A Ilha de Lemúria (reescrita)
3 Parte 3
Notas iniciais
– Parece um... UM CASTELO! – bradava Bia, espantada.
– Bia, não parece um castelo... É um castelo!
- Então vamos! – as duas crianças começaram a subir a longa escadaria, chegando a um grande pátio, que estava completamente destruído.
- Que horror! Quanta destruição! – exclamava Lucas, observando tudo a sua volta, até que reparou uma porta um tanto distante do topo da escada. Correram na direção do local, atravessando o grande pátio, que possuía o mesmo desenho do grande salão circular, o misterioso círculo entre um triângulo, que por sua vez estava entre mais um círculo.
- Esse círculo, definitivamente, é estranho! – reclamou Bia, olhando suspeitamente para o grande símbolo, que quase era ilegível, pois havia árvores, pedras e grama cobrindo o desenho. Finalmente os irmãos chegaram à porta, que ficava no que deveria ser o segundo andar de uma das partes do enorme castelo. Subiram a escadaria e pararam diante da entrada. Atrás desta porta, haviam grandes muralhas que não estavam tão destruídas como as outras, porém, ainda assim eram muitas. O castelo parecia não ter fim, era gigantesco. — Está em péssimo estado. Toda suja, gosmenta.
- Vamos ter que entrar mais cedo ou mais tarde. – afirmou Lucas, recuando alguns centímetros para trás, chutando a porta com toda a força que havia acumulado. A porta estatelou no chão e as crianças adentraram o escuro local.
- É muito escuro aqui, Lucas. A gente precisa de algo pra enxergar, né? – perguntava Bia, amedrontada com o que poderia surgir naquela escuridão.
- Ali, há uma tocha! Vamos pegá-la. – Lucas caminhou lentamente, pisoteando aos poucos nos lugares, para se certificar de que haveria chão no caminho até a tocha. Apanhou o objeto, iluminando o caminho para que Bia se aproximasse. O local, visível apenas pela iluminação da tocha, não parecia um castelo por dentro, mas uma caverna gigantesca.
Seguiram reto, até chegarem a um local com inúmeras tochas, que estava mais iluminado. Bia apanhou uma destas e seguiram o caminho.
- Esse lugar me assusta cada vez mais.
Mais corredores escuros se aproximavam, porém, eram mais estreitos do que os outros. Em algumas vezes, os irmãos tiveram que se apertar para conseguirem caminhar por eles. As cavernas, ou pelo menos o que aparentavam serem cavernas, eram úmidas e fétidas.
Bia, acidentalmente, deixou cair a grande tocha. Em segundos, grandes chamas envolviam aos poucos a caverna, enquanto as crianças corriam, desesperadas. Corriam tão rápido que o fogo não os alcançou, porém, o corredor iluminado estava chegando ao fim. À frente das crianças, tudo estava escuro novamente.
- Corre, Bia. Não podemos ficar com medo do escuro. Pior será se virarmos churrasco.
Chegando novamente à escuridão, as duas crianças berraram, pois não havia chão. Caíram em um local mais escuro do que o anterior. Iluminado pela tocha que Lucas segurava, haviam caído em um grande corredor que aparentava não ter fim.
- E eu achando que escuridão pior do que aquela não existia. – reclamava Bia, se levantando rapidamente.
Caminharam reto e descobriram que o local se tratava de um grande labirinto, abaixo da terra e das ruínas do castelo.
- Um labirinto no subsolo. Isso tá ficando cada vez mais... emocionante?! – Bia, que sempre se encantou por aventuras, ao vivenciar uma, não sabia se deveria se sentir amedrontada ou arrepiada com a reviravolta que ocorrera na sua vida. As paredes do labirinto possuíam vários desenhos semelhantes aos das estátuas.
Seguiram por vários corredores, direita, esquerda, esquerda, direita, que até perderam a localização de onde se situavam. Depois de tanta caminhada sem resultar em absolutamente nada, resolveram descansar por um tempo. Os dois se encostaram em uma parede e sentaram-se, exaustos.
- A gente se entusiasmou tanto com essa gruta que a gente não imaginava como que iria sair daqui. Bia, estamos fritos.
- Fica calmo, maninho. Chegou minha vez de ser corajosa. Falando nisso, aquilo ali não é uma mulher? – perguntava curiosa, apontando os dedos em direção reta a uma parede distante de onde encostavam. Caminharam até o suposto corpo e Bia soltou um berro. – Ela está... morta?!
Havia uma mulher de olhos arregalados que jazia caída no chão, provavelmente morta. Utilizava um vestido de época de coloração escarlate, com detalhes dourados. Parecia uma princesa. A seu lado, havia um pequeno sino e na parede se situavam algumas palavras, que não foram inicialmente notadas pelas crianças.
- Ela deve ter morrido há pouco tempo, pois o corpo está conservado. – concluiu Lucas, antes de fitar a mulher atentamente. – Aquilo é um livro? – apontou para o objeto.
Sua irmão o apanhou, abrindo-o. Os dois sentaram-se no chão e folhearam as páginas.
- Parece uma espécie de tradutor de códigos. E olhe, há um código na parede! — afirmava Lucas, retirando do bolso o pergaminho cujos códigos das estátuas haviam sido anotados. Fitou atentamente os códigos na parede e descobriu que se tratavam do mesmo código. As duas frases formavam um grande código relacionado a aquela mulher. – Bia, olha! São as mesmas palavras.
Juntos, os irmãos descobriram a tradução para as duas frases, que na verdade uma era continuação da outra.
“A princesa deve ser libertada para que as verdades sejam reveladas”
- Libertada? Então ela está presa? – perguntava Lucas para si mesmo, confuso.
- Deve ser um encanto! Isso explica o fato de haver um sino pendurado ali e a gente não dar muita importância a ele. – concluiu a irmã, se ajoelhando ao lado do corpo da mulher, passando levemente a mão sobre sua testa. – está um pouco fria. Deve haver tempo que está sob esse estado.
- Magnífico, Bia. Essa é a minha irmã! – elogiou o menino, se ajoelhando ao lado da irmã, pondo a mão direita sobre seu ombro. – Então devemos puxar o sino?
Bia engoliu seco e assentiu. Os dois seguraram com cautela o sino. Enquanto Lucas segurava o sino, Bia puxava. Um baque ensurdecedor ecoou pelo grande labirinto. As crianças tamparam os ouvidos, pois o ruído causado pela puxada do sino era muito alto.
Em alguns segundos, o som parou. Ao abrirem os olhos e os gêmeos destamparem os ouvidos, arregalaram os olhos e ficaram boquiabertos, pois a mulher havia despertado. Era belíssima com seus olhos castanhos e um longo cabelo da mesma coloração. Lucas quebrou o silêncio.
- Olá, quem é a... senhorita?
- Olá. Meu nome é Íris. E a partir de agora serei a guia de vocês.
Ilustrações do Capítulo!
Notas finais
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UHUSHASHUASAH'
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