A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
51 Capítulo 50
Notas iniciais
Você é tão insuportável, insuportavelmente imprevisível
Incrivelmente incrível
Improvável, impossível, inevitavelmente indefinível
Incontrolavelmente irresistível
(Faz parte — Projota)
...
Enquanto me pegava observando de certa distância à Sara tirar selfie e mais selfie com as estátuas de cera de artistas em exposição no Museu Madame Tussauds, eu me dava conta de uma coisa: o tempo pra mim com ela estava acabando! Os dias pareciam passar tão rápido que eu gostaria de congelá-los ou então fazê-los ter bem mais do que somente 24hs. Desse modo, eu teria mais tempo pra ter Sara do meu lado.
Uma semana!
Era tudo que nós tínhamos.
Em uma semana ela iria embora pra São Francisco. Ela iria embora da minha casa, da minha vida, mas não do meu coração. Nesse lugar, Sara teria 'cadeira cativa' como se diz por aí. Só que eu não podia deixar de já ficar triste com a aproximação do dia da partida dela. Ela ia fazer tanta falta pra mim. Seu jeito desajuizado, debochado, implicante, também ia fazer falta. Sorri largamente ao vê-la tirar uma selfie beijando Brad Pitt.
Ela era louca! Uma louca do bem como Catherine dissera no dia em que lhe contei da gente.
Mas sabe que eu gosto da Sara louca assim mesmo. Bem como da Sara insuportável, mas ao mesmo tempo adorável. Da irritante, porém irresistível. Com ela é aquilo de me ame ou me odei. No entanto, comigo eu a "odiei" e "amei" em proporções iguais e inimagináveis, num curto espaço de tempo.
—Ei! Vem, você não vai ficar aí só olhando. Vai tirar fotos junto comigo e os artistas de cera. — Ela saiu me puxando pela mão em direção às estátuas.
Eu não gosto de tirar fotos, mas por ela pra satisfazer sua vontade, eu me prestava à fazer aquilo. A verdade é que ela já me tinha em suas mãos. Eu acho que era capaz de fazer o que ela me pedisse, mesmo não sendo do meu agrado, somente pelo doce prazer de satisfazê-la e agradá-la. Aquela hóspede insuportável roubou meu coração!
Tiramos tanta foto que eu fiquei com o maxilar doendo de tanto sorrir. Foi selfie com: Sandra Bullock, Brad Pitt e Angelina Jolie, George Clooney, Leonardo Di Caprio, Barack Obama e a esposa, Martin Luther King, Benjamin Franklin, Tiger Woods, Muhammad Ali, o gigante Shaquile O’Neal, Rihanna, Lady Gaga, Michael Jackson, Madonna, Elvis Presley e mais uns tantos outros, que se eu for listar vai ser complicado.
Mas foi divertido. A perfeição dos bonecos de cera ali era realmente incrível. Dependendo do ângulo que você tirar a foto com um deles, fica parecendo que você estava com a pessoa de verdade, e não com a estátua.
Aquelas horas que passamos ali naquela manhã de sábado não podiam ter sido mais proveitosas e divertidas que aquelas.
Depois de sairmos dali, nós fomos pegar um ônibus pra ir para a galeria da minha mãe. Tínhamos marcado de almoçar com ela, num restaurante ali próximo do trabalho dela.
—Essa com o Leonardo Di Caprio ficou parecendo que a gente tá com ele mesmo, não é?
—Sim. — Concordei enquanto estávamos acomodados numa cadeira do busão — Sara estava em meu colo — à caminho da galeria.
—Vou tirar onda com uma amiga minha dizendo que encontrei com Leonardo Di Caprio e tirei essa foto com ele.
—Que grande mentira!
Ela virou o rosto um pouco pra me encarar e disparou-me:
—E daí? Ela não terá como saber mesmo que é mentira.
—E você não vai ficar com remorso de mentir pra sua amiga?
—Ai, meu Deus! Tá bom, depois eu conto a verdade pra ela. Satisfeito, senhor certinho?
—Sim.
Pouco tempo depois já chegávamos ao nosso ponto e saltávamos pra rumar em direção à galeria que ficava há poucos metros de onde saltamos.
Ao chegarmos na galeria ainda tivemos que esperar pela minha mãe uns poucos minutos, pois ela estava resolvendo uns assuntos. Mas assim que ela os resolveu, nós três juntamente com a tia de Sara que foi convidada por minha mãe pra almoçar com a gente, saímos da galeria para ir ao restaurante ali perto.
Após nos acomodarmos em uma mesa e fazer os pedidos, Sara e eu, nos revesamos em contar pra tia dela e pra minha mãe como foi no museu, enquanto elas viam algumas fotos que tiramos com as estátuas de cera.
O almoço ali transcorreu no maior clima agradável e descontraído. Eu era o "bendito fruto" entre as três mulheres ali que falavam sem parar.
...
Eu cochilava quando senti de repente, algo deslizar de uma forma sutil por meu rosto. Abri os olhos devagar e descobri que era Sara que passava a ponta dos dedos pelo meu rosto.
—Até que enfim o nerd adormecido acordou.
—O filme já acabou?
—Há pouco.
Após chegarmos do almoço com minha mãe, Sara e eu trocamos de roupa e nos acomodamos no sofá pra ver TV. E achamos um filme de vampiros que tinha acabado de começar, e obviamente, Sara quis que víssemos esse filme. Eu até assistí um pouco, mas acabei pegando no sono e não vi mais nada da película.
—Foi mal. Acabei cochilando no meio do filme.
—É, eu percebi isso, no exato momento em que você começou a roncar bem no meu ouvido. — Ela me respondeu abrindo um sorriso logo em seguida.
Como é?
Eu roncando?
—Que mentira! Eu não ronco. — Rebati.
—Ah, ronca! Te dei até uma cotovelada de leve, que nem a minha mãe diz que faz no meu pai quando ele encarna o tiranossauro rex, daquele filme Parque dos dinossauros, sabe?
—Sei. E você tá curtindo com a minha cara, porque eu não ronco.
Ela se segurou pra não rir dessa vez. Depois me questionou como eu podia saber que não roncava, se no momento em que isso acontecia, eu estava dormindo. Ela ainda justificou que não tinha como eu afirmar uma coisas daquelas.
—Você tem razão. Mas eu sei de algum modo que NÃO RONCO.
—Ronca sim. Mas pode ficar tranquilo, que você não ronca que nem o meu pai. Seu ronco é baixo.
Ela não devia tá falando sério. De certo, tava me zoando isso sim.
—Eu não acredito em você!
—Problema seu.
—Já te disseram que você é um amor de pessoa pra não dizer o contrário?
—E já te disseram que você é um palhaço completamente sem graça?
Agora foi a minha vez de abrir um sorriso que nem ela fez momentos atrás.
—Ah, ela ficou bravinha com o elogio, foi?! — Zombei em brincadeira enquanto lhe abraçava. Estávamos deitados no sofá, um de frente para o outro.
—Elogio? Não quero nem imaginar o que vai me dizer quando estiver me xingando.
Sorri mais uma vez dela.
—Eu tava brincando. Você é sim um amor de pessoa.
Apesar daquele gênio todo e daquela marra dela, descobri que em baixo disso havia um amor de pessoa. Havia uma Sara sensível, frágil e que sabia falar sério e dar bons conselhos.
—É pra eu acreditar nisso?
—Totalmente!... E eu não ronco! — Resmunguei a última frase já com a minha boca grudada a de Sara pra não lhe dar margem pra réplica.
Era pra ser um beijo inocente e sem demora, mas não foi bem assim que ele aconteceu tão logo eu senti a necessidade de aprofundá-lo.
O beijo depois disso avançou e tomou uma proporção tão rápida que logo eu já estava sobre Sara naquele sofá, com as mãos tocando sua cintura por debaixo da blusa dela ao mesmo tempo, em que sentia as mãos de Sara subirem timidamente pelas minhas costas sob a camiseta que eu usava, enquanto a gente ainda se beijava de um jeito que até então não havia acontecido antes. Como se o fim do mundo estivesse logo ali.
Aquilo estava sendo muito bom! Tanto que eu já havia me perdido completamente, sentindo pelo corpo as melhores sensações do mundo naquele instante. E querendo apenas senti-las mais e mais.
Minha boca abandonou a de Sara pra descer em direção ao seu pescoço e assim sentir o gosto da pele dela. Enquanto isso minhas mãos subiram um pouco mais sob a blusa dela até resvalarem ambas na parte de baixo do sutiã que ela usava. E quase que sincronizadamente, as mãos dela, agora, desceram pelas minhas costas até alcançarem o cós do meu short juntamente com o da cueca.
Foi então que me dei conta de pra onde as coisas estavam descambando e que ainda não estava preparado pra isso, mesmo sentindo uma enorme vontade de seguir em frente. Aquilo não podia acontecer ali e nem naquele momento. A minha mãe podia aparecer e seria terrível se ela chegasse e nos flagrasse naquela situação toda.
—O que foi?
Sara me questionou quando interrompi abruptamente o beijo que trocávamos e saí de cima dela ficando de joelhos no sofá.
—Eu não posso, Sara. Quer dizer, nós não podemos... fazer... isso, sabe? Minha mãe... ela pode chegar e... você já viu. — Justifiquei sem jeito. Como eu não podia dizer a real verdade, então optei por uma meia verdade.
—Eu sei, mas... — Eu a vi se levantar e ficar que nem eu de joelhos no sofá. _... Enquanto você dormia e eu assistia ao filme, sua mãe ligou avisando que vai chegar tarde em casa. Phil chamou-a pra ir jantar e depois eles ainda iam dançar. Então não precisa ficar preocupado com o fato dela aparecer aqui. — Era impressão minha ou ela queria que rolasse? _A não ser é claro, que você tenha outra razão pra gente não continuar, que não queria me contar além dessa da sua mãe.
Engoli em seco.
—Ou-outra razão?? E que outra razão seria essa?
—Hum... Talvez... Você ser virgem e não tá preparado pra esse momento. É isso né?
Como ela adivinhou?!
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