Os meses passaram. Os amigos combinaram de dizer a verdade para suas famílias. Bem, parte dela. Disseram que iriam para a ilha para ficar na cidadezinha onde era permitido qualquer pessoa ficar. Afinal estavam sob estresse do último ano escolar e queriam um lugar para relaxar. E nada melhor do que ficar em uma ilha paradisíaca junto a seus colegas. As quatro famílias engoliram a história. Os pais de Jonas, Mariana e Heitor Albuquerque eram um casal de meia-idade donos de uma loja de informática. Eram incrivelmente bem-sucedidos, tendo lojas espalhadas por todo o território nacional. Mariana era uma senhora simpática e seus traços indicavam que fora muito bela quando jovem. Até hoje Kaio brincava que gostaria de ser o pai de Jonas, brincadeira que Jonas aprendera a aguentar. Heitor tinha um corpo atlético e desde sempre incentivara o filho a cuidar da casca da alma. Pagava curso de natação, academia, mensalidade de clube de lazer, tênis e qualquer outro esporte que Jonas requisitasse. Heitor e sua mulher levantaram uma quantia substancialmente grande para o filho e até mesmo para os amigos. Eram incrivelmente ricos e conheciam os garotos desde pequenos. Pagaram a embarcação para levá-los à ilha. Era um casal cheio da grana e de bom coração.
Mas ainda havia um probleminha técnico. Não tinham alguém que soubesse falar o idioma dos Kushyaki. Era muito difícil encontrar alguém que fosse capaz de tal feito, dado que os Kushyaki eram raramente contatados por qualquer um que não fosse da tribo. Jonas ficara encarregado de arranjar alguém. Era o que mais tinha contatos no grupo e os quatro amigos acharam que ele seria capaz de arranjar mais facilmente a pessoa que precisavam. Mas já estávamos em meados de Junho faltando apenas uma dúzia de dias para a viagem e Jonas não conseguira ninguém. Não até aquele momento.
Jonas estava no instituto de letras da universidade quando finalmente encontrou a pessoa que poderia ser a que estava procurando.
–- Você sabe falar a língua dos Kushyaki?! –Exclamara ele em tom de surpresa.
–- Sim, dissera Tereza Thiboteau. Na verdade, acho que eu e a Luciana somos as únicas dessa universidade inteira capazes de entender essa linguagem tão difícil.
Não é de se espantar a surpresa de Jonas. Tereza Thiboteau havia estudado no mesmo colégio que ele e seus amigos. Já se conheciam de longas datas. Tereza era uma garota linda. Era a mais linda na época do colégio. Seus cabelos eram loiros e seus olhos castanhos. Seu sorriso era encantador e seus lábios nem finos nem grossos mas simplesmente perfeitos. Seus dentes eram belos e o canino era levemente sobreposto ao outro de leite que nunca havia caído mas era mais visto como um toque de charme como de uma falha. Mais do que isso, ela era meiga, gentil e educada. Sempre fora inteligente e adorava fazer o bem para todos. Também era justiceira. Certa vez quis denunciar seus amigos por colarem na prova mas a ideia acabou saindo da cabeça. Tereza era descendente de alemães e franceses mas havia nascido no Brasil. Todos os quatro amigos em algum momento se apaixonaram por ela mas era Alexis, o estudante de história, que nunca a havia esquecido. Tereza estivera a mais de 8 anos impregnada em seu coração. Luciana era sua amiga, haviam se conhecido na universidade. Moça alta, magérrima e extremamente inteligente. Fora ela que incentivara Tereza a estudar os Kushyaki dizendo que era um povo que guardava grandes mistérios. Além de estudarem sua linguagem, sabiam mais que qualquer um sobre sua cultura. Não que isso dissesse muito, afinal praticamente ninguém conhecia a cultura dessa tribo.
Depois de explicar toda a situação para Tereza e Luciana, Jonas pôde ver a empolgação nos olhos delas. Obviamente toparam. Ambas eram bastante independentes de seus pais, que moravam em outro estado e por isso disseram um sonoro “sim!” prontamente. O grupo estava completo. Dois historiadores, um físico, um estudante de geologia e duas estudantes de letras. Esses seriam os desbravadores da ilha Rajoma. Neste momento, Jonas ligou para seu amigo Alexis, que estava na biblioteca e havia deixado o telefone tocar em alto e bom som.
–- Alô – Dissera Alexis.
–-Alexis, é o Jonas, você não vai acreditar, acho que conseguimos! E você nem imagina quem é!
Após Alexis percorrer cerca de seiscentos metros para chegar ao instituto de geologia, o primeiro rosto com que se deparou foi o de Tereza.
–-Tereza! – exclamara ele.
–-O que você faz aqui? Jonas, onde está a pessoa que vai nos acompanhar naquele... naquele trabalho que iremos fazer?
–- Você está olhando para ela – Dissera Tereza – Eu e minha amiga Luciana seremos a tradutora de seu grupo. Será uma grande aventura para nós e também há tempo eu gostaria de compreender o máximo que pudesse dos Kushyaki. Há pouca coisa nos livros e sempre acreditei que este povo tem muito a compartilhar, Alexis.
–-Você sabe falar o idioma dos Kushyaki?! – Alexis estava ofegante e surpreso.
–- E eu também – interviu Luciana.
Alexis chamou Jonas em particular. Perguntou se não era loucura envolver duas moças, que certamente precisariam de proteção e necessitariam de certos cuidados femininos que eles não poderiam oferecer – Provavelmente não vão querer urinar na mata, argumentara Alexis, e, além disso, não vamos poder dar conforto para elas.
–-Não precisamos de seus cuidados moço – Dissera Luciana – Somos bem grandinhas e sabemos nos virar. E, além disso, você tem coisas mais importantes a pensar do que o local onde vamos urinar.
Jonas achou melhor intervir antes de uma possível confusão.
–-Alexis, não temos tempo de arranjar mais ninguém e acredito que essas duas meninas são espetacularmente inteligentes. Por favor, não arrume problemas em cima da hora. Finalmente estamos prontos para ir.
Depois de um tempo refletindo, Alexis finalmente respondera:
–-Tudo Bem, mas vocês garotas devem cuidar de vocês mesmas. Jonas, deixe que ligo para avisar Kaio e Ronaldo que o time está completo. Em doze dia partiremos não?! É melhor eu ir para casa aprontar minhas malas.
E assim Jonas saiu do instituto de geologia e foi para sua casa, no outro lado da universidade. Tereza percebeu que ele praticamente não olhara para ela. Mas ela sabia o por quê. E achava que assim era melhor.
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