A Ilha de Lemúria (reescrita)
2 Parte 2
Notas iniciais
Retornando para a grande floresta, caminharam em direção ao leste da ilha, onde foi encontrado um pomar com todos os tipos de frutas. Interromperam a trajetória durante alguns minutos para saborear as belezas frutíferas daquele local.
– Mas que frutas saborosas! Nunca, em nenhum lugar, experimentei algo tão delicioso em toda a minha vida. – exclamava Lucas, encantado com o sabor dos frutos de Lemúria.
Havia sido encontrada outra saída, que ligava à praia leste de Lemúria, onde se situava uma cabana menor do que a outra que haviam encontrado. Essa cabana, diferentemente da anterior, apesar de ser menor, em seu interior havia duas redes, que estavam mais conservadas do que as camas.
– É ótima para um descanso. Vamos ficar por aqui hoje, não é? – implorava Bia, exausta, depois de tanta caminhada durante aquele dia. Lucas assentiu, se dirigindo a uma das redes, sobrepôs-se na mesma, cochilando rapidamente. A irmã fez o mesmo.
As crianças estavam tão exaustas que dormiram durante a noite toda. Despertaram somente no fim da madrugada.
– Nossa! Dormimos muito. Nem tava escuro ainda. Deve estar de madrugada agora.
Retiraram-se da cabana e correram em direção a um riacho que corria próximo dali, pois estavam com muita sede. Não bebiam água há inúmeras horas. Chegando à margem, formaram uma concha com as mãos, enchendo-as de água. Fizeram isso várias vezes, até saciar a sede por completo.
– Nossa, que água deliciosa! Tô me surpreendendo cada vez mais com essa ilha, Bia. – exclamava Lucas, empolgado com o que ainda havia de ocorrer na misteriosa terra.
Era uma água completamente diferente da água que costumavam tomar diariamente, pois além de saciar a sede, também saciava a fome durante um bom tempo, talvez até metade de um dia.
Iniciaram a longa trajetória do dia, percorrendo as matas que pareciam não ter fim. Percorreram inúmeras trilhas, escalaram um pequeno desfiladeiro, chegando a mais uma clareira, maior do que a outra, muito maior!
– Impossível não existir pelo menos um ser nessa terra! Nem animais. – protestava Bia, que até agora não acreditava que a terra de Lemúria fosse completamente desabitada como parecera.
Percorreram a gigante clareira e adentraram mais uma floresta, que possuía várias árvores de diferentes cores, belíssimas.
– Que lindo lugar! — De mãos dadas com Lucas, Bia se empolgava cada vez mais com a grande ilha. Fechou os olhos e sentiu o vento, que fazia com que seus cabelos voassem sem parar. Caminhando de olhos fechados, a menina tropeçou em algo que era grosso como uma pedra, porém maior, caindo de bruços no chão, soltando um berro.
– Bia, o que houve? Você não viu a... pedra?
– Eu estava de olhos fecha... – a menina ia se explicando, porém, ao observar ao seu redor, sua expressão havia modificado para espanto, pois em volta das crianças havia muros, muros de uma antiga e gigantesca construção.
– Ruínas...
– Devem pertencer a uma civilização antiga. Eu tava lendo um livro sobre isso faz um tempo. Isso não é um lugar comum. Primeiro vieram os códigos. Agora isso. Essa ilha tá ficando cada vez mais estranha. Não pode ser apenas coincidência. Vamos seguir na direção desses muros!
Correndo, seguindo os muros, as crianças chegaram a uma muralha maior do que a que separava o belíssimo jardim do resto da floresta, que estava mais conservada que as outras ruínas, em comparação aos muros destruídos, porém, ainda assim estava em ruínas. Haviam várias entradas para o interior do local circular. Os gêmeos não pensaram duas vezes. Adentraram o local.
Era extremamente escuro e decorado com paralelepípedos, iluminado somente por inúmeras tochas que circundavam o local. Uma estátua idêntica a do jardim se situava no centro, porém, possuía o dobro do tamanho da anterior. Havia um grande desenho no chão, em volta da grande estátua. Um pequeno círculo, que se situava entre um triângulo, que por sua vez se situava dentro de mais um círculo.
– Nossa, que horror. Me fez lembrar daqueles filmes de magia negra. – rosnou Bia, fitando a estátua. Pensou ter visto algo situado próximo à estátua, um paralelepípedo mais alto do que os outros e pisoteou este. Um grande ruído causado pela ação de Bia assustou os gêmeos e toda a sala circular estremeceu. A estátua, devido a isso, estava descendo como um elevador, até desaparecer por completo, causando um buraco no local onde estava. Após esta descer por completo, o paralelepípedo correu na direção do buraco, se encaixando neste.
– Eu, hein. Lucas, vamos dar o fora daqui. – resmungou Bia, levantando-se.
– Bia, olhe! São mais códigos. – Lucas apontava para o tal paralelepípedo. Algo em branco estava sendo escrito neste. Era mais um dos misteriosos códigos, que foi anotado rapidamente por Lucas. A menina o ignorou, pois algo havia chamado sua atenção.
– Ei, Lucas. É impressão minha ou essas linhas não eram brancas? – perguntava Bia, apontando para o grande desenho que se situava em volta de onde estava a estátua, cuja coloração das linhas brancas naquele momento se tornou verdes.
– É mesmo! Isso aqui então nunca havia sido descoberto? Um encanto!
Nisso, o local tremeu novamente, porém, mais forte e intensamente. As tochas caíram no chão. O fogo de uma destas encostou-se às linhas verdes, incendiando completamente o local.
– LUCAS, VAMOS! – a menina puxou o braço do irmão e, desesperados, os dois conseguiram atravessar a muralha, antes que as chamas houvessem sequer chamuscado suas roupas.
Chegaram ofegantes ao lado de fora, sentando-se no gramado, fitando o céu. O sol nascia aos poucos no horizonte, deixando alguns raios de luz escaparem por entre as colinas e montanhas. Quando se tranquilizaram, prosseguiram com a exploração, que estava sendo cada vez mais emocionantes para as crianças.
– Como eu queria que a mamãe e o papai estivessem aqui conosco nesse momento! – exclamava Bia, deixando algumas lágrimas escorrerem de seus olhos. O irmão a abraçou e continuaram caminhando. Atravessando matas e mais matas, se depararam com mais muros, porém, maiores do que os que guiaram as crianças para a grande sala circular.
– Parece um... UM CASTELO! – bradava Bia, espantada.
– Bia, não parece um castelo... É um castelo!
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