Notas iniciais
Novo post pra vocês, meninas. E Bruh pode ficar tranquila que seu presente já tá mais do que garantido. Os dois, inclusive, já estão devidamente finalizados há dias. Ok? E sexta serão postados.

—Olha se você não se apressar o filme vai começar.

—Não depende de mim ficar pronto isso. Depende do fogo, tá?

—Ok! Não precisa ficar irritada.

—Não tô irritada! E pega logo as colheres.

Fui até o armário pegar o que ela gentilmente me "pediu".

Momentos atrás, ela teve a ideia de fazer brigadeiro pra comermos enquanto assistimos "Pearl Harbor". O filme começaria daqui a pouco, isso se já não começou. Ele passaria depois de um programa de perguntas e respostas que havia começado a passar após o telejornal da tarde.

—Pega o refrigerante também.

—Refrigerante, Sara?

—É. Vai dizer que nunca comeu brigadeiro de panela com refrigerante?

—Não!

—Pois não sabe o que tá perdendo. É uma delícia!

—Vou pegar uma latinha de refrigerante só pra você. Eu não quero!

—Você que sabe! O brigadeiro ficou pronto.

—Então vamos pra sala, porque o filme já deve ter começado.

Como eu previa o filme já tinha começado quando chegamos a sala e nós acomodamos no sofá.

—Viu só já começou.

—Ai, mas tá no começo.

Deixamos a panela com o brigadeiro quente sobre a mesinha de centro para esfriar e enquanto isso, ficamos assistindo o filme.

Algum tempo depois, a gente já "devorava" o brigadeiro de olhos atentos à TV (Sara bem mais do que eu). Eu, por sinal, já tinha assistido aquele filme, por causa de um trabalho da escola sobre o ataque mencionado no filme. Em compensação, Sara ainda não tinha assistido a película. E pelo que percebi em determinado momento do filme, ao olhar pra ela acomodada ao meu lado no sofá, Sara parecia tá gostando bastante de assistí-lo, pois tava vidrada.

E quando o filme acabou, ela parecia bem satisfeita com ele.

—Olha, eu não sou muito fã de filme de drama com romance. Prefiro mais os de terror com zumbis, vampiros, essas coisas, mas... confesso que gostei desse filme.

—Percebi que gostou mesmo. Não tirava os olhos da TV.

—E você em vez de prestar atenção ao filme, ficou me monitorando é?

—Eu não. — Sorri. _Só dei uma olhada em você uma ou duas vezes pra saber se estava gostando do filme.

—Sei...

—Verdade! — Afirmei tocando seu rosto e logo em seguida, lhe beijei a boca.

Eu tava me apaixonando a cada instante mais por ela. Só que o problema é que logo ela irá embora e eu não faço ideia de como serão as coisas pra gente a partir da sua volta pra casa lá em São Francisco, ou como elas ficarão com isso. Mas o que eu sei é que Sara já têm um lugar fixo no meu coração e eu vou sentir falta dela a cada instante, a cada dia que ela não estiver mais aqui comigo.

Em meu coração sempre haverá um lugar pra você
Por toda a minha vida
guardarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, você estará lá

(There You'll Be — Faith Hill)

Quando nos separamos pondo fim ao beijo, eu fiquei apenas olhando pra ela em silêncio, tentado em expressar a dúvida que eu tinha a respeito da gente quando Sara fosse embora da minha casa, mas sem coragem suficiente pra expor aquilo à ela.

—O que foi?

Ela quis saber tocando com as pontas dos dedos a armação do meu óculos, enquanto me via olhá-la em silêncio.

Ia ser tão difícil não vê-la mais aqui, não tê-la mais perto de mim. E a cada dia que ia passando, era um a menos dela comigo. Aquilo era como uma contagem regressiva pra me despedir dela.

—Nada! — Respondi dando um suspiro.

—Não é o que tá parecendo, quatro olhos. Fala o que foi, vai!

—Sabia que eu já gosto muito de você? — Confessei.

Ela abriu um sorriso envergonhado. Eu gostava dessa "Sara envergonhada" assim como também gostava da "Sara irritada", a "Sara pentelha", a "Sara debochada" e demais "Saras" que ela conseguia ser em uma só. Com essa diversidades de garotas em apenas uma, eu nunca ia ficar entediado.

—Gosta, é?! — Assenti afirmativamente pra ela. _E... você gosta assim... mais do que... gostou da... sua vizinha ruiva?

Eu não pude evitar de esboçar um discreto sorriso pelo tom meio sem jeito e levemente enciumado com o qual Sara me perguntou aquilo, e também pelo fato dela ao fim da pergunta ter feito uma careta super engraçada ao se referir a Heather. Ela não gostava mesmo da minha vizinha.

—Muito mais, Sara! — Sussurrei em seu ouvido após me aproximar de Sara. Ao me afastar dela pra voltar a olhar para seu rosto, encontrei-a com uma visível surpresa estampando seus olhos castanhos enquanto que nos lábios tentava conter o sorriso discreto que queria escapar.

—Sério?

—Seríssimo! Se quer saber... eu nunca tinha gostado antes de uma garota desse jeito que eu já gosto de você.

O sorriso que ela tentava segurar "escapou" de vez e apareceu largamente pra mim. E logo em seguida, Sara me abraçou apertado. Eu queria que ela me dissesse algo em resposta ao que lhe disse, mas têm certas ocasiões ou vezes, em que as palavras são indispensáveis quando os gestos feitos falam por elas.

Naquele abraço eu conseguia sentir que Sara queria dizer exatamente o mesmo que eu lhe disse. De alguma forma, eu sabia que aquele abraço queria dizer aquilo.

E a forma com a qual ela me olhou e o beijo que me deu um tempo depois de termos desfeito brevemente nosso abraço, só veio pra me fazer ter mais certeza de que ela tava querendo me dizer exatamente que: " também nunca tinha gostado antes de um cara do jeito que gostava de mim."

...

Enquanto terminava de tomar meu café sozinho naquela manhã já que minha mãe tinha saído há uns instantes, e Sara ainda não havia acordado pra me acompanhar no café, eu pensava que hoje seria o grande dia. Era hoje que Nick chegaria do Texas. E tenho certeza que hoje mesmo ele viria ver a Sara. Eu tava apreensivo e preocupado com o rumo que as coisas degringolariam quando ele soubesse de Sara e eu.

Não temia exatamente pelo que ele possivelmente me faria, mas sim, pelo fato de perder um amigo tão maneiro e camarada como o cowboy. Mas algo me dizia que seria inevitável isso não acontecer. Talvez, depois com o tempo as coisas com Nick voltem as boas. Dizem que o tempo é o melhor conselheiro e apaziguador em certas situações. Quem sabe não seja assim nessa!

—Bom dia, quatro olhos!

Olhei para o lado e via Sara aparecer com cara de sono e tocar meus cabelos antes de se acomodar ao meu lado. Ontem e anteontem os "bom dias" da gente sempre vinham seguidos de um beijo. Então, eu resolvi manter essa "tradição" e beijei Sara não como ontem, quando lhe dei um beijo na testa, mas sim como anteontem, quando ela me deu um beijão de 'bom dia'.

—Agora sim... bom dia! — Disse à ela após o nosso beijo.

—Você tá se mostrando um verdadeiro beijoqueiro, quatro olhos.

—Ah, tá reclamando? Também não beijo mais.

—Ai, pára de drama que eu não tô reclamando, só comentei.

Eu sorri e ela me acompanhou nisso.

—E a sua mãe?

—O que você acha? Já foi pra galeria.

—Hum... — Ela me resmungou bocejando e passando as mãos por sobre os olhos. _Ainda tô morrendo de sono.

—Por que levantou então?

—Porque não consegui mais pegar no sono depois que a minha adorável mãezinha fez o favor de me acordar com sua ligação.

—O que ela queria ligando esse horário pra você?

Ainda não era nem oito da manhã.

—Me lembrar do aniversário da minha avó hoje. É que eu sou péssima pra lembrar datas de aniversário, então ela me ligou pra eu não esquecer de ligar pra ela.

—É avó por parte de pai ou mãe?

—Mãe. A por parte de pai já morreu.

—Ah, tá! E você já ligou pra sua avó?

—Vou ligar daqui a pouco. Deixa eu acordar por completo, tomar café e aí sim, eu ligo. Sabe, você bem que podia ter me levado café na cama de novo, que nem ontem.

—A gente não pode dá a mão que a pessoa já quer o braço e se duvidar o corpo todo, né?

—Chato!

Ela me bateu no braço e sorriu.

—Olha quem fala.

—Me passa essa garrafa de café aí.

—Palavra mágica?

Sara revirou os olhos e bufou pelas minhas palavras.

—Ai, por favor!

—Execelente!

Depois dessa eu então acatei seu pedido com teor de ordem e lhe passei a garrafa. E enquanto tomávamos café eu comentei com ela sobre a chegada de Nick.

—Por acaso ele te disse que horas chega?

—Não! E confesso que tô nervosa com a conversa que terei com ele, sabe?

—Se quiser eu fico com você pra juntos contarmos pra ele.

—Não acho uma boa isso. Eu prefiro falar sozinha com ele.

—Tudo bem. Você que sabe!... Aposto que nem bem ele vai chegar na casa dele e vai correr pra vim aqui te vê.

—E você tá com ciúmes? É isso mesmo?

Na real eu tava mesmo com ciúmes. Pra ser bem franco, eu tava era morrendo de ciúmes disso e não conseguia disfarçar.

—É, eu tô. Por acaso é algum crime isso? Além do mais, não sou o único nisso. Ou será que esqueceu o lance de ontem no supermercado com Heather?

—Nem vem. Que você tá viajando nessa!

—Viajando? Não! Se quer saber, você é tão ciumenta quanto eu, e nem percebe isso.

—Ah, então está admitindo com todas as letras que é ciumento?

—É, eu sou mesmo.

Quer saber? Que se dane! Eu não ia ficar mais tentando mentir um fato que era óbvio.

—E pra você ficar sabendo logo, eu tô morrendo de ciúmes do Nick vir aqui te ver, te abraçar e pior, tentar te beijar. — Reconheci de forma exasperada. _Satisfeita com a minha resposta? Com o fato de eu admitir algo que tá tão na cara assim?

—Também não precisa falar assim comigo, sabia?

Suspirei. Acho que passei do tom ao admitir aquilo.

—Foi mal!... Foi mal!...Me desculpa. Eu não queria ter falado dessa forma com você. É que... eu nunca tinha sentido ciúmes de uma garota desse jeito tão explícito e intenso como eu sinto por você. É novidade pra mim isso!

—Pra mim também é, sabia?! Eu jamais tinha tido um cara que sentisse ciúmes de mim assim. E nem, que eu sentisse ciúmes dele quase desse modo também.

Opa! Ela tava admitindo que sentia ciúmes de mim também? Era isso mesmo?

—Quer dizer que sente ciúmes de mim? — Arrisquei em perguntar. Mas obviamente, eu sabia a resposta.

Levou um par de segundos até que eu a ouvisse admitir que sentia "um pouquinho" de ciúmes sim. Eu quis contestar esse pouquinho, pois já tive mostras claras de que esse ciúmes dela não era nada de 'pouquinho' assim. Só que resolvi ficar na minha e não contestar nada.

—Voltando a falar do Nick, eu tenho pra mim que ele vai ficar péssimo quando você terminar com ele. Nick gosta de você, Sara. — Comentei com pesar ao lembrar do meu amigo e os sentimentos dele por ela. Aquilo ia ser difícil.

—Mas eu gosto de um cara nerd e bem estranho, sabe? Que usa uns óculos do tempo do meu avô e que é ciumento demais! Conhece?

Eu olhei pra ela e sorri sendo imitado por Sara.

—Acho que conheço sim.

...

Sentados cada um numa extremidade do sofá maior, a gente jogava batalha naval.

—G7.

—Ah, não Sara! De novo? Você tá roubando. Só pode.

—Roubando como? Tá louco. Vai, o que eu acertei dessa vez?

—Um porta-aviões. — Contei nada satisfeito por ela ter acertado o meio do meu porta-aviões.

Vi Sara comemorar toda contente aquilo. Eu não sei como raios, mas ela tava sendo certeira em localizar cada um dos meus navios. Era impressionante! Poucas foram as vezes em que acertou um tiro na água. Ao contrário de mim que já acertava mais na água do quê em alguma embarcação dela.

—Eu sou muito boa nesse jogo.

—Tô vendo!

Ela continuou e acabou pra minha completa insatisfação afundando o meu porta-aviões.

—Ah, não quero mais jogar isso.

—Que não quer nada! Ainda falta cinco minutos pro jogo acabar. — Ela contou dando uma olhada no cronômetro do celular dela. A gente tinha marcado dez minutos de partida. _O que ainda resta pra eu afundar?

—Dois barcos de três quadrados. Mas é a minha vez agora, ô esperta.

—Vai então!

—J5

—Olha só, acertou um barco de dois quadros.

—Aleluila, eu acertei mais algum.

—Continua, vai!

Antes que eu dissesse a próxima letra seguida do próximo número, nós ouvimos a campainha. Olhei pra Sara na mesma hora.

—Será que já é ele?

Só podia ser! Minha mãe não havia de ser. Talvez, Catherine, quem sabe. Só que eu não achava que fosse minha amiga não.

—Talvez. — Tentei parecer displicente na resposta. _Deixa que eu atendo.

Levantei do sofá e segui até a porta levando comigo nas mãos, o papel do meu jogo.

Assim que abri a porta tive a confirmação da pergunta que Sara me lançou segundos atrás. Era o Nick mesmo!

—Fala, Gil!

Ele me abraçou todo alegre e deu umas tapinhas nas costas em cumprimento.

—E aí, cara? Tudo beleza contigo?

Comigo até tava antes dele aparecer. E com Nick, tenho certeza, que em instantes ia deixar também de tá beleza. Essa alegria toda que via nele ia sumir logo.

—Tudo. E com você? — Quis saber dele.

—Também tá beleza. Mas vai ficar mais ainda quando eu vê a Sara. Ela tá aí?

Que vontade enorme de dizer um sonoro "não", mas se eu fizesse isso ia só retardar a conversa que Sara pretendia ter com ele e eu queria que ela resolvesse logo isso. Não estava me sentindo bem enganando o Nick desse jeito.

—Tá, sim. Entra aí. — Convidei dando passagem pra ele.

Nem bem ele entrou e já foi direto em direção a Sara.

—Oi, princesa.

Foi com desgostoso que o vi abraçar Sara pra logo em seguida, fazer o pior de tudo... beijá-la na boca de surpresa e bem na minha frente.

Notas finais
Só pra matar vocês de curiosidade terminamos o capítulo assim e aqui. Sexta tem o desenrolar dessa situação com Nick. Até lá então.