A Impressionante & Impossível srta.Cullen
2 Capítulo 2
Notas iniciais
JASPER
Abri os olhos rapidamente ao sentir meu corpo bater no chão.
Estava escuro lá fora, o que claramente mostrava que, mais uma vez, eu tinha dormido no sofá do escritório.
Rosalie ia me matar.
Já passava da meia-noite, como pude constatar depois de me levantar e olhar o relógio. Não faria nenhum bem correr para casa agora, ela já estaria dormindo, eu poderia muito bem parar num lugar antes… Tinha sido uma semana complicada…
Dentro do carro, tirei a gravata, o paletó e o cinto, por conforto mas também porque já era meio caminho andado para o que estava prestes a fazer. Estacionei do outro lado da rua e sai, atravessando para chegar finalmente onde eu queria.
O lugar não tinha uma placa ou qualquer indício de ser o que era, obviamente não poderia ser tão escrachado. Mesmo que fosse provável os mafiosos que eram donos do local dessem bastante dinheiro à polícia para os manterem longes de seus negócios.
Eu não tinha nada a ver com a logística, era apenas um cliente.
Foi Lucy que me recebeu, aparentemente essa noite ela estava como secretária. Ela sorriu para mim, o olhar me detalhando de cima a baixo, a expressão atrevida. Dei um sorriso contido de volta, não tinha nenhum interesse nela.
— Boa noite, Lucy. — cumprimentei, colocando os cotovelos sobre o balcão. Não havia ninguém na entrada e o corredor que dava para os quartos do primeiro andar estavam vazios, apesar de eu escutar alguns sons abafados vindo dos quartos.
— Boa noite, sr. Hale. — até a voz dela era insinuante, ignorei.— Algo diferente hoje? — presumi que ela estivesse se inclinando para mim, mas meus olhos estavam na escada.
— Você sabe que não. — neguei rapidamente e acrescentei: — Nunca, na verdade. — olhei para ela, Lucy me deu um sorriso forçado. — Maria está livre?
Ela assentiu.
— Você pode subir, acho que ela acabou de sair do banho. — ela informou.
Isso significava que Maria tinha acabado de fazer um programa.
E Lucy adorava me dar esse tipo de informação. Sempre esperava que eu fosse desistir da colega.
Acenei com a cabeça, a dispensando e fui em direção a escada. Já conhecia o caminho de cor, então parei em frente ao último quarto do corredor do segundo andar — o maior e mais disputado — e dei três batidas leves.
A voz dela soou clara do lado de dentro, permitindo a entrada.
Abri a porta.
Maria estava sentada na cama, usando uma camisola que cobria muito pouco e que era muito transparente. Ela deu um largo sorriso quando me viu.
— Sabia que era você, ninguém mais bate de forma tão educada.
Eu sorri levemente, fechando a porta atrás de mim. Maria não se levantou, ao contrário disso, se deitou na cama por completo, abrindo levemente as pernas.
Pra mim.
— Já faz algum tempo, eu senti sua falta, sr.
Eu comecei a desabotoar a blusa.
Também sentira muito a falta dela.
■
Algum tempo depois, puxei a calça do chão e tirei os dólares dela, entregando em suas mãos. Ela começou a contar e algum tempo depois resmungou:
— Tem mais do que deveria aqui e você sabe disso.
Apertei a cintura dela.
— Uma parte só para você. — senti o sorriso dela e perguntei: — Já está perto de pagar sua dívida?
O corpo dela ficou tenso embaixo de mim.
— Ela.. aumentou. Inesperadamente. — seu tom foi baixo, eu senti a tristeza dela.
— Você sabe que eu poderia ajud…
— Não, Jasper. — ela me repreendeu rapidamente. — Eu escolhi isso e sabia as consequências. O que eu faço já é vergonhoso demais, não me faça sentir pior ao tentar…
— Desculpe, desculpe por estar aqui e somar a isso, eu…
Ela levantou a cabeça do meu peito e olhou profundamente nos meus olhos, os dólares caíram pela minha barriga.
— Gosto quando vem aqui, poucos entram com intenção de dar… Estão focados em receber. — ela sorriu. — Você me respeita e me faz… sentir outras coisas também. — dei um sorriso maldoso a ela. — É reconfortante ver você passando pela porta.
— Fico feliz em ser seu cliente favorito.
— Bem, você é mesmo. Eu demonstro isso a você sempre, não é? — ela ergueu uma sobrancelha.
Olhei para os arranhões em minha coxa. Sim, ela demonstrava com avidez.
— Preciso ir. — informei baixinho.
— Tudo bem. — ela realmente se levantou dessa vez e começou a recolher os dólares, arranhando minha barriga levemente. Ergui as sobrancelhas.
— Eu realmente preciso ir. — esclareci.
Ela deu uma risadinha.
■
Para o meu azar, Rosalie estava acordada quando cheguei.
Mas não de pijamas ou roupas casuais. Na verdade, Rosalie estava linda usando um vestido cor de ametista justo no corpo, com um decote profundo no busto. Ergui as sobrancelhas.
— Saindo ou chegando? — perguntei, largando meus pertences sobre a mesa de centro.
— Chegando. — ela informou, cansada. — Estava num encontro, foi péssimo.
— Você fala isso de todos os seus encontros. — respondi, tirando os sapatos.
— Esse era realmente péssimo e reconheceu meu sobrenome. Tenho certeza que ele estava pesando o que era mais bonito: meu decote ou minha fortuna.
Eu ri.
— Você vai encontrar alguém, Rose. Não precisa ficar se matando em relação a isso. — a confortei.
Era muito difícil para Rosalie estar sozinha. Desde sempre seu sonho de vida é ter uma família de comercial de margarina. Ela queria algo maior, algo melhor do que nós tínhamos visto convivendo com nossos pais. Ela queria amor e final feliz e apesar de eu não ter isso como uma prioridade na minha vida, torcia muito por minha irmã.
No mundo inteiro, ela era a pessoa que eu mais tinha carinho, que eu mais queria a felicidade, que eu mais cuidava.
Rosalie se levantou, murmurando algo sobre pegar uma garrafa de vinho para nós dois e ignorando totalmente meus protestos. Era dia de semana!
Mas quando ela passou do meu lado, não seguiu caminho. Ela parou e fungou na minha direção, fazendo cara feia.
— Você esteve com Maria. Sinto o cheiro do perfume doce dela em você.
Droga.
— Er…
Rosalie suspirou.
— Eu não sei porque você faz isso.
Eu suspirei.
— Rose…
— Não, irmão, é sério. Eu sei que já falamos disso mil vezes mas não me entra na cabeça que você gosta dela de algum jeito e mesmo assim contribui pra… isso. — ela passou as mãos pelo cabelo, exasperada. — Você a usa, Jasper e não negue isso porque todos que frequentam aquele lugar usam aquelas mulheres e isso é…
— Rosalie, por favor…
— O que? — ela protestou, o rosto bem perto do meu agora. — O que, Jas? Sabe, eu entendo querer sumir um pouco de tudo, eu entendo querer se divertir mas você não precisa disso. E eu vou falar, sempre vou falar porque eu e você? Só temos um ao outro! Só confiamos um no outro e se eu não falar, ninguém vai!
Ficamos em silêncio por um tempo, até que eu disse:
— Você tem razão. — ela apertou meus ombros em solidariedade. — A verdade é que eu me sinto muito bem com a Maria, não é amor, nada disso, mas… É confortável estar com ela.
— A situação não é o ideal. — Rose murmurou, eu assenti.
— Eu queria ajudar, irmã. — admiti. — Queria tirá-la de lá mas a Maria não aceita, hoje mesmo ela me disse que eles aumentaram a dívida dela…
— Você sabe como essa gente é. — ela retrucou. — Você nunca realmente se livra deles.
— Mesmo assim. — insisti. — Queria que houvesse uma forma de… de salvá-la. Maria é uma boa pessoa.
Rosalie me deu um beijo na testa.
— Acredito em você. — respondeu. — Acho que nós deveríamos tomar um banho e depois você vem dormir comigo? Tem esse filme novo na Netflix…
Eu sorri. Rose sempre queria um chamego quando um dos seus encontros dava errado. Honestamente, hoje também estou precisando de algo assim.
— É claro. — concordei.
— Pelo menos amanhã eu tenho aquela reunião com a Alice Cullen. — ela contou enquanto andávamos até nossos quartos.
— Você vai se sair muito bem.
Ela deu os ombros, um tanto metida, e jogou um beijo pra mim.
— Eu sempre me saio bem. — e bateu a porta do quarto.
Eu dei uma risada e entrei no meu próprio quarto, agradecendo a qualquer Deus que tivera a bondade de me dar Rose como irmã.
ALICE
A primeira coisa que notei sobre Rosalie Hale é que ela, mesmo nascida rica, não tinha os traços de alguém que de fato crescera num ambiente sofisticado.
Não, ela era despojada. Tinha ignorado por completo os pegadores de petiscos que eu colocara a mesa e comeu usando as mãos. A postura também era relaxada, de forma que ela parecia muito confortável em meu sofá.
Eu tinha aprendido uma ou duas regras de etiquetas indispensáveis quando se estava na presença de pessoas ricas, principalmente quando estava em Paris. É claro que, quando me reúno com minha família, nada disso importa.
E ter Rosalie Hale despojada e sorrindo na minha sala de estar me deixava a vontade para ser eu mesma, mesmo que estivéssemos prestes a falar de negócios.
A segunda coisa foi que ela me conhecia muito bem.
—... Então eu disse ao meu irmão que deveria vir, apesar do acordo por trás, porque Jasper pode ser um pouco taciturno as vezes, e eu queria conhecê-la. — ela explicou, gesticulando bastante com as mãos. — Perdi seu desfile no Fashion Week, sabe, nunca me perdoei.
Eu sorri.
—Você acompanha meu trabalho, então? — perguntei.
Ela deu um sorriso enorme. Ela é muito bonita, pensei, facilmente poderia ser modelo.
—Desde o comecinho, sabe, quando você ainda postava seus croquis no Instagram. — ela contou, corando um pouco. — Sempre gostei muito das suas roupas.
Fiquei um pouco emocionada. Eu ouvia elogios com frequência, mas nem todos eram tão sinceros como o dela.
—Obrigada, significa muito pra mim. — agradeci, sorrindo. — Agora… sobre a proposta?
Não tinha deixado Edward vir assim que Rosalie me informara que viria sozinha. Não achei justo e também era uma ótima oportunidade para fazer negócios por minha conta. Edward estava sempre por perto, não que eu não gostasse disso, eu o amava. Mas a sensação de decidir por mim mesma, sem ter que discutir a proposta com mais ninguém… Era um tanto quanto libertadora.
Ficou claro que o acordo era mais vantajoso para o sr. Hale do que pra mim. Mesmo Rosalie, que tinha interesse direto na questão não omitira ou mascarava isso.
Eu não precisava do dinheiro e impressionantemente nem do marketing. Mas eu entendi… eles não tinham outra carta na manga e esse contrato parecia importante demais.
Quem eu estava enganando? Eu não precisaria explicar nada para ninguém, faria aquilo pelo afeto que tinha por Rosalie.
E por esta me sentindo bastante entediada.
Então quando eu disse "sim" a ela, Rosalie não pareceu nem um pouco tímida ao trocar de sofá e me abraçar.
Forte.
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