sussurrou em meu ouvido.
— Sei que fui muito confuso nesses meses, mas vou me esforçar para mudar isso, okay?
A vontade de chorar de alegria veio arrombando a porta, mas me segurei. Ele entendia onde estava errando e falou que ia mudar, por mim? Que menino fofo, meu Deus. Fiquei na ponta dos pés e dei um selinho no garoto, logo voltando a esconder o rosto. Que vergonha e medo de fazer merda logo agora.
— Olha para mim Carol.
— Não.
Ele me afastou um pouco e agachou para olhar em meus olhos, segunda vez que fazia algo por mim.
— Vai falar nada?
— E precisa dizer algo?
Fiquei encarando os olhos dele, agora que estávamos assim, não ia fraquejar. Aproveitei a chance para ser um pouco malvada. Ele pareceu um pouco magoado e ia se levantar, então coloquei as mãos em suas bochechas e as apertei de leve.
— Como pode ser tão fofo?
Ele ficou vermelho um pouco e tentou esconder a cara, mas segurei o rosto dele e percebi o quanto ele era tímido. Beijei ele mais uma vez e sorri, meu coração estava tão alegre, o sentimento era tão bom, eu não consigo descrever isso de forma alguma. Reciprocidade é de fato uma das melhores coisas.
— Vamos sair daqui.
Ele levantou, segurou minha mão e me puxou para fora da biblioteca e indo para fora da escola, acho que a nossa noite não tinha acabado ainda, e isso só fazia eu suspirar mais de alegria. Meu coração não conseguia nem acalmar.
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