A Ilha de Lemúria (reescrita)
4 Parte 4
Notas iniciais
Bia engoliu seco e assentiu. Os dois seguraram com cautela o sino. Enquanto Lucas segurava o sino, Bia puxava. Um baque ensurdecedor ecoou pelo grande labirinto. As crianças tamparam os ouvidos, pois o ruído causado pela puxada do sino era muito alto.
Em alguns segundos, o som parou. Ao abrirem os olhos e os gêmeos destamparem os ouvidos, arregalaram os olhos e ficaram boquiabertos, pois a mulher havia despertado. Era belíssima com seus olhos castanhos e um longo cabelo da mesma coloração. Lucas quebrou o silêncio.
– Olá, quem é a... senhorita?
– Olá. Meu nome é Íris. E a partir de agora serei a guia de vocês.
- Mas, o que tudo aquilo significava? Você inconsciente, os grandes sinos, os códigos estampados na parede, as palavras?
- Bom, temos muito a conversar. Por favor, sentem-se. – após ditas as palavras da princesa, os três sentaram-se em perna de chinês.
- Há muitos anos atrás um feiticeiro jogou uma maldição em um reino mágico. O reino mágico de Lemúria. Ele jogou a maldição em mim, a princesa que iria se tornar rainha.
- Para começar, o que é essa tal de Lemúria onde nós estamos? – perguntava Lucas, passando levemente a mão pelos cabelos castanhos e mal cuidados.
- Acho que já devem saber, não? Lemúria, que é onde estamos, é um grande continente que se situa entre os oceanos pacífico e índico.
- Mas isso é apenas uma ilha! – protestava Bia, incrédula com o que escutava daquela mulher. Os dois irmãos começavam a pensar que estavam lidando com uma louca.
- Estou começando a entender... Séculos devem ter se passado. As catástrofes devem ter alterado o mundo por completo, reduzindo Lemúria à somente uma pequena ilha. Pelo que parece aqui não há sinal de vida. Aonde estamos, para ser mais preciso?
- A gente entrou em uma porta em um grande castelo, atravessamos por uma gruta e aqui estamos, em um grande labirinto.
- Oh, céus! O Labirinto das Masmorras do Castelo de Lemúria! Estou começando a me recordar de tudo! Agora vamos sair daqui, pois acho que ainda conheço o caminho de volta.
Íris seguiu reto pelo longo e estreito corredor. Os irmãos ainda não haviam passado por lá, pois o local era bem diferente, mais arruinado e destruído pelas catástrofes. Aos poucos, novamente tudo se escurecia. Em pouco tempo o local estava escuro como breu.
- Como eu já disse antes, isso pode ter mudado. Tomem cuidado e andem devagar, pois podem haver armadilhas aqui para atrair os inimigos. – os gêmeos, sem protestar com nenhuma palavra, a seguiram, um pouco amedrontados com o que poderia estar naquela parte escura do grande corredor do labirinto das masmorras do castelo.
Viraram a direita, chegando à outro corredor. Os três suspiraram, aliviados, pois, mais à frente daquele mesmo corredor, haviam lâmpadas e velas iluminando o local, assim facilitando o campo de visão. No final do corredor havia uma porta, que provavelmente daria passagem a outros corredores do enorme labirinto, que parecia não ter fim e saída. Correram até essa porta e Íris a empurrou fortemente, pois era extremamente grande e pesada, sendo necessária muita força para ser aberta.
Após atravessarem a porta, chegaram a um local um tanto parecido com o labirinto, porém, um pouco mais largo e com uma grande ponte que ligava à outra parte. Sob essa ponte, havia um enorme e escuro abismo.
- Um lugar mais fundo do que esse? Impossível!
Após chegarem à outra margem que era dividida pelo abismo e ligada pela ponte, repararam que havia um grande alçapão de madeira. Íris foi a primeira a se abaixar, logo depois os dois, no mesmo instante, também se abaixaram.
- Daqui em diante vai ser preciso coragem. Agora eu já sei onde estamos! Sem perguntas agora, por favor. Nós vamos pular, pois sei que lá embaixo a queda não vai nos ferir, pois esse alçapão foi feito exatamente para isso. É preciso coragem. Lucas, vai você primeiro, para que Bia também tenha coragem para enfrentar esse alçapão.
- Certo. – respondeu Lucas, se posicionando em frente ao alçapão. Prendeu a respiração e saltou. Logo em seguida, berrou. – BIA, É SEGURO. PODE VIR! – Por estar situado em um local muito fundo, sua voz era extremamente baixa, mas o suficiente para que Bia e Íris a escutassem, aliviadas. Bia logo em seguida saltou. Por último, foi a vez de Íris.
Os três agora jaziam caídos em algo que era bem semelhante à uma cama-elástica no mundo moderno de Lucas e Bia. Íris se levantou ao olhar à sua volta e se surpreender com a enorme quantidade de olhos e cabeças que, curiosamente, fitavam as três figuras que acabaram de cair no grande objeto.
- O-O que é essa gente? O que eles fazem aqui? – perguntava Lucas, confuso. – A Ilha não era desabitada?
— Confesso que eu também não sei responder a sua pergunta. Eu queria saber o que existia depois das masmorras mais fundas e a gente se depara com eles! Vamos falar com uma dessas pessoas. – afirmava Íris, se levantando da cama elástica medieval, se dirigindo à grande população que os fitava. – O que vocês fazem aqui?
- Nós moramos aqui, essa é a nossa casa. Nós nascemos aqui, crescemos aqui, e aqui vivemos! Esse é o nosso mundo, o mundo de Lemúria! – respondia um homem, que deveria possuir cerca de cinquenta anos. Suas roupas negras estavam amarrotadas e seu cabelo crespo parecia que não era lavado há dias. Também possuía uma barba mal feita e suas roupas eram rasgadas.
- Compreendo. Lucas, Bia, preciso falar com vocês.
E explicou às crianças que aquele era um local onde muitos acabaram caindo, há séculos atrás. Sendo assim, acabaram habitando por ali mesmo, construindo casas, lojas e se reproduzindo, aumentando cada vez mais a população. Aquelas pessoas, que se encontravam no mundo de baixo, jamais haviam visto sol em toda a sua vida, pois nasceram e cresceram em um mundo escuro, com apenas a iluminação de velas.
- Íris, conta pra gente toda a história daqui. Queremos saber a verdadeira história de Lemúria!
A princesa, sem ter escolha, acabou contando tudo de uma vez.
- Lemúria era um grande e belo reino, governado por meu pai e minha mãe, os únicos que foram realmente reis e rainhas daqui. Era um local de paz, um grande continente governado apenas por eles dois. Eu era a grande princesa Íris, a futura rainha que se casaria com um jovem duque, que agora já deve estar morto, e iria governar o território que era meu por direito, porém, meu tio, irmão de George, que era meu pai, o invejoso Antony. Antony se tornou um grande feiticeiro das trevas, se rebeliando contra o reino de Lemúria, local que sempre quis governar, mas o povo escolheu meu pai, por ser o mais capacitado para o cargo. Meu tio também era apaixonado por Carlotta, minha mamãe. Antony conseguiu reunir um exército de guerreiros que não gostavam nem um pouco de meu pai, mas não sei o motivo até hoje. Meu tio, durante uma madrugada, invadiu o castelo principal, que é onde nós estamos agora, nesse momento, e junto com sua tropa, lutaram contra o povo do bem. Matou meus pais e, na batalha contra mim, me amaldiçoou.
- Que horror!
- Prosseguindo: Sobre Lemúria agora ser uma ilha, acho que sei a resposta. O grande continente foi se desintegrando aos poucos, devido à grandes catástrofes no mundo, dividindo-se completamente, restando apenas uma parte de tudo, onde o castelo principal se situava, uma ilha! Esse pessoal aqui deve ter caído pelo alçapão.
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