Era isso que ela odiava em Harry, ao mesmo tempo que ele era frio e complicado, era simples e com um toque de inocência que ninguém mais tinha. Era esse toque do garoto que levava a garota a amar, a ser mais intensa, pois ele nunca seria igual aos outros. Caroline caminhou até ele e segurou sua mão, estava muito nervosa, seu coração queria soltar pela garganta, mas conseguiu dizer algumas palavras.

— Esse salto está me matando.

Harry riu, ela riu junto e ele a olhou nos olhos, aqueles olhos castanhos escuros, as vezes você podia jurar que eram negros como o céu, e eu estava apaixonada por aqueles olhos, aqueles lábios e por tudo naquele garoto idiota. Ela não viu quando começaram a dançar e nem quando terminou, mas se moviam calmamente e tudo ao redor, até as flores sumiram do seu campo de vista. A dor em seus pés sumiu e ela conseguia sentir a pulsação do garoto, que guiava ela como se fosse um profissional. Carol conseguia sentir o cheiro dele e perdia completamente a concentração quando inspirava, só Deus sabe como ela ainda estava dançando. De salto ela estava na mesma altura que ele, odiava o fato de parecer pequena diante qualquer pessoa, mas diante aquele garoto, ficava tudo bem.

O que mais assustou Caroline foi o fato de eles estarem ali, nunca nesses três meses com Harry ele fez algo assim, ela foi ficando mais nervosa e seu coração já queria sair de seu corpo de tão rápido que pulsava. Eles pararam e um olhou nos olhos do outro, parecia durar a eternidade e ela amava as raras vezes que o garoto demonstrava algum sentimento.

Harry os guiou até o banco onde estava seu celular e após nos sentarmos, ele tirou a música e ficou olhando para as flores, parecia estar procurando algo para falar. Eu reuni o máximo de coragem e encostei a cabeça em seu ombro. Pela primeira vez ele não tirou minha cabeça dali, e não preciso dizer o quanto meu coração ficou feliz com isso.

— Amei a decoração.

Falei em um sussurro, mas sabia que ele ouviu, era o melhor garoto que já conheci em todos os meus 16 anos de vida.

— Desculpe, não estava afim de ir para a escola, odeio aquilo.

Sim, eu sei seu idiota, você falta a maioria dos dias na escola pois não tem amigos.

— Não tem problema, fico feliz de estarmos aqui.

E ela deixou escapar, odiava deixar escapar palavras dóceis e gentis com uma pessoa que não perdia uma para lhe zoar e jogar esse sentimento no lixo. Para a surpresa dela, ele apenas concordou.

— Mas meus planos são mais do que uma dança em um parque.

Claro, ele tinha que fazer um mistério, minha curiosidade era uma fogueira que queimava facilmente e ele amava colocar lenha.

— Agora estou curiosa.

— Eu sei que sim.

Ele levantou e estendeu a mão para mim.

— Hoje eu vou tornar essa a melhor noite de sua vida, pode ter certeza.

E ele me guiou para um novo destino, e para a minha felicidade, de mãos dadas.