A Ilha

35 A vida continua...


Notas iniciais
Olá, meus chingus :) Vamos ver o desenrolar final dessa história. Boa leitura... (✿◡‿◡)


Jimin lia atentamente o livro que havia escolhido. Fazia muito tempo que não conseguia mergulhar em uma boa leitura. Não muito tempo antes, sua rotina se resumia à sobrevivência, à caça por alimento e à vida primitiva em meio à selva. Não que aquilo lhe fosse estranho. Ao longo da vida havia enfrentado inúmeras situações parecidas durante suas expedições em busca de relíquias espalhadas pelo mundo. Mas nenhuma de suas aventuras o preparou para encontrar vampiros medievais vivendo isolados havia séculos em uma ilha protegida por magia.

Sua mente acabou voltando ao dia em que ele e Jungkook enfrentaram as estranhas provações da Torre do Norte para que o vampiro pudesse ser reconhecido como o novo líder da ilha e, assim, garantir um caminho seguro para que todos os sobreviventes retornassem às suas vidas.

E, inevitavelmente, pensar na torre o fez pensar em Jungkook. Os olhos de Jimin se encheram de lágrimas quase imediatamente. A saudade apertava seu peito com tanta força que parecia estilhaçar seu coração em milhares de pequenos cacos de vidro.

Haviam se passado apenas alguns dias, mas, para Jimin, parecia uma eternidade. Sentia tanta falta de Jungkook que tinha vontade de abrir a janela e gritar seu nome, esperando, de alguma forma, que ele escutasse e aparecesse, exatamente como fazia quando o observava escondido entre os arbustos da floresta. Sentia falta daqueles grandes olhos escuros, redondos como jabuticabas, sempre atentos a cada um de seus passos. Sentia falta dos abraços quentes que pareciam protegê-lo do mundo inteiro e dos beijos delicados que faziam qualquer medo desaparecer.

Mas Jungkook não estava ali.

Jimin respirou profundamente. O vinho já começava a fazer efeito. As letras do livro ficaram borradas diante de seus olhos pesados, enquanto a tristeza lentamente vencia o cansaço. Sem perceber, deixou o livro escorregar entre os dedos e adormeceu na poltrona, completamente embriagado, talvez não tanto pelo vinho, mas pela saudade.

— Jimin-ssi?

Ainda adormecido, Jimin ouviu a voz de Jungkook chamando por ele ao longe. O som parecia distante, quase abafado, como se fizesse parte de um sonho bonito do qual ele não queria acordar.

— Jimin-ssi... meu amor?

Jimin abriu os olhos lentamente. A visão ainda estava embaçada, mas bastou alguns segundos para reconhecer Jungkook sentado ao seu lado, acariciando delicadamente seus cabelos. Sem pensar duas vezes, levantou-se e o abraçou com tanta força que quase o derrubou da cama.

— Eu não aguentava mais de saudade... — disse entre lágrimas, escondendo o rosto em seu pescoço.

Jungkook soltou uma risada baixa e passou a mão em suas costas.

— Meu amor, eu só precisei me ausentar por alguns dias. Mas agora estou aqui de novo, e hoje vou passar o dia inteiro ao seu lado.

— Eu não consigo ficar longe de você... — Jimin resmungou, ainda agarrado a ele. — Eu sinto tanta saudade. Da próxima vez eu vou junto.

— Vai sim, meu amor. Eu só não levei você porque precisava descansar. Você passou por muita coisa nessa última semana. Precisou tomar decisões difíceis, se despediu dos seus amigos, está aprendendo a viver nesta ilha como seu novo lar e... agora também faz parte do nosso povo. — Jungkook aproximou-se e deixou um beijo carinhoso em seus lábios. — Por mais cuidadosa que tenha sido a transformação, ela não deixa de ser um processo difícil para o corpo. Prometo que, da próxima vez, você irá comigo. Afinal você também é o Rei da Ilha Vermelha.

Jimin abriu um sorriso satisfeito. Precisava admitir que aquele título combinava muito bem com ele.

— Hoje você não vai sair deste quarto. Eu preciso muito de você. Quero recuperar todo o tempo que ficamos separados. Dois dias sem você pareceram uma eternidade.

Jungkook sorriu apaixonado.

— Meu pequeno Jimin está muito emotivo hoje. — Pegou-o no colo com facilidade e o envolveu em um abraço apertado. — Como você está se sentindo? Está bem? Ainda sente alguma dor?

Jimin levou a mão ao pescoço, exatamente no lugar onde Jungkook o havia mordido.

— Estou bem. Não dói mais nada. O ferimento já está cicatrizando, o que é simplesmente incrível. Agora eu sou praticamente um super-humano, quer dizer, um vampiro. — Ele deu uma risada divertida. — Mas pode ficar tranquilo, eu não vou sair por aí me cortando para testar minhas habilidades de regeneração. Só um completo idiota faria uma coisa dessas.

…

Numa rede presa entre duas estacas de madeira à beira-mar, Jin descansava tranquilamente, aproveitando o sol suave do fim da tarde. No horizonte, o sol começava a desaparecer atrás do oceano, pintando o céu com belos tons de laranja, dourado e rosa. Namjoon caminhava pela areia em sua direção usando uma bermuda estampada, uma camiseta leve e suas inseparáveis havaianas coloridas. Em uma das mãos carregava um drink tropical enfeitado com um pequeno guarda-chuvinha de papel.

— E então, o que está achando do Brasil? — perguntou Namjoon, entregando a bebida para Jin. — Pesquisei bastante antes de escolher Arraial do Cabo. Confesso que fiquei com receio de você não querer mais saber de lugares paradisíacos depois de tudo o que vivemos naquela ilha.

— Mas é completamente diferente. — Jin sorriu enquanto observava o mar cristalino à sua frente. — Este lugar transmite paz e é lindo. Não que a Ilha Vermelha não fosse maravilhosa... ela também tinha uma beleza única. Mas aqui não existem vampiros. Isso, por si só, já conta muitos pontos a favor.

Namjoon deu uma risada baixa. Ver Jin tão leve, tão tranquilo e sorridente fazia seu coração transbordar de felicidade. Nenhuma conquista profissional, nenhuma fortuna ou sucesso no trabalho era capaz de se comparar àquele simples sorriso estampado no rosto do homem que amava.

Para poder viver momentos como aquele, Namjoon havia contratado e treinado uma equipe de confiança para administrar seus negócios durante suas ausências. Pela primeira vez em muitos anos, permitia-se desacelerar sem culpa e dedicar seu tempo ao marido. Os dois, inclusive, já começavam a conversar seriamente sobre aumentar a família. A ideia de adotar uma criança enchia Jin de entusiasmo, enquanto Namjoon, entre a ansiedade e a curiosidade, aguardava com expectativa essa nova etapa da vida que construiriam juntos.

…

Era apenas mais um dia comum na delegacia. A rotina seguia como sempre, embora, para Taehyung e Yoongi, existisse um segredo que jamais poderia vir à tona. Oficialmente, os dois haviam confirmado a morte do ladrão de artefatos mais procurado do mundo, Park Jimin. E, de certa forma, aquela informação não deixava de ser verdadeira.

A queda do avião ganhou enorme repercussão na mídia, e o nome de Jimin aparecia na lista oficial das vítimas fatais. Com o passar do tempo, sua história ultrapassou os noticiários. Em alguns lugares, Park Jimin tornou-se uma verdadeira lenda. Sua vida inspirou documentários, livros e até grandes produções cinematográficas que lotavam salas de cinema ao redor do mundo.

Para o público, Jimin transformou-se em um símbolo de rebeldia, inteligência e audácia. As pessoas eram fascinadas pelas histórias do lendário ladrão de artefatos que desafiava governos, museus e organizações criminosas para recuperar tesouros perdidos da humanidade. Mesmo após sua suposta morte, sua figura continuava despertando curiosidade e encantamento.

Yoongi, porém, não pensava na lenda. Sentia falta do amigo. Durante tantos anos, Jimin foi seu prisioneiro, seu alvo e sua maior dor de cabeça, mas, entre perseguições, discussões e incontáveis encontros inesperados, havia nascido uma amizade sincera entre eles. Às vezes, se pegava imaginando como Jimin estava vivendo na Ilha Vermelha, como estava lidando com sua nova condição de vampiro e se havia encontrado a felicidade ao lado de Jungkook. E, no fundo do coração, perguntava-se também se um dia iria vê-lo novamente.

Taehyung ainda estava aprendendo a aceitar completamente sua própria sexualidade. Mais difícil do que admitir seus sentimentos por Yoongi era pensar no momento em que precisaria contar tudo aos pais, principalmente ao pai, um militar rígido e declaradamente homofóbico. Sabia que ele e Yoongi enfrentariam um caminho longo, cheio de obstáculos e preconceitos, mas também sabia que não abriria mão do homem que amava. Era justamente aquele amor que lhe dava coragem para continuar. Não precisava resolver toda a sua vida de uma só vez. Bastava dar um passo de cada vez.

Respirando fundo, Taehyung entrelaçou os dedos aos de Yoongi e sorriu para ele. Em seguida, conduziu o namorado até o centro da recepção da delegacia, onde policiais, investigadores e funcionários circulavam de um lado para o outro. Yoongi não fazia ideia do que ele pretendia fazer, mas o acompanhou em silêncio.

— Pessoal... — chamou Taehyung, elevando um pouco a voz.

A movimentação diminuiu aos poucos. Algumas pessoas ergueram a cabeça dos computadores, outras interromperam as conversas e voltaram a atenção para ele. O coração de Taehyung parecia querer saltar pela boca.

— Preciso fazer um anúncio importante.

Todos o observavam com curiosidade, imaginando que se tratasse de algum comunicado urgente relacionado ao trabalho.

— Tae... — Yoongi sussurrou, tentando discretamente soltar a própria mão. Conhecia Taehyung o suficiente para saber o quanto aquele momento era difícil para ele.

Mas Taehyung apenas sorriu, apertou sua mão com ainda mais firmeza e voltou a encarar os colegas.

— Quero que todos saibam que este homem incrível ao meu lado... é o meu namorado.

Por alguns segundos, fez-se um breve silêncio. Então, como se absolutamente nada extraordinário tivesse acontecido, as pessoas voltaram naturalmente às suas atividades.

— Parabéns pelo namoro, Tae. — disse um dos investigadores, sem nem levantar os olhos dos papéis que organizava. — Mas a gente já sabia faz tempo.

…

Hoseok observava discretamente a quantidade de talheres dispostos sobre a mesa sem fazer a menor ideia de qual deveria usar primeiro. Por baixo da mesa, sentiu Mingi acariciar sua coxa com delicadeza. O gesto simples, quase imperceptível para qualquer outra pessoa, foi suficiente para aliviar um pouco a tensão que apertava seu peito.

Jantar com os pais de Mingi definitivamente não era uma tarefa fácil. Além de extremamente educados e metódicos, eram pessoas cultas, respeitadas em suas profissões e pertencentes a uma família tradicional e muito rica, onde as regras de etiqueta pareciam fazer parte da própria respiração. Hoseok não conseguia evitar imaginar o que aconteceria se descobrissem que o namorado do precioso filho deles era um ex-garoto de programa, sem estudos, criado em meio às maiores dificuldades da vida.

Um sentimento esmagador de inferioridade tomou conta dele. Por um instante, sua única vontade foi levantar da cadeira e fugir dali. Mas, antes que pudesse afundar de vez nesses pensamentos, sentiu a mão quente de Mingi encontrar a sua por baixo da mesa. Quando levantou os olhos, encontrou o namorado olhando diretamente para ele. Sem emitir som algum, Mingi apenas movimentou os lábios, formando um silencioso "eu te amo”. Foram palavras simples, mas carregadas de tanta sinceridade que pareciam partir ao meio todas aquelas vozes que insistiam em dizer que Hoseok não era suficiente. Talvez suas inseguranças não desaparecessem naquele instante, mas ele percebeu que não precisava enfrentá-las sozinho. Mingi o amava, e ele amava Mingi. Juntos, poderiam atravessar qualquer dificuldade.

Mingi sempre despertava nele o desejo de crescer, mas nunca para agradar aos outros ou conquistar a aprovação de sua família. Ele o inspirava a se tornar uma versão melhor de si mesmo, por ele próprio, respeitando seu tempo, sua história e tudo o que havia vivido até chegar ali.

Hoseok sorriu discretamente e passou a conversar com os sogros de maneira educada e cada vez mais à vontade. Sempre que surgia uma nova sequência de pratos, bastava um rápido olhar para Mingi, que, quase sem ser notado, indicava qual talher usar, poupando-o de qualquer constrangimento.

Apesar de todos aqueles momentos importantes, os favoritos de Hoseok continuavam sendo os mais simples. Adorava quando ele e Mingi voltavam para casa, acendiam a lareira e se deitavam no tapete com um livro entre os dois. Mingi interpretava cada personagem com tanta empolgação que Hoseok ria até sentir a barriga doer. Entre histórias, gargalhadas e páginas viradas, as noites sempre terminavam com eles abraçados, trocando os beijos mais doces que poderiam existir.

... Algumas semanas depois ...

Taehyung acordou cedo, como fazia quase todas as manhãs, e foi preparar o café da manhã. Queria agradar o namorado, que nos últimos dias parecia mais quieto e abatido. Imaginava que aquela tristeza fosse apenas saudade de Jimin e dos amigos que haviam permanecido na Ilha Vermelha.

Yoongi ainda dormia profundamente quando Taehyung saiu da cama.

Depois de preparar um café da manhã caprichado, Taehyung voltou ao quarto e, como já havia se tornado um costume desde que passaram a morar juntos, acordou Yoongi distribuindo vários beijinhos por seu rosto.

— Amor, preparei o café. — sussurrou com carinho.

Yoongi apenas se virou para o lado, abraçou a cintura de Taehyung e enterrou o rosto em seu peito.

— Tae... eu não tô me sentindo muito bem. Acho que não vou conseguir comer. — Sua voz ainda estava sonolenta.

Preocupado, Taehyung segurou delicadamente seu rosto para observá-lo melhor.

— O que você tá sentindo? Tem alguma dor? Ontem você também quase não comeu nada. Estou ficando preocupado.

— Eu não sei explicar... só me sinto fraco, sem energia. E toda vez que sinto o cheiro de comida, fico com vontade de vomitar.

Taehyung franziu o cenho imediatamente.

— Nós vamos ao médico. Agora.

Mesmo contrariado, Yoongi acabou cedendo. Algumas horas depois, os dois já estavam no hospital. Entre exames, coleta de sangue, ultrassom e uma longa espera deitado na maca, a manhã praticamente desapareceu. Somente no fim da tarde o médico retornou com todos os resultados em mãos.

Para surpresa dos dois, os exames estavam excelentes. Yoongi não apresentava qualquer alteração física que justificasse os sintomas. Como não encontrou nenhuma causa clínica aparente, o médico levantou a hipótese de que a perda de apetite pudesse estar relacionada ao trauma vivido após o acidente de avião e recomendou que Yoongi também passasse por um acompanhamento psicológico para investigar uma possível origem emocional para aquele mal-estar.

Naquela noite, Taehyung preparou uma sopa de legumes na esperança de que Yoongi conseguisse comer alguma coisa. Ele até tentou, mas bastaram algumas colheradas para seu estômago rejeitar completamente a refeição. Vomitou tudo e, exausto, desistiu de insistir. A única coisa que seu corpo parecia desejar era dormir. Um sono pesado e irresistível o consumia, como se cada músculo implorasse por descanso.

No meio da madrugada, porém, Yoongi despertou abruptamente. Uma dor de cabeça lancinante atravessava seu crânio como se centenas de agulhas perfurassem seu cérebro ao mesmo tempo. A cada segundo a dor aumentava, tornando-se quase insuportável. Seus dentes também doíam de forma intensa, fazendo sua gengiva latejar sem parar, enquanto um zumbido agudo invadia seus ouvidos, semelhante ao som ensurdecedor de caixas de som em um show, tão alto que parecia prestes a romper seus tímpanos.

Cambaleando, levantou-se da cama e caminhou até o banheiro, apoiando-se na parede para não cair. Abriu a torneira e deixou a água gelada escorrer sobre as mãos antes de levá-las ao rosto. Sua visão estava turva, como se tudo ao redor estivesse coberto por uma névoa espessa. Jogou mais água no rosto na tentativa desesperada de recuperar os sentidos e, quando finalmente ergueu os olhos para o espelho, algo o fez prender a respiração.

Um fino filete de sangue escorria lentamente pelo canto de sua boca.

A dor em sua gengiva era tão intensa que ele teve a sensação de que os próprios dentes estavam se soltando. Tremendo, abriu a boca para examiná-la no espelho. A gengiva sangrava abundantemente, e o sangue descia por seu queixo, manchando o tecido branco do pijama. O gosto metálico invadia sua boca, tornando cada respiração mais difícil.

Yoongi engasgou com o próprio sangue. Tossiu violentamente e, junto com a tosse, três dentes caíram sobre a pia de porcelana com um som seco. O desespero tomou conta dele. Levou as mãos à boca, mas uma nova crise de tosse veio em seguida. Mais dentes se desprenderam. Depois mais um. E mais outro. A cada espasmo, sua boca parecia se desfazer, enquanto a pia ficava coberta por sangue e dentes espalhados.

Quando a crise finalmente cessou, Yoongi ergueu lentamente o rosto em direção ao espelho. Não havia restado um único dente em sua boca. Sua pele estava ainda mais pálida que o habitual, os olhos profundamente fundos e marcados, transformando seu reflexo em algo digno de um pesadelo. Era como se estivesse assistindo ao próprio corpo se desfazer diante de seus olhos.

Então uma nova onda de dor atravessou sua gengiva, ainda mais intensa do que todas as anteriores. Algo estava acontecendo. Algo que ele não conseguia compreender. Com as mãos trêmulas, encheu a boca de água para lavar o sangue. Quando cuspiu na pia, o líquido vermelho e espesso voltou a escorrer em abundância, tingindo a porcelana de um vermelho vivo enquanto a dor continuava aumentando.

Yoongi parou diante do espelho e abriu lentamente a boca para examinar a gengiva. Agora entendia a origem daquelas pontadas insistentes. Novos dentes rompiam a carne aos poucos, mas não era isso que o aterrorizava. Seus caninos cresciam de forma anormal, alongados, afiados e fortes, projetando-se para além dos outros dentes. O choque foi tão grande que suas pernas cederam. Cambaleou para trás até bater as costas na parede e, sem forças, escorregou lentamente até se sentar no chão.

A transformação havia começado.

Foi então que um cheiro metálico invadiu suas narinas. Era sangue, mas não era o seu. Ao mesmo tempo, um som chamou sua atenção. Um coração pequeno batia em algum lugar, acelerado, ritmado, absurdamente alto para seus novos sentidos. Cada pulsação parecia ecoar dentro de sua própria cabeça.

Yoongi levou as mãos às têmporas, tentando organizar os pensamentos, mas sua mente se tornava cada vez mais nebulosa. Estava com fome.

Sem sequer perceber quando tomou a decisão, caminhou lentamente até o rodapé do banheiro. Seus novos sentidos sabiam exatamente onde aquela pequena vida se escondia. Com uma força muito além da humana, desferiu um único golpe contra a parede. O reboco se partiu instantaneamente. Enfiou a mão no buraco e, segundos depois, retirou um rato que se debatia desesperadamente entre seus dedos.

Yoongi ficou observando o pequeno animal. Não enxergava apenas um rato, enxergava sangue. Via as pequenas veias pulsando sob a pele frágil. Conseguia sentir o calor daquele corpo vivo e isso despertava nele uma fome impossível de controlar.

Por um breve instante, desviou o olhar para a porta do banheiro. Pensou em Taehyung, o homem que amava. Pensou em como ele reagiria se o encontrasse naquele estado.

Mas a fome falou mais alto. Naquele instante, Yoongi permitiu que sua sede de sangue sufocasse sua humanidade.

FIM… por enquanto.

Notas finais
Eu ouvi um "continua"? Quem sabe? ( ノ ゚ー゚)ノ Bom. Quero agradecer muitíssimo aos favoritos e principalmente aos comentários, amo muito ler todos! Obrigada pelo carinho e por sempre tirarem um tempo para ler minhas fics. Espero escrever mais histórias ao longo desses anos. Mais uma vez, muito obrigada :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!