A Ilha

22 O poder da persuasão



— Eu tenho um ótimo poder de persuasão, acredite — Jimin disse com um sorriso confiante.

— Eu sei — Jungkook levou a mão ao peito, teatral — Já fui completamente persuadido pelos seus encantos.

— Você tá flertando comigo? — Jimin riu.

— E está funcionando?

— Não muito — Jimin respondeu sem cerimônia — Eu gosto mais de ações do que de palavras.

— Ações… — Jungkook repetiu, o sorriso ganhando um tom perigosamente sugestivo enquanto dava um passo à frente.

Jimin caiu na risada e o empurrou de leve no peito.

— Bobo. Não sabia que vampiros eram tão descarados.

— Você claramente não conhece muitos vampiros.

O sorriso de Jimin suavizou. Ele levou as mãos ao rosto de Jungkook, segurando-o com cuidado, como se estivesse analisando uma obra rara.

— Pra mim, você parece humano demais — murmurou. — Me mostra.

— Mostrar o quê? — Jungkook perguntou, atento e desconfiado.

— Seus dentes. É como nos filmes? Eles crescem?

Jungkook hesitou.

— Crescem… — confirmou em voz baixa. — Tem certeza de que quer ver? Não vai se assustar?

— Não — Jimin respondeu sem desviar o olhar — Já vi muitas coisas estranhas na vida.

Jungkook deu de ombros, como se aquilo fosse simples, mas por dentro não era. Respirou fundo antes de sorrir. Jamais mostraria suas presas para qualquer um. Aquilo era íntimo, quase sagrado. Mas Jimin não era “qualquer um”. Desde o primeiro momento, algo nele despertara uma inquietação profunda demais para ser ignorada.

Entre o seu povo, a ideia de alma gêmea não era uma metáfora romântica, era um laço real, raro e capaz de alterar destinos. Jungkook se pegava, mais vezes do que admitiria, perguntando se Jimin era a outra metade que ele procurara por tanto tempo. Se fosse, sua busca teria chegado ao fim. E com ela, se abririam segredos da ilha que só poderiam ser compartilhados entre duas almas ligadas.

Sem desviar o olhar, Jungkook deixou que seus dentes crescessem.

Jimin observou, os olhos arregalados, o coração acelerado. Nunca tinha visto nada parecido. O medo, porém, não veio. Em seu lugar, surgiu uma curiosidade intensa, quase faminta. Havia algo hipnotizante em Jungkook, algo que ia além da beleza evidente. Era um magnetismo silencioso, uma atração que não pedia permissão.

Era um dom do seu povo. Se quisessem, poderiam dominar qualquer pessoa com facilidade, apenas usando os desejos internos.

Mas Jungkook não queria dominar Jimin.

Ainda assim, Jimin sentia o próprio corpo reagir, como se algo dentro dele reconhecesse aquele perigo como convite. Um arrepio percorreu sua espinha. Um desejo estranho, instintivo, surgiu sem aviso, era a vontade de sentir aquelas presas cravando sua pele.

E isso, mais do que qualquer coisa, o assustava e o atraía ao mesmo tempo.

— Você tá me hipnotizando? — Jimin chacoalhou a cabeça, como se tentasse afastar o turbilhão de sensações que o atravessavam.

— Não estou — Jungkook respondeu com firmeza, quase sério —, acredite. Se eu estivesse usando qualquer tipo de influência, você nem teria consciência do que está sentindo agora. O que acontece é… natural. Humanos reagem assim quando ficam próximos a mim.

— Hum… — Jimin claramente não estava prestando atenção na explicação. Seus olhos permaneciam fixos nas presas expostas. Antes que Jungkook pudesse prever, Jimin deu um passo à frente e envolveu seu pescoço com os braços.

Jungkook arregalou os olhos.

Aquilo não deveria estar acontecendo daquele jeito. Não era pra Jimin estar hipnotizado.

— Me morde.

— O quê?! — Jungkook segurou Jimin pelos ombros, atônito — Jimin, você tem noção do que está pedindo?

— Tenho sim — Jimin riu, despreocupado — Você me seguiu por dias, me stalkeou sem vergonha nenhuma, me espiou tomando banho… e, sinceramente? Você é gostoso pra caralho. Nem precisava desse seu “poderzinho”, eu já teria me interessado do mesmo jeito. Só quero uma mordidinha. De leve.

— Não! — Jungkook respondeu de imediato, nervoso — Você é maluco. Eu não vou te machucar.

Ele deu um peteleco leve na testa de Jimin, tentando criar distância, mas Jimin apenas riu e voltou a se aproximar.

— Só um pouquinho — insistiu, a voz mais baixa, quase provocativa — Não precisa morder de verdade. Só… raspa o dente no meu pescoço. Vai.

Jimin o abraçou de novo, consciente do efeito que causava. E Jungkook percebeu, com um aperto no peito, que o verdadeiro perigo ali não era o instinto vampírico. Era o quanto ele queria ceder.

— Jimin, Jimin — Jungkook abraçou sua cintura, sua voz saiu mais baixa que o normal — Pare de me provocar. Você está pedindo pra um vampiro morder o seu pescoço? Você realmente não tem a mínima noção do perigo.

— Eu não pediria isso para outro vampiro, só pra você.

— E o que me difere de outros?

— Confio em você.

Jungkook sorriu todo bobo.

— Não vou te morder, só arranhar sua pele, se é o que quer.

Jimin sorriu e tombou a cabeça para o lado, mostrando seu pescoço.

Jungkook sentiu vontade de mordê-lo, mas era diferente, não era vontade de sugar seu sangue nem nada do tipo, era vontade de marcar a pele branca de Jimin com seus dentes. Deu um beijo suave e demorado no pescoço de Jimin, que estremeceu e apertou seu braço, soltando um gemido baixinho que aguçou os desejos internos de Jungkook. Quando sentiu o cheiro de Jimin, seu corpo correspondeu parecendo deixá-lo mais quente, em um calor intenso e sedento por mais contato físico com o pequeno humano.

Jimin se esfregou em seu corpo, o que tornava aquilo ainda mais irresistível. Jimin o queria, assim como Jungkook também o queria.

Jungkook raspou os dentes na pele branca e morna de Jimin, que soprou arfares prazerosos no ouvido dele. Olhou para a pele alva arranhada com um rastro vermelho feito pelos seus dentes pontudos, deixou um beijo delicado e se afastou com um sorriso.

Jimin estava de olhos fechados e com a boca entreaberta, arfando levemente e curtindo o momento. Abriu os olhos vagarosamente quando sentiu Jungkook se afastar.

— Mais… — Jimin pediu com a voz fraca e o corpo mole.

— Não — Jungkook respondeu firme — Você está prestes a perder a consciência. Eu gosto de você e não vou te deixar apagado feito um vegetal. — Ele pegou uma garrafa de água, observou Jimin por um segundo e suspirou. — Me desculpa por isso, mas… — Despejou a água fria sobre a cabeça de Jimin.

— CARALHO! — Jimin despertou de imediato, arfando, sacudindo os cabelos enquanto a água escorria pelo rosto e pelo corpo — Nossa… que viagem foi essa? — Ele passou a mão pelo rosto, tentando se recompor. — Ok, você é bonito pra caralho, isso ninguém discorda. Eu te daria facilmente sem você precisar fazer muito esforço — disse, ainda meio desnorteado, mas já sorrindo — Mas isso foi demais. Eu realmente queria que você me mordesse. Tipo… muito. E, sendo honesto? Se você me mordesse tenho certeza de que eu teria o melhor orgasmo da minha vida. Então não vem dizer que você não fez nada. Você me hipnotizou sim, com esses seus poderzinhos vampirescos.

Jungkook caiu na risada, erguendo as mãos em rendição.

— Eu juro que não fiz nada. Claro, admito que o meu povo tem… uma certa influência natural sobre os humanos. Mas eu não usei poder nenhum em você. — Ele hesitou por um instante antes de continuar, o sorriso agora mais tímido. — Dizem que… quando se trata da sua alma gêmea, a atração acontece sozinha.

Jimin revirou os olhos.

— Tá me dizendo que você é minha alma gêmea agora?

— Não fui eu quem quase desmaiou nos meus braços — Jungkook provocou, inclinando levemente a cabeça — Você se entregou sem que eu precisasse fazer absolutamente nada.

— Mentira! — Jimin rebateu — Você usou genjutsu em mim e agora tá pagando de inocente.

— Genjutsu? — Jungkook riu alto — A gente não assiste Naruto aqui.

— Idiota — Jimin deu um soquinho leve em seu peito.

Jungkook segurou a mão dele antes que se afastasse e o puxou para mais perto, o sorriso perigoso nos lábios.

— Você ainda quer me beijar? — Jungkook perguntou, a voz tranquila de quem já sabia a resposta.

— “Ainda”? — Jimin arqueou a sobrancelha — E desde quando eu quis? O que eu fiz hipnotizado não conta.

— Conta sim — Jungkook rebateu com um sorriso de canto — É como vocês humanos dizem: “a bebida entra e a verdade sai”. Quando vocês entram nesse estado de atração inerte, não é controle meu. São os desejos internos vindo à tona. Em resumo… você me quer.

— Tá, você me pegou — Jimin deu de ombros — Não vou nem tentar negar.

— Ótimo, é sempre importante ser sincero. Mudando de assunto — Jungkook apontou para a floresta — Tenho um lugar tranquilo pra gente descansar. Posso preparar algo nutritivo pra você comer. O que acha?

— Isso é um convite pra jantar… ou pra sexo?

— Depende de você — Jungkook riu, claramente se divertindo.

— Eu achando que o nativo que me stalkeou era inocente — Jimin balançou a cabeça — Inocente sou eu.

— Jimin — Jungkook o interrompeu — você passou dias tagarelando sobre suas experiências amorosas. Falou do namorado que roubou do vizinho, comentou que queria um sexo selvagem com os policiais que te escoltavam… então não. Você definitivamente não é inocente.

Jimin arregalou os olhos.

— Espera… você ouviu tudo isso?

— Ouvi. E pra constar — Jungkook inclinou a cabeça, sério — eu sou virgem.

Jimin caiu na gargalhada.

— Você? Virgem? Não acredito.

Virgenfobia? — Jungkook deu um peteleco na testa dele — Não somos como vocês humanos. Só temos intimidade com nossas almas gêmeas.

— Primeiro você me chama de alma gêmea e agora de vadia? — Jimin riu — Esse papo é romântico, mas meio cafona. Prefiro ser uma grande vadia mesmo.

Jungkook cerrou os olhos, fingindo indignação.

— Então você não acredita em alma gêmea? Cadê o tal humano mente aberta?

— Deve estar perdido na floresta — Jimin respondeu, dando de ombros — Enfim, o papo tá ótimo, mas eu preciso voltar.

— Voltar? — Jungkook franziu o cenho — Voltar pra onde? Não íamos pra minha casa?

— Vamos, mas antes preciso passar na praia. Meus amigos estão em perigo, tenho que avisá-los.

— Jimin, se você for até lá, eles vão te prender de novo. É uma péssima ideia — Jungkook falou sério — Deixa eu te levar pra minha casa. Lá você fica protegido.

— Me poupe — Jimin revirou os olhos, jogando o cabelo para trás — Não sou uma princesa da Disney pra ficar presa num castelo. Eu sou o próprio perigo.

Jungkook suspirou fundo. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, os Millers encontrariam Jimin e aquilo não terminaria bem. E ele não iria permitir que isso acontecesse. Quanto aos amigos de Jimin, no fundo, Jungkook temia que já estivessem condenados.

— Então não existe nenhuma chance de eu te convencer a ir comigo pra um lugar seguro? — perguntou, ainda tentando.

— Nenhuma — Jimin respondeu com um sorriso tranquilo — Na verdade, sou eu quem vai te convencer a vir comigo.

Jungkook estreitou os olhos.

— Me convencer? E como exatamente?

Jimin se aproximou sem pressa e passou os braços ao redor do pescoço dele.

— Ah… você sabe — disse em tom doce — Como minha alma gêmea, você faria qualquer coisa pra me proteger, não faria? Agora imagina seu pequeno Jimin sendo sugado até a morte por aí… isso partiria seu coração.

Jungkook soltou uma risada curta, rendida, e o puxou pela cintura.

— Você joga sujo demais — murmurou — Então você é meu “pequeno Jimin”, é isso?

— Você quer que eu seja? — Jimin respondeu, aproximando-se ainda mais, os dedos deslizando pelo rosto dele.

Naquele instante, Jungkook teve certeza de uma coisa: os humanos também sabiam usar hipnose. Porque era exatamente assim que se sentia, completamente capturado. E Jimin era perigosamente bom nisso.

— Você sabe muito bem o que eu quero — Jungkook suspirou, vencido — Não vou deixar você ir sozinho. Mesmo sendo uma loucura… eu vou com você.

Jimin sorriu, vitorioso.

Notas finais
Passou de vampiro pra cadelinha em dois segundos, é isso kkkkkkkkkkkkk