Notas iniciais
Esse capítulo dos que ainda restam a serem postados - que no caso são três contando com esse que estou postando agora - foi o mais especial e o que mais gostei de escrever. Espero que gostem dele e que apreciem a surpresinha que coloquei no capítulo, que sei que descobriram qual é. Caso não descubram, eu digo lá nas notas finais.

—Você gostaria que eu dormisse essa noite com você no seu quarto? — Questionei Sara após a gente ficar sozinhos na cozinha depois de minha mãe sair dali pra ir para seu quarto dormir.

—Com a sua mãe em casa? Ficou louco?

Sorri do espanto dela.

—Minha mãe deixou isso. — Contei à Sara.

Foi uma surpresa enorme pra mim quando momentos atrás antes de Sara aparecer de volta à cozinha, enquanto minha mãe e eu estávamos sozinhos ali terminando de guardar as louças da festa de despedida de Sara, e minha adorável mãezinha veio com essa "sugestão" dela de que se eu quisesse passar essa noite com Sara na quarto da minha namorada, por ela estava tudo bem. Desde que se a gente fizesse algo não esquecesse de se prevenir e de sermos "silenciosos", pois ela não queria ouvir "barulhos" do quarto dela.

Passar essa noite com Sara era algo que confesso que eu queria, mas achava que era impossível de acontecer por causa justamente da minha mãe. Mas vejam só vocês... Ela mesma deu a "idéia" e o "aval" pra isso.

—Você pediu pra ela? Eu não acredito nisso, Grissom.

Ri mais ainda agora da sua incredulidade.

—Claro que não pedi nada. — Neguei ainda sorrindo. _Na verdade foi ela mesma quem disse que eu podia dormir com você, no seu quarto, caso eu quisesse. Mas com a condição de nos prevenirmos e sermos silenciosos caso façamos algo.

—É sério que ela deixou isso?

Por mais inacreditável que fosse era verdade.

—Sim — Confirmei me aproximando de Sara que tinha se encostado à mesa diante de mim. _E aí, você aceita a minha companhia pra dormir ou não?

—Hum... Não sei... Deixa, eu pensar um pouco!

Ela tava me zoando, pois ela ia aceitar aquilo, eu sabia!

Sorri da sua expressão engraçada de pensativa com direito a dedo no queixo e olhos semicerrado, além de lábios esticados em um tentador biquinho.

Não demorou quase nada pra ela dizer para a minha alegria que aceitava.

Disse à ela pra me esperar no quarto dela que eu ia ao meu apenas trocar de roupa. Eu ainda estava com a roupa de festa.

Já em quarto tratei de rapidamente substituir a roupa que usava pelo meu pijama. Fui ao banheiro escovar os dentes e segundos depois já está de volta ao quarto. Da gaveta peguei uma camisinha e guardei no bolso do short de dormir. Depois apanhei da cama a camisa que usei aquela noite na festa, joguei-a sobre o ombro e segui pra sair do quarto.

...

Com à porta do quarto devidamente trancada, Sara e eu estávamos sentado um de frente para o outro, no meio da cama de Sara, com minha namorada acomodada em meu colo e com suas pernas em torno de mim.

—Ainda não acredito que você vai dormir aqui comigo e que foi sua mãe quem disse que podia isso.

Sara deslizava os dedos por entre os meus cabelos em uma carícia relaxante e também excitante.

—Nem eu! — Sorri de olhos fechados.

Jamais ia imaginar que minha mãe teria a idéia disso.

—Ela me pegou de surpresa com essa atitude.

—Pegou a nós dois, essa é a verdade. Mas agora mudando completamente de assunto.

—Hum...

—Tem certeza de que quer quê eu fique com a camisa que sua amiga te deu.

Tinha decidido dar de presente à ela a camisa que Catherine me deu e que Sara sem a minha permissão usou no segundo dia dela ali em casa.

—Certeza absoluta. — Confirmei abrindo os olhos e apertando levemente com minhas mãos sua cintura fina. _A camisa é pra você lembrar de mim.

—Eu não preciso de uma camisa pra lembrar de você, quatro olhos.

—Ok! Vou reformular a frase. A camisa é pra você lembrar do dia em que foi folgada o suficiente e usou uma roupa minha sem pedi.

Ela me socou de leve no braço, mas depois riu do que eu disse.

—Eu ia te pedir, tá?!

—Ia pedir com ela no seu corpo já, né?

—Exatamente! Assim, eu não correria o risco de você me tomar a camisa.

Sorri balançando a cabeça de leve e depois escondi o rosto em seu pescoço enquanto minhas mãos foram para as suas costas e passaram a subir pela mesma sob o tecido da camiseta escura que Sara usava pra dormir naquela noite. Camiseta esta que era do Guns N' Roses que trazia um pequeno verso da canção "Novembro Rain" na parte de trás da peça.

—Vou sentir a sua falta! — Murmurei com a boca colada ao seu pescoço.

—Eu também vou sentir a sua, quatro olhos.

—Mesmo?? Mesmo??

Afastei meu rosto e fitei Sara a espera de sua resposta.

—Mesmo!! Mesmo!! — Ela confirmou segurando meu rosto com ambas as mãos e sorrindo-me tão largamente que me encantou.

Ah, essa garota insuportável... Ela roubou meu coração e eu não como vou fazer pra aguentar ficar longe dela durante meses.

—Me beija daquele jeito que você beijou ontem a noite na sala! — Pedi num sussurro.

Eu queria aquele beijo devagar com gosto de despedida, numa noite que seria a nossa despedida.

Sem contestar nada, Sara então me beijou. E foi exatamente, como ontem. Devagar. Com a gente apreciando o gosto da boca do outro lentamente. A língua dela ora explorava sem presa cada canto da minha boca, ora brincava com a minha própria língua da mesma maneira lenta e sem presa.

Quando o ar nos faltou longos segundos depois, e a gente separou nossas bocas uma da outra pra respirar, essa foi a deixa pra Sara aproveitar pra fazer-me tirar a camisa e eu aproveitei e fiz minha namorada também tirar a dela também.

Nus da cintura pra cima a gente voltou a se beijar, ao mesmo tempo, em que fui fazendo Sara ir se deitando na cama, já que a gente ainda se encontrava sentados na mesma.

Com ela já sob mim, eu interrompi por uma fração de segundo nosso beijo pra ficar apenas fitando Sara em silêncio. Ela fazia o mesmo comigo.

Eu posso afirmar com toda as letras, que o tempo em que Sara passou aqui e ela própria, me marcaram. Me marcaram feito tatuagem. Eu jamais ia esquecer aquele mês e nem a minha hóspede insuportável. Assim como não ia esquecer também do sorriso dela. Dos seus olhos. Da sua boca. Do seu beijo. Da sua voz. Do quão bom é estar com Sara. Fazer amor com ela. E pra minha tristeza essa noite seria a última vez que faríamos isso ali na minha casa.

Seria a noite da nossa despedida!

Seria um "até breve" e não um "adeus", porque eu acredito que a gente ainda tem muita coisa pra colocar nessa história que começamos a escrever juntos aqui em Vegas.

Aquela insuportável ainda ia me aturar muito na vida dela, assim como eu pretendia e queria, aturá-la muito na minha!

Nossos lábios se uniram novamente. E pouco depois, o restante das peças de roupas que usávamos, já não se encontravam mais em nossos corpos e a gente já estava se amando sem pressa e bem devagar na cama dela, com nossas mãos unidas, os dedos entrelaçados e as bocas coladas pra evitar que escapassem "barulhos" que fossem ouvidos por minha mãe do quarto dela.

Foi uma despedida que sinceramente, eu não queria que tivesse acontecido por mais bonita que tivesse sendo, por mais especial fosse, por mais tudo que fosse... Eu não queria tá me despedindo dela. Mas aquela era a nossa realidade. Amanhã Sara iria embora e aquela noite ia ser mais uma boa e linda lembrança que eu pretendia guardar junto com as outras que já tinha de Sara desse um mês dela ali em minha casa.

E quando a gente alcançou o clímax um tempo depois, senti mais uma vez vontade de dizer à Sara que eu a amava, mas novamente faltou coragem pra isso. Eu precisava dizer pra ela aquelas palavras. Talvez amanhã!

Devidamente vestidos após termos nos restabelecido do momento de amor que tivemos ali, eu acomodei Sara em meus braços e a gente não disse nada. Palavras me pareceram desnecessárias. Além do mais, eu não
tinha o que dizer ali. E acredito que nem Sara também. Desse modo, em silêncio, eu vi minha namorada acabar adormecendo em meus braços pouco tempo depois. Mas eu, sem sono, não conseguia dormir de jeito nenhum.

...

"Sara,

É madrugada. 01h20min, mais precisamente. Eu tô sem sono, sentado na ponta da sua cama te escrevendo essa carta que certamente, você estará lendo agora no avião a caminho de São Francisco.

Como geralmente eu não sou bom falando, e tenho certeza que não conseguirei te dizer nem a metade do que gostaria de dizer amanhã antes de você embarcar, então resolvi escrever essa carta pra você enquanto te observo dormindo serenamente como se fosse um anjo.

Quero que saiba que vai ser muito difícil pra mim ficar sem você aqui! Já me acostumei com sua presença, com suas implicâncias, com o seu jeito de ser, que o pensamento de quê a partir de amanhã, não terei mais nada disso aqui já que você irá embora, me deixa triste.

As lembranças de todos os momentos — principalmente o primeiro beijo que trocamos e a nossa primeira vez — que vivemos ao longo desse um mês que você ficou aqui na minha casa, vão ficar guardados na minha mente e no meu coração PRA SEMPRE!

Cada instante que passei ao seu lado foi especial, Sara. Assim como foi especial cada beijo que trocamos, cada sorriso, cada confissão que fizemos um ao outro, cada coisa que compartilhamos, cada vez que nos amamos. Tudo, absolutamente tudo foi especial e inesquecível. E até mesmo os momentos em que a gente ainda nem namorava foram especiais e inesquecíveis. E vou guardá-los com todo o carinho do mundo.

Vai parecer meio louco e até clichê o que vou escrever, mas...

Você mudou a minha vida, sabia? Com esse seu jeito "aborrecente", irritante, mas altamente apaixonante! Tão apaixonante que me conquistou sem eu querer. Você mudou coisas em mim. Trouxe a "loucura" e a alegria que faltavam mais na minha vida tranquila e em mim. E implicou bastante comigo. Bota bastante nisso!

Sabe que quando você me chamou a primeira vez de "quatro olhos", eu te odiei?

Mas agora quando me chama assim, eu amo! E vou senti falta de ouvir pela casa você me chamando assim.

Também vou sentir falta da sua "falação" sem limite!

Eu admito que antes esse seu falatório todo até me incomodava, sabia? Mas a partir do momento em que você foi passar os dias na casa da sua tia com suas primas depois daquele meu comportamento com você — eu sei que foi por isso que quis ir pra lá. Você pode negar o quanto for, mas eu sei que foi por eu ter agido daquela forma rude que você pra casa da Adélia — e eu me vi sozinho aqui em casa, sem você e sua constante falação... Me dei conta de que gostava da sua desenfreada falação. Bem como descobri também, que gostava de você.

Precisei ficar longe de você pra me dar do conta do sentimento que tinha por você. E nem imagina o quanto o sentimento que tenho por você é grande.

Eu gosto muito de você, Sara. Na verdade... Eu amo você! Não sei se antes de você ler essa carta, eu já terei te dito essas palavras, mas caso ainda não tenha dito. Quero que saiba, garota insuportável, que... Eu te amo! E não consigo mais me ver com outra garota que não seja você, Sara.

Certamente, você deve tá achando essa última parte do que escrevi no parágrafo de cima, uma loucura completa. Se duvidar deve até tá rindo de mim agora e me chamando mentalmente de "bobo" ou coisa pior. Pouco me importo, pois isso que escrevi lá em cima não passa da mais sincera verdade.

Nenhuma garota parece mais certa e perfeita pra mim do quê você!

É verdade que nós somos diferentes? Sim, somos! E bastante.

Temos jeitos diferentes, gostos diferentes, pensamentos diferentes, mas temos uma coisa em comum. Nós gostamos um do outro assim como somos. O quatro olhos sem graça e a garota insuportável!

E mesmo com a distância de não sei quantas milhas nos separando um do outro. Com você lá em São Francisco e eu aqui em Vegas, nós vamos seguir juntos.

Como você mesma me disse na praça: "vai ser difícil manter um relacionamento à distância". Mas se o que sentimos um pelo outro for forte o suficiente como acredito que seja, vamos conseguir superar esse 'obstáculo' e não deixar nosso namoro definhar. E ele não vai! Distância nenhuma vai conseguir isso.

E antes de dar essa carta por encerrada... Eu quero te deixar um pequeno trecho do Soneto #47 do Shakespeare, que descreve habilmente meu sentimento pra você.

'Ainda que estejas longe, nossa presença está comigo;
Pois não estás, mais distante do que os meus pensamentos consigam chegar,
Eu continuo com eles e eles contigo;
Ou se eles dormem, tua imagem em minha mente
Desperta meu coração para à alegria do coração e de meus olhos.'

Ass: Grissom

PS: Eu disse à você que: "Vou sentir sua falta!", e isso é a mais pura verdade. Vou sentir sua falta à cada batida do meu coração, garota insuportável."

Terminando ali de escrever aquela carta, que momentos atrás tive a idéia de escrevê-la, eu dobrei aquele papel em três partes e em seu verso escrevi: 'De: Grissom.'

Fui na direção da mochila de Sara e guardei lá a carta, junto dos fones de ouvido da minha namorada.

Não coloquei na mala, porque esta certamente não iria à mão de Sara e sim à mochila. E eu queria que quando a minha namorada abrisse a mochila pra pegar seus fones de ouvido ali dentro, ela encontrasse a carta.

Tão logo o papel estava seguramente guardado, eu voltei a me juntar à Sara na cama. Abraçado à minha namorada por trás, eu acabei pegando no sono em poucos minutos.

Notas finais
A surpresinha era o trecho do soneto na carta. O mesmo trecho que transcrevi do vídeo do episódio 7x22 Leapin' Lizards. Agora só restam dois capítulos. O próximo já é a despedida no aeroporto. Um beijo e até lá.