A Ilha

25 De volta ao acampamento



“Eu acho que vou morrer.”

Esse foi o primeiro pensamento de Jungkook quando os lábios de Jimin tocaram os seus.

Não era exatamente morrer, mas algo perigosamente próximo disso.

Em toda a sua existência, ele nunca tinha sentido nada parecido. Era intenso demais. Jungkook não fazia ideia de que um simples beijo poderia carregar tanto prazer.

Seu corpo reagiu instantaneamente. Um arrepio percorreu sua espinha ao sentir o calor da boca de Jimin, a maciez dos lábios que se encaixavam nos seus com uma naturalidade absurda. E pra piorar, na verdade melhorar, Jimin continuava fazendo aquelas coisas com a língua dentro da boca dele, que estava o deixando completamente em êxtase.

Era como ser puxado para dentro de algo do qual ele não queria escapar. A mente de Jungkook tentou, inutilmente, acompanhar o que estava acontecendo.

"Isso é… normal?"

O coração dele batia forte e descompassado, como se quisesse romper o próprio peito. Por um instante, teve a estranha sensação de que Jimin poderia sentir aquilo também, tão próximos que estavam.

"Será que Jimin me hipnotizou?"

A ideia não pareceu absurda. Na verdade, parecia a única explicação possível.

Jungkook já havia visto humanos reagirem aos poderes do seu povo, eles ficam naquele estado deplorável de entrega e rendição. Mas agora ele estava do outro lado. Preso, completamente envolvido, incapaz de se afastar. E assim como os humanos pegos pelas armadilhas da atração dos vampiros, Jungkook não queria fugir, queria mais.

Jungkook sentiu o próprio corpo aquecer de forma crescente, como se estivesse sendo consumido por uma chama invisível. Não era dor, mas também não era algo que ele soubesse nomear. Era uma combustão silenciosa, um calor que se espalhava por dentro, tomando cada parte dele.

"O que esse pequeno humano está fazendo comigo?"

Jimin levou as mãos até o cabelo dele, entrelaçando os dedos nos fios escuros e puxando levemente. O gesto arrancou um gemido rouco de Jungkook, que mal percebeu quando aquilo escapou.

Jimin riu contra seus lábios, claramente consciente do efeito que causava. Mas, quando tudo começou a se intensificar ainda mais, Jimin se afastou, deixando Jungkook completamente entregue e, pior, querendo mais.

Ele abriu os olhos devagar, ainda atordoado, a respiração descompassada. Jimin o observava com um sorrisinho debochado, tranquilo demais para alguém que tinha acabado de virar o mundo dele de cabeça para baixo.

— Gostou? — perguntou, calmo como a água parada num rio.

Jungkook, por outro lado, parecia o caos de um tsunami.

— Se gostei? — ele soltou, ainda ofegante — Foi o meu primeiro beijo… e foi… incrível.

Jimin piscou, surpreso.

— Seu primeiro beijo?

— Por que a surpresa?

— Porque você é um gostoso do caralho — Jimin respondeu com naturalidade — Imaginei que tivesse uma fila de gente querendo te beijar.

Jungkook desviou o olhar por um segundo.

— Até tem, mas… — ele respirou fundo — não ri, tá?

Jimin cruzou os braços, curioso.

— Tá, fala.

— Nós acreditamos em alma gêmea. Amor verdadeiro. — Jungkook coçou a nuca, levemente sem jeito — Então… a gente só beija quando sente que é… real, que é a nossa alma gêmea.

No mesmo instante, Jungkook percebeu o que tinha acabado de dizer.

"Espera… eu me declarei?"

O pânico veio rápido.

— Mas eu não quis dizer que você é meu amor verdadeiro! — disparou, apressado — Quer dizer… eu quis, mas não exatamente assim… quer dizer, não que não seja, mas…

Ele travou, passando a mão pelo rosto.

— Esquece. Eu só tô me enrolando mais.

Jimin riu a cada tentativa atrapalhada de Jungkook de se explicar. Havia algo genuinamente encantador naquele jeito tímido e desajeitado do vampiro.

— Você é fofo — disse, ainda sorrindo.

Jungkook ficou em silêncio por um segundo, confuso.

— “Você é fofo”… isso, no idioma dos humanos, quer dizer “namora comigo”?

Jimin caiu na risada.

— Namorar? — balançou a cabeça — Meu amor, eu sou do cabaré. Esse negócio de namorar não combina muito comigo.

— Cabaré… — Jungkook repetiu, tentando puxar aquela palavra da memória — Isso seriam prostíbulos? Você é um prostituto?

— Não, seu idiota — Jimin deu um soquinho leve no peito dele, carinhoso demais para ser levado como bronca. A única reação de Jungkook foi querer puxá-lo de volta e beijá-lo outra vez. — Só quis dizer que gosto de viver sem me prender a ninguém.

Jungkook o observou com mais atenção.

— Então você não acredita no amor?

— Não. Isso tudo é meio ilusório.

— Mas você disse que acredita no que é místico — Jungkook inclinou a cabeça — Por que não no amor?

Jimin deu de ombros.

— Porque não existe amor desse jeito que você acredita. Talvez pro seu povo, sim… essa coisa de alma gêmea, amor eterno — ele suspirou — Pra mim, amor é ciclo. Começa, acaba e depois começa de novo. As pessoas enjoam umas das outras.

— Eu nunca enjoaria de você.

A frase escapou antes que Jungkook pudesse impedir.

"Por que eu falo sem pensar?"

Ele travou, sentindo o próprio corpo ficar tenso, esperando a reação. Mas Jimin não riu, não dessa vez. Ele apenas o encarou com aquele olhar profundo e intenso. Por um instante, Jungkook teve a sensação de estar sendo visto por inteiro. Sua mente falhou e o corpo agiu primeiro. Ele segurou o rosto de Jimin e o puxou para um beijo. Dessa vez, não foi hesitante. Foi ainda mais intenso.

Seus lábios se encontraram com urgência, como se houvesse algo ali que precisava ser confirmado. O beijo não era só curiosidade, agora era vontade. Jimin respondeu na mesma intensidade, sem recuar, sem fugir. Pelo contrário, se aproximou mais, aprofundando o contato, como se já conhecesse aquele caminho há muito tempo.

Era apenas o segundo beijo. Mas parecia que já se conheciam há anos. E, quanto mais se beijavam mais impossível se tornava parar.

— Jimin… — Jungkook sussurrou o nome dele com a voz baixa, enquanto seus lábios percorriam o pescoço dele em beijos leves.

— Diga… — Jimin respondeu em um suspiro, tentando manter as pernas firmes, mesmo ainda afetado pelo beijo intenso de segundos atrás.

Jungkook hesitou por um instante, como se a pergunta fosse mais pesada do que parecia.

— Nós… somos namorados agora?

O clima mudou na mesma hora. O sorriso de Jimin desapareceu, substituído por uma expressão mais fechada e distante. Ele se soltou do abraço e deu um pequeno passo para trás.

Jungkook ficou parado, confuso, esperando.

— A gente acabou de se beijar… — Jungkook continuou, mas agora com a voz mais incerta — Isso não é o que namorados fazem? Eu falei algo errado?

— Jungkook… eu… nós… — Jimin respirou fundo, como se organizasse as palavras com cuidado. Segurou as mãos dele e forçou um sorriso leve — Foi só um beijo. — As palavras vieram suaves. Mas o peso delas não. — Foi gostoso, sim. Mas não significa nada além disso. Nós não somos namorados… nem alma gêmea. Foi só um momento.

Aquela frase atingiu Jungkook em cheio.

— Não foi especial pra você? — a voz dele saiu mais baixa, embargada, como se tivesse algo preso na garganta.

Jimin levou a mão ao rosto dele, acariciando com carinho, um contraste doloroso com o que acabara de dizer.

— Kook… olha pra mim — disse com suavidade — A gente vem de mundos diferentes. Literalmente. Eu não posso viver no seu mundo e você não pode viver no meu. — Ele suspirou. — Eu tô sendo sincero desde o começo pra você não sofrer quando eu for embora. Eu quero aproveitar o tempo que a gente tem agora. Quero fazer coisas gostosas além de beijos com você. — Seus olhos suavizaram, mas as palavras continuaram firmes. — Mas não somos namorados. Então… não se apega a mim. Você sabe como eu sou.

Jungkook abaixou o olhar.

— Eu sei…

— Ei… — Jimin tentou aliviar, dando um sorriso leve — Não fica assim. Você vai encontrar alguém perfeito pra você.

"Você é a pessoa perfeita pra mim…"

O pensamento veio pesado. Jungkook respirou fundo e forçou um sorriso.

— Sim, Jimin… você tem razão. Eu vou encontrar alguém perfeito pra mim.

Jimin sorriu, um sorriso bonito o suficiente para fazer o coração de Jungkook apertar mais uma vez.

…

Algumas horas se passaram enquanto caminhavam pela floresta em direção ao acampamento. Jungkook ainda sentia o gosto do beijo de Jimin nos próprios lábios, como uma memória que se recusava a desaparecer. Queria beijá-lo de novo mais uma vez, só mais uma, ou quem sabe duas, ou três vezes.

Mas, ainda assim, estava um pouco desanimado.

As palavras de Jimin ainda ecoavam dentro dele, pesadas como um golpe que demorava a parar de doer. Mas, depois de pensar um pouco, concluiu que talvez fosse melhor daquele jeito. Melhor do que se prender a algo que não iria acontecer. Melhor encarar a realidade do que se perder em expectativas.

Jimin podia acreditar em muitas coisas, mas não no amor. E Jungkook só podia aceitar que, talvez, sua alma gêmea não estivesse destinada a ele.

— Falta pouco pra chegarmos — disse Jungkook, quebrando o silêncio — Quer fazer uma pausa?

— Quero — Jimin respondeu sem hesitar — Minhas pernas estão me matando.

Ele se sentou em uma pedra grande, sob a sombra de uma árvore que deixava o ar mais fresco e agradável.

Sem dizer nada, Jungkook se ajoelhou à sua frente e pegou os pés de Jimin, acomodando-os em seu colo.

— O que você tá fazendo? — Jimin tentou puxar o pé, surpreso, mas Jungkook o segurou com delicadeza.

— Massagem — respondeu com naturalidade — Seus pés devem estar doendo. A caminhada foi longa.

Seus dedos começaram a pressionar a pele com movimentos firmes e circulares, como se já soubesse exatamente onde tocar. Jimin soltou um arfar baixo, involuntário. Aquilo era bom. Na verdade, muito bom.

Depois de alguns minutos, enquanto aproveitava o cuidado inesperado, Jimin se pegou olhando para Jungkook. Observando cada detalhe. E, sem querer, deixou a mente escapar para um pensamento perigoso.

Como seria namorar alguém como ele?

Jungkook era diferente de qualquer pessoa que já conheceu. Cresceu isolado, longe da crueldade humana. E, mesmo sendo um vampiro, havia nele algo puro, gentil, verdadeiro e até mesmo inocente.

Jimin desviou o olhar de repente e balançou a cabeça, como se pudesse expulsar aquilo dos pensamentos.

— Precisamos ir — disse, puxando os pés e se levantando.

Jungkook ergueu o olhar e sorriu.

— Vamos. Vamos encontrar seus amigos.

…

Taehyung estava à beira da praia, pescando ao lado de Mingi, quando algo ao longe chamou sua atenção. Duas silhuetas surgiam no horizonte, caminhando pela areia.

— Eu não tô acreditando… — murmurou, estreitando os olhos, tentando enxergar melhor. Por um segundo, seu coração falhou. — JIMIN?!

Mingi se assustou com o grito e imediatamente seguiu o olhar do amigo. E lá estava ele, o até então desaparecido Park Jimin, andando tranquilamente pela areia, como se nada tivesse acontecido.

Taehyung não pensou duas vezes. Saiu correndo na direção dele, o coração disparado, um turbilhão de sentimentos misturados, algo como alívio, alegria e raiva. Alívio por ele estar vivo, alegria por finalmente tê-lo encontrado e raiva por ele tê-lo enganado novamente.

— JIMIN! — gritou novamente, diminuindo o ritmo conforme se aproximava.

Foi então que percebeu que Jimin não estava sozinho. Taehyung parou.

Jungkook, por instinto, se colocou imediatamente à frente de Jimin. Seu corpo inteiro ficou tenso. Aquele só podia ser um dos homens que o perseguiam, o tal policial que Jimin havia mencionado, e ele não deixaria ninguém encostar nele.

— Tae… — Jimin sorriu, como se estivesse tentando suavizar a situação.

— Quem é você? — Taehyung ignorou o sorriso e analisou Jungkook de cima a baixo. As roupas eram estranhas demais para aquele lugar e para aquela época. — Você definitivamente não veio no avião.

— Ele é o Jungkook — Jimin se adiantou, ficando entre os dois, como uma barreira — É um nativo da ilha, a gente precisa conversar… e muito.

Jungkook permanecia em alerta, o olhar duro fixo em Taehyung, como um animal pronto para atacar se fosse necessário. Taehyung, por outro lado, relaxou um pouco.

— Sim, precisamos mesmo — disse, voltando a olhar para Jimin — Eu estou feliz que você esteja vivo. A gente te procurou por toda parte. Eu estava preocupado. — Ele soltou o ar, aliviado, e um sorriso sincero surgiu. — Mas agora você voltou.

Sem pensar, deu um passo à frente e puxou Jimin para um abraço apertado. Jungkook fechou o punho imediatamente, pronto para atacar. Para ele, aquilo parecia um golpe disfarçado, uma tentativa de imobilizar Jimin. Mas Jimin, ainda nos braços de Taehyung, virou o rosto e fez um pequeno gesto com a cabeça, indicando para Jungkook que estava tudo bem. O vampiro travou, confuso mas obediente, relaxou o corpo aos poucos.

Jimin retribuiu o abraço. E Jungkook ficou ali, observando, tentando entender. Como alguém que o perseguia, que queria prendê-lo, podia ser tratado daquele jeito? Os humanos eram estranhos e complexos demais para ele.

…

Foram longas horas de conversa entre Jimin, Jin, Taehyung e os demais. Perguntas surgiam de todos os lados, atropeladas pela urgência. Todos queriam entender onde estavam, o que era aquela ilha e, principalmente, quem eram os misteriosos “sugadores”.

— Então ele é um deles — Taehyung disse, olhando Jungkook com desconfiança, já levando a mão ao cabo da arma.

Jimin soltou um suspiro cansado.

— Para de querer mostrar sua testosterona com essa arminha e se controla, Taehyung. O Jungkook é meu amigo. Ele não vai fazer mal a ninguém. Ele e o povo dele são diferentes.

— Diferentes como? — Jin perguntou, curioso e atento.

— Diferentes — Jimin reforçou, dando de ombros — Como vocês já perceberam isso aqui é uma ilha de vampiros.

Jungkook estreitou os olhos com a escolha de palavras.

— Vampiros raiz, não vampiros Nutella — Jimin completou, rindo, enquanto dava um tapinha nas costas dele.

— Existem dois grupos de vampiros aqui — continuou Jimin, agora mais sério — O Jungkook faz parte de um deles. Vampiros que não se alimentam de sangue humano.

Yoongi arqueou a sobrancelha.

— Tipo… vampiro vegano?

— Tipo isso — Jimin respondeu, sem paciência para aprofundar — Os Muller's são um grupo europeu e os Jeon, o povo do Jungkook, são de origem oriental. Eles dividem a ilha, mas não convivem bem.

Ele fez uma pausa antes de concluir.

— A história completa não importa agora. O que importa é que vocês estão em perigo. Ficar aqui é só esperar a morte chegar.

O silêncio caiu pesado sobre o grupo. Olhares foram trocados, claramente tensos e assustados. Jin foi o primeiro a falar.

— Você tem alguma sugestão? — perguntou com calma — O que podemos fazer para manter todos seguros até encontrarmos uma forma de sair daqui?

Jungkook deu um passo à frente.

— O único lugar realmente seguro nessa ilha é a minha cidade. — Ele olhou rapidamente para Jimin antes de continuar — Posso falar com meu pai e pedir abrigo para vocês.

Jin o analisou por alguns segundos.

— Isso é… extremamente generoso da sua parte — disse, com sinceridade — Mas como líder, eu preciso perguntar: por quê? Por que quer nos ajudar? Você nem nos conhece.

Jungkook hesitou. Então olhou para Jimin e sorriu, tímido.

— Porque eu… gosto do Jimin. E quero ajudá-lo, não só a ele, mas também às pessoas importantes pra ele.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Jin, que levou a mão ao queixo, observando os dois com mais atenção.

— Entendo… eu realmente agradeço, Jungkook. E peço desculpas pela desconfiança. Já perdemos pessoas demais. Não posso arriscar perder mais ninguém.

— Eu entendo — Jungkook respondeu com respeito — No seu lugar, eu faria o mesmo. Você é um líder sensato.

Jin sorriu, tocando seu ombro.

— Obrigado, meu jovem. — Ele então olhou para Jimin — Pode até ser que você seja um vampiro forte, mas o Jimin definitivamente não é.

Jimin revirou os olhos.

— Ei.

— Ele precisa descansar — Jin continuou — Todos nós precisamos. Vamos passar a noite aqui e amanhã, seguimos.

…

Depois de cerca de meia hora acertando os últimos detalhes com Jin e Taehyung, Jungkook lançou um olhar na direção de Jimin. Ele estava sentado um pouco afastado, cochichando algo com Yoongi. Os dois riam, e, vez ou outra, olhavam na direção dele, como se fosse o assunto da conversa.

— Então você tava por aí beijando um vampiro gostoso enquanto a gente te procurava, morrendo de preocupação? — Yoongi sussurrou, arqueando a sobrancelha.

— Sim, eu sou desses — Jimin respondeu, rindo sem culpa — Mas e você e o gostosão militar?

— O mesmo de sempre… — Yoongi suspirou.

Jimin revirou os olhos.

— Não tenho paciência pro idiota do Tae. É óbvio que ele gosta de você, eu já vi isso mil vezes. Lembra quando ele parou de me perseguir porque você passou mal e foi internado? Então…

— Você ficou sabendo disso? — Yoongi arregalou os olhos, quase engasgando antes de rir — Como assim?

— Yoon, meu amor… — Jimin deu um tapinha leve no braço dele — vocês achavam que me espionavam, mas era eu que espionava vocês. No começo era só pra me manter informado, mas acabei virando fã.

— Fã?

— Sim, do casal TaeGi. Eu shippo vocês há anos. Mas vocês são tão enrolados que dá até preguiça. Eu só queria ver umas cenas indecentes de sacanagem, mas nem um beijo direito sai disso.

— Eu não sou enrolado — Yoongi retrucou, cruzando os braços — O Tae que é. Eu já beijei ele duas vezes, inclusive. Sei que ele gosta, mas fica travado por causa da família.

Jimin fez uma careta.

— Isso é um saco. Ele já é adulto, podia muito bem decidir a própria vida. Amar quem quiser não devia ser um problema.

Yoongi apoiou a cabeça no ombro de Jimin, mais quieto dessa vez.

— Você acha que um dia ele vai… me aceitar de verdade?

Jimin suspirou e o abraçou de lado.

— Não sei, meu amor… — disse com carinho — Mas, se ele continuar demorando, eu mesmo roubo você pra mim.

— E o Jungkook? — Yoongi provocou, levantando uma sobrancelha.

— Ei! — Jimin respondeu na hora — Eu não namoro com ele, ok? Foi só um rolo. Nada sério. Agora eu sou todo seu, vou até casar com você.

Yoongi riu e o abraçou mais forte.

— Casar no presídio, né? Não esqueça que ainda sou o policial que te persegue.

Jimin sorriu

— Isso soa muito sexy. Não esqueça as algemas, amor.

Yoongi acabou rindo, relaxando aos poucos. O abraço de Jimin era quente, confortável e seguro. Tão seguro que, sem perceber, acabou adormecendo ali mesmo, encostado nele.