A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
10 Capítulo 9
Times com seus sete integrantes devidamente postados em suas posições na quadra de grama sintética, então deu-se o começo da partida. Devido às provocações mútuas trocas pelos times, o início do jogo não podia ter sido mais nervoso e tenso. Uma falta dura feita no franzino Greg logo nos primeiros segundos após o apito inicial, colocou mais nervosismo e tensão na partida, e ainda causou um princípio de discussão e empurra-empurra entre os capitães das equipes, mas o juiz tratou logo de apaziguar e pedir calma que aquilo era somente pra ser uma partida e não uma guerra.
Bola rolando novamente e o time adversário ao de Grissom e Cia, logo já roubava a bola de Warrick e numa troca rápida de passes, chegaram ao primeiro gol num chute forte e no ângulo, não dando chance alguma de defesa a Gil.
—Não seria melhor vocês devolverem os óculos do Grissom? Porque desse jeito vai ser derrota com goleada e por culpa do goleiro. – Sara comentou em tom de brincadeira a Wendy que sorriu.
—Não vai, não! O Gil é bom no gol e por incrível que parece, ele não precisa dos óculos quando joga.
—E como isso é possível?
Wendy deu de ombros e sorrindo, respondeu:
—Sei lá, só sei que é.
O jogo recomeçou e as garotas com exceção de Sara pulavam e gritavam tentando incentivar os amigos. O time adversário era bom e não era à toa que eram duas vezes campões da liga amadora. Só que o time de Grissom era bom também. Tudo bem que não tão bons como o time que enfrentavam, mas dava para o gasto. A verdade é que eles jogavam vez ou outra e por diversão, e não competiam como no caso dos rivais, mas ainda assim, tinham um bom nível de jogo. E logo isso foi aparecendo assim como entrosamento deles. Não demorou nada para empatarem o jogo com um gol de cabeça de Greg que comemorou fazendo uma dança doida que arrancou risada das garotas.
—Ele é doido, né?
—Completamente, Sara!
Cinco minutos depois, num belo chute que passou por baixo das pernas do goleiro, Nick virou o jogo para seu time e na comemoração do gol o jovem apontou para Sara e lhe jogou um beijo.
—Acho que ele ofereceu esse gol pra você.
A morena apenas sorriu da observação feita por Finn. Bom, Nick era até gatinho, talvez, ela lhe desse uma chance.
O jogo prosseguiu e por muito pouco o time adversário não empatou o jogo logo em seguida. Gil tratou de fazer uma defesa de puro reflexo e salvou o time de sofrer um novo gol. Quando a partida já encaminhava para o fim do primeiro tempo, DB ampliou de cabeça a vantagem no placar. E na comemoração imitou Nick e mandou um beijo para a namorada Finn que ficou toda boba com o gesto do namorado.
Veio o fim do jogo e os rapazes se aproximaram das garotas debatendo sobre a partida que se encerrara.
—Pô, Greg marca mais firme o ala, cara. O tempo todo ele tá passando por você feito um carro sem freio. Chega nele, Sanders.
—Eu tô tentando, Nick. Agora você já deu uma olhada no cara? Ele é um brutamonte.
—Deixa comigo que eu marco esse cara, Nick. – Warrick se pronunciou. _Sanders, você vai para o meio marcar aquele cara magrelo que nem você.
—Ah, obrigado, por me comparar com aquele sujeito!
A turma caiu na risada. Os rapazes receberam água das garotas e os que tinham namoradas, ainda receberam também carinhos de suas garotas. Nick aproveitou a oportunidade do intervalo para papear com Sara.
Acomodado ao lado de Catherine, Grissom ficou só observando seu amigo jogar charme para cima de Sara.
—Ele não faz idéia de com quem tá se metendo. Ela é louca!
Catherine apenas riu do que eu disse. Apesar do pequeno atrito inicial que ela me relatou ter rolado entre Sara e ela, minha amiga disse que já havia superado isso após as duas terem trocado conversa durante o jogo e agora até gostava de Sara. Cath ainda completou dizendo que Sara parecia ser uma boa pessoa apesar do gênio difícil que demonstrava ter.
—Bom, eles até que formam um casal bonito.
Olhei espantado para Cath.
—Você já está vendo-os como casal?
—Sim! Tá na cara que algo vai rolar entre eles. Nick não é de dá ponto sem nó, sabemos disso. Ele vai investir pesado pra cima da sua hóspede. E a julgar pela forma como ela tá dando trela pra ele... Vai rolar!
Olhando por essa ótica a minha amiga tinha razão.
—Se vai rolar ou não, pouco me importa. Só acho que ele vai cair fora assim que descobrir a garota insuportável e chata que ela é.
Teve inicio o segundo tempo e o time que perdia veio pra cima. Não tardou pra empatarem e virarem o jogo numa falha de Grissom que repôs a bola nos pés do adversário, que ainda tirou sarro da cara dele pela sua bobeira.
—Bola pra frente Gil! A gente vai virar, cara. – Nick como capitão tentou passar confiança para seu goleiro.
Balançando a cabeça em total desgosto por ter dado essa mancada que resultou no empate adversário, Gil viu o seu time reiniciar o jogo. Demorou alguns minutos, mas o empate veio em uma jogada espetacular de Warrick que pegou a bola na defesa e saiu driblando meio time adversário até chegar à cara do gol e tocar para Jim só empurrar a bola para as redes.
Cath ainda comemorava com as outras garotas o novo empate do time dos amigos, quando sentiu o celular de Gil vibrar no bolso de seu short. Seu amigo tinha deixado o aparelho aos cuidados dela enquanto estava no jogo, pois não quis deixar com Sara apesar da morena ter se oferecido pra isso. A loira pegou o aparelho e viu na tela piscando o nome da mãe de Gil.
—Gil ainda estão aí no jogo?
—Tia, é a Cath. O Gil tá jogando ainda. – Ela falou alto pra que pudesse ser ouvida já que as garotas gritavam.
—Nossa que barulheira Cath.
—É que os meninos empataram agorinha o jogo.
—Falta muito pra terminar esse jogo.
—Finn ainda falta muito para acabar o jogo?
A outra loira consultou seu celular e pelo que marcava o cronometro faltavam apenas dez minutos de bola.
—Dez minutos, tia Beth.
—Você sabe me dizer se o Gil e a Sara vão voltar daí de ônibus, Catherine?
A loira contou que o pai de Greg que era dono de uma vã escolar, deixaria em casa cada um da turma logo após o término do jogo. A mãe de Gil ficou mais aliviada com isso. Ela já estava pensando em buscar o filho e a hóspede de carro caso eles viessem de ônibus.
—Sendo assim fico menos preocupada. Vou aguardar aqui em casa a chegada dele e de Sara. Um beijo, Cath.
—Outro pra senhora, tia.
Cath tratou de guardou o celular do amigo e prestar a devida atenção ao jogo que estava em seu final.
Faltando cinco minutos os garotos viraram o jogo de novo pra irritação do capitão do time adversário e alegria das garotas na arquibancada.
Os poucos minutos que restavam da partida foram um verdadeiro bombardeio do time adversário pra cima de Gil. Os caras não queriam sair com a derrota, queriam ao menos o empate, mas dessa vez eles não conseguiram. Grissom fechou o gol e com defesas e mais defesas, redimindo-se assim da falha que teve. E assim seu time saiu-se vencedor daquele confronto
—Cara, você a partir de hoje é oficialmente nosso goleiro. – Decretou Nick bagunçando o cabelo do amigo. _Hodges não teria agarrado tanto assim como você.
—Para com isso! E nem vem com essa de me pôr como goleiro oficial. Só vim fazer esse papel hoje porque somos amigos e você insistiu muito.
Eles chegaram onde as meninas estavam e Gil foi alvo das brincadeiras delas por conta de sua performance no gol. Ele ficou sem jeito com tantos elogios e o discurso delas que disseram que ele parecia um goleiro de seleção.
Obviamente uma delas não o exaltou como as outras, nem mesmo disse algo a respeito de seu desempenho e ele estava até estranhando o ‘’silêncio’’ dela. Mas quando teve a oportunidade de ficar a sós com ela, ele soube qual era sua opinião.
—Aí, quatro olhos, salvou o time! Também era seu dever isso depois daquela mancada de jogar a bola no pé do adversário né?
—Tava demorando pra você não sair com uma das suas, não é?
Era irritante ver como ela se divertia me zoando.
—O quê? Estou te enaltecendo.
—Ah, claro! Como é do seu feitio fazer, né?
—Exatamente, quatro olhos!
—Então obrigado, garota insuportável!
Ela me olhou atravessado e só não me respondeu com uma grosseria como senti que faria, porque a turma voltou com os refrigerantes e as pizzas. Salvo pelo gongo!
Foi idéia do pai de Greg levar a turma toda pra uma pizzaria a fim de ‘’comemorar’’ a nossa vitória no jogo. Depois, ele deixaria cada um em sua casa como tinha sido combinado.
...
Passava das nove quando chegamos em casa. Minha mãe estava na sala e falava ao telefone, mas assim que viu Sara e eu entrando, ela foi logo encerrando a ligação meio as pressas. Achei isso no mínimo estranho! Com quem ela falava? E por que encerrou a ligação com tanta pressa?
—Pensei que ainda iam demorar mais um pouco pra chegarem.
—Quem era no telefone mãe?
—Ninguém importante filho. Era sobre a exposição.
Eu não sei por que, mas minha mãe pareceu nervosa demais quando respondeu minha pergunta. Será que aconteceu alguma coisa e ela não estava querendo me contar? Talvez, ela não estivesse querendo me preocupar ou quem sabe, era por conta da presença de nossa hóspede que ela não queria me contar nada. Quando ficasse a sós com ela, eu a interpelaria a esse respeito.
—E o jogo, como foi?
A minha mãe fez a pergunta pra MIM, mas antes que pudesse abrir a boca para responder, Sara se adiantou nisso. Garota enxerida!
—Foi muito bom! Tia Beth, a senhora precisava ver o seu filho, ele se saiu bem. Confesso que eu não levei muita fé nele logo no começo, mas ele me surpreendeu. O time dele venceu e o Gil foi o salvador da vitória.
Eu olhei pra Sara com cara de espanto. Aquela garota falando bem de mim? Também era só porque estava na frente da minha mãe. Aposto que ela só fez isso pra pousar de boazinha.
—Sério? Você se saiu tão bem assim?
—Pois é! – Dei de ombro.
—Eu não entendo o porquê de você não ter aceitado o convite do técnico em fazer parte do time da escola, se joga tão bem assim, meu filho.
—Esporte não é pra mim, mãe, sabe disso. – Contra-argumentei.
—Mas até que ele leva jeito.
—Só que a vida esportiva não me agrada, Sara. — Resmunguei._Vou subir tomar um bom banho e cair na cama. Boa noite mãe! – Beijei a minha mãe e já ia seguir rumo às escadas, quando minha adorável mãezinha me parou e me indagou sobre onde estavam os meus bons modos. Se eu não iria dizer ‘’boa noite’’ pra Sara. Pedi desculpas pelo meu ‘’lapso’’ e dei boa noite aquela insuportável, depois segui para o meu quarto, quer dizer, o quarto de hóspedes. Amanhã, eu voltaria para o meu verdadeiro quarto. Graças a Deus! Não agüentava mais ver aquela Sara no meu quarto.
—É verdade que o técnico do time da escola o chamou para fazer parte do time?
—Sim, querida. Só que o Gil não quis.
—Que pena! Ele manda bem. – Sara estava sendo sincera quando dizia aquilo.
—E os amigos do Gil, trataram você bem?
—Ah, muito bem.
Sara contou que adorou conheceu o grupo e que eles são umas figuras, especialmente Greg.
—Sanders é um bom garoto e um brincalhão de primeira. Quando ele vem aqui em casa é só pra eu rir do que ele diz.
—Deu pra sacar. Ele é engraçado mesmo!
—Pois é. Ah, Sara antes que eu me esqueça... Sua mãe ligou mais cedo querendo falar com você. Ela disse que ligou para o seu celular, mas só deu caixa postal.
—É que descarregou lá no jogo. Mas ela disse o que queria falar comigo?
—Só queria saber como você estava e se não estava dando trabalho aqui em casa.
—Ai, a minha mãe ainda acha que sou um bebê.
Beth riu do comentário emburrado de Sara.
—Querida, para nós mães, vocês filhos sempre serão um bebê independente da idade que tiverem.
—Eu sei tia Beth, mas é que a minha mãe exagera um pouco nisso.
—Eu falei pra ela que você não estava dando trabalho algum. Ela ficou feliz em saber disso.
—"Feliz" não seria bem a palavra para descrever o que ela sentiu ao ouvir isso. Aposto que ela deve ter ficado aliviada em saber da senhora que estou me comportando. – Brincou Sara.
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