A Ilha

34 Provações


Notas iniciais
E vamos para o penúltimo capítulo! ( ノ ゚ー゚)ノ


Jimin caminhava pela trilha cantarolando alegremente, como se estivesse a caminho de um passeio turístico e não de uma missão capaz de colocar sua vida em risco. Para ele, porém, aquilo era exatamente o tipo de aventura que fazia seu coração bater mais forte. Se um dia tivesse que morrer, esperava que fosse vivendo uma grande descoberta, enfrentando perigos e desvendando mistérios.

— Jimin-si, beba um pouco de água. — Jungkook o chamou, preocupado. O arqueólogo estava tão empolgado que frequentemente se esquecia até de comer e beber. Sua única preocupação era chegar o mais rápido possível à grande torre.

Fizeram uma pausa, contra a vontade de Jimin, para descansar e recuperar as energias. Ainda havia um longo caminho pela frente, e Jungkook fazia questão de garantir que o namorado não se desgastasse além do necessário.

Já passava do meio-dia quando retomaram a caminhada. Ao entardecer, encontraram uma caverna segura onde poderiam passar a noite. Jungkook acendeu uma fogueira, preparou uma refeição quente e nutritiva e, depois de jantarem, acomodou Jimin em seus braços para que ambos pudessem dormir aquecidos e confortáveis.

Quando o dia amanheceu, desmontaram o pequeno acampamento e seguiram novamente pela trilha em direção à Torre do Norte.

Após dois dias de viagem, finalmente avistaram a gigantesca construção de pedra erguendo-se no horizonte. Jungkook respirou fundo, preparando-se para qualquer confronto que pudesse acontecer.

— Vou conversar com o senhor Bruce. Você espera aqui. Se eu perceber que está tudo seguro, volto para buscar você.

— Negativo. — Jimin cruzou os braços. — Eu vou junto, e isso não tá aberto pra negociação.

— Mas, Jimin, pode ser perigoso...

— Jungkook, eu já disse que isso não é negociável.

Jungkook soltou um suspiro resignado. Discutir com Park Jimin era uma batalha perdida antes mesmo de começar.

— Então fique sempre atrás de mim. Vou tentar resolver tudo da forma mais diplomática possível.

Jimin apenas assentiu.

Os dois pararam diante dos enormes portões de pedra enquanto os vigias observavam cada movimento deles do alto das muralhas. Não demorou muito para que um jovem Muller surgisse do outro lado da entrada.

— O que vocês querem? — perguntou o rapaz, sem esconder a hostilidade.

— Precisamos falar com o senhor Bruce Muller. — Jungkook respondeu com firmeza. — Diga a ele que Jeon Jungkook deseja uma audiência.

O guarda lançou um olhar desconfiado para os dois, mas acabou desaparecendo pelos corredores da fortaleza para transmitir o recado ao líder.

Longos minutos se passaram até que ele retornasse e destrancasse os enormes portões.

— Bruce autorizou a entrada de vocês. Mas, se causarem qualquer problema... — o Muller lançou um olhar frio para Jimin. — ...a garganta do humano será a primeira a ser cortada.

Jimin sentiu um arrepio percorrer sua espinha e, instintivamente, segurou a mão de Jungkook. Sem dizer uma palavra, o vampiro deu um passo à frente, colocando o próprio corpo entre Jimin e o guarda, deixando claro que ninguém colocaria sequer um dedo em seu amado.

Foram conduzidos até os aposentos de Bruce. Antes de entrar, Jungkook fez uma respeitosa reverência, mas Bruce sequer pareceu se importar com a formalidade. O líder dos Muller's aparentava ter cerca de cinquenta anos. Tinha cabelos loiros, curtos e levemente desalinhados, uma barba rala do mesmo tom dourado, olhos verdes intensos e a pele muito clara. Seu porte era imponente, com postura ereta e músculos bem definidos, transmitindo a impressão de alguém que jamais baixava a guarda.

— O que traz o príncipe Jeon a este lado da ilha? — perguntou Bruce, apoiando os braços na poltrona onde estava sentado.

— Antes de qualquer coisa, peço desculpas por incomodá-lo em sua casa. Mas viemos porque precisamos da sua ajuda.

Bruce arqueou uma sobrancelha.

— Da minha ajuda? Depois de deixar vários dos meus homens feridos?

— O senhor sabe que sou contra a violência. Só lutei para proteger quem eu amo.

Ao ouvir aquilo, Bruce desviou lentamente o olhar para Jimin. Por um instante, sua expressão endurecida vacilou. Havia algo naquele jovem que despertava lembranças que ele acreditava ter enterrado havia muitos anos.

— Então... este é o rapaz que roubou seu coração? — perguntou, observando Jimin da cabeça aos pés. — Como você se chama, rapaz?

Jungkook deu um discreto passo à frente.

— O nome dele não é relevante neste momento.

Bruce sequer desviou os olhos de Jimin.

— Eu posso responder por mim mesmo. — Jimin lançou um olhar de reprovação para Jungkook antes de voltar sua atenção ao líder dos Muller's. Fez uma breve reverência e sorriu educadamente. — É um prazer conhecê-lo, senhor Muller. Meu nome é Park Jimin.

A expressão de Bruce mudou imediatamente.

— Park...? Seu sobrenome é Park?

Jimin franziu levemente a testa diante da reação inesperada.

— Sim. Meu sobrenome é Park.

Bruce permaneceu alguns segundos em silêncio, como se estivesse reunindo coragem para fazer a próxima pergunta.

— Diga-me uma coisa... seu pai era o arqueólogo Park Warut?

Desta vez foi Jimin quem arregalou os olhos, completamente surpreso.

— O senhor conheceu meu pai?

Bruce respirou fundo antes de responder.

— Conheci... — Sua voz saiu muito mais baixa do que antes. — Então... ele realmente não resistiu, não é?

Jimin baixou os olhos por um instante.

— Não. Meu pai faleceu há alguns anos.

Bruce fechou os olhos brevemente, assimilando a notícia.

— Eu sinto muito... senhor Jimin.

Jimin ergueu novamente o olhar e percebeu que os olhos do temido líder dos Muller's estavam marejados, como se aquela lembrança tivesse aberto uma ferida que jamais cicatrizou.

— Seu pai era um grande homem. E, acima de tudo, amava você mais do que qualquer coisa neste mundo.

— Obrigado… — Jimin fez uma pausa, segurando a vontade de chorar ao se lembrar do pai — Como o senhor conheceu meu pai?

— Aqui, nesta ilha. Diferentemente de todos os outros humanos que chegaram até nós, seu pai veio sozinho e por vontade própria, ele já sabia desse lugar quando o encontrou. Era um homem movido pela curiosidade. — Bruce sorriu entre as lágrimas, e Jimin conseguiu enxergar naquele sorriso um carinho profundo, daqueles que resistem ao tempo, à distância e até à morte.

Naquele instante, todas as peças finalmente se encaixaram na mente de Jimin. Suspeitou que o pai tivesse passado pela ilha durante os dois anos em que permaneceu desaparecido. Agora já não havia mais dúvidas. Bruce Muller era o grande amor mencionado por Ha Jun, a alma gêmea que seu pai deixou para trás.

— Acho que herdei a curiosidade dele. — Jimin sorriu com ternura. — Meu pai deixou uma agenda. Nela, ele escreveu sobre o senhor. O senhor era a alma gêmea dele... não era?

Bruce apenas assentiu. Um sorriso emocionado surgiu em seus lábios enquanto seus olhos voltavam a se encher de lágrimas. Ao lado, Jungkook observava toda a cena completamente incrédulo. Nunca imaginou presenciar um Muller demonstrando sentimentos tão profundos.

— Não deve demorar muito para que eu possa encontrá-lo novamente. — Bruce respirou fundo antes de continuar. — Almas gêmeas sempre encontram um caminho de volta uma para a outra. Não importa quantas vidas sejam necessárias. — Ele fez uma breve pausa para enxugar discretamente as lágrimas. — Mas diga-me, senhor Park Jimin, em que posso ajudá-los? Farei isso com prazer, em memória do homem que amo.

Jimin então explicou toda a situação. Contou sobre a Torre do Norte, sobre as provações que Jungkook precisaria enfrentar para ser reconhecido como novo líder da ilha e sobre a única possibilidade de conduzir os sobreviventes de volta ao mundo dos humanos.

Bruce ouviu tudo em silêncio antes de erguer novamente os olhos para ele.

— O senhor sabe que essa jornada pode custar a sua vida, não sabe, senhor Park?

— Sei. — Jimin respondeu sem hesitar. — Mas é um risco que estou disposto a correr para que meus amigos possam voltar para casa em segurança.

Bruce sorriu discretamente. Naquele momento, enxergou diante de si o mesmo brilho que tantas vezes viu nos olhos de Park Warut. Jimin havia herdado muito mais do que a curiosidade do pai. Havia herdado sua coragem, sua generosidade e sua capacidade de colocar a vida dos outros acima da própria.

— Justamente pelo carinho que sinto pelo seu pai, eu gostaria de impedir que você corresse esse risco. Mas sei que seria inútil tentar. Você herdou dele o mesmo espírito livre e a mesma sede por descobrir o desconhecido. Ainda assim, peço que tenha muito cuidado. As provações da torre podem ser simples ou praticamente impossíveis. E existe algo ainda mais perigoso: se vocês não forem realmente almas gêmeas, talvez nem consigam atravessar a entrada. Vocês podem morrer antes mesmo de colocar os pés dentro da torre. Estão cientes disso? Acreditam verdadeiramente no amor que sentem um pelo outro?

Jimin entrelaçou os dedos aos de Jungkook e, olhando firmemente para Bruce, respondeu apenas com um discreto movimento de cabeça.

— Nunca tive tanta certeza de alguma coisa em toda a minha vida.

Bruce passou então a explicar tudo o que sabia sobre a Torre do Norte. Falou sobre os poucos registros que existiam, sobre as histórias transmitidas entre gerações e sobre a natureza imprevisível da magia da ilha, que jamais repetia as mesmas provações. Nada ali seguia regras fixas. A cada novo escolhido, a torre decidia seu próprio caminho. Jimin e Jungkook ouviam cada palavra com máxima atenção, gravando mentalmente cada orientação que poderia aumentar suas chances de sucesso.

Antes de se despedirem, Bruce voltou seu olhar para Jungkook.

— Cuide dele.

Jungkook assentiu com seriedade.

— Eu vou cuidar. E... obrigado por nos ajudar.

Munidos de tudo o que puderam aprender, Jimin e Jungkook deixaram o território dos Muller's e seguiram em direção à imponente Torre do Norte.

Ao chegarem diante do enorme portal sustentado por gigantescas colunas de pedra, Jimin foi imediatamente atraído pelos antigos símbolos entalhados na superfície. Passou lentamente os dedos pelos relevos da escrita ancestral, fascinado. Sua curiosidade era irresistível. Queria compreender cada palavra gravada ali, como se aquelas pedras escondessem séculos de histórias esperando para serem lidas.

— Está escrito que apenas almas gêmeas podem atravessar este portal... e permanecer vivas. — Jungkook desviou o olhar da inscrição para encarar Jimin. — Eu não tenho a menor dúvida do que sinto. Sei, com todo o meu coração, que você é minha alma gêmea e que eu amo você. Mas... você acredita que eu também sou a sua? Se houver qualquer dúvida, por menor que seja, é melhor não entrarmos, Jimin-ssi.

Jimin soltou um longo suspiro e revirou os olhos com um sorriso indignado.

— O que mais me irrita é o fato de você ainda duvidar do tamanho do meu amor.

Sem dar tempo para qualquer resposta, entrelaçou novamente os dedos aos de Jungkook e começou a caminhar em direção ao grande portal.

— Eu não temo a magia desta ilha... porque sei exatamente o que sinto por você.

Quando chegaram a cerca de um metro da enorme porta de pedra, ela se abriu sozinha, como se reconhecesse a presença dos dois. Jimin e Jungkook trocaram um breve olhar antes de atravessarem a entrada. Assim que deram o último passo para dentro, a porta se fechou atrás deles com um estrondo que ecoou por toda a construção.

Nos primeiros segundos, nada aconteceu. Os dois permaneceram de mãos dadas, envoltos pela escuridão absoluta, sem conseguir distinguir o ambiente ao redor e sem saber para onde seguir. De repente, uma forte rajada de vento atravessou o salão, fazendo as roupas e os cabelos balançarem. No instante seguinte, tochas presas às paredes se acenderam uma após a outra, iluminando lentamente todo o local.

Diante deles havia uma enorme sala circular, cercada por diversas portas perfeitamente alinhadas ao longo das paredes. Todas eram idênticas. Jimin e Jungkook trocaram um olhar silencioso antes de voltarem a observar o ambiente.

— Em qual delas nós entramos? — perguntou Jimin.

Jungkook analisou cuidadosamente cada uma das portas antes de responder.

— Acho que essa já faz parte das provações. Precisamos escolher uma delas. Imagino que cada porta leve a um desafio diferente. Algumas talvez sejam mais simples, outras podem ser muito mais difíceis.

Jimin caminhou lentamente até uma das portas e começou a examiná-la com atenção. Passou os dedos pela madeira, observou os batentes, o piso e até o teto, procurando qualquer marca, símbolo ou pista que pudesse ajudá-los. Mas não encontrou absolutamente nada. Todas as portas eram rigorosamente iguais, feitas da mesma madeira escura e sem qualquer detalhe que permitisse diferenciá-las.

— É um jogo de sorte. — Jimin suspirou. — Não existe nenhuma pista. Só nos resta escolher uma delas e aceitar o destino que ela nos reservar.

Jungkook voltou a segurar a mão de Jimin e o envolveu em um abraço.

— A única coisa que realmente importa para mim é que você permaneça em segurança. Eu não suportaria ver algo ruim acontecer com você.

Jimin sorriu com ternura. Afastou-se apenas o suficiente para acariciar delicadamente o rosto de Jungkook.

— Não vai acontecer nada de ruim. Vai dar tudo certo. Eu já disse que sou muito mais forte do que pareço. Agora, tudo o que precisamos fazer é escolher uma dessas portas e atravessá-la juntos.

Jungkook encostou a testa na de Jimin e fechou os olhos por um instante, sentindo a respiração quente do namorado tocar suavemente seu rosto.

— Juntos. — respondeu em um sussurro.

Então segurou delicadamente o rosto de Jimin e o beijou com toda a intensidade, carinho e amor que existiam em seu coração. Quando o beijo terminou, os dois entrelaçaram novamente as mãos, escolheram uma das portas e, sem olhar para trás, atravessaram-na lado a lado.

Assim que atravessaram a porta, ela se fechou atrás deles com um estrondo pesado. Jimin ainda tentou empurrá-la e puxar a maçaneta, mas foi inútil. A passagem estava completamente selada. Não havia mais como voltar.

O cômodo era pequeno e mergulhado em uma penumbra quase completa. A única fonte de luz vinha de um brilho suave e misterioso que iluminava um grande livro aberto sobre um pequeno altar de pedra no centro da sala. Jimin e Jungkook trocaram um olhar cauteloso antes de se aproximarem lentamente do pedestal.

— O que será que isso significa? — perguntou Jimin, estendendo a mão para pegar o livro.

Antes que seus dedos o alcançassem, Jungkook segurou delicadamente seu pulso.

— Acho melhor não tirarmos esse livro do lugar.

— Mas é a única coisa que existe aqui. Isso só pode ser uma pista. Precisamos examiná-lo.

Mesmo relutante, Jungkook acabou concordando. Preferiu ser ele mesmo a retirar o livro do altar. Fez isso com extremo cuidado, atento a qualquer mecanismo ou armadilha que pudesse ser ativado. Como nada aconteceu, respirou aliviado e entregou o volume para Jimin.

— Claro... tinha que estar escrito no idioma de vocês. — Jimin suspirou desanimado ao observar os símbolos desconhecidos que preenchiam a primeira página. Folheou o restante do livro e percebeu que todas as outras folhas estavam completamente em branco.

— Eu posso traduzir para você. O que quer saber?

— Só existe essa página escrita. O que está dizendo aí?

O livro possuía uma capa grossa de couro já bastante ressecada pelo tempo. As páginas amareladas exalavam um forte cheiro de mofo, denunciando séculos de existência. Jungkook percorreu as linhas com atenção, mas, à medida que lia, sua expressão foi se tornando cada vez mais confusa.

— Eu não estou entendendo absolutamente nada do que está escrito.

Jimin franziu a testa.

— Como assim? Não tá no seu idioma?

— Está. Mas as palavras parecem completamente embaralhadas. São letras organizadas de um jeito que não formam frases. Não faz sentido algum.

Um sorriso surgiu lentamente no rosto de Jimin.

— Nenhum símbolo colocado aqui foi por acaso. Isso é um criptograma.

Jungkook piscou algumas vezes, sem entender.

— Cripto... o quê?

— Criptograma. — Jimin retirou um pequeno bloco de notas e uma caneta do bolso da mochila. — Você traduz palavra por palavra exatamente como elas aparecem, e eu vou anotando. Tenho quase certeza de que existe uma mensagem escondida aí.

— Está bem.

Jungkook voltou a abrir o livro e começou a soletrar, uma por uma, as palavras em seu idioma, enquanto Jimin registrava cuidadosamente cada tradução no bloco de notas.

Quando terminaram, Jimin ergueu os olhos para ele.

— É só isso?

— Sim. — Jungkook fechou o livro lentamente. — Não existe mais nada escrito.

Jimin abaixou o olhar para as anotações em seu bloco, mas nada daquilo fazia sentido. Diante dele havia apenas um amontoado desconexo de letras:

CPAEVNNDCE

OESLOAOEÉS

MQI EASI—UT

–-UN–V–T—-R

—EH–A–E—-E

—NA—--S—--L

—AS—--------A

—S—----------D

—-------------O

— Isso não faz o menor sentido... — murmurou Jimin, passando os olhos repetidas vezes pelas letras embaralhadas na esperança de encontrar algum padrão. Quanto mais tentava organizar aquilo, mais sua dor de cabeça aumentava.

Percebendo sua frustração, Jungkook aproximou-se silenciosamente, puxou Jimin para um abraço e começou a acariciar seus cabelos, massageando delicadamente sua cabeça com as pontas dos dedos. Jimin fechou os olhos e apenas aproveitou o carinho. A tensão foi se dissipando aos poucos, e sua mente finalmente começou a desacelerar.

Os dois permaneceram abraçados por alguns minutos, recuperando as forças e aproveitando aquele raro momento de paz em meio às provações da torre.

Então, de repente, Jimin arregalou os olhos.

— JÁ SEI!

Ele praticamente saltou dos braços de Jungkook, pegando o bloco de notas e a caneta com uma empolgação contagiante.

— Descobriu? — perguntou Jungkook, aproximando-se enquanto observava Jimin riscando rapidamente o papel.

— Como eu não percebi isso antes? — Jimin deu uma pequena risada de si mesmo. — Eu estava tentando ler da maneira errada. Olha só... basta trocar a direção da leitura. Em vez de ler na horizontal, temos que ler na vertical.

Com rapidez, reorganizou mentalmente as letras e começou a escrevê-las na ordem correta.

— Viu? Era isso!

Jimin virou o bloco para Jungkook.

Agora, no lugar daquele aparente caos de letras, havia apenas uma única frase perfeitamente legível:

"COM PEQUENAS ASINHAS ELE VOAVA NAS NOITES DE CÉU ESTRELADO."

— O que isso quer dizer? — Jimin perguntou, olhando para Jungkook com expectativa.

— É um trecho de um livro infantil que meu pai lia para mim quando eu era criança.

— E qual é o nome desse livro?

— O Pequeno Morceguinho.

Assim que Jungkook pronunciou o título, toda a torre estremeceu. Um estrondo ecoou pelas paredes de pedra como se um terremoto sacudisse a estrutura. Instintivamente, Jungkook e Jimin se abraçaram enquanto uma espessa nuvem de poeira tomava conta do ambiente. As tochas tremularam, as pedras rangeram e, diante deles, uma nova porta surgiu lentamente na parede. Quando terminou de se abrir, revelou uma longa escadaria iluminada por uma misteriosa luz dourada.

Os dois trocaram um olhar silencioso e começaram a subir.

Cada andar da torre escondia uma nova provação.

Na primeira, encontraram uma ponte suspensa sobre um abismo aparentemente infinito. As tábuas desapareciam a cada passo, obrigando-os a atravessar confiando apenas um no outro. Quando um hesitava, o outro precisava guiá-lo. Somente caminhando juntos conseguiram alcançar a outra margem.

Na segunda prova, entraram em uma sala repleta de espelhos. Cada reflexo mostrava uma versão diferente de seus maiores medos. Jimin via Jungkook morto diante dele. Jungkook via Jimin abandonando a ilha para sempre. As ilusões tentavam separá-los, mas bastou que segurassem novamente as mãos para que todos os espelhos se quebrassem ao mesmo tempo.

Na terceira sala havia apenas uma balança de pedra e duas taças vazias. Uma inscrição dizia: "Somente quem estiver disposto a dividir o próprio peso poderá seguir." Jimin teve uma ideia baseada em contos antigos, queria tentar isso, então os dois colocaram uma gota do próprio sangue em cada taça. A balança brilhou intensamente, reconhecendo o sacrifício compartilhado, e uma nova passagem se abriu.

Depois vieram outros desafios menores. Alguns exigiam força, outros raciocínio lógico, outros decisões rápidas diante de armadilhas inesperadas. Em todas elas, porém, havia um mesmo padrão: a torre jamais permitia que um vencesse sozinho. Cada prova exigia confiança, cooperação e amor.

Quando enfim alcançaram o topo, encontraram uma ampla sala circular. No centro dela, um antigo cetro de madeira pairava sobre um pedestal de pedra. Em sua extremidade havia um cristal translúcido que pulsava lentamente, como se possuísse um coração próprio.

Jungkook aproximou-se sentindo algo impossível de explicar. Era como se aquela magia o chamasse pelo nome. Ele estendeu a mão. No instante em que seus dedos tocaram o cetro, uma intensa luz dourada tomou conta da torre. O cristal brilhou como uma estrela e uma energia quente percorreu todo o seu corpo.

Jimin observava tudo completamente fascinado.

— Jimin-si... — Jungkook murmurou, ainda envolto pela luz. — Eu consigo sentir a magia... ela me aceitou... Eu sou o novo líder. Nós conseguimos.

Jimin correu até ele e o abraçou com força. Os dois riam e choravam ao mesmo tempo, aliviados por terem sobrevivido.

Mas, no meio daquela felicidade, um pensamento atingiu Jimin como uma flecha. Agora que finalmente existia um caminho para deixar a ilha, ele precisaria decidir. Voltar para casa ou permanecer naquele lugar ao lado do homem que amava?

Notas finais
E ai Jimin? Shurastei ou Shuragou?