A Ilha do Sherdacé (Hastorn)
6 Capitulo 5
Havia se passado mais de um ano e Taylor, agora com sete, cuidava de Gaherd como uma mãe, que tinha quatro anos. Sentado em seu trono Reginald observava as jovens meninas da sua corte. O modo com que elas riam, como balançavam o cabelo e como olhavam para os rapazes. Sentiu inveja deles. Eram jovens e cheios de sonhos, esperanças e eram belos. Como desejaria voltar a ser jovem. Mas se consolou ao saber que em breve seria imortal... O resto veria depois, quem sabe Alene não se apaixonasse por ele?
—Majestade?
—Fale Harold.
—Sua encomenda chegou.
—Vou estar na biblioteca.
Reginald sentou em uma cadeira frente à mesa olhando ansioso o velho retirar alguns frascos de uma sacola surrada.
—E finalmente, o famoso elixir... Esticou com as mãos um pouco tremulas.
—Deixe-me vê-lo... — E esticou a mão com cautela para pegar o frasco.
~~*~~
Três meses já haviam passado desde que havia bebido o elixir, mas Reginald não se sentia completamente satisfeito.
—Consegue notar alguma diferença? — Perguntou ele se olhar no espelho.
—Não, mas creio que em breve se notará que não envelhece...
—É, pode ser... Só lamento não ser jovem.
—O velho afirma que isso é impossível.
O rei reflete por um tempo e depois se volta com o olhar confiante para o conselheiro:
—Muitos diziam que só os deuses podem ser imortais e olhe para mim! Rápido pegue minha espada e me fure no braço.
—E se não der certo?
—Dará, eu sinto isso... Ande logo...
Mesmo com medo, Harold pega a espada e fura o braço que se cura tão rápido que o sangue sequer teve tempo de começar a sair.
—Hahahaha, eu nem senti nada! Corte-me, um corte profundo dessa vez.
Novamente nada aconteceu e Reginald estava imune à dor.
—Estou invencível. Mas será que sou forte? Guarda?
—No que posso servi-lo?
—Tente me derrubar.
—Não... Não posso.
—Eu lhe autorizo.
Entretanto, ao contrario do que ele pensava, o guarda conseguiu lhe derrubar como se fosse um graveto.
—Maldição!
—Me perdoe senhor, mas... — Tentou se desculpar o guarda.
—Saia!
-E agora? — Harold indagou ao rei.
—Sou imortal, mas não forte, nem jovem... Mas é como eu disse, o resto vem depois.
Na mesma noite procurou a rainha em seu quarto. Estava feliz e queria comemorar com ela, porém assim que ela o viu Alene começou a chorar.
—O que foi?
—Nada...
—Fale!
—Não!
—Eu venho aqui comemorar um acontecimento que vai me deixar na historia e você está ai chorando, não se preocupe, vai beber o elixir também...
—É exatamente por isso que eu choro, de pensar em passar a eternidade ao seu lado.
—Deite. — Falou secamente e depois de terminar saiu sem falar nada e batendo a porta.
Alguns dias haviam se passado e Reginald só nutriu o ódio pelas palavras de Alene. No mesmo instante que ela proferiu aquelas palavras de nojo a ele, passou a acha-la realmente feia. O encanto se quebrou, mas apenas na cabeça dele, pois Alene continuava lindíssima aos olhos de todos. Enquanto pensava em diferentes formas de se vingar dela, seus pensamentos foram interrompidos pelo anúncio:
—Sua majestade a rainha e suas damas.
Todos se curvaram em respeito a ela.
—Harold!- Gritou o rei.
—Sim Majestade.
—Quer me explicar o que esta mulher está fazendo aqui no salão?- Agora ele sussurrava.
—Bem, ela é a rainha, pode andar por todo o castelo.
—É uma mulher feia, olhe perdeu o brilho no olhar, anda de cabeça baixa, com o rosto cansado, me dá nojo vê-la por aqui.
—O que eu posso fazer? Sou apenas um conselheiro.
—Quero que a proíba de sair dos seus aposentos. Ou que pelo menos não apareça em um lugar onde eu esteja.
—Como quiser.
Mais tarde Harold e Sir Henry — ou como era conhecido, Bartolomeu- jogavam cartas e conversavam.
—Sabe Barth, eu acho que o rei está perdendo o juízo.
—Também acredito nisso...
—Hoje ele proibiu a rainha de andar pelo castelo, ou que pelo menos não esteja no mesmo ambiente que ele.
—Concordo com você, porém é melhor falar baixo, ou podemos perder a cabeça. — E tomou um gole de Whisky.
—Nunca mais se teve noticias de Conrad?- Perguntou ele distraído.
—Ninguém o procura mais, deve estar morto. -Respondeu tenso.
—Acredito que essa tristeza da rainha se deva a esse fato. Dois filhos assim tão depressa.
—Tem razão. Mas ela tem o príncipe Gaherd ainda.
—O menino chora pedindo por ela, mas ela parece sempre tão fraca que achamos melhor ela nem chegar perto dele.
—Reginald diz que acha que Alene perdeu toda a sua beleza.
—Realmente ele está louco... — Ele parou olhando o jogo- E temo por esse reino, se as coisas continuarem assim.
—Não tema... Venci. — Harold jogou suas cartas na mesa e se levantou.
—Maldição Harold sempre me vence nesse jogo!
Com a nova ordem do rei, Gaherd que dispunha de raríssimos momentos com a mãe, não a viu durante meses.
—Eu quero minha mãe. -Pediu o menino a uma das amas.
—Eu não entendo como ele pode ter tanta saudade da rainha se nem convive com ela? — Comentou uma das amas.
—Ela é sempre tão boa com ele que deve sentir falta. — Respondeu a outra.
—Senhores, a rainha Alene exige a presença de seu filho em sua sala particular. Ela o aguarda daqui a meia hora. — anunciou um soldado.
Na noite anterior Reginald havia decido como se vingar de Alene pelo desprezo:
—O castelo do norte, tem o que lá?
—É um deposito.
Ele olhou para Harold por um momento.
—Mande Alene pra lá amanhã.
—Tem certeza?
—Se não tivesse teria te perguntado não acha? Mas não diga a ela para onde está indo. Não poderá levar suas damas nem joias. E Gaherd ficará aqui no castelo comigo. Agora vai, avise que amanha pela tarde ela já estará fora de Arandril.
~~*~~
—Como assim viajar?
—Ordens do rei.
—Por quanto tempo?
—Ele não falou.
—Posso me despedir do meu filho pelo menos?
Harold examina Alene, e ao ver seu rosto sofrido e tendo consciência que provavelmente ela não voltaria para a corte novamente, consentiu.
Taylor aproveitou a o tempo livre e foi visitar Amélia. Gaherd assim que viu sua mãe correu para abraça-la. Alene sorria, porém ainda havia muita tristeza em seus olhos.
—Ah meu filhinho, desculpe a mamãe não lhe dar muita atenção, não é por querer.
—Eu sinto saudades. Queria te ver mais vezes.
—Eu sei, eu sei, mas eu não posso.
—Olhe agora eu tenho que viajar, vou ficar um bom tempo fora, mas quando voltar ficaremos mais tempo juntos.
—Tá bem mamãe.
—Eu te amo.
—Eu também. — E a abraçou forte.
Fazia aproximadamente 11 meses que não viam a rainha, e não se teve noticia dela por todo esse tempo; Gaherd que chorava de saudade dela quase todas as noites. Apenas Taylor conseguia acalmá-lo.
—Eu gosto muito de você Taylor. Você poderia ser minha nova mamãe.
—Mas você já tem mãe.
—Mas ela fugiu. — Disse emburrado.
—Não, príncipe, ela está em viagem. — Disse uma das amas.
—Vai cuidar de mim sempre que minha mamãe não estiver? Você promete? — Ele sorriu e Taylor não pode negar, já o amava como irmão, mesmo sem saber a verdade.
—Sim. Eu prometo.
~~*~~
Gaherd inicia seu treinamento para ser rei. Mas dessa vez Reginald não seguiu as tradições de acompanhar o filho.
—Você agora vai aprender umas coisas pra ser um bom rei quando crescer. — Instruiu Bartolomeu.
—Mas eu quero brincar.
—Depois. Você precisa treinar e depois pode brincar.
—É só por hoje?
—Não, é por algum tempo e depois você vai aprender a ler.
—Eu posso aprender também? — Taylor perguntou.
—Não. — Respondeu uma das amas do príncipe. — Você é uma empregada.
—Mas eu quero que ela aprenda comigo... Eu quero, eu quero!
—Tudo bem, tudo bem, como você quiser.
~~*~~
Em uma tarde cinzenta em Hastorn, o rei bebia vinho enquanto apreciava a música que tocavam no almoço.
—Novidades Harold?
—Gaherd já sabe montar sozinho. Segura a espada com certa dificuldade, mas está indo bem.
—Contrario do irmão.
—Exato.
—Acha que ele será um bom lutador?
—Um dos melhores, sem dúvida.
—Que pena.
—Desculpe majestade, mas não entendo.
—Achei que fosse mais inteligente Harold, estou decepcionado.
—Me explique senhor, por favor.
—Vamos sair daqui.
Na sala privativa do rei, Reginald parecia preocupado.
—Então, me explique.
—Estive pensando e como bem você sabe, eu agora estou sob o efeito do elixir, não poderei ser morto e nem morrerei, porém não sou forte e Gaherd parece ser uma ameaça em potencial. Se livre do garoto e poderá usufruir do elixir, já que privei Alene do privilegio. Mas só quando me provar que merece.
—Eu não entendo, por que ele é uma ameaça? É seu herdeiro, quem o vossa majestade sempre sonhou em ter.
—Acabou de dizer que ele será um bom cavaleiro.
—Sim. Mas o que isso tem a ver?
—É tão burro que não consegue perceber? Se ele pode ser um bom cavaleiro, quando ele começar a envelhecer e perceber que isso não acontece comigo ele vai lutar pelo trono; ou acha que ele vai querer ser príncipe pra sempre?
Reginald falava com tranquilidade e indiferença, o que provocou um calafrio que percorreu a espinha. Sua consciência estava gritando, mesmo que seu corpo tentasse sufoca-la, mas ele não aguentou a pressão:
—Não, não posso, não devo...
—Pois se está tentando bancar o salvador, vou enforca-lo como um mero ladrão.
—Tudo bem. Pode fazer isso.
—É mesmo? – Reginald achou aquilo muito divertido.
—Sim.
Ele deu uma risadinha sarcástica.
—Você não convence nem a si mesmo.
—Não vou mais provocar tanto sofrimento em ninguém.
—Muito bem. Que seja feito então. — E com um movimento nas mãos chamou os soldados que guardavam a sala.
Harold olhou espantado quando o rei mandou que o levassem para as masmorras. Assinou uma carta e entregou aos homens.
—Para execução, ordens diretas do rei.
—Sim majestade. — Falou o soldado ao pegar o papel.
Antes de chegar até a porta Harold se soltou dos guardas e se jogou no chão.
—Não, por favor, eu faço o que vossa majestade desejar.
Rindo, Reginald fez um sinal para que os guardas se retirassem.
—Sua vida não vale tanto assim para toda essa humilhação.
—Vou embora hoje de Hastorn. E que vossa majestade encontre outro para meu trabalho.
—Não, não vai.
—O que ainda quer de mim?
—Você sabe demais.
—E o que eu poderia fazer com toda essa informação?
—Não sei, mas existem loucos nesse mundo que poderiam cogitar que você fala a verdade.
—Por que é.
—Se sair de Hastorn sem minha autorização será encontrado, preso e acusado pelos crimes que cometeu.
—Mas... Eu não fiz nada, apenas obedeci.
—É, fui eu quem deu as ordens, porém quem as executou foi você. E isso é verdade.
—Então por que simplesmente não me prende ou me mata?
—Apesar de tudo tenho que admitir que você foi competente e levaria muito tempo até encontrar alguém de confiança para ser meu conselheiro e agente especial. Querendo ou não você está preso aqui, ir embora só piora sua situação. E agora que se mostrou covarde até mesmo na hora de morrer tenho certeza de que vai me obedecer sem questionar.
Harold sem conseguir dizer mais nada, andou tenso até seu quarto. Valia a pena destruir tantas vidas em troca da eternidade? E ainda ao lado de alguém como Reginald? Primeiro Conrad, depois a princesa, em seguida a rainha e agora o príncipe herdeiro. Lembrou-se de Conrad, preso há quase cinco anos como um criminoso. Sentiu remorso. Só o viu uma única vez, quando o companheiro de cela havia morrido e o cheiro do cadáver começou a impregnar o lugar. Ele mesmo teve que remover o corpo para garantir a integridade do menino. Pelo menos a princesa estava viva, deve estar vivendo com pais que a amam, pensou assim para se sentir melhor. Mas ele precisava verificar isso. Se estavam pelo menos vivos.
Na noite seguinte Harold desceu até as masmorras e se dirigiu a cela especial, onde o ex-príncipe vivia há quase cinco anos. Usou uma capa preta para não ser reconhecido futuramente, pois quando chegasse a hora ele mesmo teria que leva-lo para outro lugar. Era uma cela gelada até no verão, uma pequena janela perto do teto iluminava precariamente o lugar, o resto era iluminado pela pequena lareira. Em frente dela um garoto de cabelo e bagunçado e sujo estava apoiando o queixo com as mãos, tinha a respiração profunda e calma. Harold fechou a porta, mas ele continuava a olhar fixo para a lareira, ficou preocupado e foi se aproximando com cautela, quando chegou perto o suficiente para ver seu rosto, sentiu pena e um remorso maior ainda. Ele estava paralisado de frio, com os lábios roxos e tremia de leve, usava roupas sujas e rasgadas e muito finas para aquela temperatura. Sem pensar duas vezes colocou sua capa de pele em volta dele. Automaticamente ele se enrolou na capa. Harold olhou por mais alguns instantes para o rosto dele e depois puxou do bolso um desenho do príncipe de quando foi dado desaparecido. Ainda era reconhecível, mesmo que mal, concluiu. Antes de sair o menino falou ainda sem virar o rosto:
—Você vai voltar amanhã?
—Não... Quer que eu volte?
—Talvez. Vai me trazer alguma coisa como hoje?
—Veremos. -E fechou a porta.
Assim que saiu dali, foi à procura de alguns objetos. Foi até o estabulo e pegou a faca que usavam para cortar a crina dos cavalos. Depois pegou em seu armário umas roupas velhas. Pediu à camareira que lhe trouxesse um cobertor extra. Não esperou até a outra noite. Aproveitou que passava das duas da manhã e desceu novamente as masmorras. Um sentinela com os olhos vermelhos de sono tomava conta da entrada, mas assim que o viu tomou a postura e pareceu acordar:
—Seu nome, senhor. — Pediu o soldado.
—Me deixe passar.
—Me mostre o que tem no embrulho.
—Escute seu inútil, estou a ordens do rei e interrogatórios são necessários.
—A está hora?
—E cabe a você decidir a hora? Não passa de uma sentinela. E ainda é um ruim no faz. Pensa que não o vi quase dormindo? Vou notificar a seu superior e será castigado.
—Não, por favor, senhor, eu não quis interferir no seu trabalho.
—Mas interferiu; e estou perdendo um tempo precioso aqui falando com você ao invés de interrogar o acusado.
A cela foi aberta. O menino agora dormia na cama de entre palha e o manto de pele. Estava escuro, pois lareira estava apagada. Estava insuportavelmente gelado ali dentro. Levantou o lampião para verificar o lugar. Não tinha fendas que permitissem a entrada de ar, mas a janela que tocava o teto era aberta, exceto pelas grades que impediriam uma possível fuga. Harold riu com isso, um menino magro e frágil como ele jamais conseguiria pular sem cair quanto mais escalar uma parede. Voltou o olhar para a criança. Tinha o rosto imundo com os cabelos compridos demais, parecia desnutrido. Puxou a faca de cortar a crina dos cavalos e se inclinou para perto dele. Conrad respirou profundamente. Harold pegou uma mecha do cabelo dele e passou a faca. “O garoto tem um sono pesado”, pensou. Continuou cortando os fios ruivos até que ficassem bem curtos; como o lampião que iluminava Conrad estava encostado à parede, percebeu que elas estavam desenhadas com carvão, eram desenhos infantis e algumas letras. Passou a luz para ver melhor os desenhos. Havia pessoas, percebeu que as letras formavam algumas palavras soltas ao ar, “papai” “mamãe”, depois percebeu que ele tentava contar uma história. Achou curioso, mas não quis perder tempo com aquilo, se envolver com o garoto só lhe provocaria mais remorso. Ao sair avisou ao guarda que vigiava a cela.
—Lhe forneça mais lenha e mais comida.
—Quem é esse prisioneiro especial afinal?- Falou tentando espiar por dentro.
—É um assunto que não lhe diz respeito!
—Desculpe-me senhor, não deveria me intrometer.
~~*~~
Em Panvas, Harold combina com Helder sobre o novo serviço.
—O rei está completamente louco. Nós o livramos do primeiro filho para que... Gaherd é esse o nome?... Pudesse reinar, e agora ele quer se livrar desse também?
—Não conteste, ordens são ordens e você trabalha por dinheiro, não consciência.
—Tem razão. — E tomou de uma só vez todo o vinho do caneco.
—Pra quando é o serviço?
—O mais rápido possível.
Passavam das três da manhã, quando começou a chover, trovões sacudiam até mesmo as solidas paredes do castelo e os clarões dos raios davam um ar sombrio aos corredores e quartos do palácio. Em passos silenciosos e se esquivando da luz como um gato, Helder finalmente consegue chegar ao quarto do príncipe. Seus homens vieram logo atrás, Helder esconde-se atrás de um pilar e atira uma pedra derrubando um quadro da parede. Os guardas saem da porta e rapidamente Helder entra no quarto, deixando seus homens cuidarem dos guardas. Assim que fecha a porta escuta barulho de chutes e socos e depois o silêncio. Na cama, Gaherd e Taylor dormiam. Ele se aproxima prendendo a respiração, molha um pano com uma mistura de ervas fortes, a mesma usada para silenciar os guardas e pressiona sobre o rosto de Gaherd, nesse momento um forte trovão ecoa no quarto fazendo com que Taylor acorde.
—O que você está fazendo?- Disse a menina olhando para ele ainda sonolenta. -Gaherd acorde. — E sacudia o príncipe. -Você matou ele! -Disse ela desesperada.
E antes que ela pudesse gritar Helder também a sufoca com o pano, e ela acaba desmaiando no mesmo instante. Com a ajuda dos outros, eles saem carregando as crianças nas costas. Antes de chegarem as escadas cinco mulheres vem correndo e gritando ao encontro deles.
—Estão levando o príncipe embora, guardas!-Grita uma das mulheres.
Um dos capangas de Helder corre e consegue desmaia-la e logo as outras quatro fogem com medo.
Para prender as crianças foi preciso sair do castelo e se dirigir até a entrada externa das masmorras, os dois foram enrolados em mantas para esconder seus rostos, da mesma maneira que aconteceu com Conrad.
~~*~~
Na noite seguinte Helder e Harold conversam no mesmo bar de sempre.
—Como assim, prendeu Taylor também?
—Ela acordou com o barulho do trovão e se assustou, antes que ela pudesse gritar eu a desmaiei e a levei também, que diferença faz uma ou duas crianças a mais?
—Ela era só uma empregada, não tinha que ficar presa.
—O trabalho está feito. E isso é o que importa. Vai querer reclamar agora Harold?
—Tome o pagamento. — Helder não era seu amigo e não se importaria em espanca-lo ou até mesmo mata-lo a sangue frio; era melhor não discutir.
Ele subiu na carruagem para voltar ao castelo e enquanto isso ia pensando em como as coisas haviam terminado. Não era a intenção de Harold levar a menina, mas não seria uma má ideia, assim Conrad e Gaherd teriam uma companhia extra, além obviamente do fato de estarem longe de qualquer chance de saberem a verdade e cobrarem seus direitos de filhos do rei.
Harold sabia o tempo que o efeito das ervas durava e sabia também que Conrad foi sedado para facilitar a entrada dos outros dois, e aproveitou essa oportunidade para ver como eles estavam. Sujeitou-se a descer as frias e asquerosas masmorras até a cela dos príncipes. Iluminando o lugar observou pela primeira vez com cuidado o rosto de Taylor e se surpreendeu. Como não percebeu uma coisa que estava diante de seus olhos o tempo todo? Ela era igual aos irmãos. Cabelos ruivos, só que os dela eram ondulados como a mãe, traços do rosto como o nariz e o queixo eram iguais, quase idênticos, agradeceu que ninguém prestava atenção nos criados. Taylor era a princesa, porém com uma vantagem. Não sabia quem era. Poderia engana-la.
Nada de extraordinário acontece durante os primeiros contatos entre os três. Apesar de Conrad ter se tornado distante e esquecido de como é ter o contato com pessoas, o tempo que ficaram presos foi pacífico; Taylor protegia Gaherd e ele se agarrava cada vez mais a ela, Conrad falava pouco, mesmo assim um sentimento de proteção surgiu dentro dele, era o mais velho, porém eles não lhe davam muita atenção já que se acovardava fácil. A única coisa que Conrad pensava sem lhe causar medo eram os dragões das historias de Bran.
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