O dia da viagem finalmente chegara. Estavam os quatro jovens no porto da cidade, se despedindo de suas famílias. Os pais de Jonas estavam contentes imaginando que o filho iria se divertir muito nas férias. Já a mãe de Kaio – seu pai havia falecido há sete anos – apenas o deixou no porto. Estava muito ocupada com seus afazeres. Ronaldo se despedia de seus pais, Renata e Fábio Pamplonha. Ambos pediam para que o filho tivesse cuidado na viagem. Os pais de Alexis estavam preocupados com o filho e pediam que telefonasse assim que possível. Mandasse e-mails também. Mas Alexis alertara-os que não havia internet na ilha, portanto só iriam se comunicar através de telefonemas. Nos grandes filmes jovens de vinte e poucos anos não se despedem dos pais, eles apenas embarcam para onde querem. Mas a realidade é que ainda eram dependentes de seus familiares e bem, que mal havia em se despedir de seus pais? Luciana e Tereza embarcaram pelo outro lado da plataforma. Não havia o porquê de se apresentarem às famílias dos amigos. Afinal algumas eram conservadoras e poderiam criar alguma encrenca pensando que os filhos iriam passar uma semana se esbaldando em álcool e orgias quando vissem as mulheres. Sim, iriam passar uma semana na ilha tentando descobrir tudo o que pudessem. O barco já estava prestes a partir. Era um barco claramente velho, sua pintura estava desbotada e o casco parecia totalmente enferrujado. No barco, havia cerca de vinte pessoas, sem contar nossos seis desbravadores. Os jovens embarcaram e partiram rumo à ilha. O barco fez o clássico “bump bump” com sua buzina e entrou em movimento. O dia estava ensolarado e o mar calmo. Tudo perfeito para uma bela viagem.

Após duas horas de viagem todos os jovens, menos Kaio, que estava deitado lendo um livro sobre vampiros, estavam na proa tomando sol e conversando. Aproveitaram para fazer algumas perguntas aos que estavam próximos. Poderiam descobrir algo interessante ainda no pequeno navio. Já imaginou a sorte?

Ronaldo resmungava coisas como “vou me arrepender” e “não nasci para ser preso”. Jonas, o mais desinibido do grupo, conversava com Luciana. Tereza era a mais bela mas ele não ousaria tentar algo com ela sabendo que Alexis nunca a havia esquecido. Não, eram amigos demais. E se existia um lema no grupo, este era “Namorada de amigo meu para mim é homem!” Tereza não era nada para Alexis, muito menos namorada mas todos sabiam que ele era louco por ela então entraram em consenso que nunca tentariam nada com ela. Alexis evitava olhar para Tereza e preferiu tentar falar com algum viajante desconhecido no barco. Tereza, não tendo com quem falar resolveu ir se deitar.

Alexis estava conversando com um senhor de meia idade no barco. Seu nome, ele lhe dissera, era Manoel Almeida. Um homem de cabelos grisalhos, uma barriga não tão grande mas visivelmente maior do que recomendaria qualquer nutricionista. Havia um sinal em seu rosto no meio da testa que era impossível de não se notar. Alexis reparou mas seu objetivo não era analisar esteticamente a pessoa com quem começara a conversar.

–- Então, senhor Manoel... O senhor é morador da cidadezinha na ilha de Rajoma? Como se chama a cidade? – perguntara já sabendo a resposta

–- Chama-se Baía do Mar meu filho, mas todos a conhecem mesmo é pelo apelido de ilhazinha.

–- Por que? O senhor sabe?

–-Por que moramos em uma ilha dentro de outra meu filho. De um lado temos o mar. E do outro temos grades que não nos permitem passar pois lá é o território dos Kushyaki.

Kushyaki. O ponto onde Alexis queria chegar. Agora a vítima estava pronta para ser bombardeada de perguntas.

–- O que o senhor sabe sobre eles, seu Manoel?

–-Meu filho, não sei muito não. Raramente vemos eles. É muito difícil algum deles se aproximar da Ilhazinha. Nós nunca falamos com eles. Na verdade temos até medo porque não conhecemos os costumes deles. Eu lhe recomendo a nem chegar perto daquela tribo meu filho – Disse isso soltando um olhar como se dissesse “por favor não vá invadir o território deles”

–- Não meu senhor, não se preocupe, vamos à sua cidade somente para tomar um banho nas suas belas praias – Disse Alexis mentindo descaradamente.

Em pouco mais de uma hora os jovens chegaram à ilha. Para alguns turistas que estavam no barco aquela seria uma bela viagem, onde tomariam banho nas magníficas praias da cidade de Ilhazinha. Para os nossos jovens, seria uma temporada de terror. Mas deixemos que eles se maravilhem com a beleza natural da Ilha de Radoma.

Era realmente uma bela Ilha. Árvores com mais de vinte metros de altura. Praias belíssimas. Além do vento maravilhoso que a atingia de todos os lados. Os jovens chegaram cerca de dezoito horas à Ilha, bem na hora do pôr do sol. Era maravilhoso. Foram se hospedar no único hotel da cidadezinha que tinha pouco mais que duas centenas de habitantes. Tiveram de fazer reservas cinco meses antes. Apesar de acidade ser pequena, ela recebia alguns turistas na época de férias e feriados. No momento havia cerca de três dezenas deles na cidade. Ilhazinha contava com poucas coisas: Um pequeno hospital, um mercado central, uma praça, uma igreja cuja religião os garotos não conseguiram identificar quando a viram e muitos bares. Basicamente Ilhazinha era isso. Contava também com uma única farmácia e cerca de dez ruas. Era uma cidade ridiculamente pequena. Seus habitantes não eram de muita conversa; seu Manoel fora uma exceção. Os jovens estavam cansados e foram para o hotel. Na recepção Jonas tomou a frente:

–Boa noite senhora, fizemos reservas para três quartos duplos. Está em nome de Jonas Albuquerque.

–Sim senhor, está tudo certo. Aqui estão as chaves. Os quartos se localizam no fim do corredor, não há o que errar. Meu nome é Karen Batista. Podem me chamar caso necessitem de qualquer coisa. E, senhor Jonas, por favor, peço-lhe que assine essa papelada.

Karen era uma mulher simpática e devia ter seus trinta e poucos anos. Seu cabelo era ruivo e ela tinha um belo corpo. No pescoço tinha uma leve cicatriz em forma de “x”. Nada que pudesse ser notado sem um olhar atento. Mas Kaio era um rapaz muito atento. Ronaldo também. Ambos perceberam mas nem ligaram para isso. Estavam cansados demais e foram direto para o quarto.

A divisão dos quartos seria clara. As duas mocinhas em um. Jonas e Alexis em outro. Kaio e Ronaldo no terceiro. Não falaram entre si mas estava claro. Jonas tinha mais afinidade com Alexis e Ronaldo com Kaio. E as moças obviamente ficariam juntas. Assim deveria ser. Na hora de dividir os quartos Ronaldo e Kaio entraram no primeiro quarto que avistaram. Era o quarto número 1. Ambos estavam cansadíssimos. Jonas entrou no quarto número 2 e Alexis estava se dirigindo para ele. Mas antes que pudessem entrar Luciana passou a sua frente e entrou. Antes de fechar a porta disse:

–Desculpe bonitão mas esse quarto é meu.

Alexis teria de dividir o quarto com Tereza. Isso poderia ser bom. Mas não certamente não era bom, Alexis sabia que teria que uma conversa Tereza seria inevitável.

Dentro do quarto número dois Luciana falou em tom sério:

–- Escuta aqui Jonas. Fiz o que você pediu mas nem tente nada comigo. Estou ajudando esse seu amigo porque está na cara que ele precisa resolver algum assunto com a Tereza mas tenta algo e eu mudo de quarto no mesmo momento.

Jonas fez um “sim senhora” com a cabeça. Era verdade, no barco enquanto conversava com Luciana ele havia dito a ela que Alexis era completamente louco por Tereza mas havia três anos que não se falavam. Pediu que ela o ajudasse a resolver essa situação ficando no quarto com ele, Jonas, obrigando Alexis a dividir quarto com Tereza.

Alexis não viu outra opção. Sua única opção era dividir quarto com Tereza. Entraram. Alexis acendeu a luz e viu duas camas de solteiro bem próximas uma da outra, separadas apenas por um estreito e pequeno criado mudo. Tereza se jogou na cama à direita do criado mudo. Alexis calmamente se deitou na da esquerda. Um clima de silêncio pairou no quarto. Estavam apenas deitados e o único barulho era de um grilo que estava do lado de fora do hotel. Deixemos os dois jovens descansarem um pouco enquanto vamos para o quarto número 1, de Kaio e Ronaldo. Apesar de muito cansados ainda houve tempo para uma discussão rápida. Começou com Ronaldo perguntando:

– Cara, nunca te perguntei, como tu sabias tanto sobre esse povo se nem mesmo a maioria da galera daqui sabe praticamente nada sobre eles?

–Bem tu sabes como sou louco por qualquer coisa que tenha mistério e misticismo né... – falou Kaio em tom brincalhão – Acontece que eu falei com um homem pela internet que disse ter feito o mesmo que nós iremos fazer. Disse ter passado três dias observando os Kushyaki e juntou algumas informações sobre eles. Nós fazemos parte do mesmo grupo no face. Aí ele me disse algumas coisas. Disse que eles são bem quietos, não se afastam muito da tribo e que quanto mais perto do centro da tribo mais o solo brilha. Ele nunca teve chance de chegar perto, ficava apenas se esgueirando pelas arvores.

–Pelo menos alguém que ficou perto dos Kushyaki saiu desse ilha vivo né? – Ronaldo deu um sorriso.

– É verdade disse Kaio rindo também. Acho melhor não dizer que o homem acabou tendo um braço amputado após sair da ilha, pensara Kaio.

O homem com quem Kaio conversara era Rodrigo Boulhosa, arqueólogo desconhecido em seu país. Ele fora um dos poucos que se arriscou a conhecer os Kushyaki mais de perto. Fornecia algumas informações para pessoas curiosas na internet. Certa vez escapou-lhe da boca – ou melhor, dos dedos – para Kaio, seu amigo virtual, que saíra da ilha com um braço muito infeccionado e teve de amputar após alguns dias. “Obra de ferroada de abelhas” dissera ele. Como sou alérgico e o hospital era muito mal equipado, sofri as consequências. Mas Ronaldo não precisava saber disso. Se soubesse iria querer voltar mais rápido que o papa-léguas para o continente. Depois de uma longa conversa Ronaldo e Kaio caíram no sono. No quarto ao lado, Luciana e Jonas dormiam também. Mas não em camas diferentes. Estavam juntinhos na cama de Jonas. Acontece que, apesar de todos os avisos de Luciana eles acabaram dormindo com os corpos entrelaçados um ao outro. Cerca de quarenta minutos antes, Jonas estava sentado em sua cama ajeitando algumas coisas em sua mala. A cama dava de frente para o banheiro do quarto, que estava com a trava em estado deplorável. Luciana tomava banho. No momento em que saiu do box do chuveiro ela começou a enxugar seu corpo. No movimento de enxugar a barriga acabou por bater na tranca da porta e esta imediatamente abriu. Jonas viu o lindo par de seios de Luciana à mostra. Eram consideravelmente grandes para uma jovem com vinte e três anos. A água ainda escorria entre eles. Luciana ainda levou um momento para perceber o que ocorria e só então cobriu os seios com a toalha. Jonas, desinibido disse:

–-Você me pede para não tentar nada mas mostra os seus seios para mim.

Luciana riu. Mas não muito. Estava envergonhada. Vestiu rapidamente suas roupas. E em seguida se jogou em sua cama, que acabou por quebrar. Jonas riu muito.

– O destino quer que fiquemos juntos Luciana, só pode – brincara ele.

A cama era de solteiro mas havia espaço para Luciana. Estavam todos cansados. Era tarde da noite e não queria ter de requisitar outro quarto ou outra cama para a recepcionista. Deitou-se na cama de Jonas, alertando-o:

–Nem tente nada, só vamos dormir juntos, nada além disso!

Não soou como ela esperava e Jonas riu mais ainda. Um pouco mais de cinco minutos depois eles já estavam em uma cama na cama de Jonas. Ele gostava do cheiro de Luciana. Dormiram juntos, no mesmo local, mas nada além disso, como quisera Luciana. Jonas aproveitava aquele momento de felicidade na ilha de Rajoma. Não haveria muitos como aquele.

No terceiro quarto estavam Tereza e Alexis. Era muito estranho os dois juntos. Alexis era o tipo de cara romântico. Raramente ia para festas. E na maioria do tempo pensava como seria o futuro, como estava sua família. Mas principalmente vivia pensando em Tereza. E agora ela estava lá ao seu lado. Não havia nem um metro entre eles. E ele não sabia o que dizer. Finalmente pensou “Isso é ridículo, não tenho medo dela” e disse:

–- E ai Tereza, como vai sua vida? – perguntara ele com um tom um tanto quanto medroso.

–Vou bem... E você?

–- Bem também.

E então ficaram em silêncio por algum tempo. Alexis murmurou baixinho mas Tereza conseguiu ouvir:

–-Estaria melhor se você tivesse dito algo naquele dia.

Aqui parece ser o momento certo para contar a história de Tereza e Alexis. Não tomará mais que algumas linhas mas é importante conhecer o que se passa na cabeça de nossos desbravadores.

Tereza e Alexis se conheceram há oito anos. Ambos tinham catorze anos. Ele estudara a vida toda em um dos melhores colégios de sua cidade. Era um garoto estudioso certamente mas sua vida era um tanto quanto sem emoções. Não era de se esperar muito, era apenas uma criança. Mas no primeiro dia de sua oitava série ela aparecera. Viera de outro colégio; iria estudar na mesma sala de Alexis. Foi inevitável. Todos os garotos olharam para ela. Henrietta Marques, até então a garota mais bela da sala, sentiu uma pontada de inveja de Tereza. Durante aquele ano quatro ou cinco garotos pediram Tereza em namoro. Mas ela rejeitou a todos. Alexis a achava bem atraente, mas não era do tipo de garoto que se apaixona somente por aparências. Ele resolveu conhecê-la melhor. Sem grandes pretensões, apenas saber quem era aquela linda menina. Mês após mês ele se encantava mais e mais com ela. Ela era um doce de pessoa, muito educada, inteligente e tinha um jeitinho que o deixava louco. Também era decidida. Buscava com garra seus objetivos. Dia após dia o menino gostava mais e mais da linda garota até que finalmente Alexis percebeu que estava louco por ela. Alexis nunca se sentira assim. Estava completamente apaixonado por ela. É bem verdade que ele era apenas um pré-adolescente. Mas ainda assim sentiu o que muitas pessoas não sentem durante a vida toda. Dia após dia eles conversavam cada vez mais. E ele se apaixonava mais ainda. Foi um dos melhores anos de sua vida somente por ter conhecido aquela garota. Mas nas últimas duas semanas de aula veio uma pequena revelação, para a surpresa do pequeno garoto apaixonado:

– Alexis, eu vou morar em outro país até completar o ensino médio. Minha mãe acha que a educação é melhor lá. Talvez quando entrar na faculdade eu possa voltar para cá – Dissera ela.

Foi um choque para o menininho. Apesar de louco por ela não conseguia dizer o que sentia. Era apenas um garotinho. E então ele a beijou. E ela riu. Era o primeiro namoradinho dela. Mas o tempo estava passando. Ele não queria perder Tereza. Mas o tempo não para. E assim ele viu cada dia passar e Tereza estar cada vez mais perto de se separar dele. No último dia de aula ela pegou um pequeno papel da folha de redação de Alexis e escreveu as palavras que a deixariam por muito tempo no coração dele:

“Eu te amo”.

Vendo isso, Alexis não soube o que fazer. Não sabia se era apenas uma brincadeira ou se ela falava sério. Na verdade, até hoje não sabia. Ele acabou por desviar o assunto. O momento havia passado. “Eu era apenas um garotinho” pensa ele nos dias atuais “Não sabia o que fazer”.

O ano acabou. Tereza passou morar em outro país. Depois de algum tempo ele ficou sabendo que ela estava namorando com um daqueles caras que todos sabem que não prestam mas que as garotas adoram. Depois estava com outro do mesmo tipo. E algum tempo depois outro.

Alexis ainda falava com ela, mas por meio do computador. Ela morava realmente longe e ele nem sabia direito onde. A intimidade que os dois tinham foi se perdendo. Ano após ano ele ainda mantinha contato com ela mas ela sempre ia se distanciando cada vez mais. Talvez fosse devido às inúmeras vezes que ele veladamente a criticava por sair com esses caras. Mas provavelmente era apenas o tempo. Para ele, Tereza continuava mais que viva em seu coração. Para ela, tudo indicava que Alexis fora um amiguinho de infância. Um dia, enquanto conversavam através do computador, ele disse a ela.

–Soube que você vem estudar na Universidade daqui da cidade! Nossa, finalmente poderei te ver, te abraçar de novo!

E ela friamente respondera

–É... talvez não tenha tempo para lhe visitar quando chegar mas algum dia combinamos algo.

–Tereza, não sei o que aconteceu, mas não sei por que você não fala mais comigo, não me considera mais seu amigo.– Ele escrevera tão rápido que não deu tempo de seu cérebro pensar se deveria ou não enviar aquilo para ela. Tarde demais. Estava feito. Acontece que sua resposta veio um ou dois minutos depois, uma resposta que foi o último contato entre eles durante mais de três anos:

– Amigo, vou jantar, até mais.

Aquela resposta fria o destruíra por dentro. Ele não parava de pensar nela mas não aguentava ser tratado tão friamente. Cortou todos os possíveis contatos com ela. Jurou a si mesmo que não mais falaria com Tereza. Na Universidade, nunca se encontraram. Ela realmente viera estudar na mesma universidade que ele, mas o instituto de letras era no lado oposto ao de História. Mas ainda assim ele relatava aos amigos que sentia muita saudade dela. Mas aquele dia fora um soco em seu estômago. Ela fora fria demais.

E agora estavam eles a poucos centímetros um do outro. Mas o silêncio reinava entre eles. Tudo o que Alexis gostaria de fazer era dormir e nunca mais ver o rosto de Tereza. Ele ainda a amava. Mas a frieza de Tereza havia sido um golpe duro em seu coração. E assim, refletindo sobre tudo isso, Alexis adormeceu. Não antes de uma lágrima encher-lhe os olhos. Ele era romântico. Mas tudo o que queria era acabar com essa pesquisa e voltar para casa. “Vamos acabar com essa porra rapidamente” pensava ele, com um pouco de raiva de si mesmo e de Tereza. E então ele adormeceu. E em seguida Tereza também. O dia seguinte seria difícil. Eles não imaginavam quanto.

Notas finais
Sei que o ritmo ainda está lento mas a partir do próximo capítulo as coisas começam a esquentar