A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
38 Capítulo 37
Notas iniciais
—Posso entrar? — Questionei ao espiar pra dentro do quarto de Sara e encontrá-la deitada de bruços na cama e mexendo no celular.
—O quê quer? — Ela desviou rapidamente o olhar do aparelho em suas mãos pra me encarar, mas logo depois, tornou a olhar para o objeto que segurava.
—Pedir desculpa! — Disse com sinceridade.
—Isso já está ficando repetitivo, sabia? É a terceira ou quarta vez que me pedi desculpas. — Ao terminar de falar, Sara me olhou novamente.
—Isso significa que sei reconhecer meus erros e me arrependo deles. — Sem que ela tivesse me autorizado, eu entrei no quarto, bati a porta e fui até onde Sara estava. Me agachei próxima a ela na cama e pedi novamente que me desculpasse. _Não era a minha intenção te ofender, juro. — Expliquei, tocando sua mão e segurando-a logo depois. Tudo o que eu não queria era ficar brigando com Sara, ainda mais, agora que a gente se entendeu. _Me desculpa?
Ela deu uma olhada em nossas mãos juntas e suspirou. Depois voltou a me olhar.
—Eu te desculpo, mais uma vez, quatro olhos.
—Obrigado, mais uma vez!
Ela então sorriu-me e eu a acompanhei nisso.
—E quanto ao Nick... eu pretendo terminar com ele, mas só quando ele voltar do Texas. Não acho legal fazer isso por telefone. Seria muita insensibilidade da minha parte fazer isso assim.
Ela tinha toda razão naquilo. E eu querendo que ela fizesse aquilo momentos atrás, durante a ligação com Nick. Ainda bem mesmo que ela não fez aquilo. Seria péssimo!
—Eu acho que ele vai ficar mal quando terminar com ele. Nick parece muito apaixonado por você.
—Acha mesmo isso?
—Sim! Eu nunca o vi tão ligado em uma garota antes, como o vejo sendo com você. Ele é do tipo "pegador", que fica com uma garota hoje e outra amanhã e não se "apega" a nenhuma das garotas.
—Catherine me disse isso no dia do boliche.
—E acredito que ele acabou não só se "apegando" como se apaixonando por você.
Era desconfortável pra mim dizer aquilo, mas eu conhecia meu amigo o bastante pra saber que o que eu estava dizendo era a mais pura realidade. Tava na cara de Nick que ele tinha se apaixonado de verdade pela Sara e eu não queria nem imaginar o quanto seria decepcionante pra ele levar um fora dela.
—Sabe que apesar de ser um cara muito grudento, ele é legal, divertido e... tem um beijo bom.
Franzi a testa prontamente com aquelas suas últimas palavras dela.
—Você não disse o que eu acabei de ouvir, disse?
—Claro que eu disse.
Ela riu como se não tivesse dito nada de mais. Só podia estar querendo me provocar ao ficar dizendo aquilo.
—Quer dizer que o beijo dele é bom?
—Sim!
—Hum... Quero ver você continuar achando isso, depois que eu refrescar sua memória com o MEU beijo.
Não lhe dando tempo pra nada, eu a beijei com urgência. Desde ontem quando nos despedimos, que eu não sentia o gosto dos lábios dela. E já fazia algumas hora que ela estava de volta a minha casa, mas a gente ainda não tinha conseguido trocar um beijo que fosse, porque minha mãe estava sempre por perto da gente e isso me inibia um pouco. Mas agora, longe dos olhos dela, eu podia matar a minha vontade e a saudade de beijar Sara.
Poucos segundos após ter inciado aquele beijo, sem que me desse conta ou sequer lembrasse do mundo a minha volta ou de quê minha mãe estava no andar de baixo da casa, eu já me encontrava deitado sobre Sara na cama dela, trocando um intenso e arrebatador beijo com ela.
—E então, continua achando que o beijo dele é bom ou o meu é melhor? — Eu quis saber logo após terminar o beijo que já durava alguns minutos.
—Eu ainda tô na dúvida. Preciso de mais um beijo pra decidir.
—Ah, é?! — Sorri.
—É!
Ela confirmou com um sorriso e dessa vez, foi dela a iniciativa do beijo, pois ela me puxou de volta aos seus lábios e nosso beijo foi tão intenso e arrebatador quanto seu antecessor. Porém, este não durou tanto quanto o outro.
—E agora?
Aquela "brincadeira" estava sendo deliciosa.
—Eu tenho que ser sincera, né?
—Com certeza! E acho bom sua sinceridade me agradar, dessa vez, ou do contrário, estará em sérios problemas. — Ameacei e ela riu não me levando a sério.
—O seu beijo, quatro olhos, é muito melhor que o do cowboy!... Satisfeito?
—Muito! — Sorri e lhe dei um rápido beijo. _Vem, vamos voltar pra sala antes que a minha mãe resolva aparecer aqui e...
—E nos pegue nessa situação comprometedora com você em cima de mim numa cama?
Eu olhei pra gente naquela situação toda e fiquei extremamente sem jeito com isso. Só havia me dado conta de que estava sobre Sara momentos atrás.
—Exatamente. — Concordei ficando mais sem jeito ainda por conta das palavras de Sara. _Vai ser constrangedor demais isso. Vem! — Saí de cima dela e lhe estendi a mão.
—É capaz dela pensar que estávamos fazendo a encomenda do netinho dela.
—Sara!!
Ela caiu na risada.
—Quer parar de ficar brincando com essa situação? — Pedi meio envergonhado com aquilo.
—Sabe que eu acho que nunca conheci alguém que fosse tão tímido como você? — Ela me disse após aceitar a minha mão estendida à ela e ficar de pé que nem eu.
—Bom... pra tudo têm uma primeira vez. Vamos!
Saímos do quarto e em poucos segundos já chegávamos à sala onde minha mãe se encontrava vendo TV.
—Pelas caras sorridentes de vocês devo presumir que você consertou o mal-entendido?
—Sim, mãe. Agora está tudo certo, não é? — Olhei pra Sara à espera de sua confirmação que veio sem demora.
—É!
...
Definitivamente aquele não era o meu dia e minha mãe era a grande responsável por isso. Se não bastasse a vergonha que ela me fez passar mais cedo ao ter aquela conversa sem noção comigo e Sara, ela inventou do nada, naquele fim de tarde em que não fazíamos nada, para mostrar fotos antigas minhas pra Sara.
Queria saber de onde ela tirou essa ideia de fazer aquilo?
E com quê propósito, ela estava fazendo aquilo? Ah, já sei! Pra me matar de vergonha pela segunda vez naquele dia.
Como não podia deixar de ser, ela começou com as fotos de quando eu era bebê. Minha mãe nunca cansa de dizer que eu fui o bebê mais bonito que qualquer outro. Mas sabe como é mãe, né? Pra elas, nós sempre somos os bebês mais lindos do mundo.
Ela contou a Sara que desde pequeno eu sempre fui quieto e tranquilo. Pouco chorava e fazia escândalo como os outros bebês.
—Ah, então essa timidez toda dele já veio de berço?
—Exatamente! — Minha mãe confirmou rindo enquanto eu fiz uma careta pra Sara, pois não vi graça alguma naquilo que ela perguntou.
As fotos bem que poderiam ter ficado só naquelas em que eu era apenas um bebê fofo e bonito. Mas até parece mesmo que ficou só naquelas.
Vieram então, as que eu já estava maiorzinho. Um álbum inteiro delas. Algumas eu já nem lembrava, outras estavam tão frescas em minha mente, como se tivessem sido tiradas ontem. Em algumas, eu sorria do meu habitual jeito tímido já que detestava tirar fotos. E, em outras, eu não sorria demonstrando claramente a minha insatisfação por estar tirando foto.
—Olha só você tá uma... gracinha de Superman.
Espiei a foto da vez e era uma em que eu estava fantasiado daquele personagem. Pela minha cara, eu estava feliz, pois sorria.
Olhei então pra Sara e esta tentava segurar o riso. Ela não perdia a chance de me zoar a cada foto minha. E minha mãe nem percebendo nada disso. O pior nisso tudo era que minha adorável mãezinha não se contentava em só mostrar as fotos à Sara, ela ainda fazia questão de contar a história por trás da foto.
Era pra me fazer passar mico mesmo!
—Nessa ele tinha sete anos. Foi uma festinha na escola. Ele quis porque quis se fantasiar de Superman, pois era o super-herói favorito dele. Ainda continua sendo, não é filho?
"Pelo amor de Deus, mãe! Pára com essa tortura!"
—Não é mais tanto assim.
Mentira! Superman continuava sendo fortemente, o meu super-herói favorito. Na verdade, sempre seria!
—Esse aqui com o Grissom é o seu marido, tia Beth? — Sara questionou minha mãe tão logo a fotografia mudou.
—Sim. Era o pai do Gil.
Vi minha mãe tocar carinhosamente, o rosto do meu pai na foto. A fotografia em questão, era uma em que eu estava sobre os ombros do meu pai na praia. Imediatamente, me recordei desse dia. Tinha sido divertido! Meu pai me ensinou a nadar, quer dizer, ele tentou me ensinar. Mas eu não consegui aprender muito. Eu lembrava de cada detalhe daquele dia, pois tinha uma ótima memória, e mais ainda, quando os momentos envolviam meu pai. Guardava cada lembrança dele na mente e no coração.
—Grissom se parece com ele.
—Muito. — Minha mãe afirmou, olhando agora pra mim e tocando o meu rosto. _E não é só fisicamente, mas também no jeito de ser. Anthony era tão tímido e calado quanto o filho. Foi doído demais perdê-lo, não foi querido?
Apenas assenti em resposta, enquanto olhava a foto com meu pai.
E como doeu perdê-lo! Eu era só uma criança quando ele morreu em decorrência de um infarto fulminante. Ele estava na varanda de casa fazendo palavras-cruzadas e eu brincava no jardim, quando o vi levar a mão ao peito e depois cair da cadeira. Imediatamente, larguei meus carrinhos e fui até ele. Chamei-o, mas meu pai não me respondeu. Gritei pela minha mãe e ela prontamente apareceu na varanda e assim como eu, ela também chamou pelo meu pai, mas ele novamente não respondeu. Ligamos pra ambulância e vieram buscá-lo. Minha mãe foi com ele e eu fiquei com a vizinha. À noite quando a minha mãe chegou e me buscou na casa da vizinha, e me levou pra casa, foi então que eu soube por ela da terrível notícia. Meu pai tinha morrido!
—Sempre dói muito perder alguém. Ainda mais, quando essa pessoa é muito importante pra gente.
Olhei pra Sara e ela tinha um olhar distante ao dizer aquilo. Certamente, ela devia está lembrando do irmão dela que morreu. Ainda vou tentar saber dela como isso aconteceu.
—Que tal a gente mudar de foto e de assunto? Esse de perder alguém não faz bem a nenhum de nós três, né?
Minha mãe percebeu meu olhar pra Sara e entendendo que eu estava fazendo aquilo pela minha hóspede, ela prontamente concordou comigo. Assim como a própria Sara concordou segundos depois dela.
Vieram fotos de mim já adolescente, poucas já que eu cresci e passei a detestar mais ainda tirar fotos. Havia fotografias de mim sozinho, com minha mãe e algumas com meus amigos da escola em festas de aniversário, passeios, ação de graça, ou em outras situações e ocasiões.
E quando, por fim, as fotos acabaram, eu agradeci porque enfim a minha sessão de pagação de mico teve seu final.
—Vou guardar os álbuns e volto já.
Sara e eu assentimos pra minha mãe que já levantava com os quatro álbuns seguros na outra mão livre, pra em seguida, seguir para as escadas e ir para seu quarto guardar os álbuns.
—Sabe que eu gostei e me diverti vendo as suas fotos?
—Deu pra notar isso. Ficou me zoando o tempo todo. Agora só falta eu ver as suas fotos.
—Ah, mas isso não vai acontecer mesmo.
—Por que não?
—Porque pra isso você teria que ir à São Francisco me visitar.
—Eu vou lá ora.
—Até parece, quatro olhos!
—Mas é claro que eu vou em São Francisco. Desde que você queira que eu vá e principalmente, me convide pra ir lá passar uns dias na pousada da sua família, eu posso muito bem aparecer lá.
—Sério que se eu te convidar você vai?
Por que ela acha que eu não iria?
—Vou, sim.
Ela sorriu-me e eu retribui o sorriso.
—Então se é assim o convite já tá feito. Quero que vá lá me visitar. Mas já aviso de antemão que essa parada de ver álbum de fotografias minhas, isso não vai rolar.
—Fala sério! Se é exatamente por isso que quero ir. — Brinquei fingindo frustração.
Ela me encarou de olhos semicerrados e eu apertei os lábios pra não rir dela.
—Ah, era só por isso?
—Claro que não. Eu tava brincando. Eu vou pra... conhecer a cidade. Nunca fui na sua cidade, acredita?... Ai! — Reclamei após ela me golpear no braço. _Por que me bateu?
—Porque você tá curtindo com a minha cara.
—Eu? Imagina! Por que pensa isso? — Fingi inocência.
—Quer ir a minha cidade só pra conhecê-la? Só por isso?
Eu não resisti e cai na risada da sua insatisfação.
—Do quê tá rindo?... Já sei, é de mim!
—Não. Eu tô rindo da sua insatisfação pela minha resposta. E quer saber? Eu tava brincando de novo. Na verdade, eu vou a São Francisco pra te ver. — Confessei.
—Sei!
—Tô falando sério dessa vez, ok?
—Hum... Quero só vê você ir lá.
Antes de dizer algo em resposta à ela, eu dei uma espiada em direção às escadas pra vê se minha mãe não vinha, e ao me certificar que não havia sinal dela, eu me aproximei mais de Sara e lhe dei um beijo rápido.
—Pois pode esperar que eu vou. Nas próximas férias, eu apareço lá em São Francisco pra te fazer uma visita. — Eu disse a ela após o beijo.
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