Harry parou em frente a uma sorveteria e entrou com Caroline, ainda segurando sua mão e algumas crianças naquele lugar acharam estranho a forma como os dois estavam bem vestidos, mas Harry os guiou até a mesa a mais fundo possível do lugar e sentou de frente para Carol, mas parecia mais interessados nas criancinhas.

— Sua paixão por crianças é muita fofura.

— Para de me zoar.

O garoto bufou e ela deu uma risada baixa, também sabia provocar. Infelizmente, a única coisa que passava na sua cabeça era se aquilo tudo era um sonho. Seus pensamentos estavam voltados para a dança e ela havia esquecido até a dor nos pés.

— Sorvete ou açaí?

— Eu odeio açaí Harry.

— Eu não acredito que estou saindo com você.

Ele deu um sorriso que me fez suspirar, caralho que homem. Após ir até o balcão pegar sorvete para nós, fiquei olhando pelo vidro e pensando como seria as coisas dali em diante. E que confusão tinha sido esses últimos três meses, na escola e em casa. Carol pegou o celular e começou a rodar seu Instagram, apenas fotos do pessoal na formatura. Sua melhor amiga tirou uma foto com o boy dela, não pude deixar de rir, será que ela tinha conseguido ficar com ele? Não tive tempo de processar esse tipo de pensamento, o garoto voltou com uma taça de sorvete de flocos. Ai meu Deus, um para nos dois, o que é isso.

— O que estava olhando?

— Não te interessa.

Dei um sorriso, tinha que jogar aquele idiota contra a parede senão seria completamente dominada por aquele sorriso e carisma. Peguei uma colher e tomei um pouco do sorvete, como amava aquele sabor.

— Preciso te dizer uma coisa..

— Hum?

Se aquele sorvete não estivesse tão maravilhoso, eu teria ficado muito curiosa. Comida está acima de qualquer coisa.

— Você vai ficar gorda se ficar tomando sorvete assim toda semana.

— Idiota.

Ele deu uma gargalhada, eu não pude conter a risada e ficamos igual um casal, um provocando o outro. Droga, casal não, ficantes.

A gente ficou um tempo ali, de bobeira e conversando após acabar o sorvete, aí decidimos nos levantar e seguir o curso da noite. A melhor parte foi uma garotinha chegar e perguntar se éramos um casal, ele respondeu que sim. Contudo, sabia que não.

Ele pagou, saímos da sorveteria e voltamos a caminhar de mãos dadas, dessa vez ele tomou um pouco a mais de coragem e caminhou ao meu lado. Antes da sorveteria ele estava indo um pouco mais rápido e a frente, me guiando. Desta vez o ritmo foi mais lento e tranquilo, o Sol foi dando espaço para a Lua e eu já conseguia ver algumas estrelas.

Harry me surpreendeu novamente, me levou para a escola. O baile de formatura ainda estava com animo e entramos para dançar um pouco, noite maravilhosa essa. Quando ficamos no meio daquele salão, no meio daquelas pessoas e rodando lentamente, eu não conseguia enxergar nada, só ele. A dor dentro de mim não doía mais, eu sentia uma leveza que não conseguia expressar, apenas sorrir.

— O seu sorriso é lindo.

Ele, nunca, definitivamente nunca me elogiou, havia apenas provocações. Aquele elogio desabou completamente o meu equilíbrio nas emoções, garoto idiota. Pousei a cabeça em seu ombro e mordi o lábio devagar, senti meu corpo ceder um pouco, mas ele continuou me guiando, queria saber o que passava na cabeça dele.

Só que, não vou mentir, aquele elogio ecoou pela minha cabeça, eu não consigo mentir, alegrou mais do que a dança, do que tudo. Eu queria muito que ele me elogiasse, queria que ele me tornasse a garota dele, como aqueles filmes idiotas que nos iludem. Vai se fuder Hollywood.

— Eu preciso ir no banheiro.

Reuni muita coragem para me afastar dele e ir em direção ao banheiro, não podia chorar, não naquele lugar. Acho que eu poderia estar correndo, não conseguia perceber, mas ouvi algumas vozes chamando meu nome, apenas ignorei e sai daquele salão, tirei o salto e disparei pelos corredores, em direção a biblioteca.