A Ilha

1 Um bom observador


Notas iniciais
Olá meus amores :3 E vamos de fic nova, estou amando escrever essa fic e espero que gostem :3 Uma pegada meio Lost, meio Tomb Raider, meio Senhor das Moscas rsrsrsrs Tive muitas inspirações boas! Enfim, boa leitura (~ ̄▽ ̄)~


Jimin observava as nuvens se estendendo abaixo de seus pés através da pequena janela do avião. Ele sempre gostou de voar, mas não nessas circunstâncias.

Seus pulsos estavam firmemente algemados, e à sua frente, Kim Taehyung o encarava com os braços cruzados, a expressão rígida de um cão de guarda que não baixava a guarda por um segundo sequer. Diferente dele, Min Yoongi parecia não compartilhar a mesma vigilância. Recostado em sua poltrona, dormia tranquilamente, como se não fosse um dos responsáveis por escoltar um fugitivo procurado. Talvez ele simplesmente não considerasse Jimin tão perigoso assim. Ou talvez apenas gostasse de dormir.

Jimin estava entediado. A viagem de volta para a Coreia do Sul parecia se arrastar por uma eternidade. Ele daria qualquer coisa para ter o sono tranquilo de Yoongi, mas sua mente estava inquieta demais para isso. Afinal, não é todo dia que alguém é capturado e condenado a anos de prisão. A ansiedade pulsava em seu peito.

Ele sabia que não era inocente. Sua aparência e o jeito carismático de falar poderiam facilmente fazer dele o típico protagonista por quem as pessoas torcem para escapar, mas isso não faria dele o herói da história. Os verdadeiros mocinhos eram os dois policiais. Eles apenas estavam cumprindo a lei.

Mas, é claro, Jimin também não era exatamente um vilão. No fim das contas, era apenas um homem que sabia como negociar e barganhar itens raros e extremamente valiosos. O mais irônico? Ele estudou anos para isso. Formado em História, com pós-graduação em Arqueologia e um mestrado em Simbologia e Artes Rupestres, tinha tudo para seguir os passos do pai e se tornar um arqueólogo respeitado. Mas onde estava a graça nisso?

Roubar artefatos e revendê-los parecia infinitamente mais emocionante. Pelo menos até ser capturado por aqueles dois policiais. Agora, algemado e sem nada melhor para fazer, começou a repensar sua vida. Chegou à conclusão óbvia: o crime não compensa. Mas, essa reflexão só veio porque tinha sido pego e estava entediado.

Apesar de ser inquieto e impaciente, Jimin sempre teve um talento para observar as pessoas, e estava óbvio que aqueles dois policiais tinham algum problema não resolvido entre eles. O lado fofoqueiro de Jimin estava gritando. Ele precisava saber o que tinha acontecido.

Sentados lado a lado, Yoongi e Taehyung se evitavam como cão e gato. Algo estava estranho. Jimin os conhecia havia três anos. Três longos anos. Sabia que algo tinha acontecido.

“Poderiam ser considerados um trisal, mas não do jeito bom, infelizmente.” — pensou Jimin.

Durante todo esse período, eles o caçaram incansavelmente, e só agora conseguiram capturá-lo. Segundo Jimin, a essa altura, a relação deles três já era bem íntima.

“E se… eu pudesse usar esse suposto desentendimento entre eles a meu favor? Dividir e conquistar, não é mesmo?”.

Entediado com os policiais monótonos que nem sequer pareciam dispostos a conversar, Jimin desviou o olhar para os passageiros ao lado. Um casal alto e bonito. Jimin só chegou à conclusão de que eram um casal por causa das alianças. Porque, no geral, não pareciam.

O mais alto passou a viagem inteira concentrado no notebook. Jimin ouviu o outro chamá-lo de Namjoon. Parecia atarefado, mergulhado no trabalho, sem perceber que o marido ao seu lado estava claramente abatido, ansiando por sua atenção.

Foi quando Jimin ouviu o homem negligenciado murmurar algo sobre os dez anos de casamento e como estava feliz por estarem ali comemorando juntos.

“Pobre coitado, um homem tão bonito desses se sujeita a isso. Se fosse comigo mandava meu marido enfiar o notebook no meio do buraco do olho”.

O comissário de bordo sorriu para eles e perguntou se precisavam de algo mais. Jimin, um tanto constrangido, enfiou as mãos algemadas dentro da blusa de frio. Nada mais humilhante do que flertar enquanto algemado. Mas, para sua surpresa, o comissário parecia não se importar.

Ele era simpático, sorridente e se apresentou como Jung Hoseok.

"Espero que seja gay, porque vou dar em cima dele."

Jimin abriu um sorriso sedutor, mas antes que pudesse sequer começar sua arte da sedução, sentiu o olhar de Taehyung queimando sobre ele — sexy e fatal, como sempre. Um olhar que fazia Jimin desejar ser Min Yoongi apenas para poder trabalhar com ele todos os dias.

"Se eu fosse Yoongi, já teria dado pro Tae há muito tempo."

Quando Hoseok se afastou para a parte da frente do avião, Jimin percebeu algo interessante: um homem alto, loiro e bonito, de óculos, estava olhando para Hoseok.

Talvez o comissário não tivesse notado, mas Jimin, que sempre teve o faro afiado de uma vizinha fofoqueira profissional, percebeu os olhares de longe.

O homem passou a viagem inteira enterrado em livros, lendo sem parar, como se nada mais no mundo importasse. Mas bastava Hoseok passar para que ele desviasse o olhar. E com razão. Afinal, o comissário era um verdadeiro colírio com aqueles cabelos ruivos.

Como se não bastasse estar preso, Jimin agora estava desesperado para ir ao banheiro. Tinha bebido suco demais e começava a se arrepender amargamente.

— Preciso ir ao banheiro. — Ele avisou a Taehyung.

O policial arqueou uma sobrancelha, descrente.

— Isso é mais uma das suas gracinhas? — A voz dele era grave e áspera. Tão sexy que dava arrepios.

Jimin suspirou dramaticamente e ergueu a mão algemada.

— Não, juro de dedinho. Preciso mesmo ir ao banheiro.

— Você vai com ele — disse Taehyung para Yoongi, que afirmou positivamente com a cabeça.

— Mas eu vou assim? Algemado?

— Ah claro, eu vou soltar você — Taehyung cerrou os olhos — Pelo amor de Deus, né Jimin. Eu não nasci ontem e se quiser ir, vai assim mesmo.

— E como eu vou balançar o pequeno Jimin? — Jimin deu um sorrisinho.

— Se vira. Deveria ter pensado nisso antes de entrar pra vida criminosa.

Jimin suspirou, Taehyung não tinha senso de humor.

Yoongi se levantou e ajudou Jimin a fazer o mesmo. Ele manteve os braços escondidos dentro da blusa, não queria atrair olhares curiosos, muito menos julgamentos.

Yoongi, como sempre, parecia imune a tudo o que Jimin falava. Nada o afetava. Nem mesmo quando Jimin, sem perder a oportunidade de provocar, soltou:

— Você segura meu pau? Fica meio difícil com as mãos algemadas.

Para a surpresa de Jimin, Yoongi simplesmente fez isso. Sem hesitação. Sem receio. Sem nem piscar.

Era por isso que Jimin o achava chato. Yoongi nunca caía em suas provocações. Se fosse Taehyung, já estaria vermelho de raiva. Era exatamente por isso que Jimin adorava pirraçá-lo. Nada era mais divertido do que ver a veia na testa de Taehyung saltando de fúria.

Yoongi ajudou Jimin a lavar as mãos. Ele era um bom policial, mais calmo, mais paciente. Diferente de Taehyung, que parecia viver com os ombros tensionados, pronto para o ataque.

De repente, Yoongi parou, olhando para o chão com a testa levemente franzida.

— Sentiu isso? — perguntou, a voz soando um pouco atordoada.

Jimin piscou, confuso.

— Não. — Realmente, não tinha sentido nada. — O que foi?

Yoongi hesitou por um instante antes de balançar a cabeça.

— Senti um leve solavanco… mas deve ser impressão minha.

Deu um suspiro e fez sinal para Jimin segui-lo.

— Venha, vamos voltar antes que Taehyung, nosso estressadinho de plantão, venha nos buscar.

…

Hoseok sentia a bochecha latejar de tanto forçar um sorriso que não queria dar. Não era como se fingir satisfação fosse algo novo para ele, seu verdadeiro trabalho exigia isso o tempo todo. Já deveria estar acostumado. Mas não estava.

Hoseok não era comissário de bordo. Não tinha treinamento para isso e nem queria estar naquele avião. Estava apenas sendo pago para estar ali, e, como sempre, fazia o que precisava ser feito. Os passageiros não tinham culpa de sua má sorte na vida. Então ele sorria. Mesmo que doesse.

O motivo de Hoseok estar ali tinha nome e sobrenome: Adam Scott. Seu pior pesadelo. E, ironicamente, esse pesadelo era quem estava pilotando o avião.

O que dizer sobre Adam? Para a maioria das pessoas, ele era gentil, educado, atencioso e divertido. Um homem charmoso, de aparência impecável, que conquistava a todos com facilidade. Era impossível não gostar de Adam.

Mas o Adam que Hoseok conhecia era bem diferente. O verdadeiro Adam era sujo.

Hoseok nunca se viu como alguém puro ou inocente. Como poderia? Era um garoto de programa. E não qualquer um — era exclusivo de Adam. Um título pelo qual Adam pagava generosamente para garantir que ele fosse só seu. E, no fim das contas, Hoseok se sentia tão sujo quanto ele.

Ele poderia dizer que arrumar emprego era difícil, mas a verdade era outra. Queria algo fácil. Pelo menos no começo, quando iniciou seus jobs, era apenas uma forma simples de ganhar dinheiro. Mas então Adam apareceu e tudo mudou.

Adam tomou sua vida. Tomou posse dele. Usou suas fraquezas contra ele, virou sua própria existência contra ele. Chantagem, controle, domínio. Hoseok não tinha mais escolha.

Ainda assim, não se arrependia de nada. Sua mãe estava segura. Seu tratamento estava garantido. Tudo isso graças ao dinheiro que Adam despejava nele.

Mas o dinheiro não lavava a sensação de sujeira. Hoseok se sentia tão imundo quanto Adam. E, no fim das contas, sentia que eles se mereciam.

Hoseok despertou de seus devaneios ao perceber que estava sendo observado. Um homem o encarava, mas desviou o olhar no instante em que seus olhares se encontraram. Ele era tímido. Hoseok soltou uma risada contida. Sempre achou homens tímidos atraentes.

O rapaz parecia gostar de ler, mas sempre perdia a concentração quando Hoseok passava por ele. O olhar curioso e hesitante do desconhecido o seguia sempre que achava seguro. Hoseok testou um jogo silencioso: olhou diretamente para ele. O rapaz, como esperado, voltou a encarar o livro imediatamente.

“Ele é fofo”.

Além disso, ele usava óculos. Hoseok sempre teve uma queda por homens de óculos. Um sorriso brincou em seus lábios. Quando o rapaz finalmente se arriscou a olhar de novo, Hoseok piscou para ele.

A provocação funcionou. Hoseok soube disso no instante em que viu as bochechas do homem corarem e a pressa com que ele desviou o olhar.

"Quero flertar com ele."

Sem pensar duas vezes, Hoseok se levantou e foi até o rapaz.

— Olá, senhor… — Hoseok esperou ele dizer o nome.

— Mingi, Song Mingi — o rapaz respondeu e Hoseok conseguiu ver de perto como seu rosto era bonito e como o perfume dele era bom.

— Senhor Mingi — Hoseok sorriu e Mingi corou novamente.

“Que fofo, quero transar com ele” — pensou Hoseok.

— O senhor quer beber algo?

— Ah não não, está tudo bem…

Hoseok queria continuar a conversa, mas sentiu o celular vibrar no bolso. Lançou um olhar discreto à tela, era Adam.

Seu estômago se revirou. Precisava ver a mensagem imediatamente. Caso contrário, sabia muito bem que pagaria o preço.

— Licença, preciso atender uma ligação, mas se precisar de algo, pode me chamar… — Ele ofereceu um sorriso para Mingi antes de completar: — Meu nome é Hoseok.

Sem esperar resposta, afastou-se para o corredor e desbloqueou o celular.

A mensagem era curta e direta.

"Venha para a cabine. Agora."

Hoseok fechou os olhos por um instante, reunindo coragem. Ele já sabia o motivo do chamado. Respirou fundo e caminhou até a cabine. Quando bateu na porta, foi o copiloto quem abriu. O homem sorriu, mas não era um sorriso amigável. Era um sorriso de pena. Provavelmente já sabia o motivo daquela visita. Sem dizer nada, o copiloto saiu, deixando Hoseok a sós com Adam.

— Tranca a porta.

A ordem veio firme, sem espaço para questionamentos. Hoseok obedeceu de imediato. Sempre obedecia porque tinha medo.

Ele engoliu seco antes de forçar um sorriso.

— Estou aqui. Por que me chamou?

Adam não precisou responder. Seu olhar já dizia tudo.

— Você já sabe o que fazer. — murmurou, olhando para baixo.

Hoseok prendeu a respiração e se obrigou a manter a expressão neutra. Se ao menos pudesse revirar os olhos, mas não podia.

Adam não era feio. Pelo contrário, tinha o rosto de capa de revista, o tipo de beleza que qualquer um admiraria. Jovem, impecável, perfeito. Mas para Hoseok, ele era repulsivo.

Hoseok só conseguia enxergar a podridão por trás da aparência impecável. O nojo queimava em sua garganta, mas ele não podia demonstrar. Afinal, pertencia a Adam. Ele o comprou.

Respirando fundo, Hoseok se ajoelhou na frente de Adam para fazer o que lhe foi ordenado. Quando abriu o zíper da calça de Adam o avião sacudiu violentamente. Ele caiu de joelhos no chão devido ao impacto.

Confuso, ergueu o olhar para Adam, esperando alguma explicação. Mas Adam não olhava para ele. Os olhos estavam presos na janela da cabine. Hoseok se levantou, seguindo seu olhar. E, assim como Adam, ficou boquiaberto.

Lá fora, o céu, que antes era calmo e azul sem nenhuma nuvem, agora era um redemoinho de sombras e raios cortando o horizonte. Uma tempestade densa que surgiu do nada. Como um passe de mágica.

Notas finais
EEEEEEEEITAAAAA O que vimos nesse primeiro cap: Jimin fofoqueiro e presidiário estilo Lara Croft da Deep Web. NamJin com problemas no casamento. TaeGi com alguma treta mau resolvida. Hobi querendo flertar com o Mingi, mas esta com um embuste na vida dele. Pela sinopse já sabem que o avião vai cair numa ilha e o foco será cada um resolvendo seus problemas e dificuldades. Espero que curtam hihihi...