A Ilha do Sherdacé (Hastorn)
4 Capitulo 3
No castelo Conrad estava de volta. O rei e a rainha o esperavam ansiosos. Não o viam desde a suposta morte da princesa. Reginald estava sentado em seu trono observando Alene que estava vestia com um vestido azul com colares e pulseiras de ouro. Ela era encantadoramente linda, na visão de Reginald, perfeita.
—Por que não está usando sua coroa?
—Hoje quero ser apenas mãe e não rainha.
—Sabe muito bem que não tem essa opção, casou com o rei e agora é a rainha.
—Por favor, Reginald, não quero ouvir sermões hoje.
—A coroa da rainha. — Ordenou ele a um servo.
—Reginald, é incômoda. — Protestou Alene como se fosse uma criança.
Ele se limitou a levantar a mão exigindo silêncio por parte dela. Era nesses momentos que ele percebia o quanto Alene era jovem e imatura. Preferia não discutir, seria inútil. Preocupou-se a pensar como estaria Conrad, depois desses anos. Ao que parecia ele se tornara um menino normal não precisando mais de tanto cuidado quanto antes. Imaginou o filho entrando vestido dignamente com um ar de majestade cumprimentando a todos muito comportado. Porém quando foi anunciada sua presença o que viu foi o contrario, o que lhe tirou o sorriso e suas expectativas, o príncipe era franzino e pequeno, vestia roupas comuns e andava de mãos dadas com sua ama, a frente de seu tutor, olhando a todos com medo.
—Meu filho!-Disse Alene levantando do trono estendendo os braços abaixada na altura do menino.
—Alene! Comporte-se como uma rainha. Não pode abaixar-se desse modo. — Brigou Reginald puxando seu braço.
O menino que a abraçava timidamente, apertou-se em seu colo assustado com a voz grave do pai.
—Oh, meu querido, papai lhe assustou? — Disse acariciando seus cabelos macios. — Como está crescido, está vendo Reginald?
—Sim. — Falou friamente.
—Está bem, já chega. Podem levá-lo. — Ele ordenou as amas que acompanhavam o príncipe.
Com lágrimas nos olhos Alene se despediu do filho que no colo de uma das mulheres lhe abanava inocentemente com um pequeno sorriso.
Na sala de reuniões o rei discutia com os conselheiros.
—Alguém pode me explicar o comportamento do príncipe?
—Explicar? Não há explicação, ele tem quatro anos. — Disse incrédulo Morrice.
—Pareceu medroso demais para mim. -Discordou o rei.
—Ele está se acostumando com o ambiente. De tempo a ele. — Ciro tentou ignorar o escandalo desnecessário.
—Não sei se ele está pronto para começar o treinamento. — Reginald parecia preocupado.
—Não se preocupe majestade, todos dizem isso de seus filhos e acabam se surpreendendo.
—Não tenho tanta certeza. Quando eu tinha quatro anos meu pai falou que subi no pônei sozinho.
—Eu acho que podemos esperar mais alguns meses. — Sugeriu Pion.
—Por quê?
—Não tem nenhum evento importante acontecendo, digo, nenhuma guerra.
—Eu estou velho não consegue entender isso?! Preciso ter meu herdeiro preparado.
—O rei tem razão, existem muitas doenças também. Nunca se sabe. — Harold se manifestou.
—Ainda assim, uns seis ou oito meses... — Insistia Pion.
—Está querendo é que eu morra sem ter um herdeiro preparado e então vocês conselheiros ficariam donos do meu reino até meu filho estar pronto! É isso mesmo Pion? — Reginald estava fora de si.
—Faça como vossa majestade quiser. — Falou ele contrariado.
—Eu estou com fome. Resolva isso Harold. – Reginald e ele saíram da sala.
—Ele está fora de si.
—Completamente.
—E o que vamos fazer?
~~*~~
Era uma tarde agradável com um sol fraco de fim de inverno. Duas fileiras de empregados esperavam formalmente vestidos com as cores preta, vermelha e branca de Hastorn. No final das duas filas um pônei com os melhores equipamentos e uma bandeira do reino cobria o animal, sendo guardado por dois soldados armados. Reginald carregava o filho no colo. Ele ia assustado, não tinha muito contato com o pai. Enquanto passavam os empregados se curvavam. Era uma cerimonia antiga no reino, como um ensaio em que o rei passa a coroa para o filho.
Alene por mais que quisesse não poderia participar. Era um evento masculino. Ficou dentro do castelo, aflita torcendo que os deuses tenham abençoado Reginald com paciência. Conrad era só uma criança. Um tempo depois ele entra decepcionado.
—O que aconteceu Reginald?
—O menino não conseguiu nem se aproximar do pônei. Um pônei!...Quando eu tinha quatro anos, meu maior sonho era cavalgar, mas ele, ao contrario, nem chega perto.
—Dê um tempo a ele, talvez esteja apenas com medo.
Duas semanas depois não se havia feito nenhum progresso. Era só cogitar a aproximação do animal que Conrad esperneava desesperado.
—O que há com esse menino? Duas semanas e nada!
—Um pouco mais de paciência. -Dizia com tranquilidade a rainha, acalmando o marido.
—Diga-me Harold o que fazer?-Perguntou o rei se dirigindo ao conselheiro.
—Como seu conselheiro, prezo pelo seu bem estar e se as aulas de equitação não funcionam, tentaremos as espadas, pulando a primeira etapa para depois voltar, dessa forma, vossa majestade não se abalará dos nervos.
Três semanas haviam passado e Conrad não queria de maneira alguma pegar na espada ou montar no pônei. Passaram então sete meses pulando etapas do treinamento do príncipe e ele não havia aprendido nada.
—Desisto. — Reginald se jogou na confortável poltrona da sua sala particular, indignado.
—Eu lamento senhor.
—Nada, nenhum progresso, não segura uma faca que seja; não chega perto do pônei, nada.
—Mas se interessa pela escrita e letras, mesmo sabendo pouco.
—Mas caso estrarmos em guerra com os reinos vizinhos, e você sabe muito bem que Grijim não dispensa uma luta, saber ler e escrever em nada vai ajudar na vitória.
—Mesmo que entremos em guerra, seu filho não vai poder lutar.
—Mas é logico que não, ele é um covardezinho.
Harold não preferiu não discutir; na cabeça do rei isso deveria fazer algum sentido. Mas estava muito preocupado, afinal ele estava mesmo perdendo o juízo ou era apenas uma fase turbulenta? Assim que o rei o dispensou saiu angustiado.
Reginald se levantou e serviu-se whisky enquanto olhava a janela. As últimas folhas do outono estavam caindo, logo o inverno chegaria. Muitas pessoas morriam no inverno. Em maioria os pobres, mas os reis e nobres não estavam livres. E se ocorresse um novo surto de pneumonia ou tosse? Conrad era fraco, não aguentaria por muito tempo e ele não tinha nenhum outro filho caso ele morresse. Sentou novamente em sua poltrona pensativo, apoiou o queixo com a mão e tamborilava os dedos impaciente. Precisava de um novo filho. Urgente.
~~*~~
Um tempo considerável havia se passado, e Alene não ficava grávida de jeito nenhum. Porém em uma noite quente de final de primavera, Alene conversando com suas damas se da conta que suas regras não haviam chegado haviam chegado, e já faziam dois meses.
—Então acho que só pode dizer uma coisa- Disse uma das damas sorrindo.- A senhora está grávida.
A novidade foi comemorada durante dias. Nove meses depois nasce um saudável menino, com grandes expectativas segundo as parteiras.
—Príncipe Gaherd, o forte. — Disse Reginald sorrindo. — Quem diria Harold, sou pai de um menino forte e saudável. Estou cheio de felicidade. -E levantou o cálice como se brindasse com os deuses.
—Devo lembrar-lhe que segundo a lei do reino, o lugar de futuro rei pertence apenas ao primogênito, no caso seu filho Conrad. Pode ter quantos filhos quiser, mas o futuro rei é o primogênito. E só este poderá ser preparado.
—Nesse caso mudarei a lei. — Falou Reginald ficando serio de repente.
—Sabe que não é possível. É uma das leis absolutas.
—Essas malditas leis! Saia Harold, não quero ver sua cara por algum tempo.
O rei passou dois dias em absoluto silêncio até que Harold foi chamado.
—Desejava me ver majestade?
—Sim, aproveitando que estamos a sós quero lhe contar minha ideia.
—A respeito do príncipe?
—Sim.
—Vamos fazer uma viagem.
—Para onde?
—Para as montanhas. Quando estivermos lá, pegue o menino e o esconda em uma caverna. Depois volte lá e o tranque nas masmorras. Depois anunciaremos que o príncipe se perdeu. Nunca irão encontra-lo então será dado como morto.
—Perdoe-me, mas não há outros meios? — Ele tentava esconder seu horror ao plano.
—Seu rosto é bem conhecido, mês passado em seu aniversario retratos dele foram espalhados por todos os lados do reino. Não importa para quem o entregue, ele vai ser reconhecido.
—Mas o manterá lá para sempre?
—Não, vou mantê-lo até que ninguém mais se lembre de seu rosto, então você vai entregá-lo a qualquer camponês que o aceite como filho, dizendo que ele é um órfão, como fez com a outra.
Harold não podia acreditar no que ouvia, pensou em dizer que não faria isso, mas percebeu que se o rei era capaz de fazer isso com os próprios filhos, o que não seria capaz de fazer com ele, um pobre conselheiro? Apesar de dor na consciência falou:
—Como desejar.
Harold pediu um tempo para preparar tudo. Lembrou que quando era mais jovem costumava frequentar um bar onde conheceu um ex-soldado do exercito de Grijim, que agora vivia como mercenário justamente em Hastorn. Como ainda lembrava seu nome, pediu informações a uns garotos do mercado de Panvas que a partir da descrição informaram onde ele se encontrava. Andando a passos rápidos pelas ruas sombrias do subúrbio onde bêbados caídos formavam obstáculos e proporcionavam ao ar um cheiro forte e desagradável de bebida barata. Entrou em um beco sem saída onde havia apenas uma porta, bateu e um homem muito musculoso apareceu em uma janelinha no meio da porta:
—São 30 Litus.
Lá no porão encontrou alguns nobres, apesar de não ser um dos melhores bares do reino. Mas era quase livre de ratos e pragas. Havia prostitutas no colo dos homens, alguns músicos tocando musicas desafinadas com letras chulas, via muitas pessoas, mas nenhum era parecido com o que procurava. Sentou no balcão e pediu uma dose de whisky, olhou ao redor até pousar os olhos em um canto escuro onde um homem conversava com uma mulher com os seios de fora. Ela foi embora ele virou o rosto para acompanhar e Harold teve certeza de que era ele. Aproximou-se:
—Helder?
—Como sabe meu nome?
—Lembra-se de mim? Sou Harold.
—Ah, lembro sim... Vou lhe pagar uma bebida pelos velhos tempos. — E chamou o taberneiro. — Mas acho que não veio aqui para relembrar os velhos tempos.
—Será que pode fazer um trabalho?
—Depende.
—Quanto quer?
—Eu trabalho assim. Primeiro me fale sobre o que é depois digo se aceito ou não, e finalmente o preço. Sente-se e vamos conversar.
—O rei precisa dar um sumiço em alguém.
—Isso é fácil demais, trabalho com assuntos mais interessantes.
—É o filho dele.
—O filho?
—Sim.
—Mas ele tem um filho bastardo?
—Não, é o príncipe mesmo.
—Fala em matar? -Ele disse interessado.
—De forma alguma, quero apenas escondê-lo por um bom tempo.
—Aonde?
—No castelo, mais precisamente nas masmorras.
—Vai sair caro.
—Quanto?
—7 mil Litus. Mais três mil para contratar mais homens. Não posso fazer isso sozinho.
—Te dou uma parcela hoje e o resto no dia.
Para fazer um trabalho completo, Harold lhe permitiu entrar no castelo onde Helder desceu até as frias e sombrias masmorras, onde os corredores eram estreitos e iluminados por tochas. Após percorrer o longo caminho chegou à saleta onde havia uma mesa velha e um homem de cabelos sebosos e grisalhos escrevia de cabeça baixa com a luz fraca de um lampião. Preocupou-se em usar uma capa que lhe escondesse o corpo e principalmente o rosto. Não podia se expor enquanto trabalhava.
—Bom dia, senhor. — Disse friamente ainda de cabeça baixa.
—Então é dia?- Falou o homem, que não verdade era um velho com aspecto asqueroso, com a barba longa e suja, tinha um hálito fétido e cheirava tão mal quanto aparentava.
—Quase meio dia.
—É difícil saber quando se trabalha aqui em baixo há anos sem sair. Sinto-me um prisioneiro tanto quanto os outros. — Sorriu o velho mostrando os dentes encardidos
—Chega de conversa fiada.
—Como quiser. O que quer aqui?
—Preciso de uma cela especial.
—Que tipo de prisioneiro estamos falando?
—Como assim?
—Para cada prisioneiro temos uma cela especial. Se for um soldado inimigo, temos um comitê de boas vinda e uma sala de interrogatórios... Se é que me entende. — E piscou. — Alguns não saem de lá com as próprias pernas... Falando nos dois sentidos -Falou com prazer.
—Preciso de sua melhor cela e quero que ele fique vivo e com todos os membros.
—Que pena. — E deu de ombros procurando algumas coisas nas gavetas. -Ah aqui está. Me acompanhe.
Passaram por outro corredor até um pequeno salão redondo com cinco portas.
—Vá na frente. — Falou com uma voz sinistra.
A cela tinha um bom tamanho, havia uma minúscula lareira e uma janela que tocava o teto, e uma cama madeira mal cuidada com um colchão de palha e um cobertor imundo.
—Então o que acha?
—Gostei da lareira.
—São para os melhores prisioneiros. Perceba que não há nenhuma corrente ou algemas nas paredes. — Falou normalmente.
—Há ultima vez que foi usada foi na 158ª geração, quando o irmão do rei Logranz X foi acusado de traição.
—Conheço essa história.
—Há cela melhor do que a digna de um príncipe?
Harold riu por dentro da ironia da situação. Era justamente um príncipe que seria posto ali.
—Vou usá-la.
—Trarei o prisioneiro em pouco tempo.
—Mais uma coisa. Essas regalias de lenha e carvão são a parte.
—O rei é que sustenta esse lugar, por que pagar a mais?
—Uma moeda de ouro. Ou é isso ou é nada.
—Me assegura da privacidade do prisioneiro?
— A porta não tem grades como pode ver, apenas essa entrada da comida e do balde de dejetos. Quando se abre a porta à visão é barrada por essa parede. — Falou com orgulho mostrando todos os detalhes daquele lugar.
—Eu fico com ela. Quero o serviço bem feito. — Helder saiu e deixou nas mãos imundas do velho carcereiro duas moedas de ouro que riu de satisfação com o dinheiro extra.
~~*~~
Foi dito que o rei faria uma viagem até o Leste-Norte para negociar com os artesãos e que queria o primogênito junto. Alene ficou contente.
—Tchau mamãe. Eu vou viajar com o papai! — Disse o sorridente Conrad.
—Eu sei filho, espero que se comporte.
—Eu vou, para quando crescer ser um rei igual a ele.
Ela sorria achava graça do modo que ele falava. E o beijou carinhosamente.
—Estamos prontos- Gritou um dos homens do exercito.
—Até logo mamãe! -Então a rainha teve aquela sensação estranha e sentiu que deveria abraça-lo. O pegou no colo e lhe deu alguns beijos longos e demorados que foram retribuídos, algumas lágrimas correram como se ela previsse que não o veria tão cedo.
Era a primeira noite do acampamento, na sua tenda Reginald parecia impaciente.
—Vai demorar muito? — Perguntou a Harold.
—Não, creio que não. — Ele estava extremamente desconfortável com aquilo.
Pouco tempo depois ouviram o som de cavalos galopando, logo em seguida gritos das amas. Helder e seus homens sedaram o menino com algumas ervas, para não haver gritos e transtornos. Na mesma noite, Harold os encontrou na caverna combinada. A luz fraca da fogueira dava um ar sombrio aos homens. Conrad dormia em um canto.
—O que fazemos?-perguntou um dos mercenários.
—Escondam-no em mantos e capas, levam-no para a entrada externa das masmorras de lá eu pago o resto para vocês.
Helder entrou com Conrad nos braços adormecido, na saleta onde o velho o esperava.
—Mas que tipo de prisioneiro é esse?- Falou ele com muita curiosidade.
—É um dos sábios anões.
—Ah. — Falou o velho, agora com desinteresse afastando-se de Helder que sentiu muito alivio por ter aquele fedor longe dele.
—Então vamos.
—Mas me pergunto o porquê de você carregar o prisioneiro no colo?
—Não queremos que ele se machuque.
—Mesmo?- Perguntou o velho com uma ponta de esperança.
—Sim. — Falou colocando Conrad sem jeito na cama. E fechando ele mesmo a porta.
—E quero sigilo. Me dê a chave.- Esticou a mão do manto de pele.
—Não! Eu sou o carcereiro daqui há mais de 40 anos e conheço cada um dos prisioneiros.
Helder chutou o velho que perdeu o equilíbrio e caiu no chão. Ainda tomando o cuidado de esconder o rosto se abaixou e arrancou a chave de sua mão asquerosa.
—Não me questione da próxima vez. -Disse ao pé do ouvido do carcereiro.
Horas depois o efeito das ervas passou e Conrad acordou sozinho na cela. Estava escuro e ele começou a gritar. Ninguém iria ouvi-lo, outros presos também gritavam quando estavam nas masmorras, ninguém lhe daria atenção.
Após semanas de buscas inúteis; o reino chorou a suposta morte do pequeno príncipe. Ficando de luto por quatro dias.
—Que dor que sinto de perder meu filho. -Falou a rainha aos prantos. -Eu estava tão contente pela viagem de vocês, nunca pensei que fosse acabar tão mal.
—Não fique triste, Alene, ainda temos nosso Gaherd, ele sim é forte e um dia será o rei dessa terra.
Mesmo assim Alene se sentia muito culpada. Dois filhos mortos em tão pouco tempo.
—Senhora, o que posso fazer para lhe deixar mais alegre?- Falou uma de suas damas de companhia percebendo a tristeza nos olhos da rainha.
—Pode trazer meus filhos de volta?- disse com um sorriso triste.
—Infelizmente não. Mas a senhora ainda tem o príncipe Gaherd.
—Mas ele não substitui os outros. Por mais que eu o ame, não posso esquecer de Conrad ou de minha filha que morreu tão cedo que nem consegui escolher um nome para ela... Acredita que Conrad está vivo em algum lugar?
—Senhora, por favor, não crie falsas esperanças. — Tentou consolar uma das damas.
—Mas eu sinto que ele está vivo. E sinto que está perto. Afinal nunca acharam seu corpo.
—Não pense nessas coisas, só lhe fazem mal.
—Passaram muito tempo o procurando e ninguém pediu resgate. -Falou outra moça.
—Não pode fazer um feitiço que os localize?- Perguntou a sua conselheira, uma feiticeira formada na Grande Torre.
—Se pudesse fazê-lo já teria feito sem nem pensar, senhora, mas isso está no livro que sumiu na guerra da traição, na 158ª geração.
—Sumiu assim do nada?
—Como as tropas de Grijim e Reweex avançavam rumo a Hastorn e Druton, era preciso esconder os melhores livros de magia, e usar apenas as que já sabiam de cabeça. Ele foi escondido pelo Mago, e seus feitiços foram muito utilizados evitando sequestros dos nossos soldados e a cura de ferimentos que seriam fatais, mas o Mago não era forte o bastante e foi morto quando as tropas de Grijim invadiram a Grande Torre; quando morreu, levou como ele a localização desse livro. Não há nenhuma pista até hoje.
Alene se dirigiu a varanda de seu quarto e ficou comtemplando o reino. Podia ver boa parte da vila de Arandril. Via muitas pessoas, andando e crianças correndo. Desejava muito que Conrad fosse uma delas. Havia chovido durante a tarde, mas agora havia um arco-íris no céu. Sentiu esperança.
O tempo foi passando e Alene se sentia a cada dia que passava mais infeliz. Deixou de se cuidar, não comia nem dormia direito e se não fosse suas damas de companhia e conselheira, já teria morrido:
—Por favor, senhora, coma pelo menos um pouco.
—Não... Eu não quero isso. — E empurrava o prato.
—O que quer então?
—Conrad e minha filinha.
—Se os deuses quiseram que seus filhos fossem embora, tem que se conformar. Mas Gaherd precisa da mãe.
—Não estou em condições de cuidar dele... Quem sabe amanhã?- E foi deitar-se.
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