A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
50 Capítulo 49
Notas iniciais
O papel do jogo que eu segurava, virou uma bola, pois de raiva amacei aquela folha de papel todinha.
Aquela cena de Nick beijando Sara era tudo o que eu não queria tá presenciando. A minha vontade era de ir lá nos dois e afastar de forma bruta o Nick de Sara, mas ela fez isso por mim e de maneira mais educada do que eu faria.
—Nick calma aí!
—Eu tava morrendo de saudades de você, Sara.
E mais uma vez, ele a agarrou e beijou, só que dessa vez eu resolvi intervir nessa. Não tenho sangue de barata pra ficar vendo outro cara — que pode ser até meu amigo como for, mas era outro cara — beijar a garota que eu gosto.
—Aí, Nick! Vai devagar com essa saudade toda. — Bati no ombro dele interrompendo assim o beijo que ele dava na MINHA NAMORADA!
Juro que se não fosse o fato dele desconhecer sobre Sara e eu, e também dele ser meu amigo, rapaz, eu dava um soco nele agora. Mas vamos tentar ser pacíficos. Tudo bem, que eu sei que ele não vai ser nada pacífico comigo quando souber que Sara tá comigo, mas enfim... vou ser com ele.
—Qual é, Gil?! Vai ficar me embasando, mano?!
Ele me disse em tom de brincadeira e rindo pra mim, mas eu não via graça alguma ali.
—Nick, você tá muito afoito.
—É que eu tô saudades de você, Sara. Por acaso não sentiu minha falta?
—A gente precisa conversar.
—Claro que a gente precisa 'conversar', princesa. — O sorriso cheio de segundas intenções dele, não me agradou nada. Certamente, a 'conversar'' que ele tinha em mente ter com ela, não era exatamente a mesma conversa que eu sabia que Sara ia ter com ele. _Aí, Gil, será que dava pra você deixa a gente à sós pra conversar, cara. Ou será que vai querer bancar o "vela"?
É o cúmulo, eu sendo expulso da minha própria casa pelo meu "amigo" pra que ele ficasse a sós com a MINHA garota.
Olhei disfarçadamente pra Sara e pelo gesto quase imperceptível que ela fez com a cabeça, eu pude sacar que ela queria que eu saísse, pois ia contar a Nick sobre a gente só que não queria fazer isso na minha presença.
Nada contente com isso e tudo mais que já tinha acontecido ali, eu saí da sala em direção às escada pra seguir para o meu quarto, sem dizer nada, absolutamente nada!
Ao entrar no quarto eu taquei na parede a bola de papel que ainda segurava. Logo depois fiquei andando de um lado para outro ali pra tentar me acalmar, já que por dentro me consumia de raiva e ciúmes.
Quando eu consegui ficar mais calmo alguns poucos minutos depois, me sentei na cama e agora movido a curiosidade, eu fiquei a pensar em como estavam as coisas na sala. Como será que estava a conversa de Sara com Nick? Será que ela já tinha contado à ele sobre a gente? Qual teria sido a reação dele quando soube disso?
Eu não devia ter subido, devia ter ficado na sala com Sara pra junto com ela contar sobre a gente pro Nick. Só espero que ele...
—Ô GRISSOM DESCE AQUI, CARA! AGORA!
Era a voz do Nick gritando da sala. Pelo tom irritado e bem alterado, ele já devia tá sabendo.
—SEU COVARDE FURA OLHO, DESCE AQUI! ANDA, CARA!
Levantei da cama e saí do quarto no mesmo instante. Ele podia ser meu amigo, mas eu não ia admitir que me ofendesse na minha própria casa.
—Eu tô aqui, Nick! — Disse descendo as escadas.
—Ah, pensei que ia ficar escondido no quarto.
—Não tenho porque me esconder.
E eu não tinha mesmo. E se eu não fiquei ali pra contar pra ele sobre mim e Sara, não foi por covardia e sim, porque Sara não me deixou ficar.
—É muito cara de pau mesmo.
Eu o vi vir furioso em minha direção.
—Nick! Deixa o Grissom em paz. — Vi Sara segurá-lo pelo braço antes que ele chegasse perto de mim.
—Me solta, Sara.
—Não! E quer saber? Acho melhor você ir. O que a gente tinha pra conversar já conversamos. Agora vai!
—Eu não vou sem antes acertar as contas com esse fura olho, que eu pensava que fosse meu amigo.
—Nick, eu sou seu amigo. Continuo sendo.
—Amigo não apunhá-la o outro pelas costas como você fez comigo ao se meter com a garota que eu tava ficando. Como pôde fazer isso, cara?
—Eu não fiz de propósito, Nick. Aconteceu. Eu gostei dela e...
Eu não tive tempo de completar, pois ele conseguiu se desvencilhar da Sara e veio até mim, me acertando um soco bem no estômago, o que me fez sentir uma dor horrível.
—Isso é pra você aprender a não se meter com a garota de um "amigo".
Cara que mão pesada ele tinha. Meu estômago tava doendo horrores com aquele soco.
—Você é louco? Saí de perto dele. — Sara empurrou Nick pra longe de mim. _Gil tá tudo bem?
—Vai ficar. Nick não precisava ser assim, cara. — Meio curvado com a mão sobre o estômago que por sinal doía por conta do soco, olhei pra Nick que se encontrava há certa distância e me encarava cheia de raiva.
—Esse soco era pra ter sido na sua cara. Mas eu não costumo bater em quem tá de óculos.
Quanta consideração dele por mim.
—Eu sei que tá me odiando...
—Você não faz ideia do quanto. Minha vontade é te dar outro soco.
—Não se atreva a se aproximar dele de novo, Nick. — Sara o ameaçou quando meu amigo fez menção de vir até mim e ela. _E acho melhor você ir embora daqui. Agora!
—Não, Sara, calma. Nick espera. — Pedi. Eu precisava explicar meu lado pra ele. _Eu quero conversar com você.
—Ele acabou de te acertar um soco e você ainda quer conversar com ele, Grissom? Você é masoquista por acaso?
Será que era tão difícil dela entender que eu me sentia na obrigação de falar com ele?
—Ele é idiota e com certeza, quer mais um soco, agora nessa cara de pau dele. Só pode!
—Não é nem uma coisa e nem outra. Nick a gente tem que conversar.
—Mas eu não quero papo contigo. E quer saber? Pra mim deu. E antes que me mande embora uma terceira vez, Sara, já tô indo.
—Já vai tarde!
—Adeus.
Vimos Nick seguir irado até a porta e sair dali batendo-a fortemente.
—Se arrependimento matasse, eu juro que agora cairia mortinha aqui por ter dado trela pra esse seu amigo troglodita.
—Eu te disse que ele não reagiria bem quando você contasse pra ele. Hum... eu preciso sentar ali no sofá.
Sara me ajudou a chegar ao móvel e me sentar nele. Caramba, se ele acerta aquele soco na minha cara, certamente, eu estaria lascado.
—Vou pegar gelo pra você colocar aí onde Nick te acertou, tá?
Apenas assenti pra Sara que saiu em direção à cozinha. Não demorou quase nada pra ela estar de volta segurando uma 'trouxa' que fez com um guardanapo, a qual continha gelo dentro.
—Levanta a camiseta.
Fiz o que ela pediu e Sara colocou sobre o meu abdômen a 'trouxa' de gelo.
—Au! Devagar. — Pedi assim que ela colocou aquele troço gelado na minha barriga e pressionou-o.
—Tá doendo muito?
—Um pouco só. Não imaginava que ele tivesse a mão tão pesada assim.
—Menos mal que não foi na sua cara o soco. Senão o estrago poderia ser pior.
Com certeza!
—Eu queria ter tido a chance de conversar direito com ele.
—Com ele não digo, mas com o punho dele certamente você falaria. Bem que você falou que ele teria uma péssima reação.
—Pois é. E você achando que eu tava exagerando.
—Você precisava ver como ele ficou quando eu contei da gente pra ele. Simplesmente, ele pirou.
—Mas como é que você contou isso.
Ela falou que a princípio relutou e não quis contar, pra evitar confusão já que ficou temerosa da reação dele ao lembrar do que eu lhe disse. E por isso mesmo, ela apenas tinha em mente terminar com ele e pronto. Mas quando ele insistiu por uma boa razão pra ela está terminando com ele sem aparentemente motivo algum. Então, ela se viu obrigada a falar a verdade. E foi exatamente o que fez.
—Talvez eu devesse dar um tempo e só então procurá-lo pra conversar com ele.
—Conversar o quê, me diz? Ele não quer conversa com você, criatura.
—Eu preciso explicar pra ele que não foi de propósito que você e eu...
—Olha... — Ela disse me interrompendo. _... Minha mãe costuma dizer que têm coisas que a gente não explica porque não tem exatamente explicação. E essa me parece uma dessas coisas. Deixa assim que é melhor, quatro olhos. Não tenta explicar nada pra ele. Explicar pode só complicar mais as coisas e te arranjar outro soco.
Acho que ela não podia ter sido mais enfática e eficaz num argumento como naquele.
Talvez, realmente, ela tivesse razão mesmo. Tentar explicar aquela situação toda pro Nick fosse no fim das contas, acabar complicando ainda mais as coisas ali.
—Sabe que quando você quer, você consegue ser mais centrada do que eu mesmo seria?
—Vou tentar levar isso como elogio.
—Mas é isso.
...
O lado bom daquilo tudo que houve é que agora eu podia namorar Sara sem o peso de estar sentindo que estou traindo Nick, pois ela já havia terminado com ele.
Mas todo lado bom tem seu oposto, que nesse caso era: a perda da amizade do Nick. Ele era um ótimo amigo.
Sinceramente, eu torcia pro tempo ajudar a amenizar a situação. Quem sabe, ele não fizesse Nick um dia, mais lá pra frente deixar a raiva de lado e me perdoar por te "tirado" Sara dele.
—Sara, eu queria que você não contasse pra minha mãe o que rolou mais cedo aqui. — Pedi à ela enquanto estávamos deitados no sofá com ela trocando mensagens com uma das primas.
—Por que não?
—Ah, pra evitar que essa situação cresça mais do quê deve. Pode fazer isso pra mim?
Ela levantou a cabeça do meu peito e se virou, ficando de lado naquele apertado espaço que tínhamos ali no sofá.
—E se ela perguntar como foi com ele? O que vamos dizer?
—Podemos inventar alguma coisa. Sei lá... dizemos que ele não gostou, mas aceitou.
—Você acha que ela vai engolir isso?
—A gente tenta. Não custa nada tentar. Tá bem?
Ao invés de me responder, ela tirou meus óculos e colocou nela, depois me perguntou como tinha ficado.
—Sara, você não respondeu o que perguntei à você.
Sentia que ela queria fugir da conversa. Mas não ia deixar.
—Tá, eu não vou contar nada. Satisfeito?
—Agora sim.
—E aí, você não disse como fiquei com seus óculos.
Ela tinha ficado linda. Na verdade, ela era linda. De qualquer jeito! Com óculos ou sem.
—Tá linda.
—Mentiroso.
—Não. Sério, você ficou linda.
—Hãham!... Sabia que dos meus dez aos catorze, eu usei óculos? — Ela contou recolocando os óculos em mim.
—Não diga? Você já foi quatro olhos também? — Zombei dela que imediatamente me bateu de leve no braço por isso. _Ei, olha a agressão?!
—Você mereceu por me zoar.
—Ah, então eu não posso te zoar, mas em compensação, você pode deitar e rolar em cima de mim?
—Claro!
Ela afirmou com um largo sorriso.
Que cara de pau dela admitir isso assim, na minha cara, a milímetros de distância dela.
—Isso não é justo, sabe né?
Ela apenas riu dando de ombro.
—Por que deixou de usar óculos? — Resolvi voltar ao assunto de antes.
—Fiz uma cirurgia corretiva. Devia fazer também. Você fica melhor sem os óculos.
—Ficou é?
Sorri pra ela que assentiu também sorrindo.
Horas depois minha mãe chegou e ao notar que eu andava meio "estranho" por conta da dor no estômago que era decorrente do soco que levei, ela me questionou o que tinha. Imediatamente, Sara inventou que tinha me acertado uma forte cotovelada no estômago quando eu abracei pro trás e lhe fiz cócegas na barriga.
—É que ele não sabia que não gosto nada dessa brincadeira então acabei aceitando-o sem querer. Mas já pedi desculpas pra ele, não foi?
—Foi.
Ela era rápida pra inventar mentira. Se não fosse ela ali, eu ainda estaria pensando em algo pra inventar a minha mãe.
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