A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
53 Capítulo 52
Notas iniciais
—Mãe posso fazer uma pergunta pra senhora? Mas isso é pra ficar só entre a gente, ok?
Eu precisava tirar aquela dúvida que Sara semeou em mim ontem e minha mãe parecia a pessoa certa pra isso.
—Claro, querido. — Ela me respondeu enquanto se servia de mais um pouco de café.
—A senhora cansou de me ver dormindo, certo? — Ela assentiu. _Por acaso, eu ronco?
A minha mãe abriu um sorriso ao ouvir a pergunta e ainda rindo, me questionou:
—Por que o interesse em saber disso, querido?
—É que... Sara disse ontem que eu ronco. E como ela gosta de ficar me perturbando, então não levei a sério isso que ela disse. Mas depois eu fiquei com curiosidade em saber se era verdade ou somente zoação dela nisso.
—Uma dúvida: como ela pode saber disso?
—Então é verdade? Eu ronco?!
—Sim. É um ronco baixo. Seu pai também roncava assim. Mas como Sara sabe que você ronca, Gil?... Vocês por acaso não andaram dormindo jun...
—Não! — Me adiantei na resposta antes que minha mãe completasse aquela pergunta. Em seguida expliquei que ontem à tarde a gente tava vendo um filme e eu acabei cochilando no meio do mesmo, deixando Sara assistindo sozinha ao filme. E quando ela me acordou após o término da película, ouvi-a me dizer que eu roncava.
—Você não está mentindo pra mim só para não contar que você e ela transaram, né?
—Não, eu não tô mentindo. A gente não fez isso.
Não ainda!
Mas se ela soubesse que as coisas quase seguiram pra isso ontem à tarde, nem sei o que ouviria. Por isso mesmo, me abstive de comentar.
Só que a minha mãe para o meu desconforto resolveu me sondar à esse respeito.
—Filho, você e Sara realmente ainda não...
—Não, mãe. — Falei com rapidez.
—E você nem ao menos tentou uma investida pra cima dela com essa intenção?
—Mãe que assunto mais desconfortável pra se tratar à mesa. — Tentei fugir daquela pauta.
—Não acho. Você pode me responder ou eu terei que perguntar à Sara?
—Perguntar o quê pra mim?
Ouvimos Sara indagar enquanto adentrava a cozinha coçando os olhos.
"Pensa rápido, Grissom. Pensa rápido!"
—Minha mãe queria saber se tínhamos algo planejado pra fazer nesse domingo.
Caraca, eu acho que nunca tinha inventado uma mentira tão rápido assim. Olhei pra minha mãe de relance e ela parecia segurar a vontade de rir da minha pressa em responder e da mentira que inventei de supetão.
—Ah, hoje eu quero ficar aqui. Não tô com disposição de sair, não!... A propósito, bom dia.
—Bom dia! — Minha mãe e eu dissemos juntos.
—E aí, como foi sua saída com Phil ontem, tia Beth?
—Foi muito boa, querida. Nos divertimos bastante.
—Minha mãe disse que o Phil é um pé de valsa.
—É mesmo?
—Sim. Ele dança melhor que eu inclusive.
Aquele assunto tomou conta ali da conversa à mesa e eu agradeci por isso, pois fez tirar totalmente o foco da minha mãe do assunto que a gente tratava antes de Sara aparecer ali.
...
—Você tá com algum problema comigo?
Virei-me pra encontrar uma Sara séria, de braços cruzados e encostada ao batente da porta do meu quarto.
—Não, Sara. — Neguei tentando ser o mais convincente possível.
—Pois não é o que parece. — Pelo jeito não me saí tão bem assim. _Você tá estranho. Mal me olha e quando me aproximo de você, se afasta ou dar um jeito de fugir de mim.
Pra ser franco não havia problema da minha parte com ela. O negócio é o sonho que eu tive. Ele era o responsável por aquele meu comportamento com Sara. Eu tava sem jeito de encará-la depois daquilo e mais, de deixá-la se aproximar de mim e eu ter aquela reação toda que tive pela manhã no quarto enquanto pensava nela naquele sonho.
—É por causa de ontem?
Antes fosse!
—Não, não é.
—Então qual é o problema?
Ela entrou no quarto e parou há uma distância razoável de mim.
—Problema nenhum, Sara.
—Quer dizer que você acordou assim me evitando sem motivo algum, é isso?
—Não tô te evitando coisa alguma, Sara. Pára de ver coisa onde não existe. — Tentei desconversar.
Fui até ela e a abracei. Depois lhe dei um beijo rápido.
—Você é um péssimo mentiroso. Tem alguma coisa e você não quer me contar.
Pense numa pessoa cismada e difícil de enganar, é a Sara. Ela parece que tem um radar que detecta quando eu tô mentindo pra ela. É incrível e impressionante.
—Você é cismada demais, sabia?
—E você acha que me engana, né?
—Vai sentir a minha falta quando for embora?
—Não foge do assunto.
—Não tô fugindo de nada. Só quero saber isso.
Eu realmente queria fugir do assunto e esse foi o primeiro que apareceu.
—Ok! Vou fingir seriamente que acredito em você. E sim, é claro que vou sentir sua falta, quatro olhos sem graça. — Ela confirmou dando um soco de leve em meu peito. _ E você, vai sentir à minha?
—Todos os dias! — Murmurei antes de beijá-la de maneira mais contida que ontem.
Eu me apaixonei de verdade por essa garota e já estava sofrendo por antecipação pela partida dela que aconteceria em alguns dias. Se eu pudesse prendê-la e não deixá-la voltar mais pra cidade dela, eu prenderia.
Queria que Sara ficasse aqui pra sempre, mas eu sei que isso é impossível.
Enquanto ainda nos beijávamos, ouvimos alguém pigarrear da porta do quarto. Era a minha mãe. Imediatamente, interrompemos o beijo e olhamos pra ela meio sem jeitos por ela ter nos pego.
—Vocês não precisam ficar assim toda vez que eu os pegar se beijando. — Minha mãe nos disse com um meio sorriso.
Ela tinha razão, mas é difícil não ficar sem jeito por ela nos pegar naquela situação, ainda mais pra mim que sou bem envergonhado.
—O almoço já tá pronto, venham.
—Já estamos indo.
Então saímos do quarto e seguimos minha mãe até à cozinha.
O restante do dia passou meio que voando e quando foi à noite Phil apareceu pra uma visita e também para nos fazer um convite de sair os quatro pra jogar boliche. Pareceu um ótimo programa pra se fazer num domingo à noite.
E então, fomos os quatro ao boliche. O lugar tava bem movimentado. Muitas famílias e casais jogando. Minha mãe, Phil, Sara e eu parecíamos mais uma família ou um par de casais no meio de todos ali.
Foi divertido e empolgante o tempo que passamos ali e o jogo que travamos também. Foi o velho e bom embate de homens vs mulheres. O início do jogo se mostrava fácil e favorável demais pra mim e Philip. Apesar de não ser muito a minha praia boliche até que estava me saindo bem, tanto que a gente abriu uma vantagem confortável das meninas no placar. Só que da metade em diante do jogo, a minha mãe e Sara conseguiram alguns strakes e a vantagem foi caindo drasticamente.
A cada pontuação a menos que a gente fazia em relação a delas, as duas comemoravam e faziam pouco de mim e Phil.
—Onde foi parar a alegria de vocês, rapazes?
Sara nos provocou em determinado momento do jogo.
—Ri por último quem rir melhor, Sara. — Rebati à ela enquanto pegava a bola e me dirigia para jogar, pois era a minha vez.
Phil e eu vimos a vantagem só cair e cair. A gente tinha começado tão bem o jogo e agora estávamos péssimos. Enquanto que as nossas adversárias começaram péssimas e agora estávamos arrebentando com a gente.
—Desse jeito vamos perder pra elas. — Phil me murmurou após vermos minha mãe acertar mais outro strake.
Desde quando ela sabia jogar tão bem assim boliche?
—Mas a gente ainda tá na vantagem. Temos mais três jogadas e elas duas. Se acertamos pelo menos um strake e elas nenhum mais, ficamos com o jogo na mão.
—Dá pra pararem de cochicho e jogarem.
—Já vamos. Calma!
Phil foi jogar e ele foi péssimo. Só conseguiu derrubar quatro pinos. E na jogada seguinte, Sara derrubou nove.
E quando chegou a última jogada delas, um novo strake. Agora, a vantagem ficou com elas e coube à mim a responsabilidade de dar ou não a vitória a gente. Eu precisava de uma pontuação boa, mas assim que lancei a bola já vi que não ganharíamos. A vitória ficou com as meninas mesmo. Coube a Phil e eu aceitarmos que elas realmente mereceram aquela vitória de virada. E depois de um jogo desses, Phil nos levou pra comer uma pizza em comemoração à vitória das garotas, logo em seguida, ele nos deixou em casa.
...
No dia seguinte...
—Como são seus pais, Sara?
—Por que o interesse?
—Curiosidade. Você nunca me falou deles antes.
Ela se virou de frente pra mim no sofá. Já tava meio que virando um hábito nosso ficar deitados juntos naquele mísero espaço do sofá. Eu gostava disso, pois me proporcionava ter Sara bem perto de mim.
—Meu pai é bravo e morre de ciúmes de mim. Desde a morte do Sean, ele ficou muito mais próximo de mim e me cercando de cuidados que as vezes chega a me sufocar. E já a minha mãe, ela é mais tranquila, tipo a sua mãe. Tenho certeza que se as duas se conhecessem se dariam super bem.
—Hum... Acha que quando eu for te visitar lá em São Francisco, eles irão gostar de mim, de me conhecer?
A julgar pelo que ela falou do pai, eu acho que ele não iria gostar muito de mim. Ainda mais quando soubesse que sou namorado da filha dele. Pais tendem a não gostar dos namorados das filhas ou implicar com eles.
—Você realmente vai me visitar mesmo lá?
—Claro que sim. Por que dúvida disso?
—Ah... Eu... Acho que depois de um mês que eu já tiver ido, você nem vai mais lembrar de mim, quanto mais ir me visitar lá na minha cidade.
—Você não sabe o que tá dizendo.
—Sei sim. E digo mais, se duvidar, você vai arranjar outra mais interessante que eu rapidinho e me esquecer assim num piscar de olhos, Grissom. — Ela esboçou um sorriso, mas eu não vi razão alguma pra rir.
—Realmente, você não sabe o que tá dizendo. — Olhei sério pra ela, não gostando nada do que ouvi dela. Logo em seguida, me levantei, ficando sentando no sofá. _Você não tá levando a sério os meus sentimentos, não é? Por acaso, acha que tudo isso é só uma diversão pra mim?
—Ei! Eu não queria te ofender, foi mal.
—Sabe o que eu acho, Sara? É que você é que vai me esquecer num piscar de olhos depois que for embora, isso sim.
Como ela pode pensar que eu faria aquilo?
Era mais fácil ela fazer. Ela encontrar alguém mais interessante que eu e acabar esquecendo o idiota nerd que se apaixonou por ela.
—Não, espera. — Ela me segurou quando fiz menção de levantar de vez do sofá. Eu havia ficado sentido com suas palavras e ela percebeu. _Me desculpa pelo que eu disse?... Grissom??
Eu apenas me limitei em assentir sem lhe dirigir o olhar.
—E sobre o que você disse a respeito de eu te esquecer, quatro olhos... Isso não é verdade. Eu jamais vou te esquecer, nerd sem graça.
Ao ouvir isso, eu olhei pra ela e foi inevitável não deixar escapar um sorriso das suas palavras.
—Você acredita em mim, não é?
—Sim! Ao contrário de você que não acredita em mim.
—Isso não é verdade.
Às vezes eu tinha a impressão que era principalmente, quando era relacionado aos sentimentos que eu tinha por ela.
—Tanto faz mesmo. — Dei de ombro. _E também já deu pra mim esse assunto. Se continuarmos nele, vamos acabar brigando e não quero isso.
—Tá, mas você não disse se me desculpa.
—Eu te desculpo. — Resolvi aceitar suas desculpas pra encerrar aquele assunto e pôr um fim naquele clima estranho que se formou ali.
Sara se aproximou mais de mim e tomou a iniciativa de me beijar. Eu correspondi ao beijo no mesmo instante. Foi rápido, mas foi arrebatador. E quando nossos lábios se separaram, eu ouvi dela o que eu não esperava ouvir.
—Quanto aos meus pais gostarem de você ou não, isso não importa. Quem tem que gostar de você sou EU. E eu gosto muito de você, quatro olhos.
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