Notas iniciais
Um momento quente do nosso casalzinho. E guardem o nome Kylie que será mencionado por Sara nesse capítulo, pois já antecipo que esse personagem vai aparecer em "São Francisco".

Tarde do dia seguinte...

—Você tem pernas bonitas, sabia?

Comentei deslizando uma das mãos por sobre a lateral de uma das pernas de Sara enquanto estávamos deitados um de frente para o outro na minha cama apenas com nossas peças íntimas, que recolocamos após termos feito amor momentos atrás.

Era engraçado que comecei a reparar nas pernas dela depois que começamos a ficar juntos. E ela tinha mesmo pernas bonitas. Pelo menos pra mim eram!

—É mesmo?

—É! — Confirmei com um sorriso enquanto minha mão deslizava agora pela lateral da coxa direita de Sara.

—Sabia que um carinha que eu ficava meses antes de vir pra Vegas, me dizia o mesmo?

—Que?? — Parei imediatamente de deslizar a mão pela coxa de Sara.

—É. Ele era surfista. A gente costumava se encontrar muito na praia e ele adorava me ver só de biquíni.

Uma das minhas sobrancelhas se arquearam diante do que ouvi. Quando comentei a respeito de suas pernas, não imaginava que alguém antes de mim já tinha feito o mesmo.

—Você só tá dizendo isso pra me provocar, né?

Ela negou com a cabeça enquanto me exibia um sorriso. Era óbvio que ela tinha feito isso por essa razão. Por qual outra seria, independente de ser verdade ou não aquilo que me contou?

Sinceramente eu achei essa informação desnecessária e mais, não gostei nada de saber daquilo.

—O gato comeu sua língua, quatro olhos?

Ela apertou meu queixo de leve com uma de suas mãos e depois me roubou um beijo.

—Qual sua intenção em me dizer que esse... surfista com quem ficou, gostava de te ver só de biquíni? Você quer me fazer ciúmes, é isso?

Ela riu.

—Não. Só contei porque eu lembrei disso no momento em que você comentou sobre as minhas pernas. O carinha vivia repetindo isso pra mim. Além do mais, eu não ia perder meu tempo te fazendo ciúmes. Fala sério, Grissom!

Sara se virou ficando com as costas no colchão. Eu aproveitei isso e fui me acomodar em cima dela.

—Como era o nome desse tal surfista, posso saber?

—Kylie.

—E como ele era?

—Por que o interesse?

—Você o mencionou e despertou a minha curiosidade.

—Não seria ciúmes?

—Ah, então era pra me fazer mesmo ciúmes que falou nesse cara?

—Já disse que não! Só lembrei e comentei dele. E já tô até me arrependendo de ter feito isso.

—Como ele era, Sara? E como se conheceram?

Agora eu queria saber tudo a respeito desse sujeito.

—Sério mesmo, Grissom?

—Sério, Sara!

Ela não trouxe esse cara pra nossa conversa? Pois agora esse sujeito ia ser o "tema central" do nosso papo.

—Uma amiga em comum nos apresentou. Kylie era legal. Tinha um bom papo, era bonitão e trabalhava num quiosque na praia, quer dizer, ainda trabalha. Nosso "lance" foi bom, mas durou pouco tempo. Depois que acabou, viramos amigos e ele vez ou outra banca o meu instrutor de surfe.

—Então você e ele ainda se vêem com frequência?

Eu definitivamente não gostei dessa parte. Pra falar a verdade, eu não gostei de nada que ouvi até agora. Não sei pra quê fui querer saber daquele cara. Me arrependi amargamente disso.

—Muita frequência por sinal. O dono do quiosque em quê ele trabalha, é amigo de infância do meu pai e meu padrinho. Sempre costumo ir lá.

Com essa resposta dela, eu deduzi que certamente, quando fosse visitá-la em São Francisco — coisa que agora eu queria mais ainda fazer — toparia com esse cara.

—Agora chega de falar disso, quatro olhos!

—Foi você quem começou a falar de seu ex.

—É, mas agora tô pondo fim nesse papo, pode ser?

—Pode!

Pra mim já tinha dado mesmo àquele papo também.

—Quero tomar um banho e depois, a gente bem que podia sair pra dar uma volta e tomar sorvete antes da sua mãe chegar. Que tal, quatro olhos?

—Sair, Sara? Não tô com a menor vontade de sair. — Resmunguei fazendo uma careta. Não queria ir nem a esquina, quanto mais dar uma volta pra tomar sorvete.

—Ah, mas eu tô!

—E eu não! Como faremos?

—Simples... A minha vontade prevalece e a gente vai sair. Afinal quem manda nesse nosso relacionamento sou eu! Vamos, levanta de cima de mim pra eu ir tomar meu banho e você cuida de tomar o seu, vai!

Sara me empurrava de leve pra tirar-me de cima dela.

—Ah, quer dizer que você manda no nosso relacionamento?

—Claro! Eu me impus esse direito.

Eu não me contive e ri. Se formos levar em conta realmente o temperamento autoritário e mandão dela, sem dúvida alguma, Sara manda facilmente na relação. O que já não condiz muito comigo e o meu jeito.

—Não ri não, quatro olhos. Eu tô falando sério.

—Eu não duvido disso.

—Agora sai, vai!

—Não! Não quero sair. — Neguei agarrando-me à Sara e prendendo-a sob mim.

—Bora, Grissom, saí! Me solta pra eu ir tomar meu banho.

—Toma banho comigo então. — Propus roubando-lhe um beijo logo depois da proposta feita. _Vai ser divertido. Você passa sabonete em mim e eu passo em você. A gente troca uns beijos e depois, repetimos no banheiro o que fizemos aqui na cama. O que acha? — Murmurei roçando meus lábios nos dela.

Eu tava louco que ela topasse essa proposta que lhe fiz. Diferentemente da outra vez que compartilhamos um banho, hoje a gente tinha tempo e preservativo — comprei um pacote mais cedo quando fomos ao supermercado — pra aproveitar bem melhor o nosso banho.

—O que eu acho é que pra um nerd tímido, você tá se mostrando muito saidinho pro meu gosto, quatro olhos. — Ela socou-me de leve no braço enquanto um sorriso escapava de seus lábios.

Inevitavelmente abri um sorriso por conta do que ela disse e fez, depois mais uma vez lhe roubei outro beijo.

Os momentos íntimos que compartilhávamos, estavam me tornando mais desinibido com ela. A minha timidez passou a evaporar quando estamos apenas Sara e eu em um momento de intimidade.

—A culpa é sua!

—Minha?? Você vira um nerd pervertido e eu sou a culpada?

Nerd pervertido?? Ela era de uma criatividade em me pôr apelidos, que era incrível!

—Claro que é sua culpa. Você virou a minha cabeça, garota insuportável. Além de me deixar completamente e totalmente viciado em você! — Pisquei pra ela, que me sorriu. _E então, vai aceitar a minha proposta do banho?

—Só se depois a gente sair pra tomar sorvete.

Suspirei rendido.

—Tá, a gente sai então!

Não era do meu desejo sair, mas se ela fosse tomar banho comigo, eu então toparia sair depois.

...

De olhos fechados, eu apenas me deixava levar pela sensação maravilhosa das mãos macias de Sara me ensaboando e deslizando pelas minhas costas de maneira carinhosa, depois massageando meus ombros, meus braços e em seguida, quando me virei de frente pra minha namorada após seu pedido, foi a vez de meu peitoral e meu abdômen serem agraciados com o toque das mãos dela deslizando por minha pele e me deixando visivelmente excitado, arrancando um sorriso de Sara ao ver o estado em que eu estava ficando com aquilo.

Ela tinha um toque macio, mas ao mesmo tempo, firme e isso acendia meu desejo mais ainda por ela.

Era agradável, muito agradável sentir suas mãos passeando pela minha pele.

Depois que ela terminou, me fez entrar embaixo da água quente do chuveiro e me ajudou a tirar o sabonete. Logo em seguida à isso, já era a minha vez de estar passando o sabonete nela. Minhas mãos ensaboadas fizeram exatamente o mesmo percurso traçado pelas mãos de Sara em mim. E quando terminei de passar o sabonete nela e ela retirou o mesmo de seu corpo, eu a prensei na parede e lhe beijei.

Não conseguia mais segurar o meu desejo por ela. Sem contar, que meu grau de excitação já passava do nível 10. Eu precisava estar dentro dela.

—Espera aí. — Lhe disse interrompendo o nosso beijo e saindo do box rápido pra apanhar na pia do banheiro o preservativo que deixei lá. Coloquei-o e já estava de volta pra junto de Sara.

—Nada de netos pra sua mãe!

Sara brincou fazendo-nos sorrir.

—Não tão cedo assim.

Respondi com um largo sorriso enquanto tornava a pressioná-la à parede e fazia minha namorada erguer uma de suas pernas encaixando-a em meu quadril, pra logo em seguida ir me insinuando pra dentro de Sara, arrancando suspiros de nós dois.

Tão logo já me encontrava inteiro dentro dela, eu comecei a me movimentar, mas percebi que a nossa posição ainda não parecia muito confortável pra ambos.

—Assim ainda não tá bom! — Comentei interrompendo meus movimentos, mas me mantendo ainda dentro de Sara. Foi então que tive uma idéia. _Você confia em mim, Sara? — Quis saber dela.

—Depende! O que você vai fazer?

—Erguer sua outra perna e colocá-la em torno do meu quadril assim como está essa outra. E vou te amparar, segurando pelas suas coxas, enquanto você me segura passando os braços pelo meu pescoço.

Eu tinha visto essa posição por acaso em uma revista feminina que a minha fez assinatura. Além de falar sobre corpo, alimentação e etc, a revista ainda trazia una parte que falava sobre sexo.

—A gente não vai cair?

—Não vamos. Eu prometo que te seguro firme.

—Olha lá, quatro olhos! Se você me deixar cair no chão, eu arrebento a sua cara.

—Ok! — Concordei com um sorriso.

Então fizemos exatamente como eu disse. Sara ainda cruzou as pernas atrás de mim pra ficar melhor e mais segura a mim. E assim que encontrei o equilíbrio perfeito pra gente, comecei a me movimentar e aí sim... Ficou bom! A posição era ótima. E enquanto eu me movimentava num contínuo vai e vem, tomando o devido cuidado pra não perder o equilíbrio e nos levar ao chão, Sara e eu íamos trocando alguns beijos.

É engraçado e curioso o sexo. Enquanto você não o experimenta, você não senti necessidade ou vontade alguma de fazer — pelo menos comigo era assim — até porque, você ainda nunca o fez pra saber o quão bom é isso. Mas aí, depois que você faz a primeira vez e descobri que é bom e que é muito melhor ainda feito com a pessoa que você gosta de verdade... Nossa! Você parece que quer toda hora com ela. E era isso que acontecia comigo. Eu sentia vontade de fazer sempre com Sara, porque era bom demais! Sem contar, que também era perfeito!

Meus movimentos foram ganhando cada vez mais velocidade conforme nosso desejo foi ascendendo. O vai e vem àquela altura já era rápido e meus gemidos se misturavam aos de Sara naquele banheiro. Ainda bem que estávamos sozinhos na casa.

Nossos olhos pareciam conectados e não se desviam um do outro nenhum instante sequer, a não ser quando trocávamos um beijo, mas logo depois já estavam presos um ao outro novamente. Os olhos castanhos de Sara pareciam bem mais escuros que o normal. E, certamente, os meus deviam estar iguais.

Minhas mãos seguraram bem apertado nas coxas da minha namorada e as delas agarraram firme os meus cabelos, puxando-os de leve e me fazendo sentir apenas prazer e não dor.

Eu já tava bem perto e ela me murmurou no ouvido que também estava. E bastou mais umas cinco investidas minha, pra Sara alcançou o orgasmo dela. Segundos depois de três investidas mais, era eu quem chegava ao meu.

Foi incrível aquela experiência vivida ali! A partir de hoje, toda vez que eu entrasse naquele banheiro pra tomar banho, ia lembrar do que a gente fez ali. As lembranças iam ficar gravadas.

Ficamos estáticos naquela posição em que fizemos amor, por alguns segundos, sentindo nos corações batendo aceleradamente e nossas respirações ofegantes.

—Minhas pernas estão trêmulas! — Sara me confessou assim que coloquei-a de pé após me retirar de dentro dela.

—As minhas também! — Admiti com o rosto escondido entre os cabelos molhados da minha namorada e ainda abraçado à ela, assim como, ela também se mantinha abraçada à mim.

—Não me solta ainda ou eu vou cair no chão, Gil.

Ela me pediu e eu sorri.

—Pode deixar que não vou soltar. E se eu pudesse... Não te soltaria nunca! — Confessei.

...

Apreciando cada um o seu sorvete, a gente circulava pela praça localizada próxima algumas quadras da minha casa. Ali havia uma ótima sorveteria e por isso mesmo eu trouxe Sara aquele lugar já que ela queria tomar sorvete.

Pela praça podiam ser vistas algumas crianças correndo e brincando no pequeno parquinho que havia ali. Bem como haviam também, alguns casais jovens aproveitando àquele fim de tarde agradável pra passear e namorar, além de casais mais maduros e alguns idosos. Todos passeando e aproveitando a tarde ensolarada.

—Vou sentir falta de Vegas quando for embora.

—Só de Vegas que vai sentir falta?

—Claro que não, né?! Vou sentir falta da minha tia, das minhas duas primas malucas, da sua mãe, do Phil e... De certo quatro olhos sem graça, sabe?

Sara trombou de leve seu ombro no meu enquanto exibia-me um sorriso e me fazia sorrir por suas palavras. Era bom ouvir dela que sentiria a minha falta.

—Como faremos com o nosso namoro depois que você for embora?

—Quer me dar um pé na bunda depois que eu for, é?

—Não! Tá louca?

—Então?

—Você tá disposta à manter nosso namoro à distância?

—Por que você não?

Por que ela gosta de me responder sempre com outra pergunta?

—Eu perguntei primeiro, garota insuportável.

Ela me olhou daquele jeito raivoso que sempre me olha, quando a chamo desse apelido.

—O gato comeu sua língua, nenêzinha? — Provoquei-a já que ela não me respondia e apenas me fitava.

—Você é um ser humano tão sem graça.

Eu abri um enorme sorriso por suas palavras. E pondo-me diante de Sara, eu enlacei sua cintura com um dos braços e salpiquei dois beijos gelados em seus lábios.

—E você é um ser humano tão implicante, mas eu te adoro mesmo assim.

Ela sorriu-me.

—Chato ciumento!

Sara insultou-me em tom de brincadeira. Revidei o insulto à ela usando as mesmas palavras. A gente riu juntos, depois trocamos um beijo pra logo em seguida retomarmos nossa caminhada pela praça.

—Você ainda não respondeu a pergunta que te fiz. — Lembrei Sara enquanto caminhávamos.

—Mesmo com internet e celular pra manter o contato, ainda acho que é complicado manter um relacionamento à distância, mas... eu tô disposta a tentar manter o nosso. E você, quatro olhos?

—Também tô disposto.

—Então vamos manter esse namoro à distância. E o tempo vai dizer se ele dará certo assim ou não.

—Eu torço pra que dei! — Sorri pra Sara.

Notas finais
Depois desse capítulo só digo que faltam mais três e o epígolo. Tá acabando. :( Beijos e até breve.