A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
58 Capítulo 57
Notas iniciais
—Mas que namorada bonita, você arranjou, Gil! — Tia Lilly comentou tão logo havíamos nos acomodado no sofá de sua casa após chegarmos ali.
—É, ela é bonita mesmo.
Olhei pra Sara ao meu lado e pude ver certo rubor tomar conta de sua face. Tava ficando mais comum vê-la ficar assim. Eu adorava ver isso. Sem contar, que ela ficava linda assim.
—Pena que ela vai embora em quatro dias.
Foi inevitável conter o tom melancólico e triste ao pronunciar isso. A cada dia que se aproximava mais de sua partida, eu sentia-me mais triste. Ia ser difícil de me separar daquela insuportável.
—Mas por que você vai embora?
—É que eu moro em São Francisco. Vim à Vegas só passar as férias com minha tia e minhas primas.
—Ah, mas que pena.
"Eu que o diga, tia Lilly!", Pensei comigo mesmo.
—E pelo visto o Gil já tá triste por antecipação com a sua partida. Olha só pra carinha dele.
Tia Lilly não fazia idéia de quão certas eram suas palavras. E assim que Sara me olhou, ficou difícil disfarçar aquilo pra ela e os demais ali.
Mas ainda bem que eu tenho uma amiga que percebendo que aquele papo parecia pesar pra mim e me deixar desconfortável, ela interviu e tentou descontrair o clima.
—Sabia que o Gil e a namorada dele não se deram nada bem logo que se conheceram, mãe?
—Verdade?
—Sim! É que Sara vivia implicando comigo. Ainda continua implicando um pouco.
—É que implicar com ele virou meu passatempo preferido.
A resposta de Sara fez a todos nós sorrir e o clima ficou mais descontraído.
A irmã de Catherine que tinha subido pra amamentar a filha antes de Sara e eu chegarmos, desceu com a garotinha no colo e Cath nos apresentou Nora e a pequena Cindy. A menina era loirinha de olhos cor de mel e uma cara bem travessa. De imediato, Cindy gostou de mim e esticou os braços pra mim pedindo-me colo. Meio sem jeito, eu peguei a garotinha e ela se agarrou ao meu pescoço.
—Mas olha, Nora... A Cindy se agarrou ao Grissom. Acho que minha sobrinha gostou de você, Gil.
Catherine se divertia com a sobrinha agarrada à mim.
—É coisa rara ela gostar de estranhos logo de primeira. — Comentou a irmã de Catherine.
—Comigo ela não quis conversa.
Ri de Warrick assim que ele contou isso com uma fingida insatisfação.
...
—E aí... acha que esse seu lance com ela têm futuro?
Warrick me indagou apontando discretamente com a cabeça em direção à Sara que conversava mais adiante com Catherine que havia arrastado-a pra lá para junto de sua mãe e Nora, para um papo de "mulheres".
Desviei meus olhos do grupo de mulheres e encarei meu amigo sorrindo. Depois beberiquei um pouco do meu refrigerante e só então respondi a pergunta me feita.
—Eu não sei se teremos um futuro com ela morando longe, cara, mas... torço muito pra que tenhamos sim isso, porque gosto demais dela.
De verdade, eu ia torcer mesmo muito por ter um futuro com Sara! Sabia que não ia ser fácil manter um relacionamento à distância, mas eu estava disposto a tentar desde que ela quisesse também.
—Eu já te disse isso antes, mas torno a repetir... essa garota te pegou de jeito, hein amigo?!
Warrick deu umas tapinhas de leve em meu ombro enquanto sorria.
Sorri junto com ele. Essas palavras do meu amigo eram mais do que certas.
—Ela me pegou assim como a Catherine te pegou, cara.
Nós caímos na risada atraindo a atenção das "garotas".
—Ei, do quê estão rindo aí?
—Nada demais, Cath. — Rick respondeu ainda rindo pra namorada e indo até ela.
Eu fui em direção à Sara e me acomodei ao lado dela no sofá.
—Aposto que deve ser alguma piada cabeluda que um deles contou e não querem compartilhar conosco.
—Duvido muito que seja isso, Nora, porque o Rick é péssimo em contar piada e o Gil, que eu me lembre, nunca foi de contar piadas.
—Qual é, Cath? Eu sei sim contar piadas.
—Pessimamente, amor.
—Tão pessimamente que o único que ri delas é só você, cara.
—Pô, Gil, valeu, viu?!
A risada foi geral. De repente, a campainha tocou e só podia ser o Sam já que ele era o único que faltava chegar.
Tia Lilly se adiantou em dizer que ela atenderia. Olhei pra Cath e minha amiga revirou os olhos em insatisfação a pressa e empolgação da mãe ao se direcionar a porta.
Como eu já imaginava e Catherine também, era Sam mesmo quem acabava de chegar. Ele cumprimentou a todos e recebeu de Cath um frio "oi".
Tia Lilly era a pura alegria com ele ali. Cath era o oposto. E isso não passou despercebido por ninguém.
—Grissom a Catherine tem algum problema com esse amigo da mãe dela?
Sara me murmurrou em determinado momento ali.
—Tem. Só que em casa eu te conto.
O jantar foi maravilhoso. Tia Lilly tinha feito uma comida deliciosa. E pra sorte da Sara, a irmã de Cath era vegetariana também, então minha namorada não teve que ficar só na sala já que o jantar tinha carne como prato principal.
—Eu não sei como vocês conseguem ficar sem comer carne. Eu nunca conseguiria.
Concordei mentalmente com Catherine.
—Eu também achava isso, irmãzinha. Mas depois que você se acostuma fica fácil. Pelo menos foi assim comigo. E com você, Sara?
—Foi igual. Meus pais à princípio não levaram muito à sério essa minha decisão, mas depois foram percebendo que eu não tava de brincadeira.
Enquanto ouvia Sara falar disso à mesa, eu lembrei de quando minha mãe me contou sobre nossa hóspede ser vegetariana. O meu pensamento em zoação a isso naquela ocasião, em nada fazia jus com a realidade. Sara não era nenhuma "Olívia palito" como eu disse em deboche à minha mãe. Sorri dessa lembrança e quando percebi todos a mesa me olhavam. Fiquei vermelho de vergonha e todos caíram na risada de mim. Ainda bem que ninguém quis saber a razão pela qual eu sorria.
...
—Nem conto pra vocês, ontem Rick e eu encontramos com o Nick no shopping.
—Sério?
Sara indagou e olhou pra mim.
—Sim!
—E ele ainda tá me odiando?
Quis saber dos meus amigos, enquanto nós quatro conversávamos na varanda da casa da Cath.
—Não vou mentir pra você, Gil. Ele ainda tá bem P da vida com você, não é Rick?
—Sim. Mas a gente conversou bastante com ele, cara.
—Bota bastante nisso.
—E ele?
—Ficou de pensar em tudo que eu disse.
—Cara, vocês precisavam ver a Cath falando com ele e defendendo vocês. Parecia uma advogada defendendo os clientes.
Nós caímos na risada disso.
—Ora não é à toa que ela pretende fazer direito, não é Cath?
—Sim!
—E algo me diz que você será uma excelente advogada, Catherine.
—Pois eu não duvido nada disso, Sara. — Concordei com minha namorada, pois sabia que Cath tinha tudo pra se dar bem.
A conversa ali entre nós quatro ainda girou mais um pouco a respeito de Nick e instantes depois, a gente entrava na casa.
...
—A neta da Lilly gostou mesmo de você, né filho?
Minha mãe comentou enquanto seguíamos em seu carro pra casa.
A sobrinha de Cath abriu o berreiro quando eu disse que já ia. Realmente, ela tinha gostado de mim. Passou vários momentos da noite grudada em mim, me chamando de "tio" e querendo que eu brincasse com ela.
"Devo admitir que estou enciumado disso. Minha sobrinha não foi com a minha cara, mas foi com a do meu amigo."
A insatisfação de Warrick ao dizer isso em determinado momento da noite rendeu uma risada em todos. Cindy não fazia questão alguma de dar atenção ao namorado da tia dela. A pequena queria era saber de mim e brincar comigo.
—Ela passou a noite grudada no Grissom, tia Beth.
—Verdade?
—Sim! Ele já tem uma sobrinha postiça.
—Ela é uma graça de menina, mãe. E olha que eu não levo o menor jeito com criança.
—Não era o que parecia, quatro olhos. Tia Beth seu filho dará um excelente babá pra um futuro irmãozinho, caso a senhora e o Phil vierem a ter um filho.
—Ei! Tá louca?! Que história de filho nada. Não cai na onda dessa garota, mãe.
Sara caiu na risada sendo acompanhada pela minha mãe também.
Onde já se viu, ela dizer isso?! Dá idéia pra minha mãe ter um filho com o Phil. Nem pensar!
—Qual é o problema da sua mãe ter outro filho? Tia Beth, a senhora não gostaria disso?
Pelo retrovisor vi minha mãe nos olhar de relance. Ela que não viesse com essa história de me dar irmão. Tava ótimo sendo filho único.
—Acho que é um pouco tarde pra mim isso, querida.
—Que tarde, nada. Hoje em dia, as mulheres têm tido filhos na sua faixa de idade, sabia?
—Eu sei disso, querida. Mas acho que já tá de bom tamanho só o Gil de filho.
—Tá bom mesmo.
Concordei no ato. Pra quê uma criança a essa altura? Não. Nem pensar!
—Você não quer que a sua mãe tenha outro filho pra não perder seu posto de filho único, não é, quatro olhos? Já entendi!
—Deu desse assunto, Sara.
—Tia Beth devia arrumar um irmão pra esse seu filho ciumento.
Parece que quanto mais eu digo pra ela parar um assunto, mas Sara insiste nele só pra me irritar.
—Você não vai parar com esse assunto?
—Já parei, seu chato.
Ela me mostrou a língua feito uma menina birrenta.
—Sam esteve no jantar, mãe.
Resolvi puxar outro assunto pra Sara não ter mais chance de seguir insistindo no mesmo.
—E a Catherine com isso?
—Ela não pareceu nada confortável com a presença dele e Sam notou. Tanto que ele nem demorou. Ficou pro jantar e pouco depois do mesmo, ele foi embora.
—Eu já conversei com a Lilly e aconselhei-a a não forçar a aproximação da filha com Sam. Isso só fará a Cath rejeitar mais ainda a presença desse homem.
—Por que a Catherine rejeita esse Sam?
De maneira resumida contei à Sara a história de Cath e Sam.
—Nossa, acho que no lugar dela estaria tendo o mesmo comportamento ou pior até. Saber que o homem que você cresceu achando que era uma amigo da família, na verdade, é seu pai, é complicado de aceitar. Eu levaria muito tempo pra aceitar.
—Mas aceitaria?
—Sim. Apesar dos pesares, ele é meu pai e a gente não tem que ficar brigado com pai ou mãe.
—Você é surpreendente.
Quando acho que ela não pode mais me surpreender, ela me prova o contrário. Eu não esperava que ela fosse me responder isso.
...
—Meninos vou subir. Boa noite.
—Boa noite! — Sara e eu dissemos juntamente.
Assim que minha mãe sumiu, eu segurei na mão de Sara e puxei minha namorada em direção ao sofá.
—Você ainda não vai subir, vai?
—Depende!
—Depende de quê? — Quis saber sentando no sofá e trazendo Sara pra se acomodar em meu colo.
—De você!
—Bom, eu não quero que suba ainda. Quero que fiquei aqui comigo mais um pouco. — Confessei escondendo o rosto em seu pescoço pra sentir seu perfume que eu adorava sentir.
—Se é assim... Então vou te fazer esse favor e ficar mais um pouco com você, quatro olhos.
—Ah, obrigado pelo favor, viu?!
Eu lhe disse com um sorriso após afastar meu rosto de seu pescoço pra encarar minha namorada.
—Aquilo que a mãe da Catherine disse sobre você tá triste por antecipação pela minha partida, isso é verdade?
—Claro que é. Você acha que eu tô feliz com o fato de você ir embora daqui? Não, né Sara?! A cada dia que se aproxima de você voltar pra sua cidade, eu fico mais mal e triste. Não queria que você fosse embora.
—Mas eu não posso ficar! Aqui não é o meu lugar.
—Bem que podia ser!
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