A Impressionante & Impossível srta.Cullen
1 Capítulo 1
Notas iniciais
ALICE
— Alice! Alice! E a próxima coleção!?
Pisco repetidamente, tentando enxergar com clareza em meio aos flashes das câmeras. Os paparazzi e jornalistas gritam por mim e para mim, mas essa pergunta em particular me chama atenção.
Acabei de lançar uma coleção que me rendeu muito dinheiro, mas também muito estresse e eles já estão perguntando sobre outra?
Tento controlar meus nervos para responder. Nada de positivo vinha ao tratar a imprensa com grosseria.
— Ora! A primeira acabou de acabar, mesmo uma estilista em ascensão merece um descanso, não é? — respondo com um sorriso cínico. À minha frente, Félix, meu único segurança, tenta abrir caminho entre os jornalistas.
— Vai tirar férias? — um deles gritou.
— Talvez o Caribe? — o outro.
— Com um affair? — desse eu quase ri.
Respondi para ninguém em particular:
— Apenas Nova York, vinho e minha família.
Eles continuaram a gritar por mim, porém — graças a todos os deuses — finalmente Félix e eu alcançamos o carro. Rapidamente entrei na parte de trás. Ele fechou a porta atrás de mim e se sentou no banco do carona.
Heidi deu partida imediatamente.
— Próxima coleção? Esses abutres não sabem que você tem uma vida?
Me virei para encarar Edward.
Edward Cullen, meu irmão mais novo, superprotetor e muito companheiro, é uma das minhas pessoas favoritas no mundo. Há diversas qualidades nele que me fazem admirá-lo todos os dias, mas prefiro contar e enaltecer suas atitudes: Edward sempre foi o primeiro a me incentivar em relação a moda. Sempre me ouvia tagarelar sobre roupas — mesmo não gostando muito do assunto — e por muitos anos, durante nossa adolescência, tinha topado ser meu modelo sem reclamar.
E atualmente me acompanhava da melhor maneira possível nos compromissos de minha agenda como a principal estilista em ascensão de Nova York.
Tudo tinha acontecido muito rápido pra mim. Logo após a faculdade — de Moda, lógico — passei a estagiar numa revista de moda — clichê, mas necessário — e compartilhava meus croquis e alguns modelos que eu mesma criava e costurava, nas redes sociais. De uma hora para outra, eu tinha estourado mundialmente quando uma socialite francesa se encantou com os dos meus croquis e demonstrou interesse em usá-lo num evento da Vogue.
Da Vogue!
E foi exatamente isso o que ela fez. Depois, os meses que se seguiram — nove até agora — foram uma loucura completa. Eu quase não dormi.
Recebi propostas, patrocínio e todos exigiam uma coisa em comum: uma coleção completa, o mais rápido possível.
Fui mais do que capaz. Minha mãe, Esme, sempre dizia que eu tinha talento natural e por isso não haveria nenhuma dificuldade. E não houve. Não em relação ao meu processo íntimo de criação.
A realização disso, no entanto…
Mas enfim, tinha acabado. Finalmente! Eu acabara de sair da última pós festa do último desfile e não precisaria participar de uma maratona dessa magnitude até a próxima coleção.
Não respondi Edward, apesar disso, deitei a cabeça em seu ombro, mais do que feliz em pensar: estou de férias.
■
Dois dias depois, eu estava até o pescoço dentro da banheira em meu apartamento no Upper East, quando Edward entrou.
— Ei! — exclamei, apenas por força do hábito. Meu corpo estava coberto de espumas e meu irmão já havia me visto nua uma vez… Em uma situação muito mais triste. Afastei o pensamento e perguntei: — O que faz aqui? Pensei que estava aproveitando Bella.
Ele deu um sorriso malicioso.
— Um homem precisa descansar, é necessidade biológica.
Fiz uma careta.
— Ela é minha melhor amiga, por favor, me poupe. — Edward riu, então se sentou à beira da banheira.
— Vim falar de trabalho. — ele admitiu, suspirando. — Sabe que eu odeio tirar escolhas de você e poderia simplesmente fingir que a proposta não foi feita, que a oportunidade nunca existiu, só pra você não se sentir tentada a aceitar, porém isso não seria certo e você jamais me perdoaria.
Sorri levemente.
— Eu sei que você quer meu bem acima de tudo. — afirmei. — Me fale sobre a proposta, se for algo que não vá me tirar muito das minhas férias, talvez eu aceite. — bufei. — Preciso admitir que já estou desenhando novos croquis, mas a culpa não é minha! Minha mente simplesmente não descansa!
Edward riu.
— Isso não me surpreende nem um pouco, sua cabeça está sempre maquinando algum esquema. — ele negou com a cabeça, passando as mãos pelo cabelo. — Tudo bem, eu vou te contar. Você sabe quem é Jasper Hale?
Algumas horas antes, não muito longe do apartamento de Alice…
JASPER
Quem poderia imaginar que organizar um evento publicitário causaria tanto estresse?
Eu queria demitir trinta pessoas e no lugar contratar cinquenta, apenas para ver se quantidade poderia em algum momento ser mais importante que qualidade. Eu tinha pessoas qualificadas, então porque elas não estavam sendo eficientes?
No fundo, no fundo, eu sabia que a única coisa que precisava fazer era ir para casa dormir, entretanto me parecia irresponsabilidade simplesmente ir e deixar algo desorganizado, algo sem uma direção.
— Sr. Hale, sua irmã está aqui para vê-la. — Charlotte avisou na porta segundos antes de Rosalie passar por ela, sorrindo largamente.
Era sempre assim com Rosalie, não dava para controlá-la e sempre que ela vinha até a empresa, Charlotte tinha segundos apenas para me avisar. Eu apreciava suas tentativas, mas Rose sempre seria uma força da natureza, sempre seria o que ninguém esperava.
E eu a amava por isso.
— O que faz aqui, Rose?
Ela praticamente se afundou na cadeira à minha frente.
— Estou cansada de fazer compras e você nunca está em casa, jantei sozinha pela quinta vez seguida. — era de se esperar que o tom dela fosse birrento, mas não é: é o tom da bronca. Suspiro. — Essa festa está acabando com a sua saúde, consigo ver suas olheiras daqui e até mesmo a sua postura está curvada, o cansaço é nítido. — ela deu um sorriso largo e eu soube que viria algo audacioso. — Você não conseguirá assustar nenhum dos seus empregados se estiver com essa aparência de zumbi.
Estreitei meus olhos para ela.
— Eu não assusto ninguém.
Ela ergueu uma sobrancelha, a expressão divertida.
— Assusta sim. Mas eu não estou aqui para isso, odeio desperdiçar seu tempo com papo furado. Quero saber porquê ainda está aqui nesse prédio e não em casa, dormindo e comendo como uma pessoa normal.
Eu suspirei. De cansaço.
— Há um problema com o espaço e minha equipe de marketing simplesmente parece não conseguir se decidir sobre a campanha. — expliquei com raiva. — A Hystimp é a maior companhia de shoppings do Estados Unidos e meu contato por lá disse que é muito provável que eles estendam contrato para o Canadá e talvez o México, dependendo da papelada… Se nós pegássemos esse projeto, Rose… Imagina como seria grande fazer a campanha de marketing de um shopping em outro país!
Rose assentiu rapidamente. Apesar de não ter nenhuma inclinação a empresa da família, Rosalie é muito inteligente. Ela poderia, se quisesse, comandar tão bem quanto eu. Entendia de negócios até melhor que eu e várias vezes, em momentos de desespero meu ou tédio dela, minha irmã ia a algumas negociações e apresentações. Ela intimidava como ninguém.
— Hystimp… Conheço esse nome… — ela tamborilou com os dedos no braço da cadeira. — Lembrei! — ela deu um salto, levantando-se da cadeira. — É a empresa que fez uma proposta à Alice Cullen, eles queriam que ela abrisse uma boutique… Mas Alice nunca quis, não faço ideia do porquê, me parece um bom negócio. — ela franziu o cenho.
— Quem é Alice Cullen? - perguntei.
Rosalie riu.
— Você precisa mesmo dar uma lida nos sites do notícia de vez em quando, por Deus, Jasper, você é presidente de uma empresa de marketing e não sabe quem é atualmente a estilista mais famosa dos Estados Unidos! — ela exasperou e eu dei um sorrisinho.
— Desculpe. Mas então… Uma outra proposta a srta. Cullen? Algo maior, talvez? — começo a pensar.
— Poderíamos simplesmente pedir a ela um traje original, feito e pensado pra você.
— E no que isso ajudaria? — perguntei, não fazendo ideia de pra onde os pensamentos dela estão indo.
— Ora, Jasper! — ela exclamou, o rosto um pouco enfurecido. — Sabe como é difícil conseguir um traje original dela? E ela ainda está de férias! Se conseguirmos, daremos a entender que você, e junto com você, a Hale's, tem uma espécie de amizade com Alice Cullen! Não é necessário prometer nada a eles, no entanto, pode deixar no ar que talvez… apenas talvez, o assunto surja em algum momento quando estiver com ela, é só! Isso deve bastar para eles assinarem o contrato, somando, é claro, a sua campanha de marketing que você precisará resolver mais esse plano, teremos a Hystimp nas mãos!
Pisquei uma vez, depois duas e encarei Rosalie extremamente surpreso.
— Você é diabólica.
Ela deu um sorriso largo.
— Mas como faremos isso? — acrescentei. — Seremos sorrateiro com a srta. Cullen ou contaremos a verdade? Deixaremos claro nossa intenção?
Rose pensou por um instante.
— Podemos ser sinceros, eu presumo… Acho que eu tenho que ir e apresentar a proposta à ela, o que acha? — ela perguntou.
— Por que você? — indaguei.
Rosalie corou um pouco.
— Sou um pouco fã dela. — admitiu, sem me olhar nos olhos. — E acho que Alice é do tipo que segue o coração. Ela é muito jovem e chegou ao topo por merecimento e um pouco de sorte, acho que ela entende o que é precisar de uma ajudinha de vez em quando. Acho que ela topará.
Eu assenti. De qualquer forma, estou cansado demais para ter uma conversa descontraída.
— Então, Rosalie Hale, deixo tudo em suas mãos.
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